segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Conhecer o céu nocturno — O Céu de Inverno


Informação sobre nova palestra de GUILHERME DE ALMEIDA:

No próxímo dia 6 de JANEIRO (uma sexta-feira), pelas 21:30, Guilherme de Almeida fará uma palestra especialmente dedicada ao reconhecimento do céu de Inverno. É totalmente diferente das sessões habituais do Planetário. Não é uma repetição da palestra anterior, que foi referente ao céu de Outono. A entrada é livre (grátis) e estão desde já todos(as) convidados(as) a comparecer. Se lhe interessar, anote na sua agenda.

Admiram a beleza e imponência de um céu estrelado?
Gostariam de aprender a reconhecer estrelas e constelações?
Pensam que é muito difícil fazer essa aprendizagem?

A palestra começa mesmo às 21:30 e é feita a convite da Direcção do Planetário Gulbenkian, contando com a presença de membros da Associação Nacional de Cruzeiros (ANC). ".

Resumo:

Quem é que nunca desejou saber identificar uma estrela, ou reconhecer uma constelação no céu? Ou localizar a constelação cujo nome está associado ao seu signo pessoal (por exemplo: Carneiro, Touro, Gémeos, Caranguejo, Leão, etc.)? Contrariamente ao que possa parecer, estas identificações são simples e acessíveis desde que seja seguida a técnica própria, fácil de aprender. A curva de progressão desta aprendizagem é rápida.

A palestra é constituída por duas partes:
1. Abordagem breve das técnicas e procedimentos, recomendações e métodos de identificação.
2. Aplicação prática ao céu de Inverno, com exemplificação, dos métodos e procedimentos referidos, utilizando o magnífico céu que o Planetário permite reproduzir.

Na palestra serão abordadas algumas lendas sobre constelações, assim como a sistematização do céu ao longo dos tempos e algumas vantagens práticas associadas a esse conhecimento.

As técnicas acima referidas serão mostradas e aplicadas relativamente ao céu desta estação do ano. A palestra incluirá ainda diferentes métodos de orientação, assim como alguns conceitos úteis sobre o céu nocturno e a sua observação. Haverá oportunidade para que todos os interessados possam colocar perguntas ou esclarecer dúvidas.

Destinatários: todas as pessoas que sempre sonharam conhecer o céu nocturno e identificar estrelas e constelações com eficácia e segurança. Ou que desejam ampliar esses conhecimentos.

Duração: 45-55 min.

Local: Planetário Calouste Gulbenkian-Centro Ciência Viva, em Belém, em frente do Centro Cultural de Belém. Há lugar para 330 pessoas confortavelmente sentadas.

Anote na sua agenda. Aguardamos a sua presença e dos seus amigos.

Patamares que poucos souberam antever

Na continuação dos textos Ninguém os obriga e O argumento do botão para nos determos na falácia que é a ideia comum de que tudo, no caso, programas de televisão, pode ser apresentado, cabendo a cada um decidir se quer ou não ver.

Muitas pessoas simplesmente vêem o que se lhes dá a ver. E são mesmo muitas as que vêem televisão! Os programadores sabem bem isso. Mais: programam em função disso! E sabem também que a fórmula quanto-pior-melhor é infalível. Mais: sem quaisquer valores a balizarem-na, havendo imaginação, é uma fórmula com infinitas possibilidades!

Quando terminam, neste final de ano, na televisão portuguesa, programas em que a ideia de Pessoa está completamente ausente, temos fortes razões para temer o que se seguirá, sobretudo se lermos opiniões de quem sabe bem do que fala. É o caso de Rodrigo Guedes de Carvalho:
"(...) o chamado entretenimento apenas conseguiu o que já se receava: continuar, e ampliar, atentados cerebrais nascidos com o original “Big Brother”. De então para cá, a quantidade e diversidade de palermices que levam os nomes de reality ou talk-shows fez-nos descer a patamares que poucos souberam antever. E é nestes extremos que, no futuro próximo, a televisão mais se aproximará da sua maior virtude e do seu maior perigo: ajudar a educar (pela qualidade de muitas séries e muitos canais temáticos) quem a saiba aproveitar; mas também ajudar a transformar simples medíocres em completos atrasados mentais, pelo tipo de mensagem que veicula, pelo discurso que difunde, pela opacidade e vazio que pode contagiar gerações. No panorama actual, nada é mais sintomático do que aquele vómito chamado “Casa dos Segredos”. Não é o único, não é o primeiro, e não será certamente o último, mas é o que está no ar..."
Maria Helena Damião e João Lacerda

Debate: As reformas da Educação. Mais vale tarde do que nunca


Artigo de opinião meu saído hoje no jornal PÚBLICO:

"A minha reacção é negativa, tenho a sensação de mais do menos que cheira a ranço”, escreveu Ana Benavente, investigadora e socióloga,antiga secretária de Estado da Educação nos governos de António Guterres (PÚBLICO, 13/12/2011), referindo-se à participação televisiva do Ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, no programa Prós & Contras da RTP, do passado dia 12 do corrente.

Nada de espantar! Já se vai tornando um hábito pouco ético de antigas figuras governamentais do Partido Socialista, criticarem tudo quanto foi feito no âmbito do sistema educativo, ainda que mesmo por seus pares. Por exemplo, para Valter Lemos, também ele secretário de Estado do Partido Socialista, a actuação de Ana Benavente nos governos de Guterres “ ‘resultou nos piores resultados escolares da Europa’ em matéria de sucesso escolar e, na base deste falhanço, esteve uma cedência permanente aos interesses da Fenprof’” (PÚBLICO, 29/02/2008).

