domingo, 21 de março de 2010

A opção negligente - 1

A comunicação social continua a dar destaque à violência na escola, e ainda bem que assim é, pois há problemas graves, respeitantes a todos, que (só?) são encarados quando se transformam em objecto de atenção de jornalistas, fenómeno que torna estes sujeitos, além de observadores, actores de relevo nas situações que pretendem dar a conhecer.

Evidentemente que isto não está certo, mas é assim que acontece. No caso, ao solicitarem as devidas instâncias educativas a pronunciarem-se, colocam-nas numa posição de não poder deixar de dizer… alguma coisa. E o que elas dizem é muito preocupante, tão preocupante como aquilo que omitem, ou que, não querendo dizer, se consegue distinguir nas entrelinhas.

Solicitam os pais e encarregados de educação, bem como as associações que os representam, e percebe-se que estes fazem parte do problema, pela omissão de educar, pelas contas que pedem à escola, pela culpa declarada que imputam a todos menos a si próprios. Solicitam as escolas e percebe-se que nelas reside outra parte do problema, pela atitude de tolerantismo que se lhe impõe e que, mesmo discordando, aceitam, pela falta de cultura e/ou de força institucional para identificar, analisar e resolver problemas, pela necessidade de apresentarem uma imagem sem mácula que favoreça a sua avaliação. Solicitam as instâncias de apoio (protecção de menores, polícia, equipas técnicas, etc.) e percebe-se que são uma terceira parte do problema, porquanto a sua existência, bem vistas as coisas, não vai muito além do virtual. Solicitam o Ministério da Educação, que tudo pretende tutelar, mas que, ao contrário de dar uma resposta esclarecida e segura, que permita sustentar medidas eficazes “no terreno”, apresenta um discurso ambíguo, evasivo e burocrático.

Acresce que cada uma destas instâncias remete as mais diversas responsabilidades para as outras, todas responsabilizando a sociedade, essa entidade difusa nos envolve e absolve.

Ora, tais instâncias deveriam perceber, antes de mais e de modo absolutamente claro, sem margem para quaisquer dúvidas, que o que está em causa é a educação das novas gerações, e que isso é um dever inalienável das gerações mais velhas, dado que as crianças e os jovens não se educam a si próprios, precisam de quem as eduque.

Não assumindo esse dever ou não estabelecendo ideias condutoras para o exercer, a violência emerge e instala-se na escola. E essa é apenas uma das gravíssimas consequências dessa opção negligente, que não se fica pela escola.

Tem sido esta a inquietação evidenciada pelos jornalistas, mas, quando a sua atenção se desviar para outros assuntos, como é normal, o mais provável é que na escola tudo continue exactamente como antes.

Fantasia da Primavera

Em 1999, por proclamação da UNESCO, o dia 21 de Março, que marca a entrada numa nova estação do ano, tornou-se o Dia Mundial da Poesia. Para o assinalar, o De Rerum Natura escolheu a elegia chinesa Fantasia da Primavera, traduzida por Camilo Pessanha e incluída no livro Clepsidra e outros poemas, a partir da sua terceira edição. Esse livro foi publicado pelo seu amigo João de Castro Osório, a quem se deve a recolha das palavras.

Fantasia da Primavera

Cai o sol no imenso horizonte, em flor, do Kiang.
Pára o viandante a olhar. A chuva, que do arvoredo
ainda goteja, vai-lhe repassando a túnica...
Oh! se dos mil chorões, à volta das ruínas do palácio real de Ch'u,
As flores soltas me fizessem cortejo, à despedida, no
regresso à Pátria!

(Elegia VI, página 116 da 7.ª edição da Ática, 1992).

sábado, 20 de março de 2010

Falemos da investigação que não usamos

Foi ontem a debate na Assembleia da República a questão dos comportamentos desajustados que crianças e jovens evidenciam no recinto escolar e em sala de aula. Todos os partidos, da esquerda à direita, reconheceram que esses comportamentos:
(1) existem;
(2) perturbam as aprendizagens académicas;
(3) têm consequências lesivas ao nível físico, psicológico e social, tanto dos alunos como dos professores e outros educadores
(4) que alguma coisa precisa de ser feita e rapidamente.

São passos importantes, pois apesar dos muitos estudos que têm incidido na indisciplina e na violência permitirem caracterizar os três primeiros e avançar estratégias concernentes ao quarto, a verdade é que a informação científica de qualidade têm sido negligenciada pela tutela.

Efectivamente, as medidas avançadas pelo Ministério da Educação, com um acentuado carácter burocrático, distanciam-se das de carácter pedagógico, que se entendem como desejáveis.

Como a especialista em educação, Ana Maria Morais referiu há uns anos: "Esta educação que temos, não é educação. Falemos antes da educação que não temos... e da investigação que não usamos."

O CÉREBRO DE VESALIUS


Prancha 606 do livro abreviadamente conhecido por "Fabrica" (1543) do belga Andreas Vesalius.

CÉREBRO E ARTE - CONCERTO COMENTADO

Informação recebida da Sociedade Portuguesa de Neurociências. As receitas do concerto que terá lugar hoje à noite, na Biblioteca Joanina, reverterão na íntegra para restauro de uma das obras dessa Biblioteca de temática média: a obra-prima de Vesalius:

"De Humani Corporis Fabrica, libri septem"

Clicar no cartaz para o ver melhor.

EINSTEIN E O TEATRO 2



A engraçada comédia "Einstein e Picasso" de Steve Martin, que ficciona sobre um encontro que nunca rteve lugar entre esses dois grandes génios do século XX no Café Lapin Agile em Paris, foi representada em vários países, entre os quais Portugal (Teatro da Trindade, em Lisboa). Aqui, via YouTube, algumas imagens da representação da mesma peça no Teatro da Universidade de Houston, no Texas, em 2008.

CIÊNCIA IMAGINÁRIA

Da coluna semanal WHAT’S NEW do físico Robert L. Park destacamos a denúncia de detectores que não detectam (semelhantes às varinhas ou aos pêndulos dos vedores) na luta contra traficantes de droga:

IMAGINARY SCIENCE: THE GREAT DRUG WAR SOUTH OF THE BORDER.

The United States and Mexico are separated by a 3000 km border that stretches across the most forbidding desert in North America. Mexican drug traffickers, for whom the US drug market is El Dorado, are fighting a bloody war with the democratically elected government of Mexico over control of the border. According to Monday’s New York Times, outgunned Mexican officials spent more than $10 million to purchase high-tech dowsing rods to detect caches of drugs, or weapons or anything else you have in mind. The first application was as a golf-ball finder sold in Golf-Pro shops. The Mexican army says the devices are extremely helpful. Made in the UK by Global Technologies Ltd., the GT 200 has no sensors. Priced at more than $20,000, it’s a plastic rod attached to a hand grip by a swivel, allowing the rod to point in any direction depending on the orientation of the handle. That also describes the ADE 650 sold by ATSC Ltd., another UK company which recently sold 1,500 imaginary detectors to the Iraqis to search for explosives at checkpoints. Could Global Technologies and ATSC be the same company, switching names and locations to avoid exposure.
Robert Park

Fonte da imagem, da autoria de Carlos Medina Ribeiro:
http://janelanaweb.com/humormedina/pc_manual1.html

Contra as teorias da conspiração


A Revista de Livros do "New York Times" de hoje analisa no artigo "Nuts and Dolts" de
Ross Dhoutat o livro

VOODOO HISTORIES
The Role of the Conspiracy Theory in Shaping Modern History
By David Aaronovitch
Riverhead Books.

cuja tradução portuguesa acaba de sair, quase ao mesmo tempo que nos Estados Unidos, sob o título "Mentiras da História":

A recensão começa assim:
"Paranoia is a bipartisan temptation. Amid last August’s town hall frenzy, there was a stir over a poll showing that roughly a third of Republicans believed that Barack Obama had been born outside the United States. Liberals trumpeted the finding as proof of the Republican base’s slide into madness. But conservatives had a rebuttal: As recently as 2007, they pointed out, polls showed that a third of Democrats believed George W. Bush knew about 9/11 in advance.

