sábado, 12 de janeiro de 2019

Para que os alunos se sintam confortáveis e felizes


“O último lugar onde uma criança se sentaria para ler é uma cadeira ereta 
e descobrimos que 95% deles não lêem sentadas numa cadeira em casa. 
Quando vão de férias, lêem deitadas. 
Ter condições na sala de aula que são como aquelas em casa 
significa que mais meninos estão lendo na sala de aula.”
Ver aqui.

"Adoro usar chinelos em casa, então é bom poder usá-los na escola. 
Isso  faz-me sentir relaxado e ajuda-me a aprender.
(...) os pesquisadores observaram milhares de crianças de 25 países,
descobriram que aquelas que usavam chinelos na escola 
tinham maior probabilidade de ler, chegar cedo e sair mais tarde. 
Também estudaram o impacto nos resultados académicos 
até a universidade e verificaram uma melhoria acentuada."
Ver aqui.


É grande a imaginação para levar os alunos a gostarem de estar na escola e a sentirem-se confortáveis e felizes.

ESPAÇOS
Assumpção: os espaços escolares são, em geral, limitados, as paredes das salas de aula
confinam. 
Solução: logo, importa tornar os "espaços de aprendizagem" (palavra recomendada) abertos e amplos, permitindo a deslocação de alunos e de professores, que se organizam e reorganizam em grupos funcionais, e procuram um reduto confortável/adequado. 
A pergunta a fazer é: de que espaços é que as crianças e os adolescentes mais gostam? A resposta é (dizem os adultos): de centros comerciais, de ruas e dos seus quartos. Então, façam-se escolas de raíz ou reformulem-se por inteiro as antigas de modo que pareçam centros comercias vibrantes (ver, por exemplo, o conceito de Escola Vittra), ruas animadas (ver, por exemplo, o exemplo, o conceito de Learning street) e quartos coloridos. Nestes espaços amplos haverá espaços reservados e recantos.
Como aprender é uma tarefa stressante, há que integrar ainda espaços chill-out (ver por exemplo, aqui).
Documento que pode ser consultado aqui
MOBILIÁRIO e DECORAÇÃO
Assumpção: o mobiliário escolar é, em geral, monótono e rígido. 
Solução: logo, de acordo com a configuração dos novos "espaços de aprendizagem", é preciso substituir o alinhamento clássico de mesas e cadeiras "normais" por novos alinhamentos de peças de mobiliário imaginativas (ver, por exemplo, o conceito de Escolas Vittra). 
O conforto físico é um critério de primeira linha, logo as peças onde os alunos se sentem ou recostem devem ser aconchegantes. A decoração terá de ser dinâmica (ver o exemplo das ditas Escolas do futuro).
O conjunto "mobiliário e decoração" dará expressão a esse conforto, indispensável ao bem-estar individual e às relação interpessoal nomeadamente as de que têm lugar entre os pares. 
Cadeiras com rodas, "puffs" em diversos modelos, mesas com novas tecnologias integradas, estão
FUNCIONALIDADE e LIMPEZA
Assumpção: o espaço e o mobiliário, em geral, restringem
Soluçãologo, têm de ser tornados flexíveis e funcionais podendo reorganizar-se/ reconverter-se facil e rapidamente para concretizar tarefas escolares e, mesmo, tarefas não escolares, como por exemplo, o já muito comum dormir na escola ou na biblioteca, sobretudo na biblioteca, de modo a estabelecer uma relação com a leitura (ver, por exemplo o tal sleepover, aqui e aqui)
CUIDADOS e CONFORTO
Assumpção: para estarem bem fisicamente, não basta que os alunos tenham uma boa alimentação ou que durmam as horas previstas.
Solução: logo, há que prever outros cuidados que contribuem para o seu conforto. Eis alguns interessantes: 
- Beber seis a oito copos de água por dia para que o cérebro mantenha a sua forma (ver aqui e aqui);
- Aprender de pé, em vez de sentado para gastar energia e manter-se focado (ver aqui e aqui);
- Usar meias grossas ou pantufas para sentirem uma ligação à sua casa (ver, por exemplo, aqui).
Este é apenas um breve resumo das condições que tenho visto serem afirmadas como favoráveis ou, mesmo, como fundamentais, para tornar a escola do século XXI atractiva. Lamentavelmente, nos textos de onde as recolho a referência ao conhecimento escolar e ao desenvolvimento das capacidades que ele potencia, não existe ou é secundária. O mesmo digo em relação ao duplo trabalho de ensino (do professor) e de aprendizagem (dos alunos).

Resta-me descansar os olhos na bela fotografia de Sebastião Salgado, ao lado, semelhante a outras que fez, representando a mesma realidade: a improvisão da escola em condições de vida duríssimas mas em que  se vê o essencial: professores e alunos reunidos para o ensino e para a aprendizagem.

Esta escola itinerante do Brasil, cumpre, afinal, muitos dos requisitos acima enunciados, sobretudo no que respeita à organização dos espaços.

2 comentários:

  1. A escola, onde se encerram, à força, durante uma longa parte do dia crianças e adolescentes, bonzinhos e mauzinhos, é, por enquanto, um mal necessário ao modo de vida vida normal em sociedades civilizadas. Evidentemente que esta escola-prisão, assim encarada por boa parte dos alunos, deveria ter um período de frequência obrigatória menor do que o exagero dos 12 anos atualmente em vigor, em Portugal.
    O rol de medidas a tomar, referidas no texto, para que todos os alunos se sintam confortáveis e felizes quando habitam os recintos escolares, mesmo que possam disfarçar, nos primeiros tempos, a disciplina que tem de existir em qualquer instituição escolar, são contraproducentes porque conduzirão, inevitavelmente, ao fim da própria escola, entendida como um espaço de encontro onde se ensina e aprende. Quando a escola servir apenas para brincar, deixará de ser necessária!

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  2. O Leitor aponta um aspecto que não referi, mas que é, evidentemente, de considerar: a "escola-a-tempo-inteiro" existe, na verdade, para muitos alunos, sobretudo para os mais novos. Como é difícil que alguém, mesmo que seja adulto, consiga estar tanto tempo no mesmo local, concede-se que a escola deixe de ser inteiramente ou principalmente escola: um lugar formal, de trabalho para ser um lugar informal do lúdico. É certo que nesta multiplicidade de propostas que mencionei não são alheios interesses comerciais, mas eles são acolhidos muito em função dessas indefinição que é a escola.
    Cumprimentos,
    MHDamião

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