quinta-feira, 14 de março de 2013

Ciência na Almedina Coimbra - Ciclo de Palestras


Hoje, dia po Pi, vamos conversar sobre "Um máximo de actividade solar" previsto para este ano de 2013. 


HUMOR: O PAPEL DO PAPEL


Anúncio sobre o futuro do papel: http://vimeo.com/61275290 

NOVOS LIVROS DA GRADIVA

Informação recebida da Gradiva:


Um grande livro, de uma autora várias vezes premiada pela ficção breve. Trata-se do primeiro romance, também justamente premiado. A Vida Inútil de José Homem revela grande desenvoltura e originalidade na utilização de um vocabulário rico, em vários registos, assim como no desenho das personagens. A história de duas pessoas que, não tendo conhecido o afecto por razões diversas, o aprendem juntas – uma no final da vida, a outra no seu início. Uma narrativa tocante, que eleva e exalta.
«Gradiva», n.º 146, 176 pp., € 10,00 . € 9,00
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Nesta colectânea, Steiner aborda essencialmente dois temas: a intimidade (a carga variável de energia e intensidade entre o interior e o exterior, entre o que se diz e o que se cala) e o acto de leitura (ser-nos-á actualmente mais difícil ler com prazer uma obra literária? Ter-se-á deteriorado algo na educação formal que torne essa tarefa mais árdua?). Temas que se tocam e que, possuindo um âmbito amplo, interessarão simultaneamente o público em geral e o especialista. Uma leitura vital.
«Obras de George Steiner», n.º 9, 276 pp., € 14,00 . € 12,60
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Ernesto Rodrigues (ed.)
Cartas de Amor de António José Saraiva a Teresa Rita Lopes




Depois da publicação da correspondência de António José Saraiva trocada com Óscar Lopes e com Luísa Dacosta,surge agora correspondência trocada com Teresa Rita Lopes. Um diálogo de almas em palavras, sobre temas literários e quotidianos, imbuído de grande ternura e afecto. Nestas missivas, revêem-se os acontecimentos coetâneos – Maio de 68, Abril de 74 – pelo olhar entusiasmado e cândido de quem via alvorecer um mundo novo. Documentos e testemunhos históricos, que importa preservar para memória futura.
«Fora de Colecção», n.º 386, 172 pp., € 14,00 . € 12,60
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AINDA O DIA DO PI


Jorge Buescu e Carlos Fiolhais fizeram declarações à Rádio Renascença sobre o Dia do Pi. Leia em:
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=31&did=100229

OS PORTUGUESES EM 2030

V

Vídeo recebido da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

HUMOR: PI 3


HUMOR- PI 2


HUMOR - PI 1


HOJE É DIA DO PI



Hoje é "Dia do pi": 3/14 (a hora do pi será às 1h59m26s54). Por mero acaso, é também dia do aniversário de Einstein.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Ciências da Ocultação

Quando David Marçal publicou, no De Rerum Natura, o texto Tretas Indigo não lhe dei a devida atenção. Reli-o agora e, seguindo ligações para outros textos, fui dar à produção (que se faz passar por) científica realizada no país sobre a educação das crianças indigo. Produção que, em termos de quantidade, já é de relevo.

Quem investiga (não será o termo mais exacto) o assunto (será mesmo assunto?) são, sobretudo, educadores e professores dos vários níveis de ensino. A sua formação de base é diversa mas os mestrados e doutoramentos são maioritariamente conferidos pelas Ciências da Educação e minoritariamente pela Psicologia da Educação.

Instituições de ensino superior portuguesas - escolas superiores de educação e universidades - privadas, mas também públicas -, em alguns casos em colaboração com congeneres estrangeiras - predominam as espanholas -, têm aprovado, com classificação máxima, dissertações que não passariam pela cabeça de Alan Sokal.

Como um colega de profissão, (naturalmente mal) referido numa dessas dissertações, comentou: isto é não do domínio das Ciências da Educação mas do domínio das Ciências da Ocultação....

Um método simples para contar quantas estrelas se vêem no céu



Mais um artigo de Guilherme Almeida, que está alojado como outros no Rómulo - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra. Agradecemos-lhe a preciosa colaboração.

É opinião corrente que as estrelas observáveis a olho nu, num dado local e num dado instante, são incontáveis. E há também quem afirme que são milhões. De facto, sobretudo num local escuro, afastado de poluições, luminosas e outras, somos tentados a concordar com este ponto de vista. No entanto, o número de estrelas visíveis a olho nu (mesmo em condições muito favoráveis) é relativamente modesto, muito abaixo das especulações sedimentadas no senso comum. Neste artigo apresenta-se um processo expedito e acessível para estimar o número de estrelas visíveis a olho nu do local em que o observador se encontra. 



segunda-feira, 11 de março de 2013

360 graus. Ciência Descoberta - Na Gulbenkian

Como não se cansa de repetir o comissário da exposição, Henrique Leitão, esta não é uma exposição sobre os descobrimentos! É uma exposição sobre a ciência dos descobrimentos. Tanto a que os tornou possíveis, ou seja os avanços na cartografia, os novos instrumentos náuticos e técnicas de  construção naval, como a que deles emergiu: uma perspectiva global, espécies de animais e plantas até então desconhecidas dos Europeus, a valorização da experiência e da observação e a criação de instituições para a gestão do saber.

Does the Pope Matter?

Does the Pope Matter?
http://www.nybooks.com/blogs/nyrblog/2013/mar/10/does-pope-matter/
With the election of a new pope, the press will repeat old myths—that Christ made Peter the first pope, and that there has been an "apostolic succession" of popes from his time. Scholars, including great Catholic ones like Raymond Brown and Joseph Fitzmyer, have long known that Peter was no pope. He was not even a priest or a bishop—offices that did not exist in the first century. And there is no apostolic succession, just the twists and tangles of interrupted, multiple, and contested office holders. It is a rope of sand. At the beginning of the fifteenth century, for instance, there were three popes, none of whom would resign. A new council had to be called to start all over. It appointed Martin V, on condition that he call frequent councils—a condition he evaded after he was in power.
(via Instapaper)

COISAS IMPRESCINDÍVEIS

A jornalista Catarina Pirtes do "Diário de Notícias" perguntou-me quais eram as três coisas de que não prescindo e porquê para uma rubrica da revista "Notícias Magazine", que acompanha aquele jornal ao domingo. A minha resposta saiu há uma semana:

CP - Diga-me quais são os três objectos (coisas) de que não prescinde e porquê, num parágrafo.

CF - Julgo que não contam chaves e carteira, pois isso é tão necessário como roupa interior. Assim: Costumo andar sempre com uma pequena mochila, negra (da Nike, passe a publicidade, que é gratuita), da  qual podem sair as coisas mais variadas, mas normalmente de papel, como livros, revistas e jornais, acabados de publicar. Já me disseram que é uma espécie de mala de Mary Poppins! Também uso, oferecido pela  minha mulher, um relógio da marca Gant, que me ajuda na prática dessa virtude pouco lusitana que é a pontualidade. Finalmente, transporto comigo numa permanente relação de amor-ódio um  telemóvel de marca Samsung Galaxy (já tive um IPhone, mas os equipamentos da Apple avariam logo que passe o prazo de garantia, parece que estão programados). Porque não prescindo? Na mochila está lá tudo o que preciso e mais alguma coisa, no relógio está a disciplina indispensável ao trabalho e no telemóvel está a comunicação com os outros, sem os quais não somos ninguém.

