quarta-feira, 21 de setembro de 2011

PRÓLOGO AO GRANDE INQUISIDOR


Eis o Prólogo intitulado "Um momento de fadiga ou desconforto" do novo livro de João Magueijo, que acaba de sair na Gradiva. Trata-se de uma biografia do físico italiano Ettore Majorana (na figura), um génio desaparecido misteriosamente.

"Vossa alteza: a doença do meu filho foi causada pelos seus nobres estudos."
DE UMA CARTA ENVIADA A MUSSOLINI PELA MÃE DE ETTORE MAJORANA

Quando eu tinha uns 20 e poucos anos e era ainda um aprendiz de cientista, trabalhei com regularidade como secretário científico do Centro Ettore Majorana, na Sicília. Era sempre no pino do Verão, altura em que um sol brutal abrasa a terra e é impossível não nos apaixonarmos pela beleza exuberante da Sicília, de um esplendor que só pode ser descrito por superlativos, na paisagem, nas gentes ou na comida: belo na Sicília nunca é bello, é bellissimo, assim como perigoso não é pericoloso, é pericolosissimo.

Foi numa destas «viagens de trabalho», por assim dizer, quando estávamos meia dúzia sentados ao ar livre a deitar abaixo mais uma garrafa de Corvo Rosso, que conheci Ettore. Actualmente trato-o por tu; acompanhou-me ao longo de toda a minha carreira, como uma sombra de que nunca consegui libertar-me, recordando-me constantemente a sua história.

É natural que o destino de Ettore tenha vindo à baila numa das muitas noites límpidas de céu estrelado que passámos ao ar livre: afinal, estávamos a trabalhar num centro baptizado com o seu nome. Os nossos esforços eram generosamente compensados — em dinheiro — pelo Centro Ettore Majorana. Por exemplo, não teríamos de pagar por aquela garrafa de vinho: o centro
tratava disso graciosamente. O mesmo acontecia com as refeições nos restaurantes, as entradas em discotecas e até com os toldos na praia mais próxima.

No lado bom da Sicília não fica bem oferecermo-nos para pagar as contas: pode ser uma ofensa grave. Ora nós não queríamos de maneira nenhuma ofender alguém*.

Por tudo isto, Ettore estava sempre connosco, pelo menos em espírito. Não me surpreendeu saber que, além de físico de grande talento, fora um siciliano, nascido na cidade de Catânia. Tinha sido um dos físicos nucleares do famoso grupo de Enrico Fermi, os «rapazes da Via Panisperna». Era um prodígio, capaz de ultrapassar toda a gente, mesmo Fermi, nos cálculos mais difíceis. De facto, Fermi comparou Ettore a Isaac Newton e Galileo Galilei numa escala em que ele próprio ficava apenas na segunda categoria, e em que, embaraçosamente, se esqueceu de incluir Einstein na primeira.

Mas a história não acaba aqui; na realidade, apenas começa. Hoje em dia, Ettore é mais conhecido por outras razões: a sua saída de cena em grande estilo. Se não fosse isso, ninguém se interessaria pela sua vida. Ettore seria apenas mais uma vítima do mito de que os cientistas são criaturas racionais e sem emoções — e não seres humanos. Seria conhecido pelas suas teorias acerca dos neutrinos e pelas suas contribuições para a física nuclear e a mecânica quântica, mas nada mais.

Tirando um certo golpe de teatro.

Na noite de 26 de Março de 1938, tinha Ettore 31 anos, embarcou num navio em Palermo, na Sicília, e desapareceu. Deixou atrás de si uma série de cartas de suicídio e sabia-se que andava deprimido há pelo menos cinco anos, mas o que impede que o caso seja arquivado é o seu corpo nunca ter sido encontrado e ao longo das décadas seguintes ter sido aparentemente avistado em várias ocasiões. A acrescentar a isto, além do passaporte, levava consigo o equivalente a 70 mil dólares em dinheiro de hoje. Nestes termos, é difícil negar que se tratava de facto de um ser humano.

Ao longo de todos estes anos têm sido propostas muitas teorias para explicar o que lhe aconteceu. Há quem diga que se refugiou num mosteiro na Calábria, mas também há quem nos assevere que fugiu para a Argentina. Outros ainda dizem (ou antes, sussurram) que é capaz de se ter metido em sarilhos com a Máfia.

Os teóricos da conspiração pensam que foi raptado por uma grande potência com interesse nos seus conhecimentos nucleares. Mais para as bandas da demência, há quem prefira a teoria do rapto por extraterrestres, ou mesmo um salto para lá da quinta dimensão. A verdade é que ninguém sabe.

* Corria o boato de que as notas usadas pelo centro estavam manchadas de sangue. Isto é simplesmente falso. Eram sempre de um asseio irrepreensível.

João Magueijo

PEIXES VOADORES

As (muitas) fraudes em trabalhos académicos - 1

As conversas sobre fraudes em trabalhos académicos saíram definitivamente dos gabinetes e corredores das escolas e universidade para os jornais, televisões, blogues, rádios. Estão na rua.

Não era assim até há bem pouco tempo: os plagiadores faziam do seu acto grande segredo e creio que a consciência de alguns ganharia peso com o passar do tempo. Quem sabia, por ter escutado qualquer coisa em surdina à mesa do bar, olhava-os como pecadores para o resto da vida. Mesmo que ganhassem graus académicos perdiam em reputação. Alguns eram afastados discretamente, com um “convite” para desistirem das provas ou para deixarem lugar vago. A poucos se fazia passar a vergonha da divulgação pública. Nos casos que conheci, vi aliada a punição à complacência.