Neither statistic would come as a surprise to a reader of “Voodoo Histories: The Role of the Conspiracy Theory in Shaping Modern History,” a sweeping tour of the paranoid style in Western politics by David Aaronovitch, a British journalist. In his account, which runs from “The Protocols of the Elders of Zion” down to the obsession over Obama’s birth certificate, the pendulum of paranoia is constantly swinging from right to left and back again, depending on which faction feels more powerless and put-upon."
Para mais ler aqui.

Mentiras da história

Informação recebida da editora Temas e Debates / Círculo de Leitores:

Mentiras da História de David Aaronovitch
Edição: 2010
Páginas: 455
Editor: Temas e Debates
ISBN: 9789896440893
24,50€

Sinopse

A nossa época vive obcecada pela ideia da conspiração. Vemo-la em todo o lado, de Pearl Harbor ao 11 de Setembro, das purgas de Estaline ao assassínio de John Kennedy, da morte de Marilyn Monroe à da princesa Diana. Perde-se a conta ao número de livros que se dedicam a provar inúmeras teorias da conspiração, e nem mesmo os jornais e canais televisivos sérios resistem a dar-lhes algum crédito.

David Aaronovitch demonstra que as teorias da conspiração utilizam métodos semelhantes para reclamarem a sua veracidade: estabelecem ligações com as supostas conspirações do passado (se aconteceu no passado, também pode voltar a acontecer); manipulam cuidadosamente as provas para esconder as suas falhas; e sustentam-nas com fontes académicas duvidosas. Mas o mais importante é que classificam os seus seguidores como membros de uma elite - um grupo de pessoas com a aptidão de ver para além da realidade aparente...

Programa que contacta com mortos

Quando faltam poucos dias para estrear na TVI o programa, apresentado por Júlia Pinheiro, "E Depois da Vida", que pretende demonstrar a comunicação com mortos, recuperamos a peça que, sobre este assunto, o "Jornal de Notícias" publicou em 28 de Fevereiro último:

"
Eis o programa que contacta com mortos
"Depois da Vida" tem tudo para gerar controvérsia

DINA MARGATO COM ELSA PEREIRA

Moita Flores teve muitas reservas, mas acabou por aceitar o convite de Júlia Pinheiro. O presidente da Câmara de Santarém participou numa das sessões em que é suposto entrar em contacto com familiares mortos e o saldo da experiência foi avassalador.

"Fiquei muito surpreendido", conta Moita Flores, empregando um ritmo pausado, próprio de quem está a pensar no que diz. "A médium falou-me de coisas íntimas, que só eu, a minha irmã e a minha mãe, já falecida, conhecíamos". Exemplos concretos: "Falou-me de uma fotografia escondida da minha mãe, e de banalidades do nosso quotidiano". O que se passou em estúdio poderá ser visto no programa "Depois da Morte", em Março, na TVI.

Antes da experiência, já se considerava um céptico em relação aos contactos com o além? "Não sei bem", responde Moita Flores. "Fi-lo por confiar na Júlia Pinheiro, sabia que não me deixaria ficar em situação embaraçosa". Deixa o recado de que estamos diante de um "conteúdo muito forte. Vai mexer muito com as pessoas".

A médium inglesa Anne Germain - "reconhecida no meio", como diz a apresentadora Luísa Castel-Branco, que já participou numa sessão com ela extra programa e que conta que esta vem com frequência a Portugal - não se pronuncia com voz de outrem, nada disso, explica Moita Flores. Vai contanto histórias dos falecidos, "de uma forma elegante".

Do lado dos absolutamente cépticos em relação ao que chama de crendices está Carlos Fiolhais. O físico e professor da Universidade de Coimbra não só critica como desmonta qualquer pressuposto que possa estar adjacente a esta prática. "Trata-se de uma perfeita idiotice". Vai dizendo: "No século XIX é que se faziam essas sessões, hoje são coisas desacreditadas, sem fundamento; são experiências que se não existissem não havia mal nenhum". Se é entretenimento ao que se propõe a televisão, atira: "Ver o 'Ídolos' é uma melhor diversão, por exemplo".

E o pior, afirma convicto, é que este tipo de programa é "profundamente prejudicial para as pessoas mais frágeis". Depois, "é evidente que descredibiliza a estação e as pessoas que o fazem".

O sociólogo Jean Martin Rabot, professor na Universidade do Minho recusa-se a avaliar a veracidade de tais experiências, optando por as analisar enquanto sintomas da vida em sociedade. A seu ver, "assistimos a uma contestação ao predomínio do racional". E "o retorno ao religioso e ao espiritual faz-se das mais diversas formas hoje em dia, quer seja através de técnicas de relaxamento, como o Yoga, ou de novas religiões".

A apresentadora Teresa Guilherme, crente nesta comunicação com o além, evoca as séries para referir as múltiplas utilidades das médium. Carlos Fiolhais também se referiu aos produtos televisivos, mas para alertar, de viva voz, para a separação de domínios: "Na ficção, tudo é permitido", diz.

Refira-se que este programa chega a Portugal pela mão de Mónica Carrelhas, astróloga e produtora, como se apresenta no site de Planeta Ideal, empresa que criou para levar adiante este projecto.

Júlia Pinheiro diz que o objectivo de "Depois da Vida" é "pôr as pessoas a pensar". É ela a apresentadora. Luís Cunha Velho, director de Programas da TVI, garante: "Não há truques"."

VPV e o PEC


Texto recebido de Augusto Kuettner Magalhães:

Sempre com o seu tom crítico, quer se goste ou não dele, Vasco Pulido Valente (VPV), por vezes, muitas vezes, acerta no alvo. Uma vez mais o consegue fazer na sua opinião publicada ontem no "Público" sobre o Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), designadamente ao afirmar que é pouco, mas é o possível. E. começando pela sua conclusão: “o importante é consolidar as finanças públicas, reformar o Estado e restabelecer a confiança na lei. Infelizmente a ambição do PEC não excede a imaginação do finório indígena! Resolver o sarilho do dia e esperar que o futuro trate do futuro”. E, por outro lado, quanto aos funcionários do Estado – em número que arrepia! - foca e bem: “…rever, caso a caso, a utilidade das funções que o Estado sob vários pretextos tomou para si e eliminar as que são supérfluas, quando não nocivas. Em grande parte, a enorme classe média que o Estado sustenta não dá qualquer espécie de contribuição para a prosperidade e progresso do país. Vive dele, o que é diferente. E não devia viver.”

Convenhamos que isto é escrito com uma frontalidade e, por certo, com tremenda consistência. Muitos políticos o poderão pensar, mas não se atreveriam a fazê-lo, dado que não adquiririam votos, não ganhariam eleições. Não há que indispensavelmente se atacar sempre e só Sócrates, o seu péssimo PEC, e tudo o resto que já todos nós conhecemos! Fugimos a querer ver a realidade e arranjamos unicamente um alvo para atacar e atacar, ainda que esse alvo tenha culpas no cartório, que as tem evidentemente, sem ser o único. E acrescenta VPV: “O crescimento português… só virá e com atraso, depois do crescimento sustentado e garantido da América e da Europa (e dentro da Europa, da Espanha)” .

Por vezes VPV diz claramente o que muitos não querem avocar, ou acham melhor não o fazer. Convém, de facto, olhar o País com frontalidade e sem preconceitos, não seguindo a moda de só apontar o dedo a quem, no momento, é o alvo fácil, a culpa de todas as desgraças, como se o País não tivesse um passado longínquo e bastante tortuoso. Depois de reconhecer os erros de percurso, é necessário ver qual é o futuro possível, que não deve estar sempre e só ligado a uma qualquer pessoa – passada, presente ou futura - , mas sim, interiormente, a todos nós e, claro, ao País.