NOVOS LIVROS DA CLASSICA DIGITALIA

Delfim Leão, o dinâmico coordenador da Classica Digitalia, continua a oferecer-nos clássicos gratuitos on-line ou por módicas quantias em volumes tradicionais. Eis o seu último anúncio que inclui a tradução de Lusiano de Samósata por Custódio Magueijo (o pai do físico João Magueijo):

Todos os volumes dos Classica Digitalia são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital. O eBook correspondente (cujo endereço direto é dado nesta mensagem) encontra-se disponível em acesso livre. O preço indicado diz respeito ao volume impresso.

NOVIDADES EDITORIAIS

Série “Classica Instrumenta” (Estudos)
-
Carlos de Jesus e J. M. Vieira Duque, Vasos gregos e pintura de tema clássico no Museu da Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro (Coimbra, Classica Digitalia/IUC, 2012) 83 p. [a cores]
PVP:  18 € / Estudantes:  14 € [capa dura]

Série “Autores Gregos e Latinos” (Traduções)
-
Custódio Magueijo, Luciano de Samósata I. Tradução do grego, introdução e notas (Coimbra, CECH, 2012). 358 p.
PVP:  21 € / Estudantes:  16 €

- Custódio Magueijo, Luciano de Samósata II. Tradução do grego, introdução e notas (Coimbra, CECH, 2012). 288 p.
PVP:  18 € / Estudantes:  14 €

- Custódio Magueijo, Luciano de Samósata III. Tradução do grego, introdução e notas (Coimbra, CECH, 2012). 220 p.
PVP:  15 € / Estudantes:  12 €

Série “Humanitas Supplementum” (Estudos)
-
Cristina Pimentel, José Luís Brandão & Paolo Fedeli (coords.), O poeta e a cidade no mundo romano (Coimbra, Classica Digitalia/CECH/CEC, 2012). 240 p.
PVP:  24 € / Estudantes:  19 € [capa dura]

FIM DO ACORDO ORTOGRÁFICO?


No dia dos 13 anos do "Público" Jorge Buescu escreveu, a pedido do jornal, um pequeno texto de ficção (em cima a parte final), em que previa o futuro do acordo ortográfico. Seria boa ideia se fosse real, mas, por enquanto, é só um desejo, partilhado por muitos.

O NOVO PAPA VAI SER NOVO

Texto que escrevi, por convite, para o "Correio da Manhã", que saiu ontem (na imagem Odilo Scherrer):


A principal marca deixada na história pelo pontificado de Bento XVI terá sido a sua inesperada renúncia. Foi um exemplo de coragem.

Se Bento XVI saiu invocando a idade, não será arriscado prever que o novo papa será mais novo do que Bento XVI quando entrou (tinha 78 anos). Apesar de ser arriscado, atrevo-me a prever que o cardeal de S. Paulo, brasileiro de origem alemã, Odilo Scherrer, de 63 anos, seja o escolhido. Teríamos pela primeira vez um papa da América Latina, que representa 40 por cento dos católicos. É uma figura moderada, mas cuja vontade inovadora se revelou ao escolher, contra a vontade da instituição, uma mulher para reitora da Universidade Católica de S. Paulo. Teríamos pela primeira vez desde 1276, quando o conclave elegeu o sábio Pedro Hispano, um papa que fala português.

Que pode o novo papa fazer de novo? Para Scherrer, um dos maiores desafios que se coloca à Igreja é o de uma “nova evangelização”.  Talvez começar por evangelizar a Cúria romana. 

domingo, 10 de março de 2013

CICLOS DE TEMPO - UMA VISÃO NOVA E EXTRAORDINÁRIA DO UNIVERSO

Recensão primeiramente publicada na imprensa regional.




“Ciclos de tempo - Uma visão nova e extraordinária do Universo” é o novo livro do físico-matemático inglês Roger Penrose, publicado pela Gradiva na sua premiada colecção “Ciência Aberta", com o n.º 198. Neste livro, o prestigiado cientista inglês propõe um novo modelo cosmológico do Universo.

Esta primeira edição portuguesa de “Ciclos de Tempo” (Fevereiro de 2013) foi traduzida por Nelson Rei Bernardino a partir da obra original inglesa publicada em 2010. É pois um livro bem recente (ler um excerto aqui), escrito de forma cativantemente rigorosa por Roger Penrose, cientista octagenário, conhecido do grande público por várias e notáveis obras de divulgação científica que alcançaram reconhecimento e êxito mundial. Esta obra adiciona-se a outras três do mesmo autor também publicadas entre nós pela Gradiva, a saber: “A Mente Virtual”, “A Natureza do Espaço e do Tempo” e “O Grande, o Pequeno e a MenteHumana”.

Na sua longa carreira Penrose distinguiu-se sobretudo pelas contribuições para a cosmologia em geral e para a relatividade geral em particular. É «autor de várias descobertas que em muitos casos criaram conceitos baptizados com o seu nome, entre eles as escadas de Penrose ou as desigualdades de Penrose».


Agora, Roger Penrose aborda «um dos mistérios mais profundos do nosso universo» que «é o enigma da sua origem». Estruturado em três partes intituladas “O mistério da segunda lei”, “O carácter curiosamente especial do Big Bang” e a “Cosmologia cíclica conforme”, o livro inclui ainda dois apêndices, de leitura naturalmente facultativa, devido aos seus cálculos tecnicamente mais complexos.





Penrose descreve não só “os principais modelos da cosmologia relativista clássica, mas também vários desenvolvimentos e enigmas que surgiram desde a descoberta da radiação cósmica de fundo”, a qual veio transformar a cosmologia numa ciência exacta e sustentar a ideia de que o nosso Universo terá tido origem no evento singular designado por Big Bang.

Penrose faz uma análise abrangente da segunda lei da termodinâmica. Segundo esta lei, «as coisas vão ficando cada vez mais desorganizadas à medida que o tempo passa». Ou seja, e por outras palavras, esta lei descreve a tendência continuamente crescente da «desordem» no Universo, ou, de um modo mais rigoroso, descreve o aumento de entropia com o tempo num sistema isolado.

A partir da segunda lei e da geometria do espaço-tempo baseada na teoria da relatividade geral, Penrose propõe um novo modelo cosmológico do universo: a cosmologia cíclica conforme (CCC). O modelo propõe uma explicação para o que existia antes do Big Bang que deu origem ao nosso Universo actual e o que estará para lá dos buracos negros. Explicando padrões circulares detectados na radiação cósmica de fundo, a proposta de Penrose poderá substituir o modelo inflacionário actualmente mais aceite pela comunidade científica.

Este novo modelo, ao integrar o conhecimento actual, propõe-nos uma compreensão do Universo e contribui para a reflexão filosófica sobre a sua origem e natureza da sua evolução.

Este livro é, assim, de leitura imprescindível para uma actualização profunda sobre o Universo, desde o mais remoto passado ao mais longínquofuturo, do infinitamente pequeno e intangível da física de partículas ao astronomicamente longínquo e igualmente intangível do horizonte em expansão.

