sexta-feira, 31 de maio de 2019

Se o melhor de tudo são as crianças… não as explorem nem às famílias!

Publicamos mais um texto muitíssimo esclarecedor que Mário Frota, especialista em Direito do Consumo, teve a amabilidade de nos enviar.

DA LEI DOS LIVROS:

“LEI DAS PRÁTICAS COMERCIAIS DESLEAIS

Artigo 12.º

Práticas comerciais consideradas agressivas em qualquer circunstância.

São consideradas agressivas, em qualquer circunstância, as seguintes práticas comerciais:
e) Incluir em anúncio publicitário uma exortação directa às crianças no sentido de comprarem ou convencerem os pais ou outros adultos a comprar-lhes os bens ou serviços anunciados…”
“CÓDIGO DA PUBLICIDADE

Restrições ao conteúdo da publicidade Artigo

14.º Menores
1 – A publicidade especialmente dirigida a menores deve ter sempre em conta a sua vulnerabilidade psicológica, abstendo-se, nomeadamente, de:
a) Incitar directamente os menores, explorando a sua inexperiência ou credulidade, a adquirir um determinado bem ou serviço; b) Incitar directamente os menores a persuadirem os seus pais ou terceiros a comprarem os produtos ou serviços em questão; c) Conter elementos susceptíveis de fazerem perigar a sua integridade física ou moral, bem como a sua saúde ou segurança, nomeadamente através de cenas de pornografia ou do incitamento à violência;
d) Explorar a confiança especial que os menores depositam nos seus pais, tutores ou professores.
2 – Os menores só podem ser intervenientes principais nas mensagens publicitárias em que se verifique existir uma relação directa entre eles e o produto ou serviço veiculado.” 

À LEI EM ACÇÃO… 

Há que tornar a posições veementes em torno do marketing e da publicidade infanto-juvenil! Que enxameiam o mercado de consumo e atingem as crianças e os jovens nas suas fragilidades mais frisantes!

Mas vê-se e sente-se tão pouca gente mobilizada em derredor de temas do jaez destes…que os rasgos “afrouxam”” e as iniciativas fenecem!

Portugal é um convite permanente à desmobilização, ao não empreender, ao não intervir, ao ensarilhar armas, ao bater com os calcanhos onde as costas perdem o nome, à entrega ao “dolce far niente”!

Sentimo-nos gastos, exauridos! Quase sem fôlego para mais! Após mais meio ano de intensíssima e nada gratificante actividade! Basta compulsar o relatório intercalar, em curso de elaboração e que se dará à estampa no próximo mês!

E, além disso, “estômago vazio, não investiga”!

Com as dificuldades que se nos deparam, tudo aponta para a defecção, a deserção, a desistência!

Há, porém, que reagir!

Com que forças remanescentes, não se sabe!

Nem sequer se vê os novos, com sangue na guelra, a terçar armas pelo bom combate! O interesse geral não atrai ninguém!

E interesse geral não será passar meia dúzia de horas a arrolar, à força de braços, os bens que se carreiam para o Banco Alimentar contra a Fome, num ameno fim-de-semana primaveril! Meritório, sem dúvida, mas insuficiente!

Interesse geral é arrostar com o que agrada a poucos, desserve a tantos, mas convém a todos! Mesmo os que por ânsia ou ignorância só se completam quando se enternecem onanisticamente com o próprio umbigo!

Que a consciência dos mais despertos fale por si, rombas as lanças das vaidades que nos vão minando… e ao corpo da nação!

Haverá alguém, no Parlamento, onde os interesses míseros e mesquinhos pululam, com sensibilidade para afrontar aspectos tais?

E na administração pública para levar por diante a Carta a Garcia?

Se houver, que se manifestem!

O interesse geral agradece reconhecidamente!

Mário Frota apDC – DIREITO DO CONSUMO - Coimbra

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Estudos Clássicos em vias de extinção!

O isolamento dos resistentes.
Eis o desabafo de um jovem doutorando francês que fez sensação nas redes sociais:

Je viens de réaliser que, n'ayant pas encore terminé mon doctorat, et mon département ayant été fermé entre temps, je suis le seul et DERNIER étudiant restant de lettres classiques de la faculté de Limoges...
Com 29 anos, este jovem é o último estudante de letras clássicas da faculdade de Limoges. De acordo com as suas próprias palavras (ver notícia aqui), vai acabar o seu doutoramento num departamento universitário fantasma. 
 
"Avis aux aspirants rebelles ! Devenir étudiant en langues anciennes est un choix de vie résolument alternatif, quasiment punk. D’ailleurs peu s’y risquent."
 
Queixa-se, por isso, do seu isolamento e da falta de outros estudiosos de línguas clássicas com quem trocar impressões.
Na biblioteca do departamento reina "uma natureza morta".
O Departamento encerrou e, pouco a pouco, todos os investigadores foram saindo para leccionar nas escolas, desistindo, assim, da sua investigação. Ele resistiu, mas, no presente ano, já não tem qualquer financiamento, quer dizer, não ganha nada. Conseguiu apenas uma bolsa de um mês, para ir até Roma concluir a redacção da sua tese. 
Quando o jornalista o questiona sobre o futuro, responde:
" Já não há lugares de letras clássicas nas Universidades em França, e não haverá, em breve, grego e latim. Hoje os maiores especialistas mundiais de língua latina estão nos Estados Unidos"
Ele gostaria de continuar na Europa e, por isso, espera conseguir em Setembro ir para Bruxelas fazer um post-doc.

O mal já está feito, por toda a Europa, e nos países que deviam ser os primeiros a preservar o estudo do seu passado. 
Ainda iremos a tempo de evitar o desaparecimento total?!

"Celebrar a vida de professor"

Pelo sentido e beleza que encontrámos num texto de Frederico Lourenço, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, publicado na sua página do facebook, no dia 29 de Maio de 2019. Com a devida autorização do autor, reproduzimo-lo abaixo[Isaltina Martins e Maria Helena Damião]



Hoje tive um fim de tarde abençoado. Graças à iniciativa do meu colega de Estudos Clássicos, António Rebelo, e do capelão da Universidade, Pe. Paulo Simões, foi hoje celebrada uma missa, na lindíssima Capela de São Miguel da nossa Universidade, por alma dos muitos professores já falecidos desta instituição. Tratando-se da Universidade de Coimbra, com os seus mais de 700 anos de história, estamos a falar aqui de um universo de professores excepcionalmente numeroso. Não foi mencionado nenhum nome em concreto: a iniciativa teve carácter abrangente e universalista. 

A tarde foi de calor ardente, mas dentro da Capela estava fresco. A leitura antes do Evangelho foi a magnífica passagem dos Actos dos Apóstolos (Capítulo 17), em que São Paulo se dirige aos cidadãos de Atenas; depois, no lugar de uma homilia propriamente dita, o Pe. Paulo Simões leu-nos a maravilhosa passagem de Santo Agostinho onde figuram as famosas palavras «tolle, lege». 

Eu senti-me imensamente em casa: não só porque conheço muito bem todos os textos lidos nas suas línguas originais (grego e latim), como pude mais uma vez pensar na extraordinária utilidade da minha profissão: ensinar grego e latim na Universidade de Coimbra; dar acesso, às novas gerações, a estes textos milagrosos na língua em que foram escritos. E foi tão bom sentir na leitura de Santo Agostinho, na voz do Pe. Paulo, a confirmação de que eu escolhera o texto ideal das «Confissões» para ser explicado, em todos os seus pormenores gramaticais, na Antologia final da «Nova Gramática do Latim».

