quarta-feira, 5 de novembro de 2014

MERKEL E PORTUGAL


A chanceler alemã Angela Merkel afirmou que Portugal tem "demasiados licenciados", no que pode ser entendido como uma crítica ao desenvolvimento da educação terciária em Portugal.. Essa afirmação é um perfeito disparate, pois o nosso país está muito abaixo da taxa europeia de população com uma licenciatura. Vamos ver como é que Nuno Crato, ministro da Educação e Ciência, reage. E mesmo Pedro Passos Coelho, que é o homólogo português da Senhora Merkel. Quanto a mim já deviam ter falado e cada minuto que passa estão a perder uma boa ocasião para falarem.

PS) Tarde, mas pelo menos Crato já reagiu: aqui. Mas, apesar de ter corrigido o disparate merkeliano, acrescentou um disparate sobre o Orçamento. Gabou-se das verbas para a ciência. Sobre isso devia der guardado de Conrado um prudente silêncio. Alguém que se prepara para mandar fechar metade dos institutos e laboratórios nacionais tem de ter algum tento na língua quando fala das verbas para a ciência.

11 comentários:

  1. Carlos,
    Em termos de médias, você tem razão. Relativamente à utilidade desses licenciados para o país, a Angela é que tem razão. Se o país e as empresas precisassem de tantos licenciados como se produzem, não havia o desemprego e a emigração de pessoas qualificadas que existe actualmente.
    Abraço

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    1. Concordo.
      E não esquecer que a formação desses Licenciados consumiu recursos , que são escassos e podiam ser usados em coisas que nos faltam. Dentro deste equilíbrio provavelmente a nossa economia desenvolver-se-ia e em consequência precisaria de mais licenciados...
      Mas como quem decide sobre a alocação dos recursos não sofre as consequências ( boas ou más) das suas decisões mais vale ir pelo que é politicamente correto ( educação sempre mais é bom) e agrada-se ao lobby da "educação".

      Rui Silva

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    2. Faltam-nos BMW, Mercedes.... ah, e a Cultura, essa coisa embaraçosa que não sabemos bem o que é e para que serve pode vir também da Alemanha, mas da baratinha!! fica desde já encarregue disso mesmo, do levantamento das necessidades e trate lá rápido das encomendas sr. Rui Silva, até ao Natal.

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    3. Caro Sr. lldefonso,
      Quem sou eu para fazer um "levantamento de necessidades culturais".
      Isso é tarefa para certos iluminados( os educadores do povo), que sabem que cultura é que devemos ter e quanta etc , etc.

      Tenho também para mim, que uma Licenciatura não é sinonimo de Cultura. E tenho-me cruzado com pessoas extremamente cultas que tem apenas o ensino básico.

      cumps

      Rui Silva

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    4. “Cultura e sabedoria estão longe de ser sinónimos: o saber muitas coisas não só se não identifica com o ser-se culto como, entre uma coisa e outra há, frequentemente, um abismo.” [Conferencia de BJC – Humanismo e Humanidades]

      Sr. Luís Silva;

      Não há hoje “educadores do povo”... porque se os houvesse o senhor certamente que em vez de concordar com a senhora Merkel estaria a ver nela, muito justamente, um «gangster»... mas não vê, e talvez nunca venha a perceber isso!
      Mas cada pessoa é livre de se educar ou deixar educar por quem lhe mais aprouver.


      A conferencia que refiro em cima Bento de Jesus Caraça relata um episódio interessantíssimo que se aplica no caso da senhora Merkel. Leia-o e depois diga-nos se percebeu a subtileza do episódio?

      “Não há muito tempo, o gerente de uma das maiores casas editoras cientificas europeias, bem conhecida em todo o mundo, dizia-me: «estou aqui em contacto directo com os maiores nomes da ciência deste país; nunca imaginei que viria encontrar neste meio uma mentalidade tão acanhada». Há mais «spetz» do que se supõe, por este mundo de Cristo. Um «gangster» é, à sua maneira, também um «spetz», menos perigoso por certo que um «spetz» de química...”

      («spetz» é abreviatura livre de «spezialist» - especialista técnico).

      Diga-nos ainda se já vê a senhora Ângela com outros olhos (É um «gangster» não é um «gangster»?). Diga-nos se os intelectuais, professores universitários, ministros etc. estão ao nível na análise provocatória da senhora Merkel (como estiveram no seu tempo BJC, Abel Salazar e muitos outros intelectuais e educadores do povo e em situações muito difíceis)?

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    5. Pelo primeiro paragrafo vejo que de algum modo concorda que uma Licenciatura não é sinónimo de cultura , conceito no que no seu primeiro ”post” estava pouco claro para não dizer que estava dado como equivalente.
      Também fica agora esclarecido que caso houvessem ainda “educadores do povo”, eu pensaria da mesma forma que o senhor!
      Em relação á sua interpretação sobre as palavras de Angela Merkel continuo a não concordar, pois como tenho a consciência que os recursos são limitados e quando esses recurso são alocados em exagero a determinada “coisa”, ficarão em falta noutra “coisa” qualquer.
      Não estaria de acordo caso a senhora tivesse dito que haviam em Portugal demasiadas pessoas cultas.
      Em relação á observação do seu amigo , diria que é necessário alguma prudência pois ele é também um “spetz” no seu ramo.

      cumps

      Rui SIlva

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    6. Caro Rui Silva;

      O meu amigo (BJC) foi, como afirma, de facto um “spetz”, e foi também um intelectual universitário e um homem culto, mas não foi um «gangster», não foi um daqueles seres meio esvaziados que deambulam na vida pública.

