terça-feira, 15 de setembro de 2015

A DEPLORÁVEL AVALIAÇÃO DA FILOSOFIA FEITA PELA FCT

Carta aberta à FCT em português e inglês do investigador em Filosofia Manuel Garcia-Carpintero:

Sou Professor Catedrático na Universidade de Barcelona, e Catedrático Convidado desde 2012 na Universidade de Lisboa. Seguindo a sugestão de colegas da UL, submeti recentemente um projecto à FCT. Este projecto foi rejeitado com a pior e mais vergonhosa avaliação que recebi na minha vida académica. Sinto-me insultado, mas, pior, tenho pena dos meus colegas portugueses. Compreendo porque apesar da competência e qualificações que têm, lhes tem sido tão difícil progredir como conseguimos fazer em Barcelona nos últimos anos.

Vou pôr a modéstia de parte. Sou um filósofo reconhecido internacionalmente. Convidam-me regularmente para conferências, sou membro da Academia Europea, sou avaliador em várias agências europeias, e pertenço a um dos painéis do European Research Council (ERC). Publiquei e publico regularmente nos 10 melhores periódicos de filosofia, e na Oxford University Press, a editorial mais prestigiosa para a filosofia. Liderei único grupo de filosofia (e dos poucos das humanidades) a conseguir um projecto CONSOLIDER-INGENIO em Espanha. 
Também liderei a primeira rede europeia de filosofia a ser premiada com uma rede internacional Marie Curie (ITN) financiada pela Comissão Europeia, com universidades em 6 países diferentes (Reino Unido, Suíça, Hungria, Suécia, França e Espanha). Principalmente, criei em meados dos anos 90 o grupo de filosofia LOGOS, baseado na Universidade de Barcelona, que contribuiu a que a Universidade de Barcelona esteja entre as 50 melhores do mundo na área da filosofia (de acordo com o ranking QS University Rankings 2015 - Philosophy), e que Espanha esteja em 9º lugar no ranking de países em filosofia.

O projecto que preparei para a FCT é sobre a primeira pessoa. Tenho estado a trabalhar neste tema, e já posso oferecer significados relevantes da investigação que pretendo levar a cabo com a equipa do projecto. Editei um livro sobre o tema com contribuições dos investigadores mais relevantes, About Ourselves, que será publicado em Janeiro de 2016 na Oxford University Press, incluindo um artigo meu. A revista Synthese (entre as melhores de filosofia) acaba de publicar outro artigo meu sobre a primeira-pessoa. O "Oxford Handbooks Online" publicará em breve um texto meu sobre o tema.

Com base nestes dados, e do projecto ele mesmo, qualquer avaliador com conhecimento de causa teria dito que o projecto submetido produziria resultados semelhantes: conferências internacionais influentes, talvez algum livro, vários artigos nas melhores revistas, actividades de divulgação, etc. Motivos suficientes, na minha experiência, para financiar o projecto, ou pelo menos para o incluir entre a lista dos pré-seleccionados, se os fundos disponíveis só permitirem financiar alguns projectos (teríamos de ver como se compararão os projectos financiados com respeito aos resultados expectáveis, como as publicações.)

Em vez disso, o projecto foi avaliado com um 5, a nota mais baixa entre as avaliações a que tive acesso. A única razão para esta nota (a única crítica que pude vislumbrar) é que “o estado da arte identifica o problema apenas a partir de Frege. Isto é insuficiente. O problema com referência à primeira pessoa é discutido em filosofia de Descartes a Derrida com Kant, Hegel, Kierkegaard, Nietzsche, Husserl, Heidegger e Merlau-Ponty como as suas estações principais.”

Isto é simplesmente estúpido. É tão estúpido como recusar financiar um projecto em física ou economia porque não se relaciona com o trabalho de Aristóteles, Newton, Adam Smith ou Ricardo. A filosofia não difere da física ou da economia, pelo menos o tipo de filosofia que eu, e que os investigadores em Oxford, Cambridge, Stanford, Harvard, Berkeley, etc., fazemos não é diferente. Identificamos um problema na fronteira da investigação, formulamos uma hipótese original e a metodologia adequada para lidar com ela. Não precisamos de percorrer toda a história da filosofia. Naturalmente, existem filósofos com opiniões diferentes sobre como fazer filosofia. Não tenho nenhum problema com isso, ou com o financiamento dos seus projectos. Mas não nos podem impor a sua opinião – principalmente quando essa opinião não representa os departamentos de filosofia das melhores universidades do mundo. Isso não seria estúpido, seria incúria interesseira.

Seja qual for a razão que levou a esta avaliação, a estupidez ou a incúria, penso que a FCT deveria fazer algo sobre o assunto. E farei tudo o que estiver ao meu alcance para que os meus colegas em posições académicas influentes saibam o que os filósofos contemporâneos podem esperar da FCT.

Cumprimentos,

Manuel Garcia-Carpintero


English version:


I am a Professor at the University of Barcelona. Since 2012, I am also an invited Professor (Catedrático convidado) at the University of Lisbon. Following suggestions by my colleagues at the group LANCOG (http://www.lancog.com/), to which I belong, I recently submitted a project for funding to FCT. The project has been rejected, with the worst and most shameful evaluation I have received in my whole academic life. I feel insulted, but mostly I feel very sorry for my Portuguese colleagues. Now I understand why, in spite of their amazing competence and qualifications, it has been so difficult for them to achieve what we have here in Barcelona. With a research council that uses evaluators of this kind, our group LOGOS would certainly not exist now.

I will put modesty aside. I am an internationally respected philosopher, I am regularly invited to give keynote addresses to the best conferences in our field. I am a member of Academia Europaea (http://www.ae-info.org/). I am asked to do peer reviewing for many international research councils, for tenure promotions at the most prestigious US universities, to be at committees for PhD dissertations in the UK and in many other European countries. Currently I am a member of one of the panels that evaluates the Advanced Grants of the ERC. I have published, and regularly publish articles in the top 10 journals in the field, with rates of acceptance below 5%. I have a forthcoming book with Oxford University Press, and I have edited five other books for OUP, the most prestigious in contemporary philosophy, in addition to several others. I was the PI of the only philosophy group (and one of the only three in the humanities) to obtain a prestigious CONSOLIDER-INGENIO project, 2.000.000€, from the Spanish research council. I was the PI of the coordinating university of the first philosophy team to be awarded a Marie Curie International Training Network, 1.500.000€, leading seven universities, in the UK, Switzerland, Hungary, Sweden, France and Spain. Most of all, I created in the mid-90s the group LOGOS (http://www.ub.edu/grc_logos/) at the University of Barcelona, which has attracted many international researchers and trained first-class philosophers, employed by different international universities, and which is mainly responsible for the Philosophy Department of the University of Barcelona being one of the very few Spanish universities among the 50 best departments in the world in international rankings in their fields (the QS University Rankings by subject for 2015 - Philosophy)

The project I submitted to FCT was about the first person. I have recently been working on that topic, and, as I indicated in the submission, I can already mention significant results related to what I said I wanted to investigate with my team for that project. Thus, a book I edit on the topic, with contributions from the most important researchers working on it, and resulting from a conference I organized in 2012, "About Ourselves", will come out in January 2016, published by OUP, with a paper by me. Another paper I have written on the topic has just come out in Synthese, one of the top 10 journals in philosophy. I have written an introduction to the issue for the influential "Oxford Handbooks Online", which will come out in a few weeks.

On the basis of all of this, plus the project itself, any knowledgeable peer would have said that something similar to this could be expected from the project we submitted: namely, influential international workshops/seminars, from which some published collections could be expected, perhaps some book, plus articles in top journals and outreach activities. I.e., something quite enough, in my experience, to award it; or at least for it to make it to the final shortlist, if funds were very scarce and only a few projects were awarded. (But we should need to see how the awarded projects in the field compare on the scores I have mentioned, in particular from how many of them one could expect publications in OUP or articles in the top 10 philosophy journals.)

Instead of this, the project was marked with a 5, the smallest of those whose evaluations I have seen (also submitted by LANCOG, and also in the end rejected with inadmissible reasons, even if not as outrageous). The only reason why it received this mark (the only criticism one could find in the review) was that "The state of the art traces this problem back at most to Frege. This is insufficient. The problem with reference to a first person starting point in philosophy has been discussed from Descartes to Derrida with Kant, Hegel, Kierkegaard, Nietzsche, Husserl, Heidegger and Merleau-Ponty as its main stations." This is simply stupid. It is as stupid as if a project in physics or economics were not granted because it does not properly relate to the work of Aristotle, Newton, Adam Smith or Ricardo. Philosophy is not different from physics or economics, at least the kind of philosophy that we (and researchers in Oxford, Cambridge, Stanford, Harvard, Berkeley, and so on and so forth) do is not different. We just identify a problem in the frontiers of research, and state an original hypothesis and an adequate methodology to deal with it. We do not need to cover the whole history of the discipline. Of course, there are other philosophers who have different opinions about how research in the discipline should be conducted. I am happy if they are allowed to proceed with their activities, and if some of their projects are awarded. But they cannot impose their views on us – one, moreover, which is not represented at the philosophy departments of the best universities in the world. That would not be stupid, it would be interested malpractice.

So, whatever reason explains why I had to suffer this evaluation, stupidity or malpractice, I think you should do something about it. In any case, I will do all that is in my power to let my colleagues at the most influential positions in Academia know how contemporary philosophers can expect to be treated by the FCT.

