The flawed evaluation of Portuguese research units conducted by the ESF and FCT

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Homagem de uma professora de Física a Mariano Gago


A professora de Física reformada Regina Gouveia publicou no seu blog Do Caos ao Cosmos uma homenagem a José Mariano Gago, que é decrto partilhado por todos os professores de Física e, mais em geral, de ciência (e até mais em geral)
. Publica algumas páginas do livro de Gago "Homens e Ofícios", que merece decerto uma reedição:

http://docaosaocosmos.blogspot.pt/2015/04/obrigada-mariano-gago.html


I Encontro em Ensino e Divulgação das Ciências

Informação recebida da Universidade do Porto (clicar na figura para ver melhor):


Em nome da Comissão Organizadora, temos o prazer de o convidar para participar no I Encontro em Ensino e Divulgação das Ciências’, organizado pela Unidade de Ensino das Ciências, que  terá lugar na Faculdade de Ciências da Universidade de Porto, no dia 8 de julho de  2015.


Pretende-se com este evento sensibilizar para as questões de educação e  comunicação científica, bem como fomentar a formação avançada de  professores  - promovendo melhorias na prática letiva -  e divulgadores -  potenciando o desenvolvimento de aptidões de dinamização de museus e  espaços de divulgação e de comunicação científica. 

O evento – composto por sessões plenárias, sessão de posters e workshops -  já se encontra acreditado, pelo Conselho Científico-Pedagógico da  Formação Contínua, com 0,5 créditos.

Poderá encontrar mais informações consultando o flyer que se segue e visitando a página web do evento: http://eedc.fc.up.pt/

Contamos com a sua presença para promover o Ensino e a  Divulgação das Ciências!

PRIMEIRO GRANDE ESTUDO SOBRE EXAMES NACIONAIS

Ler aqui informação da Universidade de Coimbra.

TERESA DE SOUSA SOBRE MARIANO GAGO

Teresa de Sousa, reconhecidamente uma das nossas melhores jornalistas, escreve no Público de domingo sobre José Mariano Gago. Excerto (sublinhados meus):

"(...) Sou obrigada a falar de Mariano Gago, que faleceu na sexta-feira aos 66 anos de idade. Há algumas coisas que sinto o dever de dizer, mesmo que não sejam as mais importantes.

Conheci-o na revolta estudantil de 1969. Os laços de cumplicidade que se forjaram aí resistem a tudo. Era presidente da Associação do Técnico, eu estava em Económicas mas a convivência era constante enquanto durou a crise. Não era um contestatário igual a muitos outros. Lia com certeza Marx e Engels, mas também os clássicos da literatura. Já era o que sempre foi. Mais preparado, mais inteligente, a ver um pouco mais longe do que a Grande Revolução Cultural Proletária. São estas as minhas memórias mais longínquas. A última vez que falámos foi no almoço de aniversário do dr. Soares, em Dezembro. Estava igual a si próprio, sempre afável, nem dei por que estivesse doente. Ontem vi na televisão um reconhecimento da sua obra bastante generalizado. Não consigo avaliar com rigor o grau de hipocrisia de algumas das declarações, mas, pelo menos, este reconhecimento do seu papel crucial para nos colocar em matéria científica muito mais próximo do nível dos países europeu mais desenvolvidos, significa alguma coisa. Por uma vez, o país teve sorte: Mariano Gago teve tempo para consolidar a sua política através do critério imbatível dos resultados, porque esteve doze anos, primeiro no Ministério da Ciência e, depois, da Ciência e do Ensino Superior. A breve interrupção de dois anos (Barroso-Santana) não chegou para destruir o que ele já deixara feito. Hoje, quando vemos os nossos cientistas a brilhar lá fora, mas também cá dentro, nos centros de investigação de excelência, ninguém pode negar aquilo que o país lhe deve. O mérito também é dos chefes dos Governos a que pertenceu. Em primeiro lugar, de António Guterres, com os Estados Gerais que organizou para lançar as bases do seu programa de Governo. Foi aí que Mariano Gago apresentou as suas propostas revolucionárias (é mesmo o termo, porque eram absolutamente contrárias aostatus quo universitário, fechado, hierarquizado, feito de capelas e capelinhas que defendiam do alto das suas cátedras tudo o que os não pusesse em causa). A maioria das políticas que apresentou foi realizada. Abriu a ciência e o ensino superior ao mundo, incluindo a internacionalização da avaliação, apostou na criação de uma nova elite científica preparada lá fora, que não aprendeu só a ciência mas também o modo como ela era feita nos países mais avançados. Em suma, colocou-nos no mapa científico europeu, vencendo resistências que pareciam impossíveis de vencer tendo como meta a excelência. Hoje, se os miúdos começam de pequenos a entusiasmar-se pelas coisas científicas, é graças ao Ciência Viva. Sem alarde, deixou ao país um legado único e, verdadeiramente, a coisa mais importante que pode ainda garantir um futuro aos nossos filhos e aos nossos netos. Hoje, toda a gente lhe tece elogios, mas foi contestadíssimo enquanto governou pelos mesmos que agora se curvam perante o seu contributo nacional. Assisti a vários episódios desses. Lembro um. Quando Mariano Gago lançou as parcerias com algumas grandes universidades americanas, como o MIT, assisti de boca aberta, confesso, a críticas ferozes à sua mania das grandezas. Como sempre acontece neste país, os que diziam isso deixaram de falar sobre o assunto a partir do momento em que os resultados se tornaram óbvios.

Lembrarmo-nos disto tudo é tanto mais importante quanto a mentalidade da maioria que nos governa vai em sentido contrário e muita gente que lhe é afecta tenta convencer-nos todos os dias que criámos doutorados a mais e para nada. Olham para a ciência como uma fábrica de salsichas, que se liga ou desliga conforme as necessidades e ignoram um facto primordial: a ciência precisa de uma massa crítica vasta e sólida para produzir a excelência e competir lá fora. É o mesmo com a educação. Os países que hoje são ricos e desenvolvidos, acabaram com o analfabetismo no início do século XX. Nós, sem esse efeito acumulado e irrepetível, temos um esforço muito maior a fazer. E como não temos (nem podemos ter) salários mais baixos do que Marrocos ou o Vietname, também não temos grande alternativa a não ser utilizar aquilo que acumulámos. Perceber isto é quase intuitivo. Quando ouço pessoas a brandir contra o excesso de doutorados (nem sequer comparam com a média europeia, da qual só agora nos estamos a aproximar), alegando que não têm emprego, dá-me vontade de sacar, metaforicamente, da pistola. Sejam quais forem as dificuldades, esses doutorados sabem pelo menos que dispõem de ferramentas que mais tarde ou mais cedo lhes serão fundamentais para construir um futuro melhor. O saber que adquiriram é-lhes útil, mesmo para fazer outras coisas. Quando Passos Coelho vai ao Japão dizer que a nossa economia se prepara para ser um das mais competitivas do mundo (fiquei de boca aberta), não está a pensar nos doutorados, está a pensar nos salários baixos. O risco é que um dia destes as famílias, que compreenderam que deviam investir na educação dos filhos mesmo com imensos sacrifícios, comecem a achar que não vale a pena. (...)"

