sexta-feira, 21 de julho de 2017

O julgamento do macaco


Scopes Monkey Trial (Imagem obtida no google)

O dia 21 de Julho é uma marca histórica para os defensores do papel da ciência na educação e, em particular, da biologia evolutiva. Hoje celebra-se uma das datas associadas ao “Scopes Trial” ou, como é vulgarmente conhecido, o Scopes Monkey Trial (O Julgamento do Macaco; 1925). John Scopes, então professor de biologia de secundário em Dayton, desafia a lei estatal ao ensinar evolução aos seus estudantes. Acusado, apresentou-se em tribunal e assim se fez história. O julgamento do macaco atraiu os destaques e machetes Estadunidenses para pequena cidade de Dayton em Tennessee, lançando a discussão do papel da ciência no ensino e questionando o fundamentalismo e literalismo bíblico.

John Scopes havia sido avisado. O “Butler Act” havia entrado em vigor no estado do Tennessee e era claro: professores das escolas públicas do estado não poderiam negar a origem bíblica da espécie humana. Ensinar evolução biológica era ilegal pois a doutrina creacionista detinha a exclusividade curricular. Deus fizera homens à sua imagem e o universo fora criado em 7 dias, ponto. Sob aviso que Scopes ensinaria evolução biológica aos seus alunos, os inspectores deslocaram-se à sala de aula e esperaram que o professor ensinasse a sua lição. De forma engendrada e num movimento contra a lei, Scopes dá o corpo às balas e é acusado de ensinar evolução e condenado a tribunal.

Várias personalidades deslocaram-se à pequena cidade de Dayton e o evento foi noticiado por todo o país. Do lado da doutrina religiosa alinhava William Jennings Bryan, candidato (derrotado) por três vezes à presidência dos Estados Unidos pelo partido democrata. O seu oponente, advogado de defesa de Scopes, Clarence Darrow era um reconhecido advogado nacional. Darrow havia preparado o seu caso e voara professores e cientistas para testemunhar. Destes, apenas um zoólogo foi reconhecido como testemunha válida, colocando em cheque a estratégia planeada. Então, de forma ousada, Clarence Darrow convoca o seu próprio adversário como testemunha do seu caso, questionando-o acerca das suas crenças e do conhecimento bíblico. Darrow questiona Bryan acerca do literalismo bíblico de Adão, Eva e Cain, entre outros, tentando ressalvar as diferenças entre crença, e conhecimento.

Dia 21 de Julho marca o dia do veredicto do julgamento. Scopes foi declarado culpado e a pagar 100 dólares americanos (aproximadamente 1400 dólares ajustados à inflação actual) por infrigir a lei. Mas o impacto engendrado pela American Civil Liberties Union havia sido feito: discutiu-se o papel da ciência e da religião na educação, questionou-se o fundamentalismo e doutrinas religiosas e questionou-se a legitimidade bíblica na imposição e estabelecimento de  leis.


Hoje a pequena cidade de Dayton celebra e vive em torno do “Julgamento do macaco” e relembra-nos do papel da ciência na educação. Pessoas de diversas partes do mundo juntam-se em Dayton para palestras organizadas pela universidade de Tennessee e para um festival de verão. Existe uma cervejaria associada que vende a Evolution IPA. Para os mais interessados, encontrarão um filme acerca do julgamento: Inherit the Wind (o vento será a tua lembrança).

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