Yours sincerely,


Manuel García-Carpintero
email: m.garciacarpintero@ub.edu, LOGOS Website: <http://www.ub.es/grc_logos/>

MAIS UM APELO À FCT

Foi solicitada a este blogue a difusão desta carta enviada à presidente da FCT por investigadores de Filosofia da Universidade de Lisboa. Fazemo-lo com  desgosto, pois a FCT continua, com permissão do ministro Nuno Crato neste governo em fim de mandato, a fazer gala da sua profunda incompetência.


Cara Prof.ª Doutora Maria Arménia Carrondo
(cc Dr.ª Ana Almeida e Prof. Doutor João Costa),

O LanCog é um grupo de investigação do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa (http://www.lancog.com/), que se destaca no contexto português por se dedicar à Filosofia Analítica e por ter um elevado grau de internacionalização. No recente concurso de projectos de investigação em todos os domínios científicos lançado pela FCT, o LanCog candidatou cinco projectos, liderados por investigadores experientes e com equipas competentes, apostadas em promover ao mesmo tempo a cooperação com investigadores estrangeiros de grande prestígio e a formação dos nossos jovens investigadores. Infelizmente, todos os projectos submetidos pelo LanCog foram rejeitados. Quando lemos os relatórios de avaliação dos nossos projectos, foi com enorme indignação que verificámos que a avaliação realizada é grosseiramente incompetente e está manifestamente enviesada por preconceitos contra o género de investigação filosófica que praticamos, que é no entanto aquele que predomina nas melhores universidades do mundo. Decidimos, por isso, pôr a nu essa incompetência e esse enviesamento preconceituoso, emitindo um comunicado onde divulgamos os relatórios recebidos e apontamos o que eles contêm de inaceitável. O comunicado encontra-se publicado no endereço http://www.lancog.com/uploads/6/7/1/6/6716383/comunicado_lancog_08_09_2015.pdf e também segue em anexo a esta mensagem.

Apelamos para que a FCT reflicta sobre este caso e reveja a maneira como selecciona os membros que integram os painéis de avaliação. Queremos que os nossos projectos enfrentem uma avaliação exigente, mas que seja realizada por investigadores competentes e isentos.

Saudações cordiais,

Os coordenadores do LanCog Group,
Adriana Silva Graça
Ricardo Santos


--
Ricardo Santos
Departamento de Filosofia
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
LANCOG Research Group: http://www.lancog.com/

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A ORIGEM SECRETA DAS IDEIAS CIENTÍFICAS


A revista "Physics World" do Instituto de Física Britânico inclui no seu último número um artigo do físico Vítor Cardoso, do Instituto Superior Técnico, sobre a origem das ideias científicas. Ver aqui.

NÓS CÓSMICOS INFLACIONARAM O UNIVERSO

Uma explicação possível para a inflação cósmica (expansão ultra-rápida do Universo num período de tempo primordial)  e que explica também a tridimensionalidade do espaço acaba de ser proposta num paper que mereceu uma chamada de atenção da "New Scientist" (5/setembro/2015, p. 14) em que participa o físico João Rosa. da Universidade de Aveiro. Ler aqui  a notícia. O paper está aqui:
.http://arxiv.org/abs/1508.01458

domingo, 13 de setembro de 2015

A "Introdução à Cultura e Línguas Clássicas" está nas escolas

Uma nota da imprensa sobre a nova componente curricular de opção por parte das escolas designada por "Introdução à Cultura e Línguas Clássicas" 
"Pela primeira vez, os alunos mais novos (...) poderão ter aulas e descobrir curiosidades sobre o Latim e o Grego, graças a um novo projeto de Introdução à Cultura e Línguas Clássicas. Um dos objetivos desta iniciativa, destinada aos alunos desde o 1.º ao 9.º ano, é inverter a tendência dos últimos anos que quase condenou o Latim e o Grego ao esquecimento" (Ver aqui).

Afaste-se da escola quem não é da escola

Anteontem foi publicado um texto no Diário de Notícias cujo título é Em 30 alunos, três a cinco têm uma doença mental". "Uma enormidade", foi a adjectivação usada pela pessoa que mo mandou. "Uma enormidade", respondi eu. Há que explicar...

Pedro Sousa Tavares, que assinou o texto, transcreve declarações de um especialista em psiquiatra e saúde mental:
"Em todo o mundo, a prestação de milhões de alunos é afetada por «problemas que não têm nada a ver com dificuldades socioeconómicas, preguiça ou dislexia". O que os afeta (...) são perturbações como a ansiedade, a depressão, o défice de atenção e a hiperatividade, muito mais frequentes se poderia imaginar: «Numa turma de 30 alunos há 3 a 5 que têm uma doença mental», garante, acrescentando que esta é uma estatística sempre igual, estejamos nós "em Portugal, Islândia, Bangladesh, Angola ou Estados Unidos". O impacto no desempenho - muitas vezes confundido com falta de empenho - é determinante: «Não conseguem ter a mesma capacidade de aprendizagem nem o mesmo desempenho cognitivo - e já agora também social, relacional e comportamental, explica». «Não conseguem ter atenção, não conseguem processar a informação, descodificar a informação e exprimir os conteúdos percebidos». Limitações que surgem «mesmo que as patologias sejam ligeiras»".
Apesar de a minha formação de base ser em Psicologia, não posso comentar estas declarações pois não sei que estudo foi feito para as sustentar e, logo, com tanta segurança. Parece-me tratar-se de um estudo internacional que talvez tenha beneficiado de amostras nacionais, talvez tenha abrangido todos os níveis e sectores de ensino, talvez tenham sido usados instrumentos devidamente validados para cada população (de modo a identificar a "ansiedade", a "depressão", o "défice de atenção" e a "hiperatividade"), talvez o tratamento dos dados seja digno de confiança...

Por outro lado parece-me que o discurso a que a notícia dá acesso é conceptualmente discutível: a "depressão" e o "défice de atenção" dificilmente cabem no saco (ao que parece sem fundo) que é o das "patologias", da "doença mental". As implicações para o campo da educação escolar ainda me parecem mais discutíveis, mas a "patologização da aprendizagem" está instalada e a tentação de a engordar é grande.

Passando por cima destas dúvidas (de monta), incido naquilo em que me posso pronunciar: a formação de professores.

É fatal como o destino: qualquer associação, confederação, sindicado, grupo de investigação, empresa, autarquia... que ambicione (maior) protagonismo e outras vantagens declara-se altruisticamente, salvador da escola, dos alunos, dos professores... e, através deles, à maneira do policial cómico Duarte & Companhia, "quiçá, da humanidade"
(As patologias acima indicadas pelo citado especialista, nas suas palavras, " podem levar no futuro a outras consequências para além do insucesso escolar").
O caso em apreço não é excepção a essa "força de vontade". Uma tal "Eutimia, Aliança Europeia Contra a Depressão em Portugal" elaborou um programa de formação contínua de professores, apresentou-a a uma mão bem cheia de municípios (com a autarquização da educação deu o passo certo, pois estas entidades passaram a ter um poder real no sistema educativo, nomeadamente de decidem uma parte do currículo das escolas que lhes estão afectas e da formação dos seus professores) que, naturalmente, o acolheram e, pela certa, o agradeceram (pois vêem neste tipo de propostas trunfos para a sua afirmação).

Assim, no Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (há dias para tudo!), foi anunciado que esse programa está pronto para avançar, permitindo, numa primeira etapa (neste ano lectivo?) "treinar entre 1500 e 2000 professores" para que...
"... possam distinguir, na sala de aulas, o que são maus comportamentos e o que podem ser sinais de doença mental."
Semelhante informação é dada no jornal Público, num artigo assinado por Catarina Gomes com um título muito esclarecedor Professores com formação para identificar perturbações psiquiátricas nos jovens, isto é para...
"... saberem identificar «a diferença entre um comportamento desafiador, mas que é ‘normal’, e atitudes que podem esconder uma perturbação psiquiátrica nas crianças e adolescentes»".
Neste artigo adianta-se que o programa, Why School (que encontrei aqui) tem como objectivo:
"... melhorar a literacia e as aptidões na gestão dos problemas de saúde mental [por parte dos professores], em particular na identificação de casos, triagem, referenciação e apoio aos casos em risco" para "melhorar o acesso dos jovens aos cuidados de saúde mental".
Ou seja, muito basicamente, os professores vão ser ensinados a fazer um (pré-)diagnóstico com vertentes médicas (psiquiátricas), psicológicas e também pedagógicas. As considerações que urgem fazer a esta prática dariam, no mínimo, um longo artigo numa revista séria.

Limito-me, por agora, a notar um "pormenor" que envolve a noção de competência científica e ético-deontológica: diagnósticos e pré-diagnósticos médicos, psicológicos e pedagógicos são, respectivamente, da responsabilidade de médicos, de psicólogos e de pedagogos (estes na condição se terem preparação para tal). O professor não é médico, não é psicólogo, não é pedagogo, logo não pode fazer diagnósticos nem pré-diagnósticos que são atribuições desses profissionais. Os professores, lembremo-lo, são profissionais que ensinam, e, nessa conformidade, podem e devem fazer o diagnóstico do estado da aprendizagem dos alunos. Ponto.

