terça-feira, 27 de março de 2018
A CALLAS EM LISBOA
Em breve passam 60 anos que a Maria Callas cantou no Teatro de S. Carlos em Lisboa. A hemeroteca de Lisboa muito atenta celebra.:
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/ArquivoNewsletter/2018/NEsp_MariaCallas/NEsp_MariaCallas.htm
Sobre ópera recomendo vivamente o livro quase a sair na colecção Ciência Aberta da Gradiva "Poções e Paixões. Química e Ópera" do químico João Paulo André.
UMA DIRECTORA DE CULTURA QUE NÃO QUER SER INCOMODADA
O Público expôs ontem o caso da Directora Regional do Centro que exprimiu de um modo inopinado o desejo de não ser "incomodada" por agentes culturais. Um agente cultural chegou mesmo a afirmar que ela "não aparece, não vê e nunca se interessou":
https://www.publico.pt/2018/03/26/culturaipsilon/noticia/celeste-amaro-e-as-estruturas-culturais-do-centro-nao-aparece-nao-ve-nunca-se-interessou-1808017
Também eu juntei o meu nome ao abaixo assinado. De facto, vivo em Coimbra, no centro da região Centro, onde parece que fica a tal "Direcção Regional da Cultura, e não sei quem é e o que é que faz a tal directora, que soma anos e anos no cargo. Fico com a ideia que é apenas um cargo para dar um salário a uma comissária política que hoje é do PSD como podia ser do PS.
Já escrevi que há um grave problema cultural em Coimbra, um problema para o qual tanto o PS como o PSD têm contribuído no governo da autarquia pois ambos se têm mostrado alheios à cultura. Decerto que esse problema não vem só da Câmara da Coimbra, onde há uma vereadora da Cultura do PS que também não sei quem é (dizem-me que é alguém completamente estranho à cultura e que só está lá por estrita obediência partidária). Vem também do governo nacional, o anterior e o actual, que não investem o suficiente em cultura, no Centro ou noutras regiões do país, e que têm directoras regionais como aquela que agora manifestou o seu significativo incómodo ("Teatro? Façam-no se quiserem, mas não me chateiem", é o que ela pensa). A percentagem do PIB que tem sido investida em cultura pelo governo central é muito "poucochinho". E, a avaliar pela atitude da delegada regional do Centro, o pouco que existe é provavelmente, mal distribuída. No entanto, a cultura, aqui como noutros sítios, depende criticamente dos apoios do Estado. Não é uma questão entre os agentes culturais e os públicos, perante o qual o Estado se mantém alheio. O actor Nunes Lopes afirmou na recente atribuição dos prémios Sophia: “A cultura é uma responsabilidade do Estado. Juntem-se a nós e façam a vossa parte, senhores governantes."
https://www.publico.pt/2018/03/26/culturaipsilon/noticia/celeste-amaro-e-as-estruturas-culturais-do-centro-nao-aparece-nao-ve-nunca-se-interessou-1808017
Também eu juntei o meu nome ao abaixo assinado. De facto, vivo em Coimbra, no centro da região Centro, onde parece que fica a tal "Direcção Regional da Cultura, e não sei quem é e o que é que faz a tal directora, que soma anos e anos no cargo. Fico com a ideia que é apenas um cargo para dar um salário a uma comissária política que hoje é do PSD como podia ser do PS.
Já escrevi que há um grave problema cultural em Coimbra, um problema para o qual tanto o PS como o PSD têm contribuído no governo da autarquia pois ambos se têm mostrado alheios à cultura. Decerto que esse problema não vem só da Câmara da Coimbra, onde há uma vereadora da Cultura do PS que também não sei quem é (dizem-me que é alguém completamente estranho à cultura e que só está lá por estrita obediência partidária). Vem também do governo nacional, o anterior e o actual, que não investem o suficiente em cultura, no Centro ou noutras regiões do país, e que têm directoras regionais como aquela que agora manifestou o seu significativo incómodo ("Teatro? Façam-no se quiserem, mas não me chateiem", é o que ela pensa). A percentagem do PIB que tem sido investida em cultura pelo governo central é muito "poucochinho". E, a avaliar pela atitude da delegada regional do Centro, o pouco que existe é provavelmente, mal distribuída. No entanto, a cultura, aqui como noutros sítios, depende criticamente dos apoios do Estado. Não é uma questão entre os agentes culturais e os públicos, perante o qual o Estado se mantém alheio. O actor Nunes Lopes afirmou na recente atribuição dos prémios Sophia: “A cultura é uma responsabilidade do Estado. Juntem-se a nós e façam a vossa parte, senhores governantes."
segunda-feira, 26 de março de 2018
STEPHEN HAWKING (1942-2018)
Minha crónica no último "As Artes entre as Letras", revista cultural do Porto:
Faleceu no dia 14 de Março Stephen Hawking, o
astrofísico britânico que nos deixou contributos originais sobre alguns dos
maiores mistérios do Universo: o início de tudo (Big Bang) e o fim de tudo (buracos negros) e também um dos mais bem
sucedidos divulgadores de ciência do nosso tempo, tendo contribuído como poucos
para a educação científica global.
No domínio mais estritamente científico, Hawking
propôs uma ligação entre a teoria da relatividade geral de Einstein, que
descreve tanto o Big Bang como os
buracos negros, e a teoria quântica de Planck, Einstein, Bohr, Heisenberg e
Schroedinger. Essas teorias, surgidas ambas no início do século passado,
assentam em pressupostos diferentes e têm objectos distintos: a teoria da
relatividade geral visa descrever o fenómeno da força da gravidade, em
particular as suas manifestações em grande escala no Universo ao passo que a
teoria quântica visa descrever o mundo em pequeno escala, a escala das
partículas fundamentais, núcleos atómicos, átomos e moléculas, um mundo onde a
força da gravidade não desempenha papel relevante. Mas, no início do mundo, de
acordo com a teoria do Big Bang, segundo
a qual o Universo está em expansão desde o seu primeiro instante, o grande era
pequeno, pelo que deve haver uma teoria unificada, isto é, uma teoria que
combine a teoria da relatividade geral com a teoria quântica. Teorias desse
género são vulgarmente designadas de “teorias de tudo” e as “teorias de cordas”
ou “de supercordas” enquadram-se nessa categoria. Sem ter chegado ele próprio a
uma teoria completa desse género, Hawking juntou alguns ingredientes da teoria
quântica à teoria da relatividade geral, tendo chegado a uma conclusão assaz paradoxal.
Os buracos negros, as estrelas extremamente densas que atraem tudo à sua volta
incluindo a luz, poderão afinal, graças a efeitos quânticos, emitir radiação,
feita de partículas ou de luz. Portanto, os buracos negros podem afinal não ser
negros. E mais: em vez de aumentarem constantemente a sua massa por tudo
“engolirem” poderão “evaporar”, encolhendo ao longo do tempo. Contudo, essa
previsão de Hawking não foi até hoje confirmada pela observação astronómica,
existindo até bons motivos para esse défice de evidência: para os buracos
negros cuja massa é de algumas vezes a massa do Sol essa radiação é
insignificante. Sobra o caso hipotético de miniburacos negros, buracos negros muito
pequenos eventualmente formados no Big
bang. Mas esses já se podem ter evaporado completamente...