Teresa de Sousa

domingo, 19 de abril de 2015

"Aprender melhor para ter mais sucesso"

As últimas mudanças curriculares que estão a ser divulgadas na Europa - por exemplo, na Finlândia, em Espanha e em Françaparecem passadas a papel químico. Todas dependentes de orientações (leia-se, directrizes) de instâncias internacionais como a OCDE ou a UE, têm por lema a preparação das novas gerações para o mercado de trabalho.

Nessa medida, os saberes que se têm por mais teóricos, eruditos e distantes do espaço e tempo vivencial são afastados enquanto os que se têm por práticos, funcionais e próximos do espaço e tempo vivencial são reforçados.

Detenho-me na reforma do ensino francês, que será implementada no próximo ano lectivo, onde se sublinha, que é preciso garantir o sucesso escolar de todos (leia-se, esse sucesso escolar) e que, nesse sentido, se reforçam os saberes fundamentais (leia-se, esses saberes), procurando-se uma ligação entre teoria e prática. Isto para que se cumpra o slogan "aprender melhor para ter mais sucesso".


Em termos operacionais, destaca-se nesta reforma, para os vários níveis da escolaridade básica, a introdução do "ensino prático interdisciplinar" - EPI - que desloca a preocupação didáctica da abstração para a contextualização. A aprendizagem passará a ter lugar no âmbito de projectos centrados em oito temas (línguas e culturas da antiguidade; línguas e culturas estrangeiras/regionais; desenvolvimento sustentável; ciência e sociedade; corpo, saúde, segurança; informação, comunicação; cidadania, cultura e criação artística; mundo económico e profissional) que convocam saberes de diferentes disciplinas.

A reforma em geral e, de modo particular o EPI permitirá aos alunos "adquirir, mobilizar e desenvolver saberes e competências" funcionais para o mundo actual e desenvolver o sentido da cidadania. Os professores terão de trabalhar de modo colaborativo e as escolas deverão estar atentas à evolução de cada aluno e de cada turma no sentido de lhes proporcionar um acompanhamento próximo, atempado e flexível.

Enfim, diz a ministra francesa da educação:
"É uma reforma profundamente pedagógica que põe a tónica nas práticas para que os alunos aprendem melhor e tenham sucesso escolar. Uma reforma que tem por base a confiança nas equipas de ensino dando-lhes uma margem de manobra para melhor atender as necessidades dos alunos."
Nada de novo na retórica sobre a educação escolar, apenas a legitimação política o é.

Nota: Para saber mais sobre esta reforma poderão ser consultados diversos textos a partir desta noticia.

Controlo absoluto e o muitíssimo dinheiro

A possibilidade de (através da voz, da imagem, da escrita) se encontrar o rasto de uma pessoa no ciberespaço é, há muito, possível. E, diz quem sabe, fácil e rápido. Daí depressa se passou para a captação das emoções que deixamos transparecer.

Câmaras de vídeo espalhadas por centros comerciais, ruas e sabe-se lá onde mais captam a nossa expressão facial e interpretam-na para que alguém possa saber qual é o estado de alma de cada um nesta e naquela circunstância.

Se ter acesso aos comportamentos de alguém é, para certas mentes, maravilhoso, ter acesso aos seus sentimentos é absolutamente fantástico. De facto, quando as moedas de troca são coisas irresistíveis como o controlo e o dinheiro não se olha para trás nem para os lados, só para a frente.

É isso que certos centros de investigação - que não consigo ver como científica - públicos e privados fazem. Efectivamente, a esses centros - muitos deles ligados a universidades - se deve o aperfeiçoamento da tecnologia que permite o "panóptico sempre ligado". Os subsídios que recebem das mais diversas entidades são de milhões, a aplicação no mercado é imediata e altamente rentável, os prémios estão garantidos e o reconhecimento académico também.

Haverá algum investigador que possa resistir a tudo isto?

Esta foi a pergunta que fiz a mim própria ao ter uma notícia (aqui) do super financiamento - 3,6 milhões de euros - que, recentemente, a Comissão Europeia atribuiu a um projecto que envolve uma empresa privada e uma universidade das civilizadas Inglaterra e Alemanha, cujo objectivo é aperfeiçoar a leitura das emoções através de smartphones e webcams que as pessoas usam, para se ver se elas gostam dos conteúdos veiculados por estes equipamentos.

Não duvido da competência técnica de quem está incluído no projecto, acredito mesmo no que um dos responsáveis disse: dispondo de "uma base de dados com mais de cinco milhões de imagens de caras, cada uma com uma descrição que pode conter informação como se o movimento de uma sobrancelha indica surpresa ou confusão, por exemplo, está-se a “elevar a medição emocional a outro nível”. De momento, a aplicação, destina-se à rentável publicidade, mas no futuro não haverá fronteiras: policial para detecção de mentiras; rodoviária, para detecção de condutores qualquer-coisa.

E é isto mesmo, acreditar na competência de tal gente e saber que o que fazem tem aplicação certa, que me deixa verdadeiramente assustada.

"O político amigo da ciência"

Despacho da Lusa sobre a morte de José Mariano Gago (do sítio da RTP1):
 Lusa 17 Abr, 2015, 22:02 

 "O físico Carlos Fiolhais destacou Mariano Gago, que morreu hoje aos 66 anos, como "o político amigo da ciência", que tornou o setor conhecido e reconhecido em Portugal e no estrangeiro. 

 "Comunicou a ciência de modo a sociedade mudar. Foi o político da ciência, foi ele que pôs a ciência na governação", sustentou à Lusa o docente, assinalando que "há um Portugal antes e depois" do antigo ministro. "Antes, a ciência era pouca, pouco conhecida e reconhecida. Depois dele, há mais ciência, que é conhecida e reconhecida, tanto no país como no mundo", afirmou. 

