sábado, 28 de agosto de 2010

Memórias de Hubert Reeves

Informação recebida da Gradiva sobre um livro acabado de sair:

Já não Terei Tempo - Memórias
Hubert Reeves

O título desta obra, retirado de uma peça coral com letra de Pierre Delanoë e música de Michel Fugain, atesta o entusiasmo com que Hubert Reeves sempre encarou a sua vocação de explorador do espaço: «Mesmo em cem anos, não terei tempo de visitar toda a imensidão dum tão grande Universo.»

Neste livro, Hubert Reeves entrega-se como nunca o tinha feito. Conta-nos como se forjou a sua paixão pelo cosmos, porque cedo sentiu o desejo de partilhar o seu saber, de que modo a filosofia, a religião e a música se uniram indissoluvelmente à sua demanda intelectual, como os encontros com outros grandes espíritos orientaram o seu – a vida ao mesmo tempo exemplar e singular de um investigador de hoje relatada na primeira pessoa, num testemunho ímpar. Todos os leitores de Hubert Reeves o verão neste livro mais próximo ainda, e os novos leitores descobrirão um homem admirável e um cientista de excepção. O livro de um cientista que se lê como um romance. Mas não diziam Harold Bloom e Ian McEwan que a grande literatura está hoje em muitos livros de ciência?

«Ciência Aberta», nº 185, 380 pp., € 18,50

Humor - Células Estaminais 3

Humor - Células Estaminais 2

Humor - Células Estaminais 1

AS CÉLULAS ESTAMINAIS E O JUIZ FEDERAL


O habitual apontamento de fim de semana do físico Robert Park, um grande combatentes contra a fraude, a superstição e o erro:

"STEM CELLS: BESTOWING PERSONHOOD ON THE ZYGOTE?

On Monday federal judge Royce Lamberth, appointed to the federal bench by Ronald Reagan, blocked the use of federal funds for research using embryonic stem cells on the grounds that extracting the cells kills human embryos. It is of course true that, for good or ill, every embryo has the potential to become a totally unique human being. The same is true of every zygote created by the fusion of gametes in an in-vitro fertilization Petri dish. One or more of the resulting embryos will be transferred to the patient's uterus a few days later. There will typically be many embryos left over. They are stored cryogenically in case a second transfer is necessary. By 2008 about 500,000 frozen embryos had accumulated in cryogenic facilities around the United States. That would be closer to 1 million by now, all of which retain the potential to become unique human beings. Does Judge Lamberth’s decision mean that society must now assume responsibility for the continued viability of this growing population of potential people?"

Robert Park

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

NOITE DOS INVESTIGADORES 2010


Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra (UC):

Dia 24 de Setembro: Cientistas regressam à ribalta para nova edição da Noite dos Investigadores

Evento promovido pela Comissão Europeia chega a Coimbra graças ao Museu da Ciência da UC

As actividades são muitas, mas o objectivo é um só: aproximar os cientistas do público em geral. No dia 24 de Setembro, a partir das 15 horas e até à meia-noite, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra acolhe a “Noite dos Investigadores” e uma nova performance dos “Cientistas ao Palco”.

Qual é o impacto da ciência na nossa sociedade? Em que consiste o quotidiano dos investigadores? Para o saber, nada melhor do que falar directamente com os cientistas. Na sexta-feira, 24 de Setembro, a “Noite dos Investigadores” começa em Coimbra às 15 horas, com “Conversas com Cientistas”, e prolonga-se pela noite dentro com uma sessão de ‘Speed Dating’, onde as pessoas podem ver as suas questões esclarecidas em curtos diálogos com os investigadores da Universidade de Coimbra.

Dirigidas ao público escolar, as conferências abordam diversas temáticas. Nuno Empadinhas (Centro de Neurociências e Biologia Celular - CNC) irá falar d’‘O Planeta das Micobactérias’, João Fernandes (Dep. de Matemática, FCTUC) de ‘Um universo cheio de planetas’ enquanto que Emília Duarte (Dep. de Ciências da Vida, FCTUC / CNC) fechará as “Conversas com Cientistas” com uma intervenção sobre a ‘Vida longa para os neurónios – protecção e regeneração’.

Para perceber melhor a ciência, reflectir e discutir sobre o trabalho desenvolvido pelos investigadores, os participantes também poderão pôr mãos à obra, através das experiências interactivas e observações astronómicas promovidas pelo Museu da Ciência da UC. O teatro será outro meio de comunicação dos cientistas com o público, graças aos “Cientistas ao Palco”.

A ciência também explicada graças ao teatro

“Cientistas ao Palco” é um dos projectos portugueses seleccionado pela Comissão Europeia para a Noite dos Investigadores. Decorre pela segunda vez em Coimbra e convida cientistas a subir ao palco para interpretar peças produzidas para o evento.

Serão apresentados em Coimbra, este ano, os espectáculos “Método Bosão de Higgs”, de David Marçal (às 21h30 e às 23h00) e “As Moscas são Ratos que Voam”, uma produção da companhia MARIONET (às 18h00 e às 21h30).

