segunda-feira, 21 de novembro de 2016
10 GPS
O jornal I escolheu 10 cientistas portugueses espalhados pelo mundo: ver aqui. Na foto Sofia Caria, que está na Austrália.
"20 ANOS, 20 LIVROS" - LIVROS DE CIÊNCIA PARA TODOS
Livros de ciência para todos. Exposição de obras sobre ciência publicadas, com duas excepções fáceis de perceber (obras de José Mariano Gago e Rómulo de Carvalho), entre 1996 e 2016, patente no Rómulo - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra a abrir no dia 24 de Novembrio de 2016, Dia Nacional da Cultura Científica.
(Selecção de livros feita por
Carlos Fiolhais; os resumos editoriais são, em geral extraídos das contracapas ou badanas)
1- JOSÉ MARIANO GAGO, “Manifesto
para a Ciência em Portugal”, Gradiva, 1990
“Este manifesto é um ensaio.
Propõe uma análise de estratégias de desenvolvimento científico baseadas na
renovação da educação, na criação da cultura científica, na ruptura do
isolamento científico português – isolamento face ao estrangeiro mas
igualmente, isolamento social e cultural, económico e político, da ciência no
próprio país. Sugere que só a generalização do debate em torno do
desenvolvimento da cultura científica poderá tornar socialmente sustentável o
actual atraso da ciência em Portugal e servir de fundamento a comportamentos
eficazes para a sua superação. Este livro visa, pois, a acção prática. É seu
propósito suscitar a construção de estratégias para o desenvolvimento
científico português, tão múltiplas como são variados os seus diversos
protagonistas. Um ensaio não é, contudo, um programa. Não busca o apoio a
medidas que indica ou propõe: submete-as apenas à reflexão alheia. Procura
diálogo, crítica, aprofundamento. Num manifesto, conta a motivação que se sabe
partilhada e o movimento de opinião que se deseja e para que se apela.” (José
Mariano Gago, que foi o primeiro ministro da Ciência e Tecnologia em Portugal;
este livro foi de certo modo o seu programa de governo na nova área).
2-RÓMULO DE CARVALHO, “A física
no dia-a-dia”, Relógio d’Água, 1995
O título original da edição na
Atlântida é “Física para o Povo”. Rómulo de Carvalho mostra a toda a gente que
a Física está no nosso quotidiano. A
obra de divulgação científica do professor de Física e Química que foi também o
poeta António Gedeão ocupa um lugar destacado na história da divulgação
científica em Portugal. Com um prefácio de José Mariano Gago, é um clássico da
divulgação científica e, como todos os clássicos, permanece sempre actual.
3-ANTÓNIO DAMÁSIO, “O Sentimento
de si: O Corpo, a Emoção e a Neurobiologia da Consciência”, Europa-América,
1999.
«Estou hoje convencido que a
distinção entre emoção e sentimento, a que dou tanto valor em ‘O Sentimento de
Si’, não foi apenas muito útil para entender a neurofisiologia destes distintos
fenómenos mas é também indispensável para compreender o alcance biológico dos
sentimentos e o facto de que a experiência mental — e não apenas o respetivo
substrato neural — tem, em si mesma, um papel importante a desempenhar na
regulação da vida. Sem a possibilidade da experiência mental dos estados do
corpo que os sentimentos nos proporcionam, não nos seria possível concentrar a
atenção em certos problemas e em certas opções de resposta de modo a aceitar ou
formular as melhores alternativas e de forma a rejeitar as menos boas.»
(António Damásio, prémio Pessoa e autor também de “O Erro de Descartes”).
4-CONSTANÇA PROVIDÊNCIA ET AL., “Ciência
a Brincar”, Bizâncio, 1999
Como encher um balão com química?
Será que a plasticina vai afundar num copo de água? E será que um íman por cima
de outro vai cair? Quantas imagens se vêem com dois espelhos? Através de
experiências muito simples, as crianças (4 a 8 anos) poderão entrar no mundo da
Ciência, experimentando, observando, comunicando. Estas experiências foram
realizadas em mais de 50 jardins-escolas e escolas portuguesas, num projecto da
Sociedade Portuguesa de Física. Este é o primeiro de uma série de 10 livros.
5-MÁXIMO FERREIRA, “O Pequeno
Livro da Astronomia”, Bizâncio, 2001
Este é um trabalho dedicado a
quem sente algum fascínio pela contemplação do céu. Com este
livro de um dos mais conhecidos
divulgadores da astronomia em Portugal o leitor poderá sentir-se em plena
intimidade com galáxias, estrelas e planetas, pela simples razão de saber
que eles são constituídos pelos mesmos elementos que existem nas plantas ou nos
animais. Sentirá o conforto de conhecer
melhor a Ursa Maior ou a Cassiopeia e recordar algumas das histórias de
que elas foram personagens principais. Encontrará deuses, animais ou
figuras lendárias nos céus, mas sempre com os pés bem assentes na Terra.
6- JOÃO MAGUEIJO, “Mais rápido do
que a luz. Uma biografia de uma especulação científica”, Gradiva, 2003.
“Mais Rápido Que a Luz” é a história de como uma ideia herege de um
jovem físico pretendeu destronar Einstein e a mudar para sempre o
nosso modo de ver o mundo. A luz propaga-se a uma velocidade fixa, que é
uma das constantes da Natureza. Esta ideia foi consagrada por Einstein na sua
teoria da relatividade restrita e é um dos pilares da física moderna. E se não
for correcta? O físico João Magueijo, especialista em Astrofísica em Londres,propôs
uma especulação extraordinária: a
velocidade da luz foi maior no universo primordial. A sua teoria da velocidade
da luz variável resolve alguns dos problemas mais difíceis da cosmologia. A
teoria pode além disso ter consequências fabulosas quanto a viagens espaciais,
buracos negros, dilatação do tempo e teoria das cordas. Este livro é sobre as
ideias e o seu lugar no mundo.
7- MANUEL PAIVA, “Como respiram os
astronautas”, Gradiva, 2004
“Como Respiram os Astronautas” é
um convite, da autoria de um professor de Física e divulgador da física
emigrado na Bélgica (prémio Ciência Viva), para passear nos
bastidores da aventura que é a investigação cientifica, na companhia do autor –
físico que estuda o funcionamento do corpo humano - e dos exploradores dos tempos modernos que
são os astronautas. A aventura passa-se no meio interdisciplinar da Física
Biomédica que está hoje a revolucionar a Medicina. Além do mais, o autor tenta
demonstrar que a riqueza de um país está na matéria cinzenta da nova geração,
que só pode ser valorizada pela dedicação e competência dos professores que a
instruem, apoiada por uma população cientificamente culta.