 O ex-ministro da Ciência e do Ensino Superior José Mariano Gago morreu hoje, em sua casa, em Lisboa, aos 66 anos, vítima de morte súbita, depois de quase dois anos de luta contra o cancro, disse à Lusa a sua secretária. 

 "Choramos a perda de um amigo da ciência, o que significa um amigo do desenvolvimento, da cultura", lamentou Carlos Fiolhais, professor catedrático no Departamento de Física da Universidade de Coimbra, defendendo que o ex-ministro partilhava "o sonho" de "deixar um país diferente, um país melhor". 

 Mariano Gago foi ministro da Ciência e da Tecnologia, de 1995 a 2002, dos XIII e XIV Governos Constitucionais, liderados por António Guterres, e ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em novos governos do Partido Socialista - nos XVII e XVIII governos, de 2005 a 2011 -, desta vez com José Sócrates como primeiro-ministro. Licenciou-se, em 1971, em engenharia eletrotécnica, no Instituto Superior Técnico, onde foi professor catedrático. Doutorou-se em Física pela Faculdade de Ciências da Universidade de Paris, em 1976, foi presidente da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, entre 1986 e 1989, e dirigiu o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, em Lisboa. 

 O funeral realiza-se no sábado, no cemitério de Pechão, Olhão."

DIA MUNDIAL DO LIVRO


O dia 23 de Abril é celebrado em todo o Mundo com a intenção de promover a leitura, os livros e o direito de autor.
A data foi proclamada em 1996 pela UNESCO, que disponibiliza no seu sítio na Internet informação sobre os eventos ao longo dos últimos anos e uma mensagem da diretora-geral, Irina Bukova, para além de várias sugestões e recursos para a comemoração da data, e ainda ligações para as diversas comemorações em todo o mundo.
Em Portugal a data tem sido assinalada ao longo dos anos pela DGLAB e pelos diversos organismos que a antecederam. O dia é igualmente comemorado com atividades de promoção do livro e da leitura em muitas bibliotecas, livrarias e escolas.

Homenagem nacional a José Mariano Gago, segunda-feira, 12h

Mensagem recebida do Reitor da Universidade de Coimbra (esta homenagem realizar-se-á simultaneamente nas universidades, centros de investigação e centros Ciência Viva de todo o país):

Como saberão, o Professor José Mariano Gago faleceu na sexta-feira 
passada, dia 17 de Abril.

O Professor Mariano Gago transformou Portugal, tornando o conhecimento 
avançado num trunfo para o país. A Ciência em Portugal, incipiente 
quando iniciou funções como Presidente da Junta de Investigação 
Científica e Tecnológica em 1987, é atualmente um dos orgulhos de 
Portugal, e a principal esperança para o seu desenvolvimento sustentado 
e estabilidade social.

A Universidade de Coimbra, um dos principais locais de produção de 
conhecimento em Portugal, não pode deixar de se associar a uma 
iniciativa de inúmeros investigadores, de reconhecimento público da 
comunidade científica ao Prof. Mariano Gago, pelo que vos convido todos 
a estarem presentes na segunda-feira dia 20, pelas 12 horas, na Via 
Latina no Paço das Escolas, para uma singela fotografia de grupo, que 
não vos reterá mais do que 5 minutos.

Saudações

João Gabriel Silva
Reitor

Galopim de Carvalho escreve sobre JOSÉ MARIANO REBELO PIRES GAGO (1948-2015)


Texto recebido do Prof. Galopim de Carvalho: 

 Quando se chega à minha idade, já o escrevi, o que mais dói é ver partir os amigos e companheiros e olhar para os que resistem e saber que um dia destes nos iremos despedir deles, mais do que se formos nós a transpor essa passagem que todos temos como certa. Mas, nestes amigos e companheiros, apenas incluía os da minha geração. Não os que ainda julgamos cheios de vida, como era o Zé Mariano para os amigos. Nestes casos, além dessa dor, há a consciência igualmente dolorosa, da perda de um futuro que no caso deste amigo, era particularmente promissor. Conhecemo-nos, nos anos 80, na Livraria Buchholz, num fim de tarde, em Lisboa, em que falámos de divulgação científica. E ficámos amigos. 

Como físico de prestígio, outros mais habilitados do que eu falarão. É dele, como grande impulsionador da investigação científica e paladino da cultura científica, que posso falar com conhecimento de causa. 

 Em 1987, Mariano Gago, então Presidente da ex-Junta Nacional de Investigação Científica (hoje Fundação para a Ciência e a Tecnologia), lançava o “Programa Mobilizador de Ciência e Tecnologia”, no qual tinha cabimento uma componente dinamizadora das Ciências do Mar apresentada publicamente pelos Profs. Mário Ruivo, da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO, Michael Collins, da Universidade de Southampton, R. U., e Michael Vigneaux, da Universidade Bordéus I, França. Na sequência desta iniciativa, João Alveirinho Dias, ao tempo o primeiro e único doutorado em Geologia Marinha, António Ribeiro, meu colega na Faculdade de Ciências de Lisboa, e eu criámos e desenvolvemos um projecto de investigação iniciado como estudo da plataforma continental portuguesa, sediado no Museu Nacional de História Natural. 

Foram instituições participantes neste arranque para as Geociências do Mar: o Instituto Hidrográfico, como parceiro principal, o ex-Gabinete para a Pesquisa e Exploração de Petróleo, o ex-Instituto Nacional de Investigação das Pescas, o Departamento de Protecção e Segurança Radiológica do Laboratório Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial, o Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro, os Departamentos de Geologia da Universidade de Évora e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o Departamento de Ciências da Terra da Universidade do Minho e a ex-Secção Autónoma de Geologia da Universidade Nova de Lisboa. 

Este projecto visou, sobretudo, a formação de jovens investigadores na área da Geologia Marinha, a promoção de acções interdisciplinares, a dinamização da cooperação interinstitucional, a optimização do potencial humano e dos recursos e equipamentos existentes nas diversas instituições envolvidas e, ainda, a criação de um corpo nacional de investigação neste domínio, até então, acentue-se, ausente das nossas universidades. Caracterizado por grande informalismo e por um mínimo de burocracia, constituiu um fórum de permuta de ideias e experiências, de discussão de resultados e de interajuda dos seus aderentes. Com o passar do tempo, evoluiu naturalmente para uma rede de investigação, eficaz e igualmente informal, cujos elementos, dispersos, como se disse atrás, são agora os promotores e os responsáveis pelos seus próprios projectos, em que cada um procura as colaborações mais convenientes e nos moldes que entenda estabelecê-las. 

