quinta-feira, 14 de março de 2013
Ciência na Almedina Coimbra - Ciclo de Palestras
NOVOS LIVROS DA GRADIVA
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AINDA O DIA DO PI
Jorge Buescu e Carlos Fiolhais fizeram declarações à Rádio Renascença sobre o Dia do Pi. Leia em:
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=31&did=100229
HOJE É DIA DO PI
Hoje é "Dia do pi": 3/14 (a hora do pi será às 1h59m26s54). Por mero acaso, é também dia do aniversário de Einstein.
quarta-feira, 13 de março de 2013
Ciências da Ocultação
Quem investiga (não será o termo mais exacto) o assunto (será mesmo assunto?) são, sobretudo, educadores e professores dos vários níveis de ensino. A sua formação de base é diversa mas os mestrados e doutoramentos são maioritariamente conferidos pelas Ciências da Educação e minoritariamente pela Psicologia da Educação.
Instituições de ensino superior portuguesas - escolas superiores de educação e universidades - privadas, mas também públicas -, em alguns casos em colaboração com congeneres estrangeiras - predominam as espanholas -, têm aprovado, com classificação máxima, dissertações que não passariam pela cabeça de Alan Sokal.
Como um colega de profissão, (naturalmente mal) referido numa dessas dissertações, comentou: isto é não do domínio das Ciências da Educação mas do domínio das Ciências da Ocultação....
Um método simples para contar quantas estrelas se vêem no céu
segunda-feira, 11 de março de 2013
360 graus. Ciência Descoberta - Na Gulbenkian
Does the Pope Matter?
http://www.nybooks.com/blogs/nyrblog/2013/mar/10/does-pope-matter/
With the election of a new pope, the press will repeat old myths—that Christ made Peter the first pope, and that there has been an "apostolic succession" of popes from his time. Scholars, including great Catholic ones like Raymond Brown and Joseph Fitzmyer, have long known that Peter was no pope. He was not even a priest or a bishop—offices that did not exist in the first century. And there is no apostolic succession, just the twists and tangles of interrupted, multiple, and contested office holders. It is a rope of sand. At the beginning of the fifteenth century, for instance, there were three popes, none of whom would resign. A new council had to be called to start all over. It appointed Martin V, on condition that he call frequent councils—a condition he evaded after he was in power.(via Instapaper)
COISAS IMPRESCINDÍVEIS
CP - Diga-me quais são os três objectos (coisas) de que não prescinde e porquê, num parágrafo.
CF - Julgo que não contam chaves e carteira, pois isso é tão necessário como roupa interior. Assim: Costumo andar sempre com uma pequena mochila, negra (da Nike, passe a publicidade, que é gratuita), da qual podem sair as coisas mais variadas, mas normalmente de papel, como livros, revistas e jornais, acabados de publicar. Já me disseram que é uma espécie de mala de Mary Poppins! Também uso, oferecido pela minha mulher, um relógio da marca Gant, que me ajuda na prática dessa virtude pouco lusitana que é a pontualidade. Finalmente, transporto comigo numa permanente relação de amor-ódio um telemóvel de marca Samsung Galaxy (já tive um IPhone, mas os equipamentos da Apple avariam logo que passe o prazo de garantia, parece que estão programados). Porque não prescindo? Na mochila está lá tudo o que preciso e mais alguma coisa, no relógio está a disciplina indispensável ao trabalho e no telemóvel está a comunicação com os outros, sem os quais não somos ninguém.
NOVOS LIVROS DA CLASSICA DIGITALIA
Todos os volumes dos Classica Digitalia são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital. O eBook correspondente (cujo endereço direto é dado nesta mensagem) encontra-se disponível em acesso livre. O preço indicado diz respeito ao volume impresso.
NOVIDADES EDITORIAIS
Série “Classica Instrumenta” (Estudos)
- Carlos de Jesus e J. M. Vieira Duque, Vasos gregos e pintura de tema clássico no Museu da Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro (Coimbra, Classica Digitalia/IUC, 2012) 83 p. [a cores]
PVP: 18 € / Estudantes: 14 € [capa dura]
Série “Autores Gregos e Latinos” (Traduções)
- Custódio Magueijo, Luciano de Samósata I. Tradução do grego, introdução e notas (Coimbra, CECH, 2012). 358 p.
PVP: 21 € / Estudantes: 16 €
- Custódio Magueijo, Luciano de Samósata II. Tradução do grego, introdução e notas (Coimbra, CECH, 2012). 288 p.
PVP: 18 € / Estudantes: 14 €
- Custódio Magueijo, Luciano de Samósata III. Tradução do grego, introdução e notas (Coimbra, CECH, 2012). 220 p.
PVP: 15 € / Estudantes: 12 €
Série “Humanitas Supplementum” (Estudos)
- Cristina Pimentel, José Luís Brandão & Paolo Fedeli (coords.), O poeta e a cidade no mundo romano (Coimbra, Classica Digitalia/CECH/CEC, 2012). 240 p.
PVP: 24 € / Estudantes: 19 € [capa dura]
FIM DO ACORDO ORTOGRÁFICO?
