segunda-feira, 21 de abril de 2014

GRANADAS (1)

Se estivéssemos em Espanha, estávamos a falar de romãs (Malum granatum, em latim. Mas não estamos. Estamos do lado de cá da fronteira, onde, por enquanto, ainda se fala português e alguns resistem à imposição de um acordo ortográfico que nos subalterniza e envergonha.

Com origem no latim granatus (que significa muitos grãos), as granadas constituem um grupo de minerais, cujo nome, proposto por Alberto, o Grande, em 1250, reflecte a semelhança entre a forma e a cor dos bagos da romã e a forma e a cor dos cristais das espécies vermelhas mais comuns. Este grupo reúne várias espécies, só distinguíveis entre si por via química, e, algumas destas incluem variedades.

As espécies de cor vermelha intensa, nomeadamente, a almandina e o piropo foram referidas por Teofrasto (372-287 a.C.) pelo nome de antrax, termo grego, que significa pequena brasa de carvão, em alusão à referida coloração, nome pelo qual também designou o rubi e a espinela vermelha. Três séculos mais tarde, em Roma, Plínio, o Velho (23-79 d.C.), seguindo o mesmo raciocínio, baptizou-as de carbunculus, igualmente em alusão a uma pequena brasa de carvão. As granadas são silicatos de fórmula geral, A3B2(SiO4)3, em que A e B são, respectivamente, catiões trivalentes (Al3+, Cr3+, Fe3+) e bivalentes (Mg2+, Mn2+, Ca2+, Fe2+).

Caracterizadas por um hábito cristalino (dodecaedros e trapezoedros) comum às diversas espécies e variedades, as granadas são frágeis, embora sem clivagem, exibem fractura conchoidal a irregular e são relativamente duras (6,5 a 7,5, na escala de Mohs), pelo que podem ser usadas como abrasivos.

Dodecaedro pentagonal, dodecaedro rômbico e trapezoedro

Transparentes a opacas (em parte, função da ausência ou presença de inclusões) têm cores diversas, entre tons de vermelho, rosa, laranja, amarelo, verde e preto. Raramente incolores, nunca são azuis e o seu brilho varia entre vítreo e resinoso.

A almandina é uma espécie de granada de alumínio e ferro ferroso, de fórmula Fe3Al2(SiO4)3 e cor habitualmente vermelha. Quando transparente, pode constituir uma gema valiosa. É uma espécie comum em micaxistos, associada a estaurolite, distena ou andaluzite. O nome evoca aa cidade de Alabanda, na Turquia, local onde era lapidada na Antiguidade, e onde era conhecida por carbunculus alabandicus.


                                                                   Almandina
A andradite é uma espécie de granada de cálcio e ferro, de fórmula Ca3Fe2(SiO4)3, embora admita substituições catiónicas importantes. O seu nome, proposto em 1868 pelo célebre mineralogista americano James Dwight Dana, homenageia o mineralogista luso-brasileiro José Bonifácio de Andrada e Silva, mais conhecido como político, pelo seu papel na história do Brasil. As cores desta espécie dependem das referidas substituições e podem ser vermelho, amarelo, castanho, verde ou preto.
Almandina
Entre nós, merecem referência especial a andradite de Linhó (Sintra), no escarnito (skarn) de contacto do calcário do Jurássico superior com a intrusão granítica, a de Monforte (Alentejo), em corneana calco-silicatada, e a de Espinho, em micaxisto.

As variedades reconhecidas são a alocroíte (incolor), a topazolite (amarela e esverdeada), por vezes, com qualidade suficiente para ser lapidada, a melanite (preta), a escorolomite, rica em titânio, e o demantóide (verde) que é uma das pedras mais raras e valiosas no mundo gemológico.


Topazolite
















Demantóide

A espessartite é uma espécie degranada de manganês e alumínio, de fórmula Mn3Al2(SiO4)3, cujo nome evoca a cidade de Spessart, na Baviera. Pode apresentar cores variadas, de acordo com o tipo e quantidade de impurezas. As mais famosas são as de cor laranja, de Madagáscar, e os exemplares violeta-vermelhos que ocorrem em riolitos do Colorado e do Maine, nos EUA.

Espessartite

A goldmanite é uma espécie de granada verde ou castanho-esverdeada de fórmula Ca3(V,Al,Fe)2(SiO4)3. Descrita em 1964, numa ocorrência no Distrito de Laguna, no Novo México, o seu nome constitui uma homenagem ao petrologista americano Marcus Isaac Goldman (1881-1965).

 Goldmanite

(Este texto continua aqui)
A. Galopim de Carvalho

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