quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O MEU PAÍS É O QUE O MAR NÃO QUER


Minha crónica no Público de hoje:

O poema de onde vem o título chama-se Morte ao meio-dia, é de Ruy Belo e foi publicado em 1966 no livro Boca Bilingue. Vale a pena deixar aqui a penúltima estrofe:

“O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz do dia
pois a areia cresceu e a gente em vão requer
curvada o que de fronte erguida já lhe pertencia”

O verso serve também para um espectáculo teatral de Ricardo Correia, 37 anos, construído com base na sua experiência de emigrante no Reino Unido e nos numerosos testemunhos de portugueses qualificados compelidos a deixar o país nos últimos tempos. Estreada em Coimbra em Abril passado, será em breve também representada na Universidade do Porto, no quadro da apresentação pública do projecto de investigação “BRAin DRAin and Academic MObility from Portugal to Europe” (BRADRAMO).

As conclusões deveriam causar brados. Dos 1011 jovens inquiridos, todos licenciados e emigrados, cerca de quatro quintos saíram do país depois de 2008. Antes de saírem, 31% deles não tinham qualquer rendimento e 42% ganhavam menos de mil euros. Hoje, estando lá fora, 55% ganham mais de 2000 euros e 27% ganham mais de 3000 euros. Segundos os investigadores, que se basearam na amostra, entre 2011 e 2012 emigraram pelo menos 40.000 portugueses licenciados. Amargurados, a grande maioria (cerca de dois terços) não planeia voltar tão cedo.

Esta investigação ajudou a tornar mais precisa uma noção de vazio que todos nós temos. O nosso país tem recusado nos últimos quatro anos um futuro minimamente decente aos jovens em cuja formação investiu fortemente. Todos conhecemos, nas nossas famílias ou nas dos nossos amigos, casos de emigrantes com canudo, por vezes com canudos dourados (muitos são doutorados e pós-doutorados, alguns até com carreiras brilhantes de investigação). Nós sabemos e sabe-se já lá fora: o El País de 5 de Setembro noticiava que o Serviço Nacional de Saúde britânico tem contratado enfermeiros lusos, a quem chega a pagar mais de 3000 euros. O jornal informa que nos últimos seis anos emigraram 13.000 enfermeiros aqui formados. O Serviço Nacional de Saúde português precisa de mais enfermeiros, mas, quando os contrata, não lhes paga mais de 1000 euros. O jornal espanhol informa também sobre a emigração artística: já há uma orquestra (Orquestra XXI) de jovens músicos nacionais que estão a trabalhar por esse mundo fora e que vêm tocar a Portugal no “querido mês de Agosto”. A recente diáspora de talentos é impressionante: inclui cientistas promissores, técnicos competentes e artistas superdotados, para já não falar dos menos qualificados que também fogem. Se nos anos de chumbo de 1966 a emigração era de meia rota e mala de cartão, nestes novos anos de chumbo a emigração vai de ténis e mochila, com o portátil lá dentro.

Este êxodo, com as proporções de uma tragédia (não, não é por os jovens saírem, é por não voltarem, deixando Portugal exangue dos seus melhores), tem responsáveis. Tivemos nos últimos quatro anos um governo de triste memória, que não só permitiu esta saída em massa como, sem qualquer vergonha, a encorajou tanto quanto pôde.

Na ciência tivemos a atitude despudorada da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) que, com o patrocínio do ministro Nuno Crato, cortou sem critério metade do tecido científico nacional. Decepou a eito centros de investigação, projectos e bolsas. Por incrível que pareça, o próprio presidente da FCT, Miguel Seabra, enquanto cortava oportunidades por aqui estava simultaneamente na Inglaterra a receber candidatos a cientista. O mesmo ministro fez, na área da educação, uma poda aos professores, depauperando o nosso ensino público. Não se atreveu, porém, a fazer uma razia nos alunos: a recente subida mágica da média de Matemática do 12.º ano representou o abandono completo da sua alegada política de exigência (como já alguém disse: “se não gostarem dos meus princípios, tenho outros”). Na cultura, despromovida a Secretaria de Estado, o secretário de serviço Jorge Barreto Xavier não teve peias em anunciar, no Sol de 4 de Setembro, por que razão ocupou aquela subpasta: “Trabalho para um líder, que é o primeiro-ministro, com muita honra e orgulho (…) Tal como sou do Sporting desde miúdo, também sou do PSD desde miúdo.”

