sexta-feira, 15 de abril de 2016

NEM TUDO O QUE PARECE CIÊNCIA O É!

Texto publicado primeiramente na imprensa regional.

Logotipo dos Prémios Unicórnio Voador -  Crédito Cláudia Barrocas


“Nem tudo o que reluz é ouro e quando a esmola é grande o pobre desconfia. Estes são dois exemplos da sabedoria popular que nos lembram a importância de sermos cépticos e críticos. Mitos e falsas alegações podem ser bastante prejudiciais para a nossa saúde e carteira, por isso é essencial saber como separar o trigo do joio ‐ é preciso questionar e exigir provas antes de aceitar algo como verdadeiro. O cepticismo e o pensamento crítico são parte fundamental da ciência, mas todos/as nós podemos e devemos aplicá‐los nas decisões que tomamos no dia‐a‐dia.”

O texto do parágrafo anterior foi-me enviado por elementos da COMCEPT – Comunidade Céptica Portuguesa, organização cidadã fundada em Abril de 2012 por Diana Barbosa, Leonor Abrantes e João Monteiro, todos eles excelentes comunicadores de ciência. Os quatro anos de existência que se cumprem este mês e que celebramos permitem já uma avaliação e divulgação merecida da actividade desta organização.

Começo por enunciar que o “objectivo da COMCEPT é promover a ciência e o pensamento crítico através do activismo céptico. Isto envolve a denúncia da pseudociência, isto é, de tudo aquilo que tenta passar‐se por ciência sem o ser, mas também do negacionismo de factos científicos bem estabelecidos”.

A COMCEPT deu-se primeiramente a conhecer na sua página na internet (http://comcept.org), sítio onde desde o primeiro momento têm sido divulgados textos de diferente índole relacionados com a sua actividade. Segundo David Marçal, bioquímico e comunicador de ciência, “no sítio de Internet da COMCEPT podemos encontrar artigos aprofundados, que de modo fundamentado e claro ajudam a esclarecer algumas pseudociências e a desmontar os argumentos dos seus partidários.”

A COMCEPT organiza vários eventos ao longo do ano. Tertúlias mensais e informais intituladas “Cépticos com Vox” que têm lugar, de forma alternada, em Lisboa e Porto, “ com debates à volta de temas muito relevantes e pouco debatidos”, segundo David Marçal. Anualmente promove ainda uma conferência nacional, a “ComceptCon”, onde pretende reunir todos os cépticos portugueses, mas também qualquer pessoa que tenha curiosidade pela ciência. Também organiza anualmente o ciclo “ Conferências do Solstício ”, no sábado anterior ao Natal, mais ou menos coincidente com o solstício de Inverno.

Para o professor de Física, historiador e comunicador da ciência Carlos Fiolhais, “a COMCEPT, Comunidade Céptica Portuguesa, tem feito excelente serviço público. Tal como outras congéneres noutros países, tem defendido a ciência, procurando sempre distingui-la da pseudociência. O espírito céptico é uma das marcas da ciência. Não podemos acreditar em tudo, mas sim e apenas naquilo que resistir a uma análise crítica. E a característica principal da ciência é o exercício ao máximo dessa análise crítica.”

Para António Gomes da Costa, presidente da SciCom Pt – Rede de Comunicação de Ciência e Tecnologia, “a COMCEPT desenvolve um trabalho essencial: exigir que as afirmações, julgamentos e decisões que fazemos requeiram sempre uma grande e salutar dose de lógica e de razão e, sobretudo, que se baseiem em factos concretos e bem demonstrados. Tudo o que assim não for não passa de uma opinião ou de uma crença e deve ser encarado com todas as reservas.” E sublinha que “parece simples, mas é uma atitude infelizmente rara num mundo em que juízos de valor apressados e baseados em coisa nenhuma são muitas vezes responsáveis por catástrofes humanitárias e por problemas graves de saúde pública. É neste campo que a COMCEPT desenvolve um trabalho intenso e regular (com pelo menos uma tertúlia mensal e um grande encontro anual), cuja qualidade tem aumentado de ano para ano, e que é dinamizado de modo voluntário essencialmente por três pessoas: A Leonor Abrantes, a Diana Barbosa e o João Monteiro.”

David Marçal também reconhece que “a COMCEPT tem feito ao longo dos últimos quatro anos um trabalho persistente e meritório na promoção da cultura científica em Portugal. Tem contribuído para esclarecer equívocos acerca de coisas que se fazem passar por ciência, sem o serem. A sua actuação concretiza-se de várias maneiras, complementares e mobilizadoras.”

