sábado, 19 de setembro de 2020

POR QUE NÃO TE CALAS COSTA?

Em 2007, na Cimeira de Santiago de Chile, fez historia a admoestação  do rei Juan Carlos de Espanha dirigida então ao presidente da Venezuela Hugo Chavez: “Por que no te calhas”?

O jeito bem latino dos nossos políticos servirem-se da verborreia  para dizerem em centenas de frases o que os anglo-saxónicos sintetizam em poucas palavras, mereceu, no jornal “Público”, anos atrás,  a António Guterres o “nikname”de “picareta falante”, pela pena impiedosa e cáustica de Vasco Pulido Valente.

Aliás,  a nossa Assembleia da República, com raras excepções,  é o lugar de eleição para os jovens ambiciosos do Partido Socialista se iniciarem, fazerem carreira e eternizarem-se no segredo de muito dizer para nada dizer. Em adaptação de um naco de prosa acaciana, eles “hesitam, tataranham, amontoam, embaralham, e fazem um pastel confuso que nem o Diabo lhe pega, ele que pega em tudo”!

Não temos em nosso tempo  homens de barba rija  que ponham cobro às juventudes partidárias  que procuram  oportunidades numa forma de profissão  de quem se preocupa nada com o país e bastante com as benesses que a vida interesseira da  política obriga a mudar de políticos como quem muda de fraldas a putos mijões  de que é exemplo paradigmático o facto de três anos de governação do actual do Partido Socialista terem  existido, cito de memória,  54 secretários de Estado que, aposto dobrado contra singelo, não irão cair nas garras do desemprego.

O mundo e, como tal, Portugal atravessa uma cise pandémica comparável, ainda que em menor escala,  segundo espero e faço votos,  que a Gripe Espanhola que dizimou grande parte da sua população na I Grande Guerra Mundial. Sem ainda termos a noção do que pode vir a acontecer em tempos do coronavirús temos a “sorte” de termos um primeiro ministro, finalmente, liberto da responsabilidade  de fazer parte da lista de apoio de Vieira às próximas eleições do Benfica.

 Desta forma, tendo paz de espírito, para debitar  do alto da sua  cátedra politica que “o país não pode voltara a confinar”. E logo acrescentar, a título de previsão: “A manter-se esta tendência  (refere-se ele, porventura,  à manutenção nos respectivos lugares da actual ministra da Saúde, figurinha frágil de porcelana de Sèvres, e da directora-geral da Saúde, avozinha das estórias para embalar criancinhas  com medo do papão coronavírus) chegaremos aos 1.000 casos por dia, 60 óbitos e 780 infectados em 24 horas”. 

Nenhuma destas personagens, e nem sequer o Governo em peso tiveram a coragem de impedir a recente Festa do Avante sob a desculpa que iam ser tomadas medidas, ainda que pouco convincentes, para impedir o perigo de contágio sem cuidarem saber que a preparação destes três dias de festividade seriam precedidos de um tempo bem maior em que os operários/comunistas não podiam executar as grandes obras necessárias  a um evento desta grandiosidade com preocupações de natureza de saúde publica.

Peço desculpa ao leitor em voltar a  Eça, meu escritor de mesinha de cabeceira de noites insones, indagando a seu exemplo: “No meio de tudo isto que fazer? Portugal tem atravessado crises igualmente más, mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e caracter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não – pelo menos o Estado não tem -  e os homens não os há, ou os raros que  há são postos na sombra pela Política. De sorte que esta crise me parece a pior – e sem cura”.

Ora, Costa não parece ter arcaboiço para  ser a solução  para a  um problema, em certa medida,  criado por ele próprio chorando, agora,  sobre o leite derramado limitando-se a previsões estatísticas sem atender  que na voz do povo: “Se a palavra  é de prata, o silêncio é de ouro”. 

Já chega de bla-bla-bla  para preencher, a título de propaganda política,  os écrans televisivos com entrevistas suportadas pelos costados de Costa!


 

 

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. "A latere": Critico da Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, algumas vezes, neste blogue, não posso deixar de reproduzir, com agrado, este seu texto publicado no SAPO em que ela demonstra o alto conceito que tem sobre o nobre sentimento da AMIZADE!

    Assim: “O André foi meu colega no Conselho Nacional do PSD, onde eu já não estou e ele também já não está. Acho muito importante as pessoas terem atividade política da mesma forma que a defendo para os enfermeiros”, disse Ana Rita Cavaco à agência Lusa.

    A responsável sublinhou que a sua “militância continua onde está, no PSD”.

    “Hoje vim mesmo dar um beijo de Ana Rita, de amiga. Amanhã [domingo] estarei cá de forma oficial, como estive no PS, no PCP, no PP, a representar os enfermeiros. Mas o André, acima de tudo, é meu amigo e será sempre”, esclareceu.

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