terça-feira, 14 de março de 2023

SONETO: MODO DE USAR

Use o soneto pra dizer amor.
Use o soneto para odiar.
Use-o também para cozinhar.
Use-o para abanar o torpor.

E também serve para limpar nódoa,
quando ela tomba no nosso pano
e ali causa não pequeno dano:
o soneto, serve, então, de antinódoa!

O soneto presta-se a ir à guerra, 
pra esborrachar as ventas ao tirano
e afocinhá-lo, com força, na terra!

Quando o tirano se põe ufano,
então o soneto caga-lhe em cima,
com gosto e porreiríssima rima!

Eugénio Lisboa

PENSAMENTO DO DIA (AVISO POR CAUSA DAS COISAS)

A tirania está sempre melhor organizada do que a liberdade.
Charles Péguy 

Enquanto passamos o nosso tempo a fruir descontraidamente esse tesouro que é a liberdade, o candidato a tirano vai semeando a desordem e o barulho, armando-se e organizando-se até aos dentes, PARA PODER INTERVIR E SALVAR O PAÍS DO CAOS QUE SEMEOU. 

A liberdade deve organizar-se melhor que o tirano, para poder batê-lo no próprio terreno.

A liberdade deve andar à frente do tirano. 

NÃO DEVE DEIXÁ-LO TORNAR-SE INDISPENSÁVEL OU MESMO INEVITÁVEL. 

O tirano não é particularmente inteligente, mas é muito manhoso. Saibamos derrotá-lo também nesse terreno. 

Não deixemos que a tirania se instale, para só então lutarmos contra ela. Nessa altura ela estará armada e a liberdade desarmada.

Como recomendava Chesterton, não devemos gritar, só quando já estamos feridos, devemos fazê-lo antes, para fugirmos à possibilidade da ferida. 

Ataquemos, com vigor, os candidatos a tiranos, para não termos de lutar contra eles quando já forem poder.

Que eles saibam que somos um exército bem preparado e bem armado e que lhes conhecemos os pontos fracos – que são muitos e estão bem à vista. 

A tirania não tem obrigatoriamente de triunfar: podemos atrapalhá-la e destruí-la no ovo.

Eugénio Lisboa

segunda-feira, 13 de março de 2023

domingo, 12 de março de 2023

A MINHA PROFESSORA DE FILOSOFIA

À memória de Maria Luísa Soares, 
minha inesquecível professora de Filosofia. 

A minha professora de Filosofia,
carinhosamente chamada “a mamba”,
nada tinha de cobra que assobia,
mas, como ela semeava, caramba!

Inteligente, culta e sedutora,
sabia ensinar e inspirar:
ensinando, ensinava a doutora
o saber e a arte de pensar!

Fazia-nos ler, além do manual,
textos excitantes de pensadores,
que nos lançavam em voo astral.

Cheia de alegria e de pudores,
abria-nos portas insuspeitadas
para riquezas nunca antes visitadas! 

Eugénio Lisboa

sábado, 11 de março de 2023

PENSAMENTO DO DIA

O IDEAL CRISTÃO NUNCA FOI TESTADO E REPROVADO. 
FOI CONSIDERADO DIFÍCIL E NUNCA FOI EXPERIMENTADO. 
G. K. Chesterton, 
escritor católico 

Seria uma ideia refrescante, ao fim de dois mil anos, a Igreja Católica experimentar seguir o guião do Cristianismo. Seria uma boa e grande surpresa, para padres, bispos, cardeais e Papas. 

Teríamos uma Igreja Católica muito diferente desta que temos. Mas seria provavelmente necessário fechar o Vaticano. Alguns perderiam empregos sumptuários, mas, em vez de "empregos", teriam missões a cumprir. Ficariam menos ricos, exteriormente, mas infinitamente mais ricos, interiormente. E a Igreja Católica deixaria de ser o ANTI-CRISTO que tem sido.

A pompa seria substituída pela mais severa humildade franciscana. As belas palavras do Sermão da Montanha deixariam de ser retórica vazia. Um bispo ou um cardeal deixariam de existir, assim deixando de ser uma afronta a tudo quanto Cristo viveu e pregou. 

Cristo crucificado, dentro da majestade de pedra de uma catedral é uma infame contradição.

Eugénio Lisboa

sexta-feira, 10 de março de 2023

O COMEÇO DA AVENTURA

À memória do Sr. Cruz, 
homem bom como o pão, 
e rei do Infulene! 

Correr pelo mato, no Infulene,
descobrir o cheiro da liberdade,
o negro da pele, fresco e perene,
os desejos à solta, em tempestade,

a fúria de viver e de comer,
um mundo sem limites, a abrir,
afastar, com destreza, o sofrer,
a certa glória, futura, a sorrir!

As leituras boas e clandestinas, 
o cinema às dezassete e cinco,
no Scala, que se lixem as rotinas!

O gostoso aprender, com afinco,
sentirmo-nos crescer em sítio vasto,
onde tudo é bom, saboroso e fasto! 