No dia dos 13 anos do "Público" Jorge Buescu escreveu, a pedido do jornal, um pequeno texto de ficção (em cima a parte final), em que previa o futuro do acordo ortográfico. Seria boa ideia se fosse real, mas, por enquanto, é só um desejo, partilhado por muitos.
O NOVO PAPA VAI SER NOVO
domingo, 10 de março de 2013
CICLOS DE TEMPO - UMA VISÃO NOVA E EXTRAORDINÁRIA DO UNIVERSO
Nota sobre o modelo da Cosmologia Cíclica Conforme
"INFORMAÇÃO" DE JAMES GLEICK
"Pela Sua Saúde" de Pedro Pita Barros
Mais um muito interessante ensaio da Fundação Francisco Manuel dos Santos da autoria de Pedro Pita Barros, licenciado e doutorado em Economia com muitos trabalhos na área da Economia da Saúde: Pela Sua Saúde.
É como os outros um ensaio a custo baixo - decerto oportuno quenado temos cada vez menos euros - que vale a pena ser adquirido e lido por todos, a bem da nossa saúde.
E, ficam aqui umas breves dicas para alimentar a apetência à leitura deste ensaio sobre o sector da Saúde em Portugal, sobre como utilizar da melhor forma os escassos recursos disponíveis. Ajuda a compreender os desafios existentes e as potenciais soluções, com especial destaque para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) - sobre o qual tantos falam por vezes apenas como bandeira política.
Eis alguns dados curiosos que Pedro Pita Barros esclarece ao longo do seu ensaio:
- Nos últimos dois anos de vida qualquer pessoa tem um elevado volume de despesas de saúde, seja aos 50 anos, seja aos 80 anos.
- A inovação tecnológica é como o principal motor do aumento das despesas em saúde.
- É necessário disciplinar a tentação para o abuso do uso de um bem ou serviço quando é disponibilizado de forma gratuita.
- A questão da equidade no financiamento do SNS ultrapassa bastante a aplicação directa da ideia de que quem ganha mais tem de pagar mais no momento do usufruto de cuidados de saúde.
- Não se trata de reduzir custos só para reduzir custos. Para reduzir custos a zero bastaria deixar de prestar cuidados de saúde.
- Se os objectivos são de natureza assistencial, as restrições são de natureza financeira. É necessário harmonizar os dois factores.
- É necessário captar a população para estilos de vida mais saudáveis, reduzindo doenças nessa mesmas população.
- É preciso um plano eficaz de comunicação com a população, em particular para trazer os cidadãos ao processo de mudança.
- As taxas moderadores orientam a procura. Os copagamentos, por seu lado, servem para financiamento.
- Impõe-se a reintrodução das carreiras médicas.
- Os tempos de crise trazem novos desafios também na área da saúde.
- São precisas mudanças na relação médico / doente.
- O acesso dos doentes à Internet é fonte de informação, mas a informação nem sempre é certa.
Recomendo a leitura deste pequeno ensaio da Fundação Francisco Manuel dos Santos, para melhor entendermos as mudanças na saúde sem politiquices nem os excessivos protagonismos mediáticos.
Augusto Küttner de Magalhães
A família humana
Contudo, para quem se interessa genuinamente por estas perguntas, o livro Last Ape Standing é uma excelente leitura. O autor, Chip Walter, não é cientista; mas informou-se sobre os últimos desenvolvimentos científicos quanto à nossa origem e apresenta-nos esses dados e especulações numa prosa simples e divertida. Ficamos não apenas a conhecer a diversidade de hominídeos (bastante maior do que se sabia há 15 ou 20 anos), mas procuramos também respostas a esta pergunta dolorosa: por que razão só uma espécie de hominídeos sobreviveu até hoje? Afinal, há várias espécies de símios, por exemplo, ou de canídeos. Por que razão só o Homo sapiens sobreviveu?
A BIOLOGIA, A MATEMÁTICA E O CROCHÉ
William James
Devemos respeitar a liberdade mental de cada um; só então iremos erigir a república intelectual; só então teremos o espírito de tolerância interna sem o qual toda a nossa tolerância externa não passa de um mito.
sábado, 9 de março de 2013
As Mais-Valias da "Peste Grisalha"
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| Fotografia do jovem deputado do PSD, Carlos Peixoto, que saltou para a ribalta da opinião pública com uma simples, mas elucidativa expressão: “Peste Grisalha” |
Enviada pelo autor, o ensaísta Eugénio Lisboa, com a gratidão de sempre, transcreve-se mais uma belíssima e cáustica crónica publicada no "Jornal de Letras" (06/03/2013):
“Um jovem deve ser olhado com respeito.
Como é que se vai saber se o seu futuro
não vai ser igual ao nosso presente?”
Confúcio
"Anda por aí, com ares gaiteiros e contentinhos, um discurso político de tinturas eutanásicas, que me lembra velhas fábulas com que, na minha infância, se pretendia inculcar, na escola, algum respeito pelos idosos: numa dessas fábulas, falava-se de certas tribos que achavam bem e conveniente mandar para a montanha, para ali morrerem, bem perto dos ursos e munidos de uma manta, os velhos considerados imprestáveis, como meios de “produção” (algum “economês” já estava, por então, em vigor).