Eu sou e sempre fui independente. Mas ser independente não é silenciar o opróbrio. Pronunciei-me sobre o anterior primeiro-ministro na devida altura e agora é tempo de me pronunciar sobre o actual. Para minha grande mágoa, não tivemos nos últimos quatro anos governantes a trabalhar com o fito no bem comum, procurando melhorar a ciência, a educação e a cultura, tentando dar futuro aos jovens e ao país. Tivemos um líder, Pedro Passos Coelho, para quem a ciência, a educação e a cultura não significam praticamente nada e que, por isso, não tem nenhum futuro a dar-nos.

12 comentários:

  1. “Não sei porquê, mas os livros são péssimos, UNIVERSALMENTE PÉSSIMOS!
    Seja como for, estou contente com este livro, porque é o primeiro exemplo da aplicação da aritmética à ciência. Fico um pouco descontente quando leio as temperaturas das estrelas, mas não fico muito descontente porque está mais ou menos correto – é só um exemplo de erro. Depois vem a lista de problemas. (…) Perpétuo absurdo! Não há nenhum interesse em adicionar a temperatura de duas estrelas. Nunca ninguém o faz, excepto, talvez, para em seguida calcular a temperatura média das estrelas! Era horrível! Era apenas um jogo para nos pôr a somar e não sabiam do que falavam. (…) A matemática era assim. Era mesmo sem esperança.” [Avaliando os livros... Nem sempre a brincar Sr. Feynman – Gradiva]

    Senhor Professor Carlos Fíolhais, chamo a sua atencão a respeito de um exercício do manual escolar do 4. Ano para o presente ano lectivo, o qual gostaria que fosse do seu conhecimento (na capa do livro está escrito que cumpre as metas curriculares e além disso está certificado por uma Escola Superior de Educação, no caso a de Viseu).
    Bem sei que o mais indicado seria dirigir-me, às autoras do livro, à referida escola superior, aos autores das metas curriculares, aos coordenadores das metas curriculares, e por fim ao senhor ministro Nuno Crato. Mas não, escrevo-lhe a si, porque, talvez o senhor professor Carlos Fiolhais possa aqui no blog aconselhar, como devem proceder aqueles (alunos, encarregados de educação e professores) que vierem a encontrar a situação que descrevo ...

    Então é assim: existe no referido manual escolar, um exercício com as imagens dos 8 planetas do nosso sistema solar. Acompanhando a imagem vem um texto que dá as dimensões dos planetas, apresentando o raio de alguns planetas e a relação por números inteiros com restantes.

    Consideração: - as imagens que ilustram os planetas não estão de acordo com as dimensões enunciadas no texto! (não é absurdo! Então temos a imagem da Terra com metade do tamanho de Júpiter quando no texto se diz que Júpiter tem o raio 11 vezes maior que o raio da Terra! Idem para outros planetas!).

    Depois, vêm as perguntas:

    1.1 Qual a diferença de medida entre o raio do planeta maior e o raio do menor? Apresenta o resultado em metros.
    1.2 Volta a ler o texto e calcula a medida aproximada do raio da Terra.

    2. A lua é o satélite natural da Terra. O seu diâmetro corresponde a ¼ da medida do diâmetro da Terra e a sua distancia à Terra é de aproximadamente 380 000 km.
    2.1 Descobre o valor aproximado do raio da Lua.
    2.2 Imagina que acompanhavas um astronauta numa viagem à Lua. Quantos quilómetros terias de percorrer nesta viagem até regressares da novo à Terra?


