segunda-feira, 30 de junho de 2014

A FCT ENSANDECEU

A FCT já não regulava bem. Tinha acabado com a história da ciência. Agora ensandeceu. Quer acabar com a ciência em Portugal. Quer acabar, por exemplo, com a Física no Minho, no Porto e em Coimbra. A mim, que apesar de saber pouco sei mais de Física que a FCT (que  não sabe coisa nenhuma de nada),  parece-me antes que temos de acabar não com a FCT mas com esta FCT. O ministro da Ciência, Nuno Crato, demitiu-se há muito de o ser e agora, quando vê os "coveiros da ciência", parece não querer fazer mais do que deitar terra para cima. A  FCT e o ministro Crato estão a escrever uma página negra da ciência em Portugal, como que querendo voltar aos tempos da Inquisição. Não conseguirão, até porque em breve o seu tenebroso mandato político vai expirar.

17 comentários:

  1. A negrura crática que cai sobre a ciência e a investigação vai ter consequências brutais em termos de desenvolvimento científico e económico para além, evidentemente, do impacto nas carreiras pessoais assim ameaçadas de milhares de pessoas que investigam, criam conhecimento, promovem desenvolvimento e que assim, provavelmente, ou desistem ou emigram.

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  2. A opinião contrária é que mesmo assim a FCT continua bastante branda - continuam a existir imensos institutos com pouquíssima produção científica, sem qualquer capacidade de atrair estudantes estrangeiros, e sem serem competitivos até a nível nacional. Demasiados interesses? A realidade é que não há fundos para todos, por isso mais vale haver suficientes fundos para os muito bons e para os com mais dinâmica e capacidade de trazer financiamento de fora, mesmo que não haja, ou existam muito poucos para os maus?

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  3. Sempre existiu dentro da fct filhos e enteados e padrinhos e afilhados! Os processos de avaliação continuam ainda hoje a não serem transparentes, sobretudo para os cidadãos fora dos círculos restritos!
    Também houve uma época que por tudo e por nada se criava um centro dito de "investigação" mas cuja produção cientifica era quase nula.

    Outra questão que é grave, ainda comum apesar da diminuição pelas menores verbas existentes: o lançamento de projectos, cujo conhecimento final produzido não é conhecido, não é divulgado e cujos dados não ficam disponíveis, nem sequer ao público especializado!

    A queda demográfica aliada à melhor racionalização dos recursos e a uma avaliação mais exigente metem a nu a existência em excesso de estructuras de ensino e investigação, paradoxal com a baixa quantidade de ciência que se faz e se poderia e deveria fazer mas em termos de cursos, universidades e centros existe excesso!

    Os próximos anos serão de extinção/ fusão!

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  4. Não percebo este ataque a centros de investigação que estavam classificados como "excelente"... há aqui critérios que não estão certamente relacionados com mérito científico! E isso tem de ser atacado imediatamente. Há que contestar, pedir actas de avaliação, impugnar se for preciso...

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    1. Todos os relatórios detalhados foram enviados às Instituições, ou seja, pelo menos 3 opiniões altamente detalhadas de peritos internacionais diferentes, às quais as Instituições tiveram a oportunidade de responder em detalhe... A excelência passada não implica excelência actual ou futura, sobretudo num meio internacional tão competitivo...

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    2. Curiosamente para uns a reunião de consenso serviu para passar um 18, um 17 e um 14 para 14. Para outros notas similares sobem para 17. Por acaso os prejudicados são aqueles que curiosamente nunca têm um projecto aprovado e os que sobem são aqueles que sempre, e repito, sempre têm projectos aprovados. Será que isto se correlaciona com os indices de citações ou publicação? Não que engraçado!! Se calhar à aqui uma oportunidade para inventar uma nova matemática. A matemática das regiões e das ligações pessoais.