Para que o leitor fique mais elucidado, deixo aqui um extracto do Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses sobre a avaliação psicológica
"A avaliação psicológica é um acto exclusivo da Psicologia e um elemento distintivo da autonomia técnica dos/as psicólogos/as relativamente a outros profissionais (...)"
A terminar, não consigo evitar uma pergunta retórica: Porque é que toda esta gente que anda à volta da escola e que não é a da escola não deixa os professores e os alunos em paz, concentrados no que a escola, efectivamente, é !?

POLÍTICA CIENTÍFICA A APOSTA NA “EXCELÊNCIA” QUE REDUZIU A CIÊNCIA


Trancrevo com a devida vénia do Público de hoje (Revista) parte de artigo de Clara Viana, Graça Barbosa Ribeiro e Samuel Silva a respeito do infeliz mandato de Nuno Crato na educação e na ciência, que aproveitou declarações minhas: 

"Críticas de alguns dos principais cientistas, protestos da geração mais jovem de investigadores, contestação das universidades e até impugnações em tribunal — o mandato de Nuno Crato foi marcado por um clima de contestação sem precedentes na ciência. A redução acentuada do número de bolsas de doutoramento e a avaliação dos centros de investigação pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) foram os principais ingredientes de uma legislatura polémica, fazendo até esquecer os problemas de financiamento aos quais o sector não ficou imune. 

Nuno Crato deixa “um legado de abandono e quebra do consenso que existia acerca da ciência”, avalia Carlos Fiolhais. O cientista e o ministro eram próximos até há quatro anos, mas este professor da Universidade de Coimbra acabou por tornar-se numa das principais vozes críticas da política do MEC. “Julgava que o conhecia e nem nos meus piores sonhos julguei que se pudesse passar o que se passou”, confessa à Revista 2.

Na blogosfera e nos jornais, Fiolhais foi fazendo uma avaliação crítica ao longo do mandato. Quase no final do consulado de Crato, mantém uma visão feroz sobre a sua política científica: “Os sucessos dos investigadores que por vezes aparecem nas notícias são fruto do legado de Mariano Gago [que foi ministro da Ciência durante 16 anos, repartidos entre os governos de António Guterres e José Sócrates].” “Colheu-se, mas não se semeou. Pior: cortaram-se muitas árvores que davam bom fruto”, acrescenta. 

A proposta de Nuno Crato e da secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira, era apostar numa investigação “de excelência”, privilegiando os centros de investigação com maior capacidade instalada e condições de serem competitivos em termos internacionais. Mas cedo as críticas se começaram a tornar audíveis. Em 2013, alguns dos principais cientistas nacionais, como Sobrinho Simões ou Alexandre Quintanilha (hoje candidato independente pelas listas do PS), deixaram os primeiros avisos, apontando sobretudo o dedo ao desinvestimento no sector. Os laboratórios associados, por exemplo, sofreram cortes de 40% e a percentagem do PIB investida em I&D baixou de 1,53%, em 2010, para 1,36%, em 2013.

 As críticas ao parco financiamento acabaram, porém, por ficar para segundo plano face à dimensão do golpe sofrido pelo sistema científico nacional no ano seguinte. No início de 2014 eram conhecidos os resultados do concurso de bolsas individuais de doutoramento da FCT: dos 3416 candidatos, só 298 seriam financiados, o que correspondia a um corte de 40% face ao ano anterior. Nos dois concursos seguintes, o número de bolsas aumentou ligeiramente (foram atribuídas 399 este ano), mas manteve-se, ainda assim, muito aquém dos anos anteriores. 

O foco de tensão seguinte foi a avaliação dos centros de investigação, que eliminou os apoios públicos para praticamente metade dos laboratórios nacionais. De 322 avaliados, 154 não conseguiram ter nota suficiente para passar à segunda fase, em que se discutia o acesso à maior parte dos 71 milhões de euros de financiamento disponível. A contestação aumentou de tom quando veio a público o contrato entre a FCT e a European Science Foundation (ESF) — a entidade responsável pela avaliação — em que estava definido que só 50% das unidades poderiam passar à segunda fase. 

Os reitores chamaram-lhe “um falhanço pleno” e as críticas mantiveram-se até ao encerramento do processo, já neste ano, justificando mesmo que alguns centros de investigação tenham impugnado a avaliação em tribunal, apontando “erros grosseiros” a um processo em que a FCT mudou as regras, no seu decurso, pelo menos sete vezes. 

Carlos Fiolhais considera que esses dois processos vão ter consequências críticas num futuro próximo. Devido ao corte nas bolsas de doutoramento, “há uma geração de cientistas a quem foi negada uma oportunidade de continuar o seu trabalho e que vai fazer falta nos próximos anos”, acredita. Já a avaliação da FCT eliminou “unidades de investigação produtivas, que demoraram muitos anos a desenvolverem-se, e que não se conseguem recuperar facilmente”. O resultado destas políticas foi “um sistema científico mais pequeno e com uma enorme concentração de recursos num conjunto restrito de grupos de investigação”. O físico de Coimbra lamenta que alguns dos danos provocados por Nuno Crato na ciência sejam “irrecuperáveis”. Outros “podem demorar a serem corrigidos”. 

Em época eleitoral, o PS alinha com os críticos da política de Crato. “É fundamental recuperar a confiança no sistema de ciência e tecnologia, que ao longo dos últimos 25 anos conheceu um desenvolvimento assinalável, mas que foi interrompido em 2011”, defende fonte do partido. Apesar das críticas quase generalizadas feitas à política científica do actual Governo, a coligação Portugal à Frente defende que o próximo executivo “deverá prosseguir” a linha dos últimos anos “no sentido de potenciar uma maior competitividade internacional do sistema científico e tecnológico português”. "

sábado, 12 de setembro de 2015

O direito das crianças à sua própria imagem - 2

Na sequência deste texto, deixamos a ligação para um texto do Público assinado por Francisco Teixira da Mota (aqui) que parte da seguinte interrogação:

"Será que uma criança pode ter Facebook?"
"Uma mulher e um homem tinham mantido durante um ano uma relação amorosa da qual nasceu uma filha. Dado o homem ser casado, essa relação era sigilosa. Finda a relação, a mulher começou a fazer chantagem ameaçando divulgá-la, caso o homem não lhe desse dinheiro. Como o homem se recusasse a pagar, a mulher publicou no Facebook várias fotografias do homem, umas com ela e outras com a filha de ambos, fazendo com que a relação extraconjugal fosse conhecida por todos. 
O homem apresentou queixa-crime contra a mulher invocando que as fotografias, embora tiradas com o seu conhecimento, tinham sido publicadas sem o seu consentimento pelo que a referida senhora tinha praticado um crime de fotografia ilícita. O juízes desembargadores José Carreto e Paulo Guerreiro consideraram – e bem – que a publicação de fotografias no Facebook, ainda que obtidas com o acordo do fotografado, pode preencher o crime de gravações e fotografias ilícitas. Mas para isso é preciso que a sua divulgação, no Facebook ou por qualquer outro meio, tenha sido efectuada contra a vontade do fotografado e não meramente sem o seu consentimento. E, como no recurso, o homem só tinha falado da falta de consentimento e não tinha invocado que a publicação das fotografias era contra a sua vontade, o processo foi arquivado. Mas ficou claro – e bem – que a divulgação de uma fotografia não é o mesmo que a sua captação."

Classica Digitalia: 3 novas publicações

Informação chegada ao De Rerum Natura.

Os Classica Digitalia têm o gosto de anunciar 3 novas publicações, com chancela editorial da Imprensa da Universidade de Coimbra e da Annablume (São Paulo).

Todos os volumes dos Classica Digitalia são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital. O eBook correspondente (cujo identificador digital é dado nesta mensagem) encontra-se disponível em acesso livre.

NOVIDADES EDITORIAIS

Série “Humanitas Supplementum” [Estudos]

- Ana Iriarte & Luísa de Nazaré Ferreira (coords.), Idades e género na literatura e na arte da Grécia antiga (Coimbra e São Paulo, Imprensa da Universidade de Coimbra e Annablume, 2015). 215 p. DOI: http://dx.doi.org/10.14195/978-989-26-1017-7 - PVP: 28 €

[Este volume apresenta reflexões sobre as ideias de idade e género na Grécia antiga. Reúne sete estudos de investigadores espanhóis, portugueses e argentinos, que se baseiam em diferentes fontes: literárias, iconográficas, epigráficas e sociais. Os trabalhos não se centram no cidadão, isto é, no varão adulto, no cidadão de acordo com a definição aristotélica, mas nas crianças, nos anciãos, nas donzelas. Explora-se inclusive o campo da prostituição masculina. Trata-se de um estudo que, com base na abundante bibliografia publicada nos últimos anos sobre estes aspectos, apresenta uma reflexão de conjunto sobre as margens da cidadania vista sob os parâmetros de género e idade.]

Série “Manuais de Ensino” [Estudos]

- José Luís Brandão & Francisco de Oliveira (coords.), História da Roma Antiga I: das origens à morte de César (Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2015). [Série “Ensino”] 486 p. DOI: http://dx.doi.org/10.14195/978-989-26-0954-6_9 - PVP: 16 €

[Este volume apresenta um conjunto articulado de contributos sobre a história de Roma, desde as suas origens lendárias até à morte de César, em 44 a.C. Inclui, além das culturas, povos e línguas da Itáliaprimitiva e das lendas da fundação, elementos sobre o período da monarquia e vicissitudes da transição da República, com o conflito de ordens que a historiografia antiga reporta a essa época. Analisa depois as fases da expansão do poder romano através da Itália e do Mediterrâneo e suas consequências (sociais, políticas, económicas, culturais). Os últimos capítulos desenvolvem os conflitos do final da República respeitantes à posse da terra, ao recrutamento militar, aos direitos de cidadania, ao controlo dos tribunais, bem como às sucessivas propostas reformistas, a culminar nos comandos militares extraordinários e na formação do impropriamente chamado 1º triunvirato, "o monstro de três cabeças" que haveria de conduzir à guerra civil.]