“Prémios Unicórnio Voador”
Outra actividade em que a COMCEPT se tem destacado é a da atribuição anual dos “Prémios Unicórnio Voador”. Com estes prémios a organização pretende desmascarar as situações mais gritantes de pseudociência que populam na sociedade portuguesa. Para David Marçal, estes prémios são “distinções humorísticas que visam premiar as manifestações mais absurdas da pseudociência. Sempre com rigor, clareza e boa fundamentação. E não apenas uma vez, por outra, mas com grande regularidade e continuidade.”

Ainda sobre estes prémios, o professor de Química e comunicador de ciência Paulo Ribeiro-Claro diz-nos: “sou fã do Prémio Unicórnio Voador, que é uma forma muito criativa e bem-humorada de enfrentar um problema sério: como a comunicação social - e televisão em particular - é permissiva e cúmplice de toda e qualquer vigarice pseudocientífica que explore a falta de cultura científica do cidadão. É um prémio que merecia uma gala... na TV!”

Vejam aqui os vencedores dos Prémios Unicórnio Voador de 2015.

Posto isto, afirmo em plena concordância com David Marçal que “a Comunidade Céptica Portuguesa é uma associação que fazia falta em Portugal!”. Sugiro ao leitor/a que esteja atento/a às iniciativas desta organização e que, se possível, nelas participe.

A COMCEPT pode ser seguida na web , Facebook e Twitter . Os interessados podem subscrever a newsletter aqui.

António Piedade

17 comentários:

  1. Lamento, vou ser politicamente incorrecto. A Comunidade Céptica, ao contrário do que possa parecer, é uma defensora do conformismo e do "status quo", uma nova forma de apoio ao anti-progresso e contrária ao verdadeiro espírito científico, cujas origens e apoios são tão globalistas como o que está por detrás dos 'Panama Papers' e do ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists). Mesmo que muitos dos representantes cépticos até estejam convictos do que fazem e de boa fé, o certo é que fazem parte de uma rede global análoga à Rede Global ICIJ, onde mais de 190 jornalistas de investigação em mais de 65 países fazem o papel de idiotas úteis.

    O que é que ela pode trazer ao progresso da ciência? Nada, é um aparelho de propaganda e ideológica ateísta, alinhada com os interesses que a apoiam na origem. Ao menos sejam originais e tentem criar algo realmente novo e independente, aí sim, poderão merecer o respeito que tentam alcançar.

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    1. E desde quando ser "ateísta" virou algo ruim para ciência? Acho que é bem pelo contrário...
      Ficou estranha essa parte do seu comentário.

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    2. O seu comentário é idêntico a um "Panama Papers", e digno de ser publicado pela "International Consortium of Investigative Journalists".

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  2. Nada acontece por acaso, isso é certo!

    The Sun Valley Conference: Where Mainstream Media, Social Media, and CIA Meet to Coordinate Agendas
    https://www.youtube.com/watch?v=XL4WkMhDemQ&list=UUzUV5283-l5c0oKRtyenj6Q

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  3. Fui ver o site da Comcept e deparei com uma observação surpreendente acerca do "negacionismo" : «Existem pessoas que põem em causa factos bem estabelecidos da história e da ciência como o holocausto, a teoria da evolução, o aquecimento global, os benefícios da vacinação ou o VIH como o causador da SIDA».

    De facto, colocar o holocausto e a teoria da evolução a par do aquecimento global é não só surpreendente mas também indício de que esta iniciativa não tem mérito. As teses do aquecimento global nem sequer se podem considerar teorias científicas e muito justamente são motivo de acesa controvérsia nos países em que existe plena liberdade de expressão.

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    1. As teses das alterações climáticas têm o apoio quase total de todos os climatólogos a nível global. Não tente criar uma controvérsia onde ela não existe.

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  4. Infelizmente, a COMCEPT pode mudar a mentalidade de pessoas que estejam na dúvida naquilo em que devam acreditar, mas nunca vai mudar as mentes fechadas de quem acredita em tretas alternativas. É pena, mas ao menos vai pondo a nu essas tretas a quem não as conhece. Esperemos que a longo prazo haja um efeito positivo deste divulgar de aldrabices como homeopatia/anti-alterações climáticas, etc.

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  5. Pois é, o problema é se se prova a realidade do que hoje é consideradas 'aldrabice'. O recente exemplo disso foram os unicórnios, como devem estar recordados. Esta perseguição às mentes fechadas é a versão actual de uma caça às bruxas. É aqui que o cepticismo pisa as marcas da total falta de modéstia, já para nem ir ao 'dogmático'. Abram as vossas mentes porque só o cepticismo vos fecha a visão.

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    1. Tenha uma mente aberta, mas não tão aberta que o cérebro lhe fuja! De que serve "abrir" a mente para aceitar aldrabices como a homeopatia? Há que manter um espírito minimamente crítico.

