quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

AS ELEIÇÕES PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA: PAULO DE MORAIS E A CORRUPÇÃO

“O tempo passado e o tempo presente fazem parte do tempo futuro”.
T.S. Elliot.

Segundo notícia do  “Correio da Manhã”, de hoje, foram apenas 564 mil pessoas que assistiram ao debate de ontem, sobre as eleições para a Presidência da República, com a presença de 9 candidatos, dada a ausência de Maria de Belém. Esta situação evidencia  o desinteresse dos telespectadores pela actual eleição presidencial.

Não sendo eu um politólogo retenho, tão-só,  o facto da  louvável persistência de Paulo de Morais em chamar a atenção para o verdadeiro cancro social representado pela corrupção que, com a sua excepção, pouco tem sido motivo de campanha por partes dos outros candidatos, embora tendo  merecido, ontem, atenção desusada por parte deles.    

Será indício que, num país em que impera a corrupção,   é um tema que não dá votos por haver grande número de eleitores  que,  com grandes ou  pequenas  culpas no cartório, a desejam no repouso do esquecimento?

Escreveu Alexandre Herculano: “Há épocas de tal corrupção, que, durante elas, talvez só o excesso do fanatismo possa, no meio da imoralidade triunfante, servir de escudo à nobreza e à dignidade das almas rijamente temperadas”. Devemos aplaudir, portanto, o “fanatismo” de Paulo de Morais em combate estrénuo contra a corrupção dos políticos, por mim denunciada neste blogue, em 7 de Janeiro de 2011, através do post, intitulado: “A Corrupção e a Campanha  para a Presidência da República”.

Para que o leitor possa retirar as  ilações pertinentes, em contradita com aqueles que acreditam que a história  se não repete, transcrevo-o  integralmente:

“Em plena e azeda campanha eleitoral, em que o “soberaníssimo bom senso”, evocado por Antero, anda tão arredado, há acusações de corrupção que podem vir a afectar a dignidade dos políticos e da própria nação, fazendo perder a fé na Democracia porque, para Aldous Huxley, “nos estados autocraticamente organizados, o espólio do governo é compartilhado entre poucos. Nos estados democráticos há muito mais pretendentes, que só podem ser satisfeitos com uma quantidade muito maior de espólio que seria necessário para satisfazer os poucos aristocratas; a experiência demonstrou que o governo democrático é geralmente muito mais dispendioso do que o governo por poucos". Por outro lado, dá que pensar aos amantes da liberdade que, segundo Edmund Burke, “no meio de um povo geralmente corrupto a liberdade não pode durar muito”.

“Et pour cause”, pela sua actualidade, sem querer, de forma alguma, generalizar o que deve ser particularizado para não ferir, com infundadas suspeitas, a honra de simples cidadãos, transcrevo um meu  outro artigo de opinião, publicado no Público (26/09/2005), intitulado “Portugal e a corrupção”, em que escrevi:

“Era um vez um pequeno país, na feliz imagem de Afonso Lopes Vieira, “onde a terra acaba e o mar começa”, obrigado, pelo interesse e cobiça da União Soviética, da China Popular e do próprio Estados Unidos, então sob a presidência de J. F. Kennedy, para que Angola e Moçambique deixassem de ser territórios sob administração portuguesa, passando Portugal a “viver orgulhosamente só”. Como se viu posteriormente, os verdadeiros motivos dessas grandes potências mundiais tinha por finalidade uma nova e mais impiedosa forma de colonialismo – o neocolonialismo económico. Tudo isto obedeceu a fortes pressões que se faziam impor nos areópagos internacionais, sob o manto hipócrita de nobres intenções humanitárias, que confinariam Portugal a meras fronteiras europeias, assistindo-se, hoje, apesar da torrente caudalosa dos fundos comunitários (até quando?), a este triste panorama: o salário mínimo nacional é inferior ao da Grécia; os ordenados em Espanha são maiores e o custo de vida menor; os automóveis são 15% mais caros do que a média europeia; a bolsa dos portugueses é onerada com impostos mais elevados que os da grande maioria dos paises europeus; e, “last but not least”, alguns países do Leste Europeu começam a aproximar-se – ou mesmo a superiorizarem-se – ao seu desenvolvimento cada vez menor.