Por outro lado, e em paralelo com a sua carreira
científica, Hawking desenvolveu uma carreira de divulgador de ciência. É
paradoxal que um cientista sem voz, devido a uma doença neurológica progressiva
que se manifestou aos 21 anos, se tenha tornado num dos maiores comunicadores
de ciência. Numa fase mais avançada da ciência, o astrofísico só podia
comunicar por um meio de um sistema electrónico que fazia soar uma voz robótica
com sotaque americano. Stephen Hawking conseguiu alcançar um êxito global
através de livros, de filmes e, claro, da Internet. A sua obra principal é Breve História do Tempo. Do Big Bang aos buracos negros, que é
considerado o livro de ciência mais popular de todos os tempos por terem sido vendidas,
em mais de 50 línguas, mais de 20 milhões de cópias. Em Portugal foi publicado
pela Gradiva em 1988, no mesmo ano em que saiu em Inglaterra, como n.º 27 da
colecção Ciência Aberta, tendo sido
um dos livros mais vendidos dessa colecção. Estando esgotada a primeira edição,
está à disposição do público português uma versão ampliada deste livro que é comemorativa
do 10.º aniversário do aparecimento da obra (Gradiva, 2000), existindo também uma
edição de capa dura em bom papel e ricamente ilustrada (Gradiva, 1996). A
partir do livro original foi ainda preparada pelo autor, em colaboração com o
físico Leonard Mlodinow, uma versão mais curta, intitulada Brevíssima história do tempo (Gradiva, 2007). Hawking não morreu no
sentido em que o podemos encontrar nestes e noutros seus livros, entre os quais
devem ser destacados os dois mais recentes: O
grande desígnio (Gradiva, 2011, escrito em colaboração com Mlodinow), onde
actualiza alguma da informação que tinha sido dada em Breve História do tempo, e A
Minha Breve História (Gradiva, 2014), que como o próprio nome indica é uma
autobiografia pouco extensa.
Os
leitores mais jovens podem aprender com Hawking nos cinco livros que a sua
filha Lucy escreveu com ele e que entre nós estão publicados pela Presença: A Chave Secreta para o Universo (2008), Caça ao tesouro no
espaço (2009), George e o Big
Bang (2012), George e o código secreto do universo
(2017) e George a Lua Azul (2017).
E acrescem ainda vários filmes sobre a obra e a
vida de Hawking. Na primeira categoria é de salientar A Brief History of Time, de Errol Morris, de 1992, um documentário
contendo depoimentos de várias pessoas que nunca estreou entre nós em salas
comerciais mas que pode ser encontrado no youtube
na íntegra, e nos segundos A Teoria de
Tudo, do realizador britânico James Marsch, que estreou em 2014 e que deu em
2015 um óscar de melhor actor ao também britânico Eddie (Edward) Redmayne. Este
último filme é baseado na obra biográfica da primeira mulher do cientista, Jane
Hawking (nascida Jane Wilde), intitulada Viagem
ao Infinito (Marcador, 2015). De facto, o enredo deste filme, embora
baseado no livro, é bastante romanceado, de modo a reforçar o interesse
cinematográfico. As apreciações do filme foram bastante favoráveis, tendo essa
obra artística contribuído para a expansão da fama de Hawking.
Na Internet, a fama de Hawking está desde há
muito em expansão. Colocando “Stephen Hawking” no Google encontra-se um total
de 84,7 milhões de resultados, o que excede o resultado para “Albert Einstein”,
que é apenas de 64,6 milhões. Assim, se o lugar cimeiro de Einstein na história
da ciência não foi de modo nenhum arredado por Hawking, já o seu lugar na
ribalta dos media terá sido ultrapassado. Stephen Hawking prestou um enorme
serviço à ciência ao afirmar-se como um extraordinário comunicador de ciência.
Através da sua figura icónica, a ciência – as grandes questões sobre o Universo
e o método para as enfrentar – chegou, neste canto do Universo, a muito mais
gente.
sábado, 24 de março de 2018
quinta-feira, 22 de março de 2018
PENSAR COMO UM MACACO
Meu artigo de opinião, publicado hoje
no diário "As Beiras”:
“Sente-se perdido na sua própria abundância.
Com mais meios, mais saber, mais técnica do que nunca, afinal de contas o mundo
actual vai, como o mais infeliz que
tenha havido, puramente à deriva”- Ortega y Gasset.
Reporto-me
ao texto intitulado “Em defesa da Gramática: Vargas Llosa contra linguagem da Net”, publicado no
“Expresso” (30/04/2011). Numa espécie de libelo civilizacional escreveu este festejado literato:
“Os
jovens que abreviam palavras nas redes sociais e nos SMS ‘pensam como macacos’,
considera o escritor peruano Mário Vargas Llosa. O Nobel da Literatura de 2010
considera, numa entrevista à revista uruguaia ´Búsqueda’, que a Net ‘liquidou a
gramática´, gerando uma espécie de barbárie sintática’. E justifica: ‘Se escreves assim, é porque falas assim; se
falas assim, é porque pensas assim, e se pensas assim pensas como um macaco.
Isso parece-me preocupante. Talvez as pessoas sejam mais felizes assim. Talvez
os macacos sejam mais felizes do que os seres humanos. Não sei.”
A utilização dos
computadores por gerações escolares deve ser havida como uma espécie de arma de
dois gumes por promover, em minha
opinião, aspectos positivos em determinadas idades e negativos em idades muito jovens, facto reconhecido pelo insuspeito Steve
Ballmer, ex-presidente da Microsoft, ao confessar: “Eu testo, mas não uso no dia-a-dia. Mais importante, meus filhos não
usam". Os meus filhos não utilizam computadores, eles são bons
meninos!"
Entretanto, em nosso tempo, certas aprendizagens escolares não envolvem suficientemente, e em devido
tempo, não só a motricidade fina exigida
pela escrita manual (como sentenciou J. Bronowski, “a mão é o lado afiado da mente”) em prol do desenvolvimento dos respectivos centros cerebrais e,
simultaneamente, descuram o aumento da capacidade da memória que pode
ser considerada como uma biblioteca privada a que se recorre sempre que
necessário. Hoje, estas funções são
substituídas pela consulta permanente, abusiva e viciosa ao Google. Como tenho escrito, com
amarga ironia, várias vezes, corre-se o risco de ao perguntar-se hoje a um
aluno quem foi o 1.º Rei de Portugal se
obter a resposta: "Um momento, vou
ver ao Google”!
Por outro lado, pela servidão aos jogos computacionais (para
utilizar um lugar comum, acrescida pelas horas e horas passadas frente aos
écrans da televisão) os jovens deixaram
de ler bons autores que são a base de bem escrever na adultícia. Minha falecida
Mãe, senhora de invulgar cultura, defendia o esforço na aquisição das
aprendizagens. Recordo-me, a propósito, que sempre que lhe pedia para me dar o
significado de uma palavra mais difícil me dizer: "Vai ver ao dicionário"! A que eu contrapunha, “agora não posso por estar atrasado para a entrada
nas aulas”. Sem desarmar, retrucava-me:
"Então, escreve a palavra num papel e quando regressares das aulas
consultas o dicionário". Estou convencido que o meu domínio, mais ou
menos, satisfatório da língua pátria a ela o devo!
Ocorre-me, outrossim,
como li algures, a opinião de um
outro autor que se antecipando-se no tempo, escreveu: “Eu não tenho medo que os computadores venham a pensar como nós,
temo é quando nós viermos a pensar como
os computadores!”. Esta previsão, traz-me à memória o livro “2001, Odisseia
no Espaço”, que serviu de guião a um filme do mesmo nome de Stanley Kubrik, que
resumidamente nos conta a viagem de habitantes
terráqueos a um planeta distante anos-luz de uma nave espacial que
obrigava s seus viajantes a hibernarem sendo a nave orientada, entretanto, por um computador, de seu nome, “Hal”,
comandado da terra, que, a páginas tantas,
se revolta assumindo de motu proprio
o respectivo destino. Aliás, uma espécie
de antevisão de uns tantos automóveis actuais dirigidos unicamente por computadores.