O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra conta, na iniciativa, com o apoio do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC), do Departamento de Ciências da Vida e do Departamento de Matemática da FCTUC, da companhia de Teatro MARIONET e da associação Alpha Centauri.

A iniciativa “Cientistas ao Palco - 2010” tem lugar no próximo dia 24 de Setembro em Coimbra, Porto, Lisboa e Olhão. É desenvolvida pelo Museu da Ciência da UC em paralelo com mais 8 instituições nacionais de investigação e de divulgação da cultura científica, entre as quais o Instituto de Biologia Molecular e Celular, o Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, o Instituto Gulbenkian da Ciência (Fundação Calouste Gulbenkian) e a Universidade do Algarve.

Mais informações: aqui e aqui

Programa:

TEATRO (18h00 – 23h30)
- Método Bosão de Higgs | de David Marçal (21h30 e 23h00)
- As Moscas são Ratos que Voam | MARIONET (18h00 e 21h30)

CONVERSAS COM CIENTISTAS (15h00 – 18h00)
Cientistas de diferentes áreas falam sobre a investigação científica que desenvolvem, numa conversa dirigida ao público escolar.

15h00: O Planeta das Micobactérias | Nuno Empadinhas (CNC)
16h00: Um universo cheio de planetas | João Fernandes (Dep. de Matemática, FCTUC)

17h00: Vida longa para os neurónios – protecção e regeneração | Emília Duarte (Dep. de Ciências da Vida, FCTUC / CNC)

SPEED DATING (21h00 – 24h00)
Cientistas da Universidade de Coimbra estarão disponíveis para curtas conversas com o público

CIÊNCIA AO VIVO (21h00 – 24h00)
Assista a demonstrações ao vivo de experiências científicas

EXPERIÊNCIAS INTERACTIVAS (15h00 – 24h00)
Actividades hands-on (mãos na massa) para todos

EXPOSIÇÕES (15h00 – 24h00)
Conheça os Segredos da luz e da matéria

OBSERVAÇÕES ASTRONÓMICAS (21h00 – 24h00)
Venha observar o céu e conhecer os seus segredos

MEDICINA QUÂNTICA?! (II)


Continuação de crónica anterior de António Piedade, com o mesmo título:

Todos os exemplos indicados, na crónica anterior, implicam uma fonte de radiação que, apesar de não estar necessariamente em contacto directo com o organismo, produz neste efeitos mensuráveis e reprodutíveis. O Sol está a cerca de 150 milhões de quilómetros, ou a 8 minutos-luz, mas “queima” a pele e altera o ADN dos seus cromossomas, numa relação causa efeito reprodutível numa simples experiência laboratorial em qualquer lugar do Universo e por qualquer pessoa. Como a radiação ultravioleta está “fora” do espectro visível, a que os olhos são sensíveis, não antevemos a causa do mal mais ou menos futuro. Noutro exemplo, a bomba de cobalto (radioterapia) está a uma certa distância do paciente com cancro, distância essa apropriada e calculada matematicamente, sendo que o feixe de radiação gama, que incide e é focado na massa cancerígena, minimizando assim danos nos tecidos saudáveis circundantes, é invisível aos olhos, mas os seus efeitos são sentidos posteriormente pelo organismo. De facto, o paciente nada sente durante a radioterapia ou exposição solar. É, para o senso comum, como se o efeito resultasse de “pura magia” advinda de uma tecnologia ou conhecimentos muito avançados, como dito na citação de Arthur C. Clarke. Mas nestes casos conhecemos a tecnologia e podemos explicar a magia com conhecimento acessível a todos (com mais ou menos esforço). Não há truques. Há conhecimento científico aplicado e substancial a uma tecnologia.

O mesmo não se pode dizer, nem sequer sugerir, de uma terapia designada por quântica, que se está a disseminar numa Medicina curadora de apelido também “Quântica”. Aparece definida como o processo que resulta da irradiação do organismo, ou parte dele, com energia electromagnética de determinada frequência, para repor, numa terapia ressonante, o estado de equilíbrio electromagnético perdido e característico do estado de saúde de cada um dos indivíduos. Não se entende como é que as radiações electromagnéticas terapêuticas de baixa intensidade se tornam efectivas no meio de tanta poluição electromagnética já produzida pela acção humana (telecomunicações, redes eléctricas, motores eléctricos, etc.). Não se entende como é que a terapia quântica, veiculada por instrumentação e alguns acessórios esteticamente agradáveis e de fácil mas dispendiosa utilização, sobrepõe a sua acção terapêutica em relação ao efeito placebo, isto é, ao efeito de sujeitar o paciente ao mesmo tipo de procedimento terapêutico mas sem aplicar qualquer radiação. Não se encontra apresentado, discutido e publicado em lado algum onde é que se encontra depositado o conhecimento que a suporta e que sugere alguém saber determinar parâmetros de física e química quântica para biomoléculas complexas como são o ADN, proteínas e mesmo de células inteiras, de agregados destas em tecidos, destes em órgãos e destes no todo que é o organismo. E o que é o equilíbrio electromagnético de uma indivíduo saudável? Ninguém normaliza.

