domingo, 9 de setembro de 2018

NEGACIONISTAS NA UNIVERSIDADE DO PORTO

Crónica publicada primeiramente no Diário de Coimbra.



Vivemos uma época em que tsunamis de informação nos trespassam erodindo sem qualquer critério o conhecimento. Nunca houve tanta informação disponível, mas, comparativamente, muito pouco conhecimento nela. Abundam as notícias falsas e a desinformação generalizada. Vivemos um mundo de pós-verdades de lés-a-lés. Acresce, a isto, a tendência imemorial de o ser humano parecer ter uma necessidade natural de fantasiar a precepção que recebe do mundo em que vive, de modo a obviar a dor, o medo, a morte, etc. Opta pela versão fantasiosa da realidade que lhe torne mais cómodo e fácil o viver no imediato, que lhe dê confiança para vencer as agruras do dia-a-dia, trocando a verdade factual por uma ilusória panaceia, sacrificando assim o planeamento e compreensão do que poderá acontecer no futuro menos imediato, mas, contudo, inevitável. E os charlatões, vendedores de banha da cobra milenar e pseudocientistas modernos fazem uso desta fragilidade humana para daninharem a ignorância.


Ao longo da história da Humanidade, foi a educação que contrariou esta natureza primeva. A educação permitiu construir o futuro com verdade e trazer conhecimento sobre como o Universo funciona. Reside, assim e sempre, nas instituições de ensino o garante de um conhecimento despojado de fantasiosas ilusões e falsidades. Por isto, é inquietante quando uma instituição de ensino, qualquer que ela seja, acolhe eventos que visam não discutir conhecimento, mas propagar crendices sem fundamentos factuais. Foi isto que acaba de acontecer na Universidade do Porto nos recentes dias 7 e 8 de Setembro. Mais exactamente, decorreu na Faculdade de Letras da Universidade do Porto uma conferência intitulada “Basic science of a changing climate: how processes in the sun, atmosphere and ocean affect weather and climate”. Esta conferência, organizada por um conhecido lobby negacionista das alterações climáticas, o auto-denominado “Independent Committee on Geoethics”, reuniu no Porto negacionistas de vários países, sendo presidida por Maria Assunção Araújo, professora catedrática daquela faculdade. Desprezando todas as evidências científicas, estes negacionistas insistem em que não estão a ocorrer alterações climáticas que sejam devidas à actividade poluidora humana.

Tendo tido conhecimento deste evento e das declarações pseudo-científicas da professora Maria Assunção Araújo, registadas em várias entrevistas dadas a jornais portugueses, em que se vangloria despudoradamente de ensinar pseudociência nas suas aulas e de que “não interessa ter alguém [na conferência] a dizer que a causa das alterações climáticas é o CO2”, um grupo de 60 cientistas portugueses subscreveu uma carta aberta primeiramente publicada no Diário de Notícias (foi replicada por muitos outros órgãos de comunicação social) que, apesar de ser dirigida ao Reitor da Universidade do Porto, se destina a toda a sociedade portuguesa. Nesta carta, os signatários, em que me incluo e em que se incluem também os professores Carlos Fiolhais, Helena Freitas e Jorge Paiva (da Universidade de Coimbra), “vêm expressar a sua indignação pelo facto da Universidade do Porto promover uma conferência a favor da desinformação, credibilizando ideias políticas que visam travar as acções para conseguir obter-se a estabilização climática do planeta durante este século. Estas ideias cientificamente erradas, em vez de esclarecerem e sensibilizarem para as alterações climáticas, não pretendem mais do que criar dúvidas sem qualquer fundamento ou método.”

Os cientistas que subscreveram a carta acrescentam: “Não somos alheios às tácticas frequentemente utilizadas por este tipo de organizações, utilizando o espaço público das democracias para tentar polarizar a sociedade e ganhar espaço mediático criando uma polémica artificial, vitimizando-se. Também não estranhamos a realização deste evento coincidindo com a data da Marcha Mundial do Clima, momento em que manifestações sairão às ruas por todo o mundo, e em Portugal também, para exigir acções concretas para travar a espiral de descontrolo que têm sido as últimas décadas em termos de eventos climáticos extremos e aquecimento constante.”

E no final da carta é feito o seguinte apelo: “Sendo uma universidade pública, e uma das maiores produtoras de Ciência em Portugal, a Universidade do Porto tem de escrutinar aquilo que organiza e promover o conhecimento científico sobre as alterações climáticas, em vez de emprestar o nome e dar credibilidade à negação da Ciência e do Conhecimento.”

Mas este apelo é, naturalmente, válido para todas as instituições de ensino, desde o pré-escolar até ao universitário.

Sejamos mais críticos do que nunca e duvidemos das opiniões que não se fundamentam em factos.

António Piedade

3 comentários:

  1. O autor deste Post classifica a conferência realizada na Faculdade do Porto como mais um dos “eventos que visam não discutir conhecimento, mas propagar crendices sem fundamentos factuais”.

    Bom, se nos permitirem saber o que lá foi dito talvez nós próprios possamos avaliar.

    Mas, se mal pergunto, o Sr António Piedade tem conhecimento do escândalo designado por Climategate? Se é pessoa ligada a estas matérias é dificil não saber que vários cientistas promotores da teoria do global warming, de que destacam Michael Mann da Universidade da Pensilvânia e Phil Jones então líder da Climate Research Unit da Universidade de East Anglia, foram apanhados numa troca de emails vergonhosos em que combinavam adulterar dados para defenderem as suas teses. Michael Mann é um verdadeiro charlatão, o principal autor de um gráfico forjado que ficou conhecido por Hockey Stick, em que desvirtuou as temperaturas dos últimos mil anos.

    O que estes homens fizeram tê-los-ia afastado inapelavelmente dos seus lugares se não fossem protegidos pelos governos e organizações que patrocinam a patranha global do global warming, agora climate change por motivos fáceis de adivinhar.

    Para terminar, caro Sr. António Piedade, queria dizer-lhe que o CO2 não é um poluente.

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  2. "acolhe eventos que visam não discutir conhecimento, mas propagar crendices sem fundamentos factuais"

    Ora aí está uma opinião que não se fundamenta em factos. É a SUA crendice, agravada pelo ódio expresso na carga negativa de "negacionistas", parente de racistas e xenófobos.

    A posição amiguista, de clique, dos esquerdalhos de Coimbra , que tem aliás contornos de raivinha contra o muito maior prestígio internacional da Universidade do Porto - a de Coimbra anda de rastos - essa é que é pr,oxima da xenofobia (ódio ao que é estranho ao nosso modelo) e racista ('eles', negacionistas, são a ralé).

    Olhem-se ao espelho. Mesmo que tenham a razão científica do vosso lado, o que está por comprovar em definitivo, é uma vitória triste, de Pirro, para quem mais parece de facto a Santa Inquisição.

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  3. AS CRENDICES SÃO AS PROPAGADAS PELOS NOVOS PROFETAS DO FIM DO MUNDO. A religião do 1º milénio foi agora substituída pela nova religião dos alarmistas do clima ( ai que o mundo vai acabar, que medo, brrr). Babaram-se com o filme do Al Gore segundo o qual hoje as cidades à beira mar deveriam estar inundadas , tudo previsões loucas sem qualquer aderência à realidade. Tanto que já não falam de aquecimento global mas de alterações climáticas. Tenham juízo….e deixem-se de crendices.

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