Não fossem os relatórios, nada abonatórios para o nosso país, que nos chegam em catadupa do estrangeiro, e são publicados nos media (bendita liberdade de imprensa!), quase poderíamos ser levados a pensar que o bem-estar da Pátria e a felicidade dos portugueses residem, tão-só, em encontrar respostas para perguntas que lhe angustiam a alma, como estas: Será que a condição de octogenário de Mário Soares deve ser ou não impeditiva da sua corrida ao Palácio da Ajuda? Ou, mais prosaicamente, qual o clube da Superliga de Futebol se sagrará campeão nacional da época 2005/2006?

Numa nada “ditosa Pátria”, com uma tantas personagens com responsabilidade políticas que, em momentos de grave crise nacional, se preocupam com questões de “lana caprina” ocupando os tempos de ócio, sob o derradeiro sol de Agosto, com intrigas de soalheiro e desavenças de comadres, a opinião pública foi, de supetão, sacudida pelo artigo de Daniel Kaufmann que relata, na edição de Setembro deste ano da revista “Finance & Development”, editada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que “Portugal podia estar ao nível da Finlândia se melhorasse a sua posição no “ranking “ de controlo da corrupção”.

Em fim de férias, que normalmente provocam um certo estado depressivo nas pessoas, grande “maldade” a deste articulista na escolha da altura para a denúncia de um
statu quo em que Portugal deixou de estar “orgulhosamente só” para passar a estar vergonhosamente acompanhado pela corrupção, como que a modos, como diria Pessoa, de um 'cadáver adiado que procria'” .

Numa altura em que a salvação da nossa economia, mercê das asneiras que têm sido feitas e se continuam a fazer com sucessivos Programas de Estabilidade e Crescimento, em que as tentativas de cura se prenunciam como simples e cada vez mais dolorosas panaceias, é encarada, como salvação, in extremis, a possível vinda do FMI que poderá fazer recair, como até aqui, sobre os justos as asneiras dos pecadores de um (des)governo que conduziu Portugal à triste e penosa situação actual em que se não divisa a luz ao fundo do túnel. Por mais bruxuleante que seja!

E aqui não se pode deixar de pôr a questão. Será que Jorge de Sena, em sua vida de crítico impiedoso dos (maus) costumes nacionais, mudaria uma vírgula que fosse ao que então escreveu? Escreveu ele: ‘Cada vez mais penso que Portugal não precisa de ser salvo, porque estará sempre perdido como merece. Nós é que precisamos que nos salvem dele’”.

Chegado ao fim desta longa, mas, quanto a mim,  elucidativa transcrição,  e dando um certo desconto ao pessimismo de Jorge de Sena, sem dúvida que a acção de uma determinada e determinante classe política, em que o escândalo da corrupção se sucede em catadupa, sob o “manto diáfano” de uma certa e resignada complacência pública, obrigo-me, desta vez, em estar de acordo pleno com Karl Marx: “A história repete-se, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa!”  Já agora, e numa terceira vez?


22 comentários:

  1. A Marisa Matias é que o calou bem! Ah e tal, são todos corruptos... Mas quem? E porque é que ele não disse nada durante anos e anos?!

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    1. "Se bem me lembro" (Vitorino Nemésio), Paulo de Morais (mesmo antes da sua candidatura à Presidência da República) teve várias intervenções televisivas em denúncia de actos de corrupção. E "se bem me lembro", ainda, instado a apresentar casos de corrupção mencionou situações em que teve que encostar o peito à barra do tribunal que o ilibou de possíveis crimes de abuso de liberdade de expressão. Estes são os factos e, como soe dizer-se, "contra factos não há argumentos"!

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    2. É só procurar pela internet fora, nomeadamente youtube.
      Lembro, também, que a maior prova de que Paulo de Morais realmente actua contra corrupção - ao contrário do que os anjinhos todos no Parlamento nos querem fazer crer - são os processos que ele abriu no Ministério Público, mesmo aos da cor dele enquanto esteve no PSD e na Câmara do Porto.
      Existem vários momentos gravados em video - inclusivamente intervenção em S.Bento (e que deixo o link) com vários exemplos.
      Curiosamente o deputado Mendes Bota - que liderou a "recepção" a Paulo de Morais comentou no final: "...eu falei com vários colegas que fazem parte da lista das acusações que o Sr.
      Dr. Paulo Morais mete o dedo na ferida e diz aqui há situações claras de incompatibilidade e de conflito de interesses ... eu próprio os convidei a vir aqui... porque eu digo se o Sr. Dr. escrevesse de mim aquilo que escreve desses colegas, pode ter a certeza que no primeiro virar de esquina em que o senhor estivesse a falar eu estaria lá a confrontá-lo, porque quem não deve não teme..."
      https://www.youtube.com/watch?v=BXSNgfYQgk4&app=desktop

