Se alguém entendesse fazer um inventário das empresas que actuam nas escolas públicas portuguesas teria um trabalho imenso. Devem ter ultrapassado as dezenas, serão centenas. Separadas e/ou associadas, estão em todas as zonas do currículo e, quando não há zona, inventa-se!
E entram nas escolas porquê? Porque as escolas as deixam entrar. É certo que muitas empresas que querem entrar nas escolas procuram reconhecimento por parte do Ministério da Educação e é certo também que o Ministério da Educação tem reconhecido várias como parceiras.
Acontece que as escolas podem aceitar ou recusar a actuação das empresas nos seus espaços, junto dos seus profissionais e alunos. Fazem-no? Não conheço uma que tenha tomado essa decisão. Veem a ligação a empresas como uma forma de aproximação à comunidade, de "dinamização de projectos", de se projectarem no espaço mediático... E depois há a pressão dos municípios, das famílias...
E, portanto, há sempre mais uma empresa a querer "ajudar" os alunos, os professores, as famílias, toda a gente... Hoje tive conhecimento de uma do "setor da alimentação escolar" cuja designação é A Chef vai à Escola. Diz-se que "o projeto já "impactou mais de 10.000 alunos" de todo o país só durante este ano letivo de 2025/2026. É obra!
O discurso é o mesmo que todas as outras empresas usam, adaptado ao caso, evidentemente. Puro altruísmo! Ver aqui, os destaques são meus...
Projeto (...) para promover hábitos alimentares saudáveis, educação alimentar e a valorização da gastronomia portuguesa junto de crianças e jovens (...) reforça a importância da alimentação escolar enquanto ferramenta de educação, bem-estar e promoção de hábitos alimentares saudáveis e sustentáveis.
O projeto passou por várias escolas, colégios e municípios, envolvendo crianças e jovens desde o pré-escolar ao ensino secundário.
Através dos pilares Sabor, Saber e Viver, a marca alia qualidade nutricional, educação alimentar e responsabilidade ambiental e social, transformando as refeições escolares em momentos de aprendizagem, convívio e partilha.
Além dos alunos, a iniciativa tem permitido envolver professores, pessoal não docente e comunidades educativas, reforçando a ligação entre escola, família e alimentação (...) uma iniciativa diferenciadora no panorama da alimentação escolar em Portugal, promovendo hábitos alimentares mais conscientes desde as idades mais precoces e contribuindo para a formação de gerações mais informadas e saudáveis.
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