quinta-feira, 23 de julho de 2015

PORTUGAL EM LISTA DE ESPERA


Novo texto de Galopim de Carvalho:

 A Europa dos ricos e os seus diligentes seguidores em Portugal estão a conduzir-nos, decidida e deliberadamente, no caminho do empobrecimento económico e também, estupidamente, no do definhamento científico e cultural. Tudo isto sob a magistratura conivente de um Chefe de Estado que, há muito, deixou de ser o Presidente de todos os portugueses.

Estamos a assistir ao retrocesso económico, social e cultural imposto por uma cada vez menos União Europeia, em afastamento do ideal que a concebeu e, hoje, um mais do que evidente logro da esperança que assinámos a 12 de Junho de 1985, fez agora trinta anos. Em obediência subserviente às directrizes alemãs, o neoliberalismo cego do PSD (traidor do pensamento e da prática social democrata que lhe deu nascimento), amparado nesta muletazinha conhecida pela sigla CDS-PP, tomou conta dos nossos destinos, vai para quatro anos, num retrocesso declarado das conquistas nas condições do trabalho, na segurança social, nos cuidados de saúde, na ciência, no ensino e no apoio à cultura conseguidas na vivência em democracia que se seguiu à Revolução dos Cravos.

O discurso da coligação que nos governa, já em plena campanha eleitoral e, como em 2011, assente na mentira descarada, não pode fazer esquecer a destruição sistemática que tem vindo a fazer destas conquistas que vemos fugir da nossa vida colectiva como areia por entre os dedos.

Ao longo de governos anteriores fomos perdendo parte significativa da independência nacional e assistimos à asfixia e destruição de muitas das nossas valências económicas. Nos dias de hoje são cada vez mais os nossos concidadãos a viverem tempos de miséria e, até, de fome, cada vez maior o número de ricos e cada vez maior a sua riqueza. A corrupção instalou-se, impune, a todos os níveis do espectro político e financeiro. É confrangedor o desumano abandono dos idosos, a chamada classe média continua a afundar-se e o desemprego tornou-se uma realidade dramática dos que já não conseguem encontrar um posto de trabalho, constituindo um incentivo crescente à igualmente dramática emigração de uma juventude que a democratização do ensino qualificou a níveis nunca antes conseguidos.

São muitos a dizer que a seguir à Grécia estamos nós.

António Galopim de Carvalho

2 comentários:

  1. Por quanto tempo mais seremos enganados e defraudados pelas instituições políticas, económicas e financeiras, a cujos princípios e principal função, defesa e garantia contra o logro e a fraude, deviam a muita credibilidade que lhes era dada?
    É muito perturbador e inquietante o que tem vindo a acontecer, porque sob a capa da melhor propaganda se banaliza a prática da austeridade como remédio para os outros tomarem, com hediondo desprezo e ódio pelo humano, num tempo em que fantasmas de sempre conspiram contra os homens de hoje.

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  2. E que tal agir no que é mais próximo, a Ciência? Os governos do PS e os professores catedráticos portugueses foram co-autores da precarização dos trabalhadores em ciência, muitas vezes mais de dez anos (dez!) a receber bolsas, sem quaisquer direitos sociais (férias, baixa, reforma condigna, subsídio de desemprego), bem diferente do que acontece na Alemanha ou na França.

    E que tal denunciar que este governo começou a financiar fortemente investigação biomédica que dará, no final, lucro às farmacêuticas e indústria paramédica a custo zero, menosprezando a ciência fundamental? E o financiamento a fundações privadas milionárias?

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