Porém, de um momento para o outro tudo parece ter mudado, e apenas falo da minha experiência na universidade, naquela a que pertenço e noutras que visito: passo pelos corredores e ouço um estudante dizer, muito naturalmente e em voz alta, qualquer coisa do género, “manda-me o trabalho que apresentaste em… para eu apresentar amanhã em…”; leio a parte de uma tese que se me afigura familiar e percebo que fui eu que a escrevi; passo os olhos por um ensaio e o que vejo é uma manta de retalhos sem qualquer sentido, com umas partes em português de Portugal e outras em português do Brasil, porque o seu “autor” nem se deu ao trabalho de o tratar e uniformizar.

E isto em licenciaturas, mestrados e… doutoramentos. Ou, na terminologia de Bolonha, no primeiro, segundo e terceiro ciclos. Falo de jovens, mas também de pessoas na meia idade; falo de quem nunca desempenhou nenhum cargo, mas também de quem desempenha cargos que implicam responsabilidade e honestidade.

Quando confronto os estudantes, sempre com evidências na mão, por mais diversos que sejam, duma coisa posso ter a certeza: porão um ar desentendido e terão dois tipos de reacção. Uma reacção é uma quase não reacção, do tipo “sim, e depois!?”, reconhecem, portanto, o que fizeram, mas não vêem onde está o problema; outra reacção é mais reacção e pode traduzir-se na negação, ou na afirmação repetida de não perceberem onde quero chegar, ou que não tiveram qualquer intenção de usar obra alheia, ou de nunca lhes terem explicado como se pode usar essa obra… ou, ainda, tudo isto.

Mais grave do que as reacções dos estudantes são as circunstâncias que têm permitido a sua expansão e consolidação. Parece que foi preciso a comunicação social dar atenção continuada às fraudes para que se começasse a estudar o assunto nas universidade. Mas daqui a fazerem algo de substancial para as reduzir pode falar pouco ou pode faltar muito tempo. Convinha que não faltasse muito porque é o prestígio dos graus académicos, já tão ameçados por outros factores, que está em causa.

NOITE EUROPEIA DOS INVESTIGADORES

Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra:


23 de Setembro de 2011 | 18H00 – 24H00
ENTRADA LIVRE

Procurando aproximar o público da ciência e dos cientistas, o Museu da Ciência com a colaboração de centros de investigação da Universidade de Coimbra, junta-se novamente a esta iniciativa da Comissão Europeia com actividades interactivas para todas as idades. Não perca a oportunidade de conhecer mais de perto a vida dos cientistas e de ver, tocar e experimentar ciência!

PROGRAMA

EXPERIÊNCIAS INTERACTIVAS | 18H00 - 24H00
Actividades hands-on (mãos na massa) para todos com a participação de cientistas da Universidade de Coimbra.

18H00 - 24H00
Formas matemáticas
Pequenos desafios, grandes descobertas
Arte pegajosa
Sector de Educação do Museu da Ciência

21H00 – 24H00
Uma oficina de ciência colorida
Centro de Neurociências e Biologia Celular - CNC
Realidade aumentada e interacção com objectos virtuais
Instituto de Sistemas e Robótica - ISR
Construção de uma mini-hídrica
Construção de uma mini-eólica
Os segredos dos átomos
Medições de radioactividade ambiente
Departamento de Física, FCTUC

PROJECTOS PROJECTADOS | 21H00 - 24H00
Projecção de filmes multimédia realizados por Pedro Miguel Cruz e por alunos dos cursos de Licenciatura e Mestrado em Design e Multimédia da FCTUC.

SPEED-DATING | 21H00 – 24H00
Cientistas da Universidade de Coimbra estarão disponíveis para curtas conversas com o público.
CIÊNCIA AO VIVO | 22H00 e 23H00
Assista a demonstrações ao vivo de experiências científicas.

O FUTURO DA CIÊNCIA | 18H00 - 24H00
Assista ao filme interactivo e faça uma viagem inesquecível através do corpo humano no Champimóvel.
Fundação Champalimaud

OBSERVAÇÕES ASTRONÓMICAS | 21H00 - 24H00
Venha observar o céu e conhecer os seus segredos.
Alpha Centauri
EXPOSIÇÕES | 18H00 - 24H00
Segredos da Luz e da Matéria
Maria Skłodowska Curie: Madame Curie

Mais informações aqui

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O Grande Inquisidor


Vou ter o gosto de apresentar, em conjunto com o escritor Rui Cardoso Martins, o novo livro de João Magueijo que acaba de sair na Gradiva. O lançamento será na FNAC do Colombo no dia 30 de Setembro pelas 18.30 horas.

O Grande Inquisidor
A vida extraordinária e o desaparecimento misterioso de Ettore Majorana, génio atormentado da era nuclear

João Magueijo
Colecção: Ciência Aberta

Páginas: 460
Ano de edição: 2011
ISBN: 978-989-616-436-2
15 €

Sinopse

Na noite de 26 de Março de 1938, o físico nuclear Ettore Majorana embarcou levando consigo uma grande quantia de dinheiro e o passaporte. Nunca mais foi visto. Até aos nossos dias, o seu desaparecimento permanece envolto em mistério.