8-LUÍS MIGUEL BERNARDO, “História
da Luz e das Cores”, Universidade do Porto, 3 vols., 2005
“Histórias da Luz e das Cores”, da autoria de
um físico e historiador de ciência, conta
a fascinante história o nosso conhecimento da luz e das cores desde a
Antiguidade até aos nossos dias. Algumas
das concepções sobre a luz e as cores que os nossos antepassados elaborara não
têm hoje valor científico; mas outras vieram a constituir os pilares em que
assenta o conhecimento científico moderno. Não foram esquecidos nestes três volumes
os desenvolvimentos tecnológicos mais modernos relativos à óptica: os laseres,
as fibras ópticas, as telecomunicações, etc.
9-A.M. GALOPIM DE CARVALHO, “Como
Bola Colorida. A Terra, património da Humanidade", Âncora, 2007
A geologia mostra-nos a Terra
como um sistema dinâmico, auto-regulado, harmonioso e frágil no contexto dos
processos naturais, mas que começa a dar sinais preocupantes de rotura, em
resposta às agressões decorrentes da sociedade do desenvolvimento e do consumo.
Ensina-nos que estamos entre os mais recentes elementos de uma longa e complexa
cadeia de inter-relações desde sempre existentes entre a litosfera, a hidrosfera,
a atmosfera e a biosfera, num dinamismo alimentado por duas fontes de energia:
o calor interno do planeta e a luz que nos chega do Sol. Galopim de Carvalho,
geólogo e divulgador da geologia (prémio Ciência Viva), guia-nos numa viagem pelas maravilhas da
Terra.
10- NUNO CRATO, “Passeio aleatório
pela ciência do dia-a-dia”, Gradiva, 2007
Este é um livro para curiosos
escrito por um curioso, professor de matemática e divulgador da matemática. Um
livro sobre a ciência que atravessa o nosso dia-a-dia, a ciência em que não
reparamos ou que temos dificuldade em perceber. Com clareza e simplicidade, mas também com o rigor de um
profissional da ciência, o autor guia-nos pelo mundo da cultura científica, num
passeio tanto mais interessante quanto aparentemente aleatório. Fica-se a saber
como Tales mediu a altura da grande pirâmide e qual era o mistério das pontes
de Königsberg. Fala-se da quadratura do círculo e das lentes dos faróis.
Explica-se o contributo dos Descobrimentos para o sucesso do Tabasco.
Discute-se o funcionamento do marégrafo de Cascais e de onde vem a tecnologia
bluetooth. Explica-se o mito da maçã de Newton e a origem do sinal @...
11- HENRIQUE LEITÃO, “Chamo-me…Pedro
Nunes”, Didáctica, 2010
Pedro Nunes foi um matemático
muito famoso durante a sua vida, no século XVI;
e há até quem diga que fui o mais importante português de todos os
tempos. Este livro para jovens, da autoriam de um distinto historiador de
ciência português (prémio Pessoa) é uma biografia de Pedro Nunes que permite
saber quais foram as descobertas mais importantes que ele fez.
12- JORGE CALADO, “Haja Luz! Uma
história da Química através de tudo”, IST Press, 2011
"Haja Luz!”, de um professor
de Química, crítico de arte e de fotografia e escritor de ciência (prémio
Universidade de Lisboa), é uma história
heterodoxa, onde a química vem entrelaçada não só com as outras ciências mas
também com a literatura, a música, as artes visuais, o cinema, a filosofia,
etc. Aqui, o químico Humphry Davy aparece de braço dado com o poeta Samuel T.
Coleridge, Richard Wagner partilha a divisão do trabalho com Adam Smith, e a
pintura de René Magritte é invocada a propósito de Louis Pasteur; Marilyn
Monroe fica associada ao carbono, Jules Verne e Jacques Offenbach celebram o
oxigénio, e Sebastião Salgado fotografa a alquimia sufocante do enxofre. E tudo
começa com Joseph Haydn, e a sua oratória, ‘A Criação’. A química resulta de
uma curiosidade básica: saber de que é que são feitas as coisas. Nesta
fascinante digressão histórica, desde a época áurea dos Gregos até aos dias de
hoje, Jorge Calado mostra como a química moderna deriva do conhecimento do fogo
da combustão e do raio do relâmpago, isto é, da energia. A química é construída
por homens e mulheres, novas e velhas, com gostos e desgostos. A história da
química faz-se com elas, e Jorge Calado dá sentido à narrativa enquadrando as
invenções e descobertas químicas nas disputas, guerras e conquistas sociais e
políticas
13-JOÃO LOBO ANTUNES, “Egas Moniz
: uma biografia”, Gradiva, 2011.
Esta é a primeira biografia de
uma das mais fascinantes personalidades médicas do século XX, a quem se devem
duas contribuições científicas fundamentais: a angiografia, uma técnica que
permite a visualização dos vasos cerebrais, e a psicocirurgia, o primeiro
tratamento cirúrgico de certas doenças psiquiátricas, agora ressuscitada em
consequência de progressos tecnológicos recentes. Egas Moniz, o nosso único
Prémio Nobel em Ciências, nasceu em 1874 em Avanca e formou-se na Universidade
de Coimbra. Em 1911 transferiu-se para a
Universidade de Lisboa. Até 1919 foi um político activo, chegando a Ministro de
Negócios Estrangeiros e chefiando a delegação portuguesa à Conferência de
Versalhes no final da Grande Guerra. Esta é uma narrativa objectiva e crítica,
para a qual o autor, professor de Medicina, neurocirurgião e escritor (prémio
Pessoa), dispôs de numerosos documentos e cartas inéditos e do testemunho de
colaboradores e familiares de Egas Moniz. Revela um político, um diplomata, um
homem das letras e do mundo, um clínico de sucesso e um cientista improvável.
14-JORGE BUESCU, “Casamentos e
outros desencontros”, Gradiva, 2011.
A matemática não é um assunto
árido, encerrado, um instrumento de tortura para alunos? Ela é acima de tudo uma extraordinária aventura
intelectual – empolgante, dinâmica, fervilhante de ideias e em permanente
construção. Há hoje mais matemáticos activos do que em toda a História da
Humanidade no seu conjunto. A matemática vive hoje uma verdadeira Idade do
Ouro. Como é que funciona o Google? Como é que um resultado abstruso em teoria
de grupos pode inspirar um físico a explicar o universo nos intervalos em que
não faz surf no Hawai? Qual é a melhor altura para deixar de procurar a mulher
dos seus sonhos e assentar? É possível organizar um conjunto de casamentos por
forma a que ninguém tenha tentações de casos extra-matrimoniais? Estes são
alguns exemplos das questões abordadas neste livro, da autoria de um matemático
e divulgador da matemática, que, em
dúzia e meia de curtos ensaios, explica de uma forma divertida mas rigorosa
como é que uma abordagem matemática ao mundo enriquece a nossa compreensão do
seu funcionamento.