António Piedade


Nota sobre o modelo da Cosmologia Cíclica Conforme


A Cosmologia Cíclica Conforme (CCC) é um modelo cosmológico proposto pelo físico-matemático Roger Penrose e construído a partir da teoria da relatividade geral de Einstein. Na CCC o universo expande-se indefinidamente até alcançar uma densidade infinitesimal (o oposto da densidade infinita quen houve no Big Bang) e uma entropia desprezável. Na fronteira evaporar-se-iam os buracos negros, a matéria (fermiões) converter-se-ia em radiação (só ficariam fotões e gravitões) e o tempo pararia.

Através de uma operação matemática Penrose iguala essa infinitude praticamente vazia a um ponto sem dimensões, que daria origem ao um novo Big Bang. Assim, segundo a CCC o Universo passa por sucessivos ciclos infinitos, com o fim da linha do futuro de cada universo identificado com a singularidade do Big Bang do universo seguinte. 

"INFORMAÇÃO" DE JAMES GLEICK

Apresntação em vídeo de Carlos Fiolhais do livro "Informação", de James Gleick, publicado pelaTemas e Debates e Círculo de Leitores e distinguido pela Royal Society com o prémio anual para o melhor livro de ciência. Clique aqui.

"Pela Sua Saúde" de Pedro Pita Barros

Texto recebido de Augusto Kuettner de Magalhães: 

Mais um muito interessante ensaio da Fundação Francisco Manuel dos Santos da autoria de Pedro Pita Barros, licenciado e doutorado em Economia com muitos trabalhos na área da Economia da Saúde: Pela Sua Saúde.

É como os outros um ensaio a custo baixo - decerto oportuno quenado temos cada vez menos euros - que vale a pena ser adquirido e lido por todos, a bem da nossa saúde.

E, ficam aqui umas breves dicas para alimentar a apetência à leitura deste ensaio sobre o sector da Saúde em Portugal, sobre como utilizar da melhor forma os escassos recursos disponíveis. Ajuda a compreender os desafios existentes e as potenciais soluções, com especial destaque para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) - sobre o qual tantos falam por vezes apenas como bandeira política.

Eis alguns dados curiosos que Pedro Pita Barros esclarece ao longo do seu ensaio:

- Nos últimos dois anos de vida qualquer pessoa tem um elevado volume de despesas de saúde, seja aos 50 anos, seja aos 80 anos.

- A inovação tecnológica é como o principal motor do aumento das despesas em saúde.

- É necessário disciplinar a tentação para o abuso do uso de um bem ou serviço quando é disponibilizado de forma gratuita.

- A questão da equidade no financiamento do SNS ultrapassa bastante a aplicação directa da ideia de que quem ganha mais tem de pagar mais no momento do usufruto de cuidados de saúde.

- Não se trata de reduzir custos só para reduzir custos. Para reduzir custos a zero bastaria deixar de prestar cuidados de saúde.

- Se os objectivos são de natureza assistencial, as restrições são de natureza financeira. É necessário harmonizar os dois factores.

- É necessário captar a população para estilos de vida mais saudáveis, reduzindo doenças nessa mesmas população.

- É preciso um plano eficaz de comunicação com a população, em particular para trazer os cidadãos ao processo de mudança.

- As taxas moderadores orientam a procura. Os copagamentos, por seu lado, servem para financiamento.

- Impõe-se a reintrodução das carreiras médicas.

- Os tempos de crise trazem novos desafios também na área da saúde.

- São precisas mudanças na relação médico / doente.

- O acesso dos doentes à Internet é fonte de informação, mas a informação nem sempre é certa.

Recomendo a leitura deste pequeno ensaio da Fundação Francisco Manuel dos Santos, para melhor entendermos as mudanças na saúde sem politiquices nem os excessivos protagonismos mediáticos.

Augusto Küttner de Magalhães

A família humana

Quem somos? De onde viemos? Estas duas perguntas são geralmente o primeiro passo da hipocrisia comum que tem duas partes. Primeiro, a pessoa finge ter um interesse genuíno pelas perguntas, quando na verdade só lhe interessa exibir o que considera a sua superioridade cultural. Segundo, a pessoa não tem em mente uma investigação séria que vise responder às perguntas, mas antes um discurso heróico e reconfortante que nos diga que os seres humanos são superiores.

Contudo, para quem se interessa genuinamente por estas perguntas, o livro Last Ape Standing é uma excelente leitura. O autor, Chip Walter, não é cientista; mas informou-se sobre os últimos desenvolvimentos científicos quanto à nossa origem e apresenta-nos esses dados e especulações numa prosa simples e divertida. Ficamos não apenas a conhecer a diversidade de hominídeos (bastante maior do que se sabia há 15 ou 20 anos), mas procuramos também respostas a esta pergunta dolorosa: por que razão só uma espécie de hominídeos sobreviveu até hoje? Afinal, há várias espécies de símios, por exemplo, ou de canídeos. Por que razão só o Homo sapiens sobreviveu?

A BIOLOGIA, A MATEMÁTICA E O CROCHÉ

Texto recebido de Alexandra Nobre:


Uma troika de sucesso

Quando um conceito que queremos transmitir colide com a nossa capacidade de compreensão, dá jeito ter algo a que nos agarrar. Agarrar mesmo! Ver com os olhos e com as mãos. A Matemática que o diga. E foi para explicar conceitos matemáticos que o croché entrou em acção em 1997 pelas mãos de Daina Taimina, matemática nas horas certas e crocheteira nas que lhe sobram. Até hoje o croché é a única técnica que permite construir modelos tridimensionais da geometria hiperbólica.

Ora acontece que em 2011 o matemático Jorge Buescu andava às voltas com “Casamentos e outros Desencontros”, mais um dos seus livros editados pela Colecção Ciência Aberta da Gradiva. E não é que vinham mesmo a calhar umas imagens originais para o capítulo “Quando o croché ajuda a matemática”? Foi aí que esta que vos escreve entrou em cena.

Agarrou-se aos novelos, desatou a “pedalar” (fazer croché é como andar de bicicleta) e lá desenrascou o amigo. Sabiam que algumas formas hiperbólicas fazem lembrar estruturas biológicas? Corais, alfaces e certos cogumelos são só alguns exemplos. E nem precisamos de nos esforçar muito. É bem mais fácil ver um coral num plano hiperbólico duplo de croché, do que descobrir formas em nuvens que vagueiam num céu de Verão, quando as olhamos deitados numa toalha à beira-mar.

Apresentada às colegas Cristina Aguiar e Judite Almeida do projecto de divulgação de Ciência STOL – Science Through Our Lives (Dep. Biologia – Centro de Biologia Molecular e Ambiental) e Antónia Forjaz do Dep. Matemática, todas elas crocheteiras de mão cheia, a ideia foi crescendo a olhos vistos. Harmonizaram-se competências em Biologia e em Matemática, congregaram-se vontades de transmitir Ciência de modo lúdico e apelativo e, mesmo a jeito, no Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações, conseguiu-se a adesão de instituições de apoio à terceira idade. A ideia ganhou forma. E ganhou um nome também, claro! Muito a propósito “Ponto a Ponto enche a Ciência o Espaço”.