Série “Mito e (Re)escrita” [Estudos]

- Maria de Fátima Silva & Maria das Graças de Moraes Augusto (coords.), A recepção dos Clássicos em Portugal e no Brasil (Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2015). [Série “Ensino”] 306 p. DOI: http://dx.doi.org/10.14195/978-989-26-1043-6 - PVP: 25 €

[Este livro reúne um conjunto de estudos sobre a recepção de temas e modelos greco-latinos na literatura e cultura de Portugal e Brasil. A sua originalidade resulta da participação de diferentes culturas e das especialidades académicas diversas dos investigadores que nele participam, provenientes da Literatura, da Filosofia e da História Antiga. O lapso de tempo abrangido, que vai do séc. XVI ao XX, permite uma visão de conjunto da evolução operada no perfil cultural de ambos os países e na definição de um trajecto em boa parte comum.]

ANO DA LUZ NA UNIVERSIDADE NOVA


A Biblioteca da FCT UNL, Campus de Caparica, reinicia a série de Seminários celebrando o Ano Internacional da Luz.

Inês Cidra

Licenciada em Design de produção de ambientes pelo IADE, encontra-se de momento a finalizar o Mestrado na área da iluminação. Desde 2005 que faz parte da equipa de profissionais da Philips Lighting que gerem projetos/obra/venda de uma vasta carteira de clientes, gabinetes de arquitetura, engenharia, instaladores, distribuidores de material elétrico e clientes finais. Em 2005 foi responsável pela implementação da Philips Lighting Academy em Portugal, que tem vindo a in(formar) todo o mercado da iluminação, desde o distribuidor, passando pelo instalador até ao projetista.

Sumário - Perspective o futuro da iluminação com connected lighting

Imagine a sua cidade como um local onde as pessoas se podem movimentar livremente e em segurança quando e onde quiserem. Uma cidade onde todas as zonas escuras e sombrias podem ser iluminadas sempre que necessário. Onde o centro da cidade, os parques, os passeios e os principais eixos de circulação de tráfego urbano podem ser iluminados de forma flexível; ajustados às necessidades das pessoas e do fluxo de tráfego; preparados para mudarem com o tempo, para melhorar a habitabilidade.
Imagine uma tecnologia que pode ajudar a alterar e a diminuir a iluminação da rua em áreas seleccionadas da sua cidade. Por exemplo, numa área residencial em que a densidade de tráfego à noite é baixa. Ou aumentar o nível de iluminação no interior da cidade, quando os bares e os clubes nocturnos fecham. Ou para apoiar uma equipa de emergência, durante um acidente. Imagine ser capaz de proporcionar iluminação exactamente onde e quando é necessária – tudo com um simples clique de rato.

Imagine uma solução de iluminação que vai reduzir significativamente o consumo de energia e a complexidade operacional, ao reduzir os custos ao mesmo tempo que optimiza os processos de manutenção, beneficiando o ambiente e o seu orçamento municipal. Essa solução será extremamente apreciada pelo presidente da câmara e pelos políticos locais, que serão considerados prudentes do ponto de vista económico. Imagine um sistema de gestão em que o planeamento, o controlo e a gestão de todos os dados de iluminação seriam mais simples do que nunca, permitindo a transferência automática de dados dos seus elementos de iluminação pública, bem como uma gestão, comunicação e tomada de decisões fundamentadas para investimentos futuros em substituições ou trabalhos de manutenção.

Como a "economia" foi vencendo a ciência


Transcrevo o editorial do Público de hoje, sobre o desastre que foi a gestão Crato da ciência nacional:

"Os números são divulgados com considerável atraso, mas mesmo assim confirmam que o investimento em ciência tem vindo a diminuir em Portugal nos anos mais recentes. Até 2013, último ano de que agora se conhecem dados, a percentagem do PIB dedicada à ciência caiu pela quarta vez consecutiva. Se no tempo de Mariano Gago (cuja política para o sector foi elogiada por muitos) havia um rumo, os anos seguintes levaram não apenas a um desinvestimento mas a inúmeras decisões polémicas que fizeram temer o pior. O físico Carlos Fiolhais chegou a falar em “página negra da ciência em Portugal” e não foi o único. Aparentemente, seriam a crise e as regras da “economia” a ditar uma retracção, mas esse foi apenas um pretexto para a desorientação e o descalabro. O facto de os actuais números serem publicados de forma envergonhada, longe da ribalta, é revelador do estado a que se chegou. E que, é óbvio, não poderá continuar."

Direcção editorial do Público

OS OBREIROS DA GEOLOGIA PORTUGUESA (1)

Novo texto de Galopim de Carvalho:

José Bonifácio de Andrada e Silva

Em franco contraste com a pouca atenção dada à disciplina de Geologia nas nossas escolas, situação esta que tenho vindo insistentemente a denunciar, responsável pela mais do que notada falta de cultura científica neste importante domínio do conhecimento, nunca, como nas últimas décadas, foram tantos e bons os geólogos portugueses, a trabalharem no terreno, a investigarem e a ensinarem nas nossas Universidades.

É evidente que esta situação tem raízes e são elas que me proponho recordar, em meia dúzia de pequenos textos, rendendo-lhes as devidas homenagens. Tudo começa com:

DOMENICO AGOSTINO VANDELLI (1735-1816)

Doutorado em medicina pela Universidade de Pádua, este naturalista italiano, conhecido entre nós por Domingos Vandelli, foi contratado pelo Marquês de Pombal, em 1764, para ensinar ciências químico-naturais no Colégio dos Nobres, em Lisboa, mas este ensino nunca chegou a ser concretizado, pelo que regressou durante algum tempo a Itália. Voltou quatro anos mais tarde, com a incumbência de criar, em Lisboa, o Jardim Botânico da Ajuda.

Em 1772, foi nomeado lente de História Natural e Química na Universidade de Coimbra, onde fundou outro jardim botânico, desenvolveu acção muito importante como pioneiro no ensino da Mineralogia e da Geologia, incluídas na “cadeira” de Geognósia. Como precedências destas disciplinas foram fixadas as de Química, Física, Matemática e Geometria, por serem consideradas fundamentais tanto na preparação da então moderna mineralogia, de acentuado pendor químico, como da nascente cristalografia morfológica ou geométrica.

A obra escrita que nos deixou “Sobre as Produções Naturais do Reino e das Conquistas - Primeiras Matérias de Diferentes Fábricas, ou Manufacturas”, publicada na Academia Real das Ciências, em 1789, constitui o primeiro relato de natureza científica acerca dos minerais reconhecidos em Portugal e nos territórios de além-mar, suas localizações e aplicações.

Domingos Vandelli foi o pai do naturalista Alexandre António Vandelli, nascido em Coimbra, em 1784. 

MANUEL JOSÉ BARJONA (1758-1831)

Doutor e lente da Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra, de sólida formação em física e em química, introduziu entre nós o estudo da mineralogia química, na linha de grandes nomes da época, como os suecos Axel Fredrik Cronstedt (1722-1765), Johan Gottschalk Wallerius (1709-1785) e Olof Torbern Bergman (1735-1784). Entre outros trabalhos, deixou-nos Metallurgiae Elementa, editado, em 1798, pela Biblioteca Geral da mesma Universidade. Este seu livro, escrito em latim, é a primeira e a mais antiga publicação sobre metalurgia surgida em Portugal. A sua realização, no âmbito dos Estatutos Pombalinos da Universidade, destinou-se a uso escolar e a versar matérias então integradas nos planos curriculares de cursos então criados. Em 1823, publicou Táboas Mineralógicas, título do que é considerado o primeiro livro de mineralogia em português, no qual estabeleceu cinco classes na sistematização dos minerais: “terras”, ”pedras”, “sais”, “sulfuretos e betumes”, “metais e semimetais”. Deve-se-lhe, ainda, a organização e catalogação dos minerais do Museu de História Natural daquela Universidade.

Aderente à causa liberal, não assinou o auto de aclamação de D. Miguel de Portugal que se fez na Universidade de Coimbra. Em consequência e apesar de já septuagenário, foi preso, em Junho de 1828, acusado de revolucionário e adversário do governo miguelista, tendo sido demitido do seu lugar de professor.

JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA (1763-1838)

Considerado o primeiro geólogo das Américas, foi também o primeiro geólogo e um dos primeiros mineralogistas portugueses. Mas a sua actividade científica não se limitou a estes campos do saber. Discípulo de Domingos Vandelli, teve ainda papel relevante em áreas como a prospecção e exploração mineiras, a silvicultura, os solos e as pescas, entre outras. Evocado nos dias de hoje como patriarca da independência do país irmão, deixou o seu nome ligado não só, do outro lado do Atlântico, à formação do Império do Brasil, como à causa liberal que aqui, em Portugal, pôs fim à monarquia absolutista e abriu as portas à via constitucional.