Augusto Kuettner Magalhães

MARATONA DE LEITURA ÁLVARO DE CAMPOS


É já amanhã, Dia Mundial da Poesia, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa:

14h45 - António Mega Ferreira «CRUZOU POR MIM…»
15h00 - Isabel Alçada «AO VOLANTE DO CHEVROLET…»
15h10 - F. Pinto Amaral OPIÁRIO
15h30 – Carlos Fiolhais O BINÓMIO DE NEWTON + GAZETILHA
15h40 - Jorge Vaz de Carvalho DOIS EXCERTOS DE ODES
16h00 – Inês Pedrosa “AH, A FRESCURA NA FACE DE NÃO CUMPRIR UM DEVER!” + POEMA DE CANÇÃO SOBRE A ESPERANÇA
16h10 - Gabriela Canavilhas MAGNIFICAT + INSÓNIA
16h20 - Cláudia Jardim A PASSAGEM DAS HORAS
16h45 - Fabíola Afonso “ACORDAR DA CIDADE DE LISBOA, MAIS TARDE DO QUE AS OUTRAS…” + “TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS…”
17h00 - Pedro Lamares ODE MARÍTIMA (EXCERTOS)
17h45 - Teresa Rita Lopes “MESTRE, MEU MESTRE QUERIDO!” + ANIVERSÁRIO
18h00 – José Gil LISBON REVISITED (1926) + “SE TE QUERES MATAR, PORQUE NÃO TE QUERES MATAR?”
18h15 - Fernando Alves TABACARIA
18h40 - José Jorge Letria “MINHA IMAGINAÇÃO É UM ARCO DE TRIUNFO…” + POEMA EM LINHA RECTA + “QUERO ACABAR EM ROSAS…”
19H00 - José Manuel dos Santos APONTAMENTO + LÁ BAS, JE NE SAIS OÙ
19h10 - José Wallenstein ODE TRIUNFAL

sexta-feira, 19 de março de 2010

A segunda pele

Do "Destak" de hoje destacamos a crónica do médico psiquiatra José Luís Pio de Abreu:

Todos temos uma segunda pele por cima da nossa. Está na roupa que usamos, nos símbolos que ostentamos, no nome que temos e nos títulos que o precedem, nos cheiros e cores que nos enfeitam, nas perfurações e plásticas com que moldamos a pele ou o corpo que a natureza nos deu. É idealizada e construída por nós e por quem nos é próximo. É aquilo que nos representa e nos apresenta aos outros. É a nossa identidade.

É pela identidade que vivemos. É ela que nos liga aos nossos próximos e aos vários colectivos a que pertencemos. É ela que liga cada pessoa ao seu passado e lhe dá coerência. É também ela que viaja para o futuro onde encontra a esperança ou o desespero. Por isso, condiciona tudo o que fazemos. É ela que faz de nós pessoas e que nos torna humanos.

A identidade é tão óbvia que só pensamos nela quando se avaria. Às vezes idealiza-se tanto que se desliga do passado e nada tem a ver connosco. Outras vezes desdobra-se em várias ou usa a pele de outra pessoa, viva ou morta. Às vezes, pura e simplesmente, desaparece. São patologias que enchem os consultórios psiquiátricos e o espectáculo das seitas religiosas.

Com ou sem patologia, a identidade está em crise no mundo ocidental. O choque de culturas, a dissolução dos colectivos, o peso do presente e o temor do futuro fazem com que a segunda pele fique descomposta. Ficamos bizarros uns para os outros, excepto quando temos de nos entender no trabalho. Resta-nos então a identidade profissional. Por isso, já não lutamos por ideais: lutamos pela nossa corporação.

José Luís Pio de Abreu

Uma simulação do voo que acabou no rio Hudson


Flight 1549 3D Reconstruction, Hudson River Ditching Jan 15, 2009

Clique aqui.

DÉCADA NOVA, VIDA NOVA?


Minha crónica no "Sol" de hoje:

Completamente imersos como estamos na actualidade, não reparamos na enorme transformação tecnológica que se tem dado nos nossos tempos. A revista America's Heritage Invention Technology, no número de Inverno de 2010, diz que "poucas décadas, se é que algumas, se podem comparar com os primeiros dez anos do século XXI do ponto de vista de saltos tecnológicos no domínio da electrónica de consumo." Veja-se o top-ten que a revista escolheu:

1- Câmara de telemóvel
2- Aplicações de telemóvel (IPhone, etc.)
3- Música digital
4- DVD / Bluray
5- GPS
6- Redes sociais (Facebook, etc.)
7- Laptops
8- Gravação vídeo digital
9- Livros electrónicos (Ebooks)
10- TV com grande ecrã de plasma.

Embora nem tudo isso seja estritamente deste século, parece difícil não concordar. Há dez anos, quando a actual década estava quase a começar, não tínhamos, de facto, nem IPhone, nem Facebook, nem Ebooks...

O que acontecerá, no domínio das novas tecnologias, na década que agora se aproxima? O físico Niels Bohr, um dos criadores da teoria quântica que proporcionou quase toda a parafernália tecnológica em que vivemos, dizia: “É muito difícil fazer previsões”. E acrescentava, com subtil humor: “Em especial do futuro”. Mas um candidato a profeta não deve falhar se disser que aquelas tecnologias, à medida que os transístores se tornarem ainda mais pequenos, continuarão a evoluir e a inundar as nossas vidas. O mundo será conquistado, no futuro como no passado, pelos inovadores, aqueles que, baseados na ciência e na tecnologia, tiverem ideias capazes de provocar mudanças.

Mas, quando algo muda, há sempre muita coisa que permanece. Faz-se o top-ten do que é novo, mas podia-se fazer um top-million do que é velho. A leitura da última das “Dez ideias para os próximos dez anos”, no número de 22 de Março da revista Time, funciona um pouco como um balde de água fria sobre as nossas elevadas expectativas de futuro. Intitula-se, por paradoxal que possa parecer, “A era da pasmaceira”. Defende que os tempos não estão, afinal, a mudar como a ficção científica previa, e que também não irão mudar tão cedo. Diz a revista que “os gadgets da era da informação não têm tido, nem de perto nem de longe, o efeito transformador tão grande na indústria e na vida que tiveram a luz eléctrica doméstica, o frigorífico, os fogões eléctricos e a gás, e as canalizações de chumbo na primeira metade do século XX.” E continua: “Será que a combinação do telefone, do ecrã e do teclado foi, de facto, tão revolucionária como o telefone, a televisão e a máquina de escrever originais?”. Boa pergunta!

Daniel Pink e a "Nova Inteligência"


Ainda do "Jornal de Leiria", o resumo da intervenção de Daniel Pink, o autor do livro "A Nova Inteligência" (Academia do Livro), no Fórum "Inovação e Futuro", onde ele faz o resumo do seu livro:

“Design, história, sinfonia, empatia, diversão e sentido” ou como triunfar no século XXI

Perante os três grandes problemas que se colocam ao Mundo Ocidental e que designa como os três “A” - Ásia, Automação e Abundância -, o autor do bestseller A nova inteligência, Daniel Pink, diz que se devem procurar soluções baseadas em seis características: design, história, sinfonia, empatia, diversão e sentido. Trata-se de disciplinas reguladas pelo hemisfério direito do cérebro e que devem ser destacadas na nova economia do século XXI, assumindo um papel mais relevante, perante o raciocínio lógico, sequencial e analítico, características predominantes na economia do século XX, que assentava em processos repetitivos e mecânicos.

Durante o fórum, o especialista em motivação organizacional chamou a atenção para o facto do modelo económico actual estar esgotado pelo papel que a Ásia tem vindo a assumir. “Na Índia, há pessoas com cursos universitários, muito especializadas que fazem trabalho a metade do custo do praticado nos EUA ou na União Europeia. Se apenas 15% da população da Índia – sem falar da China – começa a realizar essas tarefas, teremos 150 milhões de pessoas especializadas capazes de fazer tarefas complexas. Portugal tem uma população de dez milhões e os EUA têm uma população activa de 139 milhões. Conseguem perceber o desafio?”

