quarta-feira, 2 de abril de 2014

RESPOSTA A UM COMENTÁRIO SOBRE A ORDEM DOS PROFESSORES E OS SINDICATOS DOCENTES


 "Os factos são sagrados e os comentários são livres" - Máxima do jornalismo.

Não fosse o respeito que me merece o leitor, deixaria passar o comentário de Orlando Braga - insito no meu post anterior, “O Leito de Procusto, a Revista Kapa e a Direita Portuguesa Contemporânea” (29/03/2014) -, como diria Eça, escrito de “pena ao vento”, por o respeito pela profissão docente dever merecer mais e melhor atenção da sua parte. Desse comentário, Orlando Braga o escreveu, realço: “A lengalenga deste verbete… poder ser interpretado de várias formas porque a escrita é propositadamente ambivalente”. A que verbete se reporta? Ao meu texto ou ao seu comentário? O leitor melhor julgará, mas eu, tenho para mim, estarmos em presença, isso sim, de uma ambivalência  da sua prosa em que o feitiço se pode ter virado contra o feiticeiro.

Mas adiante, não sem antes agradecer-lhe a oportunidade que me dá de vir, possivelmente, e se tal for necessário, a debruçar-me, em outra ocasião e neste blogue,  sobre a temática, sempre actual e polémica,  relativa a uma Ordem dos Professores. Para já, há uma concordância entre nós sobre a justiça de um professor universitário catedrático ganhar mais dinheiro que um professor primário em fim de carreira. Professor primário reformado, na meia-idade, quase diria na flor da idade, aos 52 anos numa altura em que a própria OMS, tendo em vista o aumento de tempo de vida na sociedade actual,  já fala duma 4.ª idade a partir dos oitenta anos de idade.

Repare o leitor, para além disso, que o professor do antigo ensino primário (actual 1.º ciclo do ensino básico), de posse de um curso médio, mercê de frequência de escassos meses em escolas privadas superiores, termina a carreira docente em situação idêntica, por exemplo,  a de um seu colega que, para ascender e cumprir  estudos superiores, teve que estudar mais dois anos de ensino secundário (antigos 6.º e 7.º anos do antigo Liceu) e uma licenciatura em Letras ou Ciências.

Esta situação, pós/25 de Abril, só foi possível mercê de uma concertação sindical, sob a batuta da Fenprof  (por si próprio, Orlando Braga, confessado,  enfeudada à esquerda marxista). Anteriormente,  o professor  primário (utilizando a sua nomenclatura), de posse de um curso médio atingia o topo da carreira na letra C, o professor bacharel na letra B, o professor licenciado na letra A, a que correspondiam vencimentos  diferenciados.Tudo isto foi conseguido através de uma Carreira Docente (única) que, repito, não se verifica em países que respeitam os diplomas por si outorgados até porque, segundo Pessoa, “é  preciso violentar todo o sentimento de igualdade que sob o aspecto de justiça ideal tem paralisado tantas vontades e tantos génios, e que, aparentando salvaguardar a liberdade, é a maior das injustiças e a pior das tiranias”.

E não se julgue que isto de repúdio por ultrapassagens nas carreiras profissionais não é diruptivo.Haja em vista, o caso dos militares de carreira perante a integração de oficiais milicianos no Quadro Permanente das Forças Armadas depois destes terem lutado em longos anos de combate, com perigo da própria vida,  na Guerra do Ultramar, interrompendo, por vezes,  os seus estudos académicos ou mesmo antigos empregos.

Tendo como base a tese de mestrado, na Universidade Lusófona, de Luís Pedro Melo de Carvalho, resumo o acontecido no caso supracitado. Ao ser preparado um diploma que previa integrar no Quadro Permanente oficiais milicianos, através da frequência de um curso na Academia Militar, com a duração de um ano lectivo, seguido de um estágio de 6 meses na Escola Prática da respectiva Arma ou Serviço,  logo se gerou um movimento de repúdio, por parte dos oficiais do Quadro Permanente, reagindo estes numa onda de forte contestação por se considerarem prejudicados tendo  como resultado o despoletar do chamado “Movimento dos Capitães”, génese do 25 de Abril, que pôs em confronto os cadetes da Academia Militar, que se “sentiram ofendidos no seu orgulho e no seu prestígio”, e os oficiais milicianos com anos de serviço em territórios africanos com o estatuto de províncias ultramarinas portuguesas.

Mutatis mutandi, quem está contra a carreira docente única, que alberga em seu seio, em paridade de direitos e vencimentos,  indivíduos com cursos secundários incompletos, cursos médios e cursos superiores, mais não faz do que, a exemplo  dos oficiais mais habilitados, se sentirem ofendidos no seu orgulho e no seu prestígio, alcançado com sangue, suor e lágrimas de estudos aturados (sem Novas Oportunidades ou Provas de Acesso para Maiores de 23 anos) enquanto verdadeiros carreiristas se alcandoraram a posições iguais ou mesmo superiores às suas.

A situações desiguais não devem corresponder soluções desiguais? Ou, como escreveu Sophia de Mello Breyner”, em carta a Jorge de Sena, “acho que não se pode criar em nome do antifascismo um novo fascismo”. Ou um social-fascismo de uma sociedade sem classes de inspiração moscovita mesmo depois da queda do Muro de Berlim!

2 comentários:

  1. Esta "personagem" não vê a obsessão paranóica em que está atolado?

    Faça-se um amplo peditório nacional, antifascista e anti-social-fascista, tendo como objectivo primordial permitir a tão insigne persona poder olhar para todos os lados e saborear-se com tão alta estatura, a sua.

    Uma bem merecida reforma, não duvidamos, será o mínimo que a Nação tem para
    homenagear tão (dis) tinto compatriota.

    Companheiros, o homem merece!
    Bem haja, senhor.

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  2. Meia dúzia de dias para produzir uma prosa que demonstra um mau funcionamento biliar. Só por acaso aqui passei, aliás em boa hora e num espaço de tempo que lhe permitiu uma breve glória perante os seus amigos de partido ou de sindicato.

    Aliás, para Ralph Emerson, "uma seita ou um partido político é apenas um eufemismo elegante para poupar um homem(zinho) do vexame de pensar. Premonitórias palavras estas, escritas em fins do século XIX e que bem se adaptam aos dias de hoje... e à sua pessoa. Cumprimentos e até breve se assim o desejar e merecer...

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