segunda-feira, 18 de abril de 2022

10 anos de comunicação de ciência em Portugal – reflexão e caminhos

 Texto escrito a convite da Rede de Comunicação de Ciência e Tecnologia de Portugal SciComPT para o Açoriano Oriental, publicado a 6 de abril 2022.

 

 A comunicação da ciência pode ser resumida como atividades, iniciativas e estudos sobre a forma como levamos a ciência a públicos não especialistas na matéria. É uma área de trabalho crescente em Portugal e no Mundo, que é essencial para informar a sociedade, mas também para contribuir para uma educação reflexiva e científica, levando à construção da cultura científica.

Em maio de 2013 organizámos o primeiro congresso deComunicação de Ciência em Portugal, criando um espaço para conhecer quem trabalhava na área e a que atividades se dedicava. Até à data havia apenas alguns grupos locais, essencialmente em Lisboa, e o conhecimento de colegas em congressos internacionais. Por isso, não sabíamos na verdade quantas pessoas poderiam aparecer para apresentar os seus trabalhos e conhecer os dos colegas, mas tínhamos estimado em cerca de 100. Inscreveram-se mais de 200, e esse tornou-se o início de um percurso que terá este ano a sua 10ª edição nos Açores.

Tem sido um prazer e um privilégio acompanhar a comunidade da comunicação da ciência em Portugal através dos trabalhos apresentados e das pessoas que se têm juntado ao longo destes 10 anos. Retiro duas reflexões principais e deixo dois caminhos para o futuro.

Tem sido curioso verificar que a maioria das atividades que existem têm sido essencialmente educativas, na criação de uma cultura científica através da educação formal ou na captação de talentos para carreiras científicas através de um maior conhecimento das áreas disponíveis. Outra constatação é o envolvimento tanto de museus e centros de ciência, como de centros de investigação, faculdades e universidades, que têm investido em gabinetes de comunicação dedicados a aproximarem a ciência que produzem da sociedade em geral e de alguns públicos em particular. Notamos claramente o investimento crescente dos últimos 25 anos, cujos resultados já se fazem sentir pelas respostas ao Eurobarómetro 2021, inquérito que mediu os conhecimentos científicos dos cidadãos da Europa bem como as suas atitudes e opiniões sobre ciência e tecnologia. As pessoas querem ouvir falar cientistas, que sejam os protagonistas a serem capazes de traduzir o conhecimento para grandes audiências. E isso abre caminho para o trabalho dos comunicadores como mediadores e criadores de oportunidades e plataformas para que investigadores possam ter canais de comunicação com as pessoas, e que consigam usar linguagem clara, acessível sem nunca perderem o rigor pelo qual são respeitados e reconhecidos.

Quanto aos caminhos para o futuro, parecem-me claros. É essencial que haja um pensamento estratégico para a comunicação de ciência, que permita garantir o financiamento para a continuidade e crescimento das atividades que ligam a ciência à sociedade. Seria interessante haver concursos que premiariam as propostas mais relevantes e impactantes, o que poderia aumentar os atores envolvidos e o alcance da promoção da ciência.

O outro não podia deixar de ser continuar a fazer os encontros da Rede de Comunicação de Ciência SciComPT. É indispensável que haja este espaço de interligação, partilha de conhecimento, convívio e aprendizagem, que permite à comunidade crescer, melhorar e continuar o trabalho.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