Eugénio Lisboa

João Luís Barreto Guimarães, em Coimbra, 11 de Março,, 16 h

 João Luís Barreto Guimarães, o mais recente premiado Pessoa, estará amanhã, sábado, 11 de Março, pelas 16h,  em Coimbra, na Livraria Almedina Estádio, para assinar o seu último livro «Aberto todos os dias» (Quetzal). A obra será apresentada por Carlos Fiolhais.


quinta-feira, 9 de março de 2023

quarta-feira, 8 de março de 2023

A ERA DOS “SENSITIVE READERS”

Por Eugénio Lisboa

Quando George Orwell cunhou, para a posteridade, a NEWSPEAK (NOVILÍNGUA), criada pelo Ministério da Verdade, para esconder as coisas mais horríveis, sob o casto manto das palavras bem escolhidas, pensava que essas picardias eram só próprias dos regimes totalitários. As maiores ignomínias eram descritas num estilo altamente purificador, que lhes dava um ar de inocente formulação erudita. O horror era desinfectado pela filologia ao seu serviço. 

A verdade, porém, é que Orwell se enganou. O Newspeak está agora em vigor nas democracias e invade o mundo editorial, com a emergência dos “sensitive readers”, que acabam de descobrir um novo nicho de emprego. Estes leitores, mais do que provavelmente, grosseiramente iletrados, como é sempre o caso dos censores, passam a funcionar junto dos editores, com o fim benévolo de catarem, em Homero, Virgílio, Camões, Garrett. Camilo, Eça, Régio ou Pessoa, ou Faulkner ou Lawrence ou Proust ou Garcia Marquez, qualquer palavra mais grosseira ou menos conveniente.

Mas aquilo que eles são, isto é, CENSORES, é, por sua vez, censurado e eles passam a ser apenas LEITORES SENSÍVEIS. Dá-se assim aos assassinos da cultura, perdão, aos vigilantes da cultura, o poder egrégio de corrigirem os deslizes indesculpáveis dos grandes criadores de cultura. Tudo a bem da protecção de sensibilidades mais finas e subtis de leitores a quem incomodam muito palavras obscenas como “descobrimentos”, “gordo”, “feio” , “coxo”, “cego”, etc.

De facto, seria imperdoável permitir-se que gente de pele tão fina se magoasse, ao encontro de tais palavrões. É mais uma das muitas invenções estapafúrdias que as universidades americanas, com grande alarido, exportam regularmente, para um mundo gulosamente desejoso de se pôr à la page com a sabedoria do Tio Sam.

Nós, cá em Portugal, costumávamos ser os últimos a consumir as pérolas de sabedoria que atravessavam o Atlântico, mas as coisas andam a mudar. Tornámo-nos mais atentos, mais depressa modernaços, passámos a consumir mais fluentemente expressões como “sair do armário” & outras, que gostamos de manipular a torto e a direito, para não parecermos demasiado antiquados.

Por mim, faço sinceros votos por que, pelo menos, um ou outro editor mais destemido, da nossa praça lusíada, consiga resistir a esta imensa maré de imbecilização, que nos chega, impetuosa, da pátria de Sherwood Anderson. 

O Novo mundo deve ter coisa melhor a oferecer-nos: não precisamos de ter orgasmos com este lixo. 

Eugénio Lisboa

domingo, 5 de março de 2023

UM JOSÉ CRAVEIRINHA CENTENÁRIO BREVE TESTEMUNHO

Por Eugénio Lisboa

Assinalar – celebrar – o centenário de José Craveirinha tem, para mim, um sabor agridoce. Como fomos contemporâneos, conterrâneos, amigos, assíduos conviventes de um saboroso convívio e opositores a um mesmo regime, que ambos detestávamos, falar num José Craveirinha centenário torna-me, a mim, bastante antigo (roubo este “antigo”, em vez de idoso, ao Rui Knopfli). 

José Craveirinha foi, em grande parte da sua poesia, um poeta da indignação e da luta. Com uma vigorosa e bem apetrechada eloquência, ele soube encolerizar admiravelmente o seu discurso poético, fazendo dele uma coisa que muita poesia comprometida não conseguiu fazer: uma síntese bem fundida de vituperação e arte poética, que lhe dá singular poder. 

Não basta estar indignado, para ser um grande poeta da indignação e da imprecação. Muito menos, de uma comovida mobilização, em grande estilo. Para isso, é preciso ser poeta, isto é, dominar a linguagem poética e os recursos da sua retórica. Há grandes poetas indignados, como foi, por exemplo, Pablo Neruda, que foi também grande poeta, na secção não indignada do seu lirismo. E há também gente justamente indignada que faz má poesia da indignação.

O escritor inglês, George Orwell, pediu emprestado ao seu paradoxal contemporâneo, G. K. Chesterton, uma expressão rica de significado, referindo-se aos “good bad books” (bons livros maus), ou seja, livros que, por diversas razões, são importantes e duradouros, embora, como objectos literários, sejam mais ou menos descartáveis. 