A missa permitiu momentos de silêncio - que me puseram a pensar nas muitas gerações de professores que ali homenageámos, que ensinaram em Coimbra desde o século XIV. Pensei nos desafios que lhes eram colocados em séculos passados. E pensei nos desafios que nos são colocados hoje.

Nenhum professor do tempo de D. João III teria, é claro, de se preocupar com a interferência dos telemóveis na sala de aula. E dei por mim a pensar que eu próprio sou uma espécie de figura jurássica: porque ainda me lembro bem da experiência de ser professor antes da era dos telemóveis. Pois ainda sou do tempo em que não havia telemóveis. 

Mas depois eles apareceram. Inofensivos, aparentemente, ao princípio; somente irritantes, porque tocavam no meio da aula. Mas isso foi há 20 anos. O problema hoje é muito diferente. E é gravíssimo.

Hoje temos de ensinar alunas e alunos cujos cérebros estão moldados e - a meu ver, diminuídos - pelo telemóvel na sua nova versão de smartphone. Hoje temos de ensinar alunos que têm na mão um objecto que os habituou a não reter, fixar ou aprender informação. 

Para quê fixar que a Revolução Francesa ocorreu no século XVIII, se se pode sempre, num ápice, ver na Wikipédia? Para quê aprender a sério uma língua, se o Google translator no smartphone resolve (supostamente...) qualquer dificuldade?

Hoje em dia temos a experiência contrária à que foi a dos mestres passados da Universidade de Coimbra, cuja docência se baseava na capacidade de os estudantes decorarem e memorizarem informação. Hoje ensinamos cérebros impermeáveis: quase tudo o que dizemos em sala de aula é «water off the duck's back», como se diz em inglês. Entra a cem e sai a mil: pois os cérebros moldados pelo smartphone não conseguem, simplesmente, reter informação. 

No que toca à docência e aprendizagem de línguas (mormente as exigentes línguas clássicas), esta situação afigura-se-me catastrófica. A impermeabilização do cérebro humano ocasionada pelo smartphone torna a nossa tarefa de professores cada vez mais difícil.

Mas o drama não é dos professores, que «ainda» sabem alguma coisa; o drama é das novas gerações, que, no dia em que ficarem sem wi-fi, se darão conta de que não sabem nada: transportam sobre os ombros uma cabeça vazia de conhecimento, porque conhecimento, para os jovens de hoje, não é para estar na cabeça, é para estar na net. Por isso estou sempre a dizer na aula: «prefiram o caderno de grego ao telemóvel; estudem todos os dias, nem que seja só 30 minutos; reaprendam a estudar, reaprendam a aprender». 

Embora por vezes me sinta pessimista em relação ao futuro destes cérebros impermeabilizados à aprendizagem, continuo convencido de que a nossa vocação de professoras e professores é a mais útil de todas as profissões. 

E sentado, hoje, na Capela de São Miguel da Universidade de Coimbra, não pude deixar de recordar o letreiro que se vê na Biblioteca Bodleiana da Universidade de Oxford: εὗρον αὐτὸν καθεζόμενον ἐν μέϲωι τῶν διδαϲκάλων, «encontraram-no sentado no meio dos professores» (Lucas 2:46). 

É bom lembrar que ao menos Jesus gostou de se sentar no meio de nós, professores.

TERCEIRA CONFERÊNCIA: “O currículo na era das tecnologias digitais. Paradoxos e desafios"


À semelhança de muitos outros países, Portugal está a implementar, desde 2016/2017 uma nova reforma do ensino básico e secundário (“Projecto de Autonomia e Flexibilidade Curricular”), a qual suscita diversas questões a que investigadores e educadores não podem deixar de dar atenção. 

Para proporcionar uma reflexão sobre algumas dessas questões, organizou-se um ciclo de cinco conferências com o título “O currículo escolar na contemporaneidade: Identificação e discussão de algumas das suas bases”, que a realizar neste mês de Maio e no próximo mês de Junho, numa colaboração entre o Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20), a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e a Faculdade de Ciências da Educação da Universidade de Granada. 

TERCEIRA CONFERÊNCIA

Título: O currículo na era das tecnologias digitais. Paradoxo(s) e desafio(s) educativo(s)

Conferencista: Assumpta Coimbra (Membro integrado do Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto no grupo “Philosophy and Public Space”)

Local: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra - Anfiteatro do Edifício 1 

Data: 1 de Junho de 2019, das 10h00 às 12h30

Resumo: Na “narrativa curricular” da “Educação para o Futuro”/ ”Educação para do Século XXI”, as novas tecnologias de informação e da comunicação ocupam um lugar de destaque como suporte de ensino e de aprendizagem. Partindo do pressuposto que os alunos nascidos na transição de século e já neste século aprendem e relacionam-se de modo diferente dos de gerações anteriores, a adopção dessas tecnologias terá vantagens na reorganiza-ção do funcionamento da escola e da sala de aula. Implica, nomeadamente, uma revisão das objectivos e conteúdos curriculares, bem como dos métodos pedagógicos e das funções dos professores e dos alunos. Esta conferência incide numa reflexão sobre o digital e, incidindo nas transmutações educativas que tem implicado, nomeadamente 

Programa 1. O digital e as transmutações em curso
2. Interferências nos modos de informar, comunicar e nas relações interpessoais
3. Repercussões na educação: modelos e situações educativas; valores e competências imprescindíveis 


Referências bibliográficas - Carmelo, L. (1999). Anjos e meteoros. Lisboa: Editorial Notícias.
- Carr, N. (2010). The shallows. What the Internet is doing to our brains. New York: W.W. Norton.
- Coimbra, M. A. (2010). (Des)Humano demasiado (Des)Humano – O Homem na Era Digital. Porto: Afrontamento.
- Coimbra, M. A. (2010). Incidências das Tecnologias na (re)configuração da existência humana. In Argumentos de Razón Técnica, Revista Espanõla de Ciência, Tecnologia y Sociedad, y Filosofia de la Tecnologia, Sevilla, número 13, pp.85-97.
- Coimbra, M. A. (2012) “O (Des)Encanto das teias digitais – ponto de vista sobre atuais modos de interação social” in Espaço Público. Variações críticas sobre a urbanidade (org.). Porto: Edições Afrontamento.
- Coimbra, M. A. (2015). Transfigurações do espaço público na era digital (Changing Public Spa-ce in the contexto of the Digital Era), Utopía y Praxis Latinoamericana. Año: 20, nº 70, Julio-Septiembre, CESA, Universidad del Zulia, Maracaibo, pp. 99-106.
- Delarbre, R. T. (1996). La nueva alfombra mágica. Usos y mitos de internet, la red de redes, Madrid: Producción Editorial Tabapress, Fundesco.
- Finkielfraut, A. & Soriano, P. (2002). Internet, o êxtase inquietante. Lisboa: Fim de Século.
- Innerarity, D. (2006). O novo espaço público. Lisboa: Editorial Teorema.
- Laidi, Z. (2001). A chegada do homem-presente. Ou da nova condição do Tempo. Lisboa: Instituto Piaget.
- Negroponte, N. (1996). Ser digital. Lisboa: Editorial Caminho.
- Queraltó, R. (2003). Ética, tecnologia y valores en la sociedad global. El caballo de Troya al revés. Madrid: Tecnos. 

- Umbelino, Luís António. 2018. "O Fim das Humanidades. Ensinar e Aprender em Época de Crise". Cadernos de PEsquisa da Fundação Carlos Chagas 48 (167 (2018)): 192-20 

ENTRADA LIVRE, COM CERTIFICADO DE PRESENÇA 

Apresentação aqui, Programa aqui, Inscrições aqui.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

De pequenino se torce o pepino

Texto de Mário Frota, especialista em Direito do Consumo, publicado no jornal As Beiras de 29 de Maio de 2019.

