quarta-feira, 27 de maio de 2015

Uma escola para os MEUS filhos

Um senhor muito rico, empresário com formação em economia e física, e com invenções e negócios admiráveis na área das tecnologias (onde se incluem os jogos de computador), declarou em entrevista recente que não gostava da escola onde os seus cinco filhos andavam. Então, à semelhança de várias outras pessoas com poder, criou uma escola especialmente para eles e para filhos de empregados de uma das suas empresas.

Essa escola:
- Tem um nome latino, sendo de inferir que a formação clássica estará presente, isto quando vários países, como a França, a afastam da escola pública;
- Não tem página de internet nem ligações a redes sociais, isto quando a escola pública é pressionada para se publicitar.

Além disso, essa escola dá corpo a ancestrais sonhos pedagógicos (não adianta nada de novo):
- Não constitui classes;
- Dá primazia aos gostos individuais dos alunos;
- Aposta na exploração do real pelos alunos e, à medida que isso acontece, vão sendo guiados na sua aprendizagem.

Desta notícia retiro duas tristíssimas ilações:

1) Quem pode, em vez de procurar fazer qualquer coisa (de modo altruísta, sem esperar qualquer contrapartida) pela escola pública, a que é para os filhos de toda a gente, cria uma escola para os seus próprios filhos;
2) Esta escola, como várias outras com semelhante origem, integra o que se apregoa como desadequado para os filhos dos outros - a formação clássica - e retira o que se apregoa bom para esses mesmos filhos - a pesquisa pelo espaço cibernaútico e a exposição pública.

Só mais uma nota: esta escola tem menos de duas dúzias de alunos, por isso, sim, pode concretizar os referidos sonhos pedagógicos, que não se podem, naturalmente, transpor para uma escola de centenas de alunos, daquelas que o tal senhor não gosta.

24 comentários:

  1. Este post revela tudo o que existe de errado na mentalidade facilitista, modernista e igualitarista dos senhores que tomaram o controlo da educação (e do resto, mas não nos desviemos do assunto) em Portugal com o seu discurso do eduquês.

    Primeiro, mostra o desconhecimento da maneira de pensar americana (de que, asseguro, não vou aqui fazer apologia pois considero-a em geral bastante nefasta para uma sociedade). É que se é para se analisar o que quer que seja, é necessário antes de mais colocá-lo no seu devido contexto, o que, neste caso, significa saber que nos EUA a intervenção do estado ou do governo na vida das pessoas (inclusive na educação) tende a ser muito mal vista e preterida por alternativas privadas (incluindo mesmo o homeschooling).

    Depois, creio que era totalmente escusada a "boca" no final do texto, indiciando a visão de que os estabelecimentos pequenos são automaticamente maus e os grandes são automaticamente bons, ou quiçá até mesmo a querer dar a entender que esta escola não terá tido sucesso nenhum (vitória para a escola pública!), quando na realidade a mesma foi criada há pouco tempo e está em fase experimental (já agora, se não experimentarmos, como é que descobrimos e evoluímos? afinal de contas não é este um blogue dedicado à ciência?). Não adianta, por isso, tecer acusações como se a "escola pública" e os "filhos de toda a gente" estivessem a ser desprezados, além de que, se assim fosse de facto, essa objecção teria de ter como alvo todas as escolas privadas (coisa que me parece mais uma manifestação de tendenciosidade ideológica do que uma crítica construtiva).

    Além disto, não vejo como pelo facto de o nome da escola ser em latim se poderá tirar de imediato que a formação clássica estará necessariamente presente (Ad Astra - Rumo às Estrelas; afigura-se-me mais como um projecto que procura estimular a ambição pelo conhecimento, aproveitando para isso uma expressão algo famosa). Mas de resto também não percebo por que razão haveria de ser essa uma coisa má, como se agora uma formação clássica fosse algo de que ter vergonha, e a eliminar a todo o custo do ensino...

    Por último, escapa-me também onde está patente a ideia de que a referida escola é adversária da educação para as novas tecnologias, apenas pelo facto de não se publicitar na Internet. A julgar pela pessoa que é esse "senhor muito rico", é de duvidar que seja essa a situação.