Um exemplo, entre muitos que poderia dar, é o do célebre A CABANA DO PAI TOMÁS. Este romance, sobre a escravatura nos Estados Unidos da América, publicado em 1852, da autoria da escritora Harriet Beecher Stowe, foi um dos grandes mobilizadores que levaram à guerra civil que, entre outras coisas, terminou com a escravatura, naquele país. Foi, portanto, um livro importante, um livro “bom”, mas ninguém ousaria classificá-lo como uma obra-prima da literatura americana. A CABANA DO PAI TOMÁS é, pois, aquilo que Chesterton cunhou como um “good bad book”. Eu preferiria chamar-lhe um “importante mau livro”. 

Trata-se de livros despretensiosos, literariamente, mas úteis, ao longo de um período bastante alargado. Deste tipo de obras, diz Orwell, sucintamente: “a espécie de livros que não tem pretensões literárias, mas que permanece legível, quando outras produções mais sérias perecem.” 

A este grupo de livros, não pertencem só livros de combate e indignação política. Orwell cita como exemplos, os livros com o protagonista Sherlock Holmes ou o ladrão de casaca Raffles. Poderíamos juntar-lhes os livros de Emílio Salgari, de Júlio Verne ou, na poesia, Castro Alves, bem menor, como poeta, do que outros grandes nomes da poesia brasileira. Nomes muito badalados do neorrealismo português foram “importantes” mas não necessariamente grandes poetas ou ficcionistas.

Mas o caso que eu hoje gostaria de pôr em paralelo com José Craveirinha é o do seu homólogo Agostinho Neto. Foram ambos lutadores pela independência dos seus respectivos países, Moçambique e Angola. E ambos utilizaram, como arma mobilizadora de luta, a poesia. Mas uma diferença fundamental os separa: SAGRADA ESPERANÇA, de Neto é um “good bad book”, ao passo que a poesia de José Craveirinha é um “good good book”. Craveirinha usa de uma sábia e extremamente eloquente arte poética, para veicular a indignação que o consome, ao passo que a oficina poética de Neto é indigente ou mesmo inexistente.

Pode haver, nisto tudo, alguma inevitável injustiça, mas a injustiça faz parte do nosso mundo. Orwell vai até ao ponto de dizer que A CABANA DO PAI TOMÁS tem grandes possibilidades de sobreviver às literariamente aclamadas obras de uma Virginia Woolf ou de um George Moore. Às vezes, o excesso de excelência pode ser mais mortífero do que a falta dela, se houver outros factores de apelo. 

Duvido que alguns excelentes escritores angolanos do nosso tempo tenham vida garantidamente mais longa do que Agostinho Neto, o qual, na minha opinião, é, como poeta, uma figura insignificante. José Craveirinha apostou, por via do seu talento, nos dois tabuleiros: o da luta, que é sempre apelativa, e o da arte poética, o do grande domínio da palavra sonora – talvez bebida em Junqueiro e Hugo –, o domínio do “som” (parafraseando Valéry), em suma, o de uma oficina bem apetrechada. 

Dito o que, termino este breve testemunho com esta proposta um tanto subversiva: tudo visto, tendo lido e relido a poesia deste meu Amigo, creio, hoje, que, de um ponto de vista propriamente poético, o Craveirinha lírico do seu admirável MARIA, obra de final de vida (1998), é o que de melhor, mais depurado e mais belo ele nos deixou.

Eugénio Lisboa

sábado, 4 de março de 2023

GOSTAR DE SER GATO

Dedico este soneto a todos os meus gatos e seus amigos,vivos e mortos
(recebi reclamações tanto do Aquém como do Além): 
Generala, Jim, Jules, Secotine, Ísis, Gueixa, Bowie, Matilde, Lua e Lindo. 

Ser um gato de quem gosta de gatos
seria, para mim, um grande gosto:
eu nem precisaria de caçar ratos,
porque, antes e depois do sol posto,

tinha papinha boa e à farta!
Ser gato é o supremo desejo
de quem não gosta da vida em Esparta,
onde se regateia até um beijo!

Ser gato é a arte de não fazer
nada, mas, mesmissimamente, nada
e programar, com cuidado, o prazer!

O gato dorme bem numa bancada,
mas prefere, de longe, cama fofa
ou uma bem aquecidinha alcofa!

Eugénio Lisboa

Contestações a mais ou soluções a menos?

Por Cátia Delgado

As sucessivas greves dos professores têm abarcado diversas fações, enleados que estão estes profissionais em diversas reivindicações, sobressaindo, sobretudo, a recuperação do tempo de serviço que lhes é devido e o aumento dos salários para fazer face ao aumento do custo de vida.

Pese embora as questões (legítimas) que estão em cima da mesa, gostaria de elencar duas, por vezes esquecidas, e que me parecem primordiais para alcançar uma Escola Pública de qualidade: 

A primeira prende-se com a sucessiva acumulação de funções da escola (e consequentemente dos professores) que, à partida, não lhe pertenciam, mas que, por comodismo e falta de competência das instituições estatais, para ela transitaram, como sejam a resposta às carências sociais de famílias desfavorecidas, dependendo, por exemplo, das refeições ali oferecidas, a guarda de crianças, antes e após o horário letivo, porque não existe uma política social que apoie os pais de crianças e jovens, para que os possam acompanhar devidamente, deixando também essa função para os agentes escolares. Ou seja, assistimos à transformação da escola num departamento da “segurança social”.

