quarta-feira, 15 de abril de 2015

TEATRO: "EGO" DE CARL DJERASSI


EGO de Carl Djerassi (na foto) vai finalmente estrear no Teatro da Cerca de São Bernardo em Coimbra.

Depois do adiamento anunciado na passada semana, a MARIONET regressa por fim ao Teatro da Cerca de São Bernardo em Coimbra já no dia 17 de Abril, para estrear a peça de teatro EGO, de Carl Djerassi.


17 a 26 de Abril | Teatro da Cerca de São Bernardo
6ª feira e Sábados | 21h30
Domingos | 16h00



Sinopse da peça

Stephen Marx, um escritor de sucesso, decide forjar a sua própria morte para poder ler os seus obituários, obcecado por conhecer a "verdadeira" opinião dos críticos relativamente a si e à sua obra. Inspirado por Fernando Pessoa e pelos os seus heterónimos, decide criar um novo alter ego literário com a finalidade de descobrir se consegue obter o sucesso a partir do desconhecimento público, apenas pelo valor da sua escrita.


Sobre o Projecto

A produção desta peça em Portugal foi comissionada à Marionet pelo próprio Carl Djerassi, cientista e escritor recentemente falecido.

Djerassi tornou-se uma personalidade influente no mundo da ciência pelo papel fundamental que teve na invenção da pílula anti-concepcional feminina nos anos 60 do século XX, tendo-se dedicado nos últimos anos à escrita de ficção e peças teatrais. 

A peça “EGO” teve como base a obra “Marx Deceased” do próprio Djerassi (sobre um escritor, Stephen Marx, que fingiu a sua própria morte de modo a poder observar a reacção e crítica de leitores e críticos) e foi inspirada na heteronímia de Fernando Pessoa. Foi este último facto que levou este cientista e escritor norte-americano a comissionar a produção da peça à Marionet, pelo interesse em vê-la representada em português e em Portugal. Numa estreia absoluta em Portugal, a peça será apresentada em 2015, o ano em que se comemoram os 100 anos do lançamento da Revista Orpheu, da qual Pessoa foi um dos colaboradores. A tradução para língua portuguesa é da autoria de Mário Montenegro, director artístico da companhia.


Ficha Artística e Técnica

Texto: Carl Djerassi;
Discussão e ideias: Filipe Eusébio, Joana Macias, Mafalda Oliveira, Marcelo dos Reis, Mário Montenegro, Pedro Andrade, Teresa Girão;
Encenação e tradução: Mário Montenegro;
Interpretação: Filipe Eusébio, Joana Macias, Mário Montenegro;
Espaço cenográfico, figurinos, adereços e imagem: Pedro Andrade;
Banda sonora original: Marcelo dos Reis;
Iluminação e direcção técnica: Mafalda Oliveira;
Fotografia de cena: Francisca Moreira;
Penteados: Carlos Gago – Ilídio Design;
Produção executiva: Teresa Girão.

Uma produção marionet 2015.
A produção portuguesa de Ego é financiada por Dale Djerassi, herdeiro de Carl Djerassi.

Classificação etária
Maiores de 16 anos

Reservas
239 718 238 / 966 302 488 / geral@aescoladanoite.pt 

Bilhetes
normal: 10 Euros
estudantes, jovens, maiores de 65 anos, profissionais e amadores de teatro, profissionais de ciência: 6 Euros
quintas-feiras, grupos de 10 ou mais pessoas, entidades protocoladas com o TCSB: 5 Euros


Marionet financiada por: Câmara Municipal de Coimbra
Apoios: Fundação Bissaya Barreto; Ilidio Design Cabeleireiros; MAFIA – Federação Cultural de Coimbra; TCSB – Teatro da Cerca de São Bernardo
Apoios à divulgação: Rádio Universidade de Coimbra; Dolce Vita Coimbra
Agradecimentos: A Escola da Noite; António Apolinário Lourenço; Arq. Alberto Montoya; CITEC - Centro de Iniciação Teatral Esther de Carvalho; Condomínio Criativo de Coimbra; Cooperativa Agrícola do Távora CRL; Jorge Miguel Sousa; José Luis Pio Abreu; Júlio Cardoso; Manuel João Monte; Paulo MEGO vai finalmente estrear no Teatro da Cerca de São Bernardo

Depois do adiamento anunciado na passada semana, a MARIONET regressa por fim ao Teatro da Cerca de São Bernardo em Coimbra já no dia 17 de Abril, para estrear a peça de teatro EGO, de Carl Djerassi.


17 a 26 de Abril | Teatro da Cerca de São Bernardo
6ª feira e Sábados | 21h30
Domingos | 16h00



Sinopse da peça

Stephen Marx, um escritor de sucesso, decide forjar a sua própria morte para poder ler os seus obituários, obcecado por conhecer a "verdadeira" opinião dos críticos relativamente a si e à sua obra. Inspirado por Fernando Pessoa e pelos os seus heterónimos, decide criar um novo alter ego literário com a finalidade de descobrir se consegue obter o sucesso a partir do desconhecimento público, apenas pelo valor da sua escrita.


Sobre o Projecto

A produção desta peça em Portugal foi comissionada à Marionet pelo próprio Carl Djerassi, cientista e escritor recentemente falecido.

Djerassi tornou-se uma personalidade influente no mundo da ciência pelo papel fundamental que teve na invenção da pílula anti-concepcional feminina nos anos 60 do século XX, tendo-se dedicado nos últimos anos à escrita de ficção e peças teatrais. 

A peça “EGO” teve como base a obra “Marx Deceased” do próprio Djerassi (sobre um escritor, Stephen Marx, que fingiu a sua própria morte de modo a poder observar a reacção e crítica de leitores e críticos) e foi inspirada na heteronímia de Fernando Pessoa. Foi este último facto que levou este cientista e escritor norte-americano a comissionar a produção da peça à Marionet, pelo interesse em vê-la representada em português e em Portugal. Numa estreia absoluta em Portugal, a peça será apresentada em 2015, o ano em que se comemoram os 100 anos do lançamento da Revista Orpheu, da qual Pessoa foi um dos colaboradores. A tradução para língua portuguesa é da autoria de Mário Montenegro, director artístico da companhia.


Ficha Artística e Técnica

Texto: Carl Djerassi;
Discussão e ideias: Filipe Eusébio, Joana Macias, Mafalda Oliveira, Marcelo dos Reis, Mário Montenegro, Pedro Andrade, Teresa Girão;
Encenação e tradução: Mário Montenegro;
Interpretação: Filipe Eusébio, Joana Macias, Mário Montenegro;
Espaço cenográfico, figurinos, adereços e imagem: Pedro Andrade;
Banda sonora original: Marcelo dos Reis;
Iluminação e direcção técnica: Mafalda Oliveira;
Fotografia de cena: Francisca Moreira;
Penteados: Carlos Gago – Ilídio Design;
Produção executiva: Teresa Girão.

Uma produção marionet 2015. 