UMA HISTÓRIA DE GUERRA VERDADEIRA

1
Era uma vez uma inglesa,
com um filho, na Inglaterra.
Ora o filho da inglesa
foi chamado para a guerra.

2
Era ele muito novo,
sendo então uma tristeza
ir matar-se pelo povo
o filho da tal inglesa!

3
Nem sequer inda provara
o sabor duma mulher
e nem sequer beijara
doces lábios a arder.

4
Foi e a guerra o levou,
logo no começo dela.
A mãe pra sempre o chorou
um choro que se rebela.

5
E se ela muito chorou
a morte do seu menino, 
nem por isso rejeitou
prevenir iguais destinos.

6
Comprou um belo teatro,
que pudessem frequentar
os que iam, noutro teatro,
a morte experimentar.

7
Pró teatro contratou
dançarinas mui escorreitas:
com empenho lhes rogou
seguissem suas receitas:

8
Aos jovens que iam morrer,
desvelarem lindos seios,
que fizessem acender
um acinte aos seus anseios.

9
As pernas esculturais,
em doce provocação,
aquecendo, naturais,
do instinto, a vocação! 

10
Nos jovens que iam morrer, 
 sem a vida ter provado,
fazerem elas viver
um momento exaltado.

11
O que o seu filho não teve
(provar os frutos da terra)
deu ela, em momento breve, 
a outros mortos na guerra!

Eugénio Lisboa

14 DE ABRIL – DIA MUNDIAL QUÂNTICO

Celebra-se no dia 14 de Abril o “Dia Mundial Quântico” (World Quantum Day).
O Dia Mundial Quântico é uma iniciativa de cientistas dedicados à teoria quântica e espalhados por mais de 60 países em todos os continentes, lançada em 14 de Abril de 2021 sob coordenação do Prof. Yasser Omar do Instituto Superior Técnico, com o intuito de “promover o entendimento público da Ciência e Tecnologia Quânticas”. Os eventos previstos para este ano estão acessíveis no link acima indicado.
A escolha do dia 14 de Abril (4-14 nos EUA e Reino Unido) deve-se ao facto de “4,14” ser um arredondamento dos primeiros dígitos da constante de Planck, h = 4,135667696×1015 (ou h = 0000 000 000 000 004 135667696) electrões-volt por hertz (eV/Hz), em geral expressa (“incorrectamente”) em electrões-volt × segundo (eV s). h é o quantum de energia, E, a dividir pela frequência, fh E/f.
A hipótese dos quanta foi apresentada publicamente, pela primeira vez, no dia 14 de Dezembro de 1900, por Max Planck, na Sociedade Alemã de Física em Berlim. Quando tentava encontrar uma fórmula que descrevesse a chamada “radiação do corpo negro” (objecto ideal que absorve toda a radiação (luz) que sobre ele incide), chegou à conclusão de que a luz era emitida (e absorvida) em quantidades discretas, a que chamou “elementos de energia”, e a que mais tarde Einstein deu o nome de quanta de energia. Cada “elemento de energia” era proporcional à frequência da radiação, f, tendo Planck usado a letra h para representar a constante de proporcionalidade, hoje chamada constante de Planck.
A princípio, a fórmula de Planck foi apenas um palpite, e a ideia de “elemento de energia”, um expediente para chegar à fórmula desejada. Segundo comentou George Gamow, mais tarde, “Planck pensava que a radiação era como manteiga, que embora se pudesse ter em qualquer porção, só se vendia em pacotes.” Foi Einstein que, em 1905, propôs que a energia da radiação era um múltiplo inteiro do quantum de energia, hf.
É intrigante, mas a constante de Planck aparece em tudo quanto é quântico, talvez da maneira mais disruptiva, no artigo de Heisenberg de Julho de 1925, no qual apresenta a primeira versão de uma teoria quântica—“a mecânica das matrizes”—numa fórmula que parecia importante, mas ninguém entendia—a misteriosa equação qp − pq = ih/2π.
Mas deixemos estas considerações sobre a teoria e enumeremos algumas quantidades físicas que assumem o nome de quantum, cujas expressões contêm a constante de Planck e são estranhamente minimalistas e elegantes:
Quantum de luz ou fotão: E hf , em que f é a frequência, em hertz (Hz).
Quantum de resistência eléctrica: RK h/e2 = 25812,80745 ohms, (constante de von Klitzing) associada ao efeito de Hall quântico (resistência na presença de um campo magnético). Ré o padrão de resistência eléctrica.
Quantum de fluxo magnético: Φ0 h/2e. O fluxo magnético gerado por uma corrente eléctrica num anel supercondutor é um múltiplo do quantum de fluxo. O 2e representa os pares de Cooper (dois electrões ligados) que transportam a corrente eléctrica.
Quantum de fluxo magnético (de Dirac): Φ0 h/e. Fluxo magnético no contexto do efeito de Hall quântico (a corrente eléctrica geradora do fluxo é transportada por electrões em níveis de energia separados).
Quantum de condutância eléctrica: G0 = 2e2 /h = 7,74809173×105 siemens. Corresponde ao transporte balístico (sem colisões) de electrões, através de um único átomo de um metal (e.g. ouro); sendo neste caso o transporte de carga feito por dois electrões de spins opostos no mesmo nível de energia.
Quantum universal de condutância para átomos neutros G0 = 1/h. Idêntico ao quantum de condutância eléctrica, mas para átomos neutros (por isso não tem o 2 dos dois electrões e o e2 da carga eléctrica).
Os dois últimos quanta mencionados, os quanta de condutância, estão associados ao transporte quântico à escala nanométrica, em nanociência e nanotecnologia. A esta escala, o transporte de carga e de matéria (átomos) revela a sua natureza quântica através da condutância, que só varia em quantidades discretas (múltiplos ou fracções do quantum de condutância), cujo valor é determinado pela constante de Planck. Esses valores podem ser medidos em dispositivos à escala atómica ou molecular, como fios e transístores feitos com uma única molécula, usando o microscópio de efeito de túnel de varrimento (STM, Scanning Tunnelling Miroscope) e o microscópio de força atómica (AFM, Atomic Force microscope) que têm resolução à escala atómica.
Como dizia Paul Dirac, «Uma lei física tem de ter beleza matemática».