Não quero, com isto, tornar-me num espécie de bota-de-elástico,
avesso a “Um Admirável Mundo Novo” (Aldous Huxley) que permitiu ao homem voar e,
milénios depois, as viagens espaciais, a exemplo de Ícaro, figura da Mitologia Grega, que ao
libertar-se da força da gravidade teve o
fim funesto de ver as suas asas de
cera derretidas por se ter aproximado
demasiado do Sol.
Honra à era computacional! As viagens
espaciais nunca teriam sido possíveis sem os complexos cálculos efectuados
pelos computadores actuais. Ou seja, como tudo na vida, a utilização dos
computadores nas aprendizagens escolares deve ser feita com conta, peso e medida tendo sempre presente o
receio de Einstein: “Temo o dia em que a tecnologia se sobreponha à humanidade. Então o
mundo terá uma geração de idiotas!
quarta-feira, 21 de março de 2018
OS BURACOS NEGROS SERÃO MESMO NEGROS?
Meu artigo na Ciência na Imprensa Regional, já saído em mais de uma dezena de publicações:
Stephen Hawking (1942-2018) foi
um apaixonado pelos mistérios do Universo. Confrontou-se com grandes desafios,
como a natureza do Big Bang, o início
do espaço e do tempo, que estão ligados no chamado espaço-tempo, e os buracos
negros, os fins do espaço-tempo. Tanto quanto sabemos, o Universo começou com o
Big Bang, uma gigantesca explosão que
colocou o espaço em expansão, e o Universo tem sorvedouros, os buracos negros,
que não são buracos mas sim concentrações prodigiosas de massa e energia que
encurvam o espaço-tempo. Esses fenómenos cósmicos são descritos pela teoria da
relatividade geral de Einstein, a teoria física que melhor descreve a
gravitação universal. Hawking legou-nos uma hipótese revolucionária: os buracos
negros não são afinal negros pois, se considerarmos efeitos quânticos que não
estão incluídos na teoria da relatividade geral, os buracos negros poderão ser
luminosos. Como é que ele chegou a essa conclusão?
Um buraco negro é o núcleo de uma
estrela de grande massa que explodiu, lançando fora o seu invólucro (essas
explosões chamam-se supernovas). O que fica é tão pesado que atrai toda a massa
à volta, uma vez que um corpo com grande massa exerce uma força muito intensa
sobre outros corpos com massa que estejam próximos. Tudo vai para dentro do
buraco negro! Se um astronauta estivesse perto também ia lá para dentro, sem hipótese
de retorno. Até a luz vai lá para dentro, uma vez que ela segue o caminho mais
curto e o espaço está deformado em volta do buraco negro. O buraco é negro
porque recebe luz e, pelo menos no quadro da teoria da relatividade geral, não
pode emitir nenhuma. No filme Interstellar,
aparece um buraco negro que é realmente negro. Contudo, na fronteira do buraco,
na superfície esférica da qual, uma vez lá dentro, nada sai, existe, segundo a
teoria quântica, a possibilidade de se formarem pares de partículas e antipartículas.
Uma delas poderá cair dentro do buraco negro, enquanto a outra se escapa para o
exterior. Ao conjunto dessas partículas emergentes (que podem ser de luz, os
fotões) é que se chama “radiação de Hawking”. O astrofísico inglês chegou ao
conceito juntando a teoria da relatividade com a teoria quântica de uma maneira
intuitiva usando aproximações. Se estiver certo, os buracos negros poderão
“evaporar-se”, pois as suas massa e a energia poderão diminuir. Mas existirá
mesmo essa radiação?
A radiação de Hawking não foi até
hoje detectada. Acontece que a especulação de Hawking nos permite perceber
porquê. Buracos negros com algumas vezes a massa do Sol, como aqueles que conhecemos,
têm uma temperatura muito baixa e a sua radiação é insignificante. A radiação
de Hawking seria detectada se existissem mini-buracos negros, esses sim muito
quentes, que se tivessem formado no Big Bang.
Mas, se foram formados no início do mundo, já tiveram mais do que tempo para se
evaporar.
A ideia de Hawking é brilhante,
digna de um Prémio Nobel caso fosse comprovada. Hawking já não está entre nós
pare receber esse prémio, mas a sua ideia permanece à espera de novas
possibilidades de teste.
Poema "Marketing" (1969) de Fernando Namora
O
poema “Marketing”, de 1969, é um exercício de ironia sobre o
mundo moderno e o consumismo, tendo como base mensagens
publicitárias da época em que foi escrito (e outros aspectos sociais
e políticos que não vou aqui comentar). O que gostaria de referir,
ainda que superficialmente, são os
muitos produtos referidos que, em alguns casos, têm uma história
química interessante e positiva para o bem-estar da humanidade e a
sustentabilidade do planeta. Embora a poesia seja para ser lida sem
interrupções, olhemos para algumas partes do poema:
Aqui a meu
lado o bom cidadão
escolheu Sagres
que é tudo
tudo cerveja
a pausa que
refresca
a longa pausa de
um longo cigarro King Size.
atenção ao marketing.
A
marca de cerveja Sagres surgiu em 1940 para a Exposição do
Mundo Português, lançada pela Sociedade Central de Cervejas e
Bebidas, fundada em 1934. A marca de cerveja Super Bock surgiu
em 1927, mas a sua distribuição fazia-se apenas no Norte até aos
anos 1970, além de que não se colava tanto ao regime como a Sagres.
A tecnologia da produção de cerveja industrial envolvem muitos
aspectos químicos.
Os
cigarros King Size foram muito populares. Fernando Namora,
como muitos médicos da altura, assim como as suas personagens, era fumador.
Embora já fossem conhecidos os malefícios do tabaco, os anúncios
eram livres e, em muitos casos, envolvendo a sugestão de benefícios.
Há várias outras referências a tabaco no poema, nomeadamente às
marcas Estoril, Valetes, Kaiakes
e Marialvas, já desaparecidas e ao uso de filtro nos
cigarros.
Eu
não gosto de cerveja
mas
tenho de gostar que os outros gostem de cerveja
sobretudo
da Sagres
para
não contrariar os fabricantes de cerveja.
atenção ao marketing.
Ninguém
contraria os fabricantes de cerveja
ninguém
contraria os fabricantes do Opel e da Super Silver
nem
os fabricantes de alcatifas para panaceias
nem
as panaceias nem os códigos e os édredons macios
nem
as mensagens de natal dos estadistas
nem
os negociantes de armas da Suíça
nem
o homem de capa negra que virou as costas ao Palmolive.
Está
tudo perfeito e deito-me no conforto de um Lusospuma
a
ver as procissões passar mesmo sem anjos mesmo sem anjos
que
são agora selvagens e voam numa Harley.
As
marcas de automóveis Opel
e Ford, com o modelo
Escort desta última a
aparecer
mais à frente, são aparentemente,
na altura, publicitados em
Portugal. Os carros desse
tempo eram muito menos
seguros e fiáveis,
além de mais
poluentes e muito mais
consumidores de combustível.
Usavam gasolina com chumbo e ainda não estavam em uso, ou não
tinham sido inventados, o airbag, os catalisadores,
os vidros duplos, a injecção
electrónica,,
entre muitas outras coisas que nos parecem normais
hoje em dia. As marcas de
motas Harley Davidson
e Super Silver
aparecem aqui num estatuto quase mítico. O Palmolive
e o Lux, que aparecerá
mais à frente, são sabonetes. Este objecto de higiene que
permitia um uso mais frequente do
que os sabões, como o Clarim
para lavar a roupa, referido
mais à frente, está
hoje quase completamente substituído pelos sabonetes líquidos que
envolvem surfactantes líquidos, na altura ainda não inventados,
foi uma revolução.