Na famosa série de ficção científica “O Caminho das Estrelas” (Star Trek, no orginal), Leonard McCoy (desempenhado pelo actor DeForest Kelley), médico chefe da nave Enterprise, diagnosticava e tratava os doentes utilizando um equipamento que pulsava feixes invisíveis de radiação, capazes de tratar feridas gravosas entre outros problemas ainda de difícil ou impossível resolução para a nossa medicina actual. Também era comum tratarem os tripulantes com danos mais severos (em coma) com diademas e pulseiras aparentemente electromagnéticas. Assim como os autores da saga não nos explicaram como funcionava o teletransporte, veiculo privilegiado de transporte entre a nave e um outro local pretendido, também não nos deixaram instruções para tão avançada tecnologia de aplicação médica. Resta-nos, ainda hoje, espantarmo-nos com tão sugestiva, impressiva e curadora magia residente na ficção científica da saga galáctica e esperar que o conhecimento avance para a tornar em pura e robusta tecnologia ao serviço da saúde e de vida.

Entretanto, não se deixe enganar por futurologistas de bata branca a irradiar saúde. É que já não há oráculos!

António Piedade

O CHEIRO DOS RICOS


Minha crónica no semanário "Sol" de hoje:

A estação central de comboios da cidade alemã de Colónia é dominado pela publicidade à água de Colónia 4711, que é, aí como noutros lados, denominada “autêntica”. Ora essa publicidade, como tantas outras, é bastante enganosa, pois a água original de Colónia é quase um século mais velha, remontando a 1709, o ano em que, em Portugal, Bartolomeu de Gusmão fazia subir, perante o rei D. João V, a sua Passarola.

Com efeito, foi nesse ano que o comerciante italiano Giovanni Maria Farina inventou e passou a vender uma “água milagrosa” que ele próprio descreveu nestes termos: "Encontrei um cheiro que me lembra uma manhã na Itália, narcisos da montanha e folhas de laranja depois da chuva. Ele me refresca e fortalece os meus sentidos e a minha fantasia.” Em homenagem à cidade onde foi inventada, passou a ser anunciada como “água de Colónia”.

Aconteceu à água de Colónia o mesmo que, mais tarde, aconteceu à Gilette, isto é, passou a designar-se todo um tipo de produtos com o mesmo nome do produto inicial. Embora de fórmulas químicas diferentes, a 4711 e a Farina são ambas águas de Colónia, isto é, são uma mistura de óleos essenciais de plantas, em concentração inferior a sete por cento, com álcool (etanol) diluído em água. A 4711 será talvez a água de Colónia mais famosa em todo o mundo, pese embora a história da sua pretensão à autenticidade ser um pouco recambolesca: o alemão que criou, também em Colónia, o sucedâneo convidou para sócio da sua empresa um Farina que não tinha nada a ver com a família do perfumista com o mesmo nome, só para que as duas águas pudessem ser confundidas. As leis da propriedade industrial ainda não tinham sido feitas!

A 4711 (nome que deriva do número de porta da loja, na Rua dos Sinos, Glockengasse, no tempo em que os números diziam respeito a toda a cidade e não apenas à rua) tem uma relação com o nosso país: toda uma linha dos seus produtos de perfumaria se intitula Portugal. Porquê? Acontece que um dos óleos essenciais usados para preparar esses produtos é feito com casca de uma laranja azeda, proveniente dos países do Sul da Europa. A associação de Portugal com a produção de laranjas é ancestral e, na Alemanha, esse óleo da água de Colónia tem mesmo como sinónimo “óleo de Portugal” (Portugalöl). É por isso que antigamente se falava de uma “água de Portugal”.

Como é o cheiro que resulta dos óleos essenciais como o “óleo de Portugal”? Conforme disse Farina, é refrescante e, portanto, leve e agradável. Notáveis como Napoleão, Goethe e Beethoven (natural de Bona, perto de Colónia) usaram água de Colónia, uma grande novidade na época porque os perfumes, em geral de origem francesa, eram até aí demasiado fortes. O cheiro a Colónia passou até a ser designado por “cheiro dos ricos” ...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Do "homem-que-conhece" ao "homem-que-faz"

Com base nas notícias da comunicação social portuguesa, poderíamos afirmar que os Ensinos Básico e Secundário polarizam mais os interesses das pessoas comuns do que o Ensino Superior, ainda que neste as reformas em curso sejam tão profundas como naqueles.

Além disso, são reformas que assentam exactamente nos mesmos pressupostos, sendo o mais central “a passagem de um ensino baseado na transmissão de conhecimentos para um ensino baseado no desenvolvimento de competências".

Isto está claramente plasmado no Decreto-Lei n.º 74/2006, de 24 de Março, que formaliza a reorganização do Ensino Superior, mas encontra-se explicitado em todos os documentos que formalizam as reorganizações dos Ensinos Básico e Secundário.