      A prudência que o senhor aqui apregoa, perante aquilo que é evidente, mais não é que um pobre disfarce, é uma tentativa baldada de esconder os motivos íntimos da atitude de certos intelectuais e professores universitários. Não se pense, por exemplo, que o professor Nuno Crato teria chegado a ministro se porventura considera-se que a Chanceler Merkel tinha um comportamento do tipo «gangster», os outros ilustres que estão na lista para o poleiro sabem isso perfeitamente, embora achem isso, no entanto, e por isso mesmo preferem assobiar para o lado... ou nada dizem ou então pedem prudência na análise como o senhor faz... mas a senhora Ângela Merkel é na realidade um «gangster».

      Prudência, muita prudência, pois que em Portugal ainda há uma percentagem de pessoas que vive com muito dinheiro para gastar, outros com altos vencimentos, outros a aspirar a altos cargos... prudência é o que é mais preciso não obstante a maioria dos portugueses estar na pobreza e miséria, prudência e mais prudência, porque ainda há quem viva muito bem em Portugal, e claro tudo isto é algo que exige muita prudência.

      Sr. Rui Silva, contudo não há prudência que apague o comportamento do tipo «gangster» da senhora Merkel, a prudência serve como se vê para outras causas.

      Cumprimentos,

      P.S.: O senhor diz “Não estaria de acordo caso a senhora tivesse dito que haviam em Portugal demasiadas pessoas cultas.” ops! Mas o que eu disse é que a senhora Merkel é um «gangster» não disse que ela é burrinha, que não é!

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    7. Caro Sr. Ildefonso,

      Só um esclarecimento: quando no meu ultimo comentário disse - Em relação á observação do seu amigo , diria que é necessário alguma prudência pois ele é também um “spetz” no seu ramo - estava a referir-me ao seu amigo editor, não ao Prof. Bento de Jesus Caraça, pessoa que muito admiro no ramo da matemática.

      cumps

      Rui SIlva

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    8. Ainda mais uma coisa, tem um erro ortográfico na linha 8 do seu último comentário.

      cumps

      Rui

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    9. Ok! Obrigado, e tenho mais, na penúltima linha do comentário corrijo "o que eu disse é que" para "o que eu disse foi que"... e deve haver ainda mais suponho, eu nunca fui estimulado para a escrita na escola, e agora é o que se vê, muitas vezes dou por eles, mas o mais importante é escrever ou tentar, melhor ou pior.

      Cumprimentos

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  2. Professor Carlos Fíolhais, o caminho a seguir, está neste ensinamento que nos deixou o Professor Bento de Jesus Caraça. Mas como fazê-lo, se é em Portugal que o nome de Bento Caraça mais aterroriza, e aterroriza principalmente os “democratazitos” que cá gravitam, e sobremaneira os Socialistas!!!

    [excerto da Conferencia de BJC - A Arte e a Cultura Popular]
    “(…) E chega necessariamente uma altura em que o retardamento, tendo ultrapassado aqueles limites dentro dos quais ainda é possível uma vida razoável da sociedade, se entra no absurdo; o mundo torna-se, então, propriamente, impensável – a cultura torna-se num obstáculo ao exercício duma profissão (exclusão por excesso de habilitações), as boas colheitas transformam-se em catástrofes económicas, etc. São essas as épocas em que se anunciam, e se tornam necessárias, as grandes transformações sociais – para que a lei da integração progressiva continue a reger a evolução, é preciso o estabelecimento de novas bases.
    Que esse estabelecimento se faça ou não, vimos atrás um exemplo em que se fez e outro em que não se fez, isso depende, unicamente, da acção recíproca das forças actuantes.
    Não há fatalidade em história. O que acontecerá... é sempre determinado pelo jogo dos elementos em presença. Em cada momento, o homem age sobre o meio que o cerca e o meio age sobre o homem – o que sai dessa acção reciproca é o que ela determinar e não o que, em obediência a um obscuro misticismo fatalista, se considera como aquilo que tem de ser. Aquilo que tem de ser não é ainda, e, como tal, pode vir a não ser. Quando muito, pode falar-se duma tendência do movimento de marcha, mas essa tendência não tem aqui maior âmbito e valor do que o principio da inércia nos movimentos reais do mundo físico – é preciso, a cada momento, vencer a resistência das forças de atrito para que o movimento perdure. Não, o fatalismo em história não é mais do que um reles biombo de papel atrás do qual se abrigam, julgam abrigar-se, os ineptos e os preguiçosos.”

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