Portanto, seria de espantar, isso sim, que Ana Benavente desse o benefício da dúvida às reformas que Nuno Crato pretende implementar num ensino que não ensina e, ipso facto, relutante a que passem a ser avaliados os alunos em fim de percurso dos 1.º e 2.º ciclos do ensino básico com a finalidade em resolver alguns dos problemas que possam ter contribuído (e continuem a contribuir) para um ensino em que tem sido “proibido” reter os alunos que façam da escola um recreio permanente e/ou um ringue de violência e de indisciplina por se não se incutir neles, como defendeu Einstein,"uma compreensão nítida dos valores".

Como escrevi anos atrás, em artigo de opinião neste jornal (05/09/2005), “o caminho demasiado plano dos três ciclos do ensino básico faz com que os alunos circulem ‘sem queimarem as pestanas ’ em auto-estradas sem paragens e a toda a velocidade. Deparando-se, de repente, com a primeira portagem a pagar para a passagem em anos do exigente ensino secundário (ao menos, valha-nos isso!) levando as mãos às algibeiras verificam ter os bolsos vazios ou cheios de cotão”. Hoje, essa situação agrava-se com as “Novas Oportunidades” e o “Acesso ao Ensino Superior para maiores de 23 anos”.

Mas vamos ao cerne da questão, ou seja, em linhas gerais, a temática dedicado ao ensino superior nesse programa televisivo, por ser esse o seu objectivo principal, e a inerente intervenção do Ministro Nuno Crato. Do que retive, de memória, dessa intervenção, relevo a intenção de serem definidas, objectivamente, as obrigações e os deveres que competem ao ensino universitário e ao ensino politécnico não continuando a permitir,como até aqui, a transformação atabalhoadado ensino médio em ensino superior politécnico na vã tentativa de endireitar a sombra torta de uma vara ou tapar buracos de um lado para abrir crateras do outro. Na sua intervenção, propôs-se o actual titular da pasta da Educação evitar que algumas boas escola politécnicas se tornem em más universidades. Aliás situação, de certo modo, permitida por os formulários respeitantes à legislação destes dois subsistemas do ensino superior pouco diferirem na forma e no conteúdo, quase se podendo dizer que os respectivos articulados se confrontam perante aquilo que quiseram dizer e não disseram e aquilo que disseram e não quiseram dizer sem ter em conta devida a recuperação de uma economia sustentada na força produtiva de uma juventude formada superiormente num exigente sistema educativo cuja planificação não descure a formação de elites e de uma massa crítica que não constitua meras excepções.

Aliás, em referência merecida, o Professor Adriano Moreira, durante o Seminário “Reflexos da Declaração de Bolonha” (11 e 12 de Novembro de 2004), promovido pelo "Conselho Nacional das Profissões Liberais", em conferênciainaugural, com o título “Bolonha e as Profissões Liberais”, criticou a orientação de “univertizar os politécnicos ou polectinizar as universidades”, defendendo o princípio da “identidade separada e de igual dignidade de ambos os subsistemas do ensino superior”, acrescentando parecer-lhe “muito evidente ser um erro entender a transformação histórica de institutos politécnicos em universidades, como se de uma promoção se tratasse”.

Em sintonia com esta posição se tinha já manifestado o professor Seabra Santos, ao referir-se, na sua primeira tomada de posse como reitor da Universidade de Coimbra, à confusão subjacente nos articulados legais no que respeita às competências e finalidades destes dois subsistemas do ensino superior. Com diz o povo, não há dois sem três: os professores Adriano Moreira, Seabra Santos e Nuno Crato, este com a autoridade e poderes que lhes estão concedidos no desempenho do seu cargo ministerial para tomar uma decisão. Que apenas peca por, pela força das circunstâncias e indecisões sucessivas de anteriores governos, ter tardado. Mas mais vale tarde do que nunca!.

Na imagem: Nuno Crato.

O livro como objeto de culto

No De Rerum Natura demos notícia da atribuição, pela segunda vez, do mais prestigiado prémio de design gráfico - do American Institute of Graphic Arts (AIGA) - a Ana Boavida e a João Bicker. De volta a Coimbra, depois de o seu trabalho ter estado exposto, neste mês, em Nova Iorque, na sede do AIGA, perguntámos-lhe:

De Rerum Natura: Como foi vista a vossa obra num espaço de excelência como é a sede AIGA?

Ana Boavida: A sede do AIGA fica na 5.ª Avenida em Nova Iorque onde um frenesim constante passa para cima e para baixo. É estranho pensar que o nosso trabalho está exposto numa parede, virado para uma das avenidas mais movimentadas e conhecidas do mundo. E que ali, na inauguração da exposição, estava uma série de designers que reconhecemos como sendo dos melhores, vendo, comentando, convivendo...

De Rerum Natura: O contacto com obras seleccionadíssimas é, certamente, muito inspirador. O que trouxeram na vossa bagagem artística?

Ana Boavida: Na exposição 50 Books /50 Covers, onde estavam expostos os nossos livros, estavam mais 49 capas e 50 livros. Todos diferentes e todos bonitos, cada um no seu género. Desde grandes formatos em capa cartonada, passando por capas complexamente perfuradas a mini livros impecavelmente paginados em tamanho de caixa de fósforos, a variedade é grande mas a qualidade é sempre alta. E isso, por si só, é já bastante inspirador. Não há tipos de letra mal tratados, nem cores mal impressas. São todos bons objectos, desde a ideia ao resultado final, e isso faz deles uma bagagem muito inspiradora.

