quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Amestrar dragões


O meu artigo de opinião, publicado no PÚBLICO de hoje:

No dia 8 de Outubro de 2014 foi publicada no Diário da República uma portaria (207-C/2014) que regula o exercício da profissão de homeopata. A homeopatia é uma medicina que funciona tão bem como qualquer outra que o leitor acredite que funciona. O efeito que tem é placebo, ou seja a sensação de melhoria subjectiva e transitória que se sente simplesmente porque somos alvo de atenção médica.

De facto, os remédios homeopáticos não têm nada a não ser água e açúcar, porque são preparados através de uma série de diluições sucessivas. Começa-se com uma gota de qualquer coisa (não interessa quão asquerosa ou venenosa seja) e dilui-se em 99 gotas de água. Dá-se três pancadinhas, retira-se uma gota dessa diluição e dilui-se novamente em 99 gostas de água. Estas duas diluições consecutivas são equivalentes a uma diluição global de 1 para 10 000. Repete-se o procedimento 28 vezes e obtém-se um preparado homeopático com a “potência 30C”, uma solução tão diluída que a probabilidade de lá encontrar uma única molécula da substância original é equivalente à de ganhar o Euromilhões várias vezes seguidas. Qualquer pessoa com conhecimentos rudimentares de química sabe disto. O Secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, que assina a portaria, é químico e sabe de certeza. Os homeopatas também sabem e é por isso que dizem que a água retém uma memória das moléculas que teve dissolvidas. Mas essa memória não existe, tendo a suposta prova da sua existência, publicada em Junho de 1988 na Nature, sido uma das maiores fraudes científicas de sempre (se existisse, imagine os traumas de uma molécula de água depois de saltar de um autoclismo). Os remédios homeopáticos não funcionam melhor do que comprimidos de açúcar porque são comprimidos de açúcar. E é isso que demonstra um extenso corpo de ensaios clínicos (não, não são precisos mais estudos, assim como não são precisos mais estudos para avaliar se a Terra é plana). O Secretário de Estado Adjunto da Saúde, Fernando Leal da Costa, que também assina a portaria, médico especialista em hematologia, também o saberá.

Não faz sentido haver profissionais habilitados e administrar uma medicina que não funciona. Regular a homeopatia é equivalente a regular a amestração de dragões, com regras de bem-estar animal definidas pela Direcção Geral de Veterinária. Podemos perguntar, que mal haveria nisso, se interessasse a um certo conjunto de pessoas? A homeopatia é uma pseudociência. A sua validação não assenta em provas passíveis de confirmação, mas em argumentos de autoridade. E esses já são muitos, a começar pela sua venda em farmácias, regulação pelo Infarmed (embora com um estatuto especial, que nada tem a ver com o longo calvário para a aprovação de um medicamento convencional) e o facto de ser uma especialidade médica reconhecida em vários países (os grupos de pressão em prol da homeopatia têm efeito junto do poder político nada placebo). Uma cédula profissional emitida pela Administração Central do Sistema de Saúde é um argumento de autoridade para pregar nas paredes dos consultórios, que contribui para criar a ideia de que a homeopatia tem uma validade científica equivalente à da medicina convencional, o que pura e simplesmente não é verdade.

O povo diz que um mal nunca vêm só e a portaria 207-C também não. Do mesmo dia há a 207-A (regula a profissão de naturopata), 207-B (osteopata), 207-D (quiroprático), 207-E (fitoterapêuta), 207-F (acupuntor) e 207-G (especialista de medicina tradicional chinesa). Em comum estas práticas têm o facto de não se basearem no conhecimento científico.

Os avanços da medicina, com todos os seus defeitos, falhas e limitações, são notáveis. Garantiram que o leitor nunca tenha apanhado varíola (erradicada graças a programas de vacinação) e a sobrevivência a todas as infecções bacterianas. Isto porque a eficácia e os riscos de cada procedimento médico são avaliados em ensaios clínicos, com resultados passíveis de confirmação independente. Se as terapias alternativas demonstrassem a sua eficácia e segurança do mesmo modo e à luz da ciência, não seriam alternativas.