Maupassant, nos seus contos magistrais e frequentemente cruéis, pinta-nos quadros inesquecíveis de brutalidade dos novos contra os velhos, até ao ponto do assassinato dos já não produtivos. Agora que o “economês” invade tudo – mesmo territórios que não sabe decifrar – parece que estamos de novo necessitados de algum bom Fedro que congemine fábulas, para uso dos economistas que mais ou menos nos desgovernam.
Lembrando-lhes coisas simples, como, por exemplo, serem os idosos pessoas e poderem até ser uma mais-valia para a sociedade em que se inserem. Há por aí menino que já se permite ousar tudo ou quase tudo: com passinhos de lã, a pouco e pouco, para não doer tudo de uma só vez, uma palavra aqui, outra acolá, vão-se estes, que nos legislam e governam, aproximando de dizer o inefável – que os idosos estão a mais, que custam demasiado, que empatam e impedem, só por existirem, a felicidade urgente dos mais novos... Primeiro, com alguma “delicadeza”, depois, com muito mais afoiteza, chega-se a isto: os idosos são afinal uma intolerável “peste grisalha”.
Já há deputados, juro, que falam esta língua, e de boa consciência.
A economia tornou-se, de repente, a ciência das ciências, como o prato do arroz doce, que, antigamente, aparecia por todo o lado. E isso, mesmo quando falha e até quando mente – e falha inúmeras vezes e mente assustadoramente. E está muito longe de poder ser uma ciência.
Estes jovens economistas ou para-economistas ou deslumbrados com a economia usam de uma arrogância sonora e contente, que me faz lembrar a frase ferina do velho filósofo americano (Emerson): “Na juventude, vestimo-nos com o arco-íris e avançamos, bravos, como o Zodíaco.”
Está-se assim preparando um indesejado vazio de diálogo entre quem necessita de experiência e quem a tem para a poder dar. O que se está afinal a preparar é algo como isto: “Os velhos repetem-se e os novos nada têm para dizer. A chatice é mútua” (Jacques Bainville).
É esta estúpida guerra de surdos que se anda por aí a fomentar. Mentindo. Falsificando. Ignorando. Destruindo. Os idosos, que as tribos africanas sabem venerar, como depositários de sabedoria, andam, nestas sociedades ditas evoluídas, a ser estigmatizados como pesos mortos, que urge arredar.
E, no entanto, trabalharam, contribuíram, enquanto novos, e descontaram para um Fundo que os protegesse, quando, pela idade, se tornassem menos produtivos. Menos produtivos? Nem sempre. Não totalmente.
A idade não trava, necessariamente, a criatividade dos homens (ou das mulheres). Com 66 anos, o arquitecto Giovanni constrói a mais bela casa de Veneza, Frank Lloyd Wright põe de pé a “Falling Water”, na Pensylvannia (uma casa sobre uma queda de água); Hermann Hesse publica a sua obra-prima Magister Ludi; o cineasta John Huston dá à luz o filme Fat City e Kenneth Clark produz a sua celebrada Civilisation. Com 67 anos, De Gaulle governa a França, no período crítico da insurreição argelina, Michael Foot é eleito chefe dos trabalhistas ingleses, Freud publica O Ego e o Id (já com o cancro a devorá-lo), Barbara Tuchman dá-nos o seu seminal A Distant Mirror: the Calamitous 14th Century e Milton Friedman, com Rose Friedman, põe cá fora Free to Choose (não sublinho a tese, louvo o esforço). Ainda com 67 anos, o já muito grisalho Michael Faraday experimenta converter directamente a energia potencial em electricidade, Tolstoi tem a sua primeira lição de bicicleta, H. G. Wells publica The Shape of Things to Come, Ésquilo doa-nos a trilogia da Oresteia, Eurípedes, a Electra e George Bernard Shaw, a Santa Joana, que alguns consideram a sua obra-prima. Ainda com 67 anos, John Ford, o grande realizador americano de origem irlandesa, dá-nos o seu belíssimo The Man Who Shot Liberty Valance e Juan Fangio, grande corredor de automóveis, fica em segundo lugar, na “Race of Champions”, para veteranos. Com 68 anos, Giordano Fracastoro publica De Contagione et Contagiosis Morbis (1546), o primeiro livro sobre a teoria das doenças por contágio, em oposição às teorias religiosas das doenças por “miasmas”. Com esta mesma vetusta idade, a Rainha Vitória começa a aprender o indostânico, devido ao seu persistente (ainda que grisalho) interesse pelas coisas da Índia. Le Corbusier faz a Maison Jaoul e, com a mesma idade, Thomas Tallis compõe um moteto, em 40 partes – Spem in Alium – para celebrar o aniversário da Rainha Isabel I. T. S. Eliot, casa-se, com 68, com a sua secretária Valerie Fletcher, depois de um pavoroso primeiro casamento. Lillian Hellman, grande dramaturga americana, publica o poderoso Pentimento (1973); Ibsen, o grande dramaturgo norueguês, produz uma peça importante: John Gabriel Borkman (1896); Cecil B. De Mille realiza Sansão e Dalila (1946). Com 69 anos, Ronald Reagan é eleito 40.