De Rerum Natura: Trabalhando em livros e com livros, saberá responder: que lugar ocupa o objecto livro no presente e no futuro?

Ana Boavida: Bom, isso é difícil afirmar com certezas mas, para nós, é uma evidência a evolução natural para os e-books. Parece-nos que já ninguém duvidará que é uma transição inevitável, tal como o foi na música há um par de anos. Por mais que gostemos de livros enquanto objetos físicos em papel, eles, desta forma massificada, irão seguramente diminuir. Não acredito que venham a desaparecer, irão até, muito provavelmente, valorizar-se, podendo passar a ser objetos de algum culto, como algo feito à mão, com tiragem reduzida, só para alguns... Por outro lado, o e-book será a solução sustentável para muito do que se lê que não precisa de ser livro: teses, artigos, manuais, trabalhos técnicos, literatura portátil, etc.. Foi revelador ver, precisamente no metro de Nova Iorque, a quantidade de pessoas que já lêem nesses dispositivos. Estão, claramente, a ser assimilados e fazem já parte da paisagem urbana. Mas, e para rematar, não acredito que os livros em papel estejam para desaparecer completamente, só vão tomar um lugar diferente. O aparecimento da fotografia, apesar dos receios de alguns, também não matou a pintura...

Fotografias cedidas por Ana Boavida.

domingo, 25 de dezembro de 2011

O conto de Natal em Portugal

A leitura do conto do Professor Galopim de Carvalho sugeriu-me a reprodução do início dum ensaio de grande interesse intitulado O conto de Natal em Portugal, da autoria de Vasco Graça Moura. A esse ensaio segue-se uma antologia de contos da nossa literatura dos séculos XIX e XX. O conjunto tem por título Gloria in Excelsis: Histórias portuguesas de Natal e foi publicado em 2003 pelo jornal Público.
"Como é natural, as referências ao Natal na nossa literatura começaram por registos de uma intensa devoção e só muito mais tarde se preocupam com a transposição da celebração religiosa e do seu sentido transcendente para o plano civil de uma comunhão festiva, familiar e universal, necessariamente ligada à ideia de paz na terra e reconciliação entre os homens.

É na poesia e no teatro que desponta lierariamente aquela exaltação religiosa, com mestre André Dias (1348-1437), e depois nalguns autos vicentinos de devoção, para não mais parar, até ao nosso tempo: do Maneirismo, no Barroco, no Romantismo e daí em diante, até hoje.

Basta recordar, mais ou menos ao acaso, poetas como António Ferreira, Frei Agostinho da Cruz, Diogo Bernardes, Rodrigues Lobo, D. Francisco Manuel de Melo, Jerónimo Baía, Correia Garção, Reis Quita, Cruz e Silva, Bocage, Almeida Garrett, Castilho, António Nobre, Gomes Leal, Fernando Pessoa, Vitorino Nemésio, Miguel Torga, Álvaro Feijó, António Gedeão, David Mourão-Ferreira e tantos outros..., para se ver o que o «cancioneiro de Natal» lusitano é muito abundante e variadíssimo.

Por sinal que é provavelmente com um celébre soneto de D. Francisco Manuel de Melo, «de consoada a uma sua prima», que o lado da celebração familiar e afectiva da quadra natalícia, acompanhada da troca de presentes, surge na nossa literatura, com a particularidade de ser escrito da prisão e, portanto, se contraposição a um estado de afastamento, de solidão e de tristeza (...) numa época que era tradicionalmente de jubilosa reunião de família. Mas, ainda no século anterior, a pós-vicentina Prática dos Compadres, de António Ribeiro Chiado, já descreve de modo muito colorido, no pitoresco diálogo entre o Cavaleiro e o Compadre, os usos e folguedos entre familiares e vizinhos, a propósito da ceia de Natal e da missa do Galo.

Isto tinha raízes muito antigas. O Padre Mário Martins explica a dramatização popular da liturgia de Natal a partir de uma ideia de presépio que «vinha de longe, muito antes de São Francisco de Assis» e observa que «na Idade Média (...) nem tudo era edificante, pela festa do nascimento de Jesus. Em 1473 um concílio de Aranda (...) fala-nos de representações, mascaradas, de figuras monstruosos e versos indecentes (...) que vinham a público, nas igrejas, por ocasião do Natal, da festa dos Santos Inocentes, São João Baptista, etc. Estes males, evidentemente, não paravam nas fronteiras portuguesas». Acrescentemos que essa tradição, de algum modo, vem ainda ecoar na muito mais tardia ficção literária relativa ao Natal."

Vasco Graça Moura

Imagem: Um dos muitos presépios de Estremoz.

sábado, 24 de dezembro de 2011

As maravilhas da natureza e a Humanidade

Tive a honra de receber o vigésimo primeiro postal de Boas Festas do Professor Jorge Paiva, botânico da Universidade de Coimbra.

O postal, em papel, tem, como sempre, fotografias e texto original em versão portuguesa e inglesa e intitula-se As maravilhas da natureza e a Humanidade. Com a devida vénia, aqui o reproduzo:


"A época natalícia, celebrada pelos cristãos como um acontecimento esplendoroso, recordo sempre muitas das maravilhas da Natureza que tive a felicidade de observar, como, por exemplo, o parto de uma elefanta africana (Loxodonta africana) em plena selva. Já estive em regiões naturais de avassaladora beleza, plenas de diversidade, como por exemplo, as florestas equatoriais (pluvisilva) de todos os continentes, o Pantanal da América do Sul, as savanas da África Oriental, os mangais da América, África, Ásia e Austrália tropicais.

