Todos somos saudavelmente melancólicos, em dose superável. Aqui, o poeta mente...
O estado patológico da melancolia é uma overdose de tristeza que se manifesta numa psicose maníaco-depressiva. A melancolia de tipo endógeno é caracterizada pelo seguinte conjunto sintomático: - palidez - expressão triste e dolorosa - a vista dirige-se para o chão - inibição psíquica e abulia - dor moral com um fundo cinestésico - sensação de vazio e de falta de fluência do tempo - pessimismo - ideação lenta - exaustão do pensamento - angústia vital - choro - com ou sem lágrima - tristeza irremediável - incapacidade de felicidade - culpabilidade, tendência à autopunição - insónia - emagrecimento - anorexia - desnutrição - perda de líbido e de potência - alterações de metabolismo da água, do sódio e do potássio sanguíneos, da glicemia e da atividade de certas endócrinas, além das gónadas - tiroideia, supra-renais - queixas, astenia física, sintomas hipocondríacos - desejo de morte Aqui, o poeta mata-se.
A melancolia, antes de mais é uma palavra. Aqui, deixa de ser subjectiva. A linguagem tem a virtude de objectivar o subjectivo e o defeito de não comunicar o subjectivo. A dificuldade de comunicar, em grande parte das vezes, está em que, ao fazê-lo, o subjectivo deixa de o ser, porque a linguagem não é subjectiva. Suspeito de que um dos trunfos da comunicação científica para ter eficácia resulta do uso de uma linguagem descontínua (ou digital). De igual modo, a eficácia que a comunicação corrente procura depende e exige o uso de uma linguagem contínua (ou analógica), que não existe, porque a linguagem é descontínua (ou digital). Suspeito de que estas hipóteses sejam revolucionárias, como o foram os primeiros estudos e descobertas sobre a perspectiva. A realidade observada através de um espelho com uma área de 50 cm2, pode ter uma área de muitos Km2. E podemos pintá-la (representá-la) num quadro a qualquer escala. Uma das maravilhas da linguagem (não só da matemática) é que ela permite que percorras todos os labirintos e dês muitas voltas ao mundo e fales disso, sem saberes nada do que andas a fazer.
1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome. 2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas". 3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.
Todos somos saudavelmente melancólicos, em dose superável. Aqui, o poeta mente...
ResponderEliminarO estado patológico da melancolia é uma overdose de tristeza que se manifesta numa psicose maníaco-depressiva.
A melancolia de tipo endógeno é caracterizada pelo seguinte conjunto sintomático:
- palidez
- expressão triste e dolorosa
- a vista dirige-se para o chão
- inibição psíquica e abulia
- dor moral com um fundo cinestésico
- sensação de vazio e de falta de fluência do tempo
- pessimismo
- ideação lenta - exaustão do pensamento
- angústia vital
- choro - com ou sem lágrima
- tristeza irremediável
- incapacidade de felicidade
- culpabilidade, tendência à autopunição
- insónia
- emagrecimento - anorexia - desnutrição
- perda de líbido e de potência
- alterações de metabolismo da água, do sódio e do potássio sanguíneos, da glicemia e da atividade de certas endócrinas, além das gónadas - tiroideia, supra-renais
- queixas, astenia física, sintomas hipocondríacos
- desejo de morte
Aqui, o poeta mata-se.
Baseado em estudos de J. Schneeberger de Athayde
A melancolia, antes de mais é uma palavra. Aqui, deixa de ser subjectiva. A linguagem tem a virtude de objectivar o subjectivo e o defeito de não comunicar o subjectivo. A dificuldade de comunicar, em grande parte das vezes, está em que, ao fazê-lo, o subjectivo deixa de o ser, porque a linguagem não é subjectiva. Suspeito de que um dos trunfos da comunicação científica para ter eficácia resulta do uso de uma linguagem descontínua (ou digital).
ResponderEliminarDe igual modo, a eficácia que a comunicação corrente procura depende e exige o uso de uma linguagem contínua (ou analógica), que não existe, porque a linguagem é descontínua (ou digital).
Suspeito de que estas hipóteses sejam revolucionárias, como o foram os primeiros estudos e descobertas sobre a perspectiva.
A realidade observada através de um espelho com uma área de 50 cm2, pode ter uma área de muitos Km2. E podemos pintá-la (representá-la) num quadro a qualquer escala. Uma das maravilhas da linguagem (não só da matemática) é que ela permite que percorras todos os labirintos e dês muitas voltas ao mundo e fales disso, sem saberes nada do que andas a fazer.