A produção portuguesa de Ego é financiada por Dale Djerassi, herdeiro de Carl Djerassi.

Classificação etária
Maiores de 16 anos

Reservas
239 718 238 / 966 302 488 / geral@aescoladanoite.pt 

Bilhetes
normal: 10 Euros
estudantes, jovens, maiores de 65 anos, profissionais e amadores de teatro, profissionais de ciência: 6 Euros
quintas-feiras, grupos de 10 ou mais pessoas, entidades protocoladas com o TCSB: 5 Euros


Marionet financiada por: Câmara Municipal de Coimbra
Apoios: Fundação Bissaya Barreto; Ilidio Design Cabeleireiros; MAFIA – Federação Cultural de Coimbra; TCSB – Teatro da Cerca de São Bernardo
Apoios à divulgação: Rádio Universidade de Coimbra; Dolce Vita Coimbra
Agradecimentos: A Escola da Noite; António Apolinário Lourenço; Arq. Alberto Montoya; CITEC - Centro de Iniciação Teatral Esther de Carvalho; Condomínio Criativo de Coimbra; Cooperativa Agrícola do Távora CRL; Jorge Miguel Sousa; José Luis Pio Abreu; Júlio Cardoso; Manuel João Monte; Paulo M

PORDATA VIVA


CONVITE

É com muito gosto que o Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva e a Pordata - Fundação Francisco Manuel dos Santos lhe endereçam este convite para a inauguração da exposição Pordata Viva - o Poder dos Dados, no dia 23 de Abril, quinta-feira, às 16.00, no Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva, Parque das Nações, Lisboa.

Esta exposição é o resultado de uma parceria entre o Pavilhão do Conhecimento e a base de dados Pordata e vem provar que os dados são fascinantes e que a estatística não é um bicho-de-sete-cabeças.


Celebraremos a sua abertura ao público com algumas surpresas

ANÚNCIO DOS FINALISTAS DO FAMELAB

E AGORA SENHOR MINISTRO?

O facto de o ministro Nuno Crato tardar a nomear um(a) novo(a) Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia apenas pode indicar que ele continua distante da ciência, não a considerando uma prioridade no seu mandato. Manter em funções uma equipa completamente desacreditada, conivente com todas as malfeitorias (isto é, coisas mal feitas) perpetradas pelo Presidente anterior, é um enorme erro tanto do ponto de vista da ciência como do ponto de vista da política em geral. Significa isto que numa altura como esta, em que há problemas graves a resolver urgentemente como a avaliação do sistema de ciência nacional (digo avaliação e não reavaliação, pois não houve verdadeira avaliação mas sim um simulacro dela), e como o reforço de bolsas para estimular esse sistema, estancando a hemorragia de jovens para o estrangeiro, o governo português anda entretido com outras coisas.

O governo, se fizer como de costume, vai decidir no seu pequeno círculo, esquecendo talvez que com toda a probabilidade irá mudar nas próximas eleições, Mas, pensando que a contribuição de cidadãos independentes defensores intransigentes da ciência possa interessar, sempre digo que a nova direcção, se quer ter as mãos limpas, não pode ter nenhuma das pessoas que conduziram ao actual descrédito da FCT. Nem pode ser ninguém que tenha tido colaboração íntima com a direcção que finda. Por uma questão de ombridade, de equilíbrio e de coerência com a linha defendida pelo governo de aproximação da ciência à economia, a nova direcção deve ter, em vez de pessoas da áreas das ciências biomédicas ou bioqualquer coisa da área de Lisboa, pessoas  da área das tecnologias fora da Grande Lisboa, uma geografia que tem sido amplamente favorecida (em particular, na Universidade Nova, mas não só). Um engenheiro do eixo, que é hoje muito forte no nosso sistema científico-tecnológico, Porto-Braga seria uma boa solução nessa equipa, porventura à frente. Vamos ver a força que têm os reitores das Universidades do Porto e Braga, os dois engenheiros muito sábios que conhecem bem a relação entre ciência e desenvolvimento e que conhecem bem melhor o país do que alguns poderes fátuos que andam pelos partidos e pelas alcatifas ministeriais em Lisboa.

E agora senhor ministro?

EM DEFESA DOS INDEPENDENTES

Meu artigo no Público de hoje:


Falta menos de um ano para as eleições presidenciais. É, portanto, natural que, enquanto os partidos continuam entretidos com os seus joguinhos de poder, alguns cidadãos, insatisfeitos com a actual situação da República, anunciem a sua disponibilidade para se apresentarem à única eleição de âmbito nacional que não tem de ter as chancelas partidárias. Foi o que aconteceu, por ordem cronológica, com o empresário Henrique Neto, com o matemático Paulo Morais e com o professor universitário António Sampaio da Nóvoa. Só os dois primeiros é que anunciaram a sua candidatura, enquanto o terceiro está ainda a ponderar. As relações deles com os partidos são muito díspares: o primeiro é militante do PS, o segundo foi até há dois anos filiado do PSD e o terceiro nunca teve filiação partidária. Podemos dizer que são todos independentes, uma vez que, se o primeiro possui cartão de um partido, é óbvio que não encarneira no grupo. Pela minha parte, dada a contínua frustração que tem sido a política nacional, verifico com agrado que existem compatriotas não alinhados que estão disponíveis para darem o seu contributo à res publica. São todos, tanto quanto me é dado saber, cidadãos com biografias impolutas. Empenhados na vida colectiva, todos têm, na praça pública, expressado opiniões e manifestado desejos. Sendo bastante diferenciadas, parece-me que são escolhas a que um eleitor tem direito no sufrágio de 2016.

Apesar da péssima experiência do candidato “independente” Fernando Nobre em 2011 (viu-se que era um falso independente quando se prestou a ser marionete nas mãos de Passos Coelho nas legislativas desse ano), creio que as candidaturas de independentes são boas para a democracia. Um independente como eu, decepcionado pelas acções e omissões da maioria dos nossos políticos, gostaria de escolher um candidato independente. Os desiludidos com os políticos arregimentados poderão até ser maioritários, decidindo a contenda.

Bem sei que numa democracia os partidos são indispensáveis. Mas os partidos que temos tido na governação bem se têm esforçado por mostrar a sua dispensabilidade. E, se são dispensáveis, dispensemo-los na única ocasião política em que o podemos, efectivamente, fazer. Também sei que as eleições legislativas serão realizadas antes das presidenciais e que são elas que determinam o governo do país. Mas, nas legislativas, a possibilidade de participação dos cidadãos independentes é reduzida: somos obrigados a escolher listas feitas pelas oligarquias partidárias, feitas de nomes que representarão apenas quem os nomeia (nem sequer serão capazes de se representar a si próprios). Julgo que a próxima eleição presidencial é um momento decisivo da nossa vida política, uma vez que será possível – tem de ser possível – encontrar um português com independência, sentido de responsabilidade e, acima de tudo, devoção ao bem comum. O que não tivemos nos últimos anos. O presidente não tem poder executivo, mas tem poderes importantes em momentos decisivos, que exigem uma análise lúcida e uma postura fundada no interesse nacional. E tem outro poder, que pode ser relevantíssimo se bem usado: o da palavra. Pode, pela palavra, unir os portugueses, apontando grandes desígnios nacionais, chamando a atenção para o essencial.