Lusoespuma
era uma marca de colchões de espuma de poliuretano, material ainda
hoje usado. Este material sintético substituiu com grande vantagem e
versatilidade materiais naturais, como a palha, nos colchões mais
económicos e populares. E com a evolução da tecnologia, surgiram
colchões de poliuretano e materiais mistos que rivalizam com os
melhores e mais caros colchões de materiais naturais mais nobres.
Além disso, não seria sustentável nem possível usar sumaúma ou
outros materiais naturais para tanto colchão do mundo moderno. No
entanto, a reciclagem e a reutilização de tecidos pode abrir novos
caminhos.
Deito-me
e obedeço aos fabricantes do Clarim
que
é uma alta onda ou uma onda alta
sem
esquecer as fitas do John Waine e a chama viva do Butagás
e
se calhar sentir fome terei toda a frescura serrana
numa
fatia de pão.
atenção ao marketing.
Vitonizo-me
desodorizo-me atravesso as ruas nas passagens dos peões
louvo
quem me dizem para louvar e desconfio dos negros americanos
e
dos blousons noirs que não usam Lux
e
não compram um frigorífico a prestações
e
com o meu escudo invisível
protejo-me
dos vírus subversivos
sou
um bom cidadão sou um bom cidadão
obedeço
ao marketing à General Motors e ao Pentágono.
Dantes
tinha problemas era o odor corporal
e
eu não o sabia até me higienizar seis vezes ao dia com o sabonete
[das estrelas
[das estrelas
e
as paradas marciais e os 5-3 do Eusébio à Coreia
e
o talco Cadum que ama demoradamente roucamente tepidamente
os
corpos que merecem ser amados...
O
Butagás é (era?) uma marca de botijas de gás butano, usado
para cozinhar e aquecimento. Por esta altura o gás já tinha
substituído praticamente todos os usos equivalentes do petróelo,
mas em boa parte do país em que se cozinhava a lenha e em Lisboa
existia o gás de cidade. Vitonizar-se, é aparentemente,
tomar um tónico de ferro e fósforo que era publicitado na altura –
hoje em dia publicitam-se os de mangustão e cálcio. O desodorizante
(mais à frente é referido o Rexina, agora Rexona) é um produto em
contínua evolução e desenvolvimento, desde os perfumes aos
materiais bactericidas e absorventes do suor. O frigorífico é um
objecto que só na segunda metade do século XX se tornou popular,
graças ao desenvolvimento e baixo custo dos fréons. O talco (Cadum)
é um material natural (rocha) que misturado com perfumes e outros
ingredientes era muito popular pelas suas propriedades paradoxalmente
simultaneamente hidrofóbicas e hidrofílicas.
Obedeço
ao marketing não contrario.
Ninguém
contraria os fabricantes das ideias e os fabricantes do Fula
que
é o da cor do sol
ninguém
pisa os riscos brancos do tráfego
nem
chama os bombeiros sem concorrer ao sorteio
concorro
concorro e vejo nos sinaleiros o pai natal vestido de
Scotchgard
ninguém
sai do emprego antes de assinar o ponto a horas fixas
e
gastar o dinheiro da semana sábado à tarde
no
Dardo que é tudo a prestações e é mesmo em frente da Música
no Coração.
Fazendo
Portugal mais alegre com o folclore da TV e a tinta Robbialac
não
contrario obedeço obedeço e meto os meninos na cama
quando
me dizem vamos dormir.
atenção ao marketing.
O
óleo Fula ainda hoje existe e é bem conhecido. A
obtenção de óleos a partir de plantas foi algo que se desenvolveu
muito no século XX e permitiu acabar com a caça da baleia entre
outras práticas pouco sustentáveis. Scotchgard era e é um
protector de tecidos, repelente de água, desenvolvido pela 3M.
Robbialac é uma marca de tintas que tinha já na altura, se
não estou em erro, tintas plásticas que polimerizam ao secar. Hoje
em dias a paleta de cores e de propriedades das tintas é muito mais
extensa que no tempo de Namora e estes materiais são ambientalmente
muito mais eficientes e responsáveis, nomeadamente há cada vez mais
tintas e vernizes à base de água e com materiais não tóxicos. Os
pigmentos brancos são agora de dióxido de titânio em vez do antigo
e tóxico carbonato de chumbo.
Sagres
é uma boa cerveja
e
eu acabarei por gostar da Sagres
como
gosto do Rexina.
Sagres
é a pausa que refresca e tem vitaminas
todas
as bebidas da televisão têm vitaminas
mesmo
as do programa literário que é detergente
e
eu uso-as e sou um cidadão perfeito
e
até já consigo adormecer com hipnóticos
depois
de tomar o Tofa descafeinado
e
no Verão visto calções de banho de fibras sintéticas
para
me banhar na Torralta
cidadão
perfeito perfeitamente bronzeado com o Ambre Solaire.
Também
hoje os refrigerantes e bebidas continuam a ter reforços de
vitaminas adicionadas, nomeadamente ácido ascórbico
(vitamina C). Já não se usam hipnóticos para dormir, os
quais eram muito perigosos. Desde o tempo que Namora refere
apareceram muitas outras moléculas e terapias que são mais eficazes
e seguras. Os processos de obtenção de café solúvel e
descafeinado evoluiram também muito. Já não são usados solventes
orgânicos, mas fluidos supercríticos, por exemplo. Os calções e
muitas roupas são actualmente de fibras sintéticas. Estas acabam
por ser mais sustentáveis em termos de produção e têm
propriedades de elasticidade e de contacto com a água muito mais
alargadas. Há hoje muitos mais protectores solares que o Ambre
Solair. E são mesmo protectores solares testados para a
protecção anti-UV física ou química.
Também
vou arear as caçarolas e os nervos e os miolos
com
um pó azul de que não me lembra o nome
não
me lembra mas a culpa já não é minha
porque
na mesma noite
massajado
com Aqua Velva
fiz
a barba com Gillette, e Schick e Nacet
e
fui não sei aonde sempre com a mesma lâmina
e
oito dias depois (eu era actor ou toureiro?)
a
lâmina ainda me escanhoou mais uma barba
antes
de eu descer no aeroporto
onde
me esperava um agente do marketing.
Os
produtores viram-me à descida do avião
primeiro
julgaram que era o filho da Sophia Loren
ou
o Onassis mas era eu
e
gostaram da minha barba bem feita.
(Da
barba bem feita
ou
do casaco Dralon que não se amarrotara
durante
a viagem da Polinésia para Lisboa?)
Confesso
que já não me lembra mas a culpa não é minha
pois
na mesma noite
fui
o homem de não sei quê que marca o rumo
por
vestir regras ou camisas ou calças que não enrugam
e
fartei-me de assistir a discursos e a inaugurações
e
fartei-me de comer chocolates Regina e pescada congelada
e
de lavar a roupa com Ajax e com o Rino
e
de me banhar com Omo ou seja uma onda de brancura
e
fiz-me mecânico de automóveis
só
para que o cavaleiro da armadura branca
me
tocasse com a sua lança mágica
e
me pusesse branco branco branco
três
vezes branco como as páginas do Reader’s
de
cérebro irrepreensivelmente lexivizado
pelos
locutores da televisão pela oratória dos políticos
e
passado a ferro com um ferro eléctrico automático
que
talvez fosse – ou não? – uma enceradora Philips.
Tudo
coisas admiráveis e desesperadamente necessárias
que
eu devo ao marketing
e
me são cozinhadas num abrir e fechar de olhos
nas
palavras de pressão
de
todo o bom cidadão.