No que concerne ao nível de Ensino Superior, explica-se nas alíneas e) e f) do referido documento quais as competências que os alunos devem adquirir na sua frequência universitária ou politécnica: "Competências que lhes permitam comunicar informação, ideias, problemas e soluções, tanto a públicos constituídos por especialistas como por não especialistas; competências de aprendizagem que lhes permitam uma aprendizagem ao longo da vida com elevado grau de autonomia.”

Centrando-se a noção propangandeada de competência no saber-fazer (ainda que se advirta a todo o momento que ela não pressupõe a desvalorização do saber, que é um "saber em acção ou em uso"), talvez estejamos a passar (ou já passámos), dum modelo de "homem-que-conhece" para um modelo "de homem-que-faz", como referiu António Manuel Baptista. Vale a pena ler o enquadramento destas expressões:

"Sabemos que a instituição universitária, de que a actual é herdeira, nas suas linhas fundamentais, tem as suas raízes na Idade Média, no século XII. Destacamos a sua importância capital por ter contribuído principalmente para fazer a ligação do mundo clássico greco-romano, através dos Árabes, ao mundo ocidental e decisivamente para o surgimento de uma cultura científica (…).

A ideia de universidade moderna que chegou até aos nossos dias foi implantada por Alexander von Humboldt na Alemanha no século XIX (…). Fundamentalmente, via-se a universidade como uma instituição de ensino superior onde se ia criando o conhecimento novo que iria sendo transmitido aos alunos, formando-se uma comunidade de escolares numa atmosfera propícia para a obtenção e propagação desse conhecimento (…).

A ênfase fundamental era colocada mais no homem-que-conhecia do que no homem-que-fazia.

Os problemas da competência do professor e das capacidades dos estudantes eram, de certa maneira, simplificados, pois, com o desenvolvimento científico, foi-se estruturando, regradamente, uma comunidade internacional com hierarquias próprias. Polany chamar-lhe-ia, mais tarde, a república da ciência na sua dimensão internacional. Essa república haveria de estabelecer os seus próprios padrões de excelência, em que se valorava primariamente a criatividade científica e os modos de a apreciar e estimular. Assim se desenvolveram e criaram instituições variadas, com as revistas especializadas, com o seu corpo editorial e árbitros, conferências, seminários, etc., envolvendo toda a actividade com uma vigilância bastante eficaz.

O conhecimento era considerado o produto por excelência das instituições universitárias (…). O espírito universitário radica fundamentalmente neste respeito pelo conhecimento e sua fruição como valor próprio absoluto (…). Assim, a universidade responde a uma necessidade real das comunidades e surge como meio de responder a esse anseio cultural, para lá da formação de profissionais. A universidade, em princípio, está onde estiver este amor ao conhecimento e à sua aquisição e transmissão (…). Considerava-se que os jovens formados numa atmosfera em que se valorizasse o conhecimento desta forma, com as suas exigências intelectuais, poderiam depois, nas suas profissões particulares, desempenhar cabalmente as diversas funções que a sociedade lhes exigisse para a realização dos seus fins, fossem estes quais fossem.

Estamos, efectivamente, a tentar identificar o cerne vital da instituição que, naturalmente, seria sempre um organismo muito mais complexo na satisfação de outros objectivos da sociedade onde estava inserida e que, pelo seu apoio, a tornava possível. Mas digamos que tudo o que afectava esse núcleo essencial da formação e transmissão do conhecimento novo era resistido como uma ameaça à integridade da instituição (…)."

Referência completa: Baptista, A. M. (1998). Ciência, universidades e universidades portuguesas. A. M. Baptista. A ciência no grande teatro do mundo. Lisboa: Gradiva, Capítulo 6, páginas 171 e seguinte.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

«Isto tem muito númaro»

Andava Júlio Pomar pelos vinte anos quando, um belo dia, para seu grande espanto, recebeu no seu ateliê - "um quarto alugado na Rua das Flores a que chamávamos pomposamente ateliê", diz o pintor - a visita de Almada Negreiros.

Passando ao acaso, ou tendo ouvido falar da exposição que um grupo de alunos das Belas Artes ali apresentava, o já então conhecido por Mestre Almada, resolveu espreitar. Nessa esperitadela viu "uma pinturinha sobre cartão com uma cena de saltimbancos" da autoria de Pomar, que comprou, por cem merréis, "para ser exposto no Secretariado de Propaganda Nacional, em São Pedro de Alcântara".

Nessas andanças o quadro perdeu-se (existe apenas o desenho preparatório), o que não foi muito importante; o elogio que ele permitiu é que foi importante. Conta-o Pomar da seguinte maneira:

O que é que sentiu quando o Almada lhe comprou o quadro?
Ah! Enfim, foi assim uma coisa.... Só o simpes facto de o Almada se ter abalado da Brasileira até ao nosso atelier era... Nunca esquecerei. A dado momento, perante um desenho meu, o Almada, com aquele seu sotaque lisboeta, diz: «Isto tem muito númaro». Conhecia que era a sua atracção pelos números, pelas relações geométricas, era o maior cumprimento que se podia receber. «Isto tem muito númaro». Claro que me babei... «Númaro».