E que vejo? Vejo, consternado, a vozearia estridente, o ódio imenso, a perseguição pessoal que as referidas candidaturas suscitaram a alguns dos políticos instalados. Chegaram ao ponto de chamar palhaço a Henrique Neto, de apoucar a ética de Paulo Morais e de atacar António Nóvoa com base no nome dele. A candidatura com mais hipóteses de ganhar é desde já a mais malhada. Eu não sei ainda em quem vou votar. Mas o mais provável é que, nas presidenciais, vote num independente, em alguém que contribua para sairmos do atoleiro em que a política profissional nos meteu. E que, antes disso, nas legislativas, vote em forças que não só estejam apostadas na necessária mudança como prezem o contributo para ela dos cidadãos independentes. Portugal, se for quebrado o bloqueio a que nos conduziram políticos formados nas “jotas” que além de ignorantes são atrevidos (a ignorância sempre foi atrevida), tem futuro. Mas esse futuro, numa democracia digna desse nome, não pode ser criado só pelos partidos, tem também de ser empreendido por quem não se revê neles.


PS) Aleluia, após muitos dislates, vai haver renovação na Fundação para a Ciência e Tecnologia. Não interessa tanto o nome da nova pessoa, mas mais a nova orientação. Há, sem prejuízo do normal funcionamento da ciência, que anular o ilegal e indecoroso processo de “avaliação”, castrador da investigação nacional. E agora, quando segundo a ministra das Finanças os cofres estão cheios, há que dar esperança aos jovens atraídos pela ciência. O futuro deles será, em larga medida, o nosso.

terça-feira, 14 de abril de 2015

“É UM ERRO GRAVE DEIXAR UMA GERAÇÃO FORA DO SISTEMA CIENTÍFICO”

Isto disse o prémio Nobel de Física, Serge Haroche, numa entrevista ao Diário de Notícias de 12/4/2015, assinada por Filomena Naves, e que pode ser vista, gratuitamente em parte, em http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=4506115&page=-1 

Serge Haroche, que recentemente deu uma série de aulas e conferências no Instituto Superior Técnico, partilhou o prémio Nobel de Física de 2012 com David Wineland pelos seus trabalhos de desenvolvimento de métodos para a medição e manipulação de partículas individuais sem as destruir. 

No seu laboratório em Paris, Serge Haroche conseguiu confinar fotões numa pequena cavidade entre dois espelhos. Um único fotão pode “saltitar” entre os dois espelhos sendo reflectido sucessivamente, durante cerca de um décimo de segundo, o que implica que percorre cerca de 40 mil quilómetros, ou seja, o perímetro da Terra no equador. David Wineland, por seu turno, conseguiu o confinamento de átomos e iões individuais. 

Para além de nos ter dado a conhecer em detalhe os resultados das suas experiências científicas, e do que se pode ler no extracto gratuito do DN, Serge Haroche salientou numa das suas conferências no IST e na sua entrevista ao DN, que para fazer CIÊNCIA é preciso TEMPO e CONFIANÇA (time and trust). “A ciência precisa de muito tempo para se desenvolver e é preciso que os cientistas tenham a possibilidade de trabalhar seguindo a curiosidade, o que precisa de tempo, porque pode conduzir a falsas pistas, ao erro e a novas direcções. Neste momento, para se ter dinheiro para investigação tem de se submeter propostas nas quais é preciso descrever o que se vai obter. Ora isso é contraditório com o espírito da investigação científica. Não é possível saber por antecipação o que vamos obter", — disse ele.

Luís Alcácer

domingo, 12 de abril de 2015

Galopim, Mestre das Pedras e das Palavras


Meu prefácio ao livro que acaba de sair na Âncora, "As Pedras e as Palavras", de Galopim de Carvalho: 

Não me ocorre nos tempos recentes, quem mais próximo tenha chegado da capacidade de comunicador científico do Professor de Ciências Físico-químicas Rómulo de Carvalho do que o Professor de Ciências da Terra António Galopim de Carvalho, os dois partilhando o mesmo nome de família (embora sem qualquer parentesco). Ambos se tornaram mestres das suas ciências e ambos se revelaram mestres das palavras, uma vez que para comunicar o conhecimento científico são precisas palavras. E não quaisquer umas, mas palavras exactas e compreensíveis. 

Este livro, se tal fosse preciso, prova-o uma vez mais. Mestre Galopim é o novo mestre Rómulo. Se um conhecia a fundo a ciência dos planos inclinados e dos tubos de ensaio, o outro conhece a dos minérios e dos martelos de geólogo. E, se um dominava em profundidade a língua portuguesa, o outro não lhe fica nada atrás. Ambos conhecem e transmitem nos seus escritos o valor da história: usando palavras sabiamente escolhidas e encadeadas, lembram-nos que as ciências assentam numa acumulação, numa edificação, numa tradição várias vezes centenária. “Se consegui ver mais longe é porque estava aos ombros de gigantes”, disse Isaac Newton. E é também por estar aos ombros do mestre Rómulo, que o antecedeu de poucos anos, que mestre Galopim consegue alcançar mais longe na vulgarização da ciência. Se Rómulo escrevia para sair impresso por caracteres de chumbo, Galopim escreve, na senda de Rómulo, na Internet (em particular, no seu blogue Sopa de Pedra, cujo título evoca os eu interesse pela gastronomia portuguesa para além de nos lembrar uma conexão interessante entre geologia e cozinha). Os dois comungam da paixão pela arte. Se o primeiro recorre à expressão poética, para alguns considerada o superlativo da língua, e não hesita em recorrer à expressão dramática e contista, o segundo escreve novelas de raiz auto-biográfica (como O Preço da Borrega) e, ademais, para além da arte das palavras, exercita a arte de expressão plástica (não valerá uma imagem mil palavras?). 

As Pedras e as Palavras, que o leitor tem entre mãos, é um título muito feliz, diria mesmo lapidar, isto é, digno de ser inscrito em pedra para sobrevivência longeva, que é justificado pelo autor logo no início de uma forma plenamente convincente: “foram dois universos fulcrais na minha passagem por este mundo”. Afinal as primeiras palavras escritas, as palavras que marcam o início da história humana, chegaram-nos através de marcas em pedra, na escrita cuneiforme sobre barro ou na escrita hieroglífica sobre rocha. E, ao longo da história, muitas palavras foram criadas e continuam a sê-lo pelos cientistas da Terra para designar a multiplicidade de pedras que encontramos a nossos pés. Como escreveu o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade: “No meio do caminho tinha uma pedra / Tinha uma pedra no meio do caminho”. É curioso que a palavra lápis que usamos hoje para designar o instrumento para escrever palavras sobre papel, tenha a mesma raiz que lápide, o que nos recorda que ele é feito de grafite, uma das formas minerais do sexto elemento químico da Tabela Periódica, o carbono. Lápis, como nos lembra o mestre Galopim, vem do latim lapis, pedra, e grafite vem do grego graph, escrita. 