º Presidente dos Estados Unidos, a poderosa antropóloga Margaret Mead publica Culture and Commitment: a Study of the Generation Gap e Nicolaus Copernicus, com os mesmos 69 anos e cabelos igualmente grisalhos ou mesmo brancos, publica De Revolutionibus orbium coelestium (1543), prelúdio à astronomia moderna. Por outro lado, Newton, quase septuagenário, hipocondríaco e assaz grisalho, força a Royal Society a arbitrar, a sua feroz querela com Leibnitz, sobre qual dos dois inventou, primeiro, o Cálculo. Turner, com a mesma idade, pinta Rain, Steam and Speed e Balthus, O Gato com o Espelho; Haydn compõe As Estações, Wagner, o Parsifal e Stravinsky, The Rake’s Progress. Sófocles, que viveria até aos noventa e tal, ainda muito jovem, com 69, mas já grisalho, dá-nos o seu supremo policial, Rei Édipo. Com 70 anos, Golda Meir é Primeira Ministra de Israel (deixará de sê-lo, já com 76). Richard Strauss lança a ópera A Mulher Silenciosa (1934) e Toscanini, muitíssimo grisalho, dirige a Orquestra Sinfónica NBC, na sua primeira exibição pública. Enyd Blyton celebra os 70, publicando, nesse ano, 11 livros e Alberto Moravia publica A Vida Interior, após sete anos de silêncio; Maurice Chevalier, extremamente grisalho, aparece no filme Gigi (1958); George Cuckor grande realizador americano, faz Justine; Fred Zinneman, também setentão, realiza o impressionante Julia (1977), com Jane Fonda e Vanessa Redgrave; Rex Harrison casa-se pela sexta vez e o grande Akira Kurosawa realiza o fabuloso Kagemusha (1980). Saltando para os setenta e cinco anos (e deixando para trás os óbvios Picasso e Niemeyer que trabalharam até à morte, um com 92, o outro com 104), e resumindo muito, temos Monteverdi que, com cabelos mais brancos do que grisalhos, compõe L’Incoronazione di Popea (1642) e Claudio Arrau, que dá, no ano em que faz 75, 110 concertos em todo o mundo (1978). Fazendo, de novo, um salto de 5 anos, aos 80, Buckminster Fuller (arquitecto) publica o seu magnum opus Synergetics: Exploration in the Geometry of Thinking (1975); Grandma Moses faz a sua primeira exposição individual, em 1940, com 80 anos (embora já pintasse aos 58, só começou, a sério, aos setenta); Pablo Casals casa-se, oitentão, com a sua discípula Maria Montanez; Alfred Tennyson, o bardo da Carga de Brigada Ligeira, publica, em 1889, com 80, Crossing the Bar e Boris Karloff, oitentão, em 1967, entra, nesse ano, no filme Targets, do delicioso Peter Bogdanovich.
Não chego aos 100 anos, porque não disponho de espaço. Mas poderia, com Manoel de Oliveira ou Niemeyer, ir para além dos 100! Dizia La Bruyère, que perscrutou, com argúcia, os escaninhos do comportamento humano, que “a maioria dos homens gasta a primeira metade da vida a tornar a segunda metade miserável.”
Eu acho que alguns governantes de hoje andam a gastar a primeira metade da vida deles a estragar a segunda metade da nossa. Fazem mal: não poucos de nós, idosos, até vamos produzindo, já grisalhos, coisas bem melhores e mais duradoiras do que as parturejadas pela mesquinhez canhestra de alguns jovens turcos.
O grisalho não é obstáculo. A estupidez e a boçalidade são. Ai são, são, como diria o inefável Ulrich!"
Eugénio Lisboa.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Conversas ao final da tarde
No próximo dia 12 de Março de 2013, pelas 18h00, no RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, no piso térreo do Departamento de Física da Universidade de Coimbra -, terá lugar uma “Conversa ao fim da tarde”, com José Mariano Gago, Físico de Partículas.
A sessão é aberta a quem pretender conversar com José Mariano Gago sobre Rómulo de Carvalho, os livros de divulgação científica e, em geral, sobre ciência e sociedade. O convidado será apresentado por Carlos Fiolhais, Director do Rómulo.
Sobre o convidado: Nascido em 1948, José Mariano Gago obteve em 1971 a licenciatura em engenharia electrotécnica no Instituto Superior Técnico e doutorou-se em Física em 1976 pela Universidade de Paris. Trabalhou como pós-doutorado na Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (CERN). É Professor Catedrático no Instituto Superior Técnico e presidente do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas - LIP. Foi presidente da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica entre 1986 e 1989, Ministro da Ciência e Tecnologia entre 1995 e 2002 e Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de 2005 a 2011. Recebeu várias distinções nacionais e internacionais. Deve-se-lhe em grande medida o enorme crescimento da investigação científica em Portugal nas últimas décadas assim como da cultura científica (de que é exemplo a rede de Centros Ciência Viva onde o Rómulo se integra).
quinta-feira, 7 de março de 2013
The Pseudoscience Wars
Steven Shapin reviews 'The Pseudoscience Wars' by Michael Gordin · LRB 8 November 2012
http://www.lrb.co.uk/v34/n21/steven-shapin/catastrophism
Einstein spoke with his usual wisdom when asked how scientists might tell by inspection whether unorthodox ideas were brilliant or barmy. He replied, with Velikovsky clearly in mind: 'There is no objective test.' The term 'pseudoscientist' is a bit like 'heretic'. To be a pseudoscientist is to be accused; you don't describe yourself as a pseudoscientist.