Em O Grande Inquisidor (alcunha por que Ettore Majorana era conhecido entre os colegas), o físico teórico João Magueijo conta a história de Majorana e do seu grupo de investigação, responsáveis pela descoberta casual da fusão nuclear, em 1934. Quando Majorana, o mais brilhante do grupo, começa a compreender as implicações potencialmente letais da investigação em curso, fica perturbado. Ter-se-á suicidado? Terá sido raptado? Terá encenado a sua própria morte para se retirar da investigação científica?

Magueijo relata a vida trágica de Majorana e o seu desaparecimento bizarro ao mesmo tempo que nos fala das mais interessantes personalidades da ciência do século XX. Oferece-nos uma visão surpreendente dos meandros sombrios do mundo científico - tanto as suas dificuldades éticas como as suas por vezes complexas dinâmicas de grupo. O resultado é uma obra arrebatadora que dá conta da descoberta extraordinária de Majorana - o neutrino de Majorana - e sugere novas pistas para um dos mais intrigantes mistérios da ciência.

VIDA NO UNIVERSO


Minha apresentação em vídeo do recente livro "Vida no Universo: o cqaminho para a descoberta vde organismos extraterrestres" do físico João Lin Yun (Presença): aqui.

História das Ciências reúne especialistas portugueses e brasileiros


Informação recebida do Congresso Luso-Brasileiro sobre a História das Ciências

As inscrições para o Congresso Luso-Brasileiro da História das Ciências só até ao fim do mês

Entre os dias 26 e 29 de Outubro, Coimbra acolhe o Congresso Luso-Brasileiro da História das Ciências, uma organização conjunta de especialistas portugueses e brasileiros que visa estudar e promover o estudo da História da Ciência na Universidade de Coimbra (UC) desde a edificação do primeiro colégio jesuíta em 1547 até 1933, ano em que se inicia o Estado Novo. O encontro pretende, também, ser um momento de celebração dos cem anos da Faculdade de Ciências de Coimbra, que resultou da fusão das Faculdades de Filosofia e Matemática, criadas pela Reforma Pombalina. O prazo para inscrição no Congresso termina a 30 de Setembro. As inscvrições podem ser feitas através do site http://www.uc.pt/congressos/clbhc/inscricoes/

Segundo Carlos Fiolhais, Professor Catedrático no Departamento de Física da UC e membro da comissão organizadora do Congresso, “não se pode falar de ciência em Portugal sem falar de ciência na Universidade de Coimbra”. O astrónomo e matemático Pedro Nunes, o astrónomo e matemático jesuíta alemão Christophorus Clavius, o padre inventor luso-brasileiro Bartolomeu de Gusmão ou ainda os matemáticos Monteiro da Rocha e Anastácio da Cunha são exemplos de personalidades da Universidade de Coimbra que marcaram a História da Ciência nacional ou, nalguns casos, internacional.

A ciência e a técnica no tempo dos Descobrimentos, o conhecimento científico nos séculos XVI e XVII, o ensino das ciências pelos Jesuítas, as ciências no iluminismo e o desenvolvimento científico no século XIX são alguns dos temas a discutir no encontro. É ainda privilegiada a História da Ciência relacionada com a Universidade de Coimbra, bem como as históricas relações luso-brasileiras.

De acordo com Carlos Fiolhais, “foram recebidas mais de 200 contribuições para as sessões deste Congresso, provenientes dos principais centros de Portugal e Brasil onde se cultiva a história das ciências”.

Para o Congresso estão confirmadas as presenças de algumas personalidades de destaque da história da ciência como Henrique Leitão (Universidade de Lisboa), Fernando Catroga (Universidade de Coimbra), João Lobo Antunes (Universidade de Lisboa), Jaime Benchimol (Casa de Oswaldo Cruz/FIOCRUZ), António Augusto Passos Videira (Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ), Ugo Baldini (Università degli Studi di Padova), Marina Massimi (Universidade de São Paulo), Robert Halleux (Université de Liège) e Bernadette Bensaude-Vincent (Université Paris I).

Carlos Fiolhais considera que o evento é um momento alto da investigação da História da Ciência luso-brasileira: “Pensamos apresentar alguns avanços efectuados nos últimos tempos como a digitalização de um importante acervo de fontes de história da ciência em Coimbra, que vão ficar na Internet à disposição de todos”.

O Museu da Ciência da UC, entidade que vai acolher o Congresso e cujas instalações foram cenário de avanços na ciência portuguesa, explica que “o desenvolvimento de todas as Faculdades da UC na área das ciências ao longo dos séculos permitiu reunir um valioso património científico que tem sido objecto de interesse por vários investigadores da história das ciências. É este património que está na origem da criação do Museu de Ciência, distinguido em 2008 com o prémio Michelletti para o melhor museu europeu de ciência e tecnologia de 2008”.

A iniciativa decorre no âmbito do programa de comemorações do Centenário da República organizado pela Universidade de Coimbra em 2010 e 2011, uma vez que em 2011 passa o centenário da criação da Faculdade de Ciências de Coimbra a partir das anteriores Faculdades de Filoaofia e de Matemática.

Matemática: arma de construção maciça

Do novo livro de Jorge Buescu, a sair em breve na Gradiva, tenho o gosto de pre-publicar aqui um dos capítulos, que conta como se pode fazer matemática avançada usando o formato de um blogue:

"Todos temos a ideia da Matemática como uma actividade essencialmente solitária. Com meios técnicos bastante mais avançados do que Arquimedes, é certo, o processo de descoberta matemática não parece ter mudado ele por vezes durante meses ou anos, por vezes em colaboração com outras mentes igualmente interessadas no tema e, se tudo correr bem (o que acontece, diga-se, muito raramente) demonstra um resultado matematicamente relevante.