Em algumas regiões, além da elevada biodiversidade, tem-se ainda a oportunidade de ver seres invulgares e outros de desmedidas dimensões, como enormes elefantes, árvores com 6.000 toneladas de biomassa, como um exemplar de Sequoiadendron giganteum, vagens de uma momosácea (Entada pursaetha) com cerca de 2 m de comprimento, sementes com cerca de 20 Kg (Lodoicea mldivica) e folhas de um “nenúfar” de limbo flutuante com cerca de 2 m de diâmetro (Victoria amazónica e Victoria cruziana).

Recentemente, tive a oportunidade de estar num dos maiores centros de biodiversidade da América Central (Costa Rica) e observar aí dois seres invulgares de rara beleza: uma borboleta da asas transparentes (Greya oto) e um feto trepador, cujo limbo foliar por ter uma única camada de células de espessura, as folhas são transparentes (Trochomanes elegans). Também existe me Portugal, embora extremamente localizado, um feto desses (Vadenboschia speciosa).

Muitas destas maravilhas estão protegidas, não apenas pela sua raridade ou esplendor, mas porque a sobrevivência da humanidade só é possível desde que na “Gaiola Global” (Globo Terrestre) onde vivemos, existam as outras espécies que a habitam. Não é pela beleza ou invulgaridade que temos de preservar as outras espécies do Globo, mas porque sem elas não sobrevivemos.

Façamos votos para que durante a época festiva do final de ano, em que, regra geral, se come exageradamente, nos recordemos que toda a comida (o nosso combustível) é de origem vegetal, animal e de outros sertes vivos (leveduras, por exemplo). Isto é, sem os outros seres vivos (biodiversidade) não comíamos, não nos vestíamos, não tínhamos medicamentos, lenha, petróleo (o crude é de origem biológica), bebidas (exemplo, cerveja, vinho, cidra), fibras, energia eléctrica."

J. Paiva, 2011.

Feliz Natal com Química!

Solstício de Verão (no hemisfério sul) ocorreu em 22 de dezembro às 05:30 horas!


Em várias culturas ancestrais à volta do globo, o solstício de inverno (no hemisferio norte) era festejado com comemorações que deram origem a vários costumes hoje relacionados com o Natal das religiões pagãs. O solstício de inverno, o menor dia do ano, a partir de quando a duração do dia começa a crescer, simbolizava o início da vitória da luz sobre a escuridão. Festas das mitologias persa e hindu referenciavam as divindades de Mitra como um símbolo do "Sol Vencedor", marcada pelo solstício de inverno. A cultura do império romano incorporou a comemoração dessa divindade através do Sol Invictus. Com o fortalecimento das religiões pagãs, a data em que se comemoravam as festas do "Sol Vencedor" passaram a referenciar o Natal, numa apropriação destinada a incorporar as festividades de inúmeras comunidades recém-convertidas ao cristianismo.Já no hemisferio sul (no Brasil, onde vivemos) o dia 22 de dezembro é o maior dia do ano (veja figura). Para nós a partir de agora vai prevalecer a escuridão. Bom assim mesmo Feliz Natal a todos sem neve e num calor sufocante!

FOI NO NATAL DE HÁ MUITOS ANOS

Conto de Natal recebido do geólogo e divulgador de ciência Galopim de Carvalho:

Foi em Évora, no Natal de 1938, o ano em que deveria ter entrado na escola, mas a minha mãe não deixou. A Escola de São Mamede tinha fama pelas reguadas que ali se davam às crianças em nome do ensino e da boa educação. O meu irmão Mário, dois anos mais velho do que eu, e as mãos dele, de frieiras rebentadas, eram testemunhos dessa incompreensível mas bem real pedagogia. No entender de mãe, eu era muito pequenino para enfrentar tamanha violência, nesse tempo, perfeitamente aceite pela sociedade, em geral.

- Ficas aqui com a mãezinha. – Afirmava. - Aprendes comigo e, quando fores mais crescido, já podes ir para a escola.

Então, em casa, a sós com a minha mãe e enquanto ela costurava, eu ia soletrando a Cartilha Maternal do João de Deus e recitando a tabuada, primeiro a do dois, depois a do três, ao mesmo tempo que me ocupava dos trabalhos de serventia às suas tarefas de tesoura, agulha e linha. Recolhia os restos da costura. Escolhia e separava os retalhos para futuros consertos que, depois de enrolados e atados com uma tira do próprio tecido eram guardados numa mala própria, já cheia de tantos restos.

- Quem guarda, acha! – Dizia ela sempre.

Os trapinhos mais pequenos eram destinados às «matulas» que, embebidas em azeite de fritar, guardado para esse fim, serviam para pegar fogo ao carvão na fornalha da cozinha, todas as manhãs, quando se acendia o lume. Apanhar os restos e as linhas espalhadas no chão era a tarefa de que eu menos gostava.

– Anda, vai lá buscar a vassoura e a pá! Não ouves?
Eu ia resistindo, entretido com qualquer coisa que me desse mais prazer. Por fim, lá obedecia, lento e desinteressado.

– Não sejas madraço! Despacha-te! Não queiras ser um «calaceiro» como o teu tio. – Ralhava, referindo-se a um cunhado que, em sua opinião, gostava mais de falar do que de trabalhar.