Daniel Pink referiu ainda que a automação de processos, outro dos problemas, atinge já profissões menos “manuais”, como advogados ou contabilistas.

Finalmente, o especialista identificou o terceiro problema: abundância. “Os meus avós, que eram da classe média e para quem ter um carro era um luxo, nunca conseguiriam perceber o actual nível de vida”.

Perante estes desafios, como dar a volta à questão? Pink, dando o exemplo do iPod, iPhone e iPad – que ainda não foi lançado no mercado, mas que já tem mais de 200 mil encomendas - preconiza soluções que sejam difíceis de automatizar, difíceis de copiar por outros países e que criem novas necessidades.

Como chegar a elas? Usando o hemisfério direito do cérebro e a capacidade de colocar em prática, no domínio dos negócios e das relações empresariais e interpessoais, design, história, sinfonia, empatia, diversão e sentido.

Design – Um concorrente da Apple pensou que iria fazer um grande sucesso com os seus computadores ao pintá-los de cor-de-rosa, de acordo com as tendências. Foi um fiasco. “O design não está só nos produtos, mas também nas necessidades. Não basta seguir as tendências. Isso é apenas decoração. O design deve ser usado para resolver problemas complexos”, explica Daniel Pink.

História – A história de um produto – quem o fez, onde, como e porquê – pode ser determinante para a decisão de compra.

Sinfonia – A capacidade de perceber todo o contexto. De ter uma visão abrangente e de ligar todos os pontos, descobrindo um padrão ou uma tendência que será crucial no futuro. Nos EUA, há escolas de Medicina – disciplina lógica, regida pela lado esquerdo do cérebro - que dão aulas de arte aos alunos, para que estes adquiram a sensibilidade para o detalhe dos pintores – lado direito do cérebro.

Empatia – Capacidade de perceber as necessidades dos outros ao ocupar o lugar do público-alvo. Há uma ligação directa e oposta entre os líderes e a empatia. Quanto mais alto o posto, menor a empatia. Os líderes precisam de ter noção disto, pois há uma correlação entre design e empatia que permite perceber e criar necessidades num mercado potencial.

Diversão – Essencial na ligação entre empregador e empregado ao criar um ambiente leve e acolhedor.

Sentido – A busca de um significado para o que se faz. Não basta trabalhar apenas para ter lucro, mas também é necessária uma finalidade. Um propósito. Ou como diria Pink: “uma finalidade que seja maior que o próprio produto”.

Jacinto Silva Duro

Fórum Inovação e Futuro em Leiria


Com a devida vénia trancrevemos o relato do Fórum Inovação e Futuro promovido anteontem pelo "Jornal de Leiria" e que contou com a participação de Paulo Ferreira da Silva (Renova), Elvira Fortunato (Universidade Nova de Lisboa), Edmundo Nobre (YDreams), Guta Moura Guedes (Experimenta Design) e Carlos Fiolhais (Universidade de Coimbra), para além do autor norte-americano Daniel Pink:

Maior ligação entre ciência e cultura estimula inovação

A criatividade e a inovação devem ser encaradas como um “paradigma nacional” e a relação entre cultura e ciência pode ser um aliado na luta contra a crise. Estas foram algumas das conclusões do Fórum Inovação e Futuro, promovido pelo JORNAL DE LEIRIA, que ontem encheu por completo o auditório da ESTG. O encontro, que será repetido no próximo ano, contou com a presença Daniel Pink, guru da gestão organizacional.

Uma maior aproximação e comunicação entre os mundos da ciência e da cultura pode funcionar como uma alavanca “altamente transformadora” da sociedade, porque são áreas com uma capacidade “brutal” para produzir inovação e desenvolvimento. Estas foram algumas das ideias-chave defendidas durante o painel O papel da inovação e da criatividade no desenvolvimento – aproximação ao futuro, inserido no fórum promovido pelo JORNAL DE LEIRIA.

Para Guta Moura Guedes, directora da Experimenta Design, é preciso “reformular estratégias”, invertendo a tendência actual da generalidade dos Estados e das empresas, que “não vê a cultura como um vector de desenvolvimento estratégico”. “Estamos a desperdiçar um potencial enorme, que reside na interligação entre a cultura, a criatividade e a ciência.”

Também a investigadora Elvira Fortunato considera que “tem de haver uma aproximação muito maior entre os artistas e os cientistas”, com a criação de equipas multifacetadas, com diversas formações e origens culturais. “A inovação parte dessa transversalidade”, defende a directora do Centro de Investigação de Materiais da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, que conta com um artista na sua equipa de investigadores.

Socorrendo-se de uma citação de Einstein, que dizia que “a imaginação é mais importante do que o conhecimento, porque o conhecimento é limitado e a imaginação dá a volta ao mundo”, Carlos Fiolhais destaca a importância da criatividade na aquisição de conhecimento. “O mais importante não é o que se sabe, mas a forma como se sabe”, diz o físico, para quem a “imaginação é a arma do saber”, fundamental nas actividades criativas e na ciência.

A importância do contexto e do ambiente na capacidade inovadora das pessoas foi outro dos temas abordados pelos oradores. “Nascemos inovadores, mas educa-se também para a inovação”, defende Carlos Fiolhais, afirmando, no entanto, que “não há receitas, nem cursos para a inovação” e que esta surge, sobretudo, da obsessão em resolver problemas.

“A inovação é não fazer mais do mesmo. É o valor acrescentado da criatividade
”, acrescenta Elvira Fortunato, que reconhece que “o contexto poder fazer a diferença, mas não é determinante”. Perante a “incapacidade de Portugal de competir com os grandes”, Guta Moura Guedes diz que a solução passa por “descobrir caminhos ainda em aberto”. Até porque, como ironiza Carlos Fiolhais, “o cérebro português não tem nenhuma inferioridade em relação aos outros”.

Inovação quer-se “sexy e glamorosa”

Conhecido pelo carácter inovador que tem imprimido à Renova, Paulo Pereira da Silva, presidente do Conselho de Administração, defende que, para uma inovação ser viável, “tem de fazer sentido, ser desejada pelas pessoas, ser glamorosa, sexy, bem vendida e competitiva do ponto de vista dos custos”. O empresário lamenta a falta de cultura científica em Portugal, mas ressalva o salto dado nos últimos anos, com o aumento do investimento das empresas em inovação e em criatividade. “A nossa sobrevivência como empresas vai depender disso mesmo.”

José Ribeiro Vieira, director do JORNAL DE LEIRIA, explica que o fórum pretendeu “sensibilizar os empresários e agentes económicos para as novas formas de abordagem e de análise do mundo”, promovendo a reflexão sobre a inovação, com “o intuito de caminhar para um futuro melhor”.

Sociedade e ensino ´turvam´ céu das crianças

Para Edmundo Nobre, o problema da inovação e da criatividade não se resolve apenas com maior investimento, mas sim com alterações ao nível da educação e na “maneira da sociedade se organizar em torno” dos mais novos. “Para uma criança, o céu é o limite, mas durante o seu percurso até à faculdade os seus horizontes vão sendo progressivamente nublados”, constata o administrador da Ydreams. No seu entender, o investimento em inovação “será muito mais eficaz se se começar a tentar garantir, desde cedo, que o céu das crianças não fique nublado”, criando estímulos que ajudem a contrariar a “aversão ao risco”. Guta Moura Guedes defende também mudanças no sistema de ensino, lamentando que os alunos do 1º ciclo não tenham qualquer contacto com áreas artísticas e a inexistência, na generalidade das escolas, de “uma contaminação cultural, tão determinante e transformadora” nas sociedades actuais.

Maria Anabela Silva com Elisabete Cruz

quinta-feira, 18 de março de 2010

Os velhos, os doentes e os reformados que paguem a crise

“O Estado é um ogre filantrópico” (Octávio Paz, 1914-1973).