Quando isso sucede o ou os matemáticos envolvidos, raramente mais do que três ou, no máximo, quatro, escrevem um artigo científico de acordo com as normas de comunicação em Ciência: todo o raciocínio é depurado, os becos infrutíferos são expurgados, e apresentam-se de forma objectiva e seca os resultados. O artigo é submetido para publicação numa revista da especialidade e seguirá o seu processo normal. E aí começa a saga do refereeing, mas isso é outra história. O processo de descoberta matemática já terminou. Fim da história.

Fim da história? Não! Como pode a história ter um fim a meio de uma revolução?

Porque é de uma revolução que se trata. Esta teve início em 2009, na pessoa do excepcional matemático inglês da Universidade de Cambridge Timothy Gowers (fig. 1), medalha Fields em 2008 e autor de vários obras científicas e de divulgação, entre as quais o brilhante livro Matemática: uma breve introdução, publicado entre pela Gradiva.

Em 2009 Gowers utilizou o seu blog (http://gowers.wordpress.com/) para anunciar uma experiência única: o Projecto Polymath. Este projecto tinha o objectivo científico habitual: atacar um problema em aberto na Matemática. Mas tinha também o objectivo mais ambicioso de conceber uma forma inovadora de realizar investigação em Matemática. Inspirado nas ideias de iniciativas open-source como o Linux ou a Wikipedia, e tendo em conta a natureza aberta das ideias matemáticas, Gowers construiu dois blogs e uma wiki para encorajar a colaboração sem fronteiras físicas nem mentais num problema de Matemática.

O problema proposto inicialmente por Gowers é conhecido na literatura como o teorema da Densidade de Hales-Jewitt (daqui em diante designado por DHJ). Embora já demonstrado, e sendo por isso um teorema, este resultado é relativamente simples de enunciar mas tem uma demonstração estratosfericamente complexa. E é um dos poucos resultados de combinatórica com grande impacto noutros ramos da Matemática que não tem uma demonstração “elementar”, isto é, que não saia da combinatória. Gowers, tal como outros matemáticos, estava verdadeiramente incomodado com esta questão.

Pode mostrar-se que o teorema DHJ é equivalente à seguinte pergunta, fácil de entender: quantos quadrados de um tabuleiro de Jogo do Galo de ordem n×n mergulhado numa dimensão espacial arbitrária m têm de ser removidos de forma a assegurar que nenhum dos jogadores possa ganhar, qualquer que seja a estratégia seguida? No Jogo do Galo usual (em duas dimensões, com um tabuleiro 3×3, a resposta é 3: basta remover uma diagonal para tornar impossível a vitória de qualquer dos adversários, como o leitor não terá dificuldade em verificar (nunca há 3 casas na horizontal ou vertical). Mas qual será a resposta no caso geral, em que tanto a dimensão do tabuleiro como a dimensão do “espaço” são arbitrárias? Veja-se a Fig. 2, com um tabuleiro 4×4 em dimensão 3.

O leitor é cordialmente convidado a tentar resolver “à mão” o problema da figura, ou seja o caso n=4, m=3. Um aviso: não é simples.

O problema proposto por Gowers tem potencialmente grande impacto, quer em Matemática quer em Ciências da Computação. Quem souber um pouco de Combinatória reconhece imediatamente que este problema tem de estar relacionado com a chamada Teoria de Ramsey, o ramo mais difícil mas com maiores consequências da Combinatória actual, e da chamada “teoria combinatórica aditiva”. O teorema DHJ tem também grande impacto nas Ciências da Computação, pois é equivalente ao chamado “problema da repetição paralela”. E, como em tudo na Matemátca, se o resultado é importante, a demonstração não o é menos: possuir duas demonstrações com técnicas diferentes pode levar ao desenvolvimento de ferramentas novas nas áreas emvolvidas.

Gowers tinha algumas ideias embrionárias sobre como se poderia construir uma demonstração puramente combinatórica de DHJ. Foi assim que, a 27 de Janeiro de 2009, decidiu partilhá-las com os matemáticos espalhados pelo mundo, publicando-as no seu blog e desafiando a comunidade matemática a contribuir com novas ideias, iniciando uma experiência que designou de “colaboração matemática maciça”.

Todos os matemáticos, mediante o cumprimento de regras mínimas de comportamento, eram convidados a participar activamente. “Os comentários”, dizia Gowers, “devem ser curtos, exprimindo uma única ideia ou apenas o germe de uma ideia; na verdade, essas ideias incompletas são particularmente bem-vindas. Os comentários devem ser o mais claros possível. O trabalho técnico deve ser atrasado o mais possível. Como regra prática, recomendo que seja evitado o tipo de comentário que exija pensar com um papel ao lado”.

Assim, Gowers inaugurava uma forma radicalmente nova de fazer Matemática: em vez de estudar artigos já depurados das ideias parciais e becos sem saída encontrados ao longo da sua construção, ele encorajou a publicação e partilha de ideias preliminares e contribuições individuais simples. Em vez de ser ver no seu blog um edifício construído, vê-se uma fiada de tijolos e o convite para irem sendo colocados mais tijolos, cimento e vigas.