Este meu apoio aos trabalhos domésticos da mãe incluía, ainda, os recados e, nessas andanças de «compra lá um tubo de sedalina desta cor» ou «um torçal que diga com o tom desta seda», exercitei um certo sentido de memória das cores e dos tons. A mãe mostrava-me o tecido – uma seda, um cetim, um pano ou uma fazenda de lã – e eu trazia a linha pretendida, que escolhia, de memória, entre as caixas ou nos mostruários da retrosaria.

– Anda cá para ires fazer um «mandado» à mãezinha! – Chamava-me ela com um certo ar de meiguice interesseira, logo denunciado.

– Vai à do senhor Conde e traz um carrinho de linhas «Carta», número quarenta, branco, e meio metro deste «sarjelim». Leva esta amostrinha. Não te demores! Não percas o dinheiro! – Gritava, já eu corria a caminho da rua.

Disso gostava eu. Era a maneira de ir ver as montras de brinquedos na loja do Nazareth e sonhar. Era, ainda, a possibilidade de dar duas pedaladas num triciclo que estava à venda na loja do senhor Teigão e que acabou por ser a causa de um dos acontecimentos mais marcantes da minha infância.

Eu adorava aquele triciclo. Ficavam-me os olhos nele. Assim, comecei a juntar todos os tostões que conseguia apanhar. Custava sessenta escudos (30 cêntimos, no dinheiro de hoje). Aprendi aí a lutar pelo que queria. Fiz «mandados», ganhei gorjetas e tive ajudas. Consciente do que se estava a passar, o meu pai, certamente com grande sacrifício, e antes que alguém o comprasse, falou em segredo com o senhor Teigão e mandou que lho reservasse, pois que o queria para mim. Nesse dia o triciclo desapareceu da loja. Que contrariedade! Que tristeza tão grande!

- Quem o comprou, senhor Teigão? – Perguntei, desolado.

- Foi um cliente que aí veio esta manhã! Nem sei quem é. Penso que não é de cá.

- E já não tem mais nenhum? – Insistia.

- Talvez para o Natal venham mais, mas não é certo.

– Puta de vida! – Dizia para mim, imitando o que tantas vezes ouvia dizer aos crescidos.

Mas a vida também nos reserva, por vezes, coisas boas. No dia de Natal este mesmo triciclo estava lá em casa, na cozinha, junto à chaminé e era para mim. O «meu» triciclo estava ao pé da minha bota, naquela manhã em que eu e os meus irmãos saíamos da cama para ver o que o Menino Jesus lá tinha deixado, num ritual algo teatral, pois todos sabíamos quem era o Menino Jesus lá de casa. Ao almoço desse dia, já eu tinha dado mil voltas na minha «máquina», o pai, que estava a par dos meus esforços para conseguir amealhar o dinheiro necessário à compra daquele triciclo, e porque ele desejava contribuir apenas com o que faltasse, não só por razões de educação como porque ele próprio, empregado de escritório e único suporte de uma família com cinco filhos, tinha as suas dificuldades, perguntou-me:

- Quanto é que juntaste?

– Não deve chegar a trinta escudos – Respondi, depois de um breve franzir de olhos, enquanto fazia umas contas de cabeça sumárias.

– Não juntei mais porque o triciclo desapareceu lá da loja e perdi a esperança de o ter.

– Vamos lá ver quanto é que tens. – Disse, mandando-me buscar o meu «migalheiro». –

O paizinho põe o resto.

Não cabendo em mim de contente, fui buscar aquele meu potezinho de barro vermelho onde ia metendo, tostão a tostão, os proventos do meu trabalho e a generosidade dos meus amigos. Não foi preciso parti-lo. O meu irmão mais velho era perito em meter-lhe, fenda adentro, a lâmina fina de uma faca e fazer deslizar por ela as moedinhas, umas atrás das outras. Sempre que este meu irmão, sete anos mais velho que eu, precisava de dinheiro, ia pedir-mo, sempre às escondidas da mãe, e era aquela a técnica usada, Era dinheiro para jogar ao «cento-e-quatro» ou ao «tacho», nos bilhares do Café Montanha e, como ganhava sempre, pois tornara-se um campeão na via hereditária do nosso pai, pagava-me com bons juros.

O dinheiro saído do meu «migalheiro» totalizou pouco mais de vinte e sete escudos. Era tudo em moedas de tostão, de dois tostões e de meio tostão; as de cinco tostões eram raras e não havia nenhuma de dez.

- Ainda falta mais de metade. – Confirmei.

– Não te preocupes – Deu-me o pai por única resposta, com uma imensa alegria estampada no rosto.

A. Galopim de Carvalho

UMA CASA DAS CIÊNCIAS SEMPRE ABERTA


A "Casa das Ciências" é o portal de ciências para professores, patrocinado pela Fundaçãp Gulbenkian: a Casa das Ciências está sempre aberta: aqui.

No caminho do çuçeço: 5.º episódio — programas


Novo episódio do folhetim educativo de António Mouzinho:


Na origem de toda e qualquer tarefa de ensino está um programa. É referência de professores e alunos, de encarregados de educação ou de reposição em supermercados, legisladores e taxistas, o meu santo padroeiro e a empregada doméstica do Leitor. E felizmente que assim é: se alguma coisa sobrou dos escombros do ensino de qualidade das escolas técnicas e dos liceus foi a orientação uniforme, nacional, do ensino — por programas.

