quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

"Portugal nos séculos XX e XXI" de Luísa Villarinho Pereira

O livro "Portugal nos séculos XX e XXI" e o subtítulo "Recordado através da imprensa, TV e algumas obras de referência" é uma história de Portugal desde a implantação da República até à actualidade.

Trata-se de uma edição da autora, Luísa Villarinho Pereira, que acaba de ser publicado em Lisboa. É o 13.º livro da autora, a maioria também em edições da autora de boa qualidade. Destaco "Um médico no Chiado- Dr. Salvador Villarinho Pereira (1879-1948)", (Lisboa, 2003), "Moçambique -Manoel Pereira (1815-1894). Fotógrafo commissionado pelo Governo português" (Lisboa, 2013),  "Moçambique II - Manoel Joaquim Romão Pereira (1815-1894). Novas revelações sobre a sua colecção fotográfica" (Lisboa, 2017) e "Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa (1936-1911). Contributo para a sua memória" (Lisboa, 2018). A autora, que é artista plástica e também autora de poesoia,  focou-se nestas obras na  história familiar, uma microhistória que no caso é muito interessante: Salvador Pereira, médico obstreta e fotógrafo amador,  foi o seu pai e Manoel Pereira, fotógrafo, foi seu bisavô, avô do seu pai  (Manoel Pereira foi no século XIX, fotógrafo pioneiro em Moçambique). 

Marcas fortes do seu último livro são a profusa iconografia a preto e branco (muitas das imagens são do arquivo familiar, estando reservados os direitos de reprodução) e a lista de mais de 100 páginas com todos nomes dos governantes da República Portuguesa desde o seu estabelecimento. É um trabalho que é tão meticuloso quanto útil, que exigiu bastante tempo e o recurso a várias fontes.

Este livro - em contraste com outros com um teor mais memorialista e pessoal - é mais objectivo e impessoal. Mas não deixa por isso de manifestar opinião e opinião forte. Uma tónica da autora, patente tanto na contracapa como num poema no final do corpo de texto, é a luta contra a indignidade e a corrupção. Com base em relatos de imprensa, são apresentados vários casos recentes, que ensombram a nossa política e que não convém esquecer. A autora tem razão ao apontar o dedo a essas velhas chagas nacionais que ainda nos assolam. A resistência contra esse inimigos não se pode fazer sem a memória  histórica  de que este livro dá amplo testemunho..

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