Assim nasceu o Projecto Polymath. A discusssão começou devagar: passaram mais de sete horas até à primeira contribuição, de Jozsef Solymosi, um matemático da Universidade da Columbia Britânia em Vancouver. Um quarto de hora depois veio o segundo comentário, da autoria de Jason Dyer, um professor do Ensino Secundário no Arizona. Três minutos depois foi a vez de Terence Tao (medalha Fields em 2006 e um dos maiores matemáticos da actualidade; veja-se O fim do Mundo está próximo?, do autor destas linhas, cap. 14).

A partir daí o crescimento foi explosivo: em pouco mais de um mês, pessoas de todo o mundo contribuíram com mais de 800 comentários. O Projecto Polymath tinha ganho asas. Nas palavras de Gowers, “era extremamente agradável, mas também viciante. Tinha a sensação de ser um espectador de bancada. Mesmo antes de ir para a cama, podia ter algumas ideias e colocava-as no blog com algumas perguntas, e quando me levantava via que alguém nos EUA lhes tinha respondido”.

O progresso no problema foi muito mais rápido do que alguém poderia ter imaginado. A 10 de Março, em seis semanas apenas!, Gowers anuncou estar confiante de que o Projecto Polymath tinha construído uma demonstração elementar de um caso particular do teorema DHJ. Mais do que isso: a demonstração construída continha as sementes que permitiriam possivelmente demonstrar o teorema em toda a sua generalidade.

Esta ideia veio a tornar-se uma realidade, e deu origem a um arttgo científico já aceite para publicação, Density Hales-Jewett and Moser numbers. Colocando-se a delicada questão da autoria, o artigo é assinado sob o pseudónimo colectivo “DHJ Polymath” – que é exactamente a sua origem. E o Projecto Polymath já tem novos problemas na calha.

A forma de fazer Matemática no Projecto Polymath é profundamente revolucionária. Pela primeira vez estão públicos todos os registos de avanços e recuos, becos sem saída e ideias inovadoras presentes no processo de investigação científica. Eles mostram de forma viva como é que as ideias crescem, se alteram, são melhoradas ou abandonadas, e como os avanços no conhecimento não se dão num grande salto em frente, ao contrário da convicção geral dos não-cientistas, mas sim por agregação e refinamento de muitas pequenas contribuições em direcções diferentes. Todo este material está aberto para consulta. Como dizem Gowers e Michael Nielsen, seu colaborador, “quem poderia imaginar que o registo de trabalho de um projecto matemático fosse tão interessante de ler como um thriller?”

Qual o futuro desta revolução? Como o de qualquer outra, ninguém pode saber. O Projecto Polymath já está a atacar novos problemas, e Gowers e Nielsen sugerem mesmo a possibilidade de atacarem os Problemas do Milénio, propostos pelo Clay Mathematics Institute, e cuja solução é premiada com um milhão de dólares (não é claro como esse dinheiro poderia ser repartido pelos participantes no Projecto Polymath, o que poderia ser um quebra-cabeças maior do que o Jogo do Galo em dimensões n × m). Fora da Matemática, Gowers e Nielsen sugerem a possibilidade de aplicações em biologia sintética, Física Teórica e Ciências da Computação.

Eis aqui um novo e improvável papel para a Matemática: a de arma de construção maciça."

Jorge Buescu

CIENTISTAS CONTAM PORQUE ESCREVEM LIVROS PARA TODOS



Infomação recebida do Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho:

NOITE DOS INVESTIGADORES NO CENTRO RÓMULO DE CARVALHO EM COIMBRA

A Noite Europeia dos Investigadores é já na próxima sexta-feira, dia 23 de Setembro, em Coimbra, terá lugar pelas 21 h, no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, um moderno centro de recursos para divulgação da ciência situado no no rés do chão do Departamento de Física da Universidade de Coimbra.

Sete cientistas de diferentes áreas contarão, cada um em dez minutos, o que os levou à comunicação da ciência. A sessão intitulada "Porque Escrevi um Livro" será bastante informal, incluindo uma discussão aberta ao público e moderada por Carlos Fiolhais, físico da Universidade de Coimbra e autor de várias obras de divulgação (a próxima será "Darwin aos Tiros e Outras Histórias", com David Marçal, a sair em breve na Gradiva). A ideia dessa noite é dar a conhecer alguns cientistas que trabalham tanto para conhecer melhor o mundo como para melhorar a vida de todos nós e que, através dos seus livros, conseguiram chegar a um público mais alargado.

Estarão presentes:

- Ivo Alves, geólogo à frente do Insituto Geofísico, autor de duas obras recentes do prelo da Imprensa da Universidade de Coimbra "Pequeno Atlas do Sistema Solar" e "Essas Máquinas chamadas Mundos".
- Jorge Buescu, o matemático da Universidade de Lisboa que é autor de três livros de matemática que foram best-sellers como "O Mistério do Bilhete de Identidade e Outras Histórias" e "O Fim do Mundo está próximo?" (Gradiva) e que muito em breve lançará, também na Gradiva, "Casamentos e Outros Desencontros",
- Sebastião Formosinho, o professor de Química, decano da Universidade de Coimbra, co-autor de "Co-incineração. Uma Guerra Para o Noticiário das Oito" (Campo das Letras), "O Deus que não temos" (Bizâncio) e "Nos Bastidores da Ciência. 20 anos depois" (Imprensa da Universidade de Coimbra).
- Helena Freitas, botânica e vice-reitora da Universidade de Coimbra, co-autora de "Missão Botânica - Angola (1927-1937)" e de "Vamos Cuidar da Terra" (Imprensa da Universidade de Coimbra)
- Constança Providência, física da Universidade de Coimbra, principal impulsionadora e autora de vários livros da Colecção "Ciência a Brincar" da Gradiva, que já vai em dez volumes.
- Sérgio Rodrigues e Isabel Prata, químicos de Coimbra que traduziram recentemente para português "História Química de uma Vela" de Michael Faraday (Imprensa da Universidade de Coimbra).