O programa nacional de uma disciplina significa que uma escola, uma direção, um pedagógico em crise de crescimento não podem sobrepor-se à sensatez de um professor que afirma, determinado: «pois, os senhores gostariam assim ou assado, mas o programa...».

O programa é a afirmação civilizacional de uma nação relativamente a uma matéria de estudo: que quer Portugal que os seus estudantes saibam de História?: isto no 1.º ciclo, e mais aquilo no 2.º, e aqueloutro no 3.º ciclo; depois, podem ir brincar. Mas antes, todos têm de saber isto, aquilo e aqueloutro.

Estamos conversados? Antes estivéssemos.

Há demasiadas maneiras de fabricar programas, e nem todas são boas. As modas atingiram os programas, nem sempre com a elegância e a sensatez da senhora Chanel.

Boa parte dos programas que por aí grassam foi feita tendo em conta o seguinte «tique»: os conhecimentos a transmitir aos alunos são algo extremamente perecível. Alguns são entregues na sala de aula já fora de prazo, porque o conhecimento nos tempos que correm ganha mais ranço que manteiga mal acondicionada. O progresso da Ciência e da Técnica é avassalador e conhecimento adquirido hoje, está ultrapassado amanhã. Então, que fazer? — agora, para o Leitor mais sensível à truculência: Deus meu, que fazer??? (O referido «tique», já se viu, é nervoso.)

Ensinar por competências. Eu explico: ninguém precisa de aprender uma peça de piano se for competente pianista. Pormenorizando: crie-se a cabeça de pianista ao menino, que ele nunca terá de aprender essa coisa redutora que é cada uma das músicas feitas para o piano.

Idealmente, nem nunca terá de tocar piano — coisa maçadora de entre as coisas maçadoras.

O menino — é.

(Pianista, entenda-se.)

Revoltam-se uns poucos quando topam que o menino, ao fim de 12 anos de escolaridade com estudo da língua materna, não sabe escrever duas linhas, numa dedicatória para a namorada, sem calinadas grossíssimas? Não é preciso: o menino não sabe escrever — ainda — mas sabe (e atenção agora à expressão-chave) «outras coisas». O menino tem «outras competências». (E tem o seu ritmo.)

Há programas encalhados na nossa costa!

Já antes falei de knowledge and skills. Mesmo os mais despudorados construtivistas anglo-saxónicos não fogem ao termo. Em Portugal as competências ganharam asas, protagonismo nos programas, direitos de cidade. Os conhecimentos foram subalternizados. Ninguém leu nada sobre o assunto (de que valem os conhecimentos?), e toda a gente opina.

Recentemente, ouvi num conselho de turma: «para quê trabalhar para os exames? Estamos aqui para dar o 12.º ano. Não me lembro de metade das coisas que aprendi, até, na faculdade! Importante é saber coisas que ficam, que perduram: essas coisas são as capacidades, são saber lidar com as situações novas...»

O cérebro humano não funciona assim. Muito simplesmente. Infelizmente, é a Ciência que o diz, não são os «pedagogos». Ignoro o ponto de vista dos Mórmones, mas estou disposto a aceitar qualquer opinião religiosa com a mesma benevolência com que aceito as tiradas da pedagogia — dita «nova», há já mais de um par de séculos de dislates.

Os programas que encalharam na costa deram, portanto, total protagonismo às competências. Falam dos ditos pianistas que nunca estudaram por uma peça de Bach, e de meninos que não são treinados a pôr as palavras à frente umas das outras a partir de bons exemplos da nossa literatura. Os programas encalhados dissertam sobre competências. Não contêm conteúdos.

Não são todos. Programas há que disparam tiradas magníficas sobre competências e, de seguida, dizem baixinho: «bom, não é verdade?, e a matéria para o 10.º ano é esta, assim e assim, exatamente com todos os pormenorzinhos, e depois a do 11.º ano acrescenta mais o seguinte, não será?, tintim por tintim, e quem não ensinar isto tudo está a dar cabo da vida aos meninos, n'est-ce pas?, porque vem aí o exame e quem não tiver os conhecimentos requeridos fica à porta da faculdade, onde sempre pode pedir autógrafos aos colegas que entraram, ou é chutado para uma instituição a 200 ou 2000 km de casa, ou para uma privada, mas isto só dá se os paizinhos pagarem...»

Então, qual é o ensino inclusivo? Hum?

Quando eu for grande quero que o meu país ensine por conteúdos, que é para os meninos terem competências. Especialmente aqueles cujos paizinhos não podem dar-se ao luxo de pagar experiências místicas.

Os programas são uma coisa demasiado importante para continuarem como estão.

(Não perca o próximo episódio do folhetim «No caminho do çuçeço», sobre manuais)

António Mouzinho

CIÊNCIA COM TODOS



Sítio de questões de ciência (quem quiser pergunta, quem souber responde) dinamizado por João Pedro Calafate: aqui.

BACH NA SÉ NOVA DE COIMBRA



Oratório de Natal de Bahc pelo Coro e Orquestra Clássica do Centro na Sé Nova de Coimbra em Dezembro do ano passado, antes que o actual passe também. A música de Bach nunca passa.

POEMA DO HOMEM NOVO

NA véspera de Natal um poema de António Gedeão:

Niels Armstrong pôs os pés na Lua
e a Humanidade saudou nele
o Homem Novo.
No calendário da História sublinhou-se
com espesso traço o memorável feito.