    Que tal começar-se a interiorizar a ideia de que aquilo que é bom para uns poderá não o ser para outros (máxima esta que, claro está, é aplicável igualmente, se não principalmente, à educação dos nossos filhos)? E será que pelo facto de a escola pública (que é obviamente só para os "filhos dos pobres") ser insatisfatória (para algumas pessoas, o que aliás é uma opinião tão válida quanto as outras) que se deve proibir, legal ou no mínimo moralmente, que as escolas privadas (obviamente só para os "filhos dos ricos") tentem corrigir essas lacunas? Que tal em vez disso começar a discutir-se aquilo que se poderá fazer para melhorar a escola pública ao invés de simplesmente se condenar o pensamento e a acção de quem faz aquilo que acha melhor para os seus filhos?

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  2. Anónimo de 28/5 às 00.22

    Você anda a disparar completamente ao lado:
    Leu, mas simplesmente não percebeu, o ponto de vista do post.

    Além disso, vê-se que não será leitor muito assíduo aqui do blog, nem dos posts da Helena Damião.

    Dervich

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    1. Eu acho que ele não é leitor assíduo de nada.

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    2. Oh anonas das 22:19 porque não leva os seus filhos para o Coreia do Norte já que quer tanto uma educação escrupulosamente igual para todas as crianças e sob a direção do estado??
      Pois eu cá comparando com essa alternativa até preferia de longe a escola publica que temos, e eu já acho que a escola pública portuguesa é uma miséria daquelas mesmo mesmo mesmo más...
      Veja lá tenha cuidado com o que pede.

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    3. Não levo os meus filhos para a Coreia do Norte mas já lá estive e gostei. Se você lá fosse muito provavelmente também gostaria,
      Anonas (já agora, não é Oh, é Ó, vocativo)

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    4. Caro senhor anonas
      Acredito que tenha adorado.... Por essa razão lhe digo para ir para lá, assim ficamos todos contentes.Ate pode ir dar aulas de português!

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    5. Caro anónimo das 16:52
      Afinal conhecemo-nos. Pelos detalhes que mostra conhecer da minha vida já percebi quem é e você sabe quem eu sou. Sim já lá dei aulas de português e tenciono continuar quando se tornar possível. Acho que entende, não é?

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    6. Isso então força, vá dar aulinhas de português para a Coreia do Norte, que pelos vistos isso para si é juntar o útil ao agradável

      Lá de certeza que não existem escolas privadas, é tudo público como você gosta

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  3. «Nada de novo a Oeste» ou «Tudo como dantes no Quartel de Abrantes».
    Ou não se inscrevesse esta perspectiva no ambiente geral do salve-se quem puder?
    Cada um que trate de si.
    É a ideia de espalhar os condomínios privados a todos os campos da nossa vida pública.
    Melhorar a vida pública, não, dá muito trabalho.
    Bom mesmo é duplicar recursos, repetir e espalhar iniciativas de promoção do isolacionismo social, como se tudo fosse equivalente a tudo.
    E isto vindo de sectores que tanto criticam o relativismo cultural, mas o outro, o dos outros.
    Cada um inventa o seu modelo escolar baseado em quê? Em ideias do senso comum sem terem em conta o lastro de séculos entretanto adquirido.
    Enfim...

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  4. Não sou leitor assíduo, não; encontrei um link para aqui por mero acaso.
    Se o post é irónico lamento o mal entendido, mas em todo o caso mantenho o que disse, embora redirigindo-o à enorme quantidade de pessoas que pensam dessa forma perniciosa.

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  5. Pronto, estão a ver?

    Pessoas que pensam como este senhor Manuel Silva é o que não falta por aí.

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    1. Senhor Anónimo das 18:37
      Parece que também há muitas que pensam como o senhor.
      Fique tranquilo, o mundo está a salvo.
      Ainda bem.
      Já agora obrigadinho por ter dado o seu contributo para a nossa salvação... e do mundo.
      Há sempre almas caridosas.

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    2. Sim senhor. Olhe, vá lá votar no seu PCP ou no seu BE a ver se melhora alguma coisa na sua vida e na do país. Ou melhor, emigre para a Venezuela que há-de certamente encontrar lá o seu paraíso.