E
no intervalo bebi café puro o do gostinho especial
Sical
Sical que é um luxo verdadeiro
Por
pouco dinheiro.
Vitonizado
esterilizado comprando e concorrendo
esqueci-me
de amar do amor das árvores e do rio
esqueci-me
de mim tão entretido estava a admirar a Lisnave
esqueci-me
do rio e dos barcos
e
da saudade de pedra do Fernando Pessoa
e
esqueci-me de sonhar que era marinheiro.
Aqua
Velva, é um after-shave criado em 1935, que tem na sua composição,
segundo o site Fragrantica.com, além do solvente, álcool e águas,
bergamota, lavanda, hortelã, petitgrain, limão verdadeiro ou
siciliano, sálvia esclaréia, jasmim, vetiver, sândalo, cedro,
ládano, âmbar, musgo e couro. Estas essências envolvem moléculas
odoríficas provenientes de plantas e muitas podem ser hoje obtidas
de forma sintética. O âmbar referido pode referir-se a um material
obtido dos cachalotes, mas hoje subtituído por um análogo
semi-sintético. Gilette, Schick e Nacet são
marcas de lâminas de barbear. Os desenvolvimentos técnicos e
metalúrgicos que permitiram as lâminas de segurança e mais tarde
descartáveis não podem reduzir-se numa frase. Dralon é um
tipo de tecido sintético acrílico que ainda hoje se fabrica e é
usado. A tecnologia e a química do chocolate, em particular dos
Chocolates Regina, tem muito que pode ser referido, nomeadamente as
reacções envolvidas na preparação do cacau e o controlo do ponto
de fusão e estrutura cristalina do produto final. Ajax, Rino
e Omo são detergentes em pó que foram desenvolvidos para
serem solúveis e não terem problemas com águas duras, envolvendo
fosfatos e surfactantes sólidos solúveis (paralelamente para as
máquinas de lavar, foram desenvolvidos detergentes envolvendo
persulfatos e silicatos, sendo um dos mais antigos o Persil).
Hoje em dia os fosfatos forma substituídos devido ao seu efeito
eutrofizante das águas e os surfactantes não biodegradáveis foram
substituídos.
Concorra
concorra foi isso que não reparei
que
uma rapariga cortou as veias
talves
fosse com uma Diplomatic
que
tem o fio e o silvo de uma espada a degolar avestruzes.
No
programa só havia bombeiros
nem
uma rapariga a cortar as veias (não era a Caprília)
nem
o rio nem o amor nem a raiva da Venezuela.
Se
mágoa sentia era a de ter esquecido
dar
murros no espião da Missão Impossível
(atenção ao marketing)
e
já não saí de casa para ver o rio
só
pelo gosto de me aquecer com um Ignis.
E
na mesma noite noite boa noite branca
fumei
Estoril Valetes Kayakes e bebi Compal
depois
da Salus e da Schweppes
fumei
quilómetros e quilómetros de prazer
quilómetros
e mais quilómetros – há um Ford no meu futuro –
mais
facturas mais fomes mais prazer
e
agora já não sei qual dos cigarros com filtro
me
soube melhor.
Foram
todos foram todos de certeza
pois
se me dizem que preciso de Omo
do
Ajax do Estoril do Dralon
do
esquentador e das alcatifas sem nódoas
não
me preocupo não te preocupes
o
Meraklon não preocupa ninguém
mando
para o diabo o amor e o rio e a rapariga que cortou as veias
não
me preocupo não me preocupo
digo
pois pois ao Jota Pimenta e ao Escort
e
hei-de virar-me do avesso para os possuir.
Os
corpos que merecem ser amados merecem o talco Cadum.
Numa
onda de brancura obedeço ao marketing. Sou um bom cidadão.
Compal,
Salus (marca de água da Vidago) e Schweppes são
marcas bem conhecidas. No caso das águas, há que contar com as
análises química e em alguns casos com a adição de dióxido de
carbono ou aromatizantes, caso da Schweppes. A
marca Meraklon ainda
hoje existe e está relacionada com fibras de polipropileno, entre
outras.
E
na mesma noite
vi
umas bombas que caíam muito ao longe
numa
lonjura mais longe que a Lua
onde
as pessoas podiam estar quietas a fumar Marialvas
e
a lavarem-se com Rino que lava lava lava
lava
três vezes mais lava ou mata que se farta
e
me ajuda a ser bom cidadão.
atenção ao marketing.
Vi
uns homens a inaugurarem estátuas
e
vi fardas e paradas e conferências
e
crianças a sorrir
para
os homens sorridentes que inauguravam estátuas
e
vi homens que falavam e pensavam por mim
a
escolherem por mim o bom e o mau
de
modo a que eu não possa ser tentado
a
confundir o mau com o bom ou vice-versa ou vice-versa.
Deitado
no conforto de um Lusospuma
vi
os porcalhões dos hippies nas ruas de Estocolmo
bem
longe nas ruas de Estocolmo
mesmo
a pedirem uns safanões
dos
homens que acariciam crianças
e
têm todas as verdades na mão
só
para que eu seja um bom cidadão.
É
isto: marco o rumo. As minhas cuecas marcam o rumo.
Preciso
e gosto de uma data de coisas
e
só agora o sei.
Menos
da Sagres. Mas acabarei por gostar.
Ninguém
contraria o marketing por muito tempo.
Ninguém
contraria os fabricantes de bem fazer
o
bom cidadão.
E tudo graças ao marketing.
(na foto a capa da 4ª edição de 1978 rodeada de alguns produtos referidos no poema e de alguns outros que ainda não existiam, ou eram pouco conhecidos em Portugal, em 1969)
(na foto a capa da 4ª edição de 1978 rodeada de alguns produtos referidos no poema e de alguns outros que ainda não existiam, ou eram pouco conhecidos em Portugal, em 1969)
terça-feira, 20 de março de 2018
Terapias alternativas com energias? “Não há uma ciência alternativa”
Estive à conversa com a editora de Ciência Teresa Firmino e com João Villalobos, autor do ensaio Terapias, Energias e Algumas Fantasias, sobre “terapias” alternativas que recorrem só à “canalização de energias”. Para ouvir no podcast do Público:
https://www.publico.pt/2018/03/15/ciencia/noticia/energias-ou-fantasias-nao-ha-uma-ciencia-alternativa-1806823
https://www.publico.pt/2018/03/15/ciencia/noticia/energias-ou-fantasias-nao-ha-uma-ciencia-alternativa-1806823
Entrevista sobre pseudociência na Antena 2
Entrevista que Ana Paula Ferreira me fez para o programa Antena 2 Ciência, a propósito do meu livro Pseudociência, em três partes.
Primeira parte:
A origem da ciência moderna, que surgiu como uma revolta contra os filósofos clássicos, dando primazia à observação e à experiência sobre a autoridade dos antigos. Os descobrimentos ibéricos tiveram um papel, se havia novas terras para descobrir também haveria novo conhecimento. Falamos também de Trump e da desvalorização contemporânea da ciência.
Segunda parte:
Vários argumentos das terapias alternativas, incluindo os disparates da suposta "medicina quântica" ou a ideia que "mal não faz".
Terceira parte:
Aqui dou um curso acelerado de introdução à homeopatia, falamos do disparate da legislação das terapias alternativas e do chorar de barriga cheia que é o movimento anti-vacinas.