Luís Alcácer

terça-feira, 12 de abril de 2022

NOVIDADES DA GRADIVA

 NOVIDADES E REEDIÇÕES DE ABRIL  |  já disponíveis


Lonesome, n.º 2 - Os Ruffians
Yves Swolfs

€16,50 €14,85


Kansas, Janeiro de 1861.
O Pregador Markham e a sua horda de fanáticos espalham o terror pela fronteira do Missouri. Um cavaleiro anónimo segue no seu encalço.
Das planícies cobertas de neve do Middle West às ruelas sombrias de Nova Iorque, a sua demanda de vingança e de identidade conduzirá o cavaleiro a um confronto de proporções dantescas, no limiar do sobrenatural.

Leia aqui as primeiras páginas.

Veja aqui o booktrailer.

Conheça aqui a restante colecção.

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O Guardiâo, o agente secreto do Vaticano
A Incubadora do Diabo

François Boucq , Yves Sente

€16,50 €14,85

 

Quem são os caçadores de nazis que seguem na peugada de Vince? Quem são os verdadeiros dirigentes da «Ordem da Renovação do Templo»? Quem é esse irmão gémeo, supostamente morto, reaparecido nas fileiras dos seus inimigos? Tudo questões a que o terceiro guardião terá de dar resposta, no inferno húmido do mangal mexicano.

Leia aqui as primeiras páginas.

Conheça aqui a restante colecção.


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Comboio na Duna
Silvério Manata

€16,50 
€14,85


Livro vencedor do Prémio Literário João Gaspar Simões.

Comboio na Duna tem como cenário o último quartel do séc. XIX de uma pequena vila da região da Gândara, que serviu também de pano de fundo à ficção de Carlos de Oliveira.

Na esteira do entusiasmo regenerador que rasgou o país de estradas e caminhos de ferro, também ali o comboio, de investimento privado, sulcou o litoral gandarês, chegando aos palheiros dos pescadores da arte xávega. Assumindo-se como a solução para o problema económico, social e político daquelas areolas esquecidas, o comboio, que transportaria o peixe e o moliço da Ria, haveria de as arrancar ao isolamento. As vozes neste romance dão conta das peripécias do «cavalo a vapor» pintando simultaneamente os quadros rurais da época que, por sua vez, se vão encaixando no enredo.


Conheça aqui a restante obras« do autor.
 

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E NOVAS REEDIÇÕES  |  já à venda

Plácidos Domingos
Bill Watterson

€21,20
 €19,35 


Uma colectânea de histórias clássica protagonizada pelo indisciplinado Calvin e pelo seu tigre de estimação Hobbes que ganha vida de forma encantadora.

Repleta de tiras de domingo de página inteira da autoria de Bill Watterson, esta colectânea certamente agradará a leitores veteranos mas também aqueles que se iniciam na leitura de uma das mais geniais criações da história do cartoon.