If pseudosciences are not scientific, neither are they anti-scientific. They flatter science by elaborate rituals of imitation, rejecting many of the facts, theories and presumptions of orthodoxy while embracing what are celebrated as the essential characteristics of science. That is at once a basis for the wide cultural appeal of pseudoscience and an extreme difficulty for those wanting to show what's wrong with it.
(via Instapaper)
Verdade
quarta-feira, 6 de março de 2013
Homunculism
Homunculism
http://www.nybooks.com/articles/archives/2013/mar/21/homunculism/
Contemporary brain science is thus rife with unwarranted homunculus talk, presented as if it were sober established science. We have discovered that nerve fibers transmit electricity. We have not, in the same way, discovered that they transmit information. We have simply postulated this conclusion by falsely modeling neurons on persons.
(via Instapaper)
segunda-feira, 4 de março de 2013
The God Argument by A C Grayling
Reviewed: The God Argument by A C Grayling
http://www.newstatesman.com/2013/02/apocalypse-now
to dismiss all religious discourse as immature or meaningless is to embrace ignorance or, more alarmingly, to advocate suppression.
(via Instapaper)
Os problemas têm solução
As palavras acima são de Stéphane Hessel, judeu de Berlim naturalizado tardiamente francês, um dos autores da Declaração Universal dos Direitos Humanos, publicada em 1948. Foi o último dessa equipa extraordinária a deixar este mundo, na passada semana, aos noventa e cinco anos.
Como se poderá imaginar, conheceu na Resistência Francesa, nos campos de concentração nazis, nos organismos internacionais onde colaborou depois da Segunda Grande Guerra, a pior e a melhor face da Humanidade. Talvez por isso mesmo, afirmava constantemente a sua profunda crença nas pessoas, no que têm elas têm mais nobre e na sua capacidade de melhorar o mundo.
Relativizados e subjectivados os valores universais, postos ao mesmo nível de opções individuais e grupais, foi considerado por muitos fora do tempo, deste tempo pós-moderno, onde a verdade se dispensa em favor de verdades leves, pulverizadas e todas toleráveis.
Um juízo desse tipo não tem, como se percebe, contra-argumentação racional e, nessa medida, muitos desistem de o enfrentar. Não foi o caso de Hessel, que até ao dia da sua morte insistiu no dever que a todos assiste de defender o legado humanista que recebemos e de o passar às gerações que se seguem.
Esta é, no meu entender, uma ideia pedagógica profunda, que é urgente retomar.
Nota: Citação e imagens extraídas de entrevista dada por Stéphane Hessel ao jornal Público da última vez que esteve em Lisboa, há dois anos.
A resposta de Tooley
Uma das respostas mais simples e interessantes a esta hipótese foi formulada por Michael Tooley, filósofo também norte-americano conhecido sobretudo pelo seu trabalho sobre o aborto e sobre a metafísica do tempo e da causalidade. É essa resposta que apresentamos aqui, retirada do livro Conhecimento de Deus, que escreveu com Alvin Plantinga e que será em breve publicado no Brasil, traduzido por mim.
É razoável acreditar que há de fato um mecanismo confiável de formação de crenças especialmente direcionado para as crenças religiosas?
Há excelentes razões, penso, para sustentar que não. Primeiro, considere-se a ideia de que há um mecanismo geral confiável de formação de crenças religiosas. O que seria de esperar se isso fosse verdadeiro? Para responder a esta pergunta, considere-se casos em que há mecanismos confiáveis de formação de crenças — como é o caso da percepção, memória e raciocínio dedutivo. O que encontramos nesses casos é uma imensa concordância intersubjetiva. Dois observadores perto um do outro e olhando aproximadamente na mesma direção irão oferecer descrições do que veem espantosamente concordantes, e incluindo muitos detalhes. Similarmente, se duas pessoas estiveram na mesma situação perceptiva, e lhes perguntarem o que viram ou ouviram nos últimos segundos, haverá uma vez mais uma correlação muitíssimo forte. Em terceiro lugar, as pessoas a quem são apresentadas as ideias básicas sobre a dedução concordarão tipicamente no que respeita à validade de inferências indutivas simples, e nos casos em que não concordam, a discordância pode quase sempre ser resolvida. Por fim, o nível de concordância no caso das crenças formadas por tais mecanismos não depende de os indivíduos terem sido criados no mesmo gênero de sociedade: desde que estejamos lidando com crenças que não estejam excessivamente impregnadas de teoria, temos um nível de concordância que é mais ou menos completamente independente da cultura em que fomos educados. Além disso, nenhum gênero de doutrinação tem qualquer efeito significativo no que respeita ao grau de concordância relativo a crenças formadas por tais mecanismos.
