sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

"ENTRE ESTRELAS E ESTRELINHAS. ESTE MUNDO ANDA ÀS VOLTINHAS"


Acaba de sair o livro com o título de cima, da autoria de José Fanha (poemas), Daniel Completo (músicas e interpretação) e meu (prefácio e notas introdutórias aos poemas).  Trata-se de um livro de poemas infantis que vem acompanhado por um CD e com belas instruções da Cristina Completo. A editora  é  Edições Canto das Cores. Sesimbra, que tem publicado outras obras congéneres. Os dois primeiros autores têm feito sessões nas escolas em que juntam música e poesia. A novidade deste livro consiste no facto de todos os poemas envolverem a ciência, a começar no Big Bang e a acabar no planeta Terra. Quem estiver interessado em adquirir o livro pode fazê-lo através do endereço: https://www.cantodascores.com/loja?lightbox=dataItem-jdg5kk4j

Deixo aqui o meu prefácio e um poema de José Fanha "Canção do Porquê" com uma minha nota introdutória:


Estes poemas de José Fanha, feitos a pensar nos mais jovens, são todos eles inspirados na ciência. A ciência é a descoberta do mundo. Os cientistas colocam questões sobre o mundo e tentam saber se as respostas que dão estão certas. É logo de pequenino que todos nós começamos, movidos pela curiosidade, a colocar perguntas. Os cientistas são aquelas pessoas que nunca deixam de colocar perguntas e de procurar as melhores respostas. E para isso é preciso observar e experimentar. Os poemas que se seguem convidam a fazer perguntas, a observar e a experimentar.

Hoje os cientistas, depois de terem colocado perguntas sobre as estrelas, sabem que houve um tempo em que ainda não havia estrelas, mas apenas o material para fazer essas estrelas. O início do mundo foi semelhante a uma grande, tremenda, explosão. O material de que viriam a ser feitas as estrelas espalhou-se pelo espaço e só depois, quando o Universo foi arrefecendo, é que se juntou devido à força da gravidade, formando os astros luminosos que vemos no céu.

A estrela mais próxima de nós, a “nossa estrela”, é o Sol. Sem ela, sem a sua luz, não poderíamos viver neste planeta a que chamamos Terra. A Terra está à distância certa do Sol para aqui podermos viver: nem é muito quente, nem muito frio. Ao longo de um ano damos uma volta ao Sol, numa órbita que é ainda explicada pela força da gravidade. E, tal como a Terra anda à volta do Sol, a Lua anda à volta da Terra. Sempre graças à gravidade. Para viver, beneficiamos também da presença de ar e de água no nosso planeta, o ar que respiramos, e a água que bebemos.  A vida, que se multiplica no nosso planeta, não é conhecida em mais nenhum outro sítio. Mas os cientistas continuam à procura de vida noutros lados...

De posse de algumas respostas, validadas pela observação e pela experiência, os cientistas conseguem mudar o mundo. Falamos de invenções, como a da luz eléctrica, que nos permite ler quando está escuro. Os cientistas têm ideias sobre o mundo e essas
ideias acabam por permitir uma vida melhor nele.

Tudo isto pode levar muito tempo a explicar. Mas aqui está explicado de um modo muito simples e atraente. Na forma de poemas para canções. A cantar também se pode aprender. A ciência, como José Fanha mostra, pode misturar-se com a poesia.


Carlos Fiolhais
Professor de Física da Universidade de Coimbra


CANÇÃO DO PORQUÊ

Fazer perguntas sobre o mundo à nossa volta é o o início de toda a ciência. Na “idade dos porquês” as crianças começam a fazer perguntas. Começam, portanto, a imitar os cientistas: dizem, como eles, “quero saber o porquê”.


      Ai porquê porquê porquê
      ai porquê porquê porquê
      ai de tudo à minha volta
      quero saber o porquê

Porque é que o céu é azul
e começa a escurecer
quando é hora de deitar
e eu estou quase a adormecer

Porque é que o  deserto é quente
e o Polo Norte tão frio
porque corre o rio para o mar
e o mar não corre para o rio

      Ai porquê porquê porquê
      ai porquê porquê porquê
      ai de tudo à minha volta
      quero saber o porquê

Porque é que o céu fica escuro
para dizer que vai chover
porque é que eu fico com fome
na horinha de comer

Porque é que  somos diferentes
uns loiros outros morenos
negros brancos amarelos
mais  altos ou mais pequenos.

      Ai porquê porquê porquê
      ai porquê porquê porquê
      ai de tudo à minha volta
      quero saber o porquê

Porque é que a terra não pára
porque é que o mar é salgado
e o fumo sobe para o céu
e a chuva cai no telhado
Porque é que a água congela
e outras vezes é  vapor
ou então é água pura

nos olhos do meu amor.

José Fanha

Sem comentários:

Enviar um comentário

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.