A LDC – Lei de Defesa do Consumidor – estabelece imperativamente que “incumbe ao Estado a promoção de uma política educativa para os consumidores”.

E di-lo de que modo:
  • Mediante a promoção de uma política nacional de formação de formadores. 
  • E a inserção nos curricula escolares de matérias relacionadas com o consumo e os direitos dos consumidores. 
  • A concretização, no sistema educativo, em particular nos ensinos básico e secundário, de programas e actividades de educação para o consumo; 
  • E a promoção de acções de formação permanente, contínua, duradoura.
  • Cabe ainda às Regiões Autónomas e aos Municípios a programação de acções de educação permanente, de formação e de sensibilização dos consumidores em geral. O facto é que, de modo institucional, o preceito é autêntica letra morta. 
Na educação para o consumo cabe, entre outros segmentos, o da educação para a comunicação comercial (e a publicidade) de molde a infundir-se nos mais novos uma consciência crítica perante os modos de aliciamento dos consumidores destarte veiculados.

O facto é que, a despeito de manifestações episódicas, não há de modo institucional – e transversal –, nos curricula escolares, algo que se assemelhe à educação para o consumo, nas suas múltiplas vertentes.

A publicidade dirigida às crianças conhece, no plano legal, restrições que não são, por regra, acauteladas.

Eis o que estabelece o Código da Publicidade:
"A publicidade especialmente dirigida a menores deve ter sempre em conta a sua vulnerabilidade psicológica, abstendo-se, nomeadamente, de os incitar directamente, tirando partido da sua inexperiência ou credulidade, a 
  • adquirir determinado produto ou serviço;
  • persuadir seus pais ou terceiros a comprarem produtos ou serviços quaisquer que sejam; 
  • explorar a confiança especial que depositam nos seus pais, tutores ou professores.
  • Conter elementos susceptíveis de fazerem perigar a sua integridade física ou moral, bem como a sua saúde ou segurança, nomeadamente através de cenas de pornografia ou do incitamento à violência."
Por outro lado, o Código estabelece imperativamente que
“os menores só podem ser intervenientes principais nas mensagens publicitárias em que se verifique existir uma relação directa entre eles e o produto ou serviço veiculado.” 
Problema que de há muito se suscita é o de a própria escola se haver transformado em plataforma de comércio.

Algo que ora se agrava particularmente quando nos curricula escolares, por directrizes emanadas de instituições internacionais, devam interferir as empresas, numa promiscuidade que se afigura de proscrever.

Aliás, em 2003, já a Modelo-Continente, com o beneplácito dos ministros do Ambiente e Educação de Portugal, se acercava das escolas, a fim de fazer passar a sua mensagem e influenciar obviamente as decisões dos mais novos.

Repare-se na notícia que segue, extraída dos jornais da época:
“A Modelo Continente… implementou o programa Compra, Peso e Medida dirigido a 2.500 escolas que implica investimentos anuais de 500 mil euros, com objectivo de formar consumidores mais atentos e conscientes.
Este programa criado desde 1996 é desenvolvido junto de 2.500 escolas espalhadas por todo o país, onde estão instaladas lojas Modelo e hipermercados Continente, abrangendo 34 mil professores e 370 mil crianças, dos 6 aos 12 anos de idade, disse José Fortunato, director de marketing da Modelo Continente, em conferência de imprensa.
Apoiado pelos ministérios do Ambiente e Educação, este programa distribui gratuitamente pelas escolas 500 mil documentos por ano, subordinados a diferentes temas…” 
Ora, como se afirma em determinados areópagos, não são inocentes programas do jaez destes, ao jeito de uma pseudo-filantropia que visa arregimentar os mais novos às marcas, sabendo-se como se sabe que 2/3 dos adultos são fiéis a produtos e marcas que se habituaram a usar em crianças.

O problema está longe de se achar equacionado, mas importa debatê-lo, a todos os níveis, porque há que evitar:
  • 1. expor as crianças à exploração das marcas; 
  • 2. permitir que as empresas se passeiem pelas escolas como cão sobre “vinha vindimada” (passe a expressão por menos elegante);
  • 3. a educação para o consumo seja destarte dinamitada e protraída para as calendas. 
O Estado tem uma palavra a dizer. E não pode demitir-se do seu papel fundamental neste domínio.

Mário Frota apDC – DIREITO DO CONSUMO - Coimbra

terça-feira, 28 de maio de 2019

"Lentes gravitacionais e a estranha multiplicação de objectos astronómicos"

A Revisão da Carreira Docente e Avaliação dos Professores


Meu artigo de opinião saído hoje no “Jornal as Beiras”, a que acrescento esta introdução de que acabo de tomar conhecimento: “A escola francesa – fábrica de cidadãos, motor da meritocracia e pilar histórico da identidade da França republicana – volta ao básico. Ler, escrever, contar, respeitar. (…) No ano e meio que está no governo; Blanquer [ministro da Educação Nacional], que deu impulso à proibição de telefones celulares nas classes, também tem promovido o aprendizado de latim e grego” (‘El País’, 23/11/2018):
“Entre nós a mediocridade é ainda decreto”

João Lobo Antunes, neurocirurgião (1994-2016)
Segundo o “Expresso” (11/05/2019), “Costa recusa uma ideia que já ganhou lastro no PS e no Governo: a de que se devia mexer nas carreiras e avaliação dos docentes, como pedia a direita”. Releve-se, ainda, que “até na ala esquerda [do Partido Socialista] se admite que era desejável”.

Num país bicéfalo em questões de Ensino, por um lado uma belicosa Fenprof, por outro lado tíbios ministérios da tutela permeáveis a pressões sindicais, existe e prospera uma carreira docente única, sem paralelo no mundo, para professores do básico e secundário, que nem a época Gonçalvista teve a coragem de criar.

E nesta anómala situação, em vésperas de eleições para o Parlamento Europeu, assiste-se a uma espécie de tréguas sagradas, a exemplo da Grécia Antiga, durante os Jogos Olímpicos: o governo não mexe nas carreiras e avaliação dos docentes e a Fenprof compromete-se a desconvocar uma greve ameaçadora à avaliação dos alunos por si previamente gritada aos quatro ventos!  

Trata-se de uma carreira docente que nivela por igual todos os professores submetendo-os ao suplício de um  hodierno “Leito de Procusto”, da mitologia grega, “esticando os professores menos letrados e amputando as pernas aos mais habilitados para, nesse parto teratológico, caberem todos os docentes com parca distinção das respectivas estaturas científica, técnica e pedagógica”, como escrevi na introdução do meu livro: “O Leito de Procusto” e o subtítulo: “Crónicas Sobre o Sistema Educativo” (Outubro de 2005).
Anos atrás, num meu artigo de opinião, formulei a pergunta sobre a percentagem de professores negativamente avaliada. Até hoje silêncio absoluto, mantendo-se, como tal, de pé a questão a que ninguém responde o que me leva a pensar  ser ela residual e, como tal, demonstrativa do facilitismo da avaliação dos professores.

Só um julgamento enviesado à partida por interesses sindicais  pode fazer engolir à opinião pública a pílula da boa qualidade de todos os docentes, como tal, dignos de chegarem ao topo da carreira docente com idêntica desfaçatez de considerar que todos  os pianistas  são  aptos a pertencerem a uma orquestra de música erudita. Em minha defesa, evoco a inexistência de antigos alunos que se não recordem  dos bons e maus professores que tiveram, prestando  homenagem aqueles e invectivando estes.