    (continua) ...

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  2. … (continuação)


    “Vimos que é impossível definir matematicamente “valor aproximado”, assim como é impossível definir “numero grande” ou “numero pequeno”. No entanto, já é possível definir matematicamente “erro de um valor aproximado. Por exemplo, se considerarmos o numero 3,16 como valor aproximado de PI, podemos afirmar “o erro desse valor aproximado de PI é inferior a 0,02' – o que é uma proposição verdadeira (e não apenas aproximadamente verdadeira)” [compêndio de matemática 2. vol – J. Sebastião e Silva]

    - Questiona-se as perguntas:

    Em 1.1 pede-se o resultado em metros!!!
    Pergunta-se: porquê, que sentido tem se todas as medidas dadas tem como unidade o km, além disso o metro terá mais significado na apreensão da distancia entre planetas e com isso melhor dar a ideia a distancia?

    Em 1.2 e 2.1 pede-se a medidas aproximadas!!!
    Pergunta-se: porquê! Os valores aproximados!!! se é impossível definir matematicamente o “valor aproximado”? e não se pode fazer uso do calculo de valores aproximados, sem a introdução do erro de um valor aproximado, da noção de algarismo significativo e algarismo exato, etc. tudo o que não se pode ensinar a crianças com esta idade.

    Na verdade, o senhor professor Carlos Fiolhais sabe que a maioria dos estudantes quando entra para a Universidade não domina o calculo numérico com valores aproximados, isso aprende-se lá, mas grande parte dos licenciados até sai de lá sem o dominar, e contudo pede-se a crianças medidas aproximadas! Absurdo!
    Em suma: “a poda dos professores” que Nuno Crato fez não serve, ou foi muito pequena ou cortou os ramos errados, ou ambas.

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    1. Só após o envio do meu comentário verifiquei que Helena Damião é coordenadora pedagógica Programa de Matemática para o Ensino Básico. Jorge Buescu é consultor das Metas Curriculares de Matemática - Ensino Básico.
      Ambos são autores do blog, chamo por isso também a atenção destes professores, pedindo-lhes igualmente que se pronunciem.

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    2. Ficou em falta a questão 2.2... bem fiel às palavras acima de Feynman "um jogo para nos pôr a somar e não sabiam do que falavam".
      Pergunta-se: Então não existe movimento dos planetas (as elipses)? a distancia da Terra à Lua é sempre constante? pode-se ir à Lua por linha recta, a distancia percorrida é a soma de dois segmentos de recta iguais (ida e regresso)? Bem se é "de pequeno que se torce o pepino" começa-se muito mal, não concorda professor Carlos Fiolhais?

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    3. Não vejo o que tem isto a ver com o artigo, mas posso tentar dar a minha sugestão quanto a algumas das suas dúvidas:

      1.1 - Serve para que as crianças relacionem diferentes unidades e medida, e aprendam as proporções. Neste caso, entre o metro e o quilómetro;

      1.2 - Não sei o objectivo. Teria de ver o exercício;

      2.1 - Porque a razão entre os raios da Terra e da Lua não é exactamente 1/4. Logo, ao fazer essa conta, o resultado será aproximado, e não exacto;

      2.2 - Se está a falar de um livro do 4º ano, parece-me um pouco excessivo esperar que a excentricidade das órbitas seja já referida. Sendo assim, parece-me claro que a conta deve ser apenas a soma da ida e da volta com a distância por eles dada (o valor, mesmo sendo a órbita uma elipse, também não varia muito, especialmente num curto período de tempo, como é o caso em viagens de ida e volta à Lua).