Recupero do meu post “Francisco Louçã, o pregador” (10/09/2009), os dois parágrafos iniciais:

“O recente debate televisivo entre José Sócrates e Francisco Louçã (RTP1, 8/09/2009) fez-me recuar aos tempos da minha juventude. Mais precisamente aos saudosos filmes de “cowboys” em que aparecia a personagem de um pregador que, na praça pública, tentava convencer os ouvintes da bem-aventurança que aguardava as suas almas no paraíso que ele defendia com a convicção da sua 'própria fé'.

Neste caso, o pregador da coboiada nacional que passou nos ecrãs televisivos foi personificado por Francisco Louçã, o festejado líder do Bloco de Esquerda, quando no referido debate defendeu que as despesas com a saúde - consequentemente, as consultas médicas em consultórios privados - deixassem de contar para efeitos de desconto no IRS”.


Esta tomada de posição pública de Francisco Louçã, perante o olhar e audição atentos dos telespectadores, obrigou-me a escalpelizar, com paciência de Job, as cento e doze páginas do “Programa Eleitoral do Bloco de Esquerda" para aí me deparar, na respectiva página 22, com a seguinte medida: “Diminuição das deduções com seguros e despesas de saúde para os escalões mais elevados”.

Com base em fonte alheia, surge-nos agora o Partido Socialista, em medida draconiana, a fazer-se defensor desta ideologia do Bloco de Esquerda quando, no respectivo "Plano de Estabilização e Crescimento", defende um tecto de dedução de despesas com a saúde em função do escalão de IRS. Aliás, o Partido Socialista demonstra até mais “coragem política” que o Bloco de Esquerda, por não se limitar à diminuição das deduções em seguros de saúde. Ou seja, o PS propõe, pura e simplesmente a sua abolição.

Mas numa coisa são ambos concordantes (mal seria se dois partidos conotados com a esquerda discordassem em tudo!) quando se referem a escalões mais elevados de IRS, embora em conceito vago por abrangente de uma zona intermédia do 3.º escalão até ao novo escalão de 45% para quem aufira mais de 150 mil euros anuais, isto é, em moeda antiga trinta mil contos. Finalmente, poderia parecer, à primeira vista, que se pretendia fazer justiça fiscal neste país. Nada mais falso!

Senão, vejamos com a atenção que merece: gestores “que ganham por dia quase tanto como o que ganha um trabalhador com o salário mínimo num ano” (Correio da Manhã, 17/03/2010) vão passar a ser taxados por um escalão de IRS de 45%, ainda que mesmo a título provisório para não pesar demasiado, e por muito tempo, nas suas bolsas!

Fazer com que as classes de pequenos ou médios rendimentos se munam de uma simples máquina de calcular para contabilizar as despesas com saúde que não ultrapassem um determinado plafond terá, para além da imoralidade da medida, um efeito perverso em termos de contenção de gastos públicos: determinados medicamentos que se deixem de tomar e consultas que se deixam de fazer, em devido tempo, darão azo a despesas futuras com a saúde dos contribuintes bem mais onerosas e de efeitos, por vezes, funestos.

Versejou JNC, num comentário ao meu post “Um tecto para as despesas da saúde?”(15/03/2010): “Não passa o PEC afinal/de um processo abreviado/de dizer que em Portugal/adoecer é PECADO”. Assim como era culpa nascer deficiente na Antiga Grécia, chegando-se a ponto de Platão e Aristóteles defenderem “o lançamento de pessoas nascidas disformes do aprisco da cadeia de montanhas Taygetos”.

Por vezes, os filmes tidos com ficção científica são uma realidade transposta para um futuro mais ou menos próximo. Alguns cinéfilos ainda devem estar recordados que, pouco mais ou menos quatro décadas atrás, passou um filme nas telas nacionais (cujo título se me esbate nas “brumas da memória”), interpretado por esse monstro sagrado da 7.ª Arte, Edward G.Robinson (fotografia deste post).

O enredo era mais ou menos este (possíveis leitores poderão ajudar a reconstituí-lo com mais precisão). Depois de um holocausto nuclear, a humanidade ficou carenciada de meios de subsistência para os seus sobreviventes em termos de alimentação proteica. Numa determinada altura, em pesado cenário nocturno, passavam camionetas empilhadas de cadáveres de velhos que se destinavam a matéria-prima de fábricas que os transformavam numa espécie de bolachas proteicas para alimentar as populações mais jovens. Enquanto comia uma suculenta maçã (julgo que conservada em câmara frigorífica), numa espécie de eutanásia, a vítima, antes da injecção letal que lhe tiraria a vida (passe a redundância), era reclinada em confortável leito enquanto perpassavam pelos seus olhos saudosos em tela panorâmica a vida anterior e verdejante do planeta pejado de árvores de fruto nas margens de um regato de águas límpidas ao lado do qual corriam elegantes gazelas.

Bem sei que os avisos que antecedem certos filmes nos advertem que qualquer semelhança com a realidade é pura ficção. Todavia mesmo da mera ficção pode extrair-se a moral da história porque, como escreveu o festejado neurobiólogo chileno, Humberto Maturano, “nada do que fazemos ou pensamos é trivial ou irrelevante, porque tudo o que fazemos tem consequências no domínio das mudanças estruturais a que pertencemos”. E essas possíveis mudanças assumem uma responsabilidade acrescida pela implicação que possam vir a ter na vida dos cidadãos, mormente naquilo que lhes é mais valioso, a saúde, que não pode nem deve ser moeda de troca num chamado “Plano de Estabilidade e Crescimento”.

Na opinião de reputados economistas e fiscalistas, plano com pouca ou nenhuma perspectiva de crescimento!

UM SUPERCOMPUTADOR AINDA MAIS SUPER


O Público informa que a "Milipeia", o supercomputador da Universidade de Coimbra ao serviço de toda a comunidade científica nacional, quer crescer: ver aqui.

THINK 2010 EM VILA NOVA DE PAIVA


Vale a pena ver este blogue do "Think 2010", com informações sobre o evento que se vai realizar em Vila Nova de Paiva, Viseu, de 26 a 30 de Abril, e que mostram como uma escola do interior pode ser criativa. Vou participar, claro.

A EDUCAÇÃO SEGUNDO ANTÓNIO CÂMARA


Destaco da entrevista dada por António Câmara, professor da Universidade Nova e CEO da YDreams à revista "Executive Digest" de Março de 2010:
P- Em termos de educação, como é que vê e analisa este quase admirável mundo novo num país onde, paralelamente, ainda existe muita ardósia e giz?

R- Não são mundos incompatíveis. Um dos grandes problemas de Portugal é que se esqueceu por completo a língua... Repare, uma das avaliações que fazemos internamente é saber qual é a diferença entre nós que estudámos em Portugal, e também lá fora, e os líderes mundiais nas diferentes áreas...

A primeira vez que percebi e entendi a verdadeira diferença foi em 1998 quando fui viver para Boston para um bairro judeu e coloquei o meu filho mais velho numa escola pública mas dominantemente judia. A educação nesta escola era simplesmente fantástica e tinha três componentes completamente diferentes da educação em Portugal. A mais chocante delas, aquela que nos deixava a anos-luz, era o ensino da língua que era a um nível perfeitamente superior. Qualquer miúdo de 12 anos lia um livro por semana, aprendia 400 palavras novas por semana e escrevia um livro no final do ano.

Aprendi a falar em público, aprendia a expor, aprendia a consultar livros numa biblioteca,m aprendia a criticar, aprendia todos os estilos de exposição... Nós nunca aprendemos isto em Portugal. O máximo que aprendemos foi a análise morfológica das frases, mas não jamais a fazer a transição entre as frases.

Depois de perceber como é que funcionava o ensino da língua naquela escola, tive imensa curiosidade em conhecer o professor que, dois anos depois, estava em Harvard.

P- Mas este tipo de educação não é comum mesmo nos Estados Unidos...