Toda a obra do autor disponível aqui. 

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CLASSIFICAÇÃO TAXONÓMICA DO FILHO DA MÃE

Há filhos da mãe para todos os gostos,
há filhos da mãe de muitos formatos:
há aqueles que não pagam impostos,
mesmo auferindo balúrdios nefastos.
Há sacanas que gostam do poder,
não pra que possam bem governar,
mas para se tornarem super poder,
com poderes para tudo mandar:
o mui nobre poder de torturar
e até mesmo o de escarnecer
aqueles que manda assassinar:
tudo são modos de exercer poder.
As palavras têm muito a dizer,
havendo palavra que bem define
o mafioso que adora o poder:
por exemplo, palavra que termine
em ine: sufixo bom para dizer
que Lenine, Staline ou Putine
são filhos da mãe, quando, no poder,
dão aos seus crimes bonita patine!
Repito: há-os para todos os gostos,
maricas, machões e assim assim,
há-os de variadíssimos rostos,
mas todos, garanto, gente ruim!

Eugénio Lisboa

quinta-feira, 7 de abril de 2022

UMA PEQUENA CONFUSÃO


 Texto de Eugénio Lisboa:

Há uma grande expectativa – que espero venha a ser confirmada – quanto à nova Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato. Ela é, consabidamente, uma investigadora de reputação internacional, facto de que todos os portugueses devem sentir-se orgulhosos. Por ser uma grande investigadora, acaba de ser escolhida para aquele Ministério. Será o ministério uma consequência lógica do talento de investigadora de Elvira Fortunato? Será aquilo que faz de uma pessoa um grande pesquisador o mesmo que faz dele um grande gestor? 

O Professor de Física, Robert Oppenheimer, era conhecido como um grande Professor de Física, mas, como investigador, nada que se comparasse com outros físicos que ele dirigiu e coordenou, no laboratório de Los Alamos, para a produção da primeira bomba atómica. O talento que se exigia para a gestão daquela empresa não era o mesmo de que necessitava a investigação. Enrico Fermi era muito maior físico do que Oppenheimer, mas, naquele projecto, era seu subordinado, porque o que ele sabia fazer – investigar – não era aquilo de que a direcção do projecto necessitava: capacidade de gestão e de delicado diálogo com as autoridades políticas. Oppenheimer foi o talentoso gestor e coordenador de talentosos investigadores, nesse campo, infinitamente acima dele. 

De igual modo, Robert McNamara, quando era vice-presidente da FORD, não sabia nada de mecânica nem de automóveis, mas sabia imenso de gestão e de como tomar decisões. Depois disso, foi ministro da defesa de Kennedy, sem ser militar nem saber grande coisa de guerras nem de táctica ou estratégia, mas, mais uma vez, sabia gerir e tomar decisões. A seguir, foi dirigir o Banco Mundial e não consta que a sua especialidade fosse a vida bancária. 

O nosso saudoso Ministro Mariano Gago não valia, como investigador, o mesmo que vale Elvira Fortunato, mas foi um grande Ministro da Ciência e Tecnologia, que deu um notável pontapé de saída à investigação, em Portugal. Um investigador é uma coisa e um gestor é outra coisa muito diferente.

 No caso de Elvira Fortunato ter, em si, a dupla vocação de grande gestora e de grande investigadora, tudo bem. Mas não se lhe pode exigir as duas vertentes ao mesmo tempo, nem isso costuma acontecer. Nas decisões dos nossos políticos, há, muitas vezes, algum provincianismo e uma grande incapacidade de saberem separar as águas. Não me consta que algum nadador tenha jamais sido Ministro do Mar. DISTINGUO! 

 Eugénio Lisboa

quarta-feira, 6 de abril de 2022

PUTINE E A HISTÓRIA. PEQUENA MEDITAÇÃO SOBRE OS USOS E ABUSOS DA HISTÓRIA

 As palavras mais sonoras
servem só, algumas vezes,
com bons efeitos, embora,
pra velar obscuras teses

e vícios bem mal cheirosos.
Dizia um velho francês
que os homens muito ardilosos
enganam bem o freguês:

a História dá pra provar,
usando-a com cautela,
que se pode validar
quase tudo com ela!