Num sentido metafórico, tal como a superfície do nosso planeta é um conjunto muito numeroso e extremamente diversificado de pedras, também a linguagem, designadamente os poemas que poetas rabiscam em folhas avulsas de papel ou nos seus canhenhos, é uma composição de possibilidades infinitas. Se as pedras servem para construir casas, caminhos e pontes, também a linguagem serve para erguer contos, dramas e poemas. 

O que o leitor ávido de saber fica a saber neste livro, um aglomerado de palavras do melhor que mestre Galopim escreveu, é imenso, qualquer que seja a sabedoria dos leitores. Por exemplo, pegando na história do lápis, de entre tantas outras em que poderia pegar, trago à colação a história do lapis philosophorum, a “pedra dos filósofos”. O termo, que se deve ao grande naturalista sueco Carlos Lineu, serve para designar a grafite. Não sabia. Mas também se lhe chama, fiquei ainda a saber, “mica dos pintores”. 

Devo confessar que a minha experiência com pedras não foi a mais exaltante nos bancos escolares. Lembro-me de um professor de Ciências Naturais que, sentado na sua secretária perto da ardósia, mostrava de lampejo (se a memória não me atraiçoa mandava mesmo ao ar para deixar luzir numa fracção de segundo) um mineral da vasta colecção do liceu, pedindo que o identificássemos. Apesar do brilho ser fugaz, havia logo um aluno mais afoito que alvitrava tratar-se de “pirite”, sendo a pergunta seguinte referente ao sistema cristalográfico respectivo. O jogo consistia em encontrar a correspondência entre as pedras e as palavras, um jogo que eu sentia alguma dificuldade em jogar. Se tivesse sido, nesse tempo, aluno do mestre Galopim, poder-me-ia ter tornado num procurador e analisador de pedras, para lhes associar palavras, portanto, num aprendiz de mestre desse jogo. Agora será um pouco tarde. Mas resta-me o consolo de ler as curiosas palavras a propósito de pedras que abundam neste livro e, lembrando os meus tempos de escolar, imaginar o futuro que não tive. Não existiam nessa época já remota os livros de mestre Galopim, que ensinava por Lisboa. Fui, em Coimbra, para o curso de Física porque havia os livros de mestre Rómulo. E aprendi as Ciências Físico-Químicas, tendo desde cedo sentido o impulso de as espalhar, ensinando-as e divulgando-as. 

E aqui estou hoje, aluno do mestre Galopim, através não só dos seus livros, mas também e sobretudo do seu extraordinário exemplo de devoção à ciência e à divulgação da ciência. A ciência de pouco pode se não for divulgada, já que ela não é dos cientistas mas de todos. Tal como a ciência de mestre Rómulo, a ciência de mestre Galopim é de todos nós, uma vez que os dois generosamente nos dão a sua ciência. Muito obrigado, mestre Galopim! 

Carlos Fiolhais
Coimbra, 3 de Novembro de 1914

As crianças não são propriedade das famílias

A ideia de que as vacinas, sobretudo a tríplice VSPR – contra a rubéola , o sarampo e a papeira –, causam autismo está espalhada pelo globo e começa a dar frutos: a criação de um problema de saúde individual e pública.

A Organização Mundial de Saúde desdobra-se em contacto para que os poderes políticos façam alguma coisa para o superar e há países que começam a reagir.

A Austrália foi um deles, avançando uma medida muito afirmativa: retirará subsídios a famílias que não aceitem vacinar os filhos. O primeiro-ministro, que, nesta matéria, tem o apoio da oposição, declarou “... as pessoas podem, se quiserem, não vacinar as suas crianças mas, se elas não forem vacinadas, excluindo questões religiosas e de cariz médico, não estarão qualificadas para receber os benefícios estatais correspondentes. Basicamente, o que isto quer dizer, é que sem vacina não há pagamento por parte do governo.”

Ora, esta medida não protege necessariamente todas as crianças.

Haverá famílias que, acreditando na dita ideia, preferirão não vacinar as suas crianças, mesmo perdendo os subsídios estatais. E haverá famílias de certas religiões que estão à partida excluídas da obrigatoriedade de vacinação. A punição económica e a compreensão religiosa que aqui estão em causa são direccionadas aos adultos, não são direccionadas às crianças.

Ou seja, tanto as crianças de umas como de outras famílias ficarão em risco. E isso não pode ser porque as crianças não são propriedade dos adultos; os adultos têm o dever de cuidar delas, se a família falha tem de ser o estado ou outra entidade credível. Mas alguém tem de velar directamente pela sua vida.

Isto devia ser elementar!

É PRECISO UMA MUDANÇA DE POLÍTICA NA FCT

Agora que se aproxima a nomeação de um(a) novo(a)  presidente da FCT, relembro as declarações que fiz ao Público há dias. O que é preciso é uma nova política de ciência e não apenas uma nova pessoa, até porque a política de ciência necessita de estabilidade, precisa de ir para além dos ciclos eleitorais. A nova Presidência não ganhará a confiança de ninguém se não reconhecer os terríveis erros passados. Do ministro
Nuno Crato, em particular, espera-se uma mudança de atitude relativamente à ciência e à cultura científica, áreas que lhe têm passado muito ao lado. Ele enganou-se na nomeação anterior e não se pode enganar na próxima nomeação.
"O que preocupa agora Carlos Fiolhais, físico da Universidade de Coimbra – e um dos cientistas mais críticos das actuais políticas científicas, a que deu voz no blogue De Rerum Natura – é quem se seguirá à frente da FCT e que políticas científicas é que aí virão. “A escolha do ministro [da Educação e Ciência] revelou-se errada. O presidente da FCT perdeu o capital de confiança dos cientistas. Isolou-se completamente, não dava explicações a ninguém. A sua carreira de gestor público foi um desastre”, aponta Carlos Fiolhais. 
“E preciso agora acertar na escolha: alguém que mereça a confiança da comunidade científica e que ressuscite a ciência, que foi a principal prejudicada. É preciso que haja isenção e transparência”, acrescenta o físico. “Não chega apenas mudar de pessoa, é preciso mudar de políticas e de atitude: que o ministro seja o ministro da Ciência.”

BARTOLOMEU DE GUSMÃO ENTRE O MITO E A REALIDADE


LOBO EM PELE DE CORDEIRO


Mensagem recebida do Rómulo: 

Na próxima 3ª feira, 14 de Abril de 2015, pelas 18h realiza-se no RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra a palestra intitulada "Novas substâncias psicoactivas: lobo em pele de cordeiro", com Alexandre Quintas, Director do Laboratório de Ciências Forenses e Psicológicas Egas Moniz.  Esta palestra insere-se no ciclo "À Luz da Ciência", dinamizado pelo bioquímico António Piedade, que decorre de Fevereiro a Junho de 2015.