15- CARLOS FIOLHAIS e DAVID MARÇAL, ”Pipocas com telemóvel e
outras histórias de falsa ciência”, Gradiva, 2012.
Este livro, da autoria de dois
divulgadores científicos (um físico e outro bioquímico), conta histórias de falsa ciência. Abundam as
aldrabices científicas na Internet, de que o vídeo que mostrava milho a
transformar-se em pipocas devido à radiação de telemóveis é um bom exemplo.
Também há muitas tretas nos media, a começar logo pelos horóscopos. As
prateleiras de supermercado estão recheadas de falsas promessas de medicina
preventiva, das quais o escândalo do «iogurtegate» é uma das mais delirantes.
Mas, pasme-se, a falsa ciência também é praticada e ensinada nalgumas escolas.
E está bem mais presente do que julga na saúde. Nem as revistas científicas e
as universidades escapam, pois também aí se encontra uma boa colecção de
fraudes que mais cedo ou mais tarde acabam por ser descobertas. Não há lugares
seguros. A única segurança terá de estar no leitor: uma atitude crítica poderá
evitar-lhe contratempos e poupar dinheiro. A ciência assenta na observação, na
experiência e na correcção de erros, e não nas palavras de pretensas
autoridades que nunca aceitam ser corrigidas. Não se deixe enganar!
16- FILIPE DUARTE SANTOS, “Alterações
Globais: os desafios e os riscos presentes e futuros”, Fundação Francisco
Manuel dos Santos, 2012.
Nos últimos milénios, e
especialmente durante os últimos dois séculos, as sociedades humanas, têm
provocado alterações significativas no ambiente. As interferências com o
sistema terrestre são actualmente tão profundas que ameaçam os processos de que
depende a sustentabilidade daquelas sociedades. Este livro, de um físico
especialista em mudanças climáticas (prémio Universidade de Lisboa), apresenta
uma abordagem integrada que inclui a dimensão humana e as transformações
sociais e económicas que contribuem para as alterações globais. Analisa a
situação mundial e as perspectivas da sua evolução no quadro da recente crise
Ocidental, da convergência económica entre os países em desenvolvimento e os
países mais industrializados. O caso de Portugal face às alterações globais é
também discutido, devido às particulares implicações deste fenómeno no nosso
país.
17- MANUEL SOBRINHO SIMÕES, “Gene,
Célula, Ciência, Homem”, Verbo, 2012.
Este livro reúne os textos mais interessantes de Manuel
Sobrinho Simões: o famoso médico do Porto especialista em cancro (prémio
Pessoa) escreve sobre o cancro, a genética, o ambiente, o Popeye e
os superheróis. A estes textos acrescentam-se as suas mais importantes
entrevistas, onde a clarividência do seu pensamento é patente. O autor surpreende o leitor pelo seu
olhar clínico mas ao mesmo tempo abrangente com que analisa as mais variadas
questões. O livro inclui o texto de aceitação do Prémio Pessoa.
18- MIGUEL CLARO, “Dark Sky:
Alqueva o destino das estrelas, a star destination,” Edições Centro Atlântico, 2015
A Terra está na zona habitável do
Sol. Gerou vida inteligente e curiosa, deliciada com o mundo, mas a sua própria
evolução retirou-lhe o céu estrelado que a envolveu até há poucas centenas de
anos. Para combater a poluição luminosa, culpada por este apagão do céu, foi
criada a Reserva Dark Sky Alqueva, no Alentejo, o primeiro destino do mundo
certificado como "Destino Turístico Starlight" por parte da Fundação
Starlight, apoiada pela UNESCO e pela Organização Mundial de Turismo das Nações
Unidas. Nesta zona é possível observar o céu dos nossos antepassados e a
dinâmica celeste que ocorre ao longo de uma noite num registo astrofotográfico.
É uma das formas de mostrar e comunicar ao mundo a importância da astronomia,
enfatizando a grandiosidade do património arquitectónico, cultural e
paisagístico, numa união entre o céu e a terra, uma simbiose perfeita em que,
através da expressão fotográfica, "beleza, ciência e arte", caminham
lado-a-lado. O belo livro de um astrofotógrafo português consagrado
internacionalmente dá exemplos dessa simbiose.
19- JOSÉ TITO DE MENDONÇA, “Uma
biografia da luz: ou a triste história do fotão cansado”, Gradiva, 2015
Este ensaio de um professor de Física
especializado em Óptica sobre a natureza e as propriedades da luz, enquadrado
no Ano Internacional da Luz, celebrado em 2015, divulga o conhecimento sobre
este tema fundamental e apaixonante da física. Podendo ser lido por um público
não especializado, interessa também aos especialistas. O autor, professor e
investigador de Física, inclui testemunhos sobre a ciência assim como episódios
pessoais da sua actividade científica. «A luz é um dos grandes mistérios,
perseguido tanto por pintores como por físicos. Mas também os insectos e os
místicos são atraídos por ela», escreve. O tema da luz é explorado com recurso
a numerosas histórias e a exemplos.
20- JORGE DIAS DE DEUS, “Ciência
cosmológica: De onde vimos? Onde estamos? Para onde vamos?”, Gradiva, 2016.
Este livro, da autoria de um
professor de Física especializado em Astrofísica, propõe uma viagem até à
moderna ciência do Universo. A ciência, como actividade humana socialmente
relevante, é relativamente recente. Contudo, a cosmologia, como visão do
Universo ligada a construções mágicas e religiosas, é muito antiga. O Universo
teve um princípio? Terá um fim? O que se passou desde o início? Como se formou
a matéria que hoje vemos? O Universo é infinito ou finito? O que vemos quando
olhamos para grandes distâncias? Existirão outros Universos? De início, as
respostas foram lendas e mitos, alguns dos quais remontam à pré-história. Na
Antiguidade Grega começou a procura da racionalidade. Mas foi com a Revolução
Científica, no século XVII, que alcançámos um conhecimento empírico e
matemático. No século XX surgiu a moderna cosmologia. Este livro guia-nos, com
sabedoria, na história do nosso conhecimento do Cosmos.
"MAKE AMERICA SMART AGAIN"
N
Neil deGrasse Tyson resumiu em quatro palavras a missão necessária para os próximos quatro anos: "Make America smart again."
Neil deGrasse Tyson resumiu em quatro palavras a missão necessária para os próximos quatro anos: "Make America smart again."
MÊS DA CIÊNCIA DA FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL DOS SANTOS
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CIÊNCIA E RELIGIÃO NO RÓMULO
O RÓMULO Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, tem o prazer de o (a) convidar para a celebração do seu 8º Aniversário, na próxima 5ª feira, 24 de Novembro de 2016.
O RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra abriu as suas portas no dia de 24 de Novembro de 2008, dia de aniversário do professor e poeta Rómulo de Carvalho (1906-1997), e Dia Nacional da Cultura Científica, no edifício do Departamento de Física daquela Universidade.
No próximo dia 24 de Novembro vai completar oito anos de funcionamento como centro de recursos para a aprendizagem das ciências e a difusão da cultura científica na sociedade. Dos cerca de 3000 títulos iniciais, passou para mais de 24000 hoje, dos quais 16000 estão catalogados, para além de uma notável colecção de livros, revistas, CD e DVD sobre temas de ciência.
O RÓMULO, que integra a Rede de centros Ciência Viva espalhados pelo país, tem sido palco de inúmeras actividades de cultura científica e por ele têm passado grandes figuras nacionais (por exemplo, em 24 de Novembro do ano passado, contou com a presença do Prof. João Lobo Antunes a quem rendeu homenagem).
PROGRAMA
- Às 16h30, é inaugurada a exposição “Vinte Anos. Vinte livros de Ciência para todos”, integrada nas comemorações dos 20 anos da Ciência Viva.
- 17h00, lanche (com magusto).
- Pelas 17h30, terá lugar a sessão de aniversário, que se centrará num debate sobre “Ciência e Religião”, com a presença de Tolentino de Mendonça, (teólogo e poeta), uma das figuras maiores da cultura portuguesa, e Nuno Camarneiro, (professor e escritor), engenheiro físico que frequentou o Departamento de Física em Coimbra para recentemente se revelar uma das vozes originais da literatura nacional.
A sessão será moderada por Carlos Fiolhais, director do RÓMULO.
- Pelas 17h30, terá lugar a sessão de aniversário, que se centrará num debate sobre “Ciência e Religião”, com a presença de Tolentino de Mendonça, (teólogo e poeta), uma das figuras maiores da cultura portuguesa, e Nuno Camarneiro, (professor e escritor), engenheiro físico que frequentou o Departamento de Física em Coimbra para recentemente se revelar uma das vozes originais da literatura nacional.
A sessão será moderada por Carlos Fiolhais, director do RÓMULO.
ENTRADA LIVRE
Público-alvo: Público em geral
Público-alvo: Público em geral
BIOGRAFIAS
José
Tolentino de Mendonça, nascido em Machico (Madeira) em 1965
é padre, teólogo e poeta. É professor e vice-reitor na Universidade Católica Portuguesa.
Ordenado padre
em 1990,
fez em Roma
um mestrado em Ciências Bíblicas. Doutorou-se na Universidade Católica
Portuguesa em Teologia
Bíblica, tornando-se professor e, desde 2012,
vice-reitor. Dirige o Secretariado Nacional da Pastoral da
Cultura e a revista "Didaskalia",
editada por aquela Universidade. É consultor do Conselho Pontifício da Cultura
no Vaticano. É membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.
Vem no espaço público sustentando um diálogo entre os textos bíblicos e as
questões da actualidade, destacando-se os seus livros, de ensaio (alguns
traduzidos lá fora) e poesia, e as suas crónicas no “Expresso”. O seu último
livro é "A Construção de Jesus", 2015, 2.ª ed., Paulinas com edição em Itália.
Dirige algumas colecções nas Edições Paulinas. Entre os seus prémios e
distinções, destacam-se o Prémio Cidade de Lisboa de Poesia (1998), o Prémio
PEN Clube Português (2005), o Prémio Literário da Fundação Inês de Castro
(2009), a Ordem do Infante D. Henrique, o Prémio Literário Res Magnae (2015),
a Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (2015)
e o Grande Prémio APE/CM de Loulé (2016).
Nuno Camarneiro, nascido em 1977 em Coimbra, é um escritor e professor universitário português. Formou-se em Engenharia Física na Universidade de Coimbra, trabalhou no CERN e doutorou-se em Florença em Ciências aplicadas ao Património Cultural. É investigador na Universidade de Aveiro e docente na Universidade Portucalense. Em 2011 publicou o seu primeiro romance "No Meu Peito Não Cabem Pássaros" e em 2013 "Debaixo de Algum Céu" com o qual venceu o Prémio LeYa. É autor ainda da colectânea de contos "Se Eu Fosse Chão" (Dom Quixote, 2015), da peça de teatro "Ainda Hoje Era Ontem" (2015) e da obra de literatura infantil "Não Acordem os Pardais" (2015).
Só falta um cientista português no pólo Norte
A jornalista Marta Reis escreve no jornal I de hoje sobre o GPS, o projecto de levantamento dos cientistas portugueses no mundo da Fundação Francisco Manuel dos Santos em parceria com a Ciência Viva, a a Universidade de Aveiro e a Altice, que conta com a colaboração de todas as associações de graduados portugueses que estão no estrangeiro.
http://ionline.sapo.pt/artigo/534930/rede-gps-so-falta-achar-um-cientista-portugu-s-no-polo-norte-?seccao=Tecnologia_i
Um GPS para a ciência
Editorial de Diogo Queiroz de Andrade no "Público" de hoje sobre o GPS, a rede dos cientistas portugueses no mundo:
https://www.publico.pt/ciencia/noticia/um-gps-para-a-ciencia-1751896
GPS, A NOVA REDE DOS CIENTISTAS PORTUGUESES PELO MUNDO FORA
Com a devida vénia, transcrevo artigo da jornalista Teresa Serafim no Público de hoje. Além disso, ela "mapeou" um conjunto de cientistas portugueses espalhados pelo mundo. O editorial do jornal é dedicado ao tema da diáspora científica:
Diáspora científica
"Já é possível saber por onde é que eles andam por todo o planeta. Basta entrar na rede GPS (não, não é o sistema de navegação por satélite) e andar por lá como se fosse qualquer outra rede social. A diferença é que esta é só sobre ciência.
Em pleno século XV, os portugueses partiam à descoberta de um mundo desconhecido. Esta expansão permitiu que se espalhassem por todos os pontos do planeta, levando e trazendo conhecimentos para Portugal. É frequente vermos mapas referenciados com os sítios por onde passaram e como o conhecimento circulou nesses tempos. Seis séculos depois, em 2016, há uma rede que localiza os cientistas portugueses espalhados pelo mundo. Chama-se GPS (Global Portuguese Scientists), já está online desde 7 de Novembro e amanhã é o lançamento oficial, às 17h30, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Mesmo que não seja cientista, pode inscrever-se e acompanhar a ciência que se vai fazendo pela mão dos portugueses no estrangeiro.