 Nascido em Santos, no estado de São Paulo, de família de ascendência nobre, oriunda do Minho, este lusodescendente veio para Portugal a fim de cursar a Universidade de Coimbra onde obteve, em 1788, as cartas de bacharel e de formatura em Leis e a de bacharel em Filosofia Natural, nome que então se dava às Ciências Naturais.

Como «pensionário» (bolseiro) da Coroa, por proposta da Academia das Ciências, ao tempo de D. Maria I, Andrada e Silva iniciou, em 1790, um vasto e proveitoso périplo de dez anos pela Europa, a fim de frequentar alguns dos mais prestigiados centros de ensino superior e realizar estágios e visitas a importantes explorações mineiras. Na École des Mines de Paris estudou com o fundador da cristalografia, René-Just Haüy, e, em 1792, apresentou à Sociedade de História Natural desta cidade um interessante estudo, Mémoire sur les diamants du Brésil. Em seguida frequentou, na Alemanha, a prestigiada Academia de Minas de Freiberga, onde estudou Mineralogia e Geognósia com o professor Abraham Gottlob Werner. A seguir a esta fase, estagiou em fundições da Saxónia, do Tirol e outras, e frequentou as aulas dos grandes mestres nas universidades italianas de Pádua e de Pavia. Nos últimos anos desta sua peregrinação pela Europa, José Bonifácio visitou ainda as mais importantes jazidas mineiras da Escandinávia, de Inglaterra, dos Balcãs, da Suíça, da Itália e da Turquia, onde consolidou a sua preparação geológica e mineralógica.

Em resultado da sua investigação como mineralogista, Andrada e Silva publicou trabalhos de reconhecido mérito e deles constam, entre outros, a descoberta e caracterização da espodumena e da petalite (dois silicatos de alumínio e lítio), da criolite (um fluoreto de alumínio e sódio), da indicolite (uma turmalina de cor azul) e da wernerite (um aluminossilicato de sódio e cálcio, variedade de escapolite,) que assim designou em homenagem ao que foi seu mestre Abraham Werner. Em sua honra, o americano James Dwight Dana (1813-1895), autor do celebérrimo Sistema de Mineralogia, considerado um dos mais notáveis mineralogistas de sempre, deu o nome de andradite, em 1868, a uma espécie do grupo das granadas, perpetuando, assim, a sua memória entre a comunidade científica. Regressado a Portugal, em 1800, aureolado de grande prestígio internacional, Andrada e Silva foi, nomeado Intendente-geral das Minas e Metais do Reino. Entre outros cargos que assumiu, e nos quais deixou nome, contam-se os de director do Laboratório de Docimasia da Casa da Moeda e de administrador das Ferrarias da Foz do Alge e das minas de carvão de Buarcos e de São Pedro da Cova. A sua grande preocupação com a pesquisa do carvão e do ferro indicam-no, por outro lado, como elemento destacado da corrente fisiocrática que, em Portugal, abriu caminho à Revolução Industrial. Defensor acérrimo do sistema métrico decimal, não obstante a má vontade dos seus colegas, por razões ligadas à origem francesa, então de má memória, esteve ainda ligado à prospecção e exploração das areias auríferas da Adiça (Mina do Príncipe Regente), no concelho de Almada.

Em 1802, Andrada e Silva obteve o grau de Doutor pela Universidade Coimbra e, dado o seu prestígio, foi ali criada a cadeira de Metalurgia, que lhe foi destinada e que regeu como lente, até 1807, por ocasião da primeira invasão francesa, altura em que, no posto de major, integrou um batalhão académico de luta contra o invasor.

Por iniciativa do académico duque de Lafões, foi admitido na Academia de Ciências de Lisboa, de que se tornou membro ilustre e secretário-geral. Do seu currículo consta ainda a qualidade de membro de várias e prestigiadas sociedades científicas europeias, como as de Paris, Berlim, Londres e Edimburgo, e ainda da Academia das Ciências de Estocolmo.

As primeiras manifestações a favor da independência da grande colónia, chamam-no de regresso ao Brasil, a favor de uma causa a que se associou inteiramente, chegando a ser uma das mais destacadas figuras na constituição do novo país, onde desempenhou importantes cargos políticos e sofreu graves dissabores decorrentes dessa sua condição.

Passados que foram os ânimos desses tempos conturbados e serenadas as paixões, reconhece-se-lhe hoje a acção que realizou em prol do novo e grande país, tendo conseguido consolidar a independência e garantido a integridade do território, graças à sua inesgotável energia, firmeza de carácter e sentido diplomático. Por ter evitado a divisão do imenso território em pequenos estados, os brasileiros chamaram-lhe o ministro da Unidade Nacional e consideram-no o Patriarca da Independência do Brasil e o Pai da Pátria, tendo-lhe erigido, em 1872, uma estátua em bronze, no Rio de Janeiro, nas comemorações dos cinquenta anos de independência.

É dele a ideia de uma cidade central no interior do Brasil, vontade que se cumpriu com a inauguração da capital, Brasília, em 21 de Abril de 1960.

O Museu Mineralógico e Geológico da Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade de Coimbra, tem hoje o nome de José Bonifácio de Andrada e Silva, antigo lente que elegeu como patrono, estando o seu busto em local de destaque na galeria de mineralogia. Um outro busto seu existe na Academia das Ciências de Lisboa, evocando o ilustre membro que foi desta instituição. Do outro lado do Atlântico, na outra pátria de José Bonifácio, o seu retrato em pintura mural está igualmente presente entre os esplêndidos minerais da galeria de mineralogia da Escola de Minas de Ouro Preto, em Minas Gerais.

António Galopim de Carvalho

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O DEBATE TELEVISIVO ENTRE PASSOS COELHO E ANTÓNIO COSTA

“Não existe cómico fora do que é propriamente humano”. 
Henri Bergson

O debate televisivo de ontem à noite teve o seu aspecto negativo com o aparecimento de Miguel Relvas sentado à mesma mesa de dois comentadores: a dr.ª Joana Mortágua e o dr. Fernando Medina.
Mas justiça seja feita: o astro televisivo da noite foi Miguel Relvas. Pela sua prestação? Pela sua imagem televisiva? Nem uma coisa nem outra. Apenas pelo seu indisfarçável contentamento em” botar faladura”!

Não sei se estava ali prantado por convite da SIC ou em representação do PSD. Isto pouco vem ao caso. Já interessa saber se a sua presença no “ecrã que mudou o mundo” teve a intenção defraudada de reabilitar a sua imagem política e/ou académica, depois de longo jejum de aparecimento oficial público.

A dar-se esse caso, foi pior a emenda que o soneto. Terão sido estas possíveis situações responsáveis pela prestação, aparentemente, com pouca chama de Passos Coelho? Se assim foi, missão cumprida!

Só faltou, para o espectáculo ser completo ou, como sói dizer-se, como cereja em cima do bolo, uma reprise de Relvas a cantar a canção “Grândola Vila Morena”.

Então, sim! Seria a apoteose final com o estúdio televisivo a vir abaixo com os aplausos frenéticos da massa populacional de todo Velho Continente, do seu extremo mais ocidental, “onde a terra acaba e o mar começa”, até aos Montes Urais, onde a Europa acaba e a Ásia começa!

STEP INTO THE LIGHT: HINO DO ANO INTERNACIONAL DA LUZ

The Black Book of Scientific Evaluation in Portugal


Foreword

This book provides a comprehensive picture of the process of subversion and mishandling underwent by the scientific evaluation system in Portugal over the last four years. It is founded on a number of key press releases, letters, opinion articles and chronicles, as well as in other texts published in the press or on the Internet in 2014 and 2015 concerning this topic.

Threatening to undermine Portugal’s scientific system, this process of subversion and mishandling has led, among other things, to the disruption of the broad social and political commitment to support the country’s scientific and technological development achieved in recent decades. Since mid-2011, when a new government came to power as well as the respective Ministry of Science and Technology (S&T), public policy formulation has changed drastically for the first time in our democracy. This is reflected in increased selectivity on access to science, particularly based on desultory “evaluation” processes. Furthermore, the application of evaluation methods and practices has  not deserved recognition and acceptance from the national and international scientific community, as well as has  been carried out in a discretionary way and pursuing doubtful benefit purposes for the national scientific system. Indeed, there can be no sustainable scientific system that is based simply on a restricted and exclusive group of scientists. It is indeed a path that is going dangerously close to everything that prevented Portugal from taking up sooner  the challenge of science. 

Unprecedented movements have then emerged in Portugal and abroad challenging this S&T policy, with particularly a strong expression in social networks and in the media. The negative impacts of the evaluation and funding options and schemes were foreseeable and unavoidable, which directly hit investment in advanced training of human resources and scientific employment, leading to forced emigration of the best skilled human resources (see, for example, the Observatory of Emigration, 2014). 

The subversion and mishandling of the scientific evaluation system is one of the key aspects that have affected Portugal’s scientific reality in a devastating way, considering the effects that may arise in the future in the social construction of any scientific and technological system. This process has been led by the Portuguese national funding agency, FCT, which is responsible for coordinating and conducting scientific evaluation exercises in Portugal since the 1990s. This is, in fact,  one of its most important missions and must be taken up irrespective of the ideological profile of the relevant line Ministry. Nevertheless, the “evaluation” process of R&D units launched by the FCT Board of Directors at the end of 2013, which continued for 2014 until early 2015, was characterized by a buck-passing attitude and disdain for FCT concerning its main mission, given the lack of transparency, the trampling of good practices and the introduction of subsequent changes halfway through the process.