Claro que a medicina convencional, designadamente a indústria farmacêutica, também tem o seu cadastro de má conduta científica. Mas isso não serve para meter tudo no mesmo saco. Ter limitações, falhas e erros é diferente de recusar aceitar um rol avassalador de provas de que um tratamento não funciona ou não é seguro, ou até de nem sequer considerar necessária a existência dessas provas. Resta uma esperança, na portaria respectiva, já que se elenca a seguinte possibilidade entre os princípios que definem a actividade do homeopata:

"d) Encaminhar o cliente, sempre que necessário, para o profissional de saúde melhor habilitado a tratar a situação de saúde do mesmo"

Se a lei for cumprida, e o encaminhamento for feito à porta do consultório antes do pagamento, não teremos nada com que nos preocupar. Mas o resto da portaria é não só inútil como prejudicial.

19 comentários:

  1. Gostaria de vos comentar sob a perspectiva responsável deste artigo e não só, convém lembrar que David Marçal empenha para lá de opinião mas, a dignidade de esclarecer um assunto delicado, pois até mesmo o anseio humano (em humanitária ajuda) trata-se a boa dose esperança.

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  2. O Marçal está a meter o pé na argola, numa postura cada vez mais relativista. Por acaso leram na mesma página 47 do Público a resposta da Dr. Telma Gonçalves Pereira ao artigo do Fiolhais 'Ciência Diluída'? - Leiam, ela manda-vos literalmente bogiar, a ambos.

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    1. sim, mas o texto da senhora é ridículo.
      Ela usa o argumento da hormesis.
      Uma pessoa doutorada em Bioquímica não saber a diferença entre doses baixas e nenhuma dose é... não saber a diferença.

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    2. É doutorada pela Universidade Lusófona?

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  3. Estas posições fanáticas, com o tempo ou com as necessidades da vida, acabam por passar.
    Um cirurgião lisboeta, reconhecido como muito competente e bastante conhecido como comentador e doente dos futebóis, escarnecia das chamadas «medicinas alternativas» a propósito e a despropósito.
    Às tantas teve um familiar próximo a quem a medicina (dita convencional) não conseguia resolver um problema articular que quase lhe impedia a locomoção, feita a muito custo com canadianas e amparo de terceiros.
    Ele próprio contou a sua experiência, em desespero de causa, de ter recorrido a um osteopata: esse familiar entrou no consultório nas condições descritas e apenas após uma sessão de terapia saiu a andar por si, embora devidamente apoiado nas canadianas, mas com uma segurança na locomoção que já há muito havia perdido.
    O referido cirurgião teve a humildade de contar isto numa entrevista na Antena 1, dizendo que, apesar de ser muito crítico destas prácticas, teve de se render à evidência. E a evidência médica é muito importante para os médicos.
    O que relato não é invenção minha, pode ser devidamente comprovado.
    Eu próprio já vivi um problema articular semelhante, em 2007, embora de grau não tão agudo: tive uma experiência negativa, de pura incompetência por parte do 1.º técnico de acupunctura a quem recorri, e de total resolução do problema por parte do 2.º (por sinal médico da medicina dita convencional, mas que aprendeu a fazer acupunctura). E o médico ortopedista que me tratava (da medicina dita convencional), um reconhecido especialista e chefe de serviço de um dos mais importantes hospitais ortopédicos, não encontrava outra solução a não ser comprimidos, pomada e infiltração de Voltaren. Mas avisou-me entretanto das consequências no fígado, estômago e das dores terríveis provocadas pela infiltração. Não fiz nada disso e resolvi o problema apenas com 12 sessões de acupunctura.
    Oxalá o David Marçal nunca necessite de se render à evidência, tendo de recorrer a estas «trafulhices» por ausência de alternativas, engolindo sapos, ou elefantes, relativamente ao que diz sobre tais práctidas de «medicina alternativa».

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    1. Raios partam. As medicinas alternativas resultam com todos menos comigo. Tenho problemas, já recorri a elas mas ... nada. É desesperante. Porque é que eu sou discriminado?