Debate sobre Terapias Alternativas com o director da Escola de Medicina Tradicional Chinesa
O meu debate na Rádio Renascença sobre terapias alternativas com José Faro, director da Escola de Medicina Tradicional Chinesa, moderado pelo jornalista José Pedro Frazão:
http://rr.sapo.pt/artigo/108415/terapias-alternativas-e-nao-convencionais
Uma casa para o conhecimento
No Diário de Coimbra de 13 do corrente, e no De Rerum Natura, Carlos Fiolhais escreveu um artigo intitulado «Uma casa do conhecimento em Coimbra», no qual defende que a Penitenciária de Coimbra devia transformar-se numa Casa do Conhecimento. A ideia não é nova. Há alguns anos o mesmo Carlos Fiolhais escreveu uma vez, pelo menos, sobre o tema, e eu próprio, que ao tempo tinha uma crónica semanal no Diário as Beiras, secundei a sua ideia com entusiasmo. E por certo que outros o fizeram. Mas o poder político ficou mudo e calado, achando talvez que a ideia não era oportuna.
Todos devem estar recordados de que se fala, há muitos anos, na inconveniência de manter a penitenciária no centro da cidade, e das deficientes condições de capacidade e segurança de que sofre. E falava-se que iria ser construída uma nova, fora da cidade, no Botão, salvo erro. Recentemente a comunicação social deu conta da intenção de construir vários estabelecimentos prisionais no país, mas não constava dessa lista a cidade de Coimbra. Alguém é capaz de explicar por que é que a intenção desapareceu do horizonte? E por que razão as chamadas “Forças vivas” de Coimbra não reagiram a esta omissão?
A ideia é excelente e a cidade de Coimbra - sobretudo a Universidade e a Câmara Municipal – deviam abraçá-la com todo o entusiasmo e lutar por ela com todas as forças. E em conjunto! Como lembra Carlos Fiolhais, que, recorde-se, foi diretor da Biblioteca Geral, o acervo bibliográfico de Coimbra é riquíssimo e luta com uma cada vez mais dramática falta de espaço. Além disso temos a Biblioteca Joanina, essa joia da coroa da Universidade. Ou seja, há uma ideia de biblioteca, há uma ideia dela em desenvolvimento, para o futuro, para além dos valores bibliográficos e arquitetónicos do passado, que são únicos. Isto é, há, tendo em conta as atuais condições do acervo bibliotecário, uma exigência. Uma urgência. Sendo assim, uma biblioteca moderna, em Coimbra, pelo seu imenso valor, real e simbólico, devia ser acarinhado e motivo de mobilização geral. É, com efeito, um domínio que está longe de ser valorizado e aproveitado em todas as suas possibilidades. Como, infelizmente, acontece com muitos outros.
O espaço envolvente da Penitenciária, no centro histórico da cidade, a dois passos da Universidade, não podia ser melhor para concretizar essa ideia. Imaginem a parte central do edifício recuperado, aproveitado o terreno envolvente para jardim, silos de livros e audiovisuais, anfiteatro, e tudo segundo um traço arquitetónico adequado e de qualidade. Imaginem este espaço entre o Jardim de Santa Cruz e o Jardim Botânico, e tudo isto no coração da cidade e numa das suas mais nobres praças. Dá para perceber que não só valorizaria imenso a cidade, a muitos níveis, como faria subir Coimbra para outro patamar. Bem sei que imaginar não é fazer, mas sem imaginar nem ter vontade nunca se fará nada. Coimbra precisa de grandes ideias. Aqui está uma, que até nem é megalómana mas teria um efeito multiplicador na cidade e na sua qualidade cultural. É necessário recordar que compete ao poder político ter imaginação rasgada, ver ao longe? E, portanto, será desta, ou não é oportuno?
Todos devem estar recordados de que se fala, há muitos anos, na inconveniência de manter a penitenciária no centro da cidade, e das deficientes condições de capacidade e segurança de que sofre. E falava-se que iria ser construída uma nova, fora da cidade, no Botão, salvo erro. Recentemente a comunicação social deu conta da intenção de construir vários estabelecimentos prisionais no país, mas não constava dessa lista a cidade de Coimbra. Alguém é capaz de explicar por que é que a intenção desapareceu do horizonte? E por que razão as chamadas “Forças vivas” de Coimbra não reagiram a esta omissão?
A ideia é excelente e a cidade de Coimbra - sobretudo a Universidade e a Câmara Municipal – deviam abraçá-la com todo o entusiasmo e lutar por ela com todas as forças. E em conjunto! Como lembra Carlos Fiolhais, que, recorde-se, foi diretor da Biblioteca Geral, o acervo bibliográfico de Coimbra é riquíssimo e luta com uma cada vez mais dramática falta de espaço. Além disso temos a Biblioteca Joanina, essa joia da coroa da Universidade. Ou seja, há uma ideia de biblioteca, há uma ideia dela em desenvolvimento, para o futuro, para além dos valores bibliográficos e arquitetónicos do passado, que são únicos. Isto é, há, tendo em conta as atuais condições do acervo bibliotecário, uma exigência. Uma urgência. Sendo assim, uma biblioteca moderna, em Coimbra, pelo seu imenso valor, real e simbólico, devia ser acarinhado e motivo de mobilização geral. É, com efeito, um domínio que está longe de ser valorizado e aproveitado em todas as suas possibilidades. Como, infelizmente, acontece com muitos outros.
O espaço envolvente da Penitenciária, no centro histórico da cidade, a dois passos da Universidade, não podia ser melhor para concretizar essa ideia. Imaginem a parte central do edifício recuperado, aproveitado o terreno envolvente para jardim, silos de livros e audiovisuais, anfiteatro, e tudo segundo um traço arquitetónico adequado e de qualidade. Imaginem este espaço entre o Jardim de Santa Cruz e o Jardim Botânico, e tudo isto no coração da cidade e numa das suas mais nobres praças. Dá para perceber que não só valorizaria imenso a cidade, a muitos níveis, como faria subir Coimbra para outro patamar. Bem sei que imaginar não é fazer, mas sem imaginar nem ter vontade nunca se fará nada. Coimbra precisa de grandes ideias. Aqui está uma, que até nem é megalómana mas teria um efeito multiplicador na cidade e na sua qualidade cultural. É necessário recordar que compete ao poder político ter imaginação rasgada, ver ao longe? E, portanto, será desta, ou não é oportuno?
João Boavida
O TEMPO E OS TEMPOS DA SAGRAÇÂO:
Minha apreesntação hoje na UTAD, Vila Real, da "Sagração da Primavera" de Igor Stravinsky, antes da Orquestra Metropolitana de Lisboa a tocar:
UMA REVOLUÇÃO NA MÚSICA E UMA REVOLUÇÃO NA CIÊNCIA
Na Primavera de 1913, mais
precisamente em 19 de Maio de 1913, aconteceu a estreia no Teatro dos Campos
Elísios em Paris de A Sagração da
Primavera, um bailado do compositor russo Igor Stravinsky (1882-1971) com
coreografia do bailarino Vaslav Nijinski e cenografia e figurinos do arqueólogo
e pintor Nicholas Roerich. A peça foi dançada pelos famosos Ballets Russes, dirigidos por Sergei
Diaghilev. Tanto a música como a dança eram inovadoras. A estreia foi tão
tumultuosa, com uma reacção tão agressiva de um certo sector do público, que
muitos historiadores situam aí o nascimento da música moderna. O tema era a
eclosão da Primavera, um tema universal da música, mas os sons não eram
reminiscentes das harmonias de Vivaldi, mas sim radicalmente novos, com ritmos
tão variados como inesperados, percussões em dissonância, compassos repetidos
mas cruzados com outros, que transmitiam a ideia de uma Primavera que nascia
brutalmente com o sacrifício final de uma jovem que dançava até à exaustão. A
inspiração, como o subtítulo Quadros da
Rússia pagã indica, vinha de ancestrais mitos da Rússia, uma terra onde a
Primavera tudo transfigura.