It was no surprise therefore the wave of protests voiced among the scientific community, which have spread to several other communities, reporting and criticizing wrong procedures that have nothing to do with good practices, followed and respected by previous Boards and foreign funding agencies. Doubt was even cast on the trust and recognition until then due to FCT. A climate of uncertainty has been created as a result of the arbitrary way that took hold of the scope and content of evaluation, jeopardizing the respect and trustworthiness due to FCT, not to mention a number of guidelines that have governed the evaluation process, which reflected a faltering policy among erratic strategies and a conception of a national scientific and technological system exclusively focused on privileged/chosen sectors and hardly compatible with national interest on topics such as sustainability, competition and international recognition.

In 2013 FCT’s Board of Directors failed to meet fully and responsibly its main role: to evaluate the national scientific system. Discredit has been brought upon the institution itself, while hurting the national scientific system and its community, as a result of the way this role was undertook, with aftereffects that may have inevitably a long-lasting outcome. FCT put the trustworthiness of the evaluation exercise at stake among the national scientific community by engaging, in an unprecedented manner (without discussing the issue with the scientific community and without following any tender procedure), an international institution currently with diminished importance and of little competence in terms of evaluation of scientific institutions.  Its evaluators, who in previous evaluation processes had direct contact with every institution, now visited only those which, in theory, have been examined on an administrative basis and underpinned by bibliometric data only. Thus, a considerable percentage of the units – approximately 50% - have been excluded from the evaluation exercise. As became apparent later, this precisely resulted from and complied with the terms of reference established by the FCT Board of Directors. It is worth noting that these guidelines have been concealed from the scientific community for months. On the other hand, the approximately 25 review panels, which run in previous exercises, were replaced for six non-specialist, mixed panels. Sometimes, the only expert that participated in the evaluation process had an insufficient curriculum to be contracted out by the institution subject to evaluation. Thus, the practice of scientific evaluation carried out by experts and independent parties has been undermined and its results could not be used as a strategic management tool within institutions and across the country.

It is known today that good practices have also been trampling down in calls for grant proposals and reprehensible and little transparent procedures have been identified. What is more, the FCT Board of Directors has taken part directly in some evaluation results. Classifications awarded by the review panels have been subsequently changed, and FCT Scientific Boards themselves have been forced to adopt a position on this matter. In tender procedures for PhD Programmes there were even stranger situations. First, proposals have been evaluated scientifically and their eligibility examined only at a later stage. As a result, the proposals with the highest scientific classifications, which had been recommended by review panels for funding, have been excluded as they were considered ineligible after evaluation.

It should also be stressed that the process of subversion and mishandling of the scientific evaluation in Portugal in recent years has run in tandem with a significant cut in public spending for scientific activity. Private investment has also followed the downward trend abruptly and remains significantly low, with total annual spending in R&D to be cut to approximately MEUR 500 between 2010 and 2013 (IPCTB 2013). As a consequence, Portugal’s gap compared to Europe has been widening, with total annual spending in R&D decreasing to 1.34% of GDP (while it had reached nearly 1.55% in 2009 and 2010).

Among other results, there was a drastic cut in the number of PhD and post-PhD grants awarded annually by FCT (from nearly 2300 in 2010 to 1800 in 2012), together with the abrupt adoption of new funding schemes for doctoral programmes, which are primarily and often representative of personal scientific interests of their Directors instead of national interests, apart from relying upon local evaluations, which are more susceptible to clashes of interests than national evaluations.

At the same time, in 2012-2013, a number of approximately 1200 contracts for researchers, who had been selected in international competitions five years before, came to an end. As FCT opened no more than 400 new positions, approximately one thousand PhD holders have been forced to abandon research or leave the country. The number of contracts for researchers should have been significantly increased to avoid forced emigration of the most qualified assets.

But his Black Book is also a book of hope in the future, so that a truthful evaluation system can be properly restored and the scientific evaluation system in place in Portugal in recent years can no longer be put at stake. The book features writings from the scientific community, representing scientists, scientists’ organizations, trade unions, scientific institutions, the Council of Associate Laboratories (CLA), University Rectors and the Council of Rectors of Portuguese Universities (CRUP), presidents of polytechnic institutions and the Coordinating Council of Polytechnics (CCISP), as well as FCT Scientific Boards.

In addition, this Black Book is the response from the scientific community to FCT’s “International Evaluation Report”, published with pomp and circumstance by the Portuguese government at the end of July and which was commissioned to four scientists, without consulting the scientific community or the scientists’ organizations or scientific institutions or University Rectors or CRUP or CLA. Although careful reading of the entire report basically shows the widespread criticism of FCT’s procedures over the last few years (see, for example, Annex IV to The Report), the conclusions and recommendations even show a dominant tone of agreement with FCT’s Board of Directors. And, in more ideological issues (for example, “to terminate with individual grant calls”; and “to finance only the best”, among other aspects), it is not surprising that the report supports FCT’s policy in recent years. The evaluators have been chosen precisely for that purpose and they have done what they were  expected to do.

It is against those things, but above all to defend knowledge as bringing about a future for Portugal, that we raise our voices and mobilize against the subversion and mishandling of the scientific evaluation system in Portugal such as in recent years. 

September 2015

Manuel Heitor
Carlos Fiolhais 
Alexandre Quintanilha
Maria Fernanda Rollo 
João Sentieiro

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

POEMA DE RUY BELO


O poema "Morte ao Meio Dia" de Ruy Belo (na foto) onde surge o verso "O meu país é o que o mar não quer",  foi primeiro publicado no livro "Boa Bilingue" (1966) e depois republicado no livro País Possível (1973). O autor escreveu na nota introdutória, em Madrid:

"Este livro, que aparentemente podia não passar de uma antologia, uma vez que o integram um poema
inédito e poemas extraídos dos meus últimos livros publicados, tem realmente uma unidade e é afinal um
livro novo."

Antecedeu essa nota com uma citação de James  Joyce que refere explicitamente a emigração:

"Eu amo o meu país, pelos arenques juro que o amo
Gostaria que vísseis quantas lágrimas a fio
derramo ao ver cheio de emigrantes um comboio ou um navio"

Eis o poema de Ruy Belo, acima dito por Mário Viegas

"Morte Ao Meio-Dia


No meu país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o céu consente
às casas com que o frio abre a praça

Dezembro vibra vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul

Que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente cala-se e mais nada
A boca é pra comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol

No meu país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente

E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transístor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol

Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?

Há neste mundo seres para quem
a vida não contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe,
atenta a gravidade do momento

O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz
pois a areia cresceu e a gente em vão requer
curvada o que de fronte erguida já lhe pertencia

A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer"

in *Boca Bilingue"1966)

Em "País Possível" (1973) foi acrescentada uma sexta estrofe:

"O português paga calado cada prestação
Para banhos de sol nem casa se precisa
E cai-nos sobre os ombros quer a arma quer a sisa
e o colégio do ódio é a patriótica organização"


O MEU PAÍS É O QUE O MAR NÃO QUER


Minha crónica no Público de hoje:

O poema de onde vem o título chama-se Morte ao meio-dia, é de Ruy Belo e foi publicado em 1966 no livro Boca Bilingue. Vale a pena deixar aqui a penúltima estrofe:

“O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz do dia
pois a areia cresceu e a gente em vão requer
curvada o que de fronte erguida já lhe pertencia”

O verso serve também para um espectáculo teatral de Ricardo Correia, 37 anos, construído com base na sua experiência de emigrante no Reino Unido e nos numerosos testemunhos de portugueses qualificados compelidos a deixar o país nos últimos tempos. Estreada em Coimbra em Abril passado, será em breve também representada na Universidade do Porto, no quadro da apresentação pública do projecto de investigação “BRAin DRAin and Academic MObility from Portugal to Europe” (BRADRAMO).

As conclusões deveriam causar brados. Dos 1011 jovens inquiridos, todos licenciados e emigrados, cerca de quatro quintos saíram do país depois de 2008. Antes de saírem, 31% deles não tinham qualquer rendimento e 42% ganhavam menos de mil euros. Hoje, estando lá fora, 55% ganham mais de 2000 euros e 27% ganham mais de 3000 euros. Segundos os investigadores, que se basearam na amostra, entre 2011 e 2012 emigraram pelo menos 40.000 portugueses licenciados. Amargurados, a grande maioria (cerca de dois terços) não planeia voltar tão cedo.

Esta investigação ajudou a tornar mais precisa uma noção de vazio que todos nós temos. O nosso país tem recusado nos últimos quatro anos um futuro minimamente decente aos jovens em cuja formação investiu fortemente. Todos conhecemos, nas nossas famílias ou nas dos nossos amigos, casos de emigrantes com canudo, por vezes com canudos dourados (muitos são doutorados e pós-doutorados, alguns até com carreiras brilhantes de investigação). Nós sabemos e sabe-se já lá fora: o El País de 5 de Setembro noticiava que o Serviço Nacional de Saúde britânico tem contratado enfermeiros lusos, a quem chega a pagar mais de 3000 euros. O jornal informa que nos últimos seis anos emigraram 13.000 enfermeiros aqui formados. O Serviço Nacional de Saúde português precisa de mais enfermeiros, mas, quando os contrata, não lhes paga mais de 1000 euros. O jornal espanhol informa também sobre a emigração artística: já há uma orquestra (Orquestra XXI) de jovens músicos nacionais que estão a trabalhar por esse mundo fora e que vêm tocar a Portugal no “querido mês de Agosto”. A recente diáspora de talentos é impressionante: inclui cientistas promissores, técnicos competentes e artistas superdotados, para já não falar dos menos qualificados que também fogem. Se nos anos de chumbo de 1966 a emigração era de meia rota e mala de cartão, nestes novos anos de chumbo a emigração vai de ténis e mochila, com o portátil lá dentro.

