domingo, 10 de maio de 2015

Talento ou ensino e aprendizagem?

Não se veja no que vou dizer a seguir uma crítica aos excelentes professores da Associação para a Promoção da Filosofia (Prosofos) que tão bem prepararam os alunos portugueses para participarem nas Olimpíadas Ibero-Americanas de Filosofia (aqui); veja-se apenas e só um exemplo de como as crenças "pedagógicas" a que antes me referi (aqui) podem integrar o nosso discurso, sem que demos conta disso e ainda que, felizmente, depois, não as traduzamos para a prática.

Então, essa Associação, em comunicado, declarou o seguinte (aqui):
"É a prova inequívoca do talento invulgar dos jovens portugueses para a reflexão filosófica e da qualidade do trabalho desenvolvido pelos professores de Filosofia no nosso país",
Nesta frase destacam-se duas ideais:
- a de que existe um "talento invulgar dos jovens portugueses para a reflexão filosófica", e
- a de "os professores portugueses de Filosofia desenvolvem um trabalho de qualidade".

Nenhuma é totalmente verdadeira, mas a segunda tende a ser muito mais verdadeira do que a primeira. O leitor perceberá o que pretendo dizer, lendo esta passagem de um texto do autor que ontem citei:
"Para certos pais, professores e educadores o que distingue os alunos que aprendem bem de outros que não aprendem tão bem é a inteligência. Todavia se se considerar a inteligência como uma capacidade inata da mente, os professores pouco poderão fazer para melhorar a realização escolar dos estudantes: “Não aprendes bem, porque não és inteligente” - dirão alguns professores. Trata-se de uma explicação redutora e pouco relevante. No entanto, se se considerar esta capacidade intelectual como a aquisição de estratégias de aprendizagem eficazes, então os professores podem prestar uma grande ajuda aos estudantes, ensinando-os a exercitar a capacidade de aprender, e de aprender a aprender a melhorar o seu desempenho, facilitando a autonomia e a independência progressiva do aprendiz (Nisbet e Shucksmith, 1986; Raaheim, Wankowski, e Radford, 1991; Pinto, 1990). 
Pinto, A. C. (1998). Aprender a aprender o quê? Conteúdos e estratégias. Psicologia , Educação e Cultura, 2 (1), pp. 37-53.  
É, portanto, o empenho e o trabalho de quem ensina e de quem aprende que permite chegar ao patamar a que estes professores e estes alunos chegaram.

Por favor, continuem.

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