A segunda, resultante da primeira, tem que ver com a distorção do papel dos professores, à partida, intelectuais. Com o objetivo último de ensinar, esperar-se-ia que estes profissionais pudessem, com as devidas condições temporais e mentais, dedicar-se à planificação da sua ação, tendo em vista uma verdadeira e profunda transformação dos seus alunos, não que se limitassem a assegurar que demonstrem competências para replicar no dia a dia e, mais tarde, no mercado de trabalho. Tal sucede devido ao excesso de funções que acumulam e os desviam do seu verdadeiro propósito, cingindo-se à réplica de orientações e normas definidas por agentes externos à escola e, por isso, desprovidos do conhecimento da realidade. 

Estes professores “técnicos” contribuirão para gerações culturalmente iletradas, que pouco contribuirão para a evolução do país (e do mundo). Mas, talvez seja esse o objetivo, já que, tendencialmente, interessa que Portugal seja um bom “servidor da Europa”, como podemos ouvir na entrevista que António Carlos Cortez e Elsa Estrela deram à SIC Notícias e que vale a pena ver, ouvir e refletir.

sexta-feira, 3 de março de 2023

Em defesa da Escola Pública:

 Recebido dos professores da  Escola Secundária de Rio Maior :

Como professores da Escola Secundária de Rio Maior e tendo participado com dezenas de colegas do município, em momentos de reflexão e de reivindicação, dirigimos-lhe esta missiva na firme esperança de o sensibilizar para o gravíssimo problema que enferma o setor educativo do nosso país.

Há intermináveis anos, sim, parece não terem fim, que os professores se queixam de que o estado da Educação está calamitoso e disruptivo, que se encontram exaustos e que, no que concerne aos governantes, se têm sentido menosprezados pela ausência de interesse e de vontade em resolver os gravíssimos problemas que a Escola Pública atravessa, desde há longa data. 

Os professores sentem que o Governo, perante o estado de esgotamento de uma classe, limita-se a burocratizar cada vez mais as escolas e, de uma maneira ofensiva para com as reivindicações dos docentes, apenas tem palavras de intimidação e de privação do seu direito à greve e à manifestação pública do seu descontentamento. A forma particularmente infeliz como a tutela tem gerido esta crise na Educação, espelha a falta de valores, de cultura e de espírito de cidadania que atrofiam a nossa sociedade.

Se os problemas na Educação estão longe de ser um exclusivo português, a forma como são solucionados, digo, ignorados, mostra muito sobre o povo que somos.

Senão, vejamos:

-no presente ano, a vizinha Espanha optou por uma grande reforma orgânica na Educação com a valorização dos seus profissionais;

- a falta de professores, em França, mereceu uma intervenção direta do presidente Macron, que começou por garantir que nenhum professor poderia ganhar menos de 2.000€ e, para atrair jovens para a profissão, melhorou consideravelmente as condições de trabalho da classe docente;

- nos EUA, confrontados com a falta de 100 mil professores, a presidência atribuiu extraordinariamente 9 mil milhões de dólares, apenas para a contratação de mais professores;

- a Finlândia reservou 10 mil milhões de euros para a Educação e 2 mil milhões para atrair mais jovens para a profissão

- a propósito do “equilíbrio das nossas contas públicas", Fernando Medina, em entrevista à TVI, disse recentemente: "O país não tem só professores”. Fernando Medina tem razão. O país não tem só os professores. Tem o escândalo da TAP (3.200 milhões) para pagar, os desmandos dos bancos (22.049 milhões, segundo números recentes do Tribunal de Contas) para amortizar, a Jornada Mundial da Juventude (80 milhões) para organizar, a Brisa (140 milhões) para compensar, a Ucrânia (250 milhões) para ajudar, mais, entre tantas outras “liberalidades”, os politicamente muito convenientes aumentos dos magistrados e juízes, de 2019, e as milionárias e imorais indemnizações de agora e do futuro, para continuar a “honrar”.

Em Portugal, com um investimento na Educação que, em comparação com outros países, envergonha o nosso país, para combater a falta de atratividade da profissão, mantém-se um vencimento de início de carreira pouco superior ao salário mínimo, que é o mesmo que dizer a um jovem esperançoso na profissão escolhida por opção e vocação: Se queres ser professor, pega nas tuas malas e arranja um carro, mete-te à estrada, paga as contas de combustível e de alojamento e desenrasca-te (perdoe-nos o simplismo da expressão).

Depois de uma sucessiva perda do poder de compra, desde 2010, o Estado para a compensar e fazer face a uma inflação exorbitante, que atingiu os 7,9% no ano passado, limitou-se a dar aos professores um aumento miserável, pouco além dos 2%, degradando ainda mais a sua condição salarial.

