No livro sobre ciência, filosofia e religião recentemente publicado pela Imprensa da Universidade de Coimbra, A Dinâmica da Espiral, de Formosinho Sanches e Oliveira Branco, o segundo autor declara-se extasiado com a leitura de um poema de Rainer Maria Rilke, d' O Livro de Horas, que ele próprio tentou traduzir a partir do original em alemão. Eis a tradução desse poema da pena do grande germanista Paulo Quintela (que está nas Obras Completas de Paulo Quintela, na Gulbenkian; a edição da figura, da Assírio e Alvim, contém outra tradução):
Deus fala a cada um só antes de o fazer.
Então sai calado, com ele para fora da noite.
As palavras, porém, antes que cada um comece,
essas palavras nubladas, são:
Enviado pelos teus sentidos,
vai até ao limite da tua saudade;
dá-me roupagens.
Atrás das coisas cresce como incêndio,
que as suas sombras dilatadas
me cubram sempre todo.
Deixa que tudo te aconteça: beleza e pavor.
Só é preciso andar: nenhum sentimento é mais longínquo.
Não te deixes apartar de mim.
É perto a terra
a que chamam vida.
Hás-de reconhecê-la
pela sua gravidade.
Dá-me a tua mão.
Rainer Maria Rilke (Livro de Horas, 1905, tradução de Paulo Quintela)
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
CRISTIANISMO, HUMANISMO, POSITIVISMO E MARXISMO, PONTOS DE APROXIMAÇÃO E DE AFASTAMENTO
Texto do Professor A. Galopim de Carvalho O elitismo académico já teve o seu tempo. Agora é tempo de abordar “todos os saberes” “com toda a ...
-
A falácia do espantalho , uma das mais utilizadas pelos que que não conseguem sequer compreender os temas em debate, basicamente consiste em...
-
A contribuição do Desidério é importantíssima. É curioso como um dos ramos filosóficos e matemáticos aparentemente mais afastados do dia-a-d...
-
Ludwig Krippahl é professor na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e membro do centro de investigação em intel...

Sem comentários:
Enviar um comentário