Eugénio Lisboa,
que desde os seus anos de adolescência, nunca esqueceu este aforismo de Voltaire:
A História serve para provar que tudo pode ser provado com ela.

terça-feira, 5 de abril de 2022

A BANALIDADE DA MORTE

Nós, depois de mortos, ficamos corpos
e em vez de florescer, apodrecemos.
Contra este horror, não há anticorpos,
somos lixo e desaparecemos.

Na morte não há qualquer transcendência,
não precisa de qualquer cerimónia:
a morte é uma vulgar ocorrência,
uma mera estatística, sem história.

Por isso, é melhor irmos vivendo
e não pensar no que virá depois;
o nosso fim nada tem de estupendo:

depois de embrulhados em lençóis,
tudo é nada e não há discussões,
porque o nada não tem opiniões.

Eugénio Lisboa

Adam Frank - History of Time and Cosmology

segunda-feira, 4 de abril de 2022

O CORAÇÃO DAS TREVAS REVISITADO AO VER AS RUÍNAS DE BUCHA

Corpos no meio da estrada, já frios,
as mãos amarradas atrás das costas,
o horror, o horror dos calafrios… 
Que de perguntas, todas sem respostas!

A condição humana em juízo, 
e que de horríveis suspeitas à solta!
Então somos isto? Será preciso
tanta barbaridade à nossa volta? 

Será que Mistah Kurtz teve herdeiros,
os quais por toda a parte semearam
horrendos e sangrentos paradeiros?

Dir-se-á que nos homens aterraram
demónios nunca antes conhecidos,
oriundos de infernos desmedidos!

Eugénio da Almeida

sábado, 2 de abril de 2022

Como dialogar com quem não quer ouvir?

Tenho procurado acompanhar o trabalho do filósofo Richard Kearney em prol do diálogo e da paz (ver, por exemplo, aqui) e o seu interessante projecto Guestbook Project – Turning hostility into hospitality.

Recentemente, participou no ciclo de conferências Como dialogar com quem não quer ouvir: para lá da polarização e da desinformação, iniciativa do Seminário de Jovens Cientistas (SJC) da Academia das Ciências de Lisboa, em colaboração com o Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, Universidade Nova de Lisboa (ITQB NOVA) e o Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, Universidade de Coimbra (CECH-UC).

A sua conferência, com o título Difficult dialogue and narrative exchange: the Guestbook Project, pondera, entre outras, duas difíceis questões: Como comunicar construtivamente com pessoas e grupos que não estão interessados no bem comum que é a verdade? E que papel pode ser o da escola na aprendizagem de uma comunicação hospitaleira?

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Dos Estomas ao Clima: as trocas gasosas das árvores e florestas | Ciênci...

"Tradução Comentada das Principais Obras de Coulomb sobre Eletricidade e Magnetismo"

Novo livro de A. K. T. Assis,

"Tradução Comentada das Principais Obras de Coulomb sobre Eletricidade e Magnetismo"
(Apeiron, Montreal), 515 páginas, ISBN-10: 198798031X e ISBN-13: 978-1987980318.

O livro está disponível gratuitamente no formato PDF (13 Mb):

https://www.ifi.unicamp.br/~assis/Coulomb.pdf

Esse livro contém traduções do francês para o português, completas e comentadas, das principais obras de Charles-Augustin de Coulomb (1736-1806) sobre eletricidade e magnetismo.
Elas incluem seu trabalho de 1777 que ganhou o prêmio da Academia de Ciências da França
sobre a melhor maneira de produzir agulhas imantadas, seu trabalho sobre a lei de torção de fios metálicos de 1784 e suas 7 famosas Memórias sobre eletricidade e magnetismo lidas na Academia entre 1785 e 1791. Em seus trabalhos ele descreveu sua célebre balança de torção e seu plano de prova
utilizados para estudos quantitativos na física. Nesses trabalhos ele chegou experimentalmente na lei de torção de fios de seda e de metal, na força entre corpos eletrizados variando com o inverso do quadrado da distância entre eles (conhecida nos livros didáticos como lei de Coulomb), na força entre polos magnéticos também variando com o inverso do quadrado da distância entre eles, na lei de decaimento exponencial com que um corpo eletrizado perde carga pelo suporte e para o ambiente ao seu redor, na distribuição da eletricidade sobre a superfície de corpos condutores carregados de tamanhos e formatos diferentes em diversas configurações de equilíbrio eletrostático, assim como em métodos avançados de magnetização e de produção de ímãs artificiais. Ele também criou uma teoria do magnetismo baseada na polarização molecular.