Público alvo: Público em geral
ENTRADA LIVRE


Sobre a palestra:
"O consumo de Novas Substâncias Psicoactivas (NPS) é um problema de saúde e social a nível global. Diversos estudos mostram que mais de 10% dos estudantes do ensino secundário consome misturas herbais ou sais de banhos. A escolha destes produtos por parte dos consumidores deve-se maioritariamente à sua pretensa legalidade, acesso facilitado e difícil detecção em testes laboratoriais. Os produtos mais consumidos são misturas herbais contendo canabinóides sintéticos, pretensos sais de banho (‘‘bath salts”), contendo catinonas sintéticas e diversas tabletes ou cápsulas frequentemente descritas como “party pills” contendo piperazinas. Um elevado número de relatórios clínicos tem reportado lesões cerebrais em adolescentes induzidas pelo consumo de NPS e diversos estudos apontam as catinonas sintéticas como neurotóxicas. O desconhecimento por parte do grande público dos efeitos nefastos dos NPS, muitas vezes superiores ao das substâncias ilícitas, em conjunto com a ausência de informação científica dos mecanismos de toxicidades destas novas substâncias coloca-nos perante desafios sociais sem precedentes. Adicionalmente deve ser referido que as NPS são substâncias com um forte impacto psicoactivo, muitas vezes superiores aos das drogas que mimetizam, como as anfetaminas e a canábis."

Religião e Mulher

Mensagem recebi dos organizadores:

Vai ter lugar mais uma sessão do projeto 'Palavras no Tempo', uma parceria da Universidade do Porto, do Centro Nacional de Cultura e da Gradiva, cuja descrição e informações adicionais se encontram em:

http://pnt.up.pt

A sessão de Sta MARIA DA FEIRA terá lugar na Biblioteca Municipal de Sta Maria da Feira.
O evento deste mês tem o tema "Religião e Mulher" e conta com Teresa Lago e Teresa Toldy. Será pelas 21h 15m, no dia 17 de abril de 2015, sexta-feira. A entrada é livre.

Em associação a este evento, acontecerá a sessão:

"Educação, Ciência e Religião", na Escola secundária de Sta Maria da Feira, para alunos do ensino secundário, no dia 17 de abril, sexta-feira, às 11h.

O evento do mês seguinte será em Oliveira de Azeméis, na Biblioteca Municipal Ferreira de Castro, com o tema "Religião e Poesia", no dia 22 de maio de 2015, sexta-feira, 21h 15m. Os convidados serão João Luís Guimarães e Pedro Mexia.

Os eventos futuros, um por mês e às sextas-feiras, terão lugar até dezembro de 2015 e podem ser consultados em

http://pnt.up.pt/?cat=11

sábado, 11 de abril de 2015

"Não se fala latim nem no Facebook nem no Twitter"

Pour en finir avec le latin et le grec

Agradeço a referência do leitor João Viegas ao artigo do Libération acima identificado e que pode ser encontrado aqui

Sei francês mas não sei latim, pelo que, infelizmente, não pude compreender todas as "nuances" do texto, mas nele percebi uma fina e incisiva crítica ao disparate que é o afastamento desta língua dos currículos escolares em alguns países da Europa,

Efectivamente, Portugal conseguiu praticamente a sua extinção, e agora Espanha e França seguem-nos. Neste processo, o que neste países é diferente do nosso é a reacção de pessoas individuais ou em associação.

Enfim, as reformas curriculares mais recentes destes países está a impedir que uma parte substancial do conhecimento que faz parte da herança ocidental desapareça dos nossos horizontes. Há-de ficar guardada, um dia alguém a recuperará, mas as próximas gerações - quantas serão? - não terão possibilidades de usufruir dela.

Os argumentos que (ironicamente) Pascal Engel convoca no seu texto são usados (sem ironia nenhuma, de modo muito sério até) em múltiplos textos que leio, respeitantes ao que e escola deve oferecer:
- este mundo em que vivemos é completamente diferente, está em mudança, e não podemos educar para o um mundo que já passou mas para o dinâmico presente;
- o conhecimento mais erudito não serve para nada a não ser para manter o poder de certas elites, e insistindo-se nesse conhecimento estamos a aumentar as desigualdades sociais;
- esse conhecimento, para quem o quiser aprender, está disponível algures na internet, pelo que escusa de estar contemplado no currículo, o qual deve contemplar sobretudo componentes úteis, funcionais capazes de facultar a integração no mercado de trabalho;
- etc, etc, etc.

Devemos preocupar-nos.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

"Quando os prazos são a única forma de fazer política"

Chamo a atenção para o artigo do biólogo Gonçalo Calado, com o título de cima, saído no Público há poucos dias. Até ao fim da presidência do ex-presidente a gestão da FCT foi sempre amadora, casuística e incompetente. Ler aqui.

DEstaco:

"Quem vier a liderar o sistema científico e tecnológico nacional encontrará o triste desafio de despender grande parte da sua energia a colar os pedaços de um edifício que deixou ir as suas fundações embora, feitas de gente pertencente à geração mais formada de sempre, resultante de uma das maiores apostas em capital humano que todos fizemos nas últimas décadas."

O Latim na Europa

Enquanto diversos países europeus foram, por via de reformas educativas, afastando o Latim do centro do currículo (sendo o caso mais dramático o de Portugal, encontrando-se aqui praticamente extinto), a Alemanha tem-no mantido e agora reforça-o tanto nas escolas como nas universidades.

Pode ler-se uma notícia sobre este assunto aqui.

O REGENERACIONISMO IBÉRICO: MESA REDONDA E FILME NO INSTITUTO CERVANTES



 

MESA REDONDA: REGENERACIONISMO IBÉRICO: FRANCISCO GINER, BERNARDINO MACHADO E O NASCIMENTO DAS INSTITUIÇÕES PEDAGÓGICAS EM ESPANHA E PORTUGAL, 14 de Abril, 18:30h

 Em 2015 comemora-se o 75º aniversário da morte de Francisco Giner de los Ríos (Ronda, Málaga, 1839 - Madrid, 1915) (na imagem).  Com o título La España de Giner de los Ríos y su legado (Efeméride de Giner de los Ríos y la Institución Libre de enseñanza, en el 75 aniversario de su muerte) o IC realiza um ciclo de conferências para resgatar a memória e o legado desse insigne político e humanista. É neste âmbito que o Instituto Cervantes de Lisboa organiza a Mesa Redonda Regeneracionismo ibérico: Francisco Giner, Bernardino Machado e o nascimento das instituições pedagógicas em Espanha e Portugal. Contando com a presença dos oradores Carlos Fiolhais (Universidade de Coimbra) e Juan Pérez de Ayala Jiménez-Fraud (Fundación José Moreno Villa), a conversa focará o nascimento de duas Instituições educativas na vanguarda da Europa daquela época, o “Instituto de Coimbra” e a “Residencia de Estudiantes”, ambas fruto de um espírito político e pedagógico comum e de relações intelectuais e institucionais que aquele possibilitou, marcando também um período único nas relações entre Espanha e Portugal. A apresentação estará a cargo de Manón Funes Hurlé (Directora do Colégio Espanhol de Lisboa "Hermenegildo y Francico Giner de los Ríos")

