sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

SUBSÍDIO DE RISCO: UMA FRAUDE

Novo texto de Eugénio Lisboa:

 Volto a isto, agora que o Partido CHEGA, numa manifestação de demagogia pacóvia, vem acenar com um aumento mirabolante do tão badalado SUBSÍDIO DE RISCO, para as forças de segurança.

Uma simples análise do problema mostrar-nos-á que o genuíno risco de vida ou de incapacitação para o serviço não pode ser acautelado com um subsídio de risco, que nunca garantirá o futuro dos familiares, em caso de acidente grave no decurso de uma operação perigosa. O subsídio de risco é apenas uma forma disfarçada de um aumento de vencimento mensal e destinado a isso mesmo: a ser consumido mensalmente, como parte das despesas correntes do lar. Mas mesmo – e não será normalmente o caso – de o utente desse seguro ser cauteloso e o reservar, em fundo separado, para o que der e vier, imaginemos um elemento das nossas forças de segurança que, dois ou três meses ou mesmo um ano ou dois anos, após ter ingressado nas ditas forças de segurança, morre numa operação de alto risco. É com o dinheiro recebido, como “subsídio de risco”, que a viúva e os filhos vão poder viver? Claro que não. O subsídio de risco não passa de um mau engodo eleitoral. O risco cobre-se com um seguro de grupo ou seguro colectivo, para todas as forças de segurança, que, por um preço relativamente baixo, permite ao Estado assegurar à família do segurado, uma razoável sobrevivência. E estou convencido de que até ficará ao Estado mais barato do que andar a pagar dispendiosos e ineficazes “subsídios de risco”… A demagogia do CHEGA serve só o CHEGA, mas de modo nenhum serve, a sério, os encarregados da nossa segurança. O SUBSÍDIO DE RISCO É UMA FRAUDE E COMO TAL DEVE SER DENUNCIADFA. E É UMA FRAUDE PARTICULARMENTE CRIMINOSA. Faça-se, sim, um bom seguro colectivo para os que corajosamente nos asseguram uma vida tranquila.

Eugénio Lisboa

9 comentários:

  1. Curioso. O autor só se enfadou com o «Subsídio de Risco» quando este foi proposto por um Partido político que não lhe cai no goto!

    Estava distraído quando os Sindicatos o reivindicaram?!

    Luís Fernandes

    ResponderEliminar
  2. O Sr. Luís Fernandes, num breve comentário de três linhas diz duas falsidades. Eu não me opus ao subsídio de risco , só agora que o CHEGA fez a proposta delirante de o aumentar em 300 euros. Já há um tempo atrás, me opus, com exactamente os mesmos argumentos, a este subsídio que não resolve coisa nenhuma e nessa altura não citei o CHEGA, pela simples razão de que não vi ainda nenhum partido, de direita ou esquerda, opor-se a tal malfadado subsídio. Agora citei o CHEGA porque ele levou a insensatez longe demais, com aquele valor de 300 euros. A minha oposição tem que ver com aritmética e não com ideologia, embora pense - e não tenho qualquer vergonha de o pensar - que a ideologia do CHEGA é detestável e imprópria de um homem ostensivamente religioso e cristão. Numa comédia de Molière, as pessoas assim têm um nome que ficou famoso.
    Se os Sindicatos reivindicaram esse subsídio, seria bom que lessem com cuidado o que eu escrevi, porque me parece claro que estou a defender bem melhor os interesses das forças de segurança do que os referidos Sindicatos. Em primeiro lugar, o subsidio de risco é um aumento disfarçado de salário e, ainda por cima, é uma péssima maneira de o aumentar, porque, como subsídio, não conta para a reforma (contaria, sim, se fosse um autêntico aumento salarial). Por outro lado, pelas claríssimas razões que dei, não acautela qualquer risco de vida ou de grave incapacitação. Se os salários são baixos, como provavelmente são, o que há a fazer é travar uma luta em duas frentes claras: por um lado, reivindicar um verdadeiro aumento salarial, por outro, lutar por um seguro colectivo de risco. Só assim garantirão três coisas: melhor salário, melhor reforma e um REAL acautelamento da família contra o risco de acidente grave. Resumindo, para quem saiba ler: o que estou a propor é INFINITAMENTE MELHOR do que aquilo que propõem o CHEGA, os outros partidos todos e também os Sindicatos. Nem é porque eu seja melhor do que eles, é só porque sou melhor a fazer contas.
    Eugénio Lisboa

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Exmº. Sr. Eugénio Lisboa

      Não escrevi (não afirmei, não declarei) que o Senhor se tenha oposto ao «Subsídio de Risco». Escrevi que se «enfadou», coincidentemente com a proposta de um «Partido político que não lhe cai no goto»!