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    3. Caro Rui Baptista, como vê pela reacção do Sr. "Anónimo", o país não arrepia caminho tão cedo.
      Repare que ele considera que Marisa Matias o calou bem, quando de facto foi precisamente o contrário. Ela pediu-lhe que desse exemplos (careca ela de os conhecer porque - como digo estão no Ministério Público e até videos por essa internet fora) e ele deu o do Metro do Porto. E ela é que teve de engolir em seco quando ele disse que quando denunciou os deputados do PSD e CDS com claro conflito de interesses na comissão de privatização da EDP o BE foi solidário com esses deputados.
      Incrivelmente, mesmo com os factos o Sr. Anónimo acha que foi ao contrário.
      Outra curiosidade: porque será que entre artigos de Louçã e ataques de Marisa Matias o visado foi Paulo de Morais? que receio tão grande representava ele para até se esquecerem do grande adversário da Direita - segundo eles? Dá que pensar não dá?

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Seja pelos interesses politico/partidários em alguns candidatos , seja pela faceta folclórica de outros, o que é certo é que toda a gente fala de todos os candidatos, menos daquele que vale a pena falar - Paulo Morais.

    "Ah, mas é que ele só diz sempre o mesmo, parece um carro de pilhas a chocar com a mesma parede"...Pois, mas o que ele diz é o que de facto interessa e está em causa, tudo o que os outros dizem é apenas mais do mesmo, isto quando chegam a dizer algo para além de banalidades e lugares comuns.

    Paulo Morais percebeu que a explicação para os deficits consecutivos (incluíndo bancos, fornecedores de energia, transportes, saúde, etc) é só uma e muito simples.
    É uma pena que 98% dos portugueses também não perceba ou não queira perceber, talvez para não ter de se confrontar com as suas próprias fraquezas reflectidas no espelho (é mais prático eleger Felgueiras, Valentins e Isaltinos, é gente que tem "mais a ver connosco"...)

    Dervich

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    1. Não estarão os portugueses preocupados com a corrupção que lhes entra pelos bolsos adentro, através dos impostos?

      Esta uma questão a que a estatística pode dar indicações pela percentagem ínfima de votos atribuídos a Paulo de Morais, relativamente a outros concorrentes, conforme nos indicam as sondagens dos media.

      Toca a fanfarra da indiferença dos portugueses e a corrupção mina alegremente as estruturas democráticas alcançadas com o 25 de Abri!

      Os corruptos deste país, agradecem!

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  4. 1 - Paulo Morais não só foi à televisão como, instado por alguns parlamentares, foi à AR - os Media não falaram do facto, que eu saiba - e denunciou o conúbio entre negócios e políticos, com nomes desses deputados, nome de empresas, nomeadamente de advogados que fazem as leis, a pedido da AR, tão confusas e de tão baixo português que, depois, levam milhões para darem pareceres sobre as próprias leis que fizeram, certamente de propósito, confusas e obtusas. Todos se calaram...
    2 - "Todos os deputados são corruptos" - dizem que Paulo de Morais diz, perdendo credibilidade. Ora não é isso que ele diz. Ele diz que há uns 10 a 15% que são activamente corruptos e apresenta nomes; os outros são corruptos passivos porque sabem das artimanhas e calam-se e não denunciem e compactuam. É ver o que se passa com a aprovação das tais leis obtusas e incompreensíveis por todos os deputados da AR. Entenderam os críticos de Paulo Morais? Aliás, este senhor é o único (Henrique Neto só peca por demasiada idade) que merece ir para PR porque é o único que fará com que alguma coisa mude neste país. Com Marcelo - o mais votado, dizem, nas sondagens - vai continuar tudo na mesma, apesar das atropelias de António Costa em gastar, gastar, gastar, sem explicar onde vai buscar o dinheiro...

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  5. Perdoem-me o apelo, apelo implícito no comentário anterior: VOTEM PAULO MORAIS! COM ELE, DE CERTEZA, ALGUMA COISA MUDARÁ NESTE POBRE PAÍS (que, sem corrupção, poderia estar ao nível da Finlândia, no dizer de Daniel Kaufmann na revista “Finance & Development”, editada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI),

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    1. Obrigado pelo "apport" trazido ao meu post. Só me espanta que a gente honesta (para evitar generalizações, incluindo os políticos honestos deste país) se cale como desejasse, em jeito de Pilatos, lavar as mãos.