Grande Reportagem, Agosto de 2003, p. 59.

Na figura: Quadro de Júlio Pomar intitulado O Almoço do Trolha. A inspiração neo-realista traduz a influência que Almada Negreiros teve na sua obra.
Documentos consultados:
Entrevista de Júlio Pomar à revista Grande Reportagem de Agosto de 2003, realizada por Ana Sofia Fonseca.
Entrevista de Júlio Pomar ao semanário Expresso, realizada por Ana Soromenho.

Para evitar mais massacres

Há um ano, em Agosto, referia aqui a destruição de livros sobrantes por editoras portuguesas.

Em sequência, no passado mês de Março, tive conhecimento de que a Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, considerou publicamente essa destruição inaceitável.

Ontem li uma notícia animadora a este respeito: as editoras poderão oferecer obras sem valor de mercado a instituições várias, ficando dispensadas de impostos.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A bela Maria Dulce

“É irrepetível e absolutamente efémero.
Isso é que é fantástico, é o mistério do teatro.
Não fica nada, só a memória do público,
que entretanto também vai morrendo.”
Mário Viegas em Entrevista ao Expresso, 1993, 48.

Não tem o De Rerum Natura dado grande destaque àqueles que dão voz e vida às palavras contidas nos textos. Percebi esse esquecimento, quando soube da morte da bela actriz de voz firme e gestos seguros que foi a Maria Dulce.

Estava a estudar no Conservatório, quando António Lopes Ribeiro, viu nela a doce Maria de Almeida Garrett. Com treze anos, entrou, pois, em Frei Luís de Sousa e depois desse filme foram sessenta anos no teatro, no cinema, na televisão, na rádio... Em Portugal e em Espanha.

Fez revista, comédia, drama... Também cantou e disse e gravou poesia, por se ter deslumbado com alguns dos nossos clássicos.

Afirmou a sua classe laboral, reivindicou direitos que lhes eram devidos e criou uma companhia de teatro.

"Tenho orgulho de ser altamente profissional, de nunca me atrasar e de ter os textos todos trabalhados", foi o que ela disse uma vez, para resumir a sua vida.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Colony Collapse Disorder

Parece que as abelhas estão a abandonar as suas colmeias e ninguém sabe porquê.

O problema é conhecido por CCD (Colony Collapse Disorder):


O 60 minutos da CBS dedicou uns minutos ao assunto.
1ª parte:


2ª parte:


Fontes de informação:
http://en.wikipedia.org/wiki/Colony_collapse_disorder

Como dizia uma das cientistas da estória da CBS as abelhas são sensores do ambiente e estão a dar-nos a informação sobre o estado a que conduzimos o planeta terra: não há comida suficiente e a que existe está contaminada.

Vale a pena pensar nisto!

Ondas no embrião do Peixe-Zebra


Nova crónica do nosso colaborador habitual António Piedade.

O peixe-zebra, muito apreciado pelos aquariófilos, é também muito utilizado em investigações sobre o desenvolvimento embrionário dos animais vertebrados, como nós. A sua utilidade, como modelo animal para estes estudos de embriologia, deve-se, entre outros aspectos, ao facto de o seu genoma estar totalmente sequenciado, o seu comportamento estar muito bem estudado e compreendido, ser relativamente fácil de obter mutantes e de estes também estarem muito bem caracterizados, apresentar um desenvolvimento embrionário em cerca de três dias desde a eclosão do ovo até ao estado larvar, e de não apresentar muita variação de tamanhos, o que permite excelentes comparações entre estudos diferentes.

Para além disso, a sua fase embrionária é de muito fácil observação e manipulação experimental uma vez que o desenvolvimento ocorre fora da mãe, com um embrião generoso no tamanho, robusto e opticamente transparente. Esta transparência permite uma boa visualização dos diferentes estados do desenvolvimento embrionário, utilizando um simples microscópio óptico.

O aparecimento de novas técnicas microscópicas baseadas na excitação de tecidos biológicos por lasers estáveis e de baixas intensidades, aliadas ao desenvolvimento no tratamento informático da informação captada, tem permitido ultimamente registar aspectos no desenvolvimento embrionário, em tempo real e sem a utilização de marcadores celulares (a marcação de estruturas especificas celulares, para permitir a visualização das diferentes etapas, acabam sempre por ser um elemento estranho no embrião).

Neste contexto, foi publicado no último número da revista Science (aqui) um artigo que apresenta novos aspectos espantosos sobre o desenvolvimento embrionário deste importante modelo experimental animal. Um deles é o de os investigadores terem detectado uma certa assimetria pulsante na evolução do desenvolvimento embrionário, que sugere uma certa ondulação com o tempo na diferenciação celular.

É como se o desenvolvimento fosse embalado ao ritmo da transcrição genética e da difusão das substâncias modeladoras, que vão progressivamente dirigindo a arquitectura funcional que irá ser o organismo completo. O artigo é acompanhado por vídeos que documentam o observado: aqui.