Este êxodo, com as proporções de uma tragédia (não, não é por os jovens saírem, é por não voltarem, deixando Portugal exangue dos seus melhores), tem responsáveis. Tivemos nos últimos quatro anos um governo de triste memória, que não só permitiu esta saída em massa como, sem qualquer vergonha, a encorajou tanto quanto pôde.

Na ciência tivemos a atitude despudorada da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) que, com o patrocínio do ministro Nuno Crato, cortou sem critério metade do tecido científico nacional. Decepou a eito centros de investigação, projectos e bolsas. Por incrível que pareça, o próprio presidente da FCT, Miguel Seabra, enquanto cortava oportunidades por aqui estava simultaneamente na Inglaterra a receber candidatos a cientista. O mesmo ministro fez, na área da educação, uma poda aos professores, depauperando o nosso ensino público. Não se atreveu, porém, a fazer uma razia nos alunos: a recente subida mágica da média de Matemática do 12.º ano representou o abandono completo da sua alegada política de exigência (como já alguém disse: “se não gostarem dos meus princípios, tenho outros”). Na cultura, despromovida a Secretaria de Estado, o secretário de serviço Jorge Barreto Xavier não teve peias em anunciar, no Sol de 4 de Setembro, por que razão ocupou aquela subpasta: “Trabalho para um líder, que é o primeiro-ministro, com muita honra e orgulho (…) Tal como sou do Sporting desde miúdo, também sou do PSD desde miúdo.”

Eu sou e sempre fui independente. Mas ser independente não é silenciar o opróbrio. Pronunciei-me sobre o anterior primeiro-ministro na devida altura e agora é tempo de me pronunciar sobre o actual. Para minha grande mágoa, não tivemos nos últimos quatro anos governantes a trabalhar com o fito no bem comum, procurando melhorar a ciência, a educação e a cultura, tentando dar futuro aos jovens e ao país. Tivemos um líder, Pedro Passos Coelho, para quem a ciência, a educação e a cultura não significam praticamente nada e que, por isso, não tem nenhum futuro a dar-nos.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

NÓS, A LUZ E A VISÃO


A luz que celebramos neste Ano Internacional da Luz é o principal intermediário entre nós e o mundo. Sem visão pouco saberíamos do mundo à nossa volta. Contudo, a luz que os nossos olhos captam – a chamada luz visível – não passa de uma parcela minúscula do vasto espectro de luz que está por todo o espaço – na luz invisível incluem-se as ondas de rádio, as microondas, a luz infravermelha, a luz ultravioleta, os raios X e os raios gama.

Por que vemos a uma parte da luz e não outra? A resposta encontra-se na nossa ligação íntima ao Sol. A vida, tal como a conhecemos, depende do Sol. Ao longo do lento processo de evolução biológica, os órgãos de visão dos organismos nossos ancestrais adaptaram-se para captar de forma eficiente a luz que o Sol emite com maior intensidade, que é precisamente a luz que tem as sete cores do arco-íris (de facto, não são sete, mas infinitas, pois existem todos os cambiantes de cor entre o vermelho e o violeta). Outras estrelas diferentes do Sol emitem com mais intensidade na região do infravermelho, o que significaria que seres vivos complexos que tivessem evoluído na sua vizinhança poderiam ter, em vez de aparelhos de visão semelhantes aos nossos olhos, câmaras de infravermelho. Seriam capazes de ver no escuro como fazem os comandos que atacam na escuridão da noite com óculos de infravermelhos. Sabemos qual é a diferença entre luz visível e infravermelha, desde que em 1865, há 150 anos, o escocês James Clerk Maxwell descobriu que todas as formas de luz eram ondas electromagnéticas. A diferença entre os vários tipos de luz reside apenas no comprimento de onda, a distância entre duas cristas sucessivas da onda. Toda a luz é uma onda capaz de percorrer o vazio, mas os comprimentos das ondas infravermelhas são maiores do que os da luz visível.

Os nossos olhos são, portanto, câmaras muito boas para vermos perto do Sol (que, visto de fora da atmosfera, é branco, a mistura de todas as cores do arco íris). Nas nossas  retinas, que são sensores fotográficos, recolhemos luz, que é enviada pelo nervo óptico ao cérebro, que está muito próximo. A nossa vista é um posto avançado do cérebro, uma espécie de sentinela que funciona em estreita conexão com a central de comando.

Quando em 1609 o italiano Galileu Galilei olhou para o céu pela primeira vez com o telescópio, viu coisas que à vista desarmada ninguém jamais tinha visto: montanhas na Lua, manchas no Sol, os satélites de Júpiter. Dada a associação íntima entre visão e mente, não admira que a uma expansão da vista tenha correspondido uma expansão do entendimento. De repente, demos por nós num mundo não só muito maior, mas também bem mais interessante do que aquele que percebíamos antes. Desde então, com o auxílio de outros instrumentos, como microscópios, radiotelescópios e detectores de raios X, temos ganho uma percepção cada vez maior do Universo. E essa percepção alargada conduziu a um poder acrescido. Este ano de 2015 chama-se Ano da Luz e das Aplicações Baseadas na Luz por uma razão muito simples: desde sempre saber tem sido poder. E hoje, quando o nosso saber é muito maior do que nos tempos de Galileu e de Maxwell, o nosso poder, traduzido em tecnologias, é incomensuravelmente mais vasto. Vemos mais e, por isso, vivemos melhor.

UMA FRAUDE PARA ENCOBRIR OUTRA FRAUDE

Hoje é largamente consensual que a avaliação da investigação nacional feita pela FCT/ESF foi uma fraude (ver o Livro Negro da Avaliação da Ciência em Portugal). Já também é consensual que o relatório sobre a FCT que o actual governo encomendou a um grupo de "avaliadores"  é também uma fraude. O relatório carece de isenção e transparência. Pode ser encontrado no Google não só que “Christoph Kratky (Chairman, Graz, Austria), is Member of the Governing Council of the European Science Foundation (ESF) 2013“, como foi noticiado, mas também que Alan Bernstein “is One of 8 Observers of the Standing Committee for the European Medical Research Councils (EMRC) that groups the representatives of Medical Research Councils in Europe under the European Science Foundation (ESF)", o que não foi noticiado. Portanto, há um óbvio conflito de interesses: eles não podem avaliar a colaboração da ESF com a FCT. É muito estranho que um painel de quatro  membros escolhidos pelo governo para avaliar a FCT contenha duas pessoas (50%) ligadas de perto à ESF. Parece que a ciência no mundo se resume à ESF, uma instituição decadente. Esta avaliação da avaliação pouco valor tem e foi, para além do mais, um enorme desperdício de dinheiros públicos. Talvez só Miguel Seabra e António Coutinho acreditem neste painel. E a actual FCT falar em ética só dá vontade de rir.
 

Documentário Ano-Luz (Light-Year) de Felipe Carrelli (Brasil-Bolívia, 2015)



TRAILER LIGHT-YEAR (ENG) from Ano Luz on Vimeo.

www.ano-luz.com

SINOPSIS:

2015 was declared by the United Nations as the International Year of Light (IYL2015). We follow GalileoMobile's expedition to northern Bolivia and Brazil where the project performed astronomy activities preceding the celebration of the International Year of Light.


GalileoMobile is a purely non-profit initiative run by astronomers, educators, and science communicators. It is a traveling science education programme that brings astronomy closer to young people around the world, and mainly across regions that have little or no access to outreach actions. By organizing astronomy-related activities in schools and villages, the group aim at fostering a will of learning through the exciting wonders of our Universe.

Along the way we met several people with different interpretations of light.

BALÕES E PAVÕES


Vivemos mergulhados na luz. A luz, natural e artificial, está por todo o lado e, por vezes, surge-nos de uma forma fascinante.  Por exemplo, não é maravilhoso ver as cores do arco-íris numa bola de sabão? Este fenómeno físico de separação das cores contidas na luz branca do Sol quando ela é reflectida na bola de sabão deve-se à interferência entre a luz reflectida no cimo e no fundo da película de sabão e à diferente espessura desta película em diferentes sítios da bola, conforme explica Feynman em " QED". Ainda mais espantoso é que este fenómeno seja basicamente o mesmo que ocorre na multicolorida cauda dos pavões.  Bolas de sabão semelhantes a pavões? Sim.  A natureza é muito diversa, mas a ciência encontra unidade na diversidade. Neste Ano Internacional da Luz olhemos para a luz podo o lado, procurando perceber os seus segredos .

Foto minha na Plaza Mayor em madrid.

PORTUGAL NA CAUDA DA EUROPA


A mim aborrece-me estar na cauda da Europa, posição para onde o governo nos gosta de remeter. Agora foi o ministro Nuno Crato que, incompreensivelmente, adiou ainda mais o regresso às aulas. É precisamente o contrário da sua anunciada política de exigência: os alunos têm menos aulas e necessariamente aprendem menos.

