quinta-feira, 1 de junho de 2017

Tecnologia e dignidade. Aplicação de microchips em pessoas 1


Video encontrado aqui

A  implantação de microchips electrónicos em pessoas, crianças e adultos, tem já uma longa história. Excluindo casos de doença, com fins de monitorização, a segurança tem sido a sua grande justificação. 

Alimentada a ideia de que um perigo difuso mas iminente nos espreita (muito por aqueles a quem essa ideia interessa), aceitamos ser vigiados em todo o lado e a todo o momento, sem sabermos quem nos vigia e para que é que, efectivamente, nos vigia.

Os meios multiplicam-se, primeiro externos ao nosso corpo, agora a entrarem nele; primeiro a captarem o nosso comportamento, agora a perscrutarem o nosso pensamento, a seguir a remexerem na nossa alma. 

As empresas de tecnologia prometem construir o céu na terra com esses admiráveis meios, nada menos do que isso. E nós, simples humanos, desesperados, acreditamos naquilo que nos dizem e reivindicamos a nossa própria observação; ou, então, desinteressados, toleramos o que não entendemos bem ou não queremos entender; ou, ainda, conscientes da nossa incapacidade face a tão poderosa investida, alheamo-nos para podermos continuar a viver e, sobretudo, rezamos para que não nos obriguem a mais.

Mas, como, no fundo, sabemos, há sempre mais. 

Agora são as entidades empregadoras que, para fins de identificação dos seus "colaboradores", além do cartão electrónico, da impressão palmar e digital, da leitura da retina implantam-lhes microchips intra-cutâneos, que, nessa medida, não é possível serem tirados quando se quer. Tudo "voluntário", afirmam e reafirmam.

A prática, ao que sei, iniciada nos Estados Unidos, chegou à Europa, à civilizada Europa, onde está a ter o maior sucesso. 

Nos vídeos disponibilizados por essas empresas ou incluídos em notícias online, vejo pessoas bem vestidas, que parecem ter uma escolaridade avançada, no seu perfeito juízo, com ajustamento social a defenderem as maravilhas do novo modo de identificação por radiofrequência (RFID - Radio-frequency identification): um "baguinho de arroz" que não incomoda nada e permite entrar e sair da instalações, tirar fotocópias, aceder ao computador...

Devo dizer que me fez particular impressão ver o filme que se pode encontrar aqui, pela operação em si, que me trouxe à lembrança tantas outra formas de "marcação" de pessoas; pelo contraste evidente entre o abastardamento da dignidade e a supremacia do aparato tecnológico; e, também, pelos grupos formados naquele enquadramento, quem marca e é marcado, por um lado; e a assistência entusiasmada e, pareceu-me, entusiasta, por outro.

Esta tecnologia que nos desumaniza, que não é usada para o nosso bem, mas contra o de que nos torna humanos e que levou milhares de anos a construir, leva a melhor!

Este texto tem continuação aqui.

1 comentário:

  1. O que significa a ausência de comentários.
    Hipervigilância e autovigilância. Saber tudo a respeito de todos. sensores, câmaras miniaturas, técnicas biométricas permitirão vigiar viajantes, trabalhadores, consumidores. Todos localizáveis e escrutináveis, permanentemente. Dados individuais organizados em bases de dados privadas após o colapso dos Estados. Quanto à educação e à informação, instrumentos de software já existentes e em permanente desenvolvimento monitorizarão a autovigilância da conformidade às normas do saber, verificarão os conhecimentos e o controlo do saber individual. Tudo organizado e oferecido a quem pagar essa informação: companhias de seguro, empresas dominantes, etc.
    Todos renovamos com entusiasmo estas inovações e instrumentos por receio de ficar para trás, pela sensação da confiança que estes instrumentos transmitem. É evidente que grande parte deles contribuem para diminuir o erro, salvam vidas e representam acréscimo de conhecimento e saber.
    Quem ganha e quem perde, que perigos lhe estão associados, que mecanismos de segurança e de direitos individuais serão de garantir, etc. etc. são questões a debater alargada e urgentemente com a participação da comunidade cientifica.
    É ridículo continuar na equação primária e boba do "quem não deve não teme."

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