sábado, 12 de janeiro de 2019

"Stylos rouges". O grupo "canetas vermelhas" ou os professores franceses encolerizados

"A nossa escola foi morta pelos tecnocratas 
da rua de Grenelle de comum acordo com os de Bruxelas, 
ministros após ministros, independentemente serem de direita ou de esquerda, 
decidiram que racionalizar era 
transformar a escola segundo o modelo de empresa".
Barbara Lefrebre, aqui.


Faz hoje um mês que alguns professores franceses criaram um grupo no facebook  designado por "canetas vermelhas".

Esse grupo, que se afirma distante de qualquer partido político e também de qualquer sindicato (mas que certos sindicados apoiam, ver aqui), tem como objectivo levar o Ministério da Educação a repor condições de trabalho e de salário mas também a reconhecer a dignidade da profissão. Em concreto, são treze as suas reivindicações (ver aqui).

O grupo, que se encaminha para os 65.000 membros, porque surgido na sequência do "Movimento dos coletes amarelos", tem sido comparado a ele, mas, dizem seus representantes que as formas de passar "do virtual ao real" estão ainda a ser ponderadas, podendo incluir a ocupação de instalações, a não resposta a tarefas burocráticas, a solicitação aos pais para que não levem os filhos à escola, etc.

Vale a pensa ver um debate televisivo em que participam diversos agentes educativo: aqui.
E um breve apontamento também para televisão: aqui.
De grande interesse é o vídeo que se segue:


Mais informações aqui, aqui, aqui e aqui

4 comentários:

  1. Muito interessante este movimento dos "canetas vermelhos".
    Os professores perderão, inapelavelmente, a sua dignidade profissional, no dia em que forem tratados como proletários fabris que, de resto, merecem o maior respeito de uma sociedade cuja riqueza económica, ao fim e ao cabo, é fruto do seu trabalho. Estes pequeno burgueses professores franceses lutam essencialmente pela melhoria das suas condições de trabalho que, salvas as devidas diferenças de desenvolvimento económico entre o pobre Portugal e a rica França, apresentam grandes semelhanças com a vida quotidiana nas escolas dos professores portugueses. Lá como cá, ao longo dos últimos vinte anos, pelo menos, tem-se assistido a uma desvalorização contínua dos níveis remuneratórios da classe docente, acompanhada por uma degradação humilhante das condições de trabalho, principalmente no que concerne aos professores do 3.º ciclo e ensino secundário, quando se faz a comparação com o tratamento de doutor a que os professores do liceu tinham direito no tempo da ditadura fascista de Salazar e Caetano. O que se perdeu em salário e qualidade de ensino, que vai de mal a pior, ganhou-se em equidade!
    Os sindicatos esquerdistas de professores em Portugal perderam o "élan".
    Os professores portugueses têm de juntar as suas canetas vermelhas às dos seus colegas franceses, para que, todos juntos, consigamos melhores salários e derrotemos as políticas suicidas dos currículos flexíveis das aprendizagens essenciais na escola inclusiva!

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  2. Prezado Leitor
    A proletarização (e, até, precarização) da profissão docente (para não falar de outras profissões que exigiam habilitações académicas semelhantes) não se restringe à redução salarial, vai mais além: toca a identidade e dignidade dos profissionais. De facto, quando os professores deixam de ser encarados como intelectuais (o que não acontece apenas do presente) para passarem a ser encarados como aplicadores disto e daquilo e como prestadores de contas e mais contas, sem poderem exercer, em consciência e responsabilidade, o ensino, é a sua identidade e dignidade que está em causa.
    Cumprimentos,
    MHDamião

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    1. Perfeita síntese do que se passa hoje em que os professores do antigo ensino liceal, hoje secundário, perderam o prestígio e o estatuto que os identificava com outras profissões de idêntica formação académica com excepção, concedo, como escrevi em tempos, da profissão médica por lidar com a doença e ser a esperança na sua cura!

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  3. Desde que os médicos não façam greves...

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