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    3. Caro anónimo das 23:59. Os relatórios ditos "detalhados" de peritos ditos "internacionais" (tenho dúvidas, face ao estilo gramatical usado, assim como ao próprio conteúdo, que focava particularidades regionais que um estrangeiro não é suposto mencionar) não são actas! Penso que qualquer um concordará comigo...
      Quanto à excelência passada não garantir excelência futura, é óbvio que sim, mas também não acredito que um centro de excelência tenha repentinamente deixado de produzir, ou sequer abrandado a sua produção científica, justificando por exemplo a passagem a "fair". (que acaba com o centro)
      Neste concurso, já houve N fusões de centros de investigação, tanto a nível local como a nível nacional. Vai haver (mais) reestruturações? Óbvio que sim. A malta que pertencia a esses centros vai ter que procurar integrar-se em outros.

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  5. Só se percebe bem a atual opinião de Carlos Fiolhais depois de ler a opinião que tinha há menos de dois anos quando se referia a Nuno Crato como o salvador da educação em Portugal. Será porque o mandato está a mudar e é sempre bom estar com quem manda?
    http://aventar.eu/2012/11/26/carlos-fiolhais-faz-o-panegirico-de-nuno-crato/

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  6. E falta dizer que quem teve Bom e não passou à 2ª fase, cerca de metade dos grupos de Investigação, terá financiamentos que os obrigarão provavelmente a fechar.

    Mas, maior mistério ainda: o orçamento da FCT quase não se alterou nos ultimos anos. Por onde andará? Um dia ainda havemos de saber isso.

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    1. Talvez o financiamento esteja a ir para a Fundação Chapalimaud! Ou para o IGC do António Coutinho.

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    2. O orçamento está disponível em detalhe... Existem muitos projectos de anos anteriores em execução, e finalmente coisas importantíssimas como programas doutorais e contractos finalmente semi-decentes de trabalho (Investigador FCT), ao invés de existirem apenas bolsas, que podem ser "baratas", mas não podem nunca ser algo a manter em grande quantidade num futuro sério. Existem também imensas oportunidades de financiamento, nacionais e através de acordos com outros países.

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  7. O sistema de bolsas temporárias que se vinha/vêm fazendo até aqui tb não é solução!
    Uma pessoa tinha bolsa durante 1 ano ou 2, depois ia para doutoramento + 3 anos, e depois era jogada fora do barco e os professores tinham que ir buscar outra pessoa para continuar o trabalho, e a que já estava formada? Imigra porque como não se investe em ciência de forma a racional os recursos, mais uma vez é trabalho mal pago e precário! E vivemos disso, das borlas, das carolices, dos oportunismos, das manhas! Por isso chegamos a este estado de coisas!

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  8. Curioso como o premiado divulgador científico Nuno Crato usa a fúria popular contra a "inutilidade" da ciência como uma arma contra os cientistias. Leia-se o que o seu acólito aqui escreveu: "mesmo assim a FCT continua bastante branda - continuam a existir imensos institutos com pouquíssima produção científica, sem qualquer capacidade de atrair estudantes estrangeiros, e sem serem competitivos até a nível nacional". Ou seja, se o Governo se mantiver (Carlos Fiolhais acha que vai cair nas próximas eleições mas nós não temos tantas certezas!) os cortes se irão intensificar. Estes cientistas "improdutivos" e "não competitivos" que vão "teorizar" para os países ricos! E assim perderemos os nossos melhores cérebros!!! Triste!!!

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  9. O próximo Ministro da Educação e Ciência (depois das eleições) vai ser C. Fiolhais. Meses depois vão dizer aqui que não se nota diferença em relação a N. Crato. Vai uma aposta?

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  10. O meu centro, que anteriormente era considerado a excelente, também passou nesta avaliação a ser apenas bom. O que me revolta contudo é saber que o financiamento da FCT previsto neste caso será no máximo de 300€ por investigador POR ANO! A FCT agora deu em distribuir esmolas pelos seus investigadores?

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