A criação de uma rede social não é inovadora. Aliás, vivemos num período onde as redes sociais permitem ligar os cidadãos em qualquer parte do mundo e na ciência isso já acontecia com a Researchgate ou a Academia.edu. A novidade do GPS (gps.pt) é que esta rede é formada por cientistas portugueses que trabalham em vários países. Esta ideia surgiu na Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), nomeadamente do físico Carlos Fiolhais, coordenador da área de conhecimento da FFMS. Depois, o Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro tratou da parte técnica do projecto, juntamente com vários parceiros que foram surgindo: a Associação de Diplomados Portugueses em França (AGRAFr), a Associação de Pós-Graduados Portugueses na Alemanha (ASPPA), a Sociedade de Portugueses de PósGraduados na América (PAPS), a Associação Portuguesa de Investigadores e Estudantes no Reino Unido (PARSUK) e a Native Scientists. Houve ainda a colaboração da agência Ciência Viva e da Altice Labs.
Agora, é possível percorrer um mapa onde estão georreferenciados os cientistas portugueses há mais de três meses no estrangeiro, assim como o seu percurso na investigação.
“O GPS vai permitir desenvolver o debate”, diz-nos David Marçal, que é o coordenador do GPS, referindo-se à diáspora de cientistas portugueses pelo mundo, também denominada “fuga de cérebros”, uma expressão muito falada, mas com poucos dados disponíveis.
David Marçal conta que há milhares de investigadores portugueses pelo mundo fora, mas não há números concretos. “Ninguém sabe muito bem quantos são. É uma estimativa difícil, porque há muitos investigadores que perdem o contacto com Portugal quando não são financiados por fontes nacionais. O GPS poderá ajudar a recolher dados para uma estimativa melhor.”
O que se sabia de forma empírica é que o Reino Unido e os EUA são os maiores pólos de atracção de cientistas portugueses — e isso já é visível no GPS. “Mas não sabemos muito sobre os seus percursos e agora aqui no GPS podemos observá-los”, salienta. “No fundo, o GPS quer mapear a mobilidade científica.” Em contrapartida, conhece-se bem é o número de cientistas a trabalhar em Portugal: segundo os dados do último Inquérito do Potencial Científi co e Tecnológico Nacional de 2015, divulgados em Outubro, existiam 39.580 cientistas no país. Um Facebook da ciência Um Facebook da ciência O entusiasmo de Carlos Fiolhais pelo projecto, autor do seu nome, também é notório: “Vamos ter dados científicos actualizados!” O físico nota que, desde 2011, a circulação de cientistas portugueses no mundo aumentou devido à crise, salientando que esta foi uma emigração das mais qualifi cadas da história do país.
E se há problema nesta emigração, é o saldo líquido desta fuga de cérebros ser desfavorável para Portugal, ou seja, saem mais cientistas do que entram. “Com esta rede, podemos vir a confirmar se são intuições”, ressalva. Se os cálculos futuros tiverem uma margem de erro, isso dever-se-á ao facto de a inscrição na rede ser voluntária.
Apenas duas semanas depois de a plataforma estar disponível online, já há cerca de 1200 registos, dos quais cerca de 700 são “cientistas GPS”. Esta adesão também terá sido influenciada pelo contacto com as associações de cientistas no estrangeiro. A equipa do GPS contactou-as, como a AGRAFr e a PAPS, para perceber as necessidades dos cientistas portugueses. Carlos Fiolhais, um dos interlocutores dessas conversas, destaca a vantagem de se ter escutado os cientistas. “Se alguns encontraram vidas melhores no estrangeiro, por outro lado encontraram também o isolamento. Há uma ligação mais do que cultural a Portugal, há uma ligação afectiva. O GPS torna os cientistas portugueses menos isolados e todos eles ficaram entusiasmados com isso.” Além disso, o GPS pode vir a facilitar colaborações científicas. “A formação é dada por nós e depois partem”, lamenta Carlos Fiolhais. “Apesar disso, os cientistas gostavam de contribuir à mesma para o país à distância”, sublinha. No perfil, os investigadores têm os seus contactos e o seu percurso, o que pode permitir que sejam contactados por startups que procurem inovação ou por centros de investigação portugueses que precisem de colaboradores com alta qualificação. “A ideia é que Portugal reconheça os melhores em benefício próprio do país. Agora sabemos onde estão. É só andar pelo GPS.”
Para todos os que queiram fazer parte deste “Facebook para cientistas, onde os amigos são amigos da ciência”, como compara Carlos Fiolhais, é possível criar grupos de temas e áreas científicas específicas. “Até se pode discutir política científica portuguesa, se quiserem!”, sugere Carlos Fiolhais, convidando todos os que gostam de ciência a inscreveremse nesta comunidade.
“Esperamos ligar a rede de cientistas e cobrir o globo, até nos sítios mais isolados”, afirma Carlos Fiolhais. Ainda há muito a melhorar, reconhecem os responsáveis, e ainda se está em fase de autoconhecimento dentro da própria rede. “É como uma criança que acaba de nascer e que espero que seja feliz”, diz um dos pais do GPS."
Teresa Serafim
Diáspora científica
"Já é possível saber por onde é que eles andam por todo o planeta. Basta entrar na rede GPS (não, não é o sistema de navegação por satélite) e andar por lá como se fosse qualquer outra rede social. A diferença é que esta é só sobre ciência.
Em pleno século XV, os portugueses partiam à descoberta de um mundo desconhecido. Esta expansão permitiu que se espalhassem por todos os pontos do planeta, levando e trazendo conhecimentos para Portugal. É frequente vermos mapas referenciados com os sítios por onde passaram e como o conhecimento circulou nesses tempos. Seis séculos depois, em 2016, há uma rede que localiza os cientistas portugueses espalhados pelo mundo. Chama-se GPS (Global Portuguese Scientists), já está online desde 7 de Novembro e amanhã é o lançamento oficial, às 17h30, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Mesmo que não seja cientista, pode inscrever-se e acompanhar a ciência que se vai fazendo pela mão dos portugueses no estrangeiro.
A criação de uma rede social não é inovadora. Aliás, vivemos num período onde as redes sociais permitem ligar os cidadãos em qualquer parte do mundo e na ciência isso já acontecia com a Researchgate ou a Academia.edu. A novidade do GPS (gps.pt) é que esta rede é formada por cientistas portugueses que trabalham em vários países. Esta ideia surgiu na Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), nomeadamente do físico Carlos Fiolhais, coordenador da área de conhecimento da FFMS. Depois, o Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro tratou da parte técnica do projecto, juntamente com vários parceiros que foram surgindo: a Associação de Diplomados Portugueses em França (AGRAFr), a Associação de Pós-Graduados Portugueses na Alemanha (ASPPA), a Sociedade de Portugueses de PósGraduados na América (PAPS), a Associação Portuguesa de Investigadores e Estudantes no Reino Unido (PARSUK) e a Native Scientists. Houve ainda a colaboração da agência Ciência Viva e da Altice Labs.