No caso da crença religiosa, em contraste, as coisas não são de modo algum iguais. Primeiro, há hoje inúmeros sistemas incompatíveis de crenças religiosas que diferentes pessoas aceitam: budismo, hinduísmo, confucionismo, taoísmo, xintoísmo, judaísmo, cristianismo, islamismo e muitas outras. Em segundo lugar, mesmo no seio de religiões específicas, como o cristianismo ou o islamismo, os seus aderentes discordam muitas vezes — por vezes sobre questões que são consideradas essenciais para a salvação. Terceiro, no passado houve muitas religiões, associadas com sociedades primitivas e com outras mais avançadas, como a Grécia e Roma. Quarto, nenhuma das principais religiões hoje existentes remonta ao começo da história humana. Quinto, há uma correlação positiva muito forte entre as crenças religiosas que uma pessoa aceita e as do ambiente familiar em que ela foi criada. Sexto, as discussões entre pessoas com crenças religiosas diferentes só muito raramente resultaram numa conclusão partilhada sobre qual das partes estava a ver mal como as coisas realmente são.
Em todos estes aspectos, as crenças religiosas contrastam fortemente com o que acontece no caso das crenças perceptivas, crenças de memória e crenças sobre relações dedutivas, não sendo de modo algum o que seria de esperar se houvesse uma faculdade interna para chegar a crenças religiosas confiáveis. Estes fatos fornecem, sugiro, excelentes razões para concluir que é muito improvável que os seres humanos tenham uma faculdade que seja especificamente direcionada para a formação de crenças religiosas que sejam provavelmente verdadeiras.
domingo, 3 de março de 2013
Oito mil textos
OBVIAMENTE, DEMITO-O!
Para quem se não lembre, ou não saiba, a expressão que dá título a este post ficou célebre na nossa História há uns cinquenta, cinquenta e poucos anos. Foi uma expressão corajosa e o jornalista que fez a pergunta e recebeu esta resposta sabia a bomba relógio que estava a colocar nas mãos do entrevistado. Este era nem mais nem menos que o General Humberto Delgado.Durante a campanha para a Presidência da República, concorrendo junto com Américo Tomás e Arlindo Vicente, um jornalista perguntou ao General, no caso de ser eleito, o que faria ao então primeiro-ministro, Oliveira Salazar. “Obviamente demito-o”, respondeu ele sem hesitar.
Esta postura e certamente outras que então teve valeram-lhe passar a ser conhecido como “O General Sem Medo”. Foi cobardemente assassinado algum tempo depois. Salazar não perdoava a quem se lhe opunha. Vivíamos uma Ditadura. E em Ditadura, só há uma voz, não se admitem discordâncias nem oposições. Era claustrofóbico, no mínimo.
“O desemprego jovem tira-me o sono.”
“No dia em que tivermos medo estamos arrumados.”
Miguel Relvas, ministro.
Isto quer dizer que o ministro Relvas tem medo.
Medo de quê?
De ouvir cantar “Grândola”, que nem sequer conhece bem?
De perguntas incómodas sobre a licenciatura obtida numa espécie de jogo aos dados?
De não dormir por causa do desemprego jovem?
É curioso que refira o desemprego jovem e não os jovens desempregados.
Pode parecer a mesma coisa, mas não é.
O desemprego é uma entidade abstracta, mede-se em números.
Os jovens desempregados são pessoas, têm identidade, não são números.
São pessoas que sentem, que aprendem a viver, que têm competências e talentos para fazerem parte do futuro do país e intervirem no seu futuro.
E o governo do país, do país que tanto necessita de pessoas competentes, diz-lhes que não precisa deles, que emigrem...
Em vez de estudarem para se licenciarem por que não se meteram num partido para terem hipóteses de chegar ao poder?
Deviam ter andado a colar cartazes e a fazer uns favores a este e àquele dos grandes.
E depois faziam o que fez o Relvas!
Canudo garantido, influências, conhecimento dos pontos fracos de quem convém para na devida altura cobrar, estão a ver?
Muito mais eficaz!
Mas é preciso ter estômago.
E o Relvas vê-se que come de tudo sem problemas.
Parece que tem problemas com o sono, mas não parece andar mal dormido.
Ou então já anda a tomar uns lexotans.
Voltando aos medos do ministro Relvas:
Falta-lhe a experiência de situações críticas,
de quem teve de lutar por um lugar ao sol sem a sombra do partido ou outra qualquer a protegê-lo.
Falta-lhe a coragem de se submeter a exames depois de horas e horas de estudo e directas para mais umas voltas nas matérias.
Falta-lhe não ter passado pela tropa nem por uma guerra.
Sair à rua, devia ser de casa para o partido e do partido para casa.
Soube-se encostar para depois receber o pago.
Só assim se compreende que ainda não tenha sido demitido, já que não tem iniciativa nem inteligência para o fazer.
Mas há algo de que se pode orgulhar: de não ter medo do ridículo.
Será que sabe o que isso é?
E também não sabe ou não percebe que já perdeu tudo o que tinha a perder.
Só sabe que, se cair, não cai sozinho.
Mas ter medo de mostrar medo de uma “Grândola”, não é próprio de gente crescida,
quanto mais de um governante que ainda por cima é ministro!
