terça-feira, 2 de setembro de 2014
Não se pode implodir o Ministério?
Leio aqui no Público mais notícias sobre a incompetência do Ministério da Educação e Ciência (MEC). É tão incompetente na Educação como o é na Ciência. Ano após ano revela-se incapaz de preparar um ano lectivo com um mínimo de organização. Muitos professores ainda não sabem para onde vão. Toca-me, em particular, a desesperança dos professores contratados, que para o MEC não passam de "carne para canhão", nas filas matinais dos centros de desemprego. O ministro Nuno Crato rodeou-se de gente absolutamente incompetente que o tornou a ele, por osmose, também incompetente. Continua a querer fazer tudo a partir do "bunker" da 5 de Outubro, posto de comando central de um sistema pesado e monstruoso, em vez de mudar o sistema como tinha anunciado. Tenho uma sugestão, que me parece boa, embora não seja original: Não se pode implodir o Ministério?
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6 comentários:
Não será necessário implodir. Brevemente o ministério não terá razão para existir. Tal como outrora brandiram livrinhos vermelhos, e verdes, e pretos, talvez arranjem uns amarelos ou laranja e o problema da incompetência está resolvido.
Se alguém se faz rodear por gente incompetente e se não tem competência para o reconhecer, então é porque já era incompetente. Isto de escrever uns livros com frases com ideias vagas, ou ecoadas de outros, não confere competência a ninguém. Só mesmo os amiguismos corruptos que existem em Portugal como redes de pesca é que não deixam "chamar os bois pelos nomes" e ficamos nessa coisa da "osmose". Coitado.
O mote está dado! Falemos de Educação começando pelo currículo oficial de João Grancho, actual secretário do Estado do Ensino Básico:
"Concluiu o Curso do Magistério Primário em 1980. Em 1993, concluiu o Curso de Estudos Superiores especializados em Administração Escolar pelo Instituto Superior de Ciências Educativas. Mestre em Administração e Planificação da Educação desde 2007, apresentou a tese «A Autonomia das Escolas em Portugal - Contextos Político - legais e perspectivas de desenvolvimento nos estabelecimentos de educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário». Concluiu também a parte curricular do Doutoramento na Universidade Portucalense em 2008".
O seu único diploma oficial é de ensino médio: Escola do Magistério Primário do Porto. Depois, tudo foi alcançado no âmbito do ensino superior privado (aliás, a exemplo de uns tantos actuais governantes e antigos “jotinhas”).
Exercício docente unicamente em escolas do básico e em ensino superior privado “em docência de regime de colaboração” (ele o escreve!) com a Universidade Portucalense.
Em contrapartida, prosa prolixa muita, sobre perspectivas de desenvolvimento nos estabelecimentos de educação . Ou seja, teoricamente, apenas habilitado para a docência do básico. Em regime de autodidactismo (muitas vezes, como escreveu um autor brasileiro, “ o autodidacta é um ignorante por conta própria”) escritos em barda sobre uma Ordem dos Professores na sua qualidade de presidente da Associação Nacional de Professores do Ensino Básico (inicialmente, unicamente destinada a professores do 1.º ciclo do básico, antigo ensino primário).
Pouco justifica, portanto, que ponha em causa o currículo do cidadão João Grancho. Todavia, como governante, falta-lhe uma vivência no terreno da docência do ensino secundário que me habilita, face à balbúrdia que reina neste grau de ensino (para além do básico), a pôr em causa a sua escolha e posterior exercício governamental! Um fraco secretário de Estado pode ser responsável pela fraca actuação de um ministro. Mas isto é outra conversa!
Não se trata de um Ministério mas de um Mistério. É o Mistério da Educação e Ciência igualzinho a si mesmo, trapalhada sobre trapalhada, ano após ano.....
Ivone Melo
Estou em completo desacordo com os comentários precedentes sobre a nefasta acção do ministro Crato.
O ministro Crato é o maior sucesso que a Educação nacional teve desde o 25 de Abril, em que o esforço de expansão do sistema conheceu um aceleramento sem precedentes (com todos os problemas daí decorrentes).
Diga-se, em abono da verdade, que o esforço de expansão do sistema já vinha muito detrás, por 2 vias:
1.ª - a da procura das famílias por mais educação para os filhos, desde os finais de 50, como bem mostram as estatísticas da explosão do ensino liceal, por exemplo, que teve a partir dessa altura uma aceleração exponencial;
2.ª – a do esforço do Estado (apesar da conjuntura difícil da guerra colonial que absorvia 44% o OGE), concretamente com a criação do CPES (1967) e a Reforma Veiga Simão (1973).
O sucesso deve ser medido em relação aos objectivos: expansão e qualidade.
Se a expansão é inequívoca, a qualidade teve sempre problemas.
Com Crato o objectivo é criar um Sistema Educativo público (da educação geral e universal) mínimo:
1 - as classes médias, cada vez mais empobrecidas, mas que ainda têm aspirações de ascensão social para os filhos, mas que não podem pagar o ensino privado, serão os seus utentes;
2 - as classes baixas vão para as profissões a partir do 1.º ciclo do básico (antigo ensino primário), preferencialmente nas oficinas e empresas;
3 - as classes superiores vão para o ensino privado.
E está a ter o maior sucesso nessa política, que era (é) o seu desiderato.
De contrário, numa época de contenção e cortes, como explicar que se emagreça os orçamentos das escolas públicas e se aumente a comparticipação estatal das privadas de associação (e nas outras sem associação já nem sei se não haverá também uns trocos escondidos, tal o seu silêncio perante todos os problemas que esta equipa tecnicamente incompetente tem trazido a todos)?
E que se proíba a abertura de turmas nas escolas públicas onde já há capacidade instalada e se permita, através dos dinheiros públicos, o funcionamento das privadas com dinheiros públicos?
(Vide o Grupo GPS nas Caldas da Rainha ou a situação semelhante em Coimbra, por exemplo).
E esta verdadeira implosão do ME (melhor, do Sistema Educativo), que foi preparada sob a capa da luta pela qualidade do ensino (contra o «eduquês»), que foi disfarçada em «sound bites» como os do celebrado livro de banalidades mal cosidas «O Eduquês em discurso directo», e que foi aplaudida por um coro de mal-intencionados e dos incautos (alguns dos quais começam a ver agora o verdadeiro filme negro) está a dar os frutos a que se propôs.
Portanto, discordo da falta de êxito de Crato: a sua acção é de um êxito total se nos ativermos aos objectivos que ele (e o grupo que o suporta) traçaram.
Boa noite,
pessoalmente mudaria o título do artigo para : «Não se pode implodir o eduquês?». Descentralizar o sistema educativo da relação aluno-professor e centrá-lo no principal,i.e., no conhecimento?
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