A seguir foi tempo de ganhar asas. Engalanou-se de recife de coral e foi à Festa (Festa da Ciência 2012 – ECUM). Depois embarcou de Braga a Praga para expandir horizontes (International Conference on New Horizons in Education) e registou em memórias tamanha ousadia (Procedia – Social and Behavioral Sciences, 55). No Verão foi a banhos... de livros (Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva) e na rentrée associou-se ao Projecto “A Matemática dos Nossos Avós” do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra onde está, virtualmente, à distância de uma tecla. Mas não ficou por aqui. Invencível em ousadia e após algumas intervenções de cirurgia estética, expõe-se agora vaidosa na Invicta, até ao dia 24 de Fevereiro, sob a forma de instalação de arte (Exposição Ciência e Arte – Museu Nacional Soares dos Reis).

Esta ideia é um sucesso. Tem crescido a olhos vistos à custa de muitas mãos talentosas e a agenda cresce também, sem mãos a medir. Em boa hora estamos no Ano da Matemática do Planeta Terra. Que mais se pode pedir?

Talvez mais crocheteiras habilidosas que queiram juntar-se à lista das 18 que acompanha o “Ponto a Ponto... ” no seu périplo. Bem vindas!

Alexandra Nobre
(Projecto STOL – stol@bio.uminho.pt)
(este texto não foi escrito ao abrigo  do novo Acordo Ortográfico)
Correio do Minho 21/2/2013

William James

Devemos respeitar a liberdade mental de cada um; só então iremos erigir a república intelectual; só então teremos o espírito de tolerância interna sem o qual toda a nossa tolerância externa não passa de um mito.

sábado, 9 de março de 2013

As Mais-Valias da "Peste Grisalha"

Fotografia do jovem deputado do PSD, Carlos Peixoto, que saltou para a ribalta
da opinião pública com uma simples, mas elucidativa expressão: “Peste Grisalha”

Enviada pelo autor, o ensaísta Eugénio Lisboa, com a gratidão de sempre, transcreve-se mais uma belíssima e cáustica crónica publicada no "Jornal de Letras" (06/03/2013):

“Um jovem deve ser olhado com respeito.
Como é que se vai saber se o seu futuro
não vai ser igual ao nosso presente?”

Confúcio

"Anda por aí, com ares gaiteiros e contentinhos, um discurso político de tinturas eutanásicas, que me lembra velhas fábulas com que, na minha infância, se pretendia inculcar, na escola, algum respeito pelos idosos: numa dessas fábulas, falava-se de certas tribos que achavam bem e conveniente mandar para a montanha, para ali morrerem, bem perto dos ursos e munidos de uma manta, os velhos considerados imprestáveis, como meios de “produção” (algum “economês” já estava, por então, em vigor).

Maupassant, nos seus contos magistrais e frequentemente cruéis, pinta-nos quadros inesquecíveis de brutalidade dos novos contra os velhos, até ao ponto do assassinato dos já não produtivos. Agora que o “economês” invade tudo – mesmo territórios que não sabe decifrar – parece que estamos de novo necessitados de algum bom Fedro que congemine fábulas, para uso dos economistas que mais ou menos nos desgovernam.

Lembrando-lhes coisas simples, como, por exemplo, serem os idosos pessoas e poderem até ser uma mais-valia para a sociedade em que se inserem. Há por aí menino que já se permite ousar tudo ou quase tudo: com passinhos de lã, a pouco e pouco, para não doer tudo de uma só vez, uma palavra aqui, outra acolá, vão-se estes, que nos legislam e governam, aproximando de dizer o inefável – que os idosos estão a mais, que custam demasiado, que empatam e impedem, só por existirem, a felicidade urgente dos mais novos... Primeiro, com alguma “delicadeza”, depois, com muito mais afoiteza, chega-se a isto: os idosos são afinal uma intolerável “peste grisalha”.

Já há deputados, juro, que falam esta língua, e de boa consciência.

A economia tornou-se, de repente, a ciência das ciências, como o prato do arroz doce, que, antigamente, aparecia por todo o lado. E isso, mesmo quando falha e até quando mente – e falha inúmeras vezes e mente assustadoramente. E está muito longe de poder ser uma ciência.

Estes jovens economistas ou para-economistas ou deslumbrados com a economia usam de uma arrogância sonora e contente, que me faz lembrar a frase ferina do velho filósofo americano (Emerson): “Na juventude, vestimo-nos com o arco-íris e avançamos, bravos, como o Zodíaco.”

Está-se assim preparando um indesejado vazio de diálogo entre quem necessita de experiência e quem a tem para a poder dar. O que se está afinal a preparar é algo como isto: “Os velhos repetem-se e os novos nada têm para dizer. A chatice é mútua” (Jacques Bainville).

É esta estúpida guerra de surdos que se anda por aí a fomentar. Mentindo. Falsificando. Ignorando. Destruindo. Os idosos, que as tribos africanas sabem venerar, como depositários de sabedoria, andam, nestas sociedades ditas evoluídas, a ser estigmatizados como pesos mortos, que urge arredar.

E, no entanto, trabalharam, contribuíram, enquanto novos, e descontaram para um Fundo que os protegesse, quando, pela idade, se tornassem menos produtivos. Menos produtivos? Nem sempre. Não totalmente.

