sexta-feira, 25 de abril de 2014

"No Limite da Dor"


Ana Aranha é autora, realizadora e produtora de um conjunto de entrevistas que estão a ser emitidas desde Janeiro na Antena 1 da RTP e que constituem um precioso documento histórico, social e psicológico.

O título - No limite da dor - não poderia traduzir melhor a essência dessas entrevistas que recolhem testemunhos de muitos ex-presos políticos, das mais diversas facções, que foram torturados durante o antigo regime.

A dor que todos dizem ter sentido é muito mais do que física, é da alma; a coragem que se percebe que tiveram não decorre apenas da vontade, é da consciência.

Ao ouvir o primeiro testemunho lembrei-me imediatamente do terror que percebi num taxista do Porto quando, passados quase trinta e cinco anos da queda do regime, lhe pedi para me levar a um local perto da sede da PIDE. Disse-me que durante muito anos não conseguiu passar por aquela rua e que tudo ainda fazia para a contornar. Os gritos que ouviu e o que viu não o abandonavam nem ele queria que o abandonassem pois as memórias que o atormentavam eram a única reverência que podia fazer às pessoas que tiveram a força que ele não teve para enfrentar o que tinha de ser enfrentado.

Pode o leitor ouvir o programa a que me refiro a partir daqui ou na Antena 1, nos sábados às 09h08 com repetição às 23h08.

E pode também, muito em breve, ler o livro com o mesmo título, da autoria de Ana Aranha e Carlos Ademar. O lançamento será no próximo dia 27 de Abril, às 17 horas, no Forte de Peniche, cenário da tantos depoimentos.




1 comentário:

  1. O 25 de abril de 1974 vai ganhando dimensão histórica, cada ano que passa. Apesar de, e não obstante, ou porque têm hoje tanta ou mais pertinência alguns dos discursos proferidos na altura, mormente no que respeita ao poder do povo, a quem deve ser devolvido e ao poder político que deve representar aquele e às forças armadas que não devem, nem podem estar nas mãos deste partido ou daquele, num sistema "blindado" de e-re-eleição automática de partidos obsoletos que há muito dispensam e se substituiram à vontade dos eleitores (sem alternativa).

    ResponderEliminar

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.