A não ser por surto amnésico, considero isso impossível embora possa ser contraditado por “haver sempre uma caterva de ingénuos prontos a escrever a história da última idiotice, a solenizar as tolices, a encontrar significados recônditos nas nulidades, a conceder entrada às imbecilidades no ensino  de todas ordens e graus, pensando que fazem obra democrática e progressista” (Mario Perniola, professor da Universidade ‘Tor Vergata’ de Roma).
Estas personagens, sob a capa de pedagogos progressistas, não passam de bobos de uma maltratada pedagogia ao serviço de determinados fins políticos!   

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Lançamento na Ordem dos Médicos em Coimbra do último livro de João Lobo Antunes



Lançamento em Coimbra das últimas memórias do neurocirurgião João Lobo Antunes:
Um Neurocirurgião em Construção

·         A sessão de lançamento do livro de memórias de João Lobo Antunes Um Neurocirurgião em Construção terá lugar no dia 30 de Maio de 2019, pelas 18h00, na Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, na Avenida Dom Afonso Henriques, 39, em Coimbra, uma iniciativa da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos em colaboração com o RÓMULO – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, a editora Gradiva e o Conselho Português para o Cérebro.

Apresentam o livro Domingos Coiteiro (Presidente da Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia) e Miguel Guimarães (Bastonário da Ordem dos Médicos). A apresentação contará com a participação de António Freire (Conselho Português para o Cérebro) e Carlos Fiolhais (Director do Rómulo – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra). Dará as boas vindas Carlos Cortes, Presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos.

Cerca de dois anos e meio depois do falecimento do neurocirurgião João Lobo Antunes, a Gradiva publicou o livro que reúne as últimas memórias de um dos grandes nomes da Medicina e da cultura portuguesas e de um dos mais brilhantes ensaístas da sua geração. 
O livro Um Neurocirugião em Construção descreve o percurso que levou João Lobo Antunes a tornar-se cirurgião do cérebro começando pela sua infância em Benfica até ao seu regresso a Portugal, em 1984.
Para Guilherme Valente, editor da Gradiva e amigo do autor, Um Neurocirurgião em Construção «É um livro em que todas as frases, todas as palavras foram pensadas, com a inteligência e o saber finíssimos, a sensibilidade e grandeza de alma de um autor notável. Decidiu dizê‑las, deixá‑las escritas. E aqui estão. Um livro, o texto escrito, é o único registo perene da memória dum homem, da sua passagem pelo mundo, do seu olhar das coisas inumeráveis. São umas últimas memórias, repassadas pela grande mensagem de toda a obra e vida de João Lobo Antunes: o exemplo e o elogio de uma ética do trabalho, de auto‑exigência. (…) O que sinto agora não é apenas o orgulho de publicar uma grande obra. É sobretudo satisfação por a ter publicado fazendo tudo como João Lobo Antunes quereria que eu fizesse»
O Livro poderá ser adquirido na sessão.
A entrada é livre.

João Lobo Antunes – Nota Biográfica

JOÃO LOBO ANTUNES (1944-2016), foi neurocirurgião de relevo e Professor Catedrático de Neurocirurgia da Faculdade de Medicina de Lisboa. Fundador e presidente do Instituto de Medicina Molecular, assumiu ainda a presidência do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida. Defensor de uma visão humanista da medicina e detentor de vasta cultura, publicou sete livros de ensaios: Um Modo de Ser (1996), Numa Cidade Feliz (1999), Memória de Nova Iorque e Outros Ensaios (2002), Sobre a Mão e Outros Ensaios (2005), O Eco Silencioso (2008), Inquietação Interminável (2010) e Ouvir Com Outros Olhos (2015); uma biografia de Egas Moniz (2010); e, na colecção «Ensaios» da Fundação Francisco Manuel dos Santos, A Nova Medicina (2012).
Entre as várias distinções que recebeu, conta-se o Prémio Pessoa (1996) e o Prémio da Universidade de Lisboa (2013). Foi ainda agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (2004) e Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago de Espada (2014), que distingue o mérito literário, científico e artístico.
Um Neurocirurgião em Construção
João Lobo Antunes
Colecção: «Obras de João Lobo Antunes»
Ano de edição: 2019 . 978-989-616-882-7
288 pp. | € 17,00


 










Diálogo Ciência - Religião em Águeda

Próximo Encontro da FFMS com Michael Sandel e Steven Pinker

Siga o Encontro online
DIA 1 DE JUNHO EM STREAMING
O Encontro da Fundação sobre Ética, Valores e Política vai ser transmitido online no site da Fundação.
No dia 1 de Junho, siga em directo as intervenções do filósofo Michael Sandel e do psicólogo e linguista Steven Pinker, dois dos principais intelectuais da actualidade.
Não perca também a apresentação do estudo Instituições e Qualidade da Democracia: Cultura Política na Europa do Sul e o debate que se seguirá entre o coordenador Tiago Fernandes e os cientistas políticos Mónica Brito Vieira e Andrés Malamud.
14h30Abertura do Encontro com Jaime Gama, Presidente do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da FFMS.
14h35 - 16h10Apresentação do estudo Instituições e Qualidade da Democracia: Cultura Política na Europa do Sul, com Tiago Fernandes, seguido de debate com Andrés Malamud e Mónica Brito Vieira, moderado pelo jornalista David Dinis.
16h30 - 18hÉtica, Valores e Política, com Michael Sandel e Steven Pinker, moderado por Gonçalo Saraiva Matias, director de estudos da Fundação.
18h30Governo Sombra

Doutoramento em Estudos Globais


MECÂNICA DO TEMPO

SAÙDE E CYBORGS



O Livro

 Este livro nasceu de uma inquietação. Os seres humanos cuidam uns dos outros. Esta atividade de cuidar tem uma história muito rica que nobilita todas as sociedades. Qual é, contudo, o seu futuro? … A pergunta sobre o futuro não é … um convite à imaginação sem sentido mas uma tentativa de compreender o que de facto já está a acontecer nos hospitais, centros de saúde e clínicas da nossa época, e, sobretudo, o que se irá acentuar no porvir.

 A riqueza de meios técnicos, científicos, institucionais e humanos a que hoje o cuidar recorre dificulta por vezes a perceção do que nele é perene. Ora é precisamente este núcleo que importa identificar perante desafios que o passado não conseguia de todo imaginar. É aqui que a figura contemporânea do ciborgue (cyborg) é relevante. … O ciborgue é um organismo híbrido que tem partes naturais e tem partes artificiais, um organismo que vive num mundo com processos evolutivos constantes, seja no exterior, seja no interior. É hoje impensável realizar os cuidados de saúde sem administrar medicamentos ou sem substituir órgãos defeituosos por próteses. Não se veem sinais de que esta tendência possa mudar de sentido. Tudo isto altera as atividades tradicionais do cuidar e obriga a pensar num novo conjunto de conceitos e de valores de referência. (Do Prefácio)

 Coleção Saúde e Bioética

 A Saúde é um dos aspectos mais importantes da vida humana. Muito há a conhecer a seu respeito, desde as práticas que a concretizam até às reflexões que a enquadram. A centralidade da Saúde na vida das pessoas obriga a que as actividades dos seus profissionais, investigadores e promotores sejam acompanhadas e compreendidas por todos. A aplicação da ciência e da tecnologia avançada à Saúde é uma fonte de esperança para milhões de pessoas, mas também ela tem de ser escrutinada numa sociedade democrática do ponto de vista da ética e da lei. A colecção Saúde e Bioética procura contribuir para esta reflexão inadiável através da edição de trabalhos originais sobre as práticas, as reflexões, o cuidar, a história, a cultura, as percepções públicas e a educação para a Saúde. Nos tempos antigos, os agentes da Saúde limitavam-se a combater a doença e os efeitos dos acidentes; na vida contemporânea, o universo da Saúde inclui a procura de ‘um estado de completo bem-estar físico, mental e social’ (OMS); no futuro próximo, os desafios da Saúde estarão ligados a uma nova ontologia dos seres humanos e a novas formas de procura da felicidade. É tudo isto que merece ser pensado.