A idade não trava, necessariamente, a criatividade dos homens (ou das mulheres). Com 66 anos, o arquitecto Giovanni constrói a mais bela casa de Veneza, Frank Lloyd Wright põe de pé a “Falling Water”, na Pensylvannia (uma casa sobre uma queda de água); Hermann Hesse publica a sua obra-prima Magister Ludi; o cineasta John Huston dá à luz o filme Fat City e Kenneth Clark produz a sua celebrada Civilisation. Com 67 anos, De Gaulle governa a França, no período crítico da insurreição argelina, Michael Foot é eleito chefe dos trabalhistas ingleses, Freud publica O Ego e o Id (já com o cancro a devorá-lo), Barbara Tuchman dá-nos o seu seminal A Distant Mirror: the Calamitous 14th Century e Milton Friedman, com Rose Friedman, põe cá fora Free to Choose (não sublinho a tese, louvo o esforço). Ainda com 67 anos, o já muito grisalho Michael Faraday experimenta converter directamente a energia potencial em electricidade, Tolstoi tem a sua primeira lição de bicicleta, H. G. Wells publica The Shape of Things to Come, Ésquilo doa-nos a trilogia da Oresteia, Eurípedes, a Electra e George Bernard Shaw, a Santa Joana, que alguns consideram a sua obra-prima. Ainda com 67 anos, John Ford, o grande realizador americano de origem irlandesa, dá-nos o seu belíssimo The Man Who Shot Liberty Valance e Juan Fangio, grande corredor de automóveis, fica em segundo lugar, na “Race of Champions”, para veteranos. Com 68 anos, Giordano Fracastoro publica De Contagione et Contagiosis Morbis (1546), o primeiro livro sobre a teoria das doenças por contágio, em oposição às teorias religiosas das doenças por “miasmas”. Com esta mesma vetusta idade, a Rainha Vitória começa a aprender o indostânico, devido ao seu persistente (ainda que grisalho) interesse pelas coisas da Índia. Le Corbusier faz a Maison Jaoul e, com a mesma idade, Thomas Tallis compõe um moteto, em 40 partes – Spem in Alium – para celebrar o aniversário da Rainha Isabel I. T. S. Eliot, casa-se, com 68, com a sua secretária Valerie Fletcher, depois de um pavoroso primeiro casamento. Lillian Hellman, grande dramaturga americana, publica o poderoso Pentimento (1973); Ibsen, o grande dramaturgo norueguês, produz uma peça importante: John Gabriel Borkman (1896); Cecil B. De Mille realiza Sansão e Dalila (1946). Com 69 anos, Ronald Reagan é eleito 40.º Presidente dos Estados Unidos, a poderosa antropóloga Margaret Mead publica Culture and Commitment: a Study of the Generation Gap e Nicolaus Copernicus, com os mesmos 69 anos e cabelos igualmente grisalhos ou mesmo brancos, publica De Revolutionibus orbium coelestium (1543), prelúdio à astronomia moderna. Por outro lado, Newton, quase septuagenário, hipocondríaco e assaz grisalho, força a Royal Society a arbitrar, a sua feroz querela com Leibnitz, sobre qual dos dois inventou, primeiro, o Cálculo. Turner, com a mesma idade, pinta Rain, Steam and Speed e Balthus, O Gato com o Espelho; Haydn compõe As Estações, Wagner, o Parsifal e Stravinsky, The Rake’s Progress. Sófocles, que viveria até aos noventa e tal, ainda muito jovem, com 69, mas já grisalho, dá-nos o seu supremo policial, Rei Édipo. Com 70 anos, Golda Meir é Primeira Ministra de Israel (deixará de sê-lo, já com 76). Richard Strauss lança a ópera A Mulher Silenciosa (1934) e Toscanini, muitíssimo grisalho, dirige a Orquestra Sinfónica NBC, na sua primeira exibição pública. Enyd Blyton celebra os 70, publicando, nesse ano, 11 livros e Alberto Moravia publica A Vida Interior, após sete anos de silêncio; Maurice Chevalier, extremamente grisalho, aparece no filme Gigi (1958); George Cuckor grande realizador americano, faz Justine; Fred Zinneman, também setentão, realiza o impressionante Julia (1977), com Jane Fonda e Vanessa Redgrave; Rex Harrison casa-se pela sexta vez e o grande Akira Kurosawa realiza o fabuloso Kagemusha (1980). Saltando para os setenta e cinco anos (e deixando para trás os óbvios Picasso e Niemeyer que trabalharam até à morte, um com 92, o outro com 104), e resumindo muito, temos Monteverdi que, com cabelos mais brancos do que grisalhos, compõe L’Incoronazione di Popea (1642) e Claudio Arrau, que dá, no ano em que faz 75, 110 concertos em todo o mundo (1978). Fazendo, de novo, um salto de 5 anos, aos 80, Buckminster Fuller (arquitecto) publica o seu magnum opus Synergetics: Exploration in the Geometry of Thinking (1975); Grandma Moses faz a sua primeira exposição individual, em 1940, com 80 anos (embora já pintasse aos 58, só começou, a sério, aos setenta); Pablo Casals casa-se, oitentão, com a sua discípula Maria Montanez; Alfred Tennyson, o bardo da Carga de Brigada Ligeira, publica, em 1889, com 80, Crossing the Bar e Boris Karloff, oitentão, em 1967, entra, nesse ano, no filme Targets, do delicioso Peter Bogdanovich.

Não chego aos 100 anos, porque não disponho de espaço. Mas poderia, com Manoel de Oliveira ou Niemeyer, ir para além dos 100! Dizia La Bruyère, que perscrutou, com argúcia, os escaninhos do comportamento humano, que “a maioria dos homens gasta a primeira metade da vida a tornar a segunda metade miserável.”

Eu acho que alguns governantes de hoje andam a gastar a primeira metade da vida deles a estragar a segunda metade da nossa. Fazem mal: não poucos de nós, idosos, até vamos produzindo, já grisalhos, coisas bem melhores e mais duradoiras do que as parturejadas pela mesquinhez canhestra de alguns jovens turcos.

O grisalho não é obstáculo. A estupidez e a boçalidade são. Ai são, são, como diria o inefável Ulrich!"

Eugénio Lisboa.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Conversas ao final da tarde

Informação chegada ao De Rerum Natura.


No próximo dia 12 de Março de 2013, pelas 18h00, no RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, no piso térreo do Departamento de Física da Universidade de Coimbra -, terá lugar uma “Conversa ao fim da tarde”, com José Mariano Gago, Físico de Partículas.

A sessão é aberta a quem pretender conversar com José Mariano Gago sobre Rómulo de Carvalho, os livros de divulgação científica e, em geral, sobre ciência e sociedade. O convidado será apresentado por Carlos Fiolhais, Director do Rómulo.

Sobre o convidado: Nascido em 1948, José Mariano Gago obteve em 1971 a licenciatura em engenharia electrotécnica no Instituto Superior Técnico e doutorou-se em Física em 1976 pela Universidade de Paris. Trabalhou como pós-doutorado na Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (CERN). É Professor Catedrático no Instituto Superior Técnico e presidente do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas - LIP. Foi presidente da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica entre 1986 e 1989, Ministro da Ciência e Tecnologia entre 1995 e 2002 e Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de 2005 a 2011. Recebeu várias distinções nacionais e internacionais. Deve-se-lhe em grande medida o enorme crescimento da investigação científica em Portugal nas últimas décadas assim como da cultura científica (de que é exemplo a rede de Centros Ciência Viva onde o Rómulo se integra).

quinta-feira, 7 de março de 2013

The Pseudoscience Wars

Steven Shapin reviews 'The Pseudoscience Wars' by Michael Gordin · LRB 8 November 2012
http://www.lrb.co.uk/v34/n21/steven-shapin/catastrophism

Einstein spoke with his usual wisdom when asked how scientists might tell by inspection whether unorthodox ideas were brilliant or barmy. He replied, with Velikovsky clearly in mind: 'There is no objective test.' The term 'pseudoscientist' is a bit like 'heretic'. To be a pseudoscientist is to be accused; you don't describe yourself as a pseudoscientist.

If pseudosciences are not scientific, neither are they anti-scientific. They flatter science by elaborate rituals of imitation, rejecting many of the facts, theories and presumptions of orthodoxy while embracing what are celebrated as the essential characteristics of science. That is at once a basis for the wide cultural appeal of pseudoscience and an extreme difficulty for those wanting to show what's wrong with it.


(via Instapaper)

Verdade

De Luís Fernando de Freitas Júnior, estudante da Universidade Federal de Minas Gerais, agora na Universidade de Coimbra, recebemos um poema e um filme a apontarem para uma questão que une a literatura, a ciência e a filosofia: as potencialidade e os limites da razão para alcançar a verdade. 


Verdade
Carlos Drummond de Andrade

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Homunculism

Homunculism
http://www.nybooks.com/articles/archives/2013/mar/21/homunculism/

Contemporary brain science is thus rife with unwarranted homunculus talk, presented as if it were sober established science. We have discovered that nerve fibers transmit electricity. We have not, in the same way, discovered that they transmit information. We have simply postulated this conclusion by falsely modeling neurons on persons.

(via Instapaper)

segunda-feira, 4 de março de 2013

The God Argument by A C Grayling

Reviewed: The God Argument by A C Grayling
http://www.newstatesman.com/2013/02/apocalypse-now

to dismiss all religious discourse as immature or meaningless is to embrace ignorance or, more alarmingly, to advocate suppression.

