Com a devida vénia, transcrevo do “Jornal
I” (22/11/2016), a notícia intitulada
“Superior. Marcelo sai em defesa dos politécnicos”, da autoria de Ana
Patronilho:
“Numa altura em que se debate a
transformação e o futuro dos politécnicos no ensino superior, o Presidente da
República teceu esta terça-feira vários elogios a estas instituições.
Para Marcelo Rebelo de Sousa, “o país
seria diferente” e “não se consegue sequer imaginar” como seria Portugal sem os
politécnicos. O Chefe de Estado frisou ainda que os politécnicos têm um “papel
único” no combate ao desemprego e à desertificação do interior país.
Marcelo Rebelo de Sousa - que confessa
ter um sonho de dar aulas num politécnico - lembra ainda que estas instituições
contribuíram para a democratização do ensino superior. “Não há coesão
territorial sem coesão social e foram os politécnicos que favoreceram a
circulação social, possibilitando o acesso ao ensino superior de um maior número
de pessoas, ajudando na sua progressão social, comunitária e pessoal”.
As declarações do Chefe de Estado foram
feitas para uma plateia de professores e alunos do superior durante um
seminário sobre “o contributo dos politécnicos para o desenvolvimento do país”,
que decorreu na Escola Superior de Tecnologia da Saúde, em Lisboa, e que contou
com a presença de vários ex-ministros da Educação, como Eduardo Marçal Grilo.
O encontro e o debate tiveram como pano
de fundo as reivindicações dos politécnicos para oferecerem cursos de
doutoramentos e para alterarem o seu estatuto para Universidades de Ciências
Aplicadas (University of Applied Science), acompanhando uma tendência que dizem
ser europeia.
Em carta enviada à tutela, em outubro,
os presidentes dos conselhos gerais dos politécnicos defendiam que a
impossibilidade terem doutoramentos “é uma penalização” e constitui “uma
limitação ao serviço que têm capacidade de prestar ao país e às regiões em que
se inserem, bem como para o seu próprio desenvolvimento institucional”.
Estas reclamações já antigas vieram unir
novamente os politécnicos, depois de Lisboa, Porto e Coimbra terem entrado em
rutura com as restantes 12 instituições, abandonando o órgão máximo de
representação o Conselho Coordenador dos Politécnicos (CCISP).
O seminário procurou ainda analisar a duplicação dos cursos em funcionamento nas universidades e nos
politécnicos e a qualificação do corpo docente”.
Por
desconhecimento presencial da reunião noticiada, começo por fazer referência à transcrição
feita pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas” (18/07/2016) do meu artigo saído no “Público”
(11/07/2016), intitulado “Ensino Superior e Doutoramentos”; e, depois, tecer breves considerações motivadas pelas
minhas muitas tomadas de posição contra
esta pretensa igualdade de direitos sem contrapartida de deveres (por exemplo,
o curso de formação de professores do 2.º ciclo do ensino básico habilita os
seus diplomados a ministrarem as disciplinas de Matemática e Ciências da natureza
enquanto que os respectivos cursos universitários apenas habilitam a dar aulas
de Matemática ou de Ciências da Natureza). Aliás, os latinos utilizaram uma
máxima que disso mesmo dá conta: Suum
cuique tribuere!
Não
enjeitando os versos de António Gedeão: “Onde Sancho vê moinhos / D. Quixote vê
gigantes. / Vê moinhos? São moinhos. / Vê gigantes ? São gigantes”, pela
análise do texto supracitado ficou-me o elogio merecido do papel desempenhado
actualmente pelos institutos politécnicos não me parecendo que ficasse escrito
branco no preto a anuência do Chefe de Estado, Professor Marcelo Rebelo de Sousa, às pretensões dos institutos politécnicos em
atribuírem doutoramentos ou à mudança do seu
estatuto de institutos politécnicos para
“Universidades de Ciências Aplicadas”, para acompanhar uma tendência que os
politécnicos dizem ser europeia. E aqui,
sinto-me tentado a evocar dois ditados portugueses:. “Em Roma sê romano” e “Cada terra como seu uso, cada roca com o seu fuso”.
Aliás, este
assunto encontra-se encerrado pela tomada de posição pública ministerial em
manter a desaprovação da atribuição de doutoramentos por parte do ensino
politécnico. Continuar a insistir em tese diferente por parte dos politécnicos parece-me comparável, como costumo dizer, a
continuar a serrar serradura!
5 comentários:
Uma atrevida gralha pousou na última linha do meu texto: "cerrar serradura", não; serrar serradura, sim!
Para evitar intoxicar o leitor com o meu "lapsus calami", acabo de corrigir, no próprio texto, a palavra cerrar por serrar.
Por ora... por ora..., Professor Rui Baptista;
Nada de bom se pode esperar numa sociedade edificada pela estupidez, inveja e cupidez,... a razão e a justiça não tem ai lugar, falar em generosidade, nestas circunstancias de vida, subvertida de valores, é um erro que deturpa o significado da palavra.
Os perguicosos, os ineptos já se aperceberam que o melhor é nivelar pela mediocridade; Assim vão continuar.
Engenheiro Ildefonso Dias: Num deserto de indiferença de licenciados por Universidades Públicas (escuso-me, por desnecessário, justificar a exclusão das privadas!), deparo-me com o oásis dos seus comentários. Toda esta situação existe, no caso dos licenciados universitários via Ensino, com o apoio sindical, nomeadamente da Fenprof, para benefício dos seus associados e de uns tantos dos seus dirigente que se profissionalizam e eternizam nas respectivas direcções.
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Há um ditado anglo-saxónico que nos diz que quando se dá um copo de leite a um rato logo ele exige um biscoito. Copos de leite têm sido dados aos politécnicos quando os seus diplomados de 2 anos de formação "exigiram" um bacharelato para daí partiram para uma licenciatura e mestrado. E, agora, aspiram três politécnicos (Lisboa, Porto e Coimbra) à outorga de doutoramentos e a sua transmutação do nome de politécnicos em universidades de ciências aplicadas. Que mais virá a seguir”!
Brevemente, penso tornar a este tema com a insistência declarada no título deste meu post por acreditar em Freud: “Um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste”!
Permita-me aqui um desabafo Professor Rui Baptista, até porque o assunto parece que é actual, pelo menos para a SPM e para o seu presidente, o professor Jorge Buescu;
Estava eu à volta do prisma 5 (Matemática do 5. ano) que é mau demais, já aqui o escrevi. Num dos exercícios, n.5 b) da pág. 75, pede-se para medir a amplitude de um ângulo com auxilio do transferidor. Ora a medida do ângulo está a 3 graus da marca de 70 graus. Mas a medida, para quem saber usar o transferidor é de 67 graus (que é o objectivo do exercício, ensinar as crianças a usar o transferidor). Pasme-se senhor professor Rui Baptista que a solução do exercício no livro apresenta o valor de 73 graus, portanto leitura errada (má utilização do transferidor) por um dos senhores autores, a ESE de Viseu, que certifica o manual, também não sabe usar um transferidor? mas o que foi que certificaram?
Que vergonha!
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