Agora, é possível percorrer um mapa onde estão georreferenciados os cientistas portugueses há mais de três meses no estrangeiro, assim como o seu percurso na investigação.
“O GPS vai permitir desenvolver o debate”, diz-nos David Marçal, que é o coordenador do GPS, referindo-se à diáspora de cientistas portugueses pelo mundo, também denominada “fuga de cérebros”, uma expressão muito falada, mas com poucos dados disponíveis.
David Marçal conta que há milhares de investigadores portugueses pelo mundo fora, mas não há números concretos. “Ninguém sabe muito bem quantos são. É uma estimativa difícil, porque há muitos investigadores que perdem o contacto com Portugal quando não são financiados por fontes nacionais. O GPS poderá ajudar a recolher dados para uma estimativa melhor.”
O que se sabia de forma empírica é que o Reino Unido e os EUA são os maiores pólos de atracção de cientistas portugueses — e isso já é visível no GPS. “Mas não sabemos muito sobre os seus percursos e agora aqui no GPS podemos observá-los”, salienta. “No fundo, o GPS quer mapear a mobilidade científica.” Em contrapartida, conhece-se bem é o número de cientistas a trabalhar em Portugal: segundo os dados do último Inquérito do Potencial Científi co e Tecnológico Nacional de 2015, divulgados em Outubro, existiam 39.580 cientistas no país. Um Facebook da ciência Um Facebook da ciência O entusiasmo de Carlos Fiolhais pelo projecto, autor do seu nome, também é notório: “Vamos ter dados científicos actualizados!” O físico nota que, desde 2011, a circulação de cientistas portugueses no mundo aumentou devido à crise, salientando que esta foi uma emigração das mais qualifi cadas da história do país.
E se há problema nesta emigração, é o saldo líquido desta fuga de cérebros ser desfavorável para Portugal, ou seja, saem mais cientistas do que entram. “Com esta rede, podemos vir a confirmar se são intuições”, ressalva. Se os cálculos futuros tiverem uma margem de erro, isso dever-se-á ao facto de a inscrição na rede ser voluntária.
Apenas duas semanas depois de a plataforma estar disponível online, já há cerca de 1200 registos, dos quais cerca de 700 são “cientistas GPS”. Esta adesão também terá sido influenciada pelo contacto com as associações de cientistas no estrangeiro. A equipa do GPS contactou-as, como a AGRAFr e a PAPS, para perceber as necessidades dos cientistas portugueses. Carlos Fiolhais, um dos interlocutores dessas conversas, destaca a vantagem de se ter escutado os cientistas. “Se alguns encontraram vidas melhores no estrangeiro, por outro lado encontraram também o isolamento. Há uma ligação mais do que cultural a Portugal, há uma ligação afectiva. O GPS torna os cientistas portugueses menos isolados e todos eles ficaram entusiasmados com isso.” Além disso, o GPS pode vir a facilitar colaborações científicas. “A formação é dada por nós e depois partem”, lamenta Carlos Fiolhais. “Apesar disso, os cientistas gostavam de contribuir à mesma para o país à distância”, sublinha. No perfil, os investigadores têm os seus contactos e o seu percurso, o que pode permitir que sejam contactados por startups que procurem inovação ou por centros de investigação portugueses que precisem de colaboradores com alta qualificação. “A ideia é que Portugal reconheça os melhores em benefício próprio do país. Agora sabemos onde estão. É só andar pelo GPS.”
Para todos os que queiram fazer parte deste “Facebook para cientistas, onde os amigos são amigos da ciência”, como compara Carlos Fiolhais, é possível criar grupos de temas e áreas científicas específicas. “Até se pode discutir política científica portuguesa, se quiserem!”, sugere Carlos Fiolhais, convidando todos os que gostam de ciência a inscreveremse nesta comunidade.
“Esperamos ligar a rede de cientistas e cobrir o globo, até nos sítios mais isolados”, afirma Carlos Fiolhais. Ainda há muito a melhorar, reconhecem os responsáveis, e ainda se está em fase de autoconhecimento dentro da própria rede. “É como uma criança que acaba de nascer e que espero que seja feliz”, diz um dos pais do GPS."
Teresa Serafim
PENSANDO O FUTURO
Já estão "on-line" os vídeos do recente congresso "Thinking the Future" organizado pela Reitoria da Universidade do Porto. Nele fiz uma comunicação sobre "Strangers but brothers: revisiting the Two Cultures". Ver aqui.
domingo, 20 de novembro de 2016
"A utilidade do inútil"
Informação chegada ao De Rerum Natura.
Na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra:
A secção de Estudos Italianos do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas recebe, na próxima terça-feira, dia 22 de novembro, Nuccio Ordine, professor da Universidade de Calábria e crítico literário.
Às 14h30, será lançada, no Anfiteatro IV, a sua obra A utilidade do inútil, cuja apresentação estará a cargo de Maria Bochiccio.
Na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra:
A secção de Estudos Italianos do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas recebe, na próxima terça-feira, dia 22 de novembro, Nuccio Ordine, professor da Universidade de Calábria e crítico literário.
Às 14h30, será lançada, no Anfiteatro IV, a sua obra A utilidade do inútil, cuja apresentação estará a cargo de Maria Bochiccio.
Três coisas que se calhar não sabia sobre a fuga de cérebros
A minha crónica, publicada hoje na Visão:
Conheço muitos cientistas, de várias áreas e nacionalidades. Cruzei-me com bastantes ao longo da minha vida como investigador. Outros, encontrei-os na pele de divulgador de ciência. Boa parte deles trabalham no estrangeiro. No último ano, enquanto coordenador da rede GPS - Global Portuguese Scientists, que estávamos a preparar, conheci ainda mais investigadores portugueses que residem noutros países. Fui pela segunda vez ao Luso, o encontro de investigadores e estudantes portugueses no Reino Unido, organizado pela sua associação, a PARSUK. Participei também no encontro anual da PAPS, organizado pela associação de pós-graduados portugueses na América do Norte. Conheci investigadores das associações congéneres na Alemanha (a ASPPA) e em França (a AGRAFr), assim como da Native Scientists. Falei também com muitos que estão em países (como a Arabia Saudita ou a Austrália) que não têm associações de investigadores portugueses. Dessa experiência retiro algumas impressões.
A primeira é que os investigadores portugueses residentes no estrangeiro, em geral, querem ter um pé em Portugal. Gostariam de aprofundar os contactos com o nosso país, independentemente de quererem ou não regressar. De terem mais reconhecimento e visibilidade em Portugal e de uma voz no debate público.
