quinta-feira, 8 de novembro de 2018

"ANTES É QUE ERA BOM" de MIchel Serres


O filósofo francês Michel Serres, 87 anos, contraria neste livro da Guerra e Paz a ideia feita de que hoje se está pior do que ontem. Com irónico estilo literário e recordando os tempos duros da sua juventude, conta-nos como o mundo hoje é incomparavelmente melhor do que já foi há pouco. Vive-se muito mais e muito melhor. Uma lição para os pessimistas! Excerto:

VIDA E MORTE

"Da minha nascença até hoje, a esperança de vida, em França, saltou para os 80 anos. Entre os que neste momento me escutam ou me lêem, quantos aqui não estariam se a curva dos sobreviventes não se tivesse verticalizado desse modo? Mas onde estão os Ranzinzas de outrora? Quantas crianças era preciso pôr no mundo para nele conservar duas ou três?

Antes, de guerra ou de doença, de miséria ou de sofrimento, morria-se mais novo, era muito melhor. Porquê? Melhor, porque, em média, os cônjuges juravam fidelidade por apenas cinco anos no momento da casamento, ao passo que hoje a estatísticas diz que a afirmam por 65 anos: inferno! Melhor ainda, uma vez que Balzac ou Dickens falam de jovens herdeiros de 230 anos, ao passo que hoje quantos dos referidoasb senhores de 60 anos  continuam à espera do legado dos predecessores, que se deliciam com tisanas á noite e se presenteiam com viagens de ferias no Club Med? Melhor para eles, bem entendido. Era muito melhor, uma vez que os jovens de 18 anos não hesitavam em oferecer a sua vida pela pátria, madrasta atroz, ao passo que hoje os seus equivalentes hesitariam em oferecer-lhe 60 anos de esperança de vida. Acabou-se o serviço militar. Antas, os pais podiam matar alegremente nos seus filhos na guerra; mas onde estão, hoje, esses assassinos de outrora?"

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