      Quanto à observação de os planetas não estarem à escala, peço-lhe que veja isto de um outro ponto de vista: tendo Júpiter um raio de pouco mais de 70 000 km e Mercúrio pouco menos de 2 500 km (a razão entre os raios destes planetas é cerca de 30, no sentido em que Júpiter é 30 vezes maior em termos de raio), acha que era razoável pôr os planetas à escala numa imagem que não deve ocupar sequer meia página A4? Penso que, nessas circunstâncias, Mercúrio mal ficaria visível. E isto é sem entrar em conta o raio do Sol e as distâncias entre planetas, que estragariam mesmo tudo.

      Espero que estas minhas explicações lhe pareçam fazer sentido. Se discordar de alguma coisa, por favor comunique.

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    4. Caro(a) Anónimo(a); Por se tratar de educação para crianças, e tendo em conta a gravidade daquilo que escreve, “obriga-me” a responder-lhe!
      Fala-se de educação, de matemática, da educação, do ministro etc. eu escrevo sobre a natureza das coisas (De Rerum Natura) compreende isso?!

      1.- É estranho que o senhor(a) venha aqui tentar explicar-me o exercício e nem sequer percebeu o essencial, - que o exercício é desadequado, sem interesse para as crianças - inclusivamente até pela apresentação (escala,A4...) e que podia e devia ser outro exercício de ciência, mas adequado. Enfim, isso era o mais simples, o mínimo que teria de perceber.

      2.- Já não estranho pois as suas respostas reveladoras da sua ignorância patenteada acerca das medições do mundo físico. Todas as medições do mundo físico são aproximadas, memorize e compreenda isso senhor(a); evita-lhe dizer e escrever mais disparates no futuro!


      Senhor Professor Carlos Fíolhais, Bem vê o que aqui se passa! imagine agora que este senhor(a) Anónimo é professor(a) de matemática ou física (o que não será difícil de suceder...) ora aqui aí está um duplo infortúnio para o aluno, além de um mau manual escolar junta-se um mau professor. Se existem ambas as situações, a primeira era perfeitamente evitável.

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    5. Pronto, já vi que o senhor na verdade não pôs aqui estas perguntas para ser esclarecido, mas sim para insultar os outros. Não me admira que os autores dos artigos nunca lhe respondam, visto que a sua atitude estraga uma conversa logo à partida. Espero que nenhuma criança tenha o infortúnio de receber conselhos científicos de si, pois será uma alma perdida para esta área.

      Você queixa-se da má escala dos planetas, e depois insulta-me por falar em escalas. Você queixa-se de ser pedida uma medida aproximada, e depois queixa-se de que todas as medições do mundo são aproximadas. Queixa-se da incompetência dos outros quando não faz o mínimo esforço para perceber o que os outros dizem. Só lhe digo que espero sinceramente que não seja um professor, porque tamanha ignorância não pode ser transmitida aos outros.

      Já que diz tanto mal dos manuais escolares, faça os seus próprios. E veja então o que os outros lhe dizem. Ou então, faça como devia fazer desde o início, e não insulte as outras pessoas pelas coisas que não percebe.

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    6. Caro Anónimo;

      Entenda-mo-nos, então não lhe faltou perspicácia para ver que o meu comentário estava fora do contexto! É curioso! já que lhe faltou a perspicácia para ver que o exercício era absurdo! Que este absurdo estava em linha com a descrição que o Feynman fez na avaliação de livros que transcrevi. Ora a transcrição de Feynman era para si, (era para os leigos) para que pudesse compreender facilmente o absurdo do exercício. Mas nem nas palavras de Feynman o senhor viu alguma coisa. Desatou as escrever as suas lucubrações.

      Dirijo-me portanto ao leigo, em particular aos encarregados de educação.


      Mas também me dirijo a todos os especialistas na matéria, aos que são entendidos, - que fazem programas e metas curriculares - para que não fiquem passivos, para que não digam depois que desconhecem a situação, que não é da sua competência os manuais escolares e por isso nem uma palavra (como se fosse coisa estranha ao seu trabalho) etc. Ao senhor ministro da educação, Nuno Crato.