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EDDINGTON E O PESO DA LUZ: VÍDEO PREMIADO DOS ALUNOS DE MOIMENTA DA BEIRA


“Luz e Astronomia” from Pavilhão do Conhecimento on Vimeo.

"POR AMOR AOS LIVROS" DE INÁCIO LUDGERO


A BÍBLIA NA CULTURA OCIDENTAL


(Ep. 60) "Roteiros e rotas portuguesas do Oriente nos séculos XVI e XVII"

AS DUAS CULTURAS REVISITADAS


Meu artigo no mais recente livro de "As Letras entre as Artes".



Em 7 de Maio de 1959, fez há dias sessenta anos,  Charles Percy Snow inglês (1905-1980), o químico, romancista, político e intelectual público inglês mais conhecido pelo nome abreviado C. P. Snow, proferiu em Cambridge, Inglaterra, uma conferência que ficou famosa que se inseria no quadro das Rede ou Sir Robert Rede Lectures (o patrocinador foi um chefe da justiça inglês nos séculos XV e XVI). O título  foi “As Duas Culturas” e o texto foi rapidamente impresso, tendo conhecida ampla circulação tanto no Reino Unido como no mundo todo.  Em Portugal saiu uma edição desse livro nas Publicações Dom Quixote, fundadas pela dinamarquesa Snu Abecassis, em 1965, tendo  um dos primeiros livros do prelo desta editora uma vez que foi publicado em Agosto desse ano, quando o início da atividade daquela editora foi em Abril. Inclui um pós-escrito do autor, “Um segundo relance”, escrito quatro anos depois, assim como um texto de uma outra conferência realizada na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, intitulado “Ciência e governo”. Possuo essa edição, traduzida por Idalina Pina Amaro, que foi o número um da colecção “Vector” e que só se pode encontrar nos alfarrabistas. Em 1996, saiu uma outra edição na editora Presença, traduzida por Miguel Serras Pereira, que contém uma ampla introdução. Julgo que ainda se pode encontrar nas livrarias.

É desta última edição que transcrevo  a expressiva defesa que Snow faz do seu ponto principal, que foi o pomo de uma enorme polémica, que é a manifesta limitação do que apelida “cultura tradicional”, ligada às humanidades, num mundo largamente dominado pela ciência e pela técnica (circunstância que já era clara no final da década de 60 com o lançamento do Sputnik):

“As pessoas são também limitadas – e talvez mais gravemente, uma vez que mostram um grande orgulho nas suas limitações. Gostam de continuar a sustentar que a cultura tradicional é a totalidade da cultura, como se a ordem natural não existisse. Como se a investigação da ordem natural não fosse interessante, nem enquanto valor autónomo nem pelas suas consequências. Como se a construção científica do mundo físico não fosse, na sua profundidade intelectual, na sua complexidade e articulação, a mais bela e prodigiosa obra colectiva do espírito do homem. E, contudo, a maior parte dos não cientistas não faz a mínima ideia do que seja essa construção. Ainda que a queiram compreender, não são capazes. Tudo se passa, em larga medida, como se, para uma extensão imensa da experiência intelectual, pertencessem a um grupo destituído de ouvido. Mas esta falta de ouvido não é um efeito da natureza, resulta da sua formação, ou antes, da sua falta de formação.”

Logo a seguir Snow deixa a sua invectiva aos homens de letras onde remete para a Segunda Lei da Termodinâmica, ou Lei da Entropia (a entropia é a grandeza física que expressa o grau de desordem de um sistema, sendo a única que permite distinguir o futuro do passado, pois nunm sistema isolado nunca diminui):

“Como acontece a quem tem falta de ouvido, os não cientistas não sabem o que perdem. Soltam uma exclamação de dó ao ouvirem falar de cientista que nunca leram uma grande obra de literatura inglesa. Desprezam- -nos, considerando-os especialistas ignorantes. Mas a sua própria ignorância e o seu próprio grau de especialização são também alarmantes. Estive muitas vezes em reuniões de pessoas que, pelos critérios da cultura tradicional, eram altamente instruídas e que expressavam com uma complacência notável a sua incredibilidade relativamente à ignorância dos cientistas. Numa ou duas ocasiões semelhantes, senti-me provocado e perguntei aos circunstantes quantos de entre eles saberiam dizer o que era a Segunda Lei da Termodinâmica. A resposta era fria: e negativa, também. Mas o que estava a perguntar equivalia, do ponto de vista científico, a esta outra pergunta: Leu alguma coisa de Shakespeare? Hoje penso que, mesmo que tivesse feito uma pergunta ainda mais simples – como, por exemplo: o que entende Você por massa, ou por aceleração? - que equivale, em termos científicos, à pergunta - Sabe ler? – só uma em cada dez dessas pessoas altamente instruídas compreenderia o meu inglês. É assim que, perante o grande edifício da física moderna, a maior parte das pessoas mais inteligentes do mundo ocidental demonstra uma compreensão que não ultrapassa a que seria acessível aos seus antepassados neolíticos. “

Snow chama, portanto, a atenção para a necessidade de integração da ciência e da tecnologia para a cultura, realçando que no Reino Unido, ao contrário de outros países, a escola não estava a proporcionar uma cultura integral do indivíduo. Foi provocador de um modo talvez excessivo, pelo que não admira que a sua palestra tenha feito correr rios de tinta. No texto intitulado ”Um segundo relance”, Snow recuou um pouco em relação à sua posição anterior que enfatizava a separação das duas culturas, ao referir a possibilidade de uma aproximação recíproca no que se poderia chamar uma “terceira cultura”. Ao analisar a polémica provocada pelo seu primeiro escrito, fez questão de  notar que não estava sozinho e que nem era o primeiro a dizer o que tinha dito sobre a separação das duas culturas. De facto, outros autores tinham apontado antes dele a questão de valorizar a ciência no quadro da cultura humana. Em particular, referiu um seu contemporâneo, o matemático polaco-britânico, de origem judaica, Jacob Bronowski (1908-1974), que, tal como Snow, fez carreira na administração pública e que, também tal como ele, alcançou uma posição destacada no espaço público da discussão intelectual.

Hoje, a necessidade da aproximação entre as duas culturas continua na ordem do dia. A separação entre o mundo das letras e artes, por um lado, e  o mundo das ciências e das técnicas, por outro, continua demasiado nítida. Há poucos anos, o editor americano John Brockman  falou também da necessidade de uma “terceira cultura”, onde as ciências seriam mais valorizadas. Mas, para ultrapassar a questão das “duas culturas”, não penso que precisemos de uma terceira cultura, temos simplesmente que as unir.  Se analisarmos bem a questão, concluiremos que há só uma cultura e que as “duas culturas” são apenas aspectos diferentes dela. É mais o que as une do que aquilo que as separa. Temos de prosseguir na via da aproximação encetada por Snow e Bronowski.

Bibliografia sobre Fernão de Magalhães nos 500 anos da sua viagem de circumnavegação



Fernão de Magalhães (1480 – 1521)

Navegador português que se notabilizou por ter organizado e comandado até à sua morte nas Filipinas a primeira viagem de circum-navegação ao globo terrestre de 1519 até 1522 através dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, em busca de um novo caminho para as Índias (a viagem foi completada pelo espanhol Juan Sebastian ElCano). É inegável a valia do seu feito para a história da marinharia, dos descobrimentos e da cartografia.