Já em 2006, quando Maria de Lurdes Rodrigues, orgulhosamente, afirmou "ter perdido os professores, mas ganho a população e os pais", na mesma altura, o presidente francês fazia um comunicado à nação, agradecendo publicamente aos professores o seu contributo pelo progresso que o país tinha alcançado.

Perante esta realidade, perguntamos o que será preciso para se compreender, de uma vez por todas, os motivos de indignação dos professores?

Constituirá algum mistério o facto de o país estar constantemente a ser ultrapassado por outros nos rankings internacionais de desenvolvimento?

Por conseguinte, em rigor, quando o pensamento político para a Educação não vai além de uma legislatura, incapaz de pensar a Educação a médio e longo prazo e de contar com a colaboração dos professores – vistos sempre como uma despesa e como adversários a reprimir – o sistema de ensino no nosso país só pode piorar.

A todo este desprezo, soma-se a passividade de uma sociedade que, após dois meses de um visível sentimento de revolta dos professores, que se têm esforçado por denunciar o estado calamitoso em que se encontra a Escola Pública, ainda não foi capaz de exigir que se faça um debate público alargado acerca dos graves problemas da Educação em Portugal, onde se inclui a preocupante falta de professores e o futuro do país. 

Aos detratores dos professores, destes que estiveram abnegadamente com os alunos e com os pais no momento completamente avassalador, que há bem pouco tempo vivemos, àqueles interessa-lhes, apenas, ter uma escola de portas abertas (vulgus, armazém), mesmo sem condições, vocacionada somente para tomar conta dos mais desfavorecidos, acabando esta situação por denunciar a mentalidade limitada, que tomou conta de toda uma sociedade que não luta pelos seus merecidos direitos a serviços públicos de qualidade. 

Unidos em Defesa da ESCOLA PÚBLICA

1) A luta dos professores e técnicos superiores da Escola é uma luta genuína, com foco em valores como a justiça, o respeito, a valorização e a dignidade, e sem qualquer interesse sindical ou político.

2)A educação é a base de uma sociedade desenvolvida e a maior promotora de mobilidade social. Uma sociedade que não investe significativamente na educação e no conhecimento compromete o seu futuro.

3) os "professores são os pedreiros do mundo", pois estão na base da conceção da sociedade e de algo fundamental numa sociedade desenvolvida, o "Elevador Social".

4) É urgente o combate à precariedade e instabilidade de alguns professores e técnicos superiores, sistematicamente contratados e deslocados, votados a um baixo rendimento devido aos encargos financeiros acrescidos e não vislumbrando uma merecida estabilidade nas suas vidas.

5) É urgente reduzir o trabalho burocrático, a sobrecarga de trabalho que pouco ou nenhum benefício traz para o processo educativo e que limita o tempo disponível para apostar na qualidade, inovação e humanização da Escola, assim como o tempo pessoal/relacional dos seus profissionais.

6) É urgente um novo modelo de avaliação de desempenho que não defina quotas, que não estrangule e bloqueie a progressão na carreira.

7) É urgente a recuperação do tempo de serviço retirado aos professores (6 anos + 6 meses + 23 dias), ainda que faseada.

8) É urgente a atribuição de remunerações dignas aos profissionais da educação, alinhadas com o seu investimento formativo e as suas responsabilidades.

9) É urgente combater o facilitismo que tem sido introduzido pelos sucessivos governos no sistema educativo, tal como a perda de autoridade dos profissionais de educação.

10) É urgente tornar a profissão de professor uma PROFISSÃO NOBRE, prestigiada e mais atrativa, tanto para os que já a exercem como para os jovens, caso contrário, muitos docentes continuarão a optar por sair do ensino e poucos jovens estarão interessados na carreira de professor, pelo que, tendo em perspetiva o número de aposentações num futuro próximo, não haverá professores suficientes para as necessidades do país.

11) A persistente desvalorização dos profissionais da educação na sociedade portuguesa e a contínua degradação do quotidiano da escola pública têm conduzido a uma crescente insatisfação profissional, tornando-se estes profissionais uma das classes que acusa um maior desgaste e exaustão e apresentando, muitos deles, problemas de saúde mental que importa mitigar e, sobretudo, prevenir.

Por uma ESCOLA PÚBLICA de QUALIDADE

quarta-feira, 1 de março de 2023

POR QUE ESCREVEM OS ESCRITORES? RESPOSTAS PERIGOSAMENTE REVELADORAS

Por Eugénio Lisboa

É bem verdade que a indiscrição não está muitas vezes nas perguntas, mas sim nas respostas. Porque mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo. E, quase tão depressa como se apanha um mentiroso, apanha-se um pretensioso trapalhão.

O meio literário está cheio de gente desta, que muito polui a atmosfera que todos respiramos. Candura, coragem, simplicidade e o gosto do “franc parler” é o que menos se vê. 

Ler entrevistas feitas a escritores é quase sempre um dever penoso. Quando se pergunta a escritores de que ambiente precisam para arrancarem com a escrita, as respostas oscilam frequentemente entre o cómico e o patético. Uns precisam de sol, outros de chuva, outros, ainda, de nevoeiro. Alguns, que precisam fervorosamente de chuva, se não chove, usam um regador que faça chuva artificial. Quando se usava caneta, havia escritor que só funcionava com uma caneta especial. Alguns só operam se as secretárias em que escrevem estiverem voltadas a nascente, outros, se estiverem para poente.