R- Não, não é. Esta é a educação de uma elite específica que tem um poder nos Estados Unidos perfeitamente gigantesco, exactamente porque tem uma educação incomparavelmente superior. O domínio da língua consegue-se através da leitura e da escrita. É fundamental e o computador, seja ele qual for, vem no fim.

Por isso, e para concluir, a elite portuguesa quando comparada com a elite mundial está a anos-luz e esbarra, logo à partida, no domínio da língua.

A segunda componente tem a ver com a imaginação. Em Portugal ninguém percebe o que é a imaginação e a criatividade. Numa universidade, analisando as cadeiras que os estudantes têm, quantas é que apelam à imaginação? Talvez duas em 50! Ou seja, a maior parte das pessoas que cumpre as licenciaturas são, eventualmente, muito bons naquilo que os professores ensinam, são bons a resolver charadas... mas não há nada que estimule a criatividade, a imaginação (...).

P- E a terceira componente?

R- É algo que verdadeiramente nunca pensei que acontecesse. Quando o meu filho estava nessa escola, comecei a perceber que ele tinha exercícios completamente diferentes. Durante um mês vinha com problemas desse género: "quantas lâmpadas existem no estado do Massachusetts?"; no dia seguinte, "diga quantas pessoas vão à praia da sua cidade"... Ou seja, comecei a perceber que estes exercícios estavam ligados ao "back of the envelope engineering", isto é , como é que lidamos com a incerteza, com aproximações, quando não temos os dados todos.

É que este tipo de análise está sempre presente nas nossas vidas profissionais e pessoais e daí que seja tão importante ser estimulada desde cedo (...).

P- O problema da educação em Portugal é meramente político?

R- Há várias coisas... Nos não damos liberdade às diferentes escolas para fazerem o que lhes apetece. Está tudo centralizado numa avenida de Lisboa... Claro que é uma questão política. E de liberdade."

Thíasos em trajes de cena

Informação recebida pelo De Rerum Natura

A exposição intitulada Thíasos em trajes de cena, está patente no Museu Municipal de Vila Pouca de Aguiar até ao próximo dia 25 de Março.

Neste dia, será apresentado o recital Anacreontea: pintar com vinho as setas do Amor, pelo grupo Thíasos, e decorrerão workshops de teatro e poesia com grupos escolares locais.

Se tiverem oportunidade, passem por lá.

DIA MUNDIAL DA POESIA


É no Centro Cultural de Belém, no próximo domingo, dia 21 de Março. Ver programa aqui.

Na imagem: poesia "Máquina do Mundo" de António Gedeão (manuscrito na Biblioteca Nacional). Trancrição:

Máquina do Mundo

O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.

Espaço vazio, em suma.

O resto, é a matéria.

Daí, que este arrepio,

este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,

esta fresta de nada aberta no vazio,

deve ser um intervalo.

António Gedeão (Rómulo de Carvalho)

HUMOR: O SONHO DO PORCO

Arte depois da Ciência


Informação recebida da Galeria Robotarium:

Arte Depois da Ciência
inaugura
Quinta-feira, 18 de Março, 19:00 H
(até 24 de Abril)
Galeria Robotarium
http://www.robotarium.pt/
LxFactory
Rua Rodrigues Faria, 103, H02
1300-501 Lisboa
T: +351 213625286

A exposição reune um conjunto de artistas que partindo de uma base científica criam obras originais independentes do conhecimento que esteve na origem do processo.

Suzanne Anker
Oron Catts
Harold Cohen
Eduardo Kac
Leonel Moura
Patrícia Noronha
Emanuel Pimenta
Ken Rinaldo

Na mesma ocasião e também na LxFactory a Galeria ArtHobler inaugura uma exposição de David Almeida
http://www.arthobler.com/

quarta-feira, 17 de março de 2010

Novos livros da Bizâncio

Informação meditorial recebida da Bizâncio:

Título: Enigmas da Existência
Subtítulo: Uma Visita Guiada à Metafísica
Autor: Earl Conee e Theodore Sider
Colecção: Filosoficamente, 6
ISBN: 978-972-53-0450-1
Preço: Euros 13,33/ 14,00
Págs.: 272
Filosofia

«Uma introdução à metafísica acessível, competente e apaixonante, escrita por dois filósofos de primeira linha.»

The Times

O que é o tempo? Serei realmente livre ao agir? O que faz de mim a mesma pessoa que era em criança? Porque há algo em vez de nada? Será que sou realmente livre, ou tudo está determinado desde antes do meu nascimento? Se alguma vez deu consigo a fazer algumas destas perguntas, este livro é para si. Tratando ainda da existência de Deus e da constituição última da realidade, eis um guia para quem gosta de raciocinar cuidadosamente sobre estes e outros temas — incluindo o problema de saber o que é afinal a própria metafísica. Enigmas da Existência torna a metafísica genuinamente acessível e até divertida. O seu estilo vívido e informal dá fulgor aos enigmas e mostra como pode ser estimulante pensar sobre eles. Não se exige qualquer formação filosófica prévia para desfrutar deste livro: qualquer pessoa que queira pensar sobre as questões mais profundas da vida considerará esta obra um livro provocador e aprazível.

Reedição com tradução revista:

Título: Mundos Paralelos
Subtítulo: Uma Viagem pela Criação, Dimensões Superiores e Futuro do Cosmos
Autor: Michio Kaku
Colecção: Máquina do Mundo
ISBN: 978-972-53-0285-9
Págs.: 432
Preço: Euros 19,00
Divulgação Científica

«Em Mundos Paralelos, Michio Kaku revela o seu notável talento para explicar uma das mais estranhas e mais excitantes possibilidades que emergiram da Física moderna: que o nosso universo pode ser apenas um entre muitos, talvez infinitamente muitos, dispostos numa vasta rede cósmica. Recorrendo habilmente à analogia e ao humor, Kaku apresenta, com paciência, ao leitor, as variações sobre este tema de universos paralelos, desde a mecânica quântica, a cosmologia e, mais recentemente, a teoria M. A leitura deste livro proporciona ao leitor uma viagem maravilhosa, conduzida por um guia experiente, através de um cosmos cuja compreensão nos obriga a alargar os limites da imaginação.»

Brian Greene, Professor de Física e de Matemática, Universidade de Columbia, Nova Iorque

"Se alguém não vê a diferença..."

No passado dia 14, um leitor do De Rerum Natura - Wegie - enviou-nos, em comentário, uma passagem do livro Este País não É para Velhos, de Cormac McCarthy. Aqui lhe damos destaque pelo facto de pôr em evidência manobras relativistas e subjectivistas a que muito se recorre quando se analisa a educação, desvalorizando os problemas, por mais graves que eles se afigurem, em vez de os encarar, estudar e procurar superar.

“Há uns tempos li nos jornais que um grupo de professores encontrou por acaso um inquérito que foi enviado nos anos trinta a um certo número de escolas de todo o país. Incluía um questionário sobre quais os problemas mais graves que aconteciam nas escolas. E encontraram também os formulários de respostas, que tinham sido preenchidos e devolvidos dos quatro cantos do país. E os problemas mais graves que os professores apontavam eram coisas como conversar nas aulas e correr pelos corredores. Mascar pastilha elástica. Copiar os trabalhos de casa. Coisas desse género. Então eles policopiaram uma data de exemplares e enviaram-nos para as mesmas escolas. Passados quarenta anos. Bom, algum tempo depois receberam as respostas. Violações, fogo posto, homicídio. Drogas. Suicídios. E eu ponho-me a pensar nisto. Porque muitas das vezes que eu digo que o mundo está a ir direitinho para o Inferno ou alguma coisa do género, as pessoas limitam-se a fazer-me um sorriso e dizem-me que eu estou a ficar velho. Que este é um dos sintomas. Mas cá no meu entender, se alguém não vê a diferença entre violar e assassinar pessoas e mascar pastilha elástica é porque tem um problema muito mais grave do que o meu. Quarenta anos também não é assim tanto tempo. Talvez os próximos quarenta anos façam acordar algumas pessoas da anestesia em que caíram. Se não for demasiado tarde.”