15.04.15 Quarta, 17.30h, INSTITUTO CERVANTES PROJEÇÃO DO DOCUMENTÁRIO:

Hablaremos de esto dentro de 100 años (acerca da Residencia de Estudiantes), Rafael Zarza, 2010, 50’, M/6, VO: castelhano, sem legendas. A partir de materiais fotográficos e fílmicos de arquivo, alguns deles inéditos, realiza-se um roteiro pela história, tanto pública como privada, do espírito que representou a Residencia de Estudiantes desde a sua inauguração, em 1910, até rebentar a guerra civil.

 ENTRADA LIVRE


quinta-feira, 9 de abril de 2015

O futuro das Bibliotecas

Informação recebida da Associação de BAD (Bibliotecários, arquivistas e Documentalistas):

No arranque do Ciclo de Seminários de 2015 a BAD realiza no próximo dia 15 de Abril, no Pequeno Auditório da Biblioteca Nacional de Portugal em Lisboa, o seminário “Do foco ao fluir: tendências de futuro para as bibliotecas” .

O seminário estará a cargo de Tatiana Sanches (vencedora do Prémio Raul Proença 2013) e terá como objetivo conhecer as principais tendências na organização das bibliotecas académicas no futuro próximo e como estas estão a ser afetadas pelas alterações sociais, tecnológicas e educacionais.

Esta reflexão será realizada a partir da identificação de características de funcionamento e organização das bibliotecas académicas, à luz das teorizações da psicologia, em particular dos conceitos de focus e flow.

Aberto aos bibliotecários e outros profissionais de informação, estudantes do ensino superior e professores, e outros profissionais com interesse em adquirir conhecimentos nesta matéria.

A inscrição deve ser realizada antecipadamente através do formulário em linha. Para mais informações consulte o programa ou contacte a Associação através do e-mail formacao@bad.pt.

No sábado há Famelab na Gulbenkian


No próximo sábado, 11 de Abril, 21 candidatos vão pôr à prova o seu talento como comunicadores de ciência na semi-final do Famelab 2015, que terá lugar na Fundação Calouste Gulbenkian (Auditório 3), durante todo o dia.

O Famelab é um concurso internacional de Comunicação de Ciência onde estudantes, investigadores e outros profissionais de mais de 20 países mostram o seu talento numa performance de 3 minutos sobre um tópico de ciência ou tecnologia, frente a uma audiência ao vivo, e só recorrendo a palavras e gestos.
Neste dia serão apurados 10 finalistas. Segue-se uma formação intensiva com um especialista internacional, que irá preparar os candidatos para a final do concurso que se realiza no Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva, dia 9 de Maio. Nessa altura será escolhido o representante português que irá participar na grande final internacional, em Junho, no Cheltenham Science Festival.

A edição do Famelab 2015 é organizada pela Ciência Viva, British Council e Fundação Calouste Gulbenkian.


Contamos com a sua presença. A entrada é livre.

Uma Biografia da Luz

Com os agradecimentos ao autor e à editora deixo aqui uma das "pinceladas" iniciais do livro "Uma Biografia da Luz ou A Triste História do Fotão Cansado" do físico José Tito de Mendonça, professor do Instituto Superior Técnico, que está quase a sair na Gradiva, na colecção Ciência Aberta, assinalando o Ano Internacional da Luz.

"Neste capítulo inicial esboço as minhas motivações e os meus objectivos. Faço‑o em pinceladas largas, como num quadro fauvista, procurando captar a atmosfera da ciência, e do que nela habita. Quando se fala da luz, ou de qualquer parcela da física, fala‑se ao mesmo tempo de ondas e de partículas. Mas esses dois conceitos não se excluem completamente: as suas relações são complexas, como provam os conceitos mais elaborados de campo e de quase‑partícula. O meu objectivo neste livro será o de tentar tornar plausível o aparecimento e o uso desses conceitos, e de mostrar que a física e a ciência em geral são uma extensão dos conceitos comuns do nosso dia‑a‑dia. Uma extensão mais elaborada e refinada, que por vezes implica rotura.

Começo com uma paisagem de Verão. Estava no Sudoeste Alentejano, junto à costa onde o continente euro‑asiático se cansa de viajar desde a longínqua Sibéria e se despenha subitamente no Atlântico. Como se lhe faltasse energia, ou matéria, para ir mais longe. Também eu, nesse langoroso mês de Agosto, não conseguia ir mais longe. Ficava‑me pela praia, e pela tarde bebia um fresco vinho branco. No meio da ociosidade, procurava ganhar algum recuo do meu trabalho no ensino e na investigação, do penoso e obsessivo trabalho de escrever artigos, e tentava perceber o que move o cientista, e como se gera o conhecimento.

1. O pescador irrequieto

Lá na praia da Carraca havia um pescador irrequieto. Estava num penhasco, à beira do mar, e a espuma das ondas salpicava‑lhe a face. Movia a cana, lançava o anzol, ficava de costas para o farol. Quando eu esperava que tudo se aquietasse, mudava de poiso, mexia no saco, voltava a sentar‑se,
para mais tarde se virar.

Não conseguia ficar quieto. Ele era a antítese da ideia de pescador, o calmo e pensativo pescador, que fica à espera que o peixe morda, indefinidamente. Que talvez beba a sua pinga, a sua aguardente. Mas que fica embrenhado nos seus pensamentos, que contempla o tédio à espera de um sinal, sem ilusões nem esperança.

Conheço dois colegas de São Paulo que todos os sábados vão pescar para uma lagoa. Levam um frasco de cachaça e vão bebendo. Quando, por engano, algum peixe morde as suas canas, retiram‑no
do anzol e voltam a lançá‑lo para a água. Quando a cachaça acaba e o Sol declina, eles recolhem as canas e voltam para a cidade satisfeitos. Não foram pelo peixe, que lançaram fora.

Foram pela pinga e pelo silêncio. Mas este pescador que eu vejo agitar‑se no alto de um penhasco não é como eles. Talvez tenha aguardente no saco, mas não veio pela calma nem pelo silêncio, já que as ondas e o vento fustigando as rochas aqui fazem muito ruído. E certamente está interessado na pescaria, seja robalo ou safio.

Pensei então que ele se assemelhava ao investigador, pelo menos a um investigador como eu, cujo cérebro está em permanente desconforto. Foi assim que eu comecei este livro, irrequieto e insatisfeito, a partir de uma ideia que não conseguia bem captar, mas que lentamente germinava.
Estava eu em Inglaterra em 2005, no Ano de Einstein, quando me pediram para dar um seminário no
RAL (Rutherford‑Appleton Laboratory), integrado num ciclo de comemorações. Alguns anos depois, ele desaguou neste texto, depois de alguns cortes e muitos acrescentos.