A grande romancista americana Willa Cather precisava, para aquecer o motor da escrita, de ler uma passagem da Bíblia. Stendhal, em vez da Bíblia, usava o Código Civil, para o mesmo efeito. Hemingway aquecia o motor, aparando meia dúzia de lápis, Virginia Woolf, só escrevendo de pé e Edgar Poe, não conseguia escrever um poema sem um gato siamês em cima do ombro. Há para todos os gostos, o que é preciso é ser interessante e sugerir, sibilinamente (ou acreditar nisso, o que é pior), que o escritor em causa é accionado por poderes misteriosos.

A excepção a esta regra deprimente foi, por acaso, uma enorme escritora do século XX, a grande Colette, que a essa peculiar pergunta, respondeu que, para escrever, só necessitava de uma caneta, tinta e papel. Colette era só uma prodigiosa escritora e não precisava de posar de vestal oracular. Porém, no melhor pano, cai a nódoa. 

Mas o propósito que aqui me traz é outro: não sondar de que motor de arranque precisa o escritor para começar a escrever, mas antes a razão por que escreve. Nas respostas que grandes e menos grandes escritores têm dado a esta pergunta, também há de tudo. Desde as coisas mais grandiloquentes até às confissões mais cândidas e nuas.

Fernando Pessoa, por exemplo, não fazia a coisa por menos disto: “Eu escrevo para salvar a alma.” Clarice Lispector escrevia igualmente por razões egrégias: “Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.” Gabriel Garcia Marques tinha também altas ambições, embora fossem ambições não propriamente literárias: “Para que meus amigos me amem mais.” Tratava-se, em suma, não de amar, mas de ser amado. George Orwell, movido por razões nobres, era contido e modesto: “Quando me sento para escrever um livro, não digo a mim mesmo: ‘Vou produzir uma obra de arte’. Escrevo porque existe uma mentira que desejo expor, um facto para o qual quero chamar a atenção e a minha preocupação principal é atingir um público.” O grande jornalista, cronista e ficcionista brasileiro, Fernando Sabino, é a despretensão em pessoa: “Não sei por que escrevo. Eu nasci, virei homem e vou morrer.” O grande Carlos Drummond de Andrade, tenta, com modéstia e um uso cauteloso do “talvez”, dizer alguma coisa sobre por que escreve: “Sou uma pessoa que gosta de escrever, que conseguiu talvez exprimir algumas de suas inquietações, seus problemas íntimos, que os projectou no papel (…)”. João Cabral de Melo Neto, o engenheiro, ensaia, com modéstia e exemplar fuga ao pretensiosamente transcendente, sondar a razão de ser do seu ofício de grande poeta: “Eu sinto que me falta alguma coisa. Então, escrever é uma maneira que eu tenho de me completar. Sou como aquele sujeito que não tem perna e que usa uma perna de pau, uma muleta. A poesia preenche um vazio existencial. Às vezes eu escrevo porque quero dizer determinada coisa que eu acho que não foi dita; às vezes porque me interessa que conheçam meu ponto de vista. Às vezes, escrevo também por prazer.” Manuel Bandeira diz, sucintamente, uma coisa que também sinto: “Na verdade, faço versos porque não sei fazer música…” Truman Capote é desavergonhadamente radical: “Sou um estilista: preocupa-me mais onde colocar uma vírgula do que ganhar o Prémio Nobel.” O grande William Faulkner, escafandrista de infernos americanos e universais, não está com papas na língua e, à pergunta “por que escreve” responde curto e limpo: “Para ganhar a vida.” Mas o melhor de todos é Umberto Eco, com o seu lavado “Porque gosto.”

Mas não quero terminar esta breve excursão pelas declaradas motivações desse bicho estranho que é o escritor, sem aqui traduzir, para vosso entretenimento, esta deliciosa passagem do prefácio que Robert J.Burdette escreveu para o seu livro THE RISE AND FALL OF THE MUSTACHE AND OTHER HAWKEYETEMS: 
“O aparecimento de um novo livro é uma indicação de que um outro homem descobriu como missão entregar-se ao robusto cumprimento de um dever, accionado pelo mais nobre dos impulsos que podem incentivar a alma de um homem à acção. É a mais orgulhosa vanglória da profissão de literato que nunca homem nenhum publicou um livro por motivos egoístas ou propósitos ignóbeis. Têm-se publicado livros para consolação dos aflitos, para guia dos que andam ao deus dará, para alívio dos destituídos, para esperança dos penitentes, para elevar acima de tristezas e medos as almas sobrecarregadas, para a melhoria geral da condição humana, para o triunfo do certo sobre o errado, do bem contra o mal, para a vitória da verdade. Este livro é publicado para eu ganhar dois dólares por exemplar.” 
Eugénio Lisboa

Nota de leitura não obrigatória: Confesso que me dá bastante jeito escrever, com um gato ao meu lado. Nada de transcendente: é só uma ajuda. Por outro lado, escrevo para tornar mais claras um certo número de perguntas. Quanto às respostas, isso é demasiada areia para o meu camião. Ficam para outros mais atrevidos.

