segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A nossa ideia de humanismo e de "formação humanista"

"Espero que, desta vez, não encomendem um teste de popularidade".
Clara Ferreira Alves, 21 de Outubro de 2017


Acontece no nosso país e noutros que elegem a "Educação para a cidadania" como centro do currículo escolar: os governantes que determinam a política a seguir, onde se inclui a política educativa, encarregam-se de dar exemplos fortemente contrários à "formação humanista" que dizem ter como meta.

Eis um exemplo que registei mas que, por tudo aquilo que representa, procurei esquecer até Clara Ferreira Alves me ter recordado isso mesmo na sua última crónica no Expresso:
depois dos terríveis fogos de Junho passado, que mataram, nas circunstâncias em que mataram, mais de seis dezenas de pessoas, o primeiro-ministro terá encomendado uma avaliação de popularidade do governo.
Ele pode ter feito a encomenda mas alguém lhe deu seguimento e houve uma empresa que aceitou concretizá-la.

Como é possível - pensei eu e, vejo agora ao reler as notícias escritas à altura, muitas outras pessoas - que, perante uma tal tragédia, alguém se ter lembrado de tal e não tenha havido quem o impedisse!?

A pergunta, misto de admiração, é demasiado assustadora. E, não pode deixar de remeter para uma outra: que capacidade temos, como país, de assumir a "formação humanista" das nossas crianças e jovens. Ou seja, a formação que assume o valor da pessoa. Tão simples e tão difícil como isso.

1 comentário:

  1. A formação cristã, que também assumia o valor da pessoa, foi varrida do Estado. O drama da nossa época, mais do que termos uma multiplicidade de formações ao dispor, é não cumprirmos nenhuma. Na educação por metas, que visam minimizar os objetivos mínimos, com exames de portugês feitos com cruzinhas, não cabem os altos padrões das formações humanistas. Se o cidadão apreender rapidamente o significado de uma frase, em letras garrafais, associada à fotografia de um smartphone de última geração, não precisa de saber mais nada!

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