 Com o indispensável e sempre disponível apoio do Instituto Hidrográfico, ao tempo do Director–Geral, Vice-Almirante José Almeida Costa e dos Comandantes Vidal de Abreu (Chefe da Divisão de Marés e Correntes) e Torres Sobral (Director-Técnico), o grupo inicial deste projecto de investigação (do qual saíram uma dúzia de doutorados em Geologia Marinha), deixou descendentes, ou seja, fez escola que continua a dar frutos, uma realidade que ficará esquecida se ninguém se der ao trabalho de a registar. Com uma primeira geração de investigadores que, de juniores passaram a seniores, vimos singrar a maior parte destes “filhos”, hoje independentes e a trilharem os seus próprios caminhos, o que nos enche de satisfação e orgulho. Actualmente há “netos” que já nem conhecem os “avós”, mas que só existem porque nós, sempre apoiados pelo já então Ministro da Ciência, José Mariano Gago, tivemos a ousadia de iniciar esta viagem e de segurar o leme deste navio, nas primeiras milhas desta gratificante navegação que conduziu, repito, à introdução das geociências do mar nas nossas universidades, designadamente, nas do Algarve, de Aveiro e de Lisboa, onde os mestrados e os doutoramentos se sucedem. 

 Pessoalmente, perdi um amigo. Entre muitas recordações guardo dele o prefácio que teve a amabilidade de escrever no meu livro “Como Bola Colorida – A Terra, Património da Humanidade” (Âncora Editora, 1907) e a gentileza de ter feito a apresentação do “Dicionário de Geologia” (Âncora Editora, 2011), na Reitoria da Universidade de Lisboa, ao tempo do Reitor António Sampaio da Nóvoa.

António Galopim de Carvalho

sábado, 18 de abril de 2015

CRISE DA CIÊNCIA PORTUGUESA NA SCIENCE

Head of Portuguese science foundation leaves under a cloud

Biomedical researcher Miguel Seabra stepped down last week from the presidency of Portugal's science funding agency, the Foundation for Science and Technology (FCT), after more than 3 years in office.

Although Seabra invoked “personal reasons” for his decision, scientists note that he resigned amid mounting criticism of the agency's policies. “The climate was very tense,” says Marco Alves, head of numerical modeling at WavEC-Offshore Renewables in Lisbon. “[His resignation] was something that could be expected.”

Crystallographer Maria Arménia Carrondo will take over from Seabra, the Ministry of Education and Science announced in a statement yesterdayAccording to the newspaper Público, Carrondo previously served as an adviser to FCT's board, which Seabra led until his resignation.

FCT angered Portuguese researchers in January 2014 when it announced a sharp drop in the number of state-funded Ph.D. and postdoctoral fellowships. Besides the decrease in funding, the National Association of Science and Technology Researchers also slammed the fellowship selection process as plagued with “clear and serious flaws.”

Also last year, Seabra oversaw a controversial evaluation of the country's R&D units, contracted out to the European Science Foundation (ESF). In June 2014, after a first evaluation phase, FCT announced that 22% of the 322 evaluated units would lose their funding because they had been rated poorly. Another 26% were rated “good,” but not good enough to make it to the second phase either, meaning their budget would be reduced to “core funding” depending on the size and “research intensity” of the lab.

Many scientists complained that the evaluation process was neither robust nor transparent. For example, the Council of Rectors of Portuguese Universities said completing the first evaluation phase without site visits was insufficient; the Portuguese Physics Society also criticized the lack of specialization of the evaluation panels. ESF declined to comment when contacted byScienceInsider.

The outcry grew when FCT made public its agreement with ESF, which stated that half of the units shall not make it to stage two. The Council of Rectors wrote to the science minister in October that these terms “show a bias that [they] cannot accept.” “We reject the death foretold of 50% of Portugal's scientific fabric,” the rectors said, echoing concerns of the Portuguese Chemistry Society. Two research centers filed a legal complaint against FCT, Público reported last month.

“If there are [budget] cuts, the rules … and the process should be clear,” says Carlos Fiolhais, a researcher at the Center for Computational Physics of the University of Coimbra who wrote about the evaluation extensively on his blog De Rerum Natura. “Many things were not fair; we hope they will be corrected,” says Fiolhais, who hopes the change of leadership at FCT will help restore peace and trust.

However, the choice for Seabra's successor means that no drastic change is likely to happen, Fiolhais adds. “I am afraid that [Carronodo's] proximity to Miguel Seabra may not allow the indispensable change,” he says, adding that both researchers worked at the same institution, the Nova University of Lisbon. “This is even more worrying since all FCT vice-presidents are being kept,” Fiolhais adds. “It is certainly possible that under [Carrondo's] leadership, FCT will at least improve their procedures,” says Miguel Jorge, a chemical engineering lecturer who left Portugal in 2013 for the University of Strathclyde in Glasgow, U.K.. But both Jorge and Alves say they don't expect a fundamental change of line from the current coalition government, which oversees FCT's policies. “I'm skeptical of everything this government has been doing,” Jorge says. “We’ve moved backward several years in terms of research funding and research policy.”

sexta-feira, 17 de abril de 2015

José Mariano Gago (1948-2015)


"...faço também parte de uma geração que, na Europa, na América, e noutras partes do mundo, quis levar a ciência para a rua, levar a experimentação para a escola, trazer a argumentação científica para dentro dos debates de sociedade e para a decisão política democrática. "


quinta-feira, 16 de abril de 2015

NOVA PRESIDENTE DA FCT

Já é oficial, confirmando a informação que circulava desde há dias na comunidade científica. Maria Arménia Carrondo, professora da Universidade Nova e investigadora do ITQB, a mesma Universidade e o mesmo Laboratório Associado que Miguel Seabra (que, como é sabido, tem acumulado com um lugar no Imperial College de Londres). Nascida em Vila Nova de Famalicão é engenheira química pela Universidade do Porto, correspondendo em parte ao perfil que aqui tracei há dias. O seu doutoramento foi no Imperial College. Carrondo foi vice-reitora da Universidade Nova e tem sido assessora de Seabra na FCT, um facto que suscita preocupações e que obviamente não encaixa no referido perfil..