(via Instapaper)

Os problemas têm solução

"… estou convencido que é preciso acreditar para não nos deixarmos desencorajar. 
Com a idade avançada que já tenho, estou a enviar uma mensagem de confiança, 
dizendo que os problemas têm solução. Eu conheci muitos problemas 
que pareciam insolúveis, e que foram resolvidos: o nacional-socialismo, 
o fascismo, o estalinismo, o colonialismo, o apartheid, a construção da Europa...
Tudo coisas que se dizia que eram muito difíceis de resolver. 
Mas chegaremos lá."


As palavras acima são de Stéphane Hessel, judeu de Berlim naturalizado tardiamente francês, um dos autores da Declaração Universal dos Direitos Humanos, publicada em 1948. Foi o último dessa equipa extraordinária a deixar este mundo, na passada semana, aos noventa e cinco anos.

Como se poderá imaginar, conheceu na Resistência Francesa, nos campos de concentração nazis, nos organismos internacionais onde colaborou depois da Segunda Grande Guerra, a pior e a melhor face da Humanidade. Talvez por isso mesmo, afirmava constantemente a sua profunda crença nas pessoas, no que têm elas têm mais nobre e na sua capacidade de melhorar o mundo.

Relativizados e subjectivados os valores universais, postos ao mesmo nível de opções individuais e grupais, foi considerado por muitos fora do tempo, deste tempo pós-moderno, onde a verdade se dispensa em favor de verdades leves, pulverizadas e todas toleráveis.

Um juízo desse tipo não tem, como se percebe, contra-argumentação racional e, nessa medida, muitos desistem de o enfrentar. Não foi o caso de Hessel, que até ao dia da sua morte insistiu no dever que a todos assiste de defender o legado humanista que recebemos e de o passar às gerações que se seguem. 

Esta é, no meu entender, uma ideia pedagógica profunda, que é urgente retomar.

Nota: Citação e imagens extraídas de entrevista dada por Stéphane Hessel ao jornal Público da última vez que esteve em Lisboa, há dois anos.

A resposta de Tooley

O filósofo norte-americano Alvin Plantinga defende que a crença na existência de Deus não carece de provas: os seres humanos que não tenham sido corrompidos pelo pecado têm uma consciência direta da existência de Deus, do mesmo modo que temos consciência do que fizemos ontem ou que existimos, sem que precisemos de provas (e em muitos casos sem que sejamos capazes de apresentar provas). À faculdade que nos dá essa consciência direta da existência de Deus dá Plantinga o nome de sensus divinitatis. Trata-se, assim, de uma forma sofisticada de fideísmo, e tem alimentado muitas discussões recentes em filosofia da religião.

Uma das respostas mais simples e interessantes a esta hipótese foi formulada por Michael Tooley, filósofo também norte-americano conhecido sobretudo pelo seu trabalho sobre o aborto e sobre a metafísica do tempo e da causalidade. É essa resposta que apresentamos aqui, retirada do livro Conhecimento de Deus, que escreveu com Alvin Plantinga e que será em breve publicado no Brasil, traduzido por mim.
É razoável acreditar que há de fato um mecanismo confiável de formação de crenças especialmente direcionado para as crenças religiosas?

Há excelentes razões, penso, para sustentar que não. Primeiro, considere-se a ideia de que há um mecanismo geral confiável de formação de crenças religiosas. O que seria de esperar se isso fosse verdadeiro? Para responder a esta pergunta, considere-se casos em que há mecanismos confiáveis de formação de crenças — como é o caso da percepção, memória e raciocínio dedutivo. O que encontramos nesses casos é uma imensa concordância intersubjetiva. Dois observadores perto um do outro e olhando aproximadamente na mesma direção irão oferecer descrições do que veem espantosamente concordantes, e incluindo muitos detalhes. Similarmente, se duas pessoas estiveram na mesma situação perceptiva, e lhes perguntarem o que viram ou ouviram nos últimos segundos, haverá uma vez mais uma correlação muitíssimo forte. Em terceiro lugar, as pessoas a quem são apresentadas as ideias básicas sobre a dedução concordarão tipicamente no que respeita à validade de inferências indutivas simples, e nos casos em que não concordam, a discordância pode quase sempre ser resolvida. Por fim, o nível de concordância no caso das crenças formadas por tais mecanismos não depende de os indivíduos terem sido criados no mesmo gênero de sociedade: desde que estejamos lidando com crenças que não estejam excessivamente impregnadas de teoria, temos um nível de concordância que é mais ou menos completamente independente da cultura em que fomos educados. Além disso, nenhum gênero de doutrinação tem qualquer efeito significativo no que respeita ao grau de concordância relativo a crenças formadas por tais mecanismos.

No caso da crença religiosa, em contraste, as coisas não são de modo algum iguais. Primeiro, há hoje inúmeros sistemas incompatíveis de crenças religiosas que diferentes pessoas aceitam: budismo, hinduísmo, confucionismo, taoísmo, xintoísmo, judaísmo, cristianismo, islamismo e muitas outras. Em segundo lugar, mesmo no seio de religiões específicas, como o cristianismo ou o islamismo, os seus aderentes discordam muitas vezes — por vezes sobre questões que são consideradas essenciais para a salvação. Terceiro, no passado houve muitas religiões, associadas com sociedades primitivas e com outras mais avançadas, como a Grécia e Roma. Quarto, nenhuma das principais religiões hoje existentes remonta ao começo da história humana. Quinto, há uma correlação positiva muito forte entre as crenças religiosas que uma pessoa aceita e as do ambiente familiar em que ela foi criada. Sexto, as discussões entre pessoas com crenças religiosas diferentes só muito raramente resultaram numa conclusão partilhada sobre qual das partes estava a ver mal como as coisas realmente são.

Em todos estes aspectos, as crenças religiosas contrastam fortemente com o que acontece no caso das crenças perceptivas, crenças de memória e crenças sobre relações dedutivas, não sendo de modo algum o que seria de esperar se houvesse uma faculdade interna para chegar a crenças religiosas confiáveis. Estes fatos fornecem, sugiro, excelentes razões para concluir que é muito improvável que os seres humanos tenham uma faculdade que seja especificamente direcionada para a formação de crenças religiosas que sejam provavelmente verdadeiras.

domingo, 3 de março de 2013

Oito mil textos

O De Rerum Natura acaba de atingir os 8.000 posts. Um número redondo, só conseguido com o acolhimento que sabemos que o nosso blogue tem tido nos leitores. Agradecemos, pois, a todos os que nos têm seguido, comentado e enviado textos. Contamos continuar convosco.

A equipa do De Rerum Natura

OBVIAMENTE, DEMITO-O!

Novo texto da leitora Antónia Vasconcelos.
Para quem se não lembre, ou não saiba, a expressão que dá título a este post ficou célebre na nossa História há uns cinquenta, cinquenta e poucos anos. Foi uma expressão corajosa e o jornalista que fez a pergunta e recebeu esta resposta sabia a bomba relógio que estava a colocar nas mãos do entrevistado. Este era nem mais nem menos que o General Humberto Delgado.
Durante a campanha para a Presidência da República, concorrendo junto com Américo Tomás e Arlindo Vicente, um jornalista perguntou ao General, no caso de ser eleito, o que faria ao então primeiro-ministro, Oliveira Salazar. “Obviamente demito-o”, respondeu ele sem hesitar.