A segunda é que, obviamente, há um grande potencial de competência e conhecimento na diáspora científica. Não apenas o que levaram daqui, mas o que desenvolveram nos países de acolhimento. Muitos emigraram em início de carreira evoluíram como investigadores em sistemas científicos mais maduros do que o nosso. Que, apesar da grande e negável evolução nas últimas décadas, ainda não se encontra no mesmo patamar de alguns dos países que são polos de atracção para os investigadores portugueses (Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e França, por exemplo). O potencial que levaram daqui, na maior parte dos casos, evoluiu bastante.
Em terceiro lugar, os cientistas portugueses residentes no estrangeiro não estão necessariamente perdidos para o nosso país. Alguns poderão regressar e trazer com eles conhecimento, tecnologia e contactos. Cada vez que um investigador muda de sítio, isso é uma transferência de conhecimento e de tecnologia. Mas mesmo os que não regressam podem ter um papel no desenvolvimento da ciência em Portugal, se estabelecerem contactos e colaborações com grupos de investigação no nosso país. Com benefício para ambas as partes. Há muitos colaborações internacionais entre cientistas portugueses e investigadores estrangeiros que estão noutros países, que são frutíferas para todos os envolvidos. O mesmo pode, natural e mais facilmente, acontecer quando os investigadores no estrangeiro são portugueses.
Portugal tem de ter obviamente condições atractivas para os investigadores e para o desenvolvimento da ciência, sob pena de se auto-condenar ao subdesenvolvimento e à subalternidade no quadro europeu e internacional. Mas, face à mobilidade que é habitual nas carreira científica, e tendo em conta que há países que continuarão a ser polos de atracção para os investigadores, é plausível que muitos portugueses continuem a desenvolver pelo menos parte das suas carreiras lá fora. Por isso é vital que consigamos criar uma relação simbiótica de maior proximidade com a diáspora científica. E nisso a rede GPS - Global Portuguese Scientists - quer e pode ajudar. O GPS é uma rede que coloca os investigadores portugueses no mapa, que facilita contactos entre eles e com a sociedade portuguesa. Parte (mas não se esgota) de uma plataforma on-line, que foi aberta a registos do dia 7 de Novembro. Nos primeiros dias foram ultrapassadas as 1000 inscrições, e todos os dias aumentam. A especular adesão dos investigadores portugueses no estrangeiro mostra que estes querem manter o contacto com Portugal. E isso é bom para todos.
David Marçal
Coordenador da rede GPS
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
DECLARAÇÃO DE PARIS PARA A FILOSOFIA
No dia mundial da Filosofia, que se comemora hoje, é importante lembrar a importância desta disciplina no currículo escolar e de o seu ensino ser assegurado de uma forma competente.
DECLARAÇÃO DE PARIS PARA A FILOSOFIA
Nós, participantes das jornadas internacionais de estudo Filosofia e Democracia no Mundo, organizadas pela UNESCO, que ocorreram em Paris, nos dias 15 e 16 de fevereiro de 1995,
Constatamos que os problemas de que trata a filosofia são os da vida e da existência dos homens considerados universalmente,
Estimamos que a reflexão filosófica pode e deve contribuir para a compreensão e conduta dos afazeres humanos,
Consideramos que a atividade filosófica, que não subtrai nenhuma ideia à livre discussão, que se esforça em precisar as definições exatas das noções utilizadas, em verificar a validade dos raciocínios, em examinar com atenção os argumentos dos outros, permite a cada um aprender a pensar por si mesmo,
Sublinhamos que o ensino de filosofia favorece a abertura do espírito, a responsabilidade cívica, a compreensão e a tolerância entre os indivíduos e entre os grupos,
Reafirmamos que a educação filosófica, formando espíritos livres e reflexivos - capazes de resistir às diversas formas de propaganda, de fanatismo, de exclusão e de intolerância - contribui para a paz e prepara cada um a assumir suas responsabilidades face às grandes interrogações contemporâneas, notadamente no domínio da ética,
Julgamos que o desenvolvimento da reflexão filosófica, no ensino e na vida cultural, contribui de maneira importante para a formação de cidadãos, no exercício de sua capacidade de julgamento, elemento fundamental de toda democracia.
É por isso que, empenhando-nos em fazer tudo o que esteja ao nosso alcance - nas nossas instituições e nos nossos respectivos países - para realizar tais objetivos, declaramos que:
Uma atividade filosófica livre deve ser garantida por toda parte - sob todas as formas e em todos os lugares onde ela possa se exercer - a todos os indivíduos;
O ensino de filosofia deve ser preservado ou estendido onde já existe, criado onde ainda não exista, e denominado explicitamente "filosofia";
O ensino de filosofia deve ser assegurado por professores competentes, especialmente formados para esse fim, e não pode estar subordinado a nenhum imperativo econômico, técnico, religioso, político ou ideológico;
Permanecendo totalmente autónomo, o ensino de filosofia deve ser, em toda parte onde isto é possível , efetivamente associado - e não simplesmente justaposto - às formações universitárias ou profissionais, em todos os domínios;
A difusão de livros acessíveis a um largo público, tanto por sua linguagem quanto por seu preço de venda, a geração de emissões de rádio ou de televisão, de audiocassetes ou videocassetes, a utilização pedagógica de todos os meios audiovisuais e informáticos, a criação de múltiplos espaços de debates livres, e todas as iniciativas susceptíveis de fazer aceder um maior número a uma primeira compreensão das questões e dos métodos filosóficos devem ser encorajadas, a fim de constituir uma educação filosófica de adultos;
O conhecimento das reflexões filosóficas das diferentes culturas, a comparação de seus contributos respectivos e a análise daquilo que os aproxima e daquilo que os opõe, devem ser perseguidos e sustentados pelas instituições de pesquisa e de ensino;
A atividade filosófica, como prática livre da reflexão, não pode considerar alguma verdade como definitivamente alcançada, e incita a respeitar as convicções de cada um; mas ela não deve, em nenhum caso, sob pena de negar-se a si mesma, aceitar doutrinas que neguem a liberdade de outrem, injuriando a dignidade humana e engendrando a barbárie.
In UNESCO. Philosophie et Démocratie dans le Monde - Une enquête de l'UNESCO. Librairie Génerale Française, 1995, p. 13-14
AS PLANTAS NA OBRA POÉTICA DE CAMÕES
“As plantas
na obra poética de Camões” é o título da palestra que Jorge Paiva, Biólogo e
Investigador no Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, vai
proferir no ciclo “Ciência às Seis”. Será no próximo dia 22 de Novembro, pelas
18h00, no Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra.
Resumo:
“A obra de Camões, quer a épica quer a lírica, está repleta
de referências a plantas. Na época camoniana, as plantas mais conhecidas e
citadas na literatura, não eram tanto as plantas comestíveis ou ornamentais,
mas mais as plantas medicinais. Nesta palestra abordaremos algumas das plantas
mais invulgares referidas nos Lusíadas e praticamente todas as citadas na
Lírica. Aliás, é nos Lusíadas que o poeta mais plantas menciona (cerca de cinco
dezenas), na maioria asiáticas e aromáticas. Na Lírica refere muito menos
espécies de plantas (cerca de três dezenas e meia), maioritariamente, europeias
campestres e ornamentais.”
