sexta-feira, 17 de maio de 2019

UM PREFÁCIO NADA SECO A “PIADAS SECAS, INFRASSECAS E ULTRASSECAS SOBRE CIÊNCIAS” DE JOÃO BARBOSA



Meu prefácio a um livro de humor que está quase, quase a sair na Gradiva:

Assim como no humor há alguns temas de eleição - anedotas políticas, profissionais, étnicas, sexistas, etc.- , também há vários estilos de piadas ou anedotas - as de pergunta-resposta, de trocadilho, de humor negro, as picantes ou sujas, as secas, entre outras. Uma piada diz-se seca quando o humor não é imediato, pelo menos para toda a gente, isto é, quando um interlocutor pode ripostar: essa foi mesmo seca.Os estilos podem sobrepor-se, pelo que uma piada seca pode ser de pergunta-resposta, de trocadilho, de humor negro, picante, etc. Um dos elementos mais característicos da piada é o efeito de surpresa: o final (punch line) deve ser inesperado,  correspondendo à frustração de uma expectativa, a uma qualquer incongruência, a um desafio às regras da lógica (nonsense). Rimo-nos de uma anedota precisamente por causa deste efeito de surpresa, embora seja muito curioso que nos voltemos a rir mesmo quando já conhecemos o fim. Nas piadas secas rimo-nos às vezes por simpatia para com o outro, o autor ou o contador, pois nem sempre nos apercebemos logo onde está a piada.

A relação das anedotas com a ciência é mais íntima do que normalmente se imagina. Em primeiro lugar, é um facto que a ciência tem estudado o humor. Sigmund Freud publicou em 1905 (o mesmo ano em que Einstein propôs a teoria da relatividade restrita) uma obra intitulada As Anedotas e a sua relação com o inconsciente, da qual há tradução brasileira (Imago, 1996), na qual se analisava e procurava classificar o humor (mais tarde Einstein e Freud haveriam de se tornar amigos e até de escrever um livro em conjunto). Para o médico austríaco as piadas dividiam-se simplesmente em dois grupos: as ingénuas, que consistem em meros  jogos de palavras (os trocadilhos),  e as  preconceituosas,” que partem de posições de acantonamento (as anedotas étnicas e as sexistas são-no em geral). As modernas neurociências estudam as razões e os mecanismos do riso, estando a chegar à conclusão de que o antigo provérbio rir faz bem à saúde” está certo. Com efeito, no processo do riso libertam-se no cérebro endorfinas, hormonas que produzem sensações de bem-estar. É também um facto que há imensas piadas sobre ciência e cientistas, algumas delas verdadeiras ou pelo menos com um fundo de verdade (anedota significa originalmente um caso curioso, que é pouco conhecido). Mas há uma relação ainda mais profunda entre ciência e humor, que foi justamente enfatizada pelo matemático americano John Allen Paulos, no seu livro Mathematics and Humour (The University of Chicago Press, 1980). E já agora essa relação estende-se à arte, em particular à  poesia. Em todas essas actividades ocorre um processo criativo, entendendo-se por criação a revelação de uma relação que estava oculta. O escritor húngaro emigrado para o Reino Unido Arthur Koestler, que foi admirador da ciência e autor de um magnífico descrição da história da cosmologia (The Sleepwalkers, Hutchinson, 1959), escreveu no seu livro The Act of Creation (Hutchinson 1964) sobre a relação entre humor, ciência e poesia: O padrão lógico de processo criativo é o mesmo nos três casos: consiste na descoberta de semelhanças escondidas. Mas o clima emocional é diferente… o paralelo cómico tem um toque de agressividade; o raciocínio por analogia do cientista está isento de emoção, quer dizer, é neutro; a imagem poética é empática ou admirativa, inspirada por um tipo positivo de emoção.Segundo a teoria do humor de Koestler (outros grandes autores propuseram teorias do humor, como o alemão Arthur Schopenhauer, o inglês Herbert Spencer e o francês Henri Bergson), o riso é uma descarga de energia devido à verificação de incompatibilidade entre dois sistemas de referência bem distintos. É curioso o seu uso da linguagem da física: um sistema, devido à sua maior quantidade de movimento, é incapaz de realizar um desvio súbito de ideias para um tipo diferente de lógica ou para uma nova regra do jogo; mais ágil do que se pensava tende a persistire encontra a sua solução no riso.As piadas são secas quando não se vê logo o paralelo escondido que acaba de ser revelado por uma associação muito rápida e inesperada.