BISSAYA BARRETO E A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA

Informação recebida da Fundação Bissaya Barreto:

Acervo do Centro Documental Byssaia Barreto em mais uma exposição documental.

A FUNDAÇÃO BISSAYA BARRETO NAS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA

18 MARÇO 2010 ║ Entrada Livre

EXPOSIÇÃO > 18.30H ║ CONFERÊNCIA > 19.00H

Casa Museu Bissaya Barreto
R. da Infantaria, 23 – Coimbra

A EXPOSIÇÃO ║ BISSAYA BARRETO E A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA

Por imagens, documentos e relatos se traça o perfil ideológico e o percurso político de um activo republicano: Fernando Bissaya Barreto. A ligação do jovem universitário à criação do Grupo do Livre Pensamento; a acção do dirigente associativo estudantil (membro da Assembleia Geral da Associação Académica); o fundador e membro da 1ª Direcção do Centro Académico Republicano (1906); o intransigente activista da greve académica de 1907; o carbonário e maçon coimbrão; o deputado à Assembleia Nacional Constituinte de 1911… numa exposição de visita obrigatória, patente até 16 de Abril.

“Com um percurso ideológico e politico gizado nos domínios do livre-pensamento, da maçonaria, da carbonária e na militância no Partido Republicano Português, organizações estas que em 1910 constituíam as faces esfíngicas de um mesmo movimento republicano triunfante, o jovem Fernando Bissaya Barreto reunia as condições históricas e ideológicas para, integrando a elite republicana, participar no areópago que definirá a primeira e magna carta da Republica Portuguesa”.

Ramos, Rui in MATTOSO, José – História de Portugal, 1994. Vol. VI, p.411

A CONFERÊNCIA║ ALGUMAS NOTAS SOBRE O REPUBLICANISMO DE BISSAYA BARRETO
por Amadeu Carvalho Homem (Professor Catedrático da Fac. Letras da Universidade de Coimbra).

HUMOR - O SONHO DO RATO

Afinal os sismos podem ou não prever-se?


Informação recebida do Museu de História Natural de Lisboa:

Colóquio: Afinal os sismos podem ou não prever-se?

Dia 17 de Março, pelas 16 horas, anfiteatro Manuel Valadares dos Museus da Politécnica, Rua da Escola Politécnica, 58, Lisboa. Entrada Livre.

Organização: Museu Nacional de História Natural e Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências, da Universidade de Lisboa.

Moderadores: Fernando J.A.S. Barriga, Director do MNHN, e César Andrade, Presidente do GeoFCUL

Os sismos estão na ordem do dia. Vivemos num planeta dinâmico, essa dinâmica por vezes excede a nossa capacidade de adaptação e causa morte e destruição. Houve já algum debate público, em que se falou de previsão sísmica, mas que deixou dúvidas importantes. Quem tenha seguido os debates poderá ter ficado preocupado. Houve até quem afirmasse, na televisão (Prós e Contras) que estamos muito atrasados, em Portugal, em matéria de previsão sísmica. Ouvimos alguns comentários sintomáticos: “…mas os sismos do Haiti e do Chile foram previstos pelos americanos? Afinal é possível prever os sismos? Se sim, porquê lá e não cá? Está a ser feito tudo o que é possível?

Convidámos os principais especialistas para apresentarem, em linguagem clara e simples, para os cidadãos em geral, qual o “estado da arte” acerca da previsão sísmica. Cada um fará uma curta intervenção, à qual se seguirá um período de debate. A sessão, dirigida aos cidadãos em geral, e aos jornalistas terá os intervenientes principais (e temas) que se se seguem. Uma oportunidade preciosa para aprender e esclarecer dúvidas.

Principais intervenientes:

Luís Matias (1)
Sismologia - Geração de sismos - Tectónica de Placas

João Cabral (2)
Sismotectónia de Portugal Continental - área emersa

Pedro Terrinha (3)
Sismotectónia de Portugal Continental – area imersa

Maria Ana Baptista (1)
Tsunamis

Mourad Bezzeghoud (4)
Modelação de fontes sísmicas

António Ribeiro (2)
Perigosidade sísmica

Luís Mendes Victor (1)
Da previsão à prevenção

Carlos Oliveira (5)
Risco Sísmico e construção

1) Geofísico da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL)
2) Geólogo da FCUL
3) Geólogo do Laboratório Nacional de Energia e Geologia
4) Geofísico da Universidade de Évora
5) Engenheiro Civil do Instituto Superior Técnico

Eclipse Total do Sol de 1900 e Leitores dos Colóquios dos Simples


Informação recebida do Centro Interuniversitário de História da Ciência e Tecnologia (CIHCT) de Lisboa:

Hoje, dia 17 Março de 2010, pelas 15h, Edifício C8, na sala 8.2.06, realiza-se uma das Conferências de História e Filosofia da Ciência da Secção Autónoma de História e Filosofia das Ciências (SAHFC), da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa:

Frederico Tomás Oom e o Eclipse Total do Sol de 1900 - Um caso de Popularização da Ciência em Portugal
, por Luís Carolino.

Informa-se também que, na mesma Faculdade, Edifício C8, Sala 8.2.23, se realizar uma Conferência do CIUHCT na próxima quarta-feira, dia 24 de Março, às 17h:

Leitores quinhentistas de Colóquios dos Simples de Garcia de Orta, por Teresa Nobre de Carvalho (CIUHCT - Universidade de Lisboa).

CRIANÇAS PRODUZEM ENERGIA COM FRUTA


Informação recebida do Museu da Ciência de Coimbra:

Dia 21 de Março às 11 horas, no Museu da Ciência da UC

CRIANÇAS PRODUZEM ENERGIA COM FRUTA

A próxima sessão de "Ciência em Família" junta pequenos e adultos numa manhã de actividades dedicada às mais variadas formas de energia. Requisito único: tomar previamente um pequeno almoço reforçado.

Está por todo o lado no nosso dia-a-dia, mas será que sabemos realmente o que ela é e de onde vem? A energia dá o mote à próxima sessão de "Ciência em Família", que terá lugar no dia 21 de Março, a partir das 11 horas, no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.

Em mais uma manhã dedicada à exploração de temas científicos, as crianças e as suas famílias poderão descobrir tudo sobre as várias formas de energia e o modo como elas se transformam umas nas outras, com a ajuda de jogos, de construções feitas com materiais que usamos todos os dias e até dos mais insuspeitos alimentos.

"Através de alguns jogos de tabuleiro e de cartas, serão abordados e relacionados de uma forma lúdica os conceitos e objectos ligados da temática energética. Será uma oportunidade de os mais pequenos ganharem aos seus pais o desafio energético", avança António Piedade, comunicador de Ciência (Take The Wind) e protagonista da próxima sessão de "Ciência em Família".

"Utilizando materiais do dia-a-dia (garrafas de plástico, palhinhas, balões, copos de iogurte, elásticos, caixas de margarina, etc.) iremos perceber como surge o vento e as ondas do mar, como é que o sol pode ser usado para aquecer água e cozinhar alimentos, e como o mesmo sol é usado para produzir energia eléctrica. O objectivo será também o de entender a noção de fonte de energia renovável em contraste com aquelas que não são renováveis"
, explica.

Balões, frutas e até uma bicicleta são os outros ingredientes de uma manhã recheada de ciência divertida. "Iremos produzir energia eléctrica a partir da interacção entre frutos (maça, laranja, limão), batatas, tomates, cebolas e lâminas de zinco, cobre, ferro e chumbo, e verificar medir com o multímetro qual a combinação mais potente! Utilizaremos a melhor solução para tentar alimentar um pequeno relógio digital ou acender alguns LED de baixa potência", revela António Piedade. Os mais pequenos irão ainda ter a oportunidade de pedalar para acender lâmpadas e para fazer funcionar um motor. "Por isso aconselha-se que neste dia todos tenham tomado um bom pequeno-almoço", brinca o comunicador.

