quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Dois Poetas Húngaros




Dos Números
( poema de Attila József)

Conheceis os números?


É certo que os homens números são também,
Como se muitos 1 houvesse no caderno.

Mas estes contam-se
E o caderno maravilha-se extraordinariamente,

Que cada um só pensa em si,
Quer ser aos outros superior

E sem razão eleva-se à parte,
Pode o fazer até ao infinito,

Dessa maneira 1 fica sempre 1,

E não multiplica e nem sequer divide.

Refreai-vos,
E, antes de tudo,

Olhai para as coisas mais simples –
Somai-vos,

Que, crescendo enormemente,
Também Deus, que é infinito,

De algum modo aproximeis.




A Pedra Lançada ao Ar
(poema de Endre Ady)
Pedra lançada ao ar, na tua terra
Caindo, pequeno país, regressa
Sempre a casa teu filho.
Visita torres em série, longe,
Tem vertigens, entristece, no pó onde
Fora nascido cai.

Desejoso de partir, não consegue
Fugir ao sentir húngaro, ou leve
Ou já de novo aceso.
Sou todo teu no meu grande rancor,
Grande infiel nos cuidados do amor,
Aflitivamente húngaro.

Pedra lançada ao ar, triste sem qu’rer,
Pequeno país, tenho teu parecer
De maneira exemplar.
E, ai!, é sempre vã qualquer ideia:
Cem vezes que me lances, voltarei
Cem vezes, afinal.

 Livro: Antologia da poesia húngara, Âncora Editora.

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