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    2. Caro Anónimo:
      Eu não sou defensor acrisolado das «medicinas alternativas» nem da medicina dita convencional, embora reconheça que o limbo em que as primeiras se encontram favorece todo o tipo de trafulhices possível de imaginar. E na segunda, apesar da formação, apesar do controlo, corre tudo bem? Curam-se todos os doentes? Quando tenho problemas recorro sempre à convencional, mas se não obtiver solução, perdido por 100, perdido por 1000, porque não recorrer a outros meios de tratamento? A dificuldade é encontrar alguém sério e que perceba da técnica em causa, dado que funcionam em roda livre, também por causa de atitudes dos responsáveis políticos da área da saúde como as de David Marçal e Carlos Fiolhais.
      Já recorri a um acupunctor que me entreteve 3 meses sem sinais de melhoria. Mudei para outro que me disse que esta técnica não resolve todos os problemas e que, no máximo, se deve fazer 12 sessões. Mas se à 3.ª não houver melhoras não vale a pena continuar. Experimentei, comecei a sentir melhoras desde a 2.ª sessão, à 12ª tinha o problema resolvido. E eu já nem me conseguia vestir com um problema na articulação do ombro. E o ortopedista só me receitava Voltaren de 3 formas, sem garantia de cura e com as consequências que referi no comentário anterior.
      Desde 2007 que não tenho o mínimo problema, a técnica foi-me aplicada por um médico oftalmologista que aprendeu acupunctura japonesa e que a pratica além da medicina oftalmológica. Veja lá o que são as coisas.
      Quanto à homeopatia, leia o post de Carlos Fiolhais, «Ainda a ciência diluída», de 10/11/2014, e, através do link, o artigo de Paulo Varela Gomes de resposta.
      Tire as suas conclusões e proceda em relação à sua saúde como achar melhor.
      Mas por preconceito ideológico ou de outro tipo não o aconselho.
      Nunca se esqueça que a medicina não é uma ciência exacta e que as terapêuticas se aplicam a cada um de nós, seres com estruturas biológicas, psicológicas e genéticas diferentes.
      A pior coisa que devemos fazer é cair em fanatismos, seja de que tipo for.

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  4. David Marçal, estou 99% de acordo consigo, a medicina alternativa, quer a dita homeopática quer outras de inspiração oriental, não passam de banha-da-cobra, essa sim para fazer dinheiro fácil e desonesto.

    Estou em dívida de gratidão com a medicina científica e tudo o que ela progrediu nos últimos anos, quer em farmacêutica (vacinas, tratamento da dor, medicação contra vírus e bactérias) quer sobretudo em tratamento do cancro e cirurgias. Se não fossem esses progressos, eu seria cego (glaucoma), coxo (pé partido com roturas) e corcunda (hérnia na coluna). De tudo isto estou livre e posso ter uma qualidade de vida que não teria há poucos séculos atrás.

    Antes de ser operado, tentei várias terapias não cirúrgicas, em particular orientais. Dinheiro deitado fora, o que me irrita ainda mais por lá ver filas de gente à espera, confiantes no milagre, a enriquecer endireitas. O melhor que conseguiram foi aliviar dores por breves horas.

    Contudo, chamo a atenção para dois aspectos marginais mas significativos. Um, é que a medicina dita científica, via laboratórios farmacêuticos, também vende banha de cobra. Um bom exemplo são os chamados "anti-gripais" , às centenas, inúteis. outro são as muitas pomadas e gels para dores musculares, costas, pernas, etc - a maioria com pouco mais do que excipente e completamente ineficazes.

    Por outro lado, tive uma experiência gratificante com um produto homeopático. Estava na Alemanha, no frio Inverno, antes de ser operado, com as habituais dores de pernas e pés. Em desespero (não quero anti-inflamatórios porque o meu estômago queixa-se) , entrei numa farmácia, sem receita, claro, a pedir qualquer coisa para as dores. Sugeriram a pomada Traumeel.

    http://www.traumeel.com/Traumeel-com-Gel.html

    É um produto alemão, talvez a homeopatia por lá não seja só gotas de água com açúcar, em princípio são mais sérios no que fabricam. É aprovado a nível federal pelos EEUU:

    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3085232/

    Ora sucede que o alívio que me proporcionou foi real. Não me deixo iludir com placebos (a maioria das pomadas tipo Reumon, por exemplo, ou o Vic vaporub, ou os complexos "anti-envelhecimento"). Continuo a usar Traumeel regularmente com agrado, continua a ser suavemente eficaz. A composição é sobretudo Arnica e mais uma grande quantidade de plantas medicinais, suponho que em doses muito pequenas.