O livro impresso pode ser adquirido pela Amazon:

https://www.amazon.com/dp/198798031X

Saudações Coulombianas,

André Assis 

Ciclo Ciência às Seis (on-line) no RÓMULO: "Redes Neuronais: a chave para a Inteligência Artificial?"


Na próxima terça-feira, dia 5 de Abril às 18h realiza-se via plataforma Zoom, a palestra intitulada "Redes Neuronais: a chave para a Inteligência Artificial?" com o físico Armando Vieira e moderação de Carlos Fiolhais, professor de Física (aposentado) da Universidade de Coimbra e divulgador de ciência.

Sessão inserida no ciclo de divulgação científica "Ciência às Seis", iniciativa do RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, destinada ao público em geral interessado em cultura científica, de participação livre e gratuita, não sendo necessária inscrição.

Acesso à sessão no Zoom:  https://videoconf-colibri.zoom.us/j/87856610730
ou ID da reunião: 878 5661 0730

Resumo da Palestra: As redes neuronais artificiais são conhecidas desde os anos 80, mas nos últimos 10 anos tiveram um ressurgimento notável ajudando a resolver problemas que se julgava quase intransponíveis desde análise de imagens e vídeo até tradução automática. O seu sucesso tem sido tão grande que alguns consideram que estamos perante a maior  revolução tecnologia comparável do século. Na apresentação irei abordar como funcionam as redes neuronais artificiais, alguns problemas complexos por elas resolvidos e o seu impacto na ciência e sociedade.

Breve biografia do Orador:
Armando Vieira é licenciado em Física pelo Instituto Superior Técnico e doutorado em Física pela Universidade de Coimbra. Tem trabalhado em Inteligência Artificial há mais 20 anos, em áreas tão variadas como imagem médica até à descoberta de medicamentos, sendo em Londres consultor da indústria de software. É autor do livro "Introduction to deep learning business applications for developers" publicado em 2018. Mais informações AQUI

Vídeos de sessões anteriores do ciclo estão disponíveis no Canal YouTube


ELOGIO DA GUERRA

 Novo poema de Eugénio Lisboa:


 

A guerra foi inventada

para ajudar a solução,

de forma organizada,

dos problemas da nação.

 

Há maneiras de matar,

umas, um pouco à toa,

sem sequer se procurar

boas rendas para a coroa.

 

Guerra é organização,

somada com disciplina:

há que guardar a razão,

mesmo quando se assassina.

 

Matar é o supra-sumo,

se é estratégia calculada,

com panache e com aprumo,

e a máquina bem oleada.

 

A guerra é uma empreitada:

pesem-se os custos e os ganhos,

tal casa bem governada,

contas dadas ao rebanho.

 

Os mortos e as ruínas,

tudo está bem incluído,

nas despesas pequeninas,

para feito tão brunido!

Eugénio Lisboa

 

 

TÃO BELOS PENSAMENTOS! TÃO POUCA APRENDIZAGEM!

Novo texto de Eugénio Lisboa: 

 Tudo o que o homem aprendeu com a História é que não aprendeu nada. 