Ministro de um governo que não quer manifestações de oposição nas ruas…
Ministro de um governo que quer governar num país claustrofóbico…
Ministro de um governo que ficaria bem no retrato duma Ditadura…
Coimbra, 1 de Março de 2013
Antónia Vasconcelos
sábado, 2 de março de 2013
Castro contra o (des)Acordo Ortográfico
Discute-se a aplicação do acordo ortográfico de 1990 (AO90). Este surgiu após várias tentativas goradas de unificação da ortografia de Portugal e do Brasil, desde o início do século passado. Uma dessas tentativas conseguia uma unificação de praticamente 100% e mesmo assim não foi seguida por ambas as partes.
Ao fim de quase um século de deriva gradual, tentou-se então uma vez mais regressar à quimérica “unificação” com o AO90. Esta não só não é conseguida com o presente “acordo” como as alterações propostas não colhem a aceitação dos especialistas. Nem do lado de cá nem do lado de lá do Atlântico. Daí que chamar-lhe “acordo” seja um abuso. Este facto foi olimpicamente ignorado e prosseguiu-se na aplicação cega de uma completa inutilidade, recorrendo-se por diversas vezes nesta história a expedientes, no mínimo, duvidosos (para não lhes chamar uma verdadeira batota, de que é exemplo icónico o II Protocolo Modificativo) para levar esta empreitada em frente, sem que daí advenha qualquer vantagem para os utilizadores da língua.
Bastariam algumas questões elementares:
– Vem resolver alguma coisa? (Não)
– Serve para alguma coisa? (Não)
– Melhora a situação anterior? (Não)
Não deveria ser preciso mais do que isto para ser evidente que o AO90 é um absurdo inútil, mas continuemos para os pontos seguintes.
2. Objectivos do Acordo Ortográfico
Unificação da língua: não acontece
Simplificação da língua: não acontece
Evolução da língua: não acontece
3. Vantagens decorrentes da aplicação do Acordo Ortográfico
Não há.
4. Inconvenientes e problemas resultantes da aplicação do Acordo Ortográfico
a) As “soluções” encontradas pelo AO90 para “resolver” as diferenças ortográficas podem sintetizar-se em:- admissão de facultatividades naquilo que é irresolúvel (na prática, não só não resolve nada como aumenta a confusão)
- referência à “norma culta” (conceito já completamente ultrapassado) sem que esteja registada foneticamente em lado nenhum essa dita norma culta
- convergência do Pt-Br para o Pt-Pt: alteração de acentos/trema e hífenes
- convergência do Pt-Pt para o Pt-Br: alteração de acentos e hífenes, amputação de letras
- para obedecer ao critério da fonética, inventam-se formas novas para o Pt-Pt que, pasme-se, desunificam ao invés de unificar
- afirma-se reiteradamente a máxima de que “o que não se pronuncia não se escreve”, mas depois não se aplica: basta pensar em todas as palavras começadas por “h”, ou em todos os casos de “u” mudo a seguir ao “q”; afinal é para seguir a fonética ou não?
b) Com o AO90, há uma perda de informação irrecuperável. Isto é comprovado pelo facto de não existir um “anti-Lince” que reponha o português na forma correcta (sem AO90). Tal não é possível porque se perde, por exemplo, a distinção entre formas verbais de tempos diferentes (compramos/comprámos, chegamos/chegámos), a distinção entre “pára” e “para” e tantos outros exemplos. É sempre possível passar automaticamente de um texto sem o AO90 para um texto com o AO90, mas o inverso não é verdadeiro.
Desta perda de informação decorre uma menor clareza na leitura, ou seja, na transmissão da mensagem para o receptor. Isto não é bom, útil ou minimamente desejável. Os defensores do AO90 parecem centrar-se nas (alegadas) vantagens da escrita, esquecendo-se daquilo que é mais importante num texto escrito: a sua leitura.
c) Afirma-se que o AO90 “simplifica” a língua e ao mesmo tempo permitem-se duplas (ou quádruplas ou múltiplas) grafias, o que é uma contradição à própria noção de ortografia. Ou seja, se, em vez de saber sem qualquer dúvida como se escreve “caracterizámos”, temos, em vez disso “caracterizámos/caraterizámos/caracterizamos/caraterizamos”, em que medida é que isto constitui uma simplificação? Dir-se-ia antes que ficou quatro vezes mais complicado. Chamar a isto “ortografia” é um abuso.
d) Com o AO90, em vez de assegurar a sobrevivência da língua, o que se está a verificar na prática é a contribuição para a extinção a passos largos do português de Portugal. Com o AO90, este já está a ser completamente eclipsado, por exemplo, em qualquer pesquisa na Internet e desde logo em inúmeros “sites” de acervo e/ou repositório (a Wikipedia, por exemplo). Experimente-se pesquisar “material elétrico” sem especificar que queremos páginas de Portugal e veja-se o que acontece. Repita- se a experiência com “material eléctrico”. Em que é que isto pode ser bom para as empresas portuguesas?