      Como nos diz o povo (cito de memória que a minha condição de octogenário consente): "Tão ladrão é o que rouba como o que fica à porta". E que, pelo andar da carruagem, não são tão poucos como isso!

      Ou seja, criando, assim, a ilusão de que roubar é a coisa mais natural deste mundo de Crist.

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  6. A corrupção portuguesa funciona assim.

    Queremos entregar obras a empresas amigas do Regime? Então vamos criar os ajustes directos e acabar com os concursos públicos.

    Queremos ganhar dinheiro com a especulação sobre solos? Então fazemos uma lei à medida das nossas pretensões.

    Queremos ajudar uma empresa amiga do Regime num concurso público? Arranjamos um palavreado barroco.

    Mais do que corrupção, há imoralidade em Portugal. A legislação é feita para que a corrupção seja legal... e assim não há exemplos de corrupção. É imoral, mas legal.

    Paulo Morais deveria explicar isto para calar as Marisas da vida.

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    1. Os meandros da justiça apanha os pequenos corruptos e deixa os grandes rirem-se de um prato da balança que pende a seu favor.

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    2. Em aditamento ao comentário anterior, trago à colação uma história verídica, passada comigo, no meu tempo de alferes miliciano.

      Conta-se em poucas palavras. Decorriam então manobras militares no Campo de Santa Margarida com observadores da Nato. Preocupado, perguntei a um oficial superior quais as minhas funções como comandante de pelotão. Obtive como resposta: "Deixa-te estar quieto, põe ervinhas no capacete e não faças ondas!"

      É este o panorama actual no combate à corrupção, em que Paulo de Morais se preocupa, não se esconde com qualquer camuflado e dispara sobre os corruptos, embora os não possa enunciar um por um.

      Mas dá alguns exemplos como as parecerias público-privadas, podendo acrescentar as obras faraónicas feitas em certas escolas do parque escolar, enquanto outras há, de grande e cimentada tradição a caírem aos bocados e a chover lá dentro, como, por exemplo, o antigo Liceu Camões (hoje escola secundária com o mesmo nome), em Lisboa, e o Liceu Normal D. João III, crismado na pia baptismal de um promissor mundo novo, como Escola Secundária de José Falcão, na chamada terra dos doutores.

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    3. Funciona como bem descreve, como funcionam certos concursos públicos para "selecionar" os concorrentes que à partida já estão escolhidos.

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    4. Caro Rui Baptista,

      um dos maiores problemas da nossa democracia tem sido referido pelo Paulo Morais e está no modo como as leis são redigidas. O Estado, em vez de ter um corpo independente de juristas que redijam as leis, faz encomendas a escritórios e advogados. Esses escritórios têm também como clientes grandes empresas. Portanto, redigem leis, pareceres e contratos à medida dos seus clientes. Não são fazem isto como colocam os seus advogados na Assembleia da República.

      Nunca nenhum Governo acabou com esta vergonha. Nunca nenhum Governo teve a coragem de criar um corpo de juristas qualificados, bem pagos e independentes, sem passado político. O melhor seria ir buscá-los às universidades, pessoas que nunca tivessem trabalhado com empresas ou escritórios, nem estivessem ligados a grupos como a Opus Dei ou Maçonaria. E bem pagos para estarem imunes à corrupção. O Paulo Morais tem sugerido isto mas alguém o ouve?

      Em Portugal existe isto: captura. A palavra é esta: captura. O poder foi capturado por grandes empresas, Banca e escritórios de advogados. A teia está bem montada e só cairá com o fim do Regime, o que é perigoso pois o que se segue poderá não ser a democracia, ou com a intervenção dura dos cidadãos. Falta portanto sociedade civil interveniente e independente de partidos e ideologias.

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    5. Obrigado pelo seu comentário de que relevo as duas últimas linhas do parágrafo final: "Falta portanto sociedade civil interveniente e independente de partidos e ideologias".

      Aliás as previsões sobre o resultado destas eleições, julgo (e lamento) que virão demonstrar que tudo continuará "como dantes, quartel em Abrantes!"