As piadas secas estão na moda, em Portugal como noutros países. Mas faltava-nos entre nós (as piadas têm uma componente cultural muito ligada à ngua, sendo muitas delas intraduzíveis) um livro contendo piadas secas sobre temas de ciência. Este é o livro! O autor, João Barbosa, é professor de física e também filósofo da ciência, com uma tese de doutoramento sobre o sucesso do modelo do Big Bang da evolução do Universo, para além de ser escritor de literatura infantil e poeta. Ele tem, conforme o leitor poderá em breve verificar, um domínio das palavras e um sentido de humor refinado. As suas 202 piadas secas, ou, como ele diz para se defender (o humor é sempre uma defesa), secas, infrassecas e microssecas”, têm piada mesmo quando à primeira vista parecem não ter piada nenhuma. Estas piadas secas, nas suas distintas variantes de secura, divididas por vários temas de ciência, incluindo o tema dos extraterrestres que, apesar de ainda não terem sido encontrados, surgem cada vez mais como um tópico científico, são, na sua maioria, do tipo de jogos de palavras, a maior parte dos quais só funcionam na língua portuguesa. Mas, se há ciência em Portugal, uma ciência que a Gradiva tem abundante e exemplarmente divulgado, também há entre nós humor baseado na ciência. Basta lembrar-nos dos Cientistas de pé”, o grupo de stand up comedy sobre temas de ciência que o criativo bioquímico David Marçal liderou e que deu origem ao livro Toda a Ciência (menos as partes chatas) (Gradiva, 2013), ou do programa da SIC Isto é Matemática, cujo guião acaba de sair em forma de livro (Texto, 2018), escrito por um matemático bem disposto, Rogério Martins, e por um guionista com uma irreprimível tendência para o humor, o Tiago DaCunha Caetano. A ciência pode ser uma coisa séria, mas podemos e até devemos brincar com coisas sérias. Quando se brinca com ela, a ciência fica inevitavelmente divertida, portanto mais acessível.

Os jogos de palavras que nos fazem rir são coisas sérias. O já referido matemático John Allen Paulos, no seu livro Penso, logo rio. Uma abordagem alternativa da filosofia  (Inquérito,  1992), faz uma associação entre o filósofo da linguagem austríaco naturalizado britânico Ludwig Wittgenstein e o matemático e escritor inglês, autor de Alice no Pais das Maravilhas (o original é de 1865), Lewis Carroll. O que têm os dois em comum? Pois é o gosto pelos jogos de palavras, o interesse com o absurdo que a linguagem proporciona. A diferença entre Wittgenstein e Carroll era que o primeiro viveu atormentado com os problemas da linguagem ao passo que o segundo se mostrava muito divertido no uso da linguagem. Salvaguardadas as devidas distâncias, João Barbosa revela-se neste livro uma mistura de Wittgenstein e Carroll. Ora descobrimos Wittgenstein, numa análise mais profunda, ou então descobrimos Carroll, numa vista mais superficial. Ou ficamos arreliados por não perceber ou ficamos contentes por perceber. Ou uma mistura das duas coisas, quando não percebemos bem se percebemos ou não.

O que é perceber uma piada? O que é que tem e o que é que não tem piada? As piadas secas estão ali na fronteira entre um e outro território. O que é seco para uns será molhado para outros. O avaliador do humor – usando linguagem científica, o medidor do grau de humidade - é quem ouve a piada e não quem a conta. Por mim, sorri e cheguei várias vezes a rir em voz alta ao ler o manuscrito deste livro (quem estava perto poderá ter pensado que eu estava a ficar maluco), mas os leitores deste livro decidirão por si próprios. Adivinho que irão sorrir, havendo o sério risco de ficarem, como eu, a rir alto de vez em quando (é bom que se assegurem que não está ninguém perto que possa duvidar do vosso estado mental). De uma coisa estou certo, porque é ciência:  se sorrirem ou rirem será decerto bom para a vossa saúde.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

PRIMEIRA CONFERÊNCIA: “Direito à educação” no currículo escolar. Uma reflexão no 70.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos"








À semelhança de muitos outros países, Portugal está a implementar, desde 2016/2017 uma nova reforma do ensino básico e secundário (“Projecto de Autonomia e Flexibilidade Curricular”), a qual suscita diversas questões a que investigadores e educadores não podem deixar de dar atenção. 