Carlos Fiolhais, director do referido Centro, a propósito desta sessão na Noite dos Investigadores, declarou:

"Vai estar no Centro Rómulo de Carvalho uma verdadeira selecção de autores portugueses que sabem comunicar ciência para além de a saberem criar. Todos eles são cientistas em plena actividade mas que não se limitam ao trabalho nos seus laboratórios: mostram através dos seus livros, a grandes e pequenos, que a ciência está viva, que a ciência está à nossa inteira disposição, para sabermos mais e vivermos melhor."

E acrescentou:

"Estou certo que Rómulo de Carvalho, que tantos bons livros de ciência nos deixou, ficaria contente de nos ver aqui reunidos num espaço com o seu nome. Estão todos convidados a vir falar com os cientistas, eles estão desejosos de comunicar os seus trabalhos, as suas paixões e os seus desejos de futuro."

O mesmo Centro Ciência Viva está a recolher depoimentos de jovens cientistas sobre o título "Como é o meu dia de Ciência", para divulgar na Internet. O objectivo é mostrar que os cientistas são pessoas como as outras, apenas um pouco mais curiosas.

JOÃO JARDIM: PIOR A EMENDA DO QUE O SONETO


Ainda o inefável João Jardim. Transcrevo do "Público on line" a sua auto-emenda:

"Negando o que todos ouviram e viram declarar em comícios, Jardim diz agora que “tem sido atribuída ao Governo regional da Madeira uma intenção dolosa de 'ocultar' dados que seriam devidos a Entidades da República Portuguesa”. “Para tal, manipula-se qualquer eventual frase ou 'lapsus linguae', normal na torrente discursiva e emocional de um comício, só por se ter chamado à atenção que, se por coincidência os acertos então em curso estivessem prontos para comunicação à República, poderiam implicar mais cortes de verbas por parte do Governo socialista”.

Foi pior a emenda do que o soneto. De facto, João Jardim não tem emenda. Agora invoca em sua defesa um " "lapsus linguae" normal na torrente discursivo e emocional de um comício" como se ele não fosse um dos políticos mais experientes que temos. Não foi, infelizmente, um lapso momentâneo. Ele quis dizer aquilo que disse para o publico eleitoral. Todo ele é um lapso permanente. Lapso e relapso.

E razão tem, neste ponto, o líder do PS. O PPD tem em mãos um problema político para resolver: Ou faz com que João Jardim perca as próximas eleições na Madeira ou fica com muito pouca credibilidade ou mesmo nenhuma para falar de exigência e rigor nas contas públicas. Assobiar para o lado, como se o PPD não tivesse nada a ver com as extravagâncias e os delírios do Governo Regional apoiado por si ao longo de muitos anos, é o pior que pode fazer.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O GENOMA DO BACALHAU - e o seu singular sistema imunitário!




Nota publicada no Diário de Coimbra.

O genoma do bacalhau do mar do norte, respondendo na nossa mesa como sendo da Noruega, e entre os cientistas por Gadus morhua, foi publicado na revista Nature. A sequenciação do genoma, por um consórcio internacional de cientistas maioritariamente noruegueses, anotou cerca de 22 mil genes e apresenta resultados muito interessantes sobre a complexa adaptação termal deste grande peixe teleósteo às águas gélidas.

Pescado pelos marinheiros portugueses, pelo menos desde o século XIV, os seus genes codificam alterações estruturais nas proteínas do grupo das hemoglobinas encarregues de transportar oxigénio nas baixas temperaturas do mar do atlântico norte. Muito curiosa é também a inexistência, no seu genoma, dos genes associados a proteínas importantes para a imunidade, nomeadamente os do MHC II (Complexo Principal de Histocompatibilidade II) e CD4 (uma glicoproteína receptora existente na membrana dos linfócitos T, entre outras células do sistema imunitário), revelando assim uma arquitectura imunitária muito pouco comum entre os vertebrados já sequenciados.

Segundo os autores, os resultados obtidos e apresentados neste trabalho, recentemente publicado, permite evidenciar a nível molecular (!) o resultado da forte pressão induzida, sobre esta espécie de bacalhau, pela sua captura intensiva pelo homem. Esta acção ficou, de alguma forma, registada na evolução recente do seu genoma, o que sugere que a captura selectiva e intensiva de espécies pode alterar a trajectória evolutiva de características comuns às populações naturais, tonando-as divergentes. Nada que os evolucionista já não soubessem mas que agora a genômica corrobora.

António Piedade

VIDA DE CIENTISTA DESCOBERTA NOUTRO PLANETA

Chamou-me a atenção esta notícia acerca de uma instalação científica na Austrália:
Synchrotron experts 'may leave'

AUSTRALIA risks losing crucial expertise as one of the most important scientific facilities in the southern hemisphere runs out of money, federal officials have warned.

(...)

Notícia completa aqui.
Enquanto não se descobre mesmo vida noutros planetas, gosto de seguir as novidades do outro lado do mundo. Esta notícia seria muito pouco plausível em Portugal, há mesmo um hemisfério de distância. Por várias razões.