Não se lhe conhece posição pública sobre o enorme desatino que foi o corte de 50% das unidades de investigação, nem sobre o clamoroso défice de qualidade da avaliação FCT-ESF nem ainda sobre a redução drástica nas bolsas de doutoramento e pós-doc. Vai ter agora oportunidade de se pronunciar e esperemos que se pronuncie em breve. A ciência precisa de justiça e de tranquilidade, que só se podem conseguir com transparência e integridade, tudo o que tem faltado. Ao estado de desgraça actual é justo que se suceda um estado de graça. Desejo à Doutora Carrondo muitas felicidades nas suas novas funções, ficando à aguardar que, com a rapidez necessária, ela proceda à indispensável mudança de uma política do posso-quero-e-mando, com a qual o ministro foi complacente, no sentido de um clima de diálogo com os cientistas e com a sociedade.  Vamos com interesse ver aquilo que diz e, acima de tudo, aquilo que faz.

O chocolate não engorda? Os mal-dispostos vivem mais tempo? Cuidado com a pseudociência

Artigo da jornalista Matilde Torres Pereira, com declarações de Carlos Fiolhais e minhas, publicado no sítio da Rádio Renascença.

Eles estão por todo o lado. Há "estudos recentes" que nos dizem que tomar café faz bem e outros que garantem que faz mal; que comer chocolate afinal não engorda; que sorrir muito prolonga a esperança média de vida; que os noctívagos são mais inteligentes do que os outros; que as pessoas com mau feitio vivem mais tempo. 

Todos os dias lemos notícias como estas: a ciência está, aparentemente, em todo o lado. A internet e as redes sociais dão uma ajuda. 

"Há muitos estudos que se tornam populares porque as suas conclusões vão ao encontro daquilo que já pensamos. E sentimo-nos muito inteligentes", diz David Marçal, autor do ensaio "Pseudociência" (Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2014). 

Para o cientista, estes estudos enquadram-se na "ditadura do engraçadismo", em que se procura "simplesmente fazer notícias engraçadas vagamente relacionadas com ciência". 

O problema, para Marçal, é que muitas vezes essas notícias limitam-se a fazer eco de um estudo, apresentando uma única fonte, sem qualquer tipo de espírito crítico, contraditório ou contextualização. "Imaginemos que falávamos sobre a economia em Portugal e dávamos como adquirido aquilo que diz a ministra das Finanças – não púnhamos isso num contexto, mas dizíamos que era assim. Não faria sentido, assim como não faz sentido ter uma notícia de ciência apenas com uma única fonte, um único artigo científico." 

"Olhar para um único artigo científico é mais ou menos como escolher o destino de férias ao olhar para um único postal ilustrado", aponta Marçal. "Se eu decidir ir para Albufeira de férias porque vi um postal da praia de Albufeira deserta ao pôr-do-sol, possivelmente, se for para lá em Agosto, apanho uma desilusão. Tenho de reunir mais dados, ver a paisagem toda, não posso apenas centrar-me no postal ilustrado." 

Carlos Fiolhais, físico e professor universitário, também é crítico. "Na internet encontra-se uma coisa e encontra-se o seu contrário", avisa. "O resultado de um artigo científico não é absolutamente seguro, tem de haver outros que confirmem aquilo que foi dito. E muitas vezes aquilo que vale para uma certa população já não vale em certos domínios, por exemplo, na alimentação ou na saúde". 

Um estudo que recentemente foi notícia garantia que os "pais que lavam a loiça criam filhas profissionalmente mais ambiciosas". Carlos Fiolhais vê nisto um "disparate": "A igualdade de género é uma coisa que se pratica em casa, se não se praticar em casa não se transmite aos filhos. Mas isso é algo que é trivial, não é preciso um estudo científico. A partir de um inquérito dizer que os pais que lavam a loiça criam filhas mais ambiciosas já entra no domínio do disparate." 

"Eurekas" e mais "eurekas" 
Um campo onde abundam notícias sobre suposta ciência é o da alimentação. 

"A nutrição é um campo delirante", confirma David Marçal. "Há uma série de pessoas que estão fortemente empenhadas em dividir todas as substâncias do mundo em dois grupos: ou que causam cancro ou que curam o cancro. E, às vezes, as substâncias saltam de um para o outro semanalmente." 

E essas informações podem não ser inócuas. "Os riscos dos produtos naturais são reais. Têm efeitos", adverte o cientista. "Basta pensar que a cocaína é um produto natural, que a cicuta é um produto natural, não é por isso que são inofensivas. Se entrarmos na Amazónia e nos pusermos a ingerir plantas ao 'calhas' podemos correr riscos sérios. Mais: existem riscos de interacção de produtos naturais com outros medicamentos."

Não faltam notícias de estudos que apontam para conclusões bombásticas ("trabalhar demais engorda", "fazer jogging em demasia faz mal", "emoções positivas" – ou o já citado mau feitio – "prolongam a esperança média de vida"…). 

Nestas notícias, diz Marçal, a "ciência é tratada como um conjunto de curiosidades avulsas em que tudo é possível. É uma representação retorcida da ciência; é a ciência como uma caixa negra de onde saem conclusões mirabolantes." 

"Retratam a ciência como um conjunto de 'eurekas' mais ou menos aleatórios que vão surgindo inesperadamente aqui e ali. Essa imagem da ciência é um campo fértil para semear ideias pseudocientíficas", aponta David Marçal, que sublinha também o fenómeno das notícias sobre "ciência" em que as fontes são os próprios jornais e que se propagam a citarem-se uns aos outros. 

Um exemplo é do famoso dia mais deprimente do ano, uma notícia que aparece todos os anos na comunicação social. 

"Segundo a versão original, terá sido a conclusão a que chegou um psicólogo escocês através de uma fórmula e claro que essa fórmula é inventada – ele até já disse que a inventou por encomenda de uma empresa de agências de viagens para estimular as viagens no Inverno, quando as pessoas estão deprimidas", diz o ensaísta. "Essa notícia já existe há dez anos e a fonte é sempre: uma notícia do 'Guardian'…" 

Um bocadinho de cepticismo, s.f.f. 
"Este bombardeamento numa sociedade mediatizada é inevitável. O que não é inevitável é nós acreditarmos em tudo", considera Carlos Fiolhais, um dos mais conhecidos divulgadores de ciência em Portugal. 

"Gostaria muito que em Portugal as pessoas fossem menos crédulas. Por exemplo: 'Cientista da NASA diz que as pulseiras Power Balance mantêm o equilíbrio'. Isso é pura pseudociência. Faz-se passar ciência, mas não é – tem todo o aparato, porque aparece um cientista, uma bata branca, fala-se de teoria quântica e coisas modernas. E muitas pessoas compram essas pulseiras e coisas do mesmo género. É a chamada banha da cobra", afirma. 

"O único antídoto para a pseudociência e para as pessoas não se deixarem enganar por logros é de facto a cultura científica", diz Marçal. 