 Albert Einstein 

 Que pena as nossas escolas ensinarem tudo menos um pouco de sabedoria de viver! Que pena os estudantes abandonarem as escolas, com um punhado de certezas duvidosas e uma quase incapacidade de pensar. Que pena a filosofia ser uma filha bastarda do nosso ensino e os nossos jovens não terem o prazer e o proveito de fruir tanto pensamento cintilante e tão elegantemente formulado, que os incitasse a uma saudável rebeldia, quando os que decidem o fazem tão mal! Se os estudantes fossem expostos, neste mundo de conflitos insensatos e suicidas, às nobres palavras de Platão (“Só os mortos conhecem o fim da guerra”), ou de Sólon (“A igualdade não gera guerras”), ou de Cícero (“Prefiro a paz mais injusta à mais justa das guerras”), ou do grande Spinoza, que nós perdemos, dando-o à Holanda (“Paz não é a ausência de guerra; é uma virtude, um estado mental, uma disposição para a benevolência, confiança e justiça”). Reparem: “disposição para a benevolência, confiança e justiça”. Não serão melhores instrumentos para se resolverem discórdias, do que o infame poder destrutivo de tanques de guerra, canhões potentes, mísseis estupidamente sofisticados, países destruídos, crianças mortas e mutiladas ou mulheres enviuvadas e velhos desamparados no meio de ruínas? 

 Haverá, num homem como Putine, demagogo, insensível, iletrado, boçal, alguma migalha mínima de sabedoria que o possa redimir? Será ele mentalmente adulto? Como reagiria ele a esta verificação devastadora do grande Melville, o autor de Moby Dick: “Todas as guerras são infantis e desencadeadas por crianças”? Crianças, sim, em termos de crescimento mental, mas de corpo de adulto, insuficientemente oxigenado, no topo. Não faria alguma impressão benfazeja, não criaria algum saudável desassossego visitar a sabedoria de tantos grandes homens que tanto enriqueceram o nosso património intelectual e emocional? Homens como Thomas Mann (“A guerra é a saída cobarde para os problemas da paz”) ou como o autor dessa pérola imortal – O Pequeno Príncipe – (“A guerra é uma doença, como o tifo”), ou como George Orwell (“… o objectivo de travar uma guerra é sempre estar em melhor posição para travar outra guerra”), ou como Gandhi (“Olho por olho e o mundo acabará cego”), ou como Karl Marx, que Putine, pelos vistos, não frequentou (“O povo que subjuga outro povo forja as suas próprias cadeias”), ou o eloquentíssimo e bem humorado John Lennon (“Lutar pela paz é como fazer amor pela virgindade”) ou, já agora, como Jean-Paul Sartre, que não estimo particularmente, mas que disse esta coisa muito verdadeira: “Quando se conhecem os pormenores da vitória, é difícil distingui-la da derrota”. Mas a pérola das pérolas veio-nos, paradoxalmente de Audie Murphy, o soldado americano mais condecorado da segunda guerra mundial: “Nenhum soldado sobrevive realmente a uma guerra”. 

 E terminarei este acervo de sabedoria, com o muito corajoso e subversivo conselho do cientista, explorador polar, aventureiro e político norueguês, que recebeu, em 1922, o Prémio Nobel da Paz: “A guerra acabará quando os homens se recusarem a lutar.” Já os tem havido, como o grande Gandhi e seus seguidores ou o escritor francês Jean Giono, que pagou com a prisão o seu pacifismo irredutível ou o hoje famoso soldado americano, Slovick que, na segunda guerra mundial, preferiu morrer à frente de um pelotão de execução a disparar um tiro. Foi, aliás, o único soldado americano executado por “deserção em frente do inimigo”, embora muitos milhares de outros tenham sido julgados pelo mesmo “crime”. 

O problema é que não estou muito certo de que haja muitos governos, democráticos ou não, que achem muito aconselhável os alunos visitarem empenhadamente as mais acutilantes pérolas de sabedoria que, contra a guerra, se escreveram. Talvez um dia lá cheguemos, quando a guerra puder ser considerada um crime, punido por uma lei internacional e for internacionalmente intervencionado o país que se atrever a dar início a uma. Utópico? Eu sei: os seres humanos sempre acharam difícil fazer as coisas mais lógicas e mais simples. O enviesado ganha sempre. E a estupidez sempre teve mais crédito do que a inteligência.

Eugénio Lisboa

OLHE LÁ, VOCÊ ...

Isaltina Martins e Maria Helena Damião Num texto ainda recente com o título O 'Você' (ver aqui ), Jorge Mangorrinha, pós-doutorado ...