Nesse seminário, eu tentava realçar o papel de Einstein na formação da teoria quântica moderna, e na
formulação do conceito de fotão, a partícula da luz. Também o gravitão, a partícula da gravidade, para a qual não existe ainda uma teoria quântica, emerge da teoria da gravitação de Einstein com uma pujança que os próximos anos irão certamente acentuar.

Durante esse Ano de Einstein, eu apreciara conduzir à direita pelas estreitas estradas de Inglaterra, através de campos de um verde intenso. Tinha alugado uma casa em Didcot, a poucas milhas do laboratório, onde vivi vários meses quase sempre sozinho. Vinha a Lisboa todos os quinze dias. Não tive muito tempo para pensar no dito seminário, e rapidamente o esqueci. Mas o desejo de escrever um texto para o grande público permaneceu.

Há uma certa ideia de ciência que permanece no grande público, de onde a imaginação e o lado lúdico parecem estar arredados. Ora isso não é de todo verdade, sendo a imaginação e a criatividade tão importantes em ciência como na arte. Fazer um trabalho científico é como pintar um quadro, onde o esboço, a experimentação e também o sentido estético desempenham um papel dominante. É isso que vou tentar mostrar.

Um dos primeiros preconceitos tem a ver com o aspecto resguardado da ciência, julgando‑se
que só acontece nos antros fechados dos laboratórios. Ora, pelo contrário, a ciência está em cada momento e em toda a parte: o nosso objecto de estudo chega‑nos de todos os lados.

Durante todo o dia estamos no chuveiro, apanhamos duche o ano inteiro. Mas não são gotas de água, são partículas, que nos entram pela cabeça e nos saem pelos pés, ou ao invés. Parte dessa chuva é vista pelos nossos olhos, de maneira directa como os fotões da luz solar, ou de maneira indirecta como os electrões que criam as auroras boreais. A outra parte é vista pelos instrumentos, como no caso dos raios cósmicos, que são essencialmente protões, ou no caso dos neutrinos. Quanto aos gravitões, ainda ninguém os viu, mas devem andar por aí, pois existem provas indirectas da sua existência.

Onde quer que estejamos, temos sempre a pairar sobre nós uma chuvada cósmica dos mais diversos tipos de partículas elementares, sejam fotões, electrões, protões ou neutrinos. Mas o que são partículas, e porquê elementares, e até que ponto são elementares? Por detrás de cada afirmação está pelo menos uma pergunta, quando não um cardume delas, como diria o pescador irrequieto. A minha postura neste livro é também um tanto irrequieta.

Na terceira de uma série de seis conferências que Calvino proferiu na Universidade de Harvard em 1984, ele confessou: «Já desde a juventude tinha escolhido por divisa a antiga máxima latina Festina lente, apressa‑te lentamente» A prosa e a poesia seriam as duas formas literárias da lentidão e da pressa. Por temperamento, o meu discurso está mais perto da pressa. «O discorrer é correr», como diz Calvino a propósito do diálogo de Galileu, Dialogo dei massimi sistemi. O escritor identifica os personagens de Salviati e de Sagredo com as «duas facetas distintas do temperamento de Galileu:
Salviati seria o pensador metodologicamente rigoroso, que avança lentamente e com prudência; enquanto Sagredo se caracteriza pelo seu ‘velocíssimo discurso’, por um espírito mais virado para a imaginação, propenso a extrair consequências não demonstradas2». Se fosse pescador, Sagredo seria irrequieto.

(...)"

José Tito de Mendonça

Encontros imaginários

Informação recebida do encenador Helder Costa, da Barraca, em Lisboa:

Balanço Encontro Imaginário – Goering, Leonardo da Vinci, Chu–en– Lai

 O cronista José Vitor Malheiros personificando o verdadeiro “Principe da Renascença" que foi o pintor, escultor, arquitecto, estudioso da Ciência e inventor extraordinário do Futuro, Leonardo da Vinci, estabeleceu o ponto de equilíbrio da Cultura entre o debate ideológico dos outros participantes. Goering , o nº 2 de Hitler, o herói aviador da I Guerra Mundial, teve a força da arrogância e da petulância que João Almeida, da Direcção de Programas da Antena 2 lhe conseguiu transmitir, em contraponto com a representação calma, pacífica e sorridente do jovem cantautor João Afonso apresentando o grande diplomata Chinês Chu–en-lai. Na 2ª parte João Afonso cantou as suas mais recentes criações acompanhado por Rogério Cardoso Pires. Foi mais uma noite memorável e feliz.

 No próximo dia 20 de Abril temos um Encontro que se insere logicamente nas habituais festas do 25 de Abril : O ELENCO será César Borgia - Domingos Lopes, advogado Cagliostro - Carlos Consiglieri, professor José Afonso - Francisco Fanhais, cantautor II Parte – Canções com Francisco Fanhais

 Reservas para 213965360


LIVROS DE ABRIL DA GRADIVA

Informação sobre as novidades que a Gradiva publicará durante o mês de Abril:

José Tito Mendonça
Uma Biografia da Luz Ou a Triste História do Fotão Cansado

Celebrando ‑se em 2015 o Ano Internacional da Luz, este en‑ saio sobre a natureza e as propriedades da luz divulga o conhecimento sobre este tema fundamental e apaixonante da física e faz sobre ele uma reflexão acessível e cativante. O autor, professor e investigador de reconhecido mérito, aborda os conceitos com recurso a histórias e a exemplos. Inclui testemunhos sobre a ciência e a vida, bem como episódios pessoais da sua actividade científica. «Ao contrário do que muita gente julga, e do que os próprios cientistas quase sempre fazem crer, os conceitos científicos não são muito diferentes daqueles que usamos no dia‑a ‑dia», refere o autor deste livro que, interessando a especialistas, pode ser lido por um público não especializado.