Tudo nele era novo.
Vestia quinze fatos sobrepostos.
Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,
um colante poroso de rede tricotada
para ventilação e temperatura próprias.
Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,
catorze, no total,
de película de nylon
e borracha sintética.
Envolvendo o conjunto, do tronco até aos pés,
na cabeça e nos braços,
confusíssima trama de canais
para circulação dos fluidos necessários,
da água e do oxigénio.
A cobrir tudo, enfim, como um balão ao vento,
um envólucro soprado de tela de alumínio.
Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,
auscultadores e microfones,
e, nas mãos penduradas, tentáculos programados,
luvas com luz nos dedos.

Numa cama de rede, pendurada
da parede do módulo,
na majestade augusta do silêncio,
dormia o Homem Novo a caminho da Lua.

Cá de longe, na Terra, num borborinho ansioso,
bocas de espanto e olhos de humidade,
todos se interpelavam e falavam,
do Homem Novo,
do Homem Novo,
do Homem Novo.

Sobre a Lua, Armstrong pôs finalmente os pés.
Caminhava hesitante e cauteloso,
pé aqui,
pé ali,
as pernas afastadas,
os braços insuflados como balões pneumáticos,
o tronco debruçado sobre o solo.

Lá vai ele.
Lá vai o Homem Novo
medindo e calculando cada passo,
puxando pelo corpo como bloco emperrado.

Mais um passo.
Mais outro.

Num sobre-humano esforço
levanta a mão sapuda e qualquer coisa nela.
Com redobrado alento avança mais um passo,
e a Humanidade inteira,
com o coração pequeno e ressequido,
viu, com os olhos que a terra há-de comer,
o Homem Novo espetar, no chão poeirento da Lua, a bandeira da sua Pátria,
exactamente como faria o Homem Velho.

António Gedeão, in 'Novos Poemas Póstumos'

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

TOP TEN DE LIVROS DE CIÊNCIA DA BRAIN PICKINGS


Claro que, em escolhas de livros, há sempre lugar para opiniões diferentes. O António Piedade mandou-me esta lista do Brain Pickings. O livro de David Deutsch vem lá. O livro sobre Henrietta Lacks está traduzido em português e é uma boa escolha sobre a qual aliás já aqui falei. Vou mandar vir o livro de Clifford Pickover pois gosto dos surpreendentes livros desse prolixo cientista de computadores. A "ressurreição quântica" não está mal como chamariz no subtítulo...

TOP FIVE DE LIVROS DE CIÊNCIA DE 2011


Pediram-me um Top 5 de livros de ciência de 2011, podendo ser nacionais ou estrangeiros. Divulgo-a já aqui, pois nesta quadra é quando se compram mais livros (a ordem é a alfabética do título, sem os artigos definidos). Não foi fácil, mas escolhi 3 livros de autores nacionais e 2 de autores estrangeiros:

1- The Beginning of Infinity, David Deutsch (Penguin)

Um físico profundamente interessado pela filosofia faz uma grande síntese de questões actuais da física e da cosmologia. Uma visão optimista num mundo em crise, um iluminismo moderno que merece ser conhecido. Existe afinal progresso e a razão para ele é que conseguimos obter boas explicações para o mundo.

2- Casamentos e Outros Desencontros, de Jorge Buescu (Gradiva)

Continuação da colecção de crónicas escritas originalmente para engenheiros de um físico que se tornou matemático e um extraordinário divulgador da ciência. Alguns problemas da matemática contemporânea ficam, pela magia da escrita, ao alcance de toda a gente. A colecção Ciência Aberta vai bem e recomenda-se.

3- O Grande Inquisidor, de João Magueijo (Gradiva),

O físico João Magueijo, fascinado pela personagem de Ettore Majorana, resolveu ir no encalço do enigma de um génio com vida efémera. Uma obra muito actual agora que o mistério dos "neutrinos superluminais" desperta o interesse pelo neutrino de Majorana.

4- Haja Luz!, de Jorge Calado (IST Press)

Uma história cultural da química, ricamente ilustrada, no Ano Internacional dela, pela pena de um grande erudito, que está tão à vontade nas ciências (Termodinâmica, Química-física, etc.) como nas artes (Ópera, Fotografia, etc.)

5- The Swerve, Stephen Greenblatt (Norton)

Um historiador conta como o poema De Rerum Natura do poeta latino Tito Lucrécio Caro foi descoberto no alvor do Renascimento. O poema, que deu o título a um blogue nacional sobre ciência e cultura, contém toda uma moderna cosmovisão científica que vai do turbilhão dos átomos à perpectiva evolucionista da vida.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

HOMENAGEM A CHRISTOPHER HITCHENS

TOP 5 DE NÃO FICÇÃO DO NEW YORK TIMES


À atenção dos editores nacionais. Ainda antes da morte de Christopher Hitchens, o New York Times escolheu estes cinco livros d então como o "creme do creme" dos escaparates livreiros de 2011. De ciência aparece esta lista só THINKING, FAST AND SLOW, do matemático, psicólogo e economista (nobelizado em 2002) israelita Daniel Kahneman.

"TOP NONFICTION

ARGUABLY Essays. By Christopher Hitchens. Twelve, $30.

Our intellectual omnivore’s latest collection could be his last (he’s dying of esophageal cancer). The book is almost 800 pages, contains more than 100 essays and addresses a ridiculously wide range of topics, including Afghanistan, Harry Potter, Thomas Jefferson, waterboarding, Henry VIII, Saul Bellow and the Ten Commandments, which Hitchens helpfully revises.

THE BOY IN THE MOON, A Father’s Journey to Understand His Extraordinary Son. By Ian Brown. St. Martin’s Press, $24.99.

