quinta-feira, 19 de junho de 2008

Elogio a Sócrates

"Meta-se com gente do seu tamanho e haja respeitinho por quem não tem nem idade, nem percurso profissional, nem posição social para gastar mais cera com tão ruim defunta." Era assim, sem mais nem menos, que João Bénard da Costa (na foto ao lado), Director da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, terminava ontem o seu artigo no "Público" no qual reagia à despudorada atitude da ex-Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, de vir criticar publicamente um seu subordinado hierárquico depois de este já não o ser, quando antes esteve muda e queda. Eu sei que a tentação para a auto-desculpabilização é muito grande, mas devia haver um período de nojo para ex-governantes, durante o qual se inibissem de se pronunciar sobre pessoas e "dossiers" que tutelaram.

Com tantas dificuldades, externas e internas, que o Primeiro Ministro José Sócrates tem tido, é altura de lhe dar uma palavra de conforto, de lhe fazer um justo elogio. Está finalmente à vista para todos que fez muito bem em substituir há alguns meses a anterior Ministra. As remodelações ministeriais são mesmo para se fazer quando é preciso!

Lembram-se do descalabro que foi para o erário público a exposição "espampanante" dos czares russos que esteve no Palácio da Ajuda (escrevi sobre o assunto em Ajuda à Rússia)? Pois leio no "Público" de hoje que o acordo com a Rússia a este respeito está já a ser desfeito pelo novo Ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, cuja atitude no caso da cinemateca no Porto também foi exemplar. Vamos ver agora como enfrenta as questões pendentes do património, tanto material como imaterial (por exemplo a digitalização das nossas bibliotecas históricas). O país não será nunca rico se não tratar bem as riquezas que o passado lhe legou.

6 comentários:

  1. Não sei de que assunto Bénard da Costa estava a tratar, e pelo calibre do argumento, não quero saber. O facto de querer "esmagar" outra pessoa com o peso que a si próprio se atribuiu não é de pessoa inteligente.

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  2. Sorry,
    Só para informar que, apesar da comunicação social portuguesa nada dizer, o Tratado de Lisboa foi ontem solenemente ratificado pela Inglaterra. Por acaso o mais populoso país da UE e a mais velha democracia representativa...
    Lá vão ter de adiar o velório e guardar as coroas funerárias...
    Ou então podem enviá-las aos proprietários de terras, ditos agricultores, que se queriam mnifestar em cima dos tractores movidos pela propaganda do PCP e pelo gasóleo subsidiado pelo contribuinte.
    Quando acabar de vez o dinheiro, também acaba a cultura.
    Uma coisa parva!
    MFerrer
    http://homem-ao-mar.blogspot.com

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  3. Eu é que não me meto com o Benard, agressivo o senhor... hein!

    Concordo plenamente que é preciso valorizar a cultura em Portugal e a ideia de digitalizar as bibliotecas tem sido tratada com imenso desprezo mas é tão fundamental...

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  4. Li o Público e parece que o JBC tem razão, a ex está passada!

    Sobre o património: estive no Mosteiro de Alcobaça e vi umas pombas dentro de um salão em cima de uma estátua, se calhar a cagar as estátuas, depois vi um desenho inscrito no chão, com centenas de anos, a ser pisado por toda a gente por falta de uma mera proteção.
    No Palácio da Pena vi a palhina de cadeirões destruída porque as proteções não são boas e as pessoas podem (não deviam, mas quem os controla?) tocar os objectos.
    Há outros monumentos onde deviam haver proteções para objectos, estátuas, etc, e passadeiras para protejer pisos antigos que estão sujeitos a desgate, mas ninguém faz nada, acho incrível, custa-me muito ver estas coisas acontecerem. Temos uma história muito rica mas não lhe ligamos nada e deixamos degradar o património, e muitas vezes bastava pouco dinheiro para pôr as coisas em ordem.

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  5. Reconheço que o Bénard da Costa foi um pouco violento e até deselegante para com a ex-ministra. Mas essa violência e essa deselegância foram plenamente justificadas pelo artigo da Pires de Lima a que Bénard responde. Quem não o leu não pode avaliar. Quem não se sente não é filho de boa gente e Bénard sentiu-se e ripostou, aliás numa prosa magistral, na minha opinião.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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