quarta-feira, 25 de março de 2015

CIÊNCIA EM PORTUGAL: CONTINUA O "FALHANÇO PLENO"

Hoje o Jornal de Notícias difunde a notícia dos centros que estão a levantar processos em tribunal contra a FCT e tudo indica que outros se seguirão. Toda esta trapalhada era perfeitamente evitável se o ministro Nuno Crato fosse de facto ministro da Ciência e Tecnologia. Na prática demitiu-se há muito tempo, deixando o terreno livre a gente incompetente, inculta e arrogante. Gente acima de tudo sem quaisquer princípios éticos. Basta um mínimo de honestidade intelectual para ver que o processo de "avaliação" das unidades não foi sério. Muitos investigadores, nacionais e estrangeiros, já o disseram. Os reitores já o disseram: a carta deles chamou à "avaliação"  um "falhanço pleno", que é como quem diz um desastre total e completo.

Já era um desastre e continua um desastre. Dos  centros que passaram à 2.ª fase (cerca de 50% pelo contrato secreto celebrado entre a FCT e a ESF) 123 protestaram, apesar de terem recebido financiamento.. Portanto reclamaram e aguardam resposta devidamente justificada cerca de 76% dos centros que sobreviveram na 2.ª fase. Isto não é normal em país nenhum do mundo e alguém deve
ser responsabilizado. A FCT, que reclama a excelência, é manifestamente medíocre, pois não indica prazos nem indica pessoas idóneas para rever os processos. A sua incompetência é tanta que ontem os seus servidores não serviam para nada: estavam bloqueados. Agora está a fazer chantagem (sim, não há outro nome: é chantagem) com os centros de investigação, obrigando-os a aceitar qualquer coisa num prazo absurdo. A FCT não tem prazos nem respeita prazos e quer que os outros respondam de hoje para amanhã, sob pena de cortar o financiamento a que tem direito.

Para que se perceba: o financiamento público à ciência é um direito da ciência e da sociedade e não uma benesse dada por apaniguados de partidos circunstancialmente no poder. Ninguém percebe o financiamento da FCT nem a nota que deveria estar associado a ele, se o processo fosse recto e rigoroso. As regras não são conhecidas a tempo e as que vão sendo conhecidas são alteradas arbitrariamente em qualquer altura. Leio nas notícias que um centro tinha 15 mil e de repente sem mais nem porquê passou a ter 75  mil euros por ano. Os outros também querem aumentos desta percentagem: 400%. Reina  a arbitrariedade e a prepotência. A FCT parece estar sem controlo e era bom que o ministro mandasse instaurar rigoroso inquérito, poupando trabalho aos tribunais. Imagino o que custa aos investigadores terem, como recurso último e por não haver ministro da Ciência, de lutar na justiça pela ciência em vez de estarem a trabalhar nos seus  laboratórios. Não está em causa se os que reclamam são piores ou melhores que outros, está simplesmente em causa saber se vale tudo num Estado de Direito. A ciência em Portugal, com este governo PSD-CDS e este ministro que abandonou a ciência em favor de outros interesses, está pelas ruas da amargura.

2 comentários:

  1. E enquanto isso, o presidente da FCT está ausente... por onde andará?

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    1. E a secretária de estado, que é quem de facto manda na ciência? Quanta autoridade política é que ainda tem?

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