      Vi pelo seu comentário/resposta que já antes se opusera ao mesmo.
      Culpa minha por não ter lido essa postura.
      E para sua tranquilidade: nada tenho a ver com o “CHEGA” nem com qualquer outro Partido político.

      Comentei porque estou de acordo com o «Subsídio de Risco» às Forças de Segurança. Tal como o de «refeição», de «transporte, ou «de fardamento» …. ou o «Seguro colectivo de Risco» e o «aumento salarial»!
      E nunca fui Funcionário público! Nem estou sindicalizado.
      Agradeço a cortesia da resposta.
      Luís Henrique Fernandes

      Eliminar
  3. É ou devia ser evidente q a proposta pretende pagar a coragem q um agente de policia assume todos os dias a nivel com a sua coragem. Isso é comum em muitas profissões q nao sejam a cadeira atras de uma secretaria. Confundir isto com um seguro para garantir o bem estar dos seus em caso de morte q pode e deve ser feito para qualquer profissao, mesmo a de escritor são coisas muito diferentes. Fazer esta confusão e ainda por cima consciente é da mais IGNOBIL DEMAGOGIA de quem no conforto das sua calma vidinha se quer aliviar moralmente , "lutando" quixotescamente contra o moinho de vento chamado Chega.
    Rui Silva

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O texto de Rui Silva mostra que não percebeu rigorosamente nada do que escrevi. O que é bizarro, porque costumo ser claro. O seu arrazoado é de uma confusão total e faz acusações muito sonoras e muito disparatadas a quem está a lutar por uma melhoria real das forças de segurança. Mas é apenas mais um texto que ilustra o alto grau de iliteracia funcional, com que a maioria dos estudantes deixam hoje as escolas. Aprendem tudo menos a saber ler e contar, com algum asseio. Tudo quanto peço é isto: não se pense acautelar um risco real, com um um aumento salarial disfarçado ou real. A luta pelo aumento salarial é legítima, mas é uma luta separada; a luta pela cobertura do risco é outra e igualmente legítima. Isto é clarinho e chamar-lhe ignóbil é pura iliteracia.
      Eugénio Lisboa

      Eliminar
    2. É interessante q alguém que tem alvara de inteligente e literato nao queira entender que o risco de uma profissão deve ser pago e deve ser chamado por esse nome. A logica não desaperece ou nao devia com a literacia. A influencia pos modernista sobre os nossos quasi intelectuais é tanta e tão subtil que não se dao conta dos erros que propagam. Evidentemente acusa me de não o ter comprendido, quando é notorio q nem depois do meu comentário percebe que garantir a segurança economica para a a familia é algo que deve ser preocupação de qq pessoa mesmo q o seu risco profissional seja zero. Esta aqui a falar-se de uma categoria diferente. Nem é preciso "GRANDES ESTUDOS" pra perceber isto. Por muito que lhe custe qualquer pessoa mesmo sem "formação dita superior" percebe isto. Para fechar apenas acrescento " Há ideologias" que emburrecem.
      Rui Silva

      Eliminar
  4. Gabo a paciência do Eugénio Lisboa, mas creio que o comentador não está interessado em debater racionalmente o que quer que seja, ele está aqui para fazer propaganda ao Chega e para, sem se dar conta, exibir a sua ignorância e o seu sectarismo.

    ResponderEliminar
  5. Definitivamente, o Sr. Rui Silva não sabe ler. Da maneira como interpreta as minhas afirmações, concluo que recebeu indevidamente os seus diplomas do ensino básico. Se é esta gente que orienta o CHEGA, estamos conversados. O Sr. Rui Silva faria bem em regressar à escola e reaprender a ler: para evitar dizer que o preto é branco e que o branco é preto. Tem razão o comentador anónimo que me precede: ando a perder o meu tempo. Lá dizia o outro: pior do que não ter literacia nenhuma é ter alguma, mas pouca. Não volto a gastar cera com ruins defuntos nem a dar palco a quem melhor ficaria fora dele
    Eugénio Lisboa.
    Eugénio Lisboa

    ResponderEliminar
  6. Triste país onde a Escol ou que se assume como tal, tem de se ser defendida por um anónimo que se intromete numa conversa sem qualquer argumento .

    A nossa “Escol” tem que se esconder atrás de "argumentos" como … falta de tempo… e
    opta por tentar desqualificar o opositor .
    Razão tinha Espinosa:
    “O que Paulo diz sobre Pedro diz nos mais sobre Paulo do que sobre Pedro.”
    Enfim resta-me reler "Os Lusíadas"

    Rui SIlva

    ResponderEliminar

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.

A Prima Bette de Honoré de Balzac

[A Prima Bette é o último romance de Honoré de Balzac. Aproveitando que tinha começado a ler uma versão muito elegante do livro publicada re...