Apetece escrever que “a mão que embala o berço” do desenvolvimento embrionário orquestra o caldo bioquímico ao diferenciar o óvulo singular para a sinfonia multifacetada da vida multicelular e complexa que caracteriza os organismos como o nosso.

António Piedade

domingo, 22 de agosto de 2010

O MOTOR CAÍDO DOS CÉUS


Não, a peça mais surpreendente do Museu Romano-Germânico, mesmo ao lado da catedral de Colónia, na Alemanha, não é o belíssimo chão de mosaico de Dionísio, que foi encontrado "in situ" quando se escavava durante a Segunda Guerra Mundial um abrigo anti-aéreo (e que consegue superar os de Conímbriga). O que mais me surpreendeu foi encontrar, no meio de tantos e tão ricos fundos romanos e pré-romanos, um motor enferrujado, dificilmente reconhecível, de um avião-caça da Luftwaffe que caiu em Enger-Pödinghausen, Herford, no estado de Nordrhein-Westfalen, em Novembro de 1944, e que, ao fim de 66 anos, foi encontrado por acaso numa escavação arqueológica.

Estava enterrado no solo a 4,5 metros de profundidade, tal foi a violência da queda. Mas foi ainda possível encontrar testemunhas oculares da queda, alemães que se lembram de ter recolhido o piloto, ejectado de páraquedas (uma sua pistola e um seu crucifixo foram também escavados por arqueólogos e são mostrados junto ao motor no segundo piso do museu). O avião era um Messerschmitt Bf 109 G 6/Y e o motor era Daimler-Benz,

Dois anos antes, mais precisamente a 30 de Maio de 1942, tinha havido um dos primeiros grandes ataques aéreos da história, com 1100 caças bombardeiros da Royal Air Force a semear a esmo bombas sobre a cidade. O burgo ficou quase arrasado, como mostram alguns postais ilustrados (embora a preto e branco) que os turistas hoje gostam de comprar. Num mar de ruínas ergue-se, solitária e altiva, a catedral. Que os pilotos tenham conseguido poupar uma das jóias da arquitectura gótica que demorou mais de 600 anos a construir mas que poderia ter sido destruída em poucas horas só mostra a sua perícia. Perícia que é comprovada pelo facto de a defesa antiaaérea alemã só ter conseguido abater 43 aviões dos 1100 que enxamearam o céu sobre o rio Reno (uma perda de cerca de quatro por cento!). Nenhum destes aviões britânicos apareceu ainda em escavações arqueológicas, mas isso pode ainda vir a acontecer.

E o que não poderão dizer, se existirem, os arqueólogos daqui a milhares de anos quando descobrirem motores do século XX à mistura com pedras medievais?

MEDICINA QUÂNTICA?! (I)


Novo texto de António Piedade saído no "Diário de Coimbra" (na foto imagem de ressonância magnética nuclear):

“Toda a tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da pura magia”

Esta é a asserção da terceira lei de Sir Arthur C. Clarke, inclusa no seu livro "Profiles of The Future", escrito em 1961. Arthur Clarke, escritor de obras de ficção científica incontornáveis, como “2001, Odisseia no Espaço”, propôs, em 1945, os fundamentos do sistema de comunicações por satélites em órbitas geoestacionárias. Fez, para isso, uso do conhecimento sobre a radiação electromagnética adquirido cumulativamente por várias gerações dos melhores cientistas da humanidade nos últimos 200 anos (Maxwell, Hertz, Weber, Faraday, Snell, Marconi, Einstein, Planck, entre outros). De facto, muita da tecnologia que sustenta a nossa sociedade actual é fruto do conhecimento que temos dos campos, da forças e das radiações electromagnéticas, de que o espectro da luz visível, estudado por Newton, é só uma pequena parte.

Desde as ondas de rádio até aos raios gama, passando pelas microondas e pelos raios X, não é difícil identificarmos actividades, processos e instrumentação, no nosso dia-a-dia, que decorrem da natureza da radiação electromagnética, que por sua vez dependem da frequência ou do comprimento de onda e da amplitude. Einstein teorizou a relação entre matéria e energia, através da famosa constante “c” que mais não é do que a velocidade a que qualquer radiação electromagnética, independentemente da sua frequência, se propaga no vazio. E Planck estabeleceu através da constante “h”, que tem o seu nome, a relação entre a energia de uma dada radiação electromagnética e a sua frequência. De facto, a velocidade de propagação das ondas electromagnéticas varia com a frequência, ou com a sua energia, se o vazio for preenchido por matéria (recorde-se que o som não se propaga no vácuo, por se tratar de uma onda mecânica e não electromagnética). O meio de propagação (ar, água, metal, tecido biológico, etc.) afecta a velocidade de propagação e até a própria capacidade de penetração de uma dada radiação electromagnética, e isto proporciona-nos tecnologias muito úteis que usamos sem nos apercebermos o que está por detrás delas.