GATO É SUBSTANTIVO E ADJECTIVO

Para os meus amigos felinos: 
Ísis, Lua e Lindo, companheiros!
Dizer que há gatos e gatos é
uma grande calúnia, sem perdão:
gostar de gato é gostar bué,
seja em Leiria ou Roterdão,

seja gato ruivo ou cinzentão!
Pois gato é gato sem qualitativo:
gato não pede qualificação,
porque é substantivo e adjectivo,

tudo ao mesmo tempo: substantivo
indica felino pequeno, porém,
o termo gato é também adjectivo:

gato quer dizer beleza e desdém,
passada esbelta de grande alteza,
um mundo de vigor e de certeza!

Eugénio Lisboa

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Livros

Li o primeiro romance durante a passagem pela Escola Secundária, em Cantanhede. Um colega de turma emprestou-me, nessa altura, um romance de Milan Kundera, A Imortalidade. Li e gostei. Depois, em Coimbra, a paixão pelo livro cresceu até aos dias de hoje. Deixo aqui  alguns dos livros que mais me marcaram:

John Steinbeck - As vinhas da Ira

William Faulkner - O Som e a Fúria

                             - Na minha Morte

Isaac Bashevis Singer - Shosha

Ernest Hemingway- O Adeus às Armas

Leon Tolstói- Guerra e Paz

                     - A Morte de Ivan Ilitch

Fiódor Dostoiévski - Crime e Castigo

Chinghiz Aitmatov - Djamila

F. S. Fitzgerald - Terna é a Noite

L. F. Céline – Morte a Crédito

Bruno Schulz – As lojas de Canela

Stephen Crane - Sob a Bandeira da Coragem

James Joyce - Gente de Dublin

Dylan Thomas- Retrato do Artista quando Jovem Cão

Vítor Hugo – Os Homens do Mar

Sándor Márai- As Velas Ardem até ao Fim

Manuel Scorza – Rufam Tambores por Rancas

Tibor Déry - Niki, a História de um Cão

Panait Istrati – Os Cardos de Baragan

Paul Celan- Poemas

Raul Brandão- Húmus

Ferreira de Castro – A Selva

Fernando Assis Pacheco - A Musa Irregular

Dino Buzzati – O Deserto dos Tártaros

Luigi Pirandello – Ele foi Mattia Pascal

Ignazio Silone – A Semente sob a Neve

Alejandra Pizarnik - Poemas

Joseph Roth – Fuga sem Fim

Juan Carlos Onetti – Os Adeuses

                               -  A Vida Breve

G. G. Márquez - Cem Anos de Solidão

Miguel Torga – Poemas

Eugénio de Andrade – Poemas

Boris Pasternak- Doutor Jivago

Thomas Mann – A Montanha Mágica

Heinrich Boll – A Honra Perdida de Katharina Blum

Camilo José Cela- A Colmeia

Anton Tchekhov -  A Gaivota

                            - As Três Irmãs

George Orwell – O Caminho para Wigan Pier

Stendhal – A Cartuxa de Parma

Gustave Flaubert – Madame Bovary

Vergílio Ferreira – Para Sempre

Nabokov – Ada ou Ardor

Knut Hamsun- A Fome

Alain Fournier - O Grande Meaulnes

Cesare Pavese – Poemas

Robert Musil – O Homem sem Qualidades

Fel – José Duro

D.H.Lawrence - O Amante de Lady Chatterley

Virginia Woolf – Mrs. Dalloway

Pablo Neruda – Poemas

Cervantes- Dom Quixote

Henry Miller – Trópico de Câncer

Miklós Radnótti – Poemas

Walt Whitman – As Folhas da Relva

Fernando Pessoa – Poemas

Mikhail Bulgakov- Memórias de um Jovem Médico

Juan Rámon Jiménez- Poemas

Margaret Mitchell – E Tudo o Vento Levou

Áttila Josef  - Poemas

Italo Svevo – Uma Vida

Bohumil Hrabal – Eu que Servi o Rei da Inglaterra

Marcel Proust- Em Busca do Tempo Perdido

Carlos de Oliveira – Finisterra

Yukio Mishima – O Templo Doirado

Joseph Conrad – Lord Jim

Albert Cohen- O Livro de minha Mãe

Samuel Beckett - Teatro

                           – Molloy

André Gide - Os Moedeiros Falsos

Ivo Andríc - A Ponte sobre o Drina

Franz Kafka- O Castelo

Louis Aragon – O Camponês de Paris

Saint Exupéry – Voo Nocturno

René Char- Poemas

François Mauriac- Thérèse Desqueyroux

Alphonse Daudet- Cartas do Meu Moinho

Charlotte Bronte – Jane Eyre

Elias Canetti- Língua Exilada

Émile Cioran- Breviário de Decomposição

Albert Camus – A Peste

Henry James – Daisy Miller

Roger Martin du Gard- Os Thibauht

Jonathan Swift – As Viagens de Gulliver

Lewis Carroll – Alice no País das Maravilhas

António Nobre - Só

Martin Poulter - Wikidata Project

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Um soneto de amor

Um soneto de amor vem, na alva espuma

Ou num corredor de ecos, num olhar.