Esta postura e certamente outras que então teve valeram-lhe passar a ser conhecido como “O General Sem Medo”. Foi cobardemente assassinado algum tempo depois. Salazar não perdoava a quem se lhe opunha. Vivíamos uma Ditadura. E em Ditadura, só há uma voz, não se admitem discordâncias nem oposições. Era claustrofóbico, no mínimo.

“O desemprego jovem tira-me o sono.”
“No dia em que tivermos medo estamos arrumados.”
Miguel Relvas, ministro.

Isto quer dizer que o ministro Relvas tem medo.
Medo de quê?
De ouvir cantar “Grândola”, que nem sequer conhece bem?
De perguntas incómodas sobre a licenciatura obtida numa espécie de jogo aos dados?
De não dormir por causa do desemprego jovem?

É curioso que refira o desemprego jovem e não os jovens desempregados.
Pode parecer a mesma coisa, mas não é.
O desemprego é uma entidade abstracta, mede-se em números.
Os jovens desempregados são pessoas, têm identidade, não são números.
São pessoas que sentem, que aprendem a viver, que têm competências e talentos para fazerem parte do futuro do país e intervirem no seu futuro.
E o governo do país, do país que tanto necessita de pessoas competentes, diz-lhes que não precisa deles, que emigrem...
Em vez de estudarem para se licenciarem por que não se meteram num partido para terem hipóteses de chegar ao poder?
Deviam ter andado a colar cartazes e a fazer uns favores a este e àquele dos grandes.
E depois faziam o que fez o Relvas!
Canudo garantido, influências, conhecimento dos pontos fracos de quem convém para na devida altura cobrar, estão a ver?
Muito mais eficaz!
Mas é preciso ter estômago.
E o Relvas vê-se que come de tudo sem problemas.
Parece que tem problemas com o sono, mas não parece andar mal dormido.
Ou então já anda a tomar uns lexotans.

Voltando aos medos do ministro Relvas:
Falta-lhe a experiência de situações críticas,
de quem teve de lutar por um lugar ao sol sem a sombra do partido ou outra qualquer a protegê-lo.
Falta-lhe a coragem de se submeter a exames depois de horas e horas de estudo e directas para mais umas voltas nas matérias.
Falta-lhe não ter passado pela tropa nem por uma guerra.
Sair à rua, devia ser de casa para o partido e do partido para casa.
Soube-se encostar para depois receber o pago.
Só assim se compreende que ainda não tenha sido demitido, já que não tem iniciativa nem inteligência para o fazer.
Mas há algo de que se pode orgulhar: de não ter medo do ridículo.
Será que sabe o que isso é?
E também não sabe ou não percebe que já perdeu tudo o que tinha a perder.
Só sabe que, se cair, não cai sozinho.

Mas ter medo de mostrar medo de uma “Grândola”, não é próprio de gente crescida,
quanto mais de um governante que ainda por cima é ministro!
Ministro de um governo que não quer manifestações de oposição nas ruas…
Ministro de um governo que quer governar num país claustrofóbico…
Ministro de um governo que ficaria bem no retrato duma Ditadura…

Coimbra, 1 de Março de 2013
Antónia Vasconcelos 

sábado, 2 de março de 2013

As escolas de que realmente precisamos

Castro contra o (des)Acordo Ortográfico

1. Enquadramento da matéria

Discute-se a aplicação do acordo ortográfico de 1990 (AO90). Este surgiu após várias tentativas goradas de unificação da ortografia de Portugal e do Brasil, desde o início do século passado. Uma dessas tentativas conseguia uma unificação de praticamente 100% e mesmo assim não foi seguida por ambas as partes.

Ao fim de quase um século de deriva gradual, tentou-se então uma vez mais regressar à quimérica “unificação” com o AO90. Esta não só não é conseguida com o presente “acordo” como as alterações propostas não colhem a aceitação dos especialistas. Nem do lado de cá nem do lado de lá do Atlântico. Daí que chamar-lhe “acordo” seja um abuso. Este facto foi olimpicamente ignorado e prosseguiu-se na aplicação cega de uma completa inutilidade, recorrendo-se por diversas vezes nesta história a expedientes, no mínimo, duvidosos (para não lhes chamar uma verdadeira batota, de que é exemplo icónico o II Protocolo Modificativo) para levar esta empreitada em frente, sem que daí advenha qualquer vantagem para os utilizadores da língua.

Bastariam algumas questões elementares: 
– Vem resolver alguma coisa? (Não)
– Serve para alguma coisa? (Não)
– Melhora a situação anterior? (Não)


Não deveria ser preciso mais do que isto para ser evidente que o AO90 é um absurdo inútil, mas continuemos para os pontos seguintes.

2. Objectivos do Acordo Ortográfico

Unificação da língua: não acontece 
Simplificação da língua: não acontece 
Evolução da língua: não acontece

3. Vantagens decorrentes da aplicação do Acordo Ortográfico

Não há.

4. Inconvenientes e problemas resultantes da aplicação do Acordo Ortográfico

a) As “soluções” encontradas pelo AO90 para “resolver” as diferenças ortográficas podem sintetizar-se em:- admissão de facultatividades naquilo que é irresolúvel (na prática, não só não resolve nada como aumenta a confusão)
- referência à “forma consagrada pelo uso” sem que esteja definido em lado nenhum o que está consagrado pelo uso e o que não está; além de que quem está a aprender a língua não tem forma de adivinhar isso

- referência à “norma culta” (conceito já completamente ultrapassado) sem que esteja registada foneticamente em lado nenhum essa dita norma culta
- convergência do Pt-Br para o Pt-Pt: alteração de acentos/trema e hífenes

- convergência do Pt-Pt para o Pt-Br: alteração de acentos e hífenes, amputação de letras

- para obedecer ao critério da fonética, inventam-se formas novas para o Pt-Pt que, pasme-se, desunificam ao invés de unificar

- afirma-se reiteradamente a máxima de que “o que não se pronuncia não se escreve”, mas depois não se aplica: basta pensar em todas as palavras começadas por “h”, ou em todos os casos de “u” mudo a seguir ao “q”; afinal é para seguir a fonética ou não?

b) Com o AO90, há uma perda de informação irrecuperável. Isto é comprovado pelo facto de não existir um “anti-Lince” que reponha o português na forma correcta (sem AO90). Tal não é possível porque se perde, por exemplo, a distinção entre formas verbais de tempos diferentes (compramos/comprámos, chegamos/chegámos), a distinção entre “pára” e “para” e tantos outros exemplos. É sempre possível passar automaticamente de um texto sem o AO90 para um texto com o AO90, mas o inverso não é verdadeiro.