Bibliografia disponível no Rómulo – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra

Autoria de cronistas contemporâneos da viagem de circum-navegação

OLIVEIRA, Fernão de – Le voyage de Magellan : raconté par un homme qui fut en sa compagnie ; édition critique, traduction et commentaire du texte manuscrit recueilli par Fernando Oliveira. Paris : Centro Cultural Português, Fundação Calouste Gulbenkian, 1976. (Fontes documentais portuguesas ; 10).


Sobre Fernão de Magalhães e a viagem de circum-navegação

JONG, M. de – Um roteiro inédito da circunnavegação de Fernão de Magalhães. Coimbra : Instituto Alemão. Faculdade de Letras, 1937. 27 p.

SAAVEDRA, Teresa – Magalhães e a primeira viagem à volta da Terra. Guimarães : Opera Omnia, D.L. 2009. 54 p. ISBN 9789899573284. Literatura infanto-juvenil.

COMELLAS, José Luis –  La primera vuelta al mundo. 2ª ed. Madrid : RIALP, 2012. 223 p. ISBN 9788432141683.

BARROS, Amândio Jorge Morais – O homem que navegou o mundo : em busca das origens de Magalhães. Braga : AL - Publicações, 2015. 101 p. (Colecção História). ISBN 9789899791893.

CADILHE, Gonçalo – Nos passos de Magalhães : uma biografia itinerante. 1ª ed. Lisboa : Clube do Autor, 2018. 220, [1] p., [32] p. fot. ISBN 9789897244254.

SILVA, José Eduardo Cansado de Carvalho de Matos e ; SILVA, António de Matos e – Fernão de Magalhães : um agente secreto ao serviço do Rei D. Manuel I de Portugal?. Lisboa : By the Book, Edições Especiais, 2018. 131 p. ISBN 9789898614728.


GARCIA, José Manuel – Fernão de Magalhães : nos 500 anos do início da grande viagem : agenda 2019. Lisboa : INCM 2019. [239] p. ISBN 9789722727. Edição comemorativa do quinto centenário do início da viagem de circum-navegação (1519-1522) iniciada sob o comando de Fernão de Magalhães, que viria a morrer em 1521. Contém Textos, cartas, mapas relativos à viagem de circum-navegação e retratos de Fernão de Magalhães.


Bibliografia disponível noutras Bibliotecas da Universidade de Coimbra

Autoria de Fernão de Magalhães

MAGALHÃES, Fernão de ; MAFRA, Ginés de – Descripción de los reinos, costas, puertos e islas que hay desde el Cabo de Buena Esperanza hasta los Leyquios. Madrid : Estab. Tip. de Torrent y compania, 1920. 219 p. (Publicaciones de la Real Sociedad Geografica).

BARBOSA, Duarte ; [Magalhães, Fernão de?] – The book of Duarte Barbosa : an account of the countries bordering on the Indian Ocean and their inhabitants. Nendeln, Liechtenstein : Kraus Reprint, 1967. 2 vol. (Hakluyt Society. Works, Series II; 44, 49). Reimpressão da ed. de Hakluyt Society, 1918-1921. Obra também atribuída a Fernão de Magalhães.
Autoria de cronistas contemporâneos[2] da viagem de circum-navegação

MAXIMILIANUS TRANSYLVANUS ; PIGAFETTA, Antonio –  Il viaggio fatto da gli spagnivoli a torno a'l mondo. [Venezia] : [Luca Antonio Giunta], MDXXXVI [1536]. [52] f. ; 4º.

PIGAFETTA, Antonio –  Premier voyage autour du monde. A Paris : Chez H.J. Jansen, imprimeur-libraire, l'an IX [1800 ou 1801]. lxiv, 415 p., [9] f. estampas, mapas.

PIGAFETTA, Antonio [et al.] –  The first voyage round the world by Magellan. London : The Hakluyt Society, 1874. lx, 257, xx p., [7] estampas.

PIGAFETTA, Antonio –  Primer viaje en torno del globo. Madrid : Calpe, 1922. 203 p : 3 est., 1 mapa desdobr. Existem mais edições no catálogo: 1927 ; 1943 ; 1946 ; 1954

PIGAFETTA, Antonio – Relazione del primo viaggio intorno al mondo. Milano : Edizioni "Alpes", 1928. 335 p. (Viaggi e scoperte di navigatori ed esploratori italiani ; 3).

PIGAFETTA, Antonio – Magellan's voyage : a narrative account of the first circumnavigation. New Haven ; London : Yale University Press, 1969. 2 vol. Vol. I : Translated and edited by R. A. Skelton from the manuscript in the Beinecke Rare Book and Manuscript Library of Yale University. - vol. II : a facsimile of the manuscript in the Beinecke Rare Book and Manuscript Library of Yale University.

Fernão de Magalhães : a primeira viagem à volta do mundo contada pelos que nela participaram. Mem Martins : Publicações Europa-América, D.L. 1987. 319 p. (Estudos e Documentos ; 224). Existe no catálogo edição de 1990.

OLIVEIRA, Fernão de ; WIONZEK, Karl-Heinz, ed. lit. – Another report about Magellan's circumnavigation of the world : the story of Fernando Oliveira. Manila : National Historical Institute, 2000. 47 p., mapas. ISBN 9715381154.

PIGAFETTA, Antonio ; GRÜN, Robert, ed. lit. – Mit Magellan um die Erde : ein Augenzeugenbericht der ersten Weltumsegelung, 1519-1522. [Stuttgart ; Wien] : Edition Erdmann, c.2001. 301 p. ISBN 3522604016.

OLIVEIRA, Fernão de – The voyage of Ferdinand Magellan = Viagem de Fernão Magalhães. Manila : National Historical Institute, 2002. iii, 182 p. : il., facsimiles, mapas. ISBN 9715381634 (brochado). Facsimile do ms. original português (Cod. nº 41, Cat. Voss. Lat., fls. 239-254), Biblioteca Univ. Leiden. Textos em inglês e português.


PIGAFETTA, Antonio – Le voyage de Magellan : 1519-1522 : la relation d'Antonio Pigafetta & autres témoignages. Paris : Chandeigne, 2007. 2 vol. em caixa. (Collection Magellane, 1160-2899). ISBN 9782915540321.

WALLISCH, Robert. ; ANGHIERA, Pietro Martire d' ; MAXIMILIANUS TRANSYLVANUS, 14..-15.. – Magellans Boten : die frühesten Berichte über die erste Weltumsegelung : Maximilanus Transylvanus, Johannes Schöner, Pietro Martire d'Anghiera : (lateinischer Text, Übersetzung und Anmerkungen). Wien : Verlag der Österreichischen Akademie der Wissenschaften, 2009. 176 p., mapas. (Edition Woldan ; 2). ISBN 9783700167679.

Sobre Fernão de Magalhães e a viagem de circum-navegação

BARROS ARANA, Diego – Vida e viagens de Fernão de Magalhães. Lisboa : Typ. da Academia Real das Sciencias, 1881. 192 p., 1 mapa desdobr.

VAST, Henri – Le tour du monde il y a quatre siècles : Vasco de Gama et Magellan. 2eme éd. Paris : Hachette, 1886. 191 p., mapas. (Bibliothéque des Écoles et  des Familles).

NOVO Y COLSÓN, Pedro de – Magallanes y Elcano : conferencia de D. Pedro Novo y Colson. Madrid : Ateneo de Madrid, 1892. 25 p.

ALBERTO, Caetano – Descobrimento das Filippinas pelo navegador português Fernão de Magalhães. Ed. illustrada. Lisboa : Empresa do Occidente, 1898. 147 p.