    Portanto nem tudo o que é medicina "oficial" é garantidamente sério, nem tudo o que é homeopático é garantidamente ineficaz. Há tendências, apenas, para o melhor e para o pior. Cabe aos desgraçado paciente exercer a sua capacidade selectiva, a menos que haja garantias oficiais convincentes.

    Gostei muito do seu artigo, mas parece-me que não abarca toda a farmacopeia homeopática. Pode haver, aqui ou ali, alguma coisa interessante.

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    1. Sim, sim, eu acho que , por exemplo, a acupunctura e a osteopatia conseguem alguns resultados. Não sei se já foram submetidas a estudos com o método científico, métodos estatísticos, etc. As especialidades que referi não se limitam a dar comprimidos de açúcar ou a fazer beber soluções com nada dissolvido. É possível que tenham efeito real sobre o corpo pois o tratamento inclui actuações sobre o corpo. Outro exemplo: parece que há endireitas que conseguem resultados positivos pela simples razão de que aprenderam os movimentos a fazer para levar um osso deslocado ao sítio. Portanto nada de misterioso nem princípios filosóficos absurdos nem forças sobre naturais.

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    2. Note que o traumeel tem diluições de apenas 1 para 10, ou seja, existe o princípio activo no medicamento. Isto faz com a principal objecção à homeopatia (o facto de ser não ter medicamento) não se aplicar a este medicamento em particular.

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    3. Caro Mário Gonçalves:
      Vamos por um ponto de ordem na discussão para ver se nos entendemos.
      Quanto a vigarices, vender gato por lebre, existem em todo o lado.
      Quanto menos regulado, vigiado e controlado estiver um sector mais propício fica para a falcatrua.
      As chamadas «medicinas alternativas» estão em roda livre, daí que seja ainda mais difícil distinguir os competentes e honestos dos oportunistas para aplicar a técnica ou o medicamente eficazes.
      Mas como reconhecerá, estas terapias são muito menos intrusivas, logo, muito menos eficazes. Dificilmente se aplicam a casos agudos, a não ser como auxiliar regenerativo do organismo para o ajudar a lutar contra certo tipo e patologias. E há casos de sucesso neste campo, como o Paulo Varela Gomes relata no seu artigo no «Público» de resposta a Carlos Fiolhais.
      E tal como a medicina científica, foi o nome que usou, e eu subscrevo- completamente, nem sempre há solução para todos os males porque, mesmo na científica, há um organismo sobre o qual o tratamento vai actuar, muito diferente de outros, com interacções com o tratamento muito complexas e imprevisíveis quanto aos resultados.
      Por isso, por vezes não se curam duas doenças semelhantes em duas pessoas diferentes.
      A medicina científica não é uma ciência exacta apesar de ser científica.
      Mas o ponto de vista de David Marçal é considerar a homeopatia (e penso que todas as chamadas «medicinas alternativas») como pura charlatanice.
      Mas no seu caso o Traumeel, que também já usei, resultou.
      Deixo uma pergunta: que diferença essencial há entre o princípio básico da vacina e dos medicamentos homeopáticos?
      Parece-me que nenhum: na vacina o agente patológico é usado inactivo para gerar defesas no organismo contra a doença (que é semelhante à vacina), para gerar anti-corpos.
      Na homeopatia parece-me que se usa um princípio semelhante.
      Devo dizer que, tirando o caso pontual do uso doTraumeel, que usei por iniciativa própria, nunca recorri à homeopatia, apenas recorro a um osteopata de vez em quando para alívio de mal-estar e dores que o ortopedista não encontra lesão justificativa.
      E a dois acupunctores, como referi nos comentários anteriores, um sem nenhum êxito e outro com êxito completo.
      Dia 27 irei pela 1.ª vez recorrer ao homeopata que o Paulo Varela Gomes refere no seu artigo, pois tenho razões para tal, infelizmente. E estou a ser muito bem acompanhado por um médico da medicina científica. Mas uma coisa não substitui a outra, se se puderem ajudar, melhor.

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    4. O meu desejo é que o Professor Varela Gomes se cure e viva muitos anos com saúde. Mas não posso deixar de observar que a carta dele demonstra que não faz a menor ideia do que é a estatística nem do que é o método científico. O caso dele não prova que haja um nexo de causa e efeito entre o remédio e o resultado que obteve. Mas sugere uma investigação. Se de 100 doentes melhorarem 95 com o remédio dele e de 100 sem o remédio melhorarem somente 9 então estamos perante um remédio que vale a pena. Se de 100 só 1 melhorar (ele, Professor varela Gomes) com o remédio e sem o remédio melhorarem 3 ou 4 ou nenhum, nada se conclui, melhor, é muito provável que o pretenso remédio não seja remédio.