A valorização dos "cérebros" e a preocupação com a sua fuga. Em Portugal, estaríamos contentes que alguns tipos com uns "tachos" saíssem voluntariamente da folha de pagamento do Estado. E neste caso estamos a falar essencialmente de investigação fundamental (e não propriamente de institutos públicos de investigação convertidos em departamentos de R&D das empresas, como agora parece ser uma ideia muito em voga).

Outra coisa do outro mundo é que a razão apontada para a eventual fuga de cérebros é a insegurança no trabalho, coisa estranha em Portugal e no Fundo Monetário Internacional.

Claro que as diferenças não são só de políticas de recursos humanos. São as notícias do outro mundo!

domingo, 18 de setembro de 2011

Estação Ciência da USP abre ao público novo espaço multimídia



A Estação Ciência – USP inaugura, no próximo dia 20 de setembro, às 10h, um novo espaço para cursos, oficinas, treinamentos e outros eventos educacionais. Trata-se de uma sala multimídia equipada com modernos equipamentos, como 48 notebooks, rede wi-fi e lousa eletrônica. O espaço foi construído onde anteriormente havia três outras salas, que apenas abrigavam trabalhos internos, reuniões e cursos de menor porte. Com a modernização e ampliação, será possível receber eventos de maior magnitude, não só conseguindo acomodar um número grande de convidados e participantes, mas especialmente permitindo que esse público usufrua das mais modernas facilidades tecnológicas disponíveis.

A sala receberá o nome de Crodowaldo Pavan, em homenagem a um dos cientistas brasileiros mais proeminentes que, durante sua gestão como presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), concebeu, criou e inaugurou a Estação Ciência.

Para a abertura, familiares do prof. Pavan e outros convidados ligados à Estação Ciência assistirão a uma apresentação do prof. Dr. Carlos Vogt, que prestigiará o novo espaço com uma aula sobre a educação e as tecnologias.
Todo o público interessado poderá acompanhar o evento on line em tempo real através do IPTV da USP, pelo site www.iptv.usp.br (menu “Transmissões ao vivo”).

Após essa data, a sala passa a receber programação variada e estará disponível para eventos de cunho educacional e científico, como a Semana Nacional
de Ciência e Tecnologia que será realizada na Estação Ciência em outubro.

JÁ CHEGÁMOS À GRÉCIA


O desfalque nas contas públicas Madeira de João Jardim que acaba de ser revelado é um caso de polícia que, se não for rapidamente resolvido e exemplarmente punido, mostrará que afinal não há mesmo nenhuma diferença entre Portugal e a Grécia. Ou se há, é para pior aqui, pois a ilha de Creta não tem a irresponsável autonomia de que goza a Madeira. Nem nenhuma das outras numerosas ilhas gregas.

O culpado tem um rosto, pois disse logo que era ele e, parece que com muito orgulho (alegou, pasme-se, em linguagem criminal, ter actuado em "legítima defesa"). Mas são cúmplices todos aqueles que sabiam e não disseram nada, muitos companheiros do mesmo partido de João Jardim, e aqueles que fazem agora grande alarido mas que estiveram no governo da nação sem terem tido a capacidade de ver algo que tinham obrigação de ver.

Ilibo o actual ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira. Ele analisou com argúcia os irresponsáveis gastos de João Jardim no seu livro "Os Mitos da Economia Portuguesa" (Guerra e Paz, 2007) e perguntou: "Porque é que João Jardim é João Jardim?" Respondeu: ele joga o "trunfo independentista". E destrunfou, embora sem tomar partido por essa opção: "Se a Madeira quiser, um dia poderá tornar-se independente".

Há eleições em breve na Madeira, se João Jardim voltar a ganhar e se, não actuando entretanto ou pouco depois a polícia, o país todo tiver de lhe continuar a pagar os desmandos em vez de ser ele a pagar pelos seus crimes económicos será caso para considerar seriamente essa até agora remota possibilidade.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

DAS ROCHAS SEDIMENTARES (1)




Com a oportunidade do início de um novo ano lectivo, o Professor Doutor António Galopim de Carvalho, confrontado com as necessidades especiais de conteúdos apropriados para o ensino da Geologia, vem propor a divulgação de uma série de textos sob o título genérico "Das Rochas Sedimentares".

Assim, e com a devida vénia, passo a transcrever o início do primeiro texto, redireccionando o leitor, a certa altura, para o seu blogue http://sopasdepedra.blogspot.com/, onde poderá continuar a aprender geologia através de quem dela fez uma vida de excelência.

Comecemos.

"PROPOSTA DE UMA SÉRIE DE TEXTOS SOBRE ROCHAS SEDIMENTARES

Vai começar o novo ano lectivo e, sendo certo que grande número dos meus leitores são professores que ensinam geologia nas nossas escolas, julgo ser oportuno facultar-lhes textos que digam muito mais e de outros ângulos do que os estereotipados livros adoptados. É uma verdade indiscutível que o professor deve saber muito para além do nível exigível aos seus alunos. Só assim poderá envolvê-los na beleza que, sem excepção, sempre têm os temas a versar. Essa beleza existe e é necessário encontrá-la se quisermos motivar quem tem por dever de cidadania (e eu acrescento, obrigação) de aprender.
Assim, é meu propósito dar início a uma série de textos reformulados e actualizados a partir de livros meus disponíveis no mercado, a saber:

GEOLOGIA SEDIMENTAR, Vol. I – Sedimentogénese, Âncora Editora, Lisboa, 2003
GEOLOGIA SEDIMENTAR, Vol. II – Sedimentologia, Âncora Editora, Lisboa, 2005
GEOLOGIA SEDIMENTAR, Vol. III – Rochas Sedimentares, Âncora Editora, Lisboa, 2006

No sentido de concretizar este objectivo seria desejável conhecer, sobretudo, os comentários e as críticas dos destinatários. Por outro lado, gostaria que este projecto abrangesse o maior número possível de professores e, nesse sentido, conviria que os leitores dessem dele conhecimento aos seus colegas, numa cadeia que se pretende abarque o nosso universo escolar.
NOTA – Será conveniente começar por ler o texto “As páginas de um grande livro”, editado no «sopasdepedra.blogspot.com», no passado dia 21 de Agosto.