      Ao professor Carlos Fíolhais, pedindo-lhe que intervenha na educação, que condene este tipo de exercício, que se encontram vezes demais nos manuais, que não ensinam uma ideia, “o valor de uma ideia”. O valor de uma ideia é algo de extraordinário numa criança... repare no que diz Feynman, e cito:

      “Registe-se que poucos são os que se dão conta da sua importância [uma ideia]. Excepto que, provavelmente, algumas crianças poderão captá-la. E quando uma criança capta uma tal ideia, temos um cientista. É já demasiado tarde* para entenderem o espírito quando frequentam as universidades, pelo que se impõe explicar estas ideias às crianças.”
      * Se fosse hoje, diria: « É tarde - embora não demasiado – para entenderem o espírito...» [Nem sempre a brincar Sr. Feynman - Gradiva]


      Carlos Fíolhais aparece aos leitores do De Rerum Natura, ocupadíssimo na divulgação da figura de Mariano Gago e do seu legado estéril naquela perspectiva que transcrevo acima de Feynman.
      Deixa a imagem de alguém que gasta todo o tempo seu nisso, e na verdade não se vê aqui uma única iniciativa que não seja desse âmbito, enquanto podia e devia gastar mais energia naquilo que é mais importante que é “quando uma criança capta uma tal ideia, temos um cientista.”. Também por isso me dirigi ao professor Carlos Fíolhais.

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    7. Você não se "dirige" às pessoas. Você insulta-as. Aos "leigos" e aos "especialistas" como se o senhor fosse dono da verdade. O senhor diz que o exercício é um absurdo, mas eu expliquei-lhe o sentido de cada uma das alíneas. Você pensou no que eu lhe disse? Claro que não. Não mudou uma vírgula no seu discurso, e passou os insultos às pessoas que fazem os manuais para mim.

      Você queixou-se das escalas dos planetas. Eu expliquei-lhe o porquê delas. E insultou-me por falar em escalas. Fez-se de indignado por ser pedida uma aproximação, e depois fez-se de indignado por lhe ser óbvio que tudo são aproximações. Na verdade, o senhor não quis saber do que eu lhe disse. Apenas quis mandar postas de pescada e fez-se de virgem ofendida por alguém lhe responder.

      Novamente, rogo para que não seja um professor, senão serão turmas perdidas aquelas que o senhor ensina. Ainda por cima se for em ciência, área em relação à qual é pelos vistos totalmente ignorante, parecendo ainda ter algum prazer em espalhar essa ignorância.

      O exercício, já reparei, não é nenhum absurdo. Até porque nem foi capaz de sugerir uma alternativa para esse mesmo exercício. O absurdo é o senhor querer que tudo esteja feito como quer numa área que obviamente não é a sua. Esse exercício ensina proporções, relações entre grandezas e distâncias. É inútil? Inútil é essa sua conversa a deitar abaixo coisas que servem para ensinar, por puro capricho seu. Já lhe disse: ofereça-se para fazer manuais escolares se está assim tão convencido que os actuais são inúteis. Ou, caso não tenha alternativas, não se meta em assuntos que não percebe.

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    8. Caro Anónimo;
      As autoras do livro apresentam uma pequena nota que diz o seguinte:
      Fonte: www.apolo11.com (adaptado)
      Acedido a 15.10.2010
      ... e o adaptado das senhoras resultou no descalabro que lá está e que o senhor tolera e aplaude! saiba contudo, que mesmo num A4 seria possível apresentar uma imagem que mostre as dimensões relativas dos planetas de forma impecável. Efetue uma pesquisa por imagens do sistema solar e verá que isso é possível. O que já valorizaria o exercício, pela curiosidade e maior excitação que provocaria nos alunos, ver que o nosso planeta apesar de "grande" é ao mesmo tempo "pequeno".