De resto, a sessão pretende também sensibilizar os mais novos para a questão da poupança energética. "As crianças mais pequenas têm uma habilidade natural em observar, explorar e experimentar o mundo que as rodeia. Os conceitos, comportamentos e preocupações adquiridas por esta actividade de descoberta moldarão a forma como se irão relacionar com o mundo ao longo da sua vida", frisa António Piedade, para quem a solução do problema energético "passa muito" pelo contacto dos mais pequenos com as fontes de energia. "E o que precisam é que lhes respondam aos seus porquês, que não as deixem sem resposta. E para terem porquês tem de ter contacto com a natureza da energia. Quando há uma resposta, e essa resposta faz alguma espécie de sentido para elas, tornam-se adeptas", sustenta.

A participação no ciclo Ciência em Família custa três euros por pessoa e requer marcação prévia junto do Museu da Ciência (presencialmente ou através do número de telefone 239 85 43 50). Para mais informações, os interessados poderão consultar o site da instituição (www.museudaciencia.org).

terça-feira, 16 de março de 2010

Assim é que é Falar!

Assim é que é falar! 201 Perguntas, Respostas e Regras sobre o Português Falado e Escrito, da autoria de Maria Regina de Matos Rocha (também coord.), Maria João Casanova de Matos e Sandra Duarte Tavares, é uma obra em que se formulam perguntas que traduzem algumas das dúvidas mais frequentes de língua portuguesa. Juntamente com as respectivas respostas, enunciam-se regras, que, mantendo o rigor terminológico, apresentam uma linguagem acessível ao leitor não especializado.

• A palavra acordos pronuncia-se com o aberto, ou o fechado? Porquê?
• A palavra presidente tem feminino?
• Avenida Costa Simões ou Avenida de Costa Simões? Porquê?
• Arrendam-se apartamentos e alugam-se carros. Mas, porquê?
• Quando se exprime quantidade, devemos escrever demais, ou de mais?
• «Um dos que leram este livro…»? Ou «um dos que leu»?
• Há vírgulas obrigatórias, facultativas e proibidas?
• Afinal, quem é que deve agradecer dizendo obrigado? E obrigada?

«Precisaremos seguramente deste Assim é que é falar!, se pensarmos que bem falar e bem escrever são provas de respeito pelo nosso património (a língua é um bem patrimonial) e de afirmação de bom gosto. E assim trataremos a língua como quem faz a sua higiene pessoal ou se preocupa em vestir com elegância, mesmo que discreta. Sim, porque a língua também é gente...» Carlos Reis in Prefácio.

A obra será apresentada pelo Prof. Doutor Carlos Reis na Casa Municipal da Cultura de Coimbra na próxima quinta-feira, dia 18 de Março, pelas 18h30m.

HUMOR: O SONHO DA ZEBRA

O botulismo

Em 1999 foi publicado em França um livro cujo título é: La Vie Sexuel de Immanuel Kant. O autor que consta na capa é Jean-Baptiste Botul. A apresentação, com duas páginas e meia, é assinada por um tal Frèdèric Pàges. Este explica ao leitor estarem reunidas, na pequena obra dada à estampa, umas certas conferências proferidas por aquele.

Tais conferências, supostamente guardadas no arquivo da Associação dos Amigos de Jean-Baptiste Botul, teriam acontecido em Maio de 1946, no Paraguai, destinando-se a uma colónia de alemães fugidos da sua cidade, quando o Exército Vermelho a conquistou.

Seriam peculiares esses alemães: por admirarem o filósofo que escreveu a Crítica da Razão Pura, deram o nome de Nova Konigsberg à sua pátria (que assemelharam à velha Konigsberg), “vestiam-se, comiam, dormiam como ele” e “davam o mesmo passeio lendário” que ele. Porém, se lhe seguissem as passadas no que respeita à vida sexual, extinguir-se-iam… Foi esse o desafio que Botul, apresentado como um obscuro "filósofo de tradição oral" do sul de França, nascido em 1896 e morto em 1947, terá aceitado, sendo que da sua reflexão dependeria o futuro dos neo-kantianos exilados.

Consta que, em 2009, o conhecido filósofo Bernard-Henry Lévy, terá citado Botul numa conferência na École Normale Supérieure, tendo, mais recentemente, reincidido num livro de peso - com 1340 páginas: De la Guerre en Philosophie.

Tudo isto faria sentido se Botul não fosse… uma figura inventada. Pois é, saiu da imaginação de um jornalista com sentido de humor e audácia, que é, nem mais nem menos, do que o tal Pagès, apresentor do livro...

Em comentário ao sucedido Lévy afirmou "Parece que me deixei enganar, como todos os críticos literários que citaram o livro quando ele foi lançado".

Todos, talvez seja um exagero, pois na recensão que eu li, em Agosto de 2004, quando o livro saiu em Portugal (na Cavalo de Ferro), da autoria de Ana Cristina Leonardo e que foi publicada no jornal Expresso, reconhecia-se a farsa: "Pelo meio das jocosas ideias acerca das relações entre a vida pessoal e sistemas de pensamento, Botul lança as raízes da desconfiança: até que ponto é sério o discurso da filosofia ou, pelo menos, até que ponto o podemos levar a sério?"

Quem diz filosofia, diz ciência... Esta "paródia", tal como a de A. Sokal, tem um mérito: levar-nos a aprodundar as fontes, questionarmo-nos acerca do que lemos, duvidarmos do que nos é apresentado. Em suma, sugere-nos que não nos acomodemos no conforto das ideias que nos chegam, que as cruzemos, que as indaguemos.

Nota: Uma entrevista recente a Bernard-Henry Lévy sobre o assunto pode ser vista aqui.

EINSTEIN E O TEATRO 1




A peça do escritor suíço Friedrich Duerrenmatt "Os Físicos" é uma das peças de teatro mais conhecidas onde a figura de Einstein aparece. Nela Einstein e Newton estão internados num manicómio e há duas enfermeiras que são assassinadas... (e mais não digo!). Deixo o cartaz e duas fotografias de várias representações na Alemanha. O livro está publicado em português: embora seja difícil encontrá-lo nas livrarias, pode ser lido numa biblioteca perto de si.

VEM AÍ O FAME LAB!



Há quem chame ao novo concurso os "Ídolos da Ciência". Com organização do Ciência Viva e o apoio do British Council aí está um concurso de comunicação de ciência, um formato britânico que tem gozado de um merecido êxito internacional. Ver aqui.

Curso de Comunicação de Ciência


Como falar de coisas complicadas de uma maneira simples? Informação recebida do ISEG, Lisboa: Um curso que ensina a comunicar ciência aberto a todos os interessados.

Curso de 18 horas
Comunicação de Ciência, Tecnologia e Inovação

12, 19 e 26 de Abril
3, 10 e 17 de Maio

18:00 às 21:00 h

Inscrição: 150€

Curso do Mestrado em Economia e Gestão de Ciência, Tecnologia e Inovação 2007/2008

Aberto a inscrições externas

Nuno Crato(ISEG/UTL)
Ana Correia Moutinho (FCCN)
Ana Godinho (Instituto Gulbenkian de Ciência)

Instituto Superior de Economia e Gestão
Universidade Técnica de Lisboa

Inscrições e informações:
spg@iseg.utl.pt
http://www.iseg.utl.pt

segunda-feira, 15 de março de 2010

ROBERT LONGO NO CCB




O artista americano Robert Longo (nascido em 1953), especialista em trabalhos a carvão que mais parecem fotografias, tem uma exposição retrospectiva no Centro Cultural de Belém. Deixo aqui fotografias de alguns dos seus trabalhos de temática científica.

CRISTIANISMO, HUMANISMO, POSITIVISMO E MARXISMO, PONTOS DE APROXIMAÇÃO E DE AFASTAMENTO

Texto do Professor A. Galopim de Carvalho O elitismo académico já teve o seu tempo. Agora é tempo de abordar “todos os saberes” “com toda a ...