O AO90 altera, sim, a forma como as palavras se pronunciam. Ouve-se até à exaustão o argumento da pharmácia/farmácia para justificar a “evolução” da língua, mas esses defensores do AO90 esquecem-se de que ao passar de “pharmácia” para “farmácia” não se alterou absolutamente em nada a forma como a palavra era lida. Ao passar de “fraccionar” para “fracionar” altera-se, sim, inegavelmente, a leitura da palavra. Ou de “espectador” para “espetador”, para dar um exemplo mais conhecido...
f) Com o AO90, continua a ser necessário haver duas traduções, uma para o Brasil e outra para os restantes países de língua oficial portuguesa. A necessidade de duas versões diferentes era apresentada como um dos principais motivos para a indispensável e propalada “unificação”. Continua... exactamente na mesma.
g) Por causa do AO90, já houve gastos inúteis e incompreensíveis, nomeadamente no ensino e na administração pública, com a “nova” “ortografia”. Mais grave ainda porque foram feitos sem que esta tivesse sido sequer definida com rigor (provavelmente porque é impossível definir-se com rigor aquilo que assenta em "regras" que o negam à partida).
h) O documento de base do AO90 contém erros, ambiguidades, incongruências e parte de premissas falsas. Contém opiniões (tão válidas como quaisquer outras...) e nem um único estudo científico que sustente o que é afirmado. Há, pelo contrário, e como se sabe, muito mais pareceres negativos do que positivos (estes, aliás, no singular... porque só há um). Além de isto ser academicamente inacreditável, um documento assim não tem qualquer credibilidade. Não pode servir de base a coisa alguma e muito menos à ortografia de mais de duzentos milhões de pessoas.
Uma vez que as “regras” do AO90 são sobretudo a consagração das excepções, há um fenómeno evidente de sobrecorrecção e de total confusão por parte de quem escreve. Se muitas pessoas escrevem com o AO90 (em muitos casos, unicamente porque a isso são obrigadas), isso deve-se sobretudo ao facto de ser possível carregar num botão para transformar a ortografia automaticamente e não tanto porque saibam efectivamente aplicar a “nova” “ortografia” (uma vez mais, como saber aplicar aquilo que não tem regras claras?). Isto, na prática, corresponde a um inegável analfabetismo funcional.
i) Com o AO90, em vez de uma unificação, temos uma multiplicação de ortografias. Em vez de Pt-Pt e Pt-Br, temos: Pt-Pt, Pt-Br, AO90-Pt, AO90-Br e ainda o uso de critérios diferentes para o estabelecimento daquilo que se considera ser o AO90 em Portugal e no Brasil... variações deixadas ao critério de cada um, porque o documento de base não é claro ou é omisso nas diversas possibilidades. Porquê esta falta de clareza e esta omissão? Porque as “soluções” apresentadas são uma farsa que na prática não resolve nada.
5. Proposta que apresenta
Suspensão imediata da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990. Obrigar milhões de pessoas a alterar a sua ortografia sem que isso sirva para alguma coisa de válido é de uma falta de senso indescritível.
Em vez de uma “unificação” ortográfica reconhecidamente impossível a esta altura, promovamos o intercâmbio cultural, científico e de oportunidades de trabalho entre todos os países de língua oficial portuguesa. Reforcemos o ensino de Português no estrangeiro em vez de fecharmos leitorados. Não é preciso unificar a ortografia para fazer nada disto e seria muito mais eficaz para a promoção da língua no mundo.
Existem mecanismos democráticos mais do suficientes para anular este erro colossal: uma iniciativa legislativa de cidadãos pela revoção da RAR 35/2008 (o instrumento que forçou a entrada em vigor do AO90) ou uma iniciativa legislativa dos próprios deputados para o mesmo efeito.
6. Outras questões
Este acordo ortográfico não resolve nenhum dos alegados “problemas” que pretendia “solucionar”. Baseia-se, além disso, num paradoxo fundamental: procura unificar a língua utilizando ao mesmo tempo um critério, o da fonética, que torna automaticamente impossível a referida unificação, dadas as variadíssimas cambiantes de pronúncia entre os milhões de falantes da língua. Partindo de premissas erradas é impossível chegar-se a conclusões correctas. Ou válidas.
O AO90 nega a real evolução da língua portuguesa, fazendo de conta que esta não existiu. A verdade é que o português de Portugal e o português do Brasil já se afastaram (sim, irremediavelmente – admitamo-lo de uma vez por todas) e estas duas variantes já não voltam a ficar iguais, nem que por acaso o AO90 conseguisse unificar a ortografia (que não consegue). Não pode designar-se como “evolução”esta proposta lamentável e inútil de ortografia “unificada”.
Em conclusão, o “acordo” “ortográfico” de 1990 não é sério e não pode ser levado a sério. Suspenda-se de imediato a sua aplicação.
Retirado daqui:
http://app.parlamento.pt/forum/pub/VisualizacaoIntervencao.aspx?ID=69&ID_Intervencao=1272
sexta-feira, 1 de março de 2013
A ESPIRAL DA VIDA
Dependents of the State
Dependents of the State
http://opinionator.blogs.nytimes.com/2013/02/26/dependents-of-the-state/
welfare payments to the poor effectively operate as yet another kind of corporate subsidy, making up for the difference between the increasing cost of living and declining real wages. California taxpayers alone pay $86 million dollars annually to subsidize Walmart via state assistance to its employees and their children.
(via Instapaper)
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