Para proporcionar uma reflexão sobre algumas dessas questões, organizou-se um ciclo de cinco conferências com o título “O currículo escolar na contemporaneidade: Identificação e discussão de algumas das suas bases”, que a realizar neste mês de Maio e no próximo mês de Junho, numa colaboração entre o Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20), a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e a Faculdade de Ciências da Educação da Universidade de Granada. 

PRIMEIRA CONFERÊNCIA

Título: “Direito à educação” no currículo escolar. Uma reflexão no 70.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Conferencistas Luísa Portocarrero e Diogo Ferrer, professores da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação)

Local: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra - Edifício 3 

Data: 18 de Maio de 2019, das 10h00 às 12h45

Resumo: Em Dezembro de 2018, a Declaração Universal dos Direitos Humanos fez setenta anos. Voltando a Organização das Nações Unidas, que a aprovou, a recomendar o seu tratamento educativo com vista à “construção da paz nas mentes dos homens”, afigura-se relevante interrogar esse tratamento no quadro do dito “Currículo do século XX” / “Currículo do futuro”. Na verdade, tal currículo, de abrangência global e afirmado como “humanista”, veicula vários paradoxos no respeitante aos direitos relativos a educação escolar pública. Na presente conferência, em que são convidados especialistas em Ética, incide-se, por um lado, na análise de alguns desses paradoxos directamente ligados ao “direito à educação”, e, por outro lado, na responsabilidade que os educadores têm na sua superação. 

Programa
1. A educação a que todos têm direito
2. O direito à educação no currículo escolar contemporâneo
3. Responsabilidade dos educadores na concretização do direito à educação

Referências bibliográficas
- Ferrer, D. (1995). Sobre o papel do juízo reflexivo em educação. O conceito da formação em Fichte. Philosophica, n.º 5, pp. 35-66.
- Ferrer, D. (2000). Lógica, linguagem e sistema. O problema da linguagem na ciência da lógica de Hegel. In A. Borges, A. Pita & J. André. Ars Interpretandi. Homenagem a Miguel Baptista Pereira (265-302). Porto: Fundação Eng. António de Almeida.
- Portocarrero, M. L. (2014). Crise da Europa e crise da educação: filosofia, tradição e inovação. Cultura, educación, innovación (pp. 395-404). Santiago de Compostela: Correo, S.A.U.
- Portocarrero, M. L. (2018). Rituais hermenêuticos da convivência: variações sobre H.-G. Gadamer. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra 

ENTRADA LIVRE, COM CERTIFICADO DE PRESENÇA 
Apresentação aqui, Programa aqui, Inscrições aqui.

“Museus em Portugal: questões actuais e desafios futuros"

terça-feira, 14 de maio de 2019

O EXERCÍCIO FÍSICO E A SAÚDE PÚBLICA


Meu artigo de opinião, publicado hoje in "Diário as Beiras":