A feature writer at The Globe and Mail in Toronto, Brown combines a reporter’s curiosity with a novelist’s instinctive feel for the unknowable in this exquisite book, an account — at once tender, pained and unexpectedly funny — of his son, Walker, who was born with a rare genetic mutation that has deprived him of even the most rudimentary capacities.

MALCOLM X A Life of Reinvention. By Manning Marable. Viking, $30.

From petty criminal to drug user to prisoner to minister to separatist to humanist to martyr. Marable, who worked for more than a decade on the book and died earlier this year, offers a more complete and unvarnished portrait of Malcolm X than the one found in his autobiography. The story remains inspiring.

THINKING, FAST AND SLOW. By Daniel Kahneman. Farrar, Straus & Giroux, $30.

We overestimate the importance of whatever it is we’re thinking about. We misremember the past and misjudge what will make us happy. In this comprehensive presentation of a life’s work, the world’s most influential psychologist demonstrates that irrationality is in our bones, and we are not necessarily the worse for it.

A WORLD ON FIRE. Britain’s Crucial Role in the American Civil War. By Amanda Foreman. Random House, $35.

Which side would Great Britain support during the Civil War? Foreman gives us an enormous cast of characters and a wealth of vivid description in her lavish examination of a second battle between North and South, the trans-Atlantic one waged for British hearts and minds."

A JOANINA EM EVIDÊNCIA NOS ESTADOS UNIDOS


Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:

Uma prova da grande foto da biblioteca barroca da ( em cima) Universidade de Coimbra realizada por Candida Höfer (2006) está incluída na exposição library science patente até 28 de janeiro de 2012 no Artspace de New Haven, CT, nos EUA .

A curadora da exposição foi Rachel Gugelberger. A foto cedida pela Sonnabend Gallery, de New York, pertence a uma série, a que oportunamente demos o devido destaque, e intitula-se Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra IV.

Além disso, a famosa biblioteca barroca de Coimbra foi distinguida com o primeiro lugar na lista das 25 mais belas bibliotecas universitárias do mundo, proposta pelo portal cultural novaiorquino Flavorwire, a subsecção de notícias culturais e crítica do guia internacional online Flavorpill, sediado em Nova York.

Este ranking de bibliotecas foi da responsabilidade pessoal da editora literária Emily Temple.

A HISTÓRIA DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE FÍSICA


O físico Eduardo Martinho, um dos principais impulsionadores e fundadores, há 36 anos, da Sociedade Portuguesa de Física, escreveu nos seu blogue uma história do processo de fundação daquela sociedade. Estava-se no tempo que tem sido chamado PREC, mas o processo de criação da SPF é, anda que pouco, anterior ao 25 de Abril de 1974. Eu era estudante de Física na altura em Coimbra e, apesar de a primeira assembleia geral ter sido em Coimbra, não me lembro. Lembro-me sim de ter participado na Fundação Gulbenkian, em 1978 - era eu finalista (devo estar na foto de cima, mas não sei onde)- na 1.ª Conferência Nacional de Física.

Sobre a história da SPF, que continua a editar a Gazeta de Física que tive a honra de dirigir durante alguns anos,, vale a pena ler o resumo que consta da respectiva página Web:

"Em 28 de Dezembro de 1911 funda-se, no Porto, uma sociedade científica denominada, Sociedade Portuguesa de Química (SPQ). Esta iniciativa, intimamente relacionada com a publicação da Revista de Química Pura e Aplicada foi levada a cabo por um pequeno grupo de cientistas portugueses, o mais ilustre dos quais terá sido Ferreira da Silva que foi, também, o primeiro presidente da Sociedade.

Devido à crescente importância da Física, em 1926 a SPQ passa a designar-se Sociedade Portuguesa de Química e Física, situação que durou até Fevereiro de 1974 quando esta sociedade se dividiu na Sociedade Portuguesa de Química e na Sociedade Portuguesa de Física.

Em Outubro de 1946 tem início a publicação da Gazeta de Física, como uma revista de divulgação da Física destinada aos Físicos e aos professores de Física. Apesar dos esforços dos seus Directores nem sempre foi fácil garantir a regularidade da sua publicação. Finalmente, após a formação da SPF, a Gazeta foi integrada na sociedade, constituindo-se como o seu órgão oficial. Os volumes mais antigos podem ser consultados aqui, onde estão também disponíveis os índices de todos os números.

Uma outra revista, denominada Portugaliae Physica, dedicada à publicação em inglês ou francês de trabalhos originais de índole teórica, experimental ou aplicada, foi fundada em 1943 e integrada em 1979 na SPF. Desta revista foram publicados 16 volumes de 4 fascículos até à sua integração, em 1999, no European Physical Journal. Anteriormente, em 1987 a SPF já tinha participado, em colaboração com a EPS e com outras sociedades de Física, na constituição da sociedade editora do Europhysics Letters.

Em Lisboa, a 23 e 24 de Fevereiro de 1978, teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian a primeira reunião geral da SPF. Estas reuniões tem continuado a ser realizadas cada dois anos. A primeira reunião internacional, com o patrocínio da EPS, teve também lugar em Lisboa em 1981. Tratou-se da reunião da Divisão de Física de Partículas e Altas Energias. "

A EDUCAÇÃO DURANTE O ESTADO NOVO (2)

Segundo texto de uma série de doze, retirados do livro Antes dos Cravos  doo Professor António Galopim de Carvalho (em continuação do anter...