Entrada livre
Público em geral
O PAPEL DE MEMÓRIA NAS APRENDIZAGENS ESCOLARES
Meu artigo de
opinião publicado hoje (in “
Diário As Beiras”), com substituição do último
parágrafo do texto:
“- V. Ex.ª tem boa memória, sr. Maia?
- Tenho uma razoável memória.
- Inapreciável bem de que goza!”
Eça de Queirós (“Os Maias”)
- Tenho uma razoável memória.
- Inapreciável bem de que goza!”
Eça de Queirós (“Os Maias”)
Segundo Vitorino Magalhães Godinho, “dispensou-se a memorização da tabuada ou das regras da gramática, como das datas mais importantes da história de Portugal. E de modo geral receia-se que recorrer à memória afecte os frágeis cérebros infantis ou juvenis” ("Problemas da Institucionalização das Ciências Sociais e Humanas em Portugal", Revista da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Lisboa, 1989).
O cérebro e a memória são matérias para mim particularmente gratas. Existe uma má memória dos alunos (na gíria académica, os chamados marrões) que, sem perceberem patavina da matéria estudada, papagueavam nos exames orais, ou escarrapachavam ipsis verbis, no papel das provas, os livros e sebentas. Quiçá por esse facto generalizou-se o princípio de que a memória pode andar arredada da inteligência, um conceito abstracto que abarca uma panóplia imensa de formas de aptidão para as ciências, para as humanidades, para as belas-letras e artes, para a prática desportiva, etc. E isto sem falar na inteligência emocional, estudada por António Damásio, neurocientista português de prestígio internacional e autor do bestseller :“O erro de Descartes” (1994).
Quinze anos antes, David Krech, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, escreveu em “Cérebro e Comportamento” (Salvat do Brasil, Rio de Janeiro, 1979, p. 84):
“Acreditava-se que havia uma distinção radical entre o comportamento racional e e o comportamento emocional No entanto, os modernos estudos sobre o cérebro demonstram que esta dicotomia carece completamente de significado. Quando falamos de cérebro temos de especificar se se trata de todo o cérebro ou apenas do córtex cerebral, pois há toda outra parte do cérebro, a parte mais antiga (sob o ponto de vista de desenvolvimento das espécies) que é a parte mais intimamente ligada com as emoções".
À pergunta “em que situação se encontram actualmente as pesquisas no campo da neurofisiologia?”, respondeu de forma sugestiva: “A neurofisiologia encontra-se num sótão escuro procurando um gato escuro, sem ter a certeza que ele ali está. Seu único indício são leves ruídos que parecem miados” (ibid., pp. 87 e 88).
Apesar das surpreendentes descobertas sobre o cérebro que a tomografia por emissão de positrões (TEP) tem proporcionado, receio que as indagações do filósofo, matemático e físico Blaise Pascal tardem em encontrar uma resposta científica: “Que quimera é o homem? Que novidade, que monstro, que caos, que prodígio? Juiz de todas as coisas, verme imbecil, cloaca de incerteza e de erro, glória e nojo do Universo. Quem deslindará esta embrulhada?”
Todas as formas de inteligência, ou aptidões atrás elencadas, fazem parte do nosso código genético, em localizações corticais com
funções específicas e respectivas associações na dependência da acção das
substâncias químicas (os neurotransmissores), enfim de todo o
corpo, numa condição sintetizada pelo psiquiatra alemão Ernest Krestchemer: “O homem pensa com o
corpo todo”.
Devido à sua plasticidade, o cérebro, interagindo com o meio
ambiente e se exercitado através de uma “ginástica” apropriada, pode melhorar,
até um determinado limiar, o seu desempenho. Em condições patológicas, como,
por exemplo, nos acidentes vasculares cerebrais (AVC), fica-se a dever à
acção vicariante das zonas corticais não atingidas, e à
força de vontade do paciente, o maior ou menor êxito da reabilitação funcional.
Para melhor se compreender a complexidade anatómica e funcional do cérebro, nada melhor do que ouvir o neurocientista Richard Thompson, da Universidade de Carolina do Sul: “O cérebro humano consta aproximadamente de 12 biliões de neurónios e o número de interconexões entre eles é superior ao das partículas atómicas que constituem o universo inteiro”. São números impressionantes que escapam ao entendimento comum. Para a fisiologia, “o fundamento da memória reside nas mudanças eléctricas que se produzem no cérebro quando se recorda alguma coisa".
Nos fenómenos cerebrais entra em jogo a memória, que é indispensável à aprendizagem. Para compreender o papel da memória na aprendizagem os neurofisiologistas prevêem ser necessária a colaboração de professores, psicólogos, neurologistas e bioquímicos. A memória vai sendo perdida com a idade (daí o interesse em exercitá-la em idades avançadas), assumindo-se como uma verdadeira patologia na doença de Alzheimer.
A memória, no nosso dia-a-dia, é uma verdadeira biblioteca para a inteligência e para as suas funcionalidades: o pensamento e o raciocínio. A inteligência depende de uma associação de ideias, pois como nos diz M. L. Abercrombie, que se dedicou ao estudo dos processos de percepção e raciocínio, “nunca nos encontramos perante um acto de percepção com a mente inteiramente em branco, pois estamos sempre em estado de preparação ou de expectativa, devido a experiências passadas.” Ficamos a dever aos “sulcos” que a memória vai deixando no cérebro (os chamados engramas) a capacidade de nos lembrarmos dos acontecimentos da nossa vida e, obviamente, das aprendizagens que durante ela foram sendo feitas.
Lamentavelmente, o nosso ensino tem subalternizado o papel importantíssimo da memória na aprendizagem do aluno, como ocorria na recitação de poesias, na aquisição e perservação de conhecimentos de história, de geografia, da tabuada, etc. A resolução das velhas contas de somar feitas de cabeça tem sido substituída por maquinetas de calcular compradas nas lojas chinesas. Quanto à história, pelo andar da carruagem, temo que se chegue ao exagero de qualquer dia quando se perguntar aos jovens quem foi o 1.º Rei de Portugal se obtenha como resposta: “Um momento vou consultar o “Google”. A propósito, não resisto em transcrever de Steve Ballmer, presidente da Microsoft: “Eu testo, mas não uso no dia-a-dia. Mais importante, meus filhos não usam. Eles são bons garotos”.
Estas pequenas achegas, de um apaixonante e complexo estudo da neurofisiologia, mais não pretendem que chamar a atenção dos educadores para o importante papel da memória , numa perspectiva pessoana, “ a consciência inserida no tempo”!
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