 “A linguagem é uma forma de mal-entendidos”.
Antoine de Saint-Exupéry

Através deste jornal, no passado dia15 de Abril do ano em curso, tomei conhecimento de “Consultas de Actividade Física” destinadas a “reforçar a integração da actividade física na prestação de cuidados de saúde, nomeadamente ao nível dos cuidados de saúde primários e melhorar a formação e captação dos profissionais de saúde para promover o exercício físico”.
Por me preocupar com a importância do exercício físico na prevenção das chamadas doenças hipocinéticas (assim havidas por terem como etiologia o pouco movimento), evoco uma conferência por mim proferida, em idos de 1972, na Sociedade de Estudos de Moçambique, instituição cultural-científica “Palmas de Ouro” da Academia de Ciências de Lisboa, intitulada: “Educação Física – Ciência ao Serviço da Saúde Pública”.
Nela, por entender que educar é aceitar o desafio do futuro perspectivado no presente e no passado, citei o académico Alexandre Berg: “A força muscular do homem e dos animais domésticos apenas produz 1% de toda a energia produzida e consumida na terra, quando, em meados do século XIX, produzia 94%”.
Com o aumento progressivo desta situação, com os jovens, e não só, da nossa geração sentados em postura incorrecta, horas a fio, em frente ao computador ou à televisão, este “status quo” constitui um retrocesso para a posição bípede humana, responsável por discopatias que obrigam o idoso e os jovens cifóticos a andarem curvados.
 Bipedia longamente conquistada em milhões de anos, libertadora das mãos para o fabrico, ontem, de objectos rudimentares, hoje, de tecnologia avançada, capacitada para permitir ao homem erguer as mãos ao céu em prece a Deus!
 Regredindo ao início deste texto, recordo um protocolo assinado entre o ISEF de Lisboa, actual Faculdade de Motricidade Humana, e o Centro de Saúde de Oeiras e a intervenção que um dos seus médicos, Ramos Osório, teve na Conferência Mundial de Motricidade Humana, promovida pelo ISEF da Universidade Técnica de Lisboa, na Fundação Gulbenkian, de 2 a 5 de Dezembro de1988. Afirmou este clínico: “Nós técnicos de Saúde, possuímos a capacidade inerente da profissão para prestar os cuidado de Saúde, mas sentimos a necessidade da ajuda de outros técnicos para a tarefa de os educar no quotidiano no sentido da promoção do seu estilo de vida e saúde”, sem especificar a natureza da respectiva habilitação profissional.
 “Et pour cause”, pela apetência que certos aventureiros ainda possuem para invadir um terreno para os quais não têm habilitação académica “quantum satis”, recordo o que a este respeito criticava um professor do antigo INEF, em inícios da década de 50: “Enquanto em tempo idos os médicos só tiveram a concorrência dos barbeiros o professor de Educação Física ainda vê o seu campo de acção invadido por curiosos com simples papéis com o imprimatur do Estado”.
Para a tanto obstar impõe-se, a exemplo do Centro de Saúde de Oeiras, assinar um protocolo entre a Faculdade de Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra e os Centros de Saúde da Região Centro, garantindo que a acção profiláctica do exercício físico seja orientada e promovida por licenciados universitários de Educação Física.
 Isto porque sendo a linguagem uma forma de mal-entendidos, segundo o autor de “O principezinho”, presta-se a confusões, intencionais ou não, sobre o que é entendido por “captação e formação dos profissionais da saúde para promoverem o exercício físico”. Aliás, essa indefinição, propositada ou não, deve ser prontamente corrigida, para evitar, que ela seja uma porta aberta para situações que possam fazer perigar a saúde dos utentes dos Centros de Saúde!

A Falta de Cultura Científica Paga Imposto: Alimentação

Video completo do primeiro debate do Ciclo "A Falta de Cultura Científica Paga Imposto!", sobre alimentação.

Sem glutén, sem lactose, sem juízo, sem nada! Suplementos alimentares, alimentos sem glúten para não celíacos, testes de intolerância alimentar, dietas da moda e nutricionistas alternativos.

A falta de cultura científica paga imposto: ciclo de debates from Pavilhão do Conhecimento on Vimeo.

Os próximos debates do ciclo (23 de Maio - Cosméticos; 30 de Maio- À Venda em Farmácias) serão transmitidos em streaming. Entrada livre, sujeita a inscrição.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

LEONARDO EM COIMBRA


A RTP veio ao Museu de Ciência da Universidade e ao Rómulo - centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra à procura de Da Vinci. Entrevistou Carlota Simões, directora do Museu e eu próprio, director do Rómulo. Ver no telejornal de sábado passado, no minuto 16.56

https://www.rtp.pt/play/p5272/e406361/telejornal/743356

A cultura e línguas clássicas não “morreram”, estão “escondidas”


A componente curricular de opção para o Ensino Básico designada por Introdução à Cultura e Línguas Clássicas, acolhida em 2015 pelo Ministério da Educação/Direcção Geral da Educação, vai fazendo, nas condições que o sistema permite, o seu caminho. Para isso tem contribuído o empenhamento de professores e de escolas bem como da Associação de Professores de Latim e Grego. Eis um depoimento de uma professora, publicado no último boletim da Associação.
Posso, agora, com toda a certeza, assegurar que tudo isto se me afigura uma aventura tornada realidade que:  
nasceu há cerca de quatro anos…  
se iniciou com a apresentação do projecto nacional Introdução à Cultura e Línguas Clássicas, com o apoio da Direção Geral da Educação, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra…  
começou com o Círculo de Estudos em Cultura e Línguas Clássicas, o qual decorreu durante um ano lectivo, cujas mentoras foram as duas classicistas Isaltina Martins e Célia Mafalda Oliveira…  
se veio a desmistificar totalmente quando criei o “Clube de Latim/Grego”, mais tarde “Clube de ICLC”, nas duas EBs do Agrupamento de Escolas onde lecciono… 
Eureka! Eis que, finalmente, encontrara o caminho…
A convicção transformara-se em realidade; o interesse em acção!!!