"Temos de usar o nosso espírito crítico", conclui Fiolhais. "A única maneira de nós nos protegermos é ter cuidado, verificar a fonte, quem diz o quê e porque é que diz o que diz."

quarta-feira, 15 de abril de 2015

CIÊNCIA FORA DA CAIXA: PARAR O CANCRO DA MAMA

Ideia muito interessante: um cientista usa uma caixa de brinquedos para transmitir ideias científicas:


Muito mau


O professor  Manuel Sobrinho Simões deu uma entrevista ao Jornal de Negócios de 14 de Abril. Destaco a frase, com a qual concordo:

 "O Governo tem sido, na ciência, muito mau."

CIÊNCIA VIVA EM TAVIRA - DEZ ANOS A COMUNICAR CIÊNCIA

Informação recebida do Centro Ciência Viva de Tavira (parabéns à directora Rita Borges):

No dia 21 de Abril de 2015, o Centro Ciência Viva de Tavira abre as portas a toda a comunidade para comemorar o seu décimo aniversário. A partir das 14h00, haverá um programa especial com várias actividades para o público de todas as idades. Às 19h30 todos são convidados a cantar os parabéns e a provar o bolo de aniversário.

PROGRAMA
10h00-20h00 Visita ao Centro Ciência Viva de Tavira – Entrada Livre
Conheça as nossas actividades!
15h00;16h00: Palestra “Newton no Espaço” com o Professor Manuel Paiva (Universidade Livre de Bruxelas).
14h00-18h00: Atividades: Robots e Luz/Fotografia com Luz/Cozinha Molecular.
18h00: O Centro Ciência Viva de Tavira, 10 anos em retrospetiva.
18h30: Show de Ciência “… e fez-se Luz!”, no âmbito do Ano Internacional da Luz.
19h30: Brinde ao Centro Ciência Viva de Tavira, com bolo de Aniversário.

TEATRO: "EGO" DE CARL DJERASSI


EGO de Carl Djerassi (na foto) vai finalmente estrear no Teatro da Cerca de São Bernardo em Coimbra.

Depois do adiamento anunciado na passada semana, a MARIONET regressa por fim ao Teatro da Cerca de São Bernardo em Coimbra já no dia 17 de Abril, para estrear a peça de teatro EGO, de Carl Djerassi.


17 a 26 de Abril | Teatro da Cerca de São Bernardo
6ª feira e Sábados | 21h30
Domingos | 16h00



Sinopse da peça

Stephen Marx, um escritor de sucesso, decide forjar a sua própria morte para poder ler os seus obituários, obcecado por conhecer a "verdadeira" opinião dos críticos relativamente a si e à sua obra. Inspirado por Fernando Pessoa e pelos os seus heterónimos, decide criar um novo alter ego literário com a finalidade de descobrir se consegue obter o sucesso a partir do desconhecimento público, apenas pelo valor da sua escrita.


Sobre o Projecto

A produção desta peça em Portugal foi comissionada à Marionet pelo próprio Carl Djerassi, cientista e escritor recentemente falecido.

Djerassi tornou-se uma personalidade influente no mundo da ciência pelo papel fundamental que teve na invenção da pílula anti-concepcional feminina nos anos 60 do século XX, tendo-se dedicado nos últimos anos à escrita de ficção e peças teatrais. 

A peça “EGO” teve como base a obra “Marx Deceased” do próprio Djerassi (sobre um escritor, Stephen Marx, que fingiu a sua própria morte de modo a poder observar a reacção e crítica de leitores e críticos) e foi inspirada na heteronímia de Fernando Pessoa. Foi este último facto que levou este cientista e escritor norte-americano a comissionar a produção da peça à Marionet, pelo interesse em vê-la representada em português e em Portugal. Numa estreia absoluta em Portugal, a peça será apresentada em 2015, o ano em que se comemoram os 100 anos do lançamento da Revista Orpheu, da qual Pessoa foi um dos colaboradores. A tradução para língua portuguesa é da autoria de Mário Montenegro, director artístico da companhia.


Ficha Artística e Técnica

Texto: Carl Djerassi;
Discussão e ideias: Filipe Eusébio, Joana Macias, Mafalda Oliveira, Marcelo dos Reis, Mário Montenegro, Pedro Andrade, Teresa Girão;
Encenação e tradução: Mário Montenegro;
Interpretação: Filipe Eusébio, Joana Macias, Mário Montenegro;
Espaço cenográfico, figurinos, adereços e imagem: Pedro Andrade;
Banda sonora original: Marcelo dos Reis;
Iluminação e direcção técnica: Mafalda Oliveira;
Fotografia de cena: Francisca Moreira;
Penteados: Carlos Gago – Ilídio Design;
Produção executiva: Teresa Girão.

Uma produção marionet 2015.
A produção portuguesa de Ego é financiada por Dale Djerassi, herdeiro de Carl Djerassi.

Classificação etária
Maiores de 16 anos

Reservas
239 718 238 / 966 302 488 / geral@aescoladanoite.pt 

Bilhetes
normal: 10 Euros
estudantes, jovens, maiores de 65 anos, profissionais e amadores de teatro, profissionais de ciência: 6 Euros
quintas-feiras, grupos de 10 ou mais pessoas, entidades protocoladas com o TCSB: 5 Euros


Marionet financiada por: Câmara Municipal de Coimbra
Apoios: Fundação Bissaya Barreto; Ilidio Design Cabeleireiros; MAFIA – Federação Cultural de Coimbra; TCSB – Teatro da Cerca de São Bernardo
Apoios à divulgação: Rádio Universidade de Coimbra; Dolce Vita Coimbra
Agradecimentos: A Escola da Noite; António Apolinário Lourenço; Arq. Alberto Montoya; CITEC - Centro de Iniciação Teatral Esther de Carvalho; Condomínio Criativo de Coimbra; Cooperativa Agrícola do Távora CRL; Jorge Miguel Sousa; José Luis Pio Abreu; Júlio Cardoso; Manuel João Monte; Paulo MEGO vai finalmente estrear no Teatro da Cerca de São Bernardo

Depois do adiamento anunciado na passada semana, a MARIONET regressa por fim ao Teatro da Cerca de São Bernardo em Coimbra já no dia 17 de Abril, para estrear a peça de teatro EGO, de Carl Djerassi.