Escreve-se sem pressas, com a pluma

E o silêncio, e quer ser voz e voar.

 

Quase nas trevas, quase sem luz nenhuma,

Entre paredes se escreve ao luar,

Na gélida vertente de uma duna,

Onde já não se ouve o céu nem o mar.

 

Um soneto de amor teima em ser voz.

Busca o ar de um rosto, num corredor,

Enquanto uma lágrima corre a sós.

 

Teima em ser voo, um soneto de amor,

Sobre a alva espuma e sobre o mar atroz,

Quando é tão pouca a terra e tanta a dor.

 

LINKS DO NOVO PODCAST «MAIS LENTO DO QUE A LUZ»

 LINKS DO NOVO PODCAST «MAIS LENTO DO QUE A LUZ» MEU E DO DAVID MARÇAL O PRÓXIMO CONVIDADO SERÁ O FÍSICO MANUEL PAIVA, AUTOR DE «MEMÓRIAS DE UM FÍSICO PORTUGUÊS»

https://spotifyanchor-web.app.link/e/Okmg6YlIsxb
https://podcasts.apple.com/.../mais-lento-do.../id1670165826
https://podcasts.google.com/.../aHR0cHM6Ly9hbmNob3IuZm0vc...

Ep. 1 - Música e Ciência, com João Paulo André

O nosso primeiro convidado é João Paulo André, doutorado na Universidade de Basileia, na Suíça, e professor de Química na Universidade do Minho. Autor do livro “Poções e Paixões – Química e Ópera” (Gradiva), já em 2.ª edição, que a Biblioteca Nacional de Portugal produziu em braille e em versão áudio para invisuais, tem mantido intensa actividade de divulgação da ciência. O seu segundo livro «Irmãs de Prometeu. A Química no Feminino» saiu há pouco (também na Gradiva). Além da sua actividade académica na área da química, destaca-se o seu forte interesse pela música e pela literatura. Tem participado como comentador de ópera na Antena 2.

domingo, 26 de fevereiro de 2023

ALGUMAS NOVIDADES DA GRADIVA

O Espelho Imaginário, Eduardo Lourenço

Eduardo Lourenço aborda a temática da pintura de prismas diversos e analisa a obra de alguns pintores bem conhecidos, onde se incluem Klee, Velázquez, Picasso ou Vieira da Silva. Além de artistas internacionais, são objecto da sua atenção artistas nacionais de décadas relativamente recentes.

Uma obra de elevada riqueza de análise, que ilustra bem porque é que Eduardo Lourenço é considerado um dos grandes pensadores portugueses. Uma edição publicada do âmbito das comemorações do Centenário do nascimento de Eduardo Lourenço que decorrerão em 2023.

 "A Física de Partículas em Portugal - Origem e Desenvolvimento", de Gustavo Castelo-Branco, Margarida Nesbitt Rebelo, João Varela.

A adesão de Portugal ao CERN - Laboratório Europeu de Física de Partículas foi um marco na génese da Física de Partículas no nosso país. Os autores desta obra, cuja carreira profissional está ligada ao desenvolvimento da Física de Partículas, esclarecem, com base nas suas experiências pessoais, como se processou a evolução dessa área. Muito se cresceu: se há três ou quatro décadas pouco de falava de investigação científica em Portugal, hoje está longe de ser esse o caso.

Um livro que descreve as experiências dos autores no seu trabalho em Física de Partículas em Portugal desde a génese, mas que vai além disso: contribui com informação rigorosa para uma futura história desta disciplina.

A Teoria de Tudo, Stephen W. Hawking

Grande divulgador de ciência mas também cientista brilhante, Stephen Hawking acredita que os avanços da física teórica devem «poder ser compreendidos pelo grande público, e não apenas por alguns cientistas». Neste livro, propõe-nos a extraordinária aventura da descoberta do cosmos e do nosso lugar nele. Em sete lições, responde à curiosidade de todos aqueles que já olharam fascinados para o firmamento e se perguntaram o que há lá em cima e como foi lá parar.
 
"Introdução à Álgebra Linear", de Ana Paula Santana, João Filipe Queiró.

Pela mão de dois professores com amplos conhecimentos e experiência na área tratada, um livro pensado para servir de texto de apoio às disciplinas que tratam de Álgebra Linear em cursos de Engenharia, Economia, Ciências e Matemática. Com esse objectivo, a apresentação dos assuntos é feita de forma sistemática e rigorosa, mas modular, com conteúdos dirigidos especificamente aos alunos de cadeiras semestrais ou anuais das áreas referidas.

A EDUCAÇÃO DURANTE O ESTADO NOVO (2)

Segundo texto de uma série de doze, retirados do livro Antes dos Cravos  doo Professor António Galopim de Carvalho (em continuação do anter...