DENUCÉ, Jean – Magellan : la question des Moluques et la première circumnavigation du globe. [Bruxelles : Hayez], 1911. 433 p.

COELHO, J. M. Latino ; VARELA, Arlindo, ed. lit. – Fernão de Magalhães. Lisboa : Empresa Literária Fluminense, imp. 1917. 226, [3] p. (Escritos literários e políticos de J. M. Latino Coelho / coligidos e publ. sob a dir. de Arlindo Varela.). Inclui ainda: "Biographia" por A. A. Teixeira de Vasconcelos, uma "Carta autobiographica" e "Perfil de Latino Coelho" por Bulhão Pato. Existe no catálogo a 3ª edição de 1921.

MEDINA, José Toribio – El descubrimiento del Océano Pacífico : Hernando de Magallanes y sus companeros : documentos. Santiago de Chile : Imprenta Elzeviriana, 1920. viii, 309 p.

BAIÃO, António – A questão da naturalidade de Fernão de Magalhães : trasmontâno não, Minhôto : alocução lida na sessão solene celebrada por ocasião do centenário da morte de Fernão de Magalhães, em 27 de Abril de 1921. Coimbra : Imprensa da Universidade, 1921. 61, [2] p. (História e memórias da Academia das Sciências de Lisboa, Nova série, 2ª classe, Sciências morais e politicas, e belas letras, T. 14).

DORNELAS, Afonso de – Em prol de Fernão de Magalhães. Lisboa : Casa Portuguesa, 1921. [27], 39 p., [22] f.

EÇA, Vicente Almeida de – O feito de Fernão de Magalhães : discurso pronunciado em 27 de Abril de 1921 na sessão comemorativa na Academia. Coimbra : Imprensa da Universidade, 1921. 12 p.


MENDONÇA,  Henrique Lopes de – A inspiração de Fernão de Magalhães : alocução proferida na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra em 27 de Abril de 1921. Coimbra : Imprensa da Universidade, 1921. 20 p. Separata de “O Instituto”, vol. 68, nº 6.

INSTITUTO DE COIMBRA – Número comemorativo do 4º centenário de Fernão de Magalhães. Coimbra : Imprensa da Universidade, 1921. 68 p., vol. 68 do Instituto de Coimbra (1921). Também disponível em linha.

NORONHA, José Manuel de – Algumas observações sobre a naturalidade e a família de Fernão de Magalhães. Coimbra : Imprensa da Universidade, 1921. 45 p. Separata de "O Instituto", vol. 68, nº 3.

Portugal en las Fiestas Magallánicas. Santiago - Chile : Nascimento, 1921. 76 p.

DELL'AMORE, Bruno – Ferdinando Magellano e il primo viaggio di circumnavigazione del globo. Torino : G.B.Paravia, 1928. xii, 271 p. (I Grandi Viaggi di Esplorazione).

BENSON, E. F.  Ferdinand Magellan. London : John Lane, [1929]. xv, 262 p.

PENROSE, Boies – A link with Magellan : beine a chart of the East Indies C. 1522 in the possession of Boies Penrose. [S.l : s.n.], 1929 (privately printed by Wm. F. Fell). 14 p. , 1 mapa.

DORNELAS, Afonso de – Fernao de Magalhaes : navegador portuguez ao serviço da Hespanha : elementos de estudo. Lisboa : [s.n.], 1930. 48 p. Separata de: Elucidário Nobiliarchico, vol. 2.

LAGÔA, 4º Visconde de – Fernão de Magalhães : a sua vida e a sua viagem. Lisboa : Seara Nova, 1938. 2 vol.

VELOSO, J. M. de Queirós – Fernão de Magalhães : a vida e a viagem. Lisboa : Editorial Império, 1941. 118 p. (Edições "Ocidente"). Publicado originalmente em francês, na “Revue d'Histoire Moderne”, Set. 1939.

ZWEIG, Stefan – Fernão de Magalhães. 2ª ed. Porto : Livr. Civilização, 1939 imp. 284 p., 39 estampas. Existem mais edições no catálogo: 1943 ; 1951 ; 1960 ; 1971 ; 1975

LIMA, Américo Pires de – A botica de bordo de Fernão de Magalhães. Porto : [s.n.], 1942. 81 p. Separata dos Anais da Faculdade de Farmácia do Porto, Vol. IV. Existe uma edição no catálogo de 1957.

KENT, Louise Andrews – As aventuras de Fernão de Magalhães. São Paulo : Editora Universitaria Ltdª, imp. 1945. 302, [2] p. Tradução de “He went with Magellan”.

PARR, Charles McKew – So noble a captain : the life and times of Ferdinand Magellan. New York : Thomas Y. Crowell Company, 1953. xv, 423 p. Existe no catálogo edição de 1956.

DOMINGUES, Mário – Fernão de Magalhães. Barcelos : [s.n.], 1959. 288 p.

UGOLINI, Luigi de – A primeira volta ao mundo. Estoril : Editorial Salesiana, [1961?]. 195 p. (Colecção de Leituras Juvenis ; 10). Literatura infanto-juvenil. Existem mais edições no catálogo: 1962 ; 1974.

DIBNER, Bern – The Victoria and the Triton. Norwalk, Connect : Burndy Library, 1962. 58 p., 1 mapa.

DANIEL, Hawthorne – Ferdinand Magellan. Garden City, N.Y.; Doubleday, cop. 1964. 302 p., mapas.

PLISCHKE, Hans, ed. lit. – Die erste Weltumseglung [des] Fernão de Magalhães [texto fotocopiado]. [4., erw. und neubearb. Aufl.]. [Haar bei München] : Klaus Renner, [c1964]. 152 p.

DAINELLI, Giotto – L'impresa di Magellano. Torino : Unione Tipografico - Editrice Torinese, 1965. [viii], 269 p. (La conquista della terra : esploratori ed esplorazioni ; 13).

PEILLARD, Léonce – Fernão de Magalhães e a primeira volta ao mundo da "Victoria". Lisboa : Livraria Bertarnd, [1965?]. 225 p., 5 estampas. (Colecção Documentos de todos os tempos).

CARVALHO, Rómulo de – Os nomes portugueses na carta da lua. [S. l. : s.n., 1967?]. 8 p., 1 estampa. Separata de: Revista Palestra, nº 27.

DOMINGUES, Mário – Fernão de Magalhães. 2ª ed. Porto : Livraria Civilização, 1967. 239 p. (Quer saber?). Existe no catálogo a 3ª edição 1980.

FORJAZ, António Pereira – Fernão de Magalhães e a sua farmácia. Lisboa : Laboratórios Azevedos, 1967. 7 p. Separata de: "Anais Azevedos", vol. 19, nº 3, 1967.

HONOLKA, Kurt – A odisseia de Fernão de Magalhães. [Lisboa] : Publicações Europa-América, [1968].  (Europa-América Juvenil ; 6). Literatura infanto-juvenil.

SPATE, O. H. K. – The Pacific since Magellan : an outline of its strategic history. [S.l] : [O. H. K. Spate], 1970. 20, 4 f.

MÜLLER, Adolfo Simões – A primeira volta ao mundo : Fernão de Magalhães e as viagens de circumnavegação. Porto : Livraria Tavares Martins, 1971. 197 p. (Gente Grande para Gente Pequena ; 13).

RODITI, Edouard – Magellan of the Pacific. London : Faber and Faber, 1972. 271 p. ISBN 0571089453.

CAMERON, Ian – Magellan and the first circumnavigation of the world. New York : Saturday Review Press, 1973. 224 p. ISBN 0841502579.

LEONE, Metzner – Fernão de Magalhães não traíu. Lisboa : Amigos do Livro, [1974?]. 314 p., 16 estampas.