Sob o título geral “DAS ROCHAS SEDIMENTARES”, eis, pois, o primeiro dos textos.

CLASSIFICAÇÃO DAS ROCHAS SEDIMENTARES


Entre as classificações das rochas sedimentares, propostas a partir do terceiro quartel Século XIX (classificação de A. Lasaulx. 1875), umas privilegiam a descrição das características individuais observáveis e, neste caso, dizem-se descritivas, outras têm por base a origem das rochas, dizendo-se, então, genéticas. Um dos aspectos descritivos mais importantes é o que atende à natureza dos minerais constituintes das rochas, distribuídos entre:
herdados ou detríticos, transformados ou não durante o processo sedimentogenético;
neoformados ou singenéticos; gerados no decurso da diagénese (autigénicos, na expressão de muitos autores) quer precoce quer tardia e, neste caso, referida como metassomatose.

Todavia, certos aspectos genéticos, seguramente inferidos, valorizam a classificação. É nessa medida que algumas classificações são simultaneamente descritivas e genéticas.
A sistemática das rochas sedimentares que, depois de décadas de investigação e de ensino, permite uma visão de conjunto destas componentes essenciais da crosta terrestre e, ao mesmo tempo, elucida sobre as suas origem e natureza (dado que assenta, simultaneamente, em bases genéticas e composicionais), considera sete conjuntos ou classes, cujas designações referem o componente predominante, a saber:
rochas terrígenas, também consideradas alogénicas ou alóctones, na medida em que os seus componentes são oriundos de outros locais e, portanto, sofreram transporte até ao local de deposição;
rochas carbonatadas, incluindo calcários e dolomitos, entre os quais uns de origem orgânica, outros resultantes de processo químicos;
rochas siliciosas (ou silicitos), com exclusão das de origem detrítica; incluem apenas as biogénicas e as quimiogénicas;
rochas ferríferas, no geral, bioquimiogénicas;
rochas fosfatadas (ou fosforitos), ricas em fosfato de cálcio;
rochas salinas (ou evaporitos), resultantes da precipitação de sais (sulfatos, cloretos, entre outros) por evaporação das águas que os contêm em solução;
rochas carbonosas (ou caustobiólitos), incluindo carvões, petróleos, betumes e gás natural."

(Continue a ler aqui)

Terrorismo matemático


É a nova anedota que percorre as redes sociais, desta vez tendo a matemática e o seu "natural terrorismo" como pano de fundo...

Breaking news: A public school teacher was arrested today at John F Kennedy International Airport as he attempted to board a flight while in possession of a ruler, a protractor, a compass, a slide-rule and a calculator. At a morning press conference, Attorney General Eric Holder said, "Undercover sources have identified the man as a member of the notorious Al-Gebra movement." While the man was not identified, he has been charged by the FBI with carrying weapons of math instruction.

Universidades (melhores)


O governo vai cortar no orçamento das Universidades: 8.5% em 2012, para além das cativações de receitas próprias. Isso significa menos 6 milhões de euros no Minho e 18 milhões de euros em Coimbra. É muito dinheiro. Vai obrigar a uma reorganização muito significativa. Três reflexões:

1. Qualquer corte tem de conter mecanismos de incentivo. Caso contrário os efeitos recessivos serão dominantes e catastróficos;

2. Não faz sentido que o corte seja igual para todas. De facto, existem universidades boas e más. As más ficarão ainda piores, as boas ficarão necessariamente menos boas. Globalmente perdemos todos. Eu preferia que elas pudessem ver reposto o orçamento que perdem tendo por base a sua efectiva relação com a sociedade, e o impacto na atracção de financiamento externo para I&D, investimento externo na região e incremento da capacidade exportadora das empresas. Isso é uma componente que as universidades não sabem, nunca quiserem e não se prepararam para fazer (com a sua política de recursos humanos). Mas é uma coisa que o país quer muito que elas saibam fazer, e seria um factor de diferenciação;

3. Isso significa dirigir para a relação universidade-empresa uma parte do esforço de investimento público. Uma relação com resultados permitiria às universidades obter financiamento para as suas actividades, ao mesmo tempo que se reforçava a competitividade nacional. O dinheiro agora tirado às universidades deveria ser usado para baixar impostos às empresas que apostassem em projectos em consórcio.

Desafios de viver com menos.

J. Norberto Pires
(Diário As Beiras, 16 de Setembro de 2011)

HUMOR: OZONO 3

HUMOR: OZONO 2

HUMOR: OZONO 1

UM CAMINHO CURRICULAR PARA A FORMAÇÃO HUMANISTA?

Entenda-se este texto não como um elogio acrítico a uma nova escola de iniciativa privada, mas como uma reflexão acerca da estrutura curricu...