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    5. Caro Anónimo das 17:30
      O mais provável é que o Paulo Varela Gomes tenha melhorado por milagre.
      Tal como eu, com as 12 sessões de acupunctura que me resolveram o problema osteoarticular do ombro, para o qual o ortopedista não tinha solução.
      Mais outro milagre, só pode ter sido.
      Mas nos problemas que eu já tive e que a medicina científica me resolveu, aí já não houve por milagre, foi pelos efeitos da terapêutica, comprovada estatisticamente.
      Para si tudo se resume ao método científico, se houver método científico, tudo bem, se não houver, nada feito.

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    6. Não é bem assim. Pode não se utilizar o método científico e pode sempre chamar-se milagre ou outro nome ao acontecimento. A Ciência não é tudo. Há quem acredite em milagres e há quem não acredite. Pode mesmo inventar-se um nome para designarmos o que quisermos: paraíso, purgatótio, nirvana, milagre, etc. Assim penso que tanto a naturopatia como a religião devem ser regulamentadas e sou a favor da regulamentação das medicinas alternativas como sou a favor da lei (que já existe) das religiões.
      Não é verdade que eu penso que tudo se reduz ao método científico. Mas há uma coisa que se chama método científico. Além disso há outras coisas.

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    7. Se foi comprovado estatisticamente acho que é apropriado dizer que se usou o método científico. Se não foi, prefiro outra palavra. Exemplo. Há coisas em que se acredita porque o Papa o disse. Não é apropriado dizer-se que se utilizou o método científico.
      Agora é uma questão de confiança. Exemplo: eu prefiro voar num avião construído pelo método científico. Pode haver quem prefira voar num aparelho garantido pelo Papa em que não foram utilizadas as leis da aerodinâmica. Se o primeiro não cair eu direi que é devido à Ciência. Se o segundo não cair direi que foi milagre e que se deve ao Papa.

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    8. Senhor Manuel Silva:

      "O mais provável é que o Paulo Varela Gomes tenha melhorado por milagre."
      Concordo consigo. E acho muito prudente o "o mais provável é que".

      "Mas nos problemas que eu já tive e que a medicina científica me resolveu, aí já não houve por milagre, foi pelos efeitos da terapêutica, comprovada estatisticamente." De novo concordo consigo. Se houve prova estatística bem conduzida (com respeito rigoroso dos protocolos,etc.), é de facto como diz.
      Como se vê, nas questões científicas é fácil um entendimento.

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  5. Senhor Anónimo das 15:36, 22/11/14:
    Dois lamentos e uma observação.
    1.º Lamento que não seja capaz de se identificar, refugiando-se no anonimato, cujo inconveniente mais imediato é não sermos capazes de identificar o interlocutor, para além de ser também revelador de certos traços de carácter de quem se refugia neste expediente;
    2.º Lamento que não tenha percebido a minha ironia quando falei em milagre (respondendo a outro anónimo, talvez ao senhor, nunca se sabe);
    Observação: Sobre este assunto das doenças, e como é evidente, não irei expor todos os pormenores da minha vida privada num blogue, exponho apenas o que entendo se razoável. Devia ter passado o que passei recentemente (com 2 actores da medicina científica), que propostas de tratamento me fizeram, depois falaria com mais propriedade. E se fosse capaz de recorrer a «milagres» das técnicas complementares de tratamento, algumas ancestrais (não medicinas alternativas, o nome é incorrecto, não são alternativa a nada) ainda falaria com mais propriedade sobre o assunto.
    Não tenho preconceitos, recorrerei a estas técnicas complementares de tratamento sempre que tal se justifique, sempre que a medicina científica não me resolva os problemas ou se revele demasiado violenta nos efeitos secundários, mas tendo todos os cuidados possíveis para separar o trigo do muito joio que existe, e avaliando sempre os resultados

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  6. Só acertou numa coisa: nos meus tratos de carácter. São péssimos e os meus amigis (tenho muito poucos) dizem-mo constantemente. Portanto só acertou numa coisa e essa é uma banalidade.

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