quinta-feira, 24 de abril de 2014

COMENTÁRIOS AO PROGRAMA "OLHOS NOS OLHOS" DE MEDINA CARREIRA ONDE ESTIVE

O programa "Olhos nos Olhos" da TVI24, de Medina Carreira e Judite de Sousa, que passou em directo na passada 2.ª feira, no qual procurei defender a educação superior e a ciência do rótulo de inutilidade que alguns lhe atribuem, tem sido alvo de alguns comentários na Net (além de outros, mais pessoais, que me fizeram chegar e que tenho agradecido pessoalmente). Deixo aqui alguns comentários públicos:






Agradeço estes comentários, que, no geral, apoiam a defesa que fiz do ensino superior e da ciência.


5 comentários:

  1. O professor Carlos Fiolhais argumentou que é por meio da ciência que se poderá fazer o desenvolvimento económico e social do País. Esse seu raciocínio, é demasiado estreito, porque parte do principio que a ciência é uma condição suficiente para tudo isso. E dessa forma pôs-se a jeito para ouvir do Dr. Medina Carreira que “o Faraday é um”...
    Professor Fiolhais repare neste texto do Professor Bento Caraça, que mostra, a cultura geral como complemento indispensável ao cientista, permitindo ao homem subir de profissional a cidadão, e por conseguinte ao tão desejado desenvolvimento económico e social. Foi este ênfase que faltou ao discurso do Professor Fiolhais.



    “Necessidade da Cultura Geral

    Um dos problemas mais sérios que a civilização moderna põe ao Homem que deseja acompanhar o movimento geral das ideias é o da oposição entre a necessidade da especialização e a da cultura geral.
    A acumulação de conhecimentos em cada ramo da ciência e o desenvolvimento prodigioso da técnica põem o Homem perante este dilema: ou pretender dominar a técnica no seu ramo de actividade e especializar-se, cada vez mais, num âmbito cada vez mais estreito, ou, pelo contrario, pretender ter uma visão geral de tudo, mas renunciar a dominar a sua profissão. Daqui resulta o risco de se cair em qualquer destes extremos – ou resignar-se a ser uma máquina de bom rendimento, ou arriscar-se a cair no vago, na superficialidade.
    Uma e outra coisa são igualmente nefastas: o Homem-máquina pode ser um técnico altamente valioso, mas será sempre um mau cidadão, um ser indefeso, sujeito a todas as influencias, um ser isolado da humanidade, dos seus problemas, das suas dores. O Homem-da-generalidade, com a sua atenção constantemente dispersa, não pode ser um criador, nem um realizador; dificilmente será, também, um bom cidadão.
    E, no entanto, há uma saída, um caminho no qual se não cai em nenhum dos extremos. Como? Conseguindo que o Homem, não sacrificando as suas aptidões e actividades profissionais, possa, contudo, compreender o tom geral da civilização do seu tempo. Não se exige, para isto, que o engenheiro deixe de ser engenheiro para se embrenhar nos problemas da medicina; que o poeta deixe de ser poeta para se tornar físico; mas que o engenheiro saiba e compreenda o que pensa a ciência actual sobre a constituição celular, sobre a genética; que o poeta saiba e compreenda o que pensam os astrónomos de hoje sobre a arquitectura do universo; que o homem-comum, sem instrução superior, nem média, saiba e compreenda o que se pensa hoje sobre a estrutura da matéria, sobre a evolução das sociedades.
    É isto possível? É certamente difícil, mas não é impossível. Tudo depende de uma selecção e apresentação convenientes do que há de essencial em cada compartimento da actividade humana, de modo que a todos seja tornado acessível o património cultural comum da humanidade.
    Não há nas construções humanas, daquelas que ficam, que resistem ao tempo, nada que não possa ser compreendido pelo comum dos homens. É só o comum dos homens que faz e desfaz as civilizações; é o comum dos homens que tem a necessidade de cultura geral. Assim entendida, ela deixa de ser inimiga da actividade profissional, mas é o seu complemento indispensável, o instrumento que permite ao homem subir do nível de profissional ao de cidadão.”

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  2. Eu gostei da prestação televisiva do Sr. Prof. Carlos Fiolhais. Pessoalmente, não o acompanho na ideia de que o interior do país deve continuar ensino superior, a menos que este não se diferencie qualitativamente do ensino superior ministrado na Universidade de Lisboa, Nova, Porto, Coimbra, Aveiro e Minho. Isto de ter ensino superior porque dá jeito a uma legião de ex-autarcas e correlegionários politícos com súbitas vocações para a docencia no ensino superior é um forrabadó de dinheiros públicos. E bom seria que o Sr. Ministro divulguasse os INDEZ ...

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    1. E Evora, nao se esqueca de Evora [2a universidade mais velha do pais a seguir a Coimbra]!

      P.S. Desculpem pela falta de acentos, mas o meu teclado nao esta grande coisa...

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  3. Como se explica a não divulgação nem do INDEZ 2011, nem do INDEZ 2012, nem do INDEZ 2013 que reportam dados referentes ao ensino superior público respectivos aos anos de 2011, de 2012 e de 2013 ?

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  4. Agradeço a referência, sendo que o texto é um simples rascunho redigido na hora que estava a ver o programa e sentia a injustiça e indignação. Hoje, que soube ter falecido um dos grandes impulsionadores da escola pública e da democratização do sistema educativo e do ensino superior (Prof. Doutro Veiga Simão), deixo esta pequena nota a título de agradecimento por tudo que me proporcionaram todos aqueles que defenderam e continua a defender a escola pública e a devida democratização de todos os níveis de ensino, de cultura, de investigação e de desenvolvimento. http://zedebaiao.com/veiga-simao-19292014-reforma-educativa-52148

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