17 a 26 de Abril | Teatro da Cerca de São Bernardo
6ª feira e Sábados | 21h30
Domingos | 16h00



Sinopse da peça

Stephen Marx, um escritor de sucesso, decide forjar a sua própria morte para poder ler os seus obituários, obcecado por conhecer a "verdadeira" opinião dos críticos relativamente a si e à sua obra. Inspirado por Fernando Pessoa e pelos os seus heterónimos, decide criar um novo alter ego literário com a finalidade de descobrir se consegue obter o sucesso a partir do desconhecimento público, apenas pelo valor da sua escrita.


Sobre o Projecto

A produção desta peça em Portugal foi comissionada à Marionet pelo próprio Carl Djerassi, cientista e escritor recentemente falecido.

Djerassi tornou-se uma personalidade influente no mundo da ciência pelo papel fundamental que teve na invenção da pílula anti-concepcional feminina nos anos 60 do século XX, tendo-se dedicado nos últimos anos à escrita de ficção e peças teatrais. 

A peça “EGO” teve como base a obra “Marx Deceased” do próprio Djerassi (sobre um escritor, Stephen Marx, que fingiu a sua própria morte de modo a poder observar a reacção e crítica de leitores e críticos) e foi inspirada na heteronímia de Fernando Pessoa. Foi este último facto que levou este cientista e escritor norte-americano a comissionar a produção da peça à Marionet, pelo interesse em vê-la representada em português e em Portugal. Numa estreia absoluta em Portugal, a peça será apresentada em 2015, o ano em que se comemoram os 100 anos do lançamento da Revista Orpheu, da qual Pessoa foi um dos colaboradores. A tradução para língua portuguesa é da autoria de Mário Montenegro, director artístico da companhia.


Ficha Artística e Técnica

Texto: Carl Djerassi;
Discussão e ideias: Filipe Eusébio, Joana Macias, Mafalda Oliveira, Marcelo dos Reis, Mário Montenegro, Pedro Andrade, Teresa Girão;
Encenação e tradução: Mário Montenegro;
Interpretação: Filipe Eusébio, Joana Macias, Mário Montenegro;
Espaço cenográfico, figurinos, adereços e imagem: Pedro Andrade;
Banda sonora original: Marcelo dos Reis;
Iluminação e direcção técnica: Mafalda Oliveira;
Fotografia de cena: Francisca Moreira;
Penteados: Carlos Gago – Ilídio Design;
Produção executiva: Teresa Girão.

Uma produção marionet 2015

A produção portuguesa de Ego é financiada por Dale Djerassi, herdeiro de Carl Djerassi.

Classificação etária
Maiores de 16 anos

Reservas
239 718 238 / 966 302 488 / geral@aescoladanoite.pt 

Bilhetes
normal: 10 Euros
estudantes, jovens, maiores de 65 anos, profissionais e amadores de teatro, profissionais de ciência: 6 Euros
quintas-feiras, grupos de 10 ou mais pessoas, entidades protocoladas com o TCSB: 5 Euros


Marionet financiada por: Câmara Municipal de Coimbra
Apoios: Fundação Bissaya Barreto; Ilidio Design Cabeleireiros; MAFIA – Federação Cultural de Coimbra; TCSB – Teatro da Cerca de São Bernardo
Apoios à divulgação: Rádio Universidade de Coimbra; Dolce Vita Coimbra
Agradecimentos: A Escola da Noite; António Apolinário Lourenço; Arq. Alberto Montoya; CITEC - Centro de Iniciação Teatral Esther de Carvalho; Condomínio Criativo de Coimbra; Cooperativa Agrícola do Távora CRL; Jorge Miguel Sousa; José Luis Pio Abreu; Júlio Cardoso; Manuel João Monte; Paulo M

PORDATA VIVA


CONVITE

É com muito gosto que o Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva e a Pordata - Fundação Francisco Manuel dos Santos lhe endereçam este convite para a inauguração da exposição Pordata Viva - o Poder dos Dados, no dia 23 de Abril, quinta-feira, às 16.00, no Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva, Parque das Nações, Lisboa.

Esta exposição é o resultado de uma parceria entre o Pavilhão do Conhecimento e a base de dados Pordata e vem provar que os dados são fascinantes e que a estatística não é um bicho-de-sete-cabeças.


Celebraremos a sua abertura ao público com algumas surpresas

ANÚNCIO DOS FINALISTAS DO FAMELAB

E AGORA SENHOR MINISTRO?

O facto de o ministro Nuno Crato tardar a nomear um(a) novo(a) Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia apenas pode indicar que ele continua distante da ciência, não a considerando uma prioridade no seu mandato. Manter em funções uma equipa completamente desacreditada, conivente com todas as malfeitorias (isto é, coisas mal feitas) perpetradas pelo Presidente anterior, é um enorme erro tanto do ponto de vista da ciência como do ponto de vista da política em geral. Significa isto que numa altura como esta, em que há problemas graves a resolver urgentemente como a avaliação do sistema de ciência nacional (digo avaliação e não reavaliação, pois não houve verdadeira avaliação mas sim um simulacro dela), e como o reforço de bolsas para estimular esse sistema, estancando a hemorragia de jovens para o estrangeiro, o governo português anda entretido com outras coisas.

O governo, se fizer como de costume, vai decidir no seu pequeno círculo, esquecendo talvez que com toda a probabilidade irá mudar nas próximas eleições, Mas, pensando que a contribuição de cidadãos independentes defensores intransigentes da ciência possa interessar, sempre digo que a nova direcção, se quer ter as mãos limpas, não pode ter nenhuma das pessoas que conduziram ao actual descrédito da FCT. Nem pode ser ninguém que tenha tido colaboração íntima com a direcção que finda. Por uma questão de ombridade, de equilíbrio e de coerência com a linha defendida pelo governo de aproximação da ciência à economia, a nova direcção deve ter, em vez de pessoas da áreas das ciências biomédicas ou bioqualquer coisa da área de Lisboa, pessoas  da área das tecnologias fora da Grande Lisboa, uma geografia que tem sido amplamente favorecida (em particular, na Universidade Nova, mas não só). Um engenheiro do eixo, que é hoje muito forte no nosso sistema científico-tecnológico, Porto-Braga seria uma boa solução nessa equipa, porventura à frente. Vamos ver a força que têm os reitores das Universidades do Porto e Braga, os dois engenheiros muito sábios que conhecem bem a relação entre ciência e desenvolvimento e que conhecem bem melhor o país do que alguns poderes fátuos que andam pelos partidos e pelas alcatifas ministeriais em Lisboa.

E agora senhor ministro?

