segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Luz e Sombra em 2015: Meu Depoimento ao Jornal de Negócios

O Negócios pediu a dez personalidades para escrever sobre as lições que 2015 nos deixou. Veja o que diz o professor Carlos Fiolhais:

O ano de 2015, como aliás todos os anos, teve luz e teve sombra. Teve muita luz pois foi, por decisão da UNESCO, o Ano Internacional da Luz. Em todo o mundo multiplicaram-se os eventos que, entre outros aniversários luminosos, celebraram os cem anos de uma obra maior do espírito humano: a teoria da relatividade geral de Einstein, que descreve o cosmos desde o o Big Bang aos buracos negros. Passados cem anos a luz de Einstein continua viva.

Mas o ano foi também ensombrado. Por ironia da história foi em Paris, a “cidade luz”,  que alberga a sede da UNESCO onde foi inaugurado o Ano da Luz, que se escreveu uma das páginas mais negras da nossa história recente: foram ceifadas 130 vidas inocentes, lembrando-nos que o ser humano, eivado do fundamentalismo, se é capaz do melhor é-o também do pior. A União Europeia vive tempos difíceis, ao ter de enfrentar a questão  do terrorismo e outras, com ela relacionadas, como a dos refugiados. Tudo isto num clima de crise económica.


Em Portugal  o acontecimento do ano foi a entrada em funções do novo governo,  resultado para muitos surpreendente das eleições de Outubro. A solução governativa liderada por António Costa veio relançar a política no nosso país após um período em que ela esteve adormecida. Mudanças nalguns sectores eram necessárias e estão a ser feitas. Destaco uma:  foi posto fim a um período de algum apagamento da ciência entre nós.  Se há uma marca do desenvolvimento em Portugal após 1974 ela foi o Big Bang da ciência, com o crescimento do número de doutorados e de instituições científicas que os acolhem.  Agora, após quatro anos escuros, a ciência será de novo relançada, esperando-se que ela possa  contribuir para o nosso crescimento cultural, social e económico. 

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