domingo, 11 de fevereiro de 2024

NADA DE NOVO NA EDUCAÇÃO ESCOLAR... APENAS E SÓ O REFORÇO DA RETÓRICA TECNOLÓGICA DO FUTURO

Foi divulgado há muito pouco tempo um relatório, proveniente de um tal USC Center for Generative AI and Society, com o título Critical thinking and ethics in the age of generative ai in education. A critical look into the future of learning
 
Reforçando a necessidade de inovação na educação e tocando a questão ética, nada de substancial acrescenta à "narrativa da educação do futuro".
 
Eis uma síntese da introdução, assinada por Pedro Noguera.

No mundo de hoje, em rápida evolução, o papel da tecnologia no cenário educacional está a evoluir rapidamente. A era digital forneceu aos educadores e aos alunos inúmeras ferramentas, projetadas para tornar o ensino mais envolvente e a aprendizagem mais acessível. É de considerar o potencial da IA para produzir mudanças profundas na educação.

O sistema tradicional de educação, em que o professor transmite conhecimento e os alunos recebem-no passivamente não é adequado para equipar as gerações futuras para agirem num mundo com enormes desafios e incertezas. A educação deve deixar de ser meramente transacional para ser transformadora e fortalecedora. Deve liberar a criatividade e imaginação dos alunos, ao mesmo tempo que lhes proporciona o conhecimento e as habilidades académicas e técnicas necessárias para resolver problemas complexos. A IA generativa pode oferecer um meio para tornar possível esta transformação.

Imagine uma sala de aula onde a IA, não substituindo o professor, apoia-o na geraçãoo de planos de aprendizagem personalizados para cada aluno, com base nos estudos académicos e nos desempenhos e interesses individuais.

Existem evidências de que a IA generativa pode ser usada para criar novos meios para os professores colaborarem e apoiarem os seus alunos, possibilitando-lhes que partilhem ideias com colegas de todo o mundo.

A IA pode ajudar os alunos a tornarem-se criadores de conhecimento e não apenas consumidores, e os professores podem realmente tornar-se facilitadores da aprendizagem, em vez de transmissores de conhecimento. Imagine-se um sistema onde a linha entre professores e alunos se confunde à medida que ambas as partes se envolvem num processo dinâmico e em constante evolução, impulsionado por inteligência colaborativa e aumentada – humana e artificial.

Embora alguns estejam fixados nas potenciais possibilidades de plágio e de violação de direitos autorais, deveríamos concentrar-nos nas possibilidades do seu uso para enfrentarmos problemas que provavelmente se tornarão mais complexos e intratáveis nos próximos anos. Os problemas que enfrentamos hoje – alterações climáticas, desigualdade, saúde global, a guerra e a atual crise de refugiados – não estão isolados, mas interligados e exigem que as nossas instituições educacionais e indústrias produzam uma geração capaz de resolver problemas, através do pensamento crítico, da adaptação criativa a cenários facetados e em constante mudança

O desenvolvimento de soluções deve evoluir em sofisticação e adaptabilidade. A IA generativa pode servir como uma ferramenta potente para apoiar pensadores holísticos, equipando-os não apenas com conhecimento, mas também com as ferramentas para gerar novas ideias e soluções.

No entanto, à medida que avançamos, tomamos maior consciência da necessidade de abordar a transformação responsável com fundamentação numa ética que coloque o interesse da sociedade humana em primeiro lugar.

Embora a tecnologia tenha o poder de revolucionar a educação, ela também acarreta o risco de amplificar as desigualdades existentes e criar novas formas de exclusão. Aspectos como a privacidade de dados, preconceitos algorítmicos e exclusão digital, devem ser tidos em conta na implementação de IA generativa em ambientes educacionais

Além disso, devemos garantir que tais tecnologias sejam usadas para aumentar as capacidades humanas, e não para substituí-las, para preservar os aspectos inerentemente relacionais e emocionais do ensino e da aprendizagem.

Este relatório é um convite para educadores, formuladores de políticas, tecnólogos e alunos considerarem a contribuição da IA generativa para o futuro da educação. Estabelecer uma base sobre a qual possamos começar a construir um ecossistema educacional que seja dinâmico, inclusivo e profundamente humano, apesar de ser significativamente auxiliado por tecnologias É um dos muitos que serão escritos por especialistas da USC Rossier Escola Superior de Educação, em colaboração com o Instituto de Tecnologias Criativas, e outros. Vamos embarcar nesta viagem com abertura para romper com o tradicional, mas com uma reverência pelos aspectos inerentemente humanos da educação que nenhuma tecnologia deveria alguma vez substituir.

1 comentário:

Anónimo disse...

Um dos aspetos mais inerentemente humanos da Educação é o Amor. Uns bonecos de lata, cheios de luzinhas brilhantes a piscar, nunca serão capazes de substituir o amor humano que está na base da construção das escolas e jardins de infância tradicionais. Quem duvida que foi a união amorosa entre o povo e o Movimento das Forças Armadas (organizado por oficiais bem educados na Academia Militar) que desencadeou, na madrugada gloriosa do dia 25 de abril de 1974, a Revolução dos Cravos, da qual ainda hoje colhemos frutos sumarentos e doces, como os pêssegos de Alcobaça e as laranjas do Algarve?!
A meu ver, a Inteligência Artificial, será útil, e terá o seu lugar no sistema de ensino português, se fizermos dela uma burra de carga ao serviço das aprendizagens essenciais e do perfil de cidadão democrático do aluno à saída da escolaridade obrigatória. Assim, a minha proposta vai no sentido de os professores abdicarem das tarefas sujas ligadas ao ensino/ aprendizagem tradicionais, como sejam o ato de pensar e a transmissão de conhecimento, que ficarão a cargo da IA, e reservarem para si a difusão do Amor dentro das escolas, garantindo, a todos, todos, todos, uma convivência concreta com as virtudes cristãs, como seja poder usufruir de três refeições quentes ao longo do dia.

"Nós, professores, já não lemos. Nem sequer estudamos."

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