domingo, 24 de janeiro de 2016

A dependência da escola

Ouço, na rádio, um jovem que, tendo completado dezoito anos (e, provavelmente, chegado ou passado o 12.º ano) foi votar pela primeira vez. Na sua opinião, a escola deveria ensinar a votar.

"Ensinar a votar" seria explicar e simular o próprio acto de votar: recolher o boletim de voto à mesa, fazer a cruz no quadradinho que corresponda à escolha (teve o cuidado de sublinhar que a escola não poderia indicar o partido/candidato), dobrar o boletim e introduzi-lo na urna.

Sim, acrescenta, uma jovem, porque há pais que não explicam isto aos filhos...

Vejo, neste e noutros exemplos, o sucesso da retórica de que a escola tem obrigação de ensinar, de modo muito concreto, tudo o que é preciso para a vida (a vida no sentido do quotidiano, já se vê): são os jovens a quem se faz crer que "são autónomos" desde que entram no sistema que parecem sentir-se dependentes de "instruções" específicas e as reclamam.

5 comentários:

  1. Qualquer teste de escolha múltipla ensina os alunos a votar. Que mais pode ser preciso??

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  2. Afinal, estão sempre a falar na educação paralela... nas novas tecnologias que ensinam tudo, e por isso a escola já quase não precisa de ensinar... e agora até devia ensinar a pôr uma cruz num boletim de voto??!! Onde está a coerência??

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  3. Não entendo. Todos os anos os alunos participam pelo menos numa eleição, a escolha do delegado de turma!

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  4. Não adianta ensinar os jovens a votar sem antes eles terem uma noção de que serve isso: É o mesmo que ensinar a andar de bicicleta quem não quer ir a lado nenhum.

    80% dos jovens abstem-se e depois há projectos lei para baixar a idade de voto para 16 anos!...

    80% dos jovens vê as eleições como um folclore que diverte os cotas e que não tem qualquer impacto nas suas vidas...e o drama maior é que acabam por ter razão, face à demagogia crónica da nossa classe dirigente que convive placidamente com um desemprego de 50% abaixo dos 30 anos...

    Epá, devolva-me o séc. XX, por favor!

    Dervich

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  5. Os alunos (e os pais dos alunos), são muitos. Pespegar aqui o que um, dois ou três dizem, sem aquilatar a pertinência dessa ou dessas opiniões, talvez não tenha muito interesse ou não faça qualquer sentido.

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