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  6. Não sei com qual anónimo estou de acordo!

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  7. O aquecimento global é motivo de controvérsia em vários países por motivos económicos e ideológicos e que nada tem a ver com a ciência.

    Existe consenso científico por parte de quem estuda o clima, tal como existe consenso científico para quem estuda a evolução das espécies.

    Por isso, negar que as alterações climáticas não são uma realidade é equivalente a negar o HIV e a teoria da Evolução.

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    1. Cara leitora Leonor Abrantes

      O que é escrito por climatologistas de renome mundial, como Richard Lindzen, Roy Spencer, John Christy e tantos outros, permite dizer que não existe nenhum consenso acerca das teses do aquecimento global. A comunidade que adere a estas teses afirma peremptoriamente que há 97% de consenso, mas tal afirmação não passa de um mito, cuja origem foi já identificada e explicada publicamente.

      Mais importante, é que os cientistas que fazem parte do conjunto dos cépticos reconhecem a existência de algum aquecimento do planeta, embora diminuto (no momento actual até se observa uma estabilização conhecida por “pausa” ou hiato”), mas desafiam os alarmistas climáticos a definir que parte da variação se deve à variabilidade natural e que parte se deve à acção do Homem. E nunca ninguém foi capaz de responder.

      Entretanto, estrategicamente, os alarmistas deixaram cair a expressão “aquecimento global” e passaram a usar mais frequentemente a expressão “alterações climáticas”. Muito conveniente. A mesma causa, obviamente o pobre CO2, dá para tudo e o seu contrário. A antítese científica em estado puro.

      Os meus cumprimentos

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  8. Consenso científico? Isso agora também é alguma ciência?
    Quer dizer, há patentes que revelam um monte de coisas que os cépticos negam, nisso inclui-se até a realidade dos chamados 'chemtrails', os cépticos não sabem de nada, o próprio HAARP já foi reformado e isso publicamente anunciado pelos militares. Ao menos, actualizem-se rapazes, actualizem-se, se não querem levar com o selo de burros.

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    1. Sim, os "chemtrails" são reais, as vacinas causam autismo, a cura do cancro é suprimida, a homeopatia funciona, as alterações climáticas são inventadas. Além disso, somos todos governados por judeus do espaço que se escondem entre nós. Ainda bem que nos veio revelar isso. O que seria de nós sem a sua iluminação?

      Estar a defender os "chemtrails" é mostrar que não faz a mais pálida ideia do que é o mundo científico. Deixe as suas "patentes" inventadas para outra área.

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  9. Quanto tempo vai demorar até a ciência declarar que estamos sob EMF ataque!!! Eu diria que muita da ciência que não parece, é e está a ser negligenciada, devíamos prevenir mais do que remediar.

    DNA is a fractal antenna in electromagnetic fields
    Martin Blank & Reba Goodman
    http://www.tandfonline.com/doi/full/10.3109/09553002.2011.538130
    Results: EMF interactions with DNA are similar over a range of non-ionising frequencies, i.e., extremely low frequency
    (ELF) and radio frequency (RF) ranges. There are similar effects in the ionising range, but the reactions are more complex.
    Conclusions: The wide frequency range of interaction with EMF is the functional characteristic of a fractal antenna, and
    DNA appears to possess the two structural characteristics of fractal antennas, electronic conduction and self symmetry.
    These properties contribute to greater reactivity of DNA with EMF in the environment, and the DNA damage could account
    for increases in cancer epidemiology, as well as variations in the rate of chemical evolution in early geologic history.

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  10. O Anónimo de 16 de abril de 2016 às 22:42 tem de entender que uma coisa é a Ciência, outra coisa é o Poder. Os cientistas podem ter o conhecimento, seguramente não têm o Poder, os cientistas não investigam o que querem apenas o que podem. Além disso, o processo científico é hoje, mais do que nunca, algo bem próximo de um processo mafioso. Certo está o Boaventura Sousa Santos que nas Novas Conferências do Casino afirmou "(...) a ciência está a entrar num processo de máfia", fazendo referência ao controlo sobe o processo de publicação de 'Papers'. Além disso, é recordar o aviso de Carl Sagan sobre democracia, ciência e tecnologia. Estamos numa grande enrascada e qualquer pessoa minimamente informada pode ver isso.

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  11. Parece que esta conspiração fica morta aqui, menos um unicórnio

    Fluoride Officially Classified As A Neurotoxin by Prestigious Medical Journal (LANCET)
    http://wakingscience.com/2016/02/fluoride-officially-classified-as-a-neurotoxin-in-worlds-most-prestigious-medical-journal/

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