      O livro é péssimo, não tem volta. Quer ver mais um exemplo ridículo?

      "Esta semana, numa fábrica, foram produzidos 455 pares de ténis, tendo sido enviados 46 pares para cada loja de desporto da cidade. Quantas lojas de desporto existem na cidade?"
      [problema extraído de um livro qualquer do 4.ano, mas que está de acordo com o programa e metas curriculares em vigor - tal e qual, nem mais nem menos uma palavra, nem mais nem menos uma virgula]

      Eu sei que o senhor Anónimo sabe a resposta (já aqui se viu que a falta de rigor é a sua praia!), por isso nem lha pergunto, mas eu não sei responder, o professor Carlos Fiolhais também não sabe, a professora Helena Damião e o professor Jorge Buescu a mesma coisa, o ministro Nuno Crato sem dúvida que não sabe. Só o senhor é que vê nisto um insulto às pessoas! ultrapassado que se encontra, e não vê nisto a defesa do direito das crianças a aprender, a aprender com qualidade, também com bons manuais escolares.

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    9. Porque não apresentou então esse exemplo em primeiro lugar, visto que o outro era normal? E de qualquer maneira já disse: ofereça-se para criar novos problemas, ou não se meta em assuntos que não domina.

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    10. Caro Anónimo;
      Já vi que, se alguém lhe manifestar o seu descontentamento pelo presidente da republica (independente de quem seja) o senhor responde-lhe, meu amigo tem um remédio, candidate-se a P.R,!!!

      Diz-me o senhor "Porque não apresentou então esse exemplo em primeiro lugar, visto que o outro era normal?"
      Quero que saiba, desde já que, infelizmente vou ter que trabalhar com este manual escolar enquanto encarregado de educação, e só agora, aos poucos estou a tomar o primeiro contacto, mas os exemplos como os que descrevo sucedem-se em abundância, e não sei o que fazer ao certo, vou talvez falar primeiro com o professor sobre os erros grosseiros, e não são poucos, e a melhor forma de os tratar.

      Não sei se quer ver mais! Prossigamos então. Desta vez no caderno de fichas das mesmas autoras, & restante Ca...

      Folheando encontrei uma espécie de clone do primeiro exercício (aquele que o senhor diz que é normal!). Têm uma imagem um pouco mais agradável que a outra, pesquisando, é muito idêntica a esta:

      https://www.google.pt/search?q=imagens+de+planetas+do+sistema+solar&biw=1225&bih=705&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0CAYQ_AUoAWoVChMImZ6P-Z_6xwIVhHEUCh1ywA6D#imgrc=xhGNZA1_gabGrM%3A

      Mas a imagem têm um grande perigo que é, evidentemente, todos os planetas estarem alinhados na direção do Sol, ora isso deveria ou poderia ser, creio eu, corrigido pelo professor na sala de aula...
      Mas pasme-se! Pasme-se duplamente, ou melhor segure-se no espanto, senhor Anónimo que já lhe mostro como as Autoras do livro tratam do caso, à maneira delas claro, (aquela que é normal, no seu entendimento) perguntam as senhoras:

      "A Terra está a uma distancia de 149 600 000 do Sol e Urano está a cerca de 5 913 520 000 quilómetros desta estrela. Qual é a distancia entre Urano e a Terra?"


      E assim, as Autoras cumpriram infelizmente, com perfeição o seu papel - o de destruir TUDO o que de maior valor pode existir na aprendizagem da criança. E TUDO em nome de uma conta de subtrair.

      Bem sei que não tem sensibilidade para isto da pedagogia... mas ao menos, neste dialogar, lá vou eu escrevinhando algumas coisinhas na vaga esperança de carregar consciências. Tem por isso o caro Anónimo aqui um mérito igual, mesmo que sejamos irremediavelmente discordantes.

      Cumprimentos,

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