Num estudo da Eurydice recentemente divulgado (DN 2/9/2015) entre 35 países europeus, Portugal é o penúltimo a começar as aulas. Depois de nós só Malta. Os mais desenvolvidos? Dinamarca, Holanda e Suíça? Começam logo em Agosto, claro.

EM BREVE FEYNMAN ESTARÁ DE VOLTA COM "QED" EM EDIÇÃO AUMENTADA E MELHORADA


REGRESSO AO PASSADO NA CIÊNCIA


Os recentes cortes brutais na ciência  e tecnologia, da lavra do actual governo, representam, sem dúvida, um regresso ao passado na ciência em Portugal. É ciência para poucos, agravada pelo facto de, após a desastrada avaliação da FCT/ESF, eles não serem necessariamente os melhores. E o que há no passado? Em Portugal há um sistema político chamado Estado Novo, cujas ideias para a ciência estão num recorte para o qual Gonçalo Velho me chamou a atenção (sublinhados meus):

 "REORGANIZEM-SE E DOTEM-SE OS CENTROS DE INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA cujas actividades devem ser coordenadas e intensificadas Foi este o voto emitido pela Assembleia Nacional Na Assembleia Nacional prosseguiu e terminou ontem o debate acerca do aviso-prévio sobre a maneira como tem sido considerada a investigação científica em Portugal.

 O sr. comandante Sarmento Rodrigues declarou que, se investigação científica é fonte de alegria para os homens de ciência, para o homem político ela é sobretudo, um motivo de fortes preocupações. Tão fogosa actividade não é, sequer, preocupação ou descoberta dos tempos moderno. Citou grandes investigadores desde a antiguidade até aos tempos de hoje, para demonstrar que, como geográficos, meteorologistas e em muitos outros ramos, prestámos dos maiores serviços à Humanidade. A investigação científica não é coisa nova, nem rara; mas, como tem hoje de ser organizada, passou para o domínio comum, competindo aos governos promovê-la, estruturá-la e orientá-la. Está fora da realidades da vida fazer ciência apenas pela ciência - disse, baseando-se nas palavras do presidentes Benés. E concluiu, nesse passo, que, no caso português será inadmissível desligar a investigação científica da ideia de criar bem. estar para a colectividade.

Analisando aquilo que poderemos fazer, e que será conveniente fazer, considerou que, sendo o nosso País de reduzida população e de limitados recursos financeiros, não poderíamos pensar em certas fantasias, que só podem podem ser tornadas realidades pelos Estados Unidos e poucas mais nações. temos, no entanto, possibilidade e necessidade de investigar.

Citou o prof. Egas Moniz como exemplo das nossas possibilidades e a aclão desenvolvida por vários institutos de investigação na Metrópole e no Ultramar, e salientou que, sempre que a investigação seja indispensável e possível, não lhe devemos regatear os meios, nem os incentivos, nem as condições de trabalho. Considerou que, não fazendo sentido que fossemos procurar descobrir o que já estava descoberto se imponha, antes de mais nada, fazer a recolha dos ensinamentos que vão sendo intensamente produzidos nos centros dr investigação internacionais. (...) "

 O SÉCULO. 18/Março/1950

PS) Benés foi presidente da Checoslováquia no pós-guerra.

HANS ROSLING EXPLICA OS NÚMEROS DE REFUGIADOS DA SÌRIA

hans Rosling em breve estará eem Portugal no encontro da PORDATA em Lisboa.

A ALDEIA DE PIÓDÃO "À VOL D'OISEAU"

Piódão filmado por drone:

http://portugalglorioso.blogspot.pt/2015/06/aldeia-de-piodao-filmada-por-drone.html?spref=fb&m=1

ÉTICA FCT OU MELHOR A FALTA DE ÉTICA DA FCT

Informação recebida do SNESUP (não recebi, felizmente, qualquer documento sobre ética da FCT; tê-lo-ia imediatamente devolvido pois a FCT é a última instituição nacional que, dirigida como está, pode falar de ética):

"Muitos Colegas terão recebido nos últimos dias a proposta de Código de Conduta Responsável na Investigação (CRIC), sobre a qual já alguns começaram a pronunciar-se (veja-se aqui, ou aqui). Interrogação comum: pode esta FCT falar de conduta depois de tudo o que se passou nos últimos anos?
 
A relatora do documento é a Colega Ana Sofia Carvalho, do Gabinete de Ética e Integridade Científica da FCT, Diretora do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa e Professora Associada nesta mesma Universidade, sendo a segunda parte uma tradução do Código de Conduta elaborado pela Dra. Cíntia Águas, Secretária Executiva do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida e doutoranda em Bioética pelo Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa.
 
Trata-se, em suma, de procurar uma subscrição nacional dos caminhos já trilhados pela European Science Foundation (ESF) e pela All European Academies(ALLEA) no seu Código Europeu de Conduta para a Integridade Científica. Este trabalho dá seguimento ao fórum sobre esta temática promovido pela ESF entre 2008 e 2010. O atual grupo de trabalho sobre esta temática desenvolve-se sob os auspícios da Science Europe, organização que reúne Organizações Europeias de Financiamento à Investigação.
 
Tudo o que aconteceu nos últimos anos na FCT mantém qualquer investigador cauteloso quanto àquilo que possa sair da chancela de dois dos envolvidos nesta questão: ESF e FCT. Mas o que mais se destaca neste documento é que coloca bastante ênfase no investigador, centrando nele uma visão moralizadora, mas parecendo ignorar o papel de outros agentes, nomeadamente os designados como "clientes e/ou financiadores".
 
A lógica do cliente/financiador (ou financiador/cliente) tem aqui uma interessante aparição, colocando uma lógica de dever que se aproxima de uma visão ideológica de mercado. Note-se como os deveres são colocados na parte do investigador para com os clientes/financiadores, mas nada parece ser imputado a estas entidades. Para um código que se pretende ser seguido por investigadores, Universidades, instituições de investigação e instituições de financiamento, vemos que há alguém a trabalhar, com muitos satélites em volta a exigir. A estes, não é colocada nenhuma responsabilidade, obrigação, ou dever, nomeadamente em matérias básicas como as condições de trabalho. Cria-se assim uma clara situação de desequilíbrio, que merecia no mínimo algum reparo (nomeadamente, ético). Numa situação em que uma instituição exija que os dados estejam dentro das suas instalações, é difícil que se coloque toda a responsabilidade sobre o arquivo, disponibilidade e acesso sobre o investigador. Pode ser que existam casos em que a legislação obrigue a que esses mesmos dados sejam arquivados em depósitos de outras entidades, que deveriam passar a estar, também elas, obrigadas em relação às matérias de conduta.
 
Tal desequilíbrio exige que se levantem objeções de fundo à assinatura deste documento, marcado pela falta de visão alargada do contexto de produção científica que envolve tanto o investigador como as demais partes, uma ótica restritiva e que assume aqui contornos de desejo punitivo, que não podem nem devem guiar a atividade investigativa. Eis, afinal, um documento que quer o investigador obrigado e acossado. "

POIS, AINDA O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990


Informação recebida da Maria Vitalina Leal de Matos  (MVLM):

A Academia das Ciências de Lisboa publica na sua página electrónica (vulgo site) um cartaz que pode ser visto acima.

Este cartaz mereceu da parte de António Emiliano  (« doutor em Linguística Portuguesa pela Universidade Nova de Lisboa e professor na mesma instituição, onde também desenvolve actividades de investigação, tendo coordenado projectos nas áreas da filologia portuguesa medieval e da história da língua portuguesa» Informação da Wikipédia) o seguinte comentário:  


A NOSSA MAGNA LÍNGUA PORTUGUESANa página do Facebook duma coisa chamada Academia das Ciências de Lisboa há um anúncio (dum colóquio) que tem alguns problemas, os quais suscitam os seguintes esclarecimentos:
1. Em português de lei BOM SENSO não tem nem nunca teve hífen (como BOM GOSTO, BOM HUMOR, BOA DISPOSIÇÃO, etc.);
2. NOVEMBRO escreve-se, nos termos da ortografia nacional em vigor, com letra ...maiúscula inicial;
3. ‘As duas partes numéricas do Código Postal devem estar separadas por um hífen e a designação postal escrita em MAIÚSCULAS e separada dos algarismos por um espaço.’ (Manual de Endereçamento dos CTT, 2014);
4. ‘QUALQUER-COISA [com hífen] E BOM SENSO’ é bom-título [com hífen] para qualquer-colóquio [com hífen] da Academia dita das Ciências de Lisboa, instituição absolutamente-inútil [com hífen] onde o bom senso não parece abundar;
5. Extinguir a Academia dita das Ciências de Lisboa, que de científico tem feito pouco nas últimas décadas e de acientífico e antiportuguês muito tem produzido, parece ser medida do mais-elementar [com hífen] bom senso.
É fartar, vilanagem!

Felicito o autor destas linhas e peço-vos paciência e BOM SENSO, coisa que não anda tão bem distribuída como gostaríamos de julgar. Paciência – Trata-se de coisa importante; como o autor diz, A NOSSA MAGNA LÍNGUA PORTUGUESA!
MVLM

A EDUCAÇÃO DURANTE O ESTADO NOVO (2)

Segundo texto de uma série de doze, retirados do livro Antes dos Cravos  doo Professor António Galopim de Carvalho (em continuação do anter...