Isso é, em particular, evidente nas tecnologias da saúde e da vida. Inúmeros são os exemplos no nosso quotidiano. Um é a aplicação dos raios-X na detecção de inúmeras patologias e perturbações no organismo, determinante como auxiliar de diagnóstico, primeiro no quadro de uma medicina mais empírica e, mais recentemente, de uma medicina baseada na evidência, robustecida pela metodologia científica na minimização de erros tantas vezes fatais para o paciente. Outro exemplo é o da aplicação da radiação gama na radioterapia curativa ou paliativa de combate a determinados tipos de cancros sólidos. Ainda um outro exemplo é o da ressonância magnética nuclear, que faz uso de campos magnéticos e radiações electromagnéticas com frequências na gama das ondas de rádio e, por isso, muito menos nocivas do que, por exemplo, os raios X. Aliás, é espantoso o avanço nas técnicas de imagiologia por ressonância magnética registado nos últimos anos e tudo o que têm permitido desvendar a respeito da fisiologia do nosso corpo, mormente na neurofisiologia, conquanto permitem monitorizar uma determinada função e contextualizá-la com a anatomia envolvente.

Um último exemplo, este visto por um ângulo oposto, é o efeito nefasto que a radiação ultravioleta, proveniente do Sol, provoca no ADN das células da nossa pele, induzindo mutações e danos biomoleculares que potenciam o desenvolvimento de certas formas de cancro.

Sem o conhecimento minucioso das propriedades da interacção da radiação electromagnética com a matéria que constitui os tecidos do nosso corpo, em rigor com os átomos e moléculas que o constituem, não teria sido possível desenvolver aquelas e outras tecnologias para a saúde e da vida. Estas são áreas cientificamente bem fundamentadas e identificadas com a medicina nuclear e com a radiologia, disciplinas incluídas nos currícula para a formação de médicos e técnicos de saúde.

O mesmo não se pode dizer, por ausência de qualquer informação científica acessível, de um pretenso conhecimento científico subjacente a uma dita "medicina quântica" que se começa a instalar, adubada pelo desconhecimento que o público em geral possui sobre a física e química quânticas.

(continua)

António Piedade

Carros do Futuro (presente)

Nissan Land Glider EV Concept


Volvo XC60 Concept Car


Toyota EV Concept


Future Car BMW


Audi Shark


Audi RSQ


Nissan Pivo 2


Alfa Romeo Pandeon

A MISTELA DO EDUQUÊS

Texto gentilmente enviado por Guilherme Valente ao De Rerum Natura, saído no semanário Expresso de hoje.

«Os que negam a razão não podem ser conquistados por ela.» A. R.
.
1. Só há um grande problema em Portugal, todos os outros derivam dele, serão resolvidos por acréscimo: a educação. O nosso défice público maior. No entanto, a solução desse problema fundador foi deixada a um grupo de pessoas de duvidosa formação, chocante insensatez, gritante incapacidade de gestão, desígnio ideológico inconfessável. Durante mais de trinta anos. Sobrevivendo a todas as mudanças de governo. Com uma continuidade como nunca se verificou noutra área governativa. Sem terem sido eleitas. Sem o seu programa ter sido votado pelos Portugueses. Impedindo a construção da escola do conhecimento e da exigência, que redistribuiria a cultura e qualificaria os Portugueses, esse grupo dos «especialistas» controla todo o sistema educativo, das estruturas de poder do Ministério à formação de professores. Recrutaram em todos os partidos, colocaram fiéis ou têm instrumentos nas Presidências da República. Na expectativa de eleições, preparam já a troca de cadeiras nos lugares mais visíveis no Ministério da Educação. À espera do próximo convertido ou «idiota útil» mais provável para ministro. Ninguém pode ambicionar uma carreira na educação sem aceitar o seu jugo. Uma «União Nacional».
.
2. Confrontados com a tragédia dos resultados, que não os deixámos continuar a esconder, justificam o insucesso atribuindo-o a «cedências», «desvios» e «recuos» na realização do seu projecto. Devem ser assim interpretadas divergências recentes. E chegou a «justificação» mais sinistra: «Precisamos de mais tempo». Perante a sucessiva descida das notas de matemática, os responsáveis pelo Plano de Acção para a Matemática (os mesmos que causaram o descalabro) disseram… precisarem de mais anos (Expresso de 3/6/10, p. 18). Não chegaram trinta anos de experiência, um longo cortejo de vítimas? Pseudo-argumento, inverificável, fanático, que se conhece da História. No registo da política, como no da ciência, quando não se aceita a prova da realidade - neste caso o fracasso verificadíssimo da anti-escola imposta ao País - entra-se no reino das «ciências» ocultas. Também nesse sentido o eduquês é uma seita. Uma história conhecida ilustra a natureza irracional da falácia: Envenenado pela mistela do curandeiro, o doente acaba por ir ao médico. Levado o charlatão a tribunal, o que diz em sua defesa? «Se tivesse continuado a beber o meu remédio… acabaria por melhorar.» Até quando? Até morrer mesmo, pois não era remédio, mas veneno.
.
3. Estúpida relativamente à escola de que o País precisa, mas perfeita relativamente ao projecto de sociedade que querem impor, a instituição do fim das retenções, agora tão atalhoadamente defendida (Expresso de 31/7/2010 e entrevista ao telejornal da SIC), é, afinal, a dose letal da mistela que faltava. Percebe-se o seu efeito num país como Portugal. Solução final há muito desejada pela seita, que, finalmente, um ministro e um governo lhes oferecem. Só num ensino, útil e digno para todos, que seja exigente desde a primeira aula, e, assim, gerador da autoexigência de professores, alunos e pais, as retenções e o abandono seriam residuais. Uma escola em tudo o inverso da que temos. Mas mesmo nesse caso uma impossibilidade das retenções não devia ser formalizada.
.
4. Do mesmo modo, a política dos grandes agrupamentos, vista como de poupança financeira, é, sobretudo, outra concretização do projecto ideológico imposto ao País: criam espaços anómicos, onde, sem regras, na dissolução do conhecimento que conta e dos valores que humanizam, na «libertação» dos ressentimentos, supostamente se diluiriam todas as diferenças, sociais, culturais, pessoais. Ao contrário, por exemplo, do que acontece na Finlândia, que tão mentirosamente referem.
.
5. A minoria que foge ou sobrevive não chegará para resistir à aniquilação geral da inteligência e da vontade que tem sido perpetrada, para resistir à magnitude do que foi, agora, alegremente, prometido.
Guilherme Valente