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    6. Caro Rui Baptista,

      repare que há vários anos que se sobem impostos e a AT aperfeiçoa o combate à fuga ao fisco. Mas nunca, nunca ninguém sugeriu a criação de um imposto sobre as mais valias imobiliárias. E há um professor de Coimbra, ligado a esta área, que diz isto: um impostos sobre as mais valias imobiliárias nos últimos anos teria dado ao Estado 75 mil milhões de euros em impostos! O equivalente ao valor do resgate! Nenhum país «civilizado» tem um modelo urbano como nós. Inúmeros países têm impostos sobre as mais valias imobiliárias. É na valorização dos terrenos em secretaria que o Regime anda a construir milionários há várias décadas. Parte dos buracos da nossa banca devem-se indirectamente a isto. E fiquemos por aqui. A minha formação científica é outra mas estou ligado à Quercus desde os 13 anos e sigo atentamente a temática do Urbanismo. Poderia estar horas a escrever sobre o problema. O grande cancro de Portugal é a construção civil e obras públicas. É aí que as «elites» enriquecem. O sector é tão poderoso que veio cá a troika e ninguém se lembrou que as mais valias imobiliárias da especulação fundiária não eram taxadas! Por não termos leis urbanas «europeias» e cargas fiscais «europeias» não há mercado de arrendamento dinâmico, o endividamento externo é brutal, os centros urbanos estão despovoados, as estradas nacionais por vezes parecem ruas, não há espaços verdes, o desordenamento paisagístico é evidente. Sem solução para a legislação e fiscalidade nesta área não haverá solução para a corrupção. E mais uma vez, Paulo Morais conhece o problema e é o único político que o aborda sem medo e com conhecimento algo aprofundado.

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  7. A corrupção em Portugal é uma brincadeira de meninos. Por isso somos atrasados. Na Alemanha (e outros exemplos poderiam ser dados) como se vê pelo caso Volkswagen é que é para valer. Isto sim vale a pena. Agora chamar corrupção a uma gorjeta dada a um funcionário para que um processo ande mais depressa, fracamente.... os senhores não sabem como é em países a sério. Aprendam com a Alemanha e em breve dominaremos a Europa.

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    1. Na verdade, como escreve, na Alemanha a corrupção é para valer, responsabilizando a Wolkswagen pelos actos dolosos cometidos (vigarices) obrigando-a, todavia, a reparar os erros cometidos.

      Em Portugal, como também escreve (não) é uma brincadeira de meninos. Se o fosse, bastava um par de açoites e o caso da corrupção estava resolvido.

      Nem de propósito, sobre o perfil dos candidatos à Presidência da República, no "Público" de hoje, em crónica habitual de Vasco Pulido Valente, lê-se sobre Paulo de Morais::

      "E hoje continuamos não saber nada sobre eles. Para dar uma ajuda ao cidadão perplexo aqui vai uma pequena lista:
      Paulo de Morais - quer varrer a corrupção da política portuguesa. Vamos conversar sobre isso em 3016."

      Aliás, basta ver o que escrevi sobre a corrupção, no meu artigo publicado no "Público" (2005) e aqui transcrito, para se verificar que se ontem más fadas houve, hoje más fadas há.

      Mas nenhum de nós cá estará, em 3016, para confirmar o statu quo daqui a cem anos. Essa confirmação competirá aos seus historiadores se não se confirmar o pessimismo de Stephen Hawking: "A inteligência artificial pode significar o fim da raça humana".

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  8. Provavelmente, um dos mais oportunos artigos deste blogue que eu já li. Francamente não vejo como é possível não apoiar o Paulo de Morais, quando tanto se fala da corrupção da partidocracia. É algo que me transcende como o Marcelo pode ganhar, racionalmente é um mistério, mas não me admira, afinal a situação é semelhante ao processo de 'venda' do novo AO90. Marcelo 'fez' campanha durante 15 anos, com a ajuda de 'boa gente'. Marcelo tem valor e eu reconheço-o, mas nada irá mudar em Portugal enquanto for possível manipular a eleição de candidatos, com uma década de antecedência. O que os portugueses deveriam fazer era eleger o Morais, assim do nada, porque afinal, o seu projecto é o que responde ao que há de mais premente. Enfim, de igual modo, todos parecem aceitar o AO90, num processo de tornar administrativamente algo intolerável em lei. Realmente, este colectivismo neo-liberal é uma merda!

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  9. "!não vejo como é possível não apoiar o Paulo de Morais, " !!!!!!! Afinal há ainda analfabetos.

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  10. De facto o resultado mostra que há milhões de portugueses tão pouco inteligentes que não perceberam quem era o bom.

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