Nos últimos anos, tive a oportunidade de acompanhar os melhores alunos das minhas turmas de Latim a Itália, a competições - aí intitulados de «certamina» - que relembram através de concursos internacionais, simpósios e manifestações culturais e turísticas várias, autores clássicos de inegável pendor na cultura ocidental. Assim, participámos no Certamen Ciceronianum, no Certamen Ovidianum, e no Certamen Horatianum, que se desenrolam na terra natal de cada autor, Arpino, Sulmona e Venosa, respectivamente.Estas participações foram uma experiência inesquecível a nível pessoal: a verificação das centenas de jovens que, vocacionados para áreas científicas, continuam a estudar com afinco e interesse os autores clássicos, a clarificação de pressupostos educativos que os outros países consolidam nesta área, a par com a surpresa que as várias delegações mostram ao verem-nos chegar –pois Portugal não tem participado nas últimas décadas- fizeram-nos prosseguir. Os alunos viveram com entusiasmo e participaram activamente em todos os momentos destas competições, e fundamentalmente, foram um motivo de maior e melhor estudo das matérias que leccionávamos, ao longo dos últimos anos.
De facto, os dois anos que estudam Latim não são suficientes para os objectivos traçados pela organização destas competições, pelo que esta participação obrigou a um aprofundamento do conhecimento dos autores, bem como da exercitação de tradução. E estes mostraram-se muito benéficos na formação académica e humana destes alunos e das turmas em que se inseriam.
Este ano, lamentavelmente, a minha escola já não teve alunos de Latim em número suficiente para abrir turma, depois de uma década intensa de trabalho nesta área.
Em Maio de 2010, repetir-se-á pelo 24.º ano consecutivo a competição em honra de Quinto Horácio Flacco e será, aliás, Portugal a descrever a sua experiência na revista que Venosa edita anualmente a este propósito. Neste momento, contactam-nos de Venosa, pessoalmente, interessados na participação portuguesa e na divulgação do concurso, pelo que deixo aqui um repto aos nossos leitores para que divulguem esta competição junto das escolas secundárias e que encontrem aqui motivo de uma nova dinâmica através de algumas participações. Nestas vejo o interesse pessoal dos alunos e, de um modo mais alargado, da educação em Portugal.
Aqui e aqui ficam as páginas relativas a estas competições, onde poderão ser consultados o regulamentos e as condições de participação.









«Em 1 de Novembro de 1755, pelas nove horas e três quartos da manhã, começaram a sentir os habitantes de Lisboa, com espanto e angústia, que o chão lhes tremia por debaixo dos pés . O tremor fora antecedido de um ruído tumultuoso que vinha do interior da terra e que, por si só, não seria assustador, de acordo com a descrição de um contemporâneo que o comparou ao «de muitos coches correndo». E acrescenta: «de modo que os que estávamos na Igreja da Senhora das Necessidades, onde os Soberanos costumão ir aos sabbados, julgámos que chegava Sua Magestade».