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    3. Senhor Anónimo das 22:16,
      Fico-lhe muito grato pelo seu comentário.
      Finalmente desocultou-se o suficiente para que quem aqui vier fique a conhecer a sofisticação do seu alto pensamento.
      Muito obrigado por me ter lembrado em quem devo votar, por acaso 2 partidos em que nunca votei até hoje (e já lá vão muitas eleições) e em que jamais conto votar.
      Mas o que admiro mais é a sua intuição.
      Embora fique bastante a dever à do básico jogador do F. C. do Porto, o velho João Pinto, que tinha uma máxima famosa: previsões só depois do jogo.
      Como arriscou a fazer a sua antes: ERROU.

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    4. Não aqui o Sr Silva é um fiel seguidor do Sr Pinto de Sousa

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    5. Ao Anónimo das 12:14, que deve ser o mesmo das 12:57
      (a cobardia do anonimato leva a estas confusões, nem se sabe a quem se responde):
      Se não estivéssemos num blogue sério, e se eu não tivesse respeito pelas pessoas que o merecem, respondia-lhe ao nível que a sua indigência mental merece.
      Mas nesse caso não o desrespeitava a si, desrespeitava-me a mim e as pessoas decentes que por aqui circulam.
      E essas não merecem que o faça.
      Nem merecem que pessoas reles e provocadoras, que nada têm pata dizer, aqui se limitem a deixar banalidades.
      Umberto Eco, numa entrevista recente, dizia: «No momento em que todos têm direito à palavra na internet, temo-la dada aos idiotas».



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    6. Pronto, está bom assim? Já não sou anónimo (pelo menos não mais do que o Sr Silva).

      Agora, se acha que só tem aqui um comentador a interpelá-lo, pense duas vezes. É que a asneira que escreve é tanta que não admira que as pessoas discordem de si.

      De resto olhe, se na sua opinião a atitude de Elon Musk é assim tão criticável, primeiro torne-se multibilionário e então depois não se esqueça de dar essa fortuna toda ao estado, mas toda mesmo.

      E, claro, livre-se sequer de dar conselhos aos governantes, ou até mesmo de se exprimir sobre o assunto quer em público quer em privado, porque só o estado é que pode, deve e tem de decidir o que fazer com o seu dinheiro. É que era só o que mais faltava, agora vir aí um ricalhaço qualquer e ter direito a opinar sobre o destino a dar à sua própria riqueza! Que horror, que ideia tão desprezível, inadmissível e nazi-fascista-ultra-neo-liberal-retrógada-conservadora...

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    7. Daqui a nada o Manuel Silva está a dizer que é um "pensador livre" (seja lá isso o que for)

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    8. A cobardia do anonimato?!! Quer o meu número de contribuinte? Ou prefere o do telemóvel? Como é que num blog que permite o anonimato (se quiser não o permite) se pode insultar quem não exibe o número de contribuinte dessa maneira?
      "respondia-lhe ao nível que a sua indigência mental merece.". Indigência porquê? Por referir um partido de que você provavelmente não gosta?
      Não sou o anónimo das 12:14 nem o das 12:57.

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    9. Outro que tem de ir para a Coreia do Norte

      Força amigo, estamos todos consigo.Boa sorte nesse paraíso democrático onde todos têm a liberdade de comer e calar tudo o que o Querido Líder ordena.Escola privada?? isso é coisa de burguês e não pode haver cá disso

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  6. Concordo a 100% com o primeiro comentador.Tambem não sei se o texto foi sério ou ironico, mas que há muito boa gente a pensar assim la isso há....deixem os cidadaõs gastarem o seu dinheiro como entenderem e viverem como quiserem!! Servicos públicos são essenciais sim, e os mais desafortunados não costumam ter alternativa a eles por isso devemos exigir que eles sejam de qualidade mas isso não quer dizer que os que têm outras possibilidades devam ser impedidos de fazer essa escolha!!!

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  7. Eu também não gosto da escola pública e não sinto a menor vontade de mandar para lá os meus filhos (estou a caminho do quarto). Por isso, temos todos em ensino doméstico, excepto a mais velha, que quis este ano ir para a escola (pública). Os outros estão em ensino doméstico.
    Não consigo encontrar nada de errado na opçaõ de Elon Musk. Se achamos que uma coisa não é boa, podemos criar a nossa própria solução para a evitar, não? No meu caso, tenho-me esforçado por mudar alguma coisa na escola onde anda a minha filha (sendo até representante dos pais da turma), mas estou cada vez mais motivado para uma solução à medida da minha concepção do que deve ser a educação "escolar". Não vejo em que é que isso ameace a escola que existe.

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