«Ciência Aberta», n.º 211, 276 pp., € 13,50
http://www.gradiva.pt/?q=C/BOOKSSHOW/8003



Paul Boghossian
O Medo do Conhecimento Contra o Relativismo e o Construtivismo

Este é um livro breve, lúcido e espirituoso, cujo interesse vai além do campo da filosofia, destinando ‑se também ao leitor comum. Esclarece os fundamentos do conhecimento, da sua objectividade e da sua justificação racional, que muitos alegam terem sido seriamente abalados. Expondo o que considera serem os melhores argumentos a favor das concepções relativista e construtivista da verdade, o autor avalia ‑os criticamente, procurando mostrar os vícios de raciocínio e os erros conceptuais em que assentam. «Tanto pelas matérias abordadas como pela execução, este livro vai ser um pequeno clássico de análise filosófica.» J. White, Choice

«Filosofia Aberta», n.º 27, 172 pp., € 13,00
http://www.gradiva.pt/?q=C/BOOKSSHOW/8004


Kazuo Ishiguro
O Gigante Enterrado

JÁ EM NÚMERO 1 NO TOP INGLÊS DOS LIVROS MAIS VENDIDOS

Há muitos anos, num local de fronteiras distintas das actuais, viveu um casal de idosos, Axl e Beatrice. Um dia partiram ambos à procura do filho, de quem pouco se lembravam. Uma amnésia colectiva parecia ter
‑se instalado na zona, como uma névoa de esquecimento geral. Esta história sobre memórias perdidas, amor, vingança e guerra, recua a um tempo habitado por cavaleiros do rei Artur e monges, ogres e dragões. Entre eles está Querig, sobre quem recaem as atenções, por diferentes motivos. Depois de dez anos sem publicar ficção de fôlego, Ishiguro, um dos grandes autores contemporâneos, regressa com uma história inesperada, que permanece na memória.
«Gradiva», n.º 155, 412 pp., € 16,00
http://www.gradiva.pt/?q=C/BOOKSSHOW/8002

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A grande literatura na Gradiva

A melodia do remorso Em A Balada de Adam Henry, de Ian McEwan*
* Excertos da crítica e da entrevista de José Mário Silva, Expresso, Revista E, 21/3/2015

Noutras mãos, esta história poderia facilmente reduzir ‑se a um esquema quase simétrico, entre o vazio de uma ligação que Fiona corta cerce (assustada com a intensidade dos sentimentos de Adam) e a hipótese de uma redenção conjugal. McEwan revela ‑se, felizmente, muito mais subtil do que isso. O que lhe interessa é cartografar o que não se vê, as minúsculas deslocações nas «linhas de fratura» entre as pessoas, movimentos quase tão impercetíveis «como a deriva continental». O apuro da escrita atinge o apogeu nas páginas finais, quando McEwan transforma a prosa em música, à sombra de Bach, Schubert, Berlioz, Britten, e se aproxima da atmosfera no mais belo conto em língua inglesa («The Dead» do livro Dubliners, de Joyce).

Nas conversas que teve com vários juízes, antes de escrever o livro, o que aprendeu sobre o modo como eles pensam e veem o mundo? O que aprendi, e lamento soar tão banal, foi que há bons juízes e maus juízes. O mesmo julgamento pode resultar numa pena de prisão ou numa multa, dependendo da personalidade do juiz, de como ele se sente naquele dia. Há muita sorte e acaso envolvidos no processo todo. É uma coisa muito humana. Não é uma ciência exata. [...]

É curioso que diga isso porque o efeito no leitor é o oposto. Tudo na sua prosa parece fluir com facilidade. Fico contente que o diga, mas não fluiu para mim. Fiquei muitas vezes frustrado, enquanto escrevia.

Tal como noutros livros, neste a música tem muita importância. É verdade. A música faz parte da minha mobília mental e nem sequer tomo decisões conscientes sobre ela. Está na minha respiração. A vida sem música não faria qualquer sentido. [...] Alguma vez imaginou que pudéssemos alcançar o atual estado de barbárie? Infelizmente, sim. O islamismo, que não deve ser confundido com o Islão, é uma ideologia muito poderosa, fornece muita segurança e certezas, está cheia de absolutos. E há muitas pessoas perdidas no mundo que se agarram a essas certezas.

«Obras de Ian McEwan», n.º 17, 192 pp., € 14,00


NOVO GRANDE ROMANCE DE UMBERTO ECO, JÁ NO TOP DOS MAIS LIDOS EM ITÁLIA, TEM EDIÇÃO PORTUGUESA EM MAIO

Umberto Eco é um brilhante contador de histórias. Este novo romance começa numa redacção de um jornal. Para esse periódico, cuja redacção foi reunida à pressa, o interesse em vender sobrepõe ‑se à veracidade dos factos. Intriga, chantagem e reportagens ignóbeis têm, por isso, espaço nas suas páginas. Contudo, há mais do que jornalismo, ou mau jornalismo, nesta obra de ficção. As ligações estabelecidas pelo autor para dar corpo a esta narrativa entram no terreno da política e do terrorismo, sem esquecer os serviços secretos. Este é um livro que se lê avidamente, de um grande autor que surpreende sempre!

Os livros de Abril estarão disponíveis para venda a partir do dia 17 de Abril.


CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO

 Convite recebido dos Organizadores:


Um grupo de docentes e alunos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa convida-o a estar presente no Fórum “Pela Língua Portuguesa, diga NÃO ao «Acordo Ortográfico» de 1990”, que pretende debater as consequências nefastas da aplicação do “Acordo Ortográfico” de 1990.
A sessão, organizada por Cristina Pimentel, Helena Buescu e Teresa Cadete, decorrerá no dia 14 de Abril, terça-feira, a partir das 18h, no Anfiteatro I da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Cidade Universitária).

A iniciativa terá duas partes:
1.ª) Intervenções dos oradores: António Chagas Dias (tradutor; Associação Portuguesa de Tradutores), António Feijó (Vice-Reitor da Universidade de Lisboa, Professor da Faculdade de Letras), Casimiro de Brito (Poeta, ex-Presidente do PEN Clube Português), Duarte Bénard da Costa (Movimento contra a "aplicação" do AO90 aos exames nacionais; aluno do Liceu Camões), Francisco Miguel Valada (tradutor nas Instituições da União Europeia), Maria Filomena Molder (Professora Catedrática da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa) e Nuno Pacheco (jornalista, Subdirector do Público).
Serão lidas mensagens de António Bagão Félix, António Garcia Pereira, Gonçalo M. Tavares, Isabel Pires de Lima, João Braga, Manuel Alegre e Miguel Tamen.
2.ª) Debate com o público presente, em que também intervirão, designadamente: Ana Isabel Buescu, Bárbara Wong, Gastão Cruz, Henrique Leitão, Ivo Miguel Barroso, Maria Alzira Seixo, Maria do Carmo Vieira, Mário de Carvalho,Pedro Mexia, Ricardo Araújo Pereira, Teolinda Gersão e Teresa Cid.
 
Pedimos-lhe uma ampla divulgação deste evento entre os seus contactos.
 
Para qualquer informação suplementar que entenda necessária, disponibilizamos os contactos das organizadoras:

Cristina Pimentel (Professora Catedrática do Departamento de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa): mpimentel1@campus.ul.pt; telefone do Centro de Estudos Clássicos: 217920005.
Helena Buescu (Professora Catedrática do Departamento de Literaturas Românticas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa): h.buescu@netcabo.pt;
Teresa Cadete (Professora Catedrática do Departamento de Estudos Germanísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa): trcadete@googlemail.com.

A EDUCAÇÃO DURANTE O ESTADO NOVO (2)

Segundo texto de uma série de doze, retirados do livro Antes dos Cravos  doo Professor António Galopim de Carvalho (em continuação do anter...