FARIA, Francisco Leite de – As primeiras relações impressas sobre a viagem de Fernão de Magalhães. Lisboa : [s.n.], 1975. p. [471]-518, [12] fac-símil. Separata de: "Viagem de Fernão de Magalhães e a Questão das Molucas".

MOTA, A. Teixeira da, ed. lit. – A viagem de Fernão de Magalhães e a questão das Molucas : actas do II Colóquio Luso-Espanhol de história Ultramarina. Lisboa : Junta de Investigações Cientificas do Ultramar, 1975. XXV, 764 p., [43] p. (Centro de Estudos de Cartografia Antiga. Série de Memórias. Secção de Lisboa ; 16).

KELLENBENZ, Hermann – Die Brüder Diego und Cristóbal Haro. [Münster : s.n., 1977?]. p. [303]-315. Separata de: "Portugiesische Forschungen der Görresgesellschaft. 1. Reihe, Aufsätze zur portugiesischen Kulturgeschichte.", 14, 1976-1977.

FREITAS, Manuel Alcino Martins de – Fernão de Magalhães : nasceu em Saborosa, distrito de Vila Real, província de Trás-os-Montes. [S.l. : s.n.], 1980 imp. 142 p. (Vila Real : Min. Transmontana).

DAVIES, Arthur – Magellan and his grand design. [London : s.n., 198-?]. p. 31-36. Separata de "The Geographical Magazine", vol. 150, pt. 3, 1984.

MOTA, A. Teixeira da – O regimento da altura de leste-oeste de Rui Faleiro : subsídios para o estudo náutico e geográfico da viagem de Fernão de Magalhães : memória. Lisboa : Ed. Culturais da Marinha, 1986. 254, [46] p., mapas. Inclui cartas do Almirante Gago Coutinho.

ALBUQUERQUE, Luís de, ed. lit. – Grandes viagens marítimas. Lisboa : Alfa, 1989. 126 p. (Biblioteca da Expansão Portuguesa ; 1).

LAGUARDA TRÍAS, Rolando A. – Un relato mal atribuido del viaje de Magallanes. [S.l : s.n.], 1991. p. 211-215. Separata de “Mare Liberum”, (3).

RODITI, Edouard – Magalhães do Pacífico. Lisboa : Assírio & Alvim, 1989. 167, [8] p. (Peninsulares. Especial ; 15). ISBN 9723702274.

HUMBLE, Richard – Fernão de Magalhães. [Porto] : Edinter, 1992. 32 p. (As grandes viagens ; 1). ISBN 9724301974

MAUFFRET, Yvon – Fernão de Magalhães : cavaleiro português, capitão de Sua Majestade o Rei de Espanha, que quis dar a volta ao mundo. 1ª ed. Porto : Asa, 1994. 119 p. (As minhas memórias). ISBN 9724103811.

ZWEIG, Stefan – Magellan : Der Mann und seine Tat. Frankfurt am Main : Fischer, 1994. 315 p., 36 estampas. (Fischer Taschenbuch ; 5356). ISBN 359625356X. Romance histórico.

BARRAULT, Jean-Michel – Fernão de Magalhães : a terra é redonda. 1ª ed. Lisboa : Terramar, 1998. 258 p. (Da história ; 5). ISBN 9727102085.

REIS, A. do Carmo – Fernão de Magalhães. Porto : Porto Editora, 1998. (Os Maiores Navegadores do Mundo). ISBN 972070425X.

SIMPÓSIO DE HISTÓRIA MARÍTIMA, 7 – Fernão de Magalhães e a sua Viagem no Pacífico : antecedentes e consequentes : actas. Lisboa : A.M., 2002. xiii, 395 p. ISBN 9727810624. Texto em português e espanhol.

KAY, Bernhard – Der Navigator : Historischer Roman über Ferdinand Magellan und die erste Weltumsegelung. 4. Aufl. Bergisch Gladbach : Lübbe, 2004. 719 p. (Bastei Lübbe Taschenbuch ; Bd.14441). ISBN 3404144414.

BERGREEN, Laurence – Fernão de Magalhães : para além do fim do mundo : a extraordinária viagem de circum-navegação. Lisboa : Bertrand, 2005. 441 p., 16 estampas. ISBN 9722514237. Tradução de “Over the edge of the world”. Existe no catálogo 2ª edição de 2013.

GIL, Maria de Fátima – Magellan. Der Mann und Seine Tat de Stefan Zweig : um exemplo de "biografia moderna" dos anos 30 sobre uma figura histórica portuguesa  [documento electrónico]. Coimbra : [s.n.], 2005. Tese de doutoramento em Letras, na área de Línguas e Literaturas Modernas (Literatura Alemã) apresentada à Faculdade de Letras de Coimbra.

ARIAS DE LA CANAL, Fredo – Fernando de Magallanes : retrato de un héroe. Potes : Casa de Cultura de Potes, Fundación Fredo Arias de la Canal, D.L. 2007. 58 p.

GARCIA, José Manuel – A viagem de Fernão de Magalhães e os portugueses. 1ª ed. Lisboa : Presença, c2007. 325 p. (Biblioteca do Século ; 18). ISBN 9789722337519.

ZWEIG, Stefan – Magalhães : o homem e o seu feito. Lisboa : Assírio & Alvim, cop. 2007. 315, [3] p. (Peninsulares ; 82). ISBN 9789723712001. Existe 2ª edição no catálogo de 2017.

OOM, Ana – Fernão de Magalhães. Lisboa : Zero a Oito, 2008 imp. 41, [5] p. (Nomes com História). ISBN 9789896480080.

GIL, Maria de Fátima – Uma biografia "moderna" dos anos 30 : Magellan. Der Mann und seine Tat  de Stefan Zweig. Coimbra : MinervaCoimbra : CIEG, 2008. (Minerva-CIEG ; 15). ISBN 9789727982448.

BARROS, Amândio Jorge Morais – A naturalidade de Fernão de Magalhães revisitada. Porto : Afrontamento, 2009. 69 p. (Textos ; 69). ISBN 9789723610208.

DAEHNHARDT, Rainer [et al.] – O enigma Fernão de Magalhães. 1ª ed. [S.l.] : Apeiron, 2010 ([Lisboa] : Espaço Gráfico). 150 p. (Colecção Lug). ISBN 9789898447036.

GIL, Alexandra – Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Fernão Magalhães : os navegadores. 1ª ed. Matosinhos : Booklândia, 2010. 31 p. (Filhos da Nação ; 12). ISBN 9789895547128. Literatura infanto-juvenil.

TAVEIRA, António – Fernão de Magalhães "o do estreito" de Santa Maria da Sé do Porto. [S.l.] : A. Taveira, 2010 (Porto : Uniarte Gráfica). 45, [2] p., [5] f. desdobr.

CHANDEIGNE, Michel ; DUVIOLS, Jean-Paul – Sur la route de Colomb et Magellan : idées reçues sur les grandes découvertes. Paris : Le Cavalier Bleu, 2011. 182, [5] p. (Idées Reçues). ISBN 9782846703918.

CARDOSO, Luís – O ano em que Pigafetta completou a circum-navegação. 1ª ed., reimp. Porto : Sextante Editora, 2016. 251 p. (Sextante Editora. Ficção). ISBN 9789896761608. Literatura, fiçcão.

ZWEIG, Stefan – Fernão de Magalhães. Lisboa : Relógio d'Água Editores, 2017. (Obras de Stefan Zweig). ISBN 9789896417604.


Nota: A presente lista foi elaborada de acordo com a NP 405 e está organizada por ordem cronológica (do mais antigo para o mais recente).


RÓMULO CCVUC
Maio 2019
Ana Serôdio