sábado, 21 de agosto de 2010

Água de Colónia: a "original" versus a "autêntica"














Ir a Colónia e não trazer água de Colónia é como ir a Roma e não ver o papa, ou melhor, ir a Colónia e não ver a catedral. Mas, em Colónia, fiquei indeciso entre a "original", associada ao nome do italiano Giovanni Maria Farina, e a "autêntica", que usa o nome de 4711, do antigo número de porta da casa onde era fabricada. O segundo perfume é talvez mais conhecido até porque se vende mais. Mas o perfume mais antigo foi criado na cidade de Colónia pelo italiano em 1709, portanto há mais de 300 anos. O "4711", que tem uma fórmula química diferente (as duas são um segredo bem guardado!), só viu a luz do dia em 1804, graças a um comerciante alemão de seu nome Wilhelm Muehlens, não chegando por isso aos 200 anos. Seria uma história complicada contar como Muehlens tentou por todos os meios usar o nome de Farina, incluindo a compra do nome a um Farina que não era da família original e que não teve escrúpulos de o vender a dezenas de outros perfumistas... Ao contrário de Farina, o nome de "água de Colónia" é hoje uma designação genérica, com vários fabricantes em vários sítios do mundo, que desenvolvem campanhas de marketing agressivas. É curioso notar que o escritor francês Honoré de Balzac escreveu um romance onde descreve lutas entre perfumistas na Paris do século XIX, antecedendo no tema o alemão Patrick Sueskind, autor de "O Perfume".

Em Colónia, vale a pena ver o Museu do Perfume na casa onde trabalhou o italiano Farina, que continua de posse da mesma família, oito gerações depois, em frente à praça de Juelich, muito perto do magnífico Museu Wallraff-Richartz e da velha Rathaus (Câmara Municipal), e relativamente perto da Catedral, a única coisa que em Colónia é mais famosa do que a água de Colónia. O original sempre é o original. E aprende-se lá que Napoleão, querendo estar sempre bem-cheiroso, usava um frasco inteiro de água de Colónia por dia. Mais modernamente, e embora em menor quantidade, eram dados frascos aos marinheiros dos submarinos alemães na Segunda Guerra Mundial. Consta que eles, em vez de os usarem, os traziam para oferecer às namoradas ou esposas, uma vez que o perfume, de aroma suave, é unisexo...

O REGRESSO DA "FÍSICA ALEMÃ"

No nosso habitual destaque para a coluna do físico Robert Park, escolhemos hoje a sua chamada de atenção para a estranha parecença entre uma entrada na "Conservapedia" (Wikipedia Conservadora) e as posições nazis da "Física Alemã", que comparavam Hitler aos "gigantes da ciência" (na foto Philipp Lenard):
"CONSERVAPEDIA: OMINOUS ECHOES OF DEUTSCHE PHYSIK.

Last week I commented about Conservapedia, which was created to counter the "liberal bias of Wikipedia." As an example, I quoted from an item about relativity and Einstein. Physicist Don Langenberg, Chancellor Emeritus of the University of Maryland, who happened to be reading "The German Genius" by Peter Watson (Harper, 2010), remarked that the Conservapedia position quite accurately echoes a view expressed in May 1924 by Nobel physics laureates, Philipp Lenard and Johannes Stark in which they compared Hitler with the giants of science. This marked the emergence of "Deutsche Physik," which eschewed relativity and quantum theory, arguing that they were too theoretical, too abstract, and "threatened to undermine intuitive mechanical models of the world." Langenberg wonders if it’s possible that our rabid right might be pushing us toward revisiting the tragic events of the early 20th century."

Robert Park

A EDUCAÇÃO DURANTE O ESTADO NOVO (2)

Segundo texto de uma série de doze, retirados do livro Antes dos Cravos  doo Professor António Galopim de Carvalho (em continuação do anter...