Desta perda de informação decorre uma menor clareza na leitura, ou seja, na transmissão da mensagem para o receptor. Isto não é bom, útil ou minimamente desejável. Os defensores do AO90 parecem centrar-se nas (alegadas) vantagens da escrita, esquecendo-se daquilo que é mais importante num texto escrito: a sua leitura.

c) Afirma-se que o AO90 “simplifica” a língua e ao mesmo tempo permitem-se duplas (ou quádruplas ou múltiplas) grafias, o que é uma contradição à própria noção de ortografia. Ou seja, se, em vez de saber sem qualquer dúvida como se escreve “caracterizámos”, temos, em vez disso “caracterizámos/caraterizámos/caracterizamos/caraterizamos”, em que medida é que isto constitui uma simplificação? Dir-se-ia antes que ficou quatro vezes mais complicado. Chamar a isto “ortografia” é um abuso.

d) Com o AO90, em vez de assegurar a sobrevivência da língua, o que se está a verificar na prática é a contribuição para a extinção a passos largos do português de Portugal. Com o AO90, este já está a ser completamente eclipsado, por exemplo, em qualquer pesquisa na Internet e desde logo em inúmeros “sites” de acervo e/ou repositório (a Wikipedia, por exemplo). Experimente-se pesquisar “material elétrico” sem especificar que queremos páginas de Portugal e veja-se o que acontece. Repita- se a experiência com “material eléctrico”. Em que é que isto pode ser bom para as empresas portuguesas?

e) Com o AO90, para “aproximarmos” o português de Portugal (Pt-Pt) do português do Brasil (Pt-Br), afastamo-lo das restantes línguas europeias; não se vê qualquer vantagem daí decorrente, nem para os portugueses que queiram aprender outras línguas nem para os estrangeiros que queiram aprender português. Qualquer professor competente consegue explicar as diferenças entre o Pt-Pt e o Pt-Br sem que isso constitua um obstáculo intransponível para quem aprende. (Continua a ter de explicá-las, em qualquer dos casos, porque, mesmo que a ortografia ficasse igual – que não fica –, a sintaxe e a semântica continuam a ser diferentes.)

O AO90 altera, sim, a forma como as palavras se pronunciam. Ouve-se até à exaustão o argumento da pharmácia/farmácia para justificar a “evolução” da língua, mas esses defensores do AO90 esquecem-se de que ao passar de “pharmácia” para “farmácia” não se alterou absolutamente em nada a forma como a palavra era lida. Ao passar de “fraccionar” para “fracionar” altera-se, sim, inegavelmente, a leitura da palavra. Ou de “espectador” para “espetador”, para dar um exemplo mais conhecido...

f) Com o AO90, continua a ser necessário haver duas traduções, uma para o Brasil e outra para os restantes países de língua oficial portuguesa. A necessidade de duas versões diferentes era apresentada como um dos principais motivos para a indispensável e propalada “unificação”. Continua... exactamente na mesma.

g) Por causa do AO90, já houve gastos inúteis e incompreensíveis, nomeadamente no ensino e na administração pública, com a “nova” “ortografia”. Mais grave ainda porque foram feitos sem que esta tivesse sido sequer definida com rigor (provavelmente porque é impossível definir-se com rigor aquilo que assenta em "regras" que o negam à partida).

h) O documento de base do AO90 contém erros, ambiguidades, incongruências e parte de premissas falsas. Contém opiniões (tão válidas como quaisquer outras...) e nem um único estudo científico que sustente o que é afirmado. Há, pelo contrário, e como se sabe, muito mais pareceres negativos do que positivos (estes, aliás, no singular... porque só há um). Além de isto ser academicamente inacreditável, um documento assim não tem qualquer credibilidade. Não pode servir de base a coisa alguma e muito menos à ortografia de mais de duzentos milhões de pessoas.

Uma vez que as “regras” do AO90 são sobretudo a consagração das excepções, há um fenómeno evidente de sobrecorrecção e de total confusão por parte de quem escreve. Se muitas pessoas escrevem com o AO90 (em muitos casos, unicamente porque a isso são obrigadas), isso deve-se sobretudo ao facto de ser possível carregar num botão para transformar a ortografia automaticamente e não tanto porque saibam efectivamente aplicar a “nova” “ortografia” (uma vez mais, como saber aplicar aquilo que não tem regras claras?). Isto, na prática, corresponde a um inegável analfabetismo funcional.

i) Com o AO90, em vez de uma unificação, temos uma multiplicação de ortografias. Em vez de Pt-Pt e Pt-Br, temos: Pt-Pt, Pt-Br, AO90-Pt, AO90-Br e ainda o uso de critérios diferentes para o estabelecimento daquilo que se considera ser o AO90 em Portugal e no Brasil... variações deixadas ao critério de cada um, porque o documento de base não é claro ou é omisso nas diversas possibilidades. Porquê esta falta de clareza e esta omissão? Porque as “soluções” apresentadas são uma farsa que na prática não resolve nada.

5. Proposta que apresenta

Suspensão imediata da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990. Obrigar milhões de pessoas a alterar a sua ortografia sem que isso sirva para alguma coisa de válido é de uma falta de senso indescritível.
Em vez de uma “unificação” ortográfica reconhecidamente impossível a esta altura, promovamos o intercâmbio cultural, científico e de oportunidades de trabalho entre todos os países de língua oficial portuguesa. Reforcemos o ensino de Português no estrangeiro em vez de fecharmos leitorados. Não é preciso unificar a ortografia para fazer nada disto e seria muito mais eficaz para a promoção da língua no mundo.

Existem mecanismos democráticos mais do suficientes para anular este erro colossal: uma iniciativa legislativa de cidadãos pela revoção da RAR 35/2008 (o instrumento que forçou a entrada em vigor do AO90) ou uma iniciativa legislativa dos próprios deputados para o mesmo efeito.

6. Outras questões

Este acordo ortográfico não resolve nenhum dos alegados “problemas” que pretendia “solucionar”. Baseia-se, além disso, num paradoxo fundamental: procura unificar a língua utilizando ao mesmo tempo um critério, o da fonética, que torna automaticamente impossível a referida unificação, dadas as variadíssimas cambiantes de pronúncia entre os milhões de falantes da língua. Partindo de premissas erradas é impossível chegar-se a conclusões correctas. Ou válidas.

O AO90 nega a real evolução da língua portuguesa, fazendo de conta que esta não existiu. A verdade é que o português de Portugal e o português do Brasil já se afastaram (sim, irremediavelmente – admitamo-lo de uma vez por todas) e estas duas variantes já não voltam a ficar iguais, nem que por acaso o AO90 conseguisse unificar a ortografia (que não consegue). Não pode designar-se como “evolução”esta proposta lamentável e inútil de ortografia “unificada”.

Em conclusão, o “acordo” “ortográfico” de 1990 não é sério e não pode ser levado a sério. Suspenda-se de imediato a sua aplicação. 

Retirado daqui:
http://app.parlamento.pt/forum/pub/VisualizacaoIntervencao.aspx?ID=69&ID_Intervencao=1272

sexta-feira, 1 de março de 2013

A ESPIRAL DA VIDA

Minha apresentação em vídeo do livro A Espiral da Vida (Gradiva): http://nautilus.fis.uc.pt/rc/?cat=35

Dependents of the State

Dependents of the State
http://opinionator.blogs.nytimes.com/2013/02/26/dependents-of-the-state/

welfare payments to the poor effectively operate as yet another kind of corporate subsidy, making up for the difference between the increasing cost of living and declining real wages. California taxpayers alone pay $86 million dollars annually to subsidize Walmart via state assistance to its employees and their children.

(via Instapaper)

A EDUCAÇÃO DURANTE O ESTADO NOVO (2)

Segundo texto de uma série de doze, retirados do livro Antes dos Cravos  doo Professor António Galopim de Carvalho (em continuação do anter...