EM DEFESA DOS INDEPENDENTES

Meu artigo no Público de hoje:


Falta menos de um ano para as eleições presidenciais. É, portanto, natural que, enquanto os partidos continuam entretidos com os seus joguinhos de poder, alguns cidadãos, insatisfeitos com a actual situação da República, anunciem a sua disponibilidade para se apresentarem à única eleição de âmbito nacional que não tem de ter as chancelas partidárias. Foi o que aconteceu, por ordem cronológica, com o empresário Henrique Neto, com o matemático Paulo Morais e com o professor universitário António Sampaio da Nóvoa. Só os dois primeiros é que anunciaram a sua candidatura, enquanto o terceiro está ainda a ponderar. As relações deles com os partidos são muito díspares: o primeiro é militante do PS, o segundo foi até há dois anos filiado do PSD e o terceiro nunca teve filiação partidária. Podemos dizer que são todos independentes, uma vez que, se o primeiro possui cartão de um partido, é óbvio que não encarneira no grupo. Pela minha parte, dada a contínua frustração que tem sido a política nacional, verifico com agrado que existem compatriotas não alinhados que estão disponíveis para darem o seu contributo à res publica. São todos, tanto quanto me é dado saber, cidadãos com biografias impolutas. Empenhados na vida colectiva, todos têm, na praça pública, expressado opiniões e manifestado desejos. Sendo bastante diferenciadas, parece-me que são escolhas a que um eleitor tem direito no sufrágio de 2016.

Apesar da péssima experiência do candidato “independente” Fernando Nobre em 2011 (viu-se que era um falso independente quando se prestou a ser marionete nas mãos de Passos Coelho nas legislativas desse ano), creio que as candidaturas de independentes são boas para a democracia. Um independente como eu, decepcionado pelas acções e omissões da maioria dos nossos políticos, gostaria de escolher um candidato independente. Os desiludidos com os políticos arregimentados poderão até ser maioritários, decidindo a contenda.

Bem sei que numa democracia os partidos são indispensáveis. Mas os partidos que temos tido na governação bem se têm esforçado por mostrar a sua dispensabilidade. E, se são dispensáveis, dispensemo-los na única ocasião política em que o podemos, efectivamente, fazer. Também sei que as eleições legislativas serão realizadas antes das presidenciais e que são elas que determinam o governo do país. Mas, nas legislativas, a possibilidade de participação dos cidadãos independentes é reduzida: somos obrigados a escolher listas feitas pelas oligarquias partidárias, feitas de nomes que representarão apenas quem os nomeia (nem sequer serão capazes de se representar a si próprios). Julgo que a próxima eleição presidencial é um momento decisivo da nossa vida política, uma vez que será possível – tem de ser possível – encontrar um português com independência, sentido de responsabilidade e, acima de tudo, devoção ao bem comum. O que não tivemos nos últimos anos. O presidente não tem poder executivo, mas tem poderes importantes em momentos decisivos, que exigem uma análise lúcida e uma postura fundada no interesse nacional. E tem outro poder, que pode ser relevantíssimo se bem usado: o da palavra. Pode, pela palavra, unir os portugueses, apontando grandes desígnios nacionais, chamando a atenção para o essencial.

E que vejo? Vejo, consternado, a vozearia estridente, o ódio imenso, a perseguição pessoal que as referidas candidaturas suscitaram a alguns dos políticos instalados. Chegaram ao ponto de chamar palhaço a Henrique Neto, de apoucar a ética de Paulo Morais e de atacar António Nóvoa com base no nome dele. A candidatura com mais hipóteses de ganhar é desde já a mais malhada. Eu não sei ainda em quem vou votar. Mas o mais provável é que, nas presidenciais, vote num independente, em alguém que contribua para sairmos do atoleiro em que a política profissional nos meteu. E que, antes disso, nas legislativas, vote em forças que não só estejam apostadas na necessária mudança como prezem o contributo para ela dos cidadãos independentes. Portugal, se for quebrado o bloqueio a que nos conduziram políticos formados nas “jotas” que além de ignorantes são atrevidos (a ignorância sempre foi atrevida), tem futuro. Mas esse futuro, numa democracia digna desse nome, não pode ser criado só pelos partidos, tem também de ser empreendido por quem não se revê neles.


PS) Aleluia, após muitos dislates, vai haver renovação na Fundação para a Ciência e Tecnologia. Não interessa tanto o nome da nova pessoa, mas mais a nova orientação. Há, sem prejuízo do normal funcionamento da ciência, que anular o ilegal e indecoroso processo de “avaliação”, castrador da investigação nacional. E agora, quando segundo a ministra das Finanças os cofres estão cheios, há que dar esperança aos jovens atraídos pela ciência. O futuro deles será, em larga medida, o nosso.

terça-feira, 14 de abril de 2015

“É UM ERRO GRAVE DEIXAR UMA GERAÇÃO FORA DO SISTEMA CIENTÍFICO”

Isto disse o prémio Nobel de Física, Serge Haroche, numa entrevista ao Diário de Notícias de 12/4/2015, assinada por Filomena Naves, e que pode ser vista, gratuitamente em parte, em http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=4506115&page=-1 

Serge Haroche, que recentemente deu uma série de aulas e conferências no Instituto Superior Técnico, partilhou o prémio Nobel de Física de 2012 com David Wineland pelos seus trabalhos de desenvolvimento de métodos para a medição e manipulação de partículas individuais sem as destruir. 

No seu laboratório em Paris, Serge Haroche conseguiu confinar fotões numa pequena cavidade entre dois espelhos. Um único fotão pode “saltitar” entre os dois espelhos sendo reflectido sucessivamente, durante cerca de um décimo de segundo, o que implica que percorre cerca de 40 mil quilómetros, ou seja, o perímetro da Terra no equador. David Wineland, por seu turno, conseguiu o confinamento de átomos e iões individuais. 

Para além de nos ter dado a conhecer em detalhe os resultados das suas experiências científicas, e do que se pode ler no extracto gratuito do DN, Serge Haroche salientou numa das suas conferências no IST e na sua entrevista ao DN, que para fazer CIÊNCIA é preciso TEMPO e CONFIANÇA (time and trust). “A ciência precisa de muito tempo para se desenvolver e é preciso que os cientistas tenham a possibilidade de trabalhar seguindo a curiosidade, o que precisa de tempo, porque pode conduzir a falsas pistas, ao erro e a novas direcções. Neste momento, para se ter dinheiro para investigação tem de se submeter propostas nas quais é preciso descrever o que se vai obter. Ora isso é contraditório com o espírito da investigação científica. Não é possível saber por antecipação o que vamos obter", — disse ele.

Luís Alcácer