A música de Stravinsky dialogava
com as artes cénicas e com as artes visuais, numa obra de arte que se pretendia
total. O compositor foi contemporâneo de Pablo Picasso (1881-1971), que não só
o retratou como foi seu colaborador ao fazer as decorações e figurinos do
ballet Pulcinella (1920). Dois
“monstros sagrados” de artes diversas foram, portanto, simultâneos no espaço e
no tempo. E é também curiosa a simultaneidade deles com Albert Einstein
(1879-1958) e Niel Bohr (1885-1962), os dois nomes maiores da física do século
XX, o primeiro autor da teoria quântica e o segundo do primeiro modelo atómico
no quadro da teoria quântica. Quer dizer, arte e ciência sofreram revoluções
simultâneas no início do século XX. Os primeiros trabalhos de Bohr sobre o
átomo – onde apresenta os electrões a girar em torno do núcleo e os fotões a
surgirem quando os electrões saltavam - foram publicados precisamente em 1913,
quando A Sagração da Primavera foi
pateada. Tal como a obra de Stravinsky na música, o modelo de Bohr foi uma
Primavera na ciência. De início estranhou-se, mas depois entranhou-se, para
usar uma expressão de Fernando Pessoa, que também viveu nesse tempo. Ao
ouvirmos esta versão para percussão da “Sagração da Primavera”, por um grupo da
Orquestra Metropolitana de Lisboa, talvez um ouvido atento consiga encontrar
aqui e ali uma representação musical das excitações atómicas de Bohr. O Universo,
no domínio do muito pequeno, dança ao som da sua própria música.
domingo, 18 de março de 2018
"Say goodbey to science and hello to de sciencepiration"
A ideia arrojada de que o conhecimento produzido por teóricos e investigadores deve estar ao alcance de todos teve ao longo do século XX, sobretudo a partir da sua segunda metade, tanto na Europa como nos Estados Unidos, particular expressão na ciência, sobretudo na área das ciências físicas e naturais.
Subjaz a esta ideia o pressuposto de que o conhecimento, como expressão da capacidade humana para explicar o real e a própria existência, não é propriedade de quem o produz, pertence a todos e, nessa medida, deve ser partilhada, até como elemento que conduz ao esclarecimento e à tomada de decisões que beneficiem as próprias pessoas.
Criaram-se colecções de livros e de revistas de divulgação científica, produziram-se séries, documentários e concursos para televisão bem como programas de rádio com o mesmo fim. Inauguraram-se museus e centros de ciência, e todos eles abriram as portas, foram para a rua; fundaram-se parques e cidades de ciência atractivos. Muitas universidades proporcionaram especializações em divulgação científica, fizeram-se milhares de teses e de conferências, publicaram-se artigos sem fim. Os sistemas de ensino reforçaram as componentes científicas dos currículos, os cientistas foram às escolas, as crianças e os jovens entraram nos laboratórios e nos auditórios, juntando-se aos especialistas. O esforço de tornar a ciência divertida, viva, prática, do dia-a-dia foi enorme. Com a chegada da internet tudo isto se multiplicou; parecia, enfim, possível levar o modo de pensar em ciência a toda a gente.
Já entrado este século, vimos que o efeito contrário (talvez apenas adormecido) espolotava. E não era só nas ciências ditas moles que ele se fazia sentir, era também nas ciências ditas duras.
Surgia, aliás, um fenómeno novo: ciências moles e duras, antes de costas voltadas, desdenhando umas das outras, viram-se misturadas na mesma tragédia. Expressões da física, da astronomia, da psicologia, da medicina, da história, da pedagogia foram apropriadas pelos mais diversos exoterismos (muitos deles com origens geográfico-culturais distantes) e começaram a aparecer ligadas, sem critério, em discursos ininteligíveis que prometem a salvação dos mais diversos males do mundo.
Universidades e centros de investigação, associações e ordens profissionais, em vez de continuarem a defender os princípios do pensamento e da acção científica, toleraram este fenómeno e alguns dos seus representantes converteram-se a ele. Criaram linhas de trabalho, publicaram livros, fundaram revistas, realizaram encontros científicos, orientaram trabalhos académicos...
Os telhados dessas instâncias tornaram-se de vidro, cada vez mais quebradiço, qualquer areia o parte. Nada podem dizer ou fazer que não lhes seja apontado o dedo e com a substância das provas que vão ficando no espaço virtual.
Tudo isto ultrapassou o (algo cândido) quadro de leitura intelectual que foi o pós-modernismo; é o (aguerrido e agressivo) quadro obscurantista da pós-verdade que se impõe. Com pé-de-lã e voz de veludo dispensa o esforço de pensar, de saber e de questionar, fala ao coração, promete a beleza, a leveza, a diversão, a felicidade...
Este texto foi, em grande medida, inspirado por um vídeo que me foi enviado por um colega biólogo acompanhado do seguinte comentário: "sobre a comunicação da ciência ou, melhor, sobre a dificuldade em comunicar ciência e como a ciência devia ser comunicada nos dias de hoje!"
A ironia é também o registo do filme: "como os cientistas tentam, ainda, comunicar factos usando coisas inúteis como palavras, é tempo de as abandonar e de construírem factos sexy".
Subjaz a esta ideia o pressuposto de que o conhecimento, como expressão da capacidade humana para explicar o real e a própria existência, não é propriedade de quem o produz, pertence a todos e, nessa medida, deve ser partilhada, até como elemento que conduz ao esclarecimento e à tomada de decisões que beneficiem as próprias pessoas.
Criaram-se colecções de livros e de revistas de divulgação científica, produziram-se séries, documentários e concursos para televisão bem como programas de rádio com o mesmo fim. Inauguraram-se museus e centros de ciência, e todos eles abriram as portas, foram para a rua; fundaram-se parques e cidades de ciência atractivos. Muitas universidades proporcionaram especializações em divulgação científica, fizeram-se milhares de teses e de conferências, publicaram-se artigos sem fim. Os sistemas de ensino reforçaram as componentes científicas dos currículos, os cientistas foram às escolas, as crianças e os jovens entraram nos laboratórios e nos auditórios, juntando-se aos especialistas. O esforço de tornar a ciência divertida, viva, prática, do dia-a-dia foi enorme. Com a chegada da internet tudo isto se multiplicou; parecia, enfim, possível levar o modo de pensar em ciência a toda a gente.
Já entrado este século, vimos que o efeito contrário (talvez apenas adormecido) espolotava. E não era só nas ciências ditas moles que ele se fazia sentir, era também nas ciências ditas duras.
Surgia, aliás, um fenómeno novo: ciências moles e duras, antes de costas voltadas, desdenhando umas das outras, viram-se misturadas na mesma tragédia. Expressões da física, da astronomia, da psicologia, da medicina, da história, da pedagogia foram apropriadas pelos mais diversos exoterismos (muitos deles com origens geográfico-culturais distantes) e começaram a aparecer ligadas, sem critério, em discursos ininteligíveis que prometem a salvação dos mais diversos males do mundo.
Universidades e centros de investigação, associações e ordens profissionais, em vez de continuarem a defender os princípios do pensamento e da acção científica, toleraram este fenómeno e alguns dos seus representantes converteram-se a ele. Criaram linhas de trabalho, publicaram livros, fundaram revistas, realizaram encontros científicos, orientaram trabalhos académicos...
Os telhados dessas instâncias tornaram-se de vidro, cada vez mais quebradiço, qualquer areia o parte. Nada podem dizer ou fazer que não lhes seja apontado o dedo e com a substância das provas que vão ficando no espaço virtual.
Tudo isto ultrapassou o (algo cândido) quadro de leitura intelectual que foi o pós-modernismo; é o (aguerrido e agressivo) quadro obscurantista da pós-verdade que se impõe. Com pé-de-lã e voz de veludo dispensa o esforço de pensar, de saber e de questionar, fala ao coração, promete a beleza, a leveza, a diversão, a felicidade...
Este texto foi, em grande medida, inspirado por um vídeo que me foi enviado por um colega biólogo acompanhado do seguinte comentário: "sobre a comunicação da ciência ou, melhor, sobre a dificuldade em comunicar ciência e como a ciência devia ser comunicada nos dias de hoje!"
Filme aqui com legendas.
sábado, 17 de março de 2018
DOENÇAS RARAS: ACORDAR, PESTANEJAR E AS AVARIAS DA FÁBRICA DA ENERGIA
Na próxima 4ª feira, dia 21 de Março, pelas 18h00, vai ocorrer no Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra a palestra “Doenças raras: Acordar, pestanejar e as avarias da fábrica da energia”, por Manuela Grazina, Bioquímica, Geneticista, Professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Directora e fundadora do Laboratório de Bioquímica Genética (CNC/FMUC).
Esta palestra integra-se no ciclo "Ciência às Seis"*.
Resumo da palestra:
"O funcionamento bioquímico do corpo humano revelado pela ciência faz-nos reconhecer a sua complexidade.
No que diz respeito à produção de energia no organismo humano, ela ocorre maioritariamente nos organelos denominados “mitocôndrias”, as “centrais energéticas” das nossas células, onde se forma a maior parte do ATP, a nossa “moeda” da energia, que faz tudo funcionar no nosso corpo.
Na membrana interna das mitocôndrias, existem várias unidades de produção de energia, cadeia respiratória mitocondrial (CRM), através do processo de fosforilação oxidativa.
Para que a CRM tenha todas as “peças” a funcionar, é necessário traduzir o código genético em cerca de 1.500 elementos, de ambos os genomas, nuclear e mitocondrial, tendo este último apenas 37 genes para formar 13 proteínas que integram a CRM.
Quando existem defeitos genéticos que comprometam a estrutura e/ou a função de uma dessas “peças”, podem surgir doenças, as citopatias mitocondriais ou “avarias na fábrica de energia”. São doenças complexas, muito debilitantes, e, frequentemente, fatais. A nossa equipa dedica-se há mais de 23 anos a estudar estas doenças para identificar as suas causas e esclarecer os seus mecanismos, para que haja esperança de encontrar um tratamento.
Para acordar e pestanejar, é preciso energia! Só por isso, temos de ser um bocadinho felizes todos os dias!"
*Este ciclo de palestras é coordenado por António Piedade, Bioquímico e Divulgador de Ciência.
ENTRADA LIVRE
Público-Alvo: Público em geral
Link para o evento no Facebook
sexta-feira, 16 de março de 2018
Bibliografia de António Estácio dos Reis (1923-2018)
António Estácio dos Reis (1923-2018)
Comandante, Oficial da Marinha, historiador de ciência, história da náutica e dos descobrimentos portugueses.
Bibliografia disponível na Biblioteca do RÓMULO – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra
O quadrante náutico. Coimbra : [s.n.], 1988. p. 243-273. Separata de "Revista da Universidade de Coimbra", 34, 1988.
Pabellón del conocimiento de los mares : exposión mundial de Lisboa de 1998 : catálogo oficial. Lisboa : Parque Expo'98, 1998. ISBN 9728396694.
Os navios d'Occidente. 1ª ed. Lisboa : Comissão Cultural da Marinha : Gradiva, 2001. ISBN 9728004427.
Bibliografia disponível nas Bibliotecas da Universidade de Coimbra
Curriculum vitae [Texto dactilografado]. [S.l. : s.n., 19--?]
REIS, A. Estácio dos ; GIL, Fernando Bragança – Duas notas sobre astrolábios. Lisboa : [s.n.], 1985 (Coimbra : Imprensa de Coimbra).
O quadrante náutico. Coimbra : [s.n.], 1988. p. 243-273. Separata de "Revista da Universidade de Coimbra", 34, 1988.
O dique da Ribeira das Naus. Lisboa : Academia de Marinha, 1988. [Texto desenvolvido da comunicação apresentada em sessão plenária da Academia de Marinha, em Outubro de 1986 ; Reprodução fac-simile de "Livro de registo de entradas e saídas de navios no Dique, desde 23 de Janeiro de 1879 a 22 de Junho de 1939 (p. 97-217)].
Concerto para dois globos. Lisboa : Academia de Marinha, 1989.
O primeiro navio português que atravessou o Canal de Suez. Lisboa : Academia de Marinha, 1991.
Uma oficina de instrumentos matemáticos e náuticos (1800-65). Lisboa : Academia de Marinha, 1991.
Old globes in Portugal. Coimbra : [s.n.], 1994. [Separata de "Boletim Bibliográfico Universidade de Coimbra", 42, 1994].
Medir estrelas. Tradução Peter Ingham. [Lisboa] : CTT Correios, 1997. (Descobrir ; 9). ISBN 9729127409.
O único exemplar vivo do nónio de Pedro Nunes?. Lisboa : Academia de Marinha, 1995 [D.L. 1997]. ISBN 9728370644.
EXPO 98 ; REIS, A. Estácio – Pavilhão do Conhecimento dos Mares : Exposição Mundial de Lisboa de 1998 : catálogo oficial. Textos A. Estácio dos Reis... [et al.] ; tradução Margarida Amado, Maria do Carmo Figueira, Maria Luísa Baptista ; revisão Fernando Milheiro. Lisboa : Expo'98, 1998. ISBN 9728396678.
Métodos de navegação nos séculos XV-XVIII = Navigation methods during the fifteenth to eighteenth centuries. Lisboa : Parque Expo'98, imp. 1998. (Monografias = Monographs). ISBN 9728396767.
Os navios d'Occidente. 1ª ed. Lisboa : Comissão Cultural da Marinha : Gradiva, 2001. ISBN 9728004427.
Astrolábios naúticos em Portugal. Lisboa : Inapa, 2002. ISBN 9727970370.
A SAGA DOS ASTROLÁBIOS, Ílhavo [et al.] – A saga dos astrolábios = The saga of the Astrolabes. [S.l.] : Âncora Editora ; Ílhavo : Câmara Municipal de Ílhavo, Museu Marítimo de Ílhavo, 2006. (Novos Mares ; 1). ISBN 9727801765.
Gaspar José Marques e a máquina a vapor : sua introdução em Portugal e no Brasil. [Lisboa] :
Comissão Cultural de Marinha, 2006. ISBN 9728004907.
CRUZ, Ireneu – O ano de 1492 : o da verdadeira primeira viagem. Prefácio António Estácio dos Reis. 1ª ed. [S.l.] : [Núcleo de Gastrenterologia dos Hospitais Centrais], 2007. ISBN 9789899557604.
À procura da arca perdida. [S.l.] : [s.n.], imp. 2013 ([Rio Tinto] : Clássica-Artes Gráficas). ISBN 9789892042800.
Bibliografia sobre António Estácio dos Reis disponível nas Bibliotecas da Universidade de Coimbra
MATOS, Luís Jorge de, editor – António Estácio dos Reis : marinheiro por vocação e historiador com devoção : estudo de homenagem. Lisboa : Comissão Cultural de Marinha, 2012. ISBN 9789898159465.
Nota: A presente lista foi elaborada de acordo com a NP 405 e está organizada por ordem cronológica (do mais antigo para o mais recente).
RÓMULO CCVUC
Março de 2018
Ana Serôdio
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