Então, comecei a propagar a importância da cultura e línguas clássicas pelo Agrupamento, inicialmente no 3.º ciclo e, no ano seguinte, nos 2.º e 3.º ciclos, missão com que continuo na Educação para a Cidadania/Formação Cívica. 
Assim, fui demonstrando que, durante muitos séculos, os gregos e os romanos edificaram uma civilização extraordinária que sobreviveu até aos nossos dias. A imposição política romana e a reminiscência cultural grega marcaram profundamente as sociedades ocidentais, e, não obstante a aculturação anglo-saxónica do nosso tempo, as culturas clássicas mantêm as suas raízes profundas na literatura, nas artes, na filosofia, na ciência, na política, na linguística, no desporto… 
Na verdade, desde o início do ensino básico, podemos com segurança proceder a uma perfeita aliança interdisciplinar com outras disciplinas de carácter teórico e prático, como sejam as de Português, História, Geografia, Espanhol, Francês, Matemática, Educação Musical, Educação Visual, Educação Física, Artes Performativas e muito mais; demonstrar como se consegue perceber a formação de palavras a partir de étimos greco-latinos e explicar a presença de deuses e heróis greco-latinos na literatura portuguesa, sobretudo n´Os Lusíadas.  
Efectivamente, em toda a Europa, civilizada, o Latim não “morreu”, porque todo o Mundo culto sabe que o Latim e a cultura romana (que soube com mestria apropriar-se do manancial cultural grego) se disseminaram devido ao seu carácter também humanístico, que, com a Romanização, trouxeram ao mundo tudo o que de bom e de bem-estar podiam oferecer às populações do largo império que os romanos formaram.
Portanto, penso que o Latim deveria ter um carácter obrigatório nos actuais curricula nacionais, já que o conhecimento e a compreensão do mundo actual nunca serão plenos sem o conhecimento desta mesma cultura clássica.  
E é por tudo isto que urge fomentar um segundo Renascimento em Portugal…
Ganhariam as novas gerações, ganharia a cultura nacional. 
Anabela Claudina Costa
Membro da Direcção da APLG

domingo, 12 de maio de 2019

CICLO DE CONFERÊNCIAS. O currículo escolar na contemporaneidade: identificação e discussão de algumas das suas bases

Informação que pode interessar a educadores e professores, directores escolares e outros responsáveis educativos, encarregados de educação, investigadores, e estudantes de ensino e de educação.


Na continuação de conferências anteriores, o presente ciclo de cinco conferências decorre da investigação realizada no âmbito do projecto “Currículo, ensino e formação de professores – CEFP”, que está a ser desenvolvido no Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20). 
Partindo do “Projecto de Autonomia e Flexibilidade Curricular”, em curso, desde 2016/17, no sistema de ensino português, centram-se na análise de aspectos que nele se afiguram como particularmente críticos: 
  • o “direito à educação” guiado pela finalidade civilizadora, que a escola pública e o currículo que a materializa deve assegurar; 
  • a relação entre esta escola e empresas, apresentadas como “parceiras educativas”, relação marcada pela publicidade e pela recolha de dados pessoais; 
  • a reconfiguração que se exige à escola e ao currículo em virtude da introdução das tecnologias digitais;
  • a ideia de “empreendedorismo” como competência transversal de professores e de alunos.
As cinco conferências que integram o ciclo são realizadas nas seguintes datas:
  • Maio: 18 (10h00-12h45) e 25 (10h00-12h30); 
  • Junho: 01 (10h00-12h30), 15 (10h00-12h30) e 26 (17h30-20h15)
O local é:
  • Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra - Edifício 3
ENTRADA LIVRE, COM CERTIFICADO DE PRESENÇA

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Em Plutão aproxima-se o inverno, e a atmosfera desaparece na forma de geada

Informação que nos foi enviada relativa a um estudo sobre a atmosfera de Plutão em que participou o investigador Pedro Machado, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço.

Atmosfera de Plutão, observada pela sonda New Horizons, da NASA, em julho de 2015.
Os cientistas pensam que o nevoeiro azulado se deve à ação da luz solar sobre o metano e outras moléculas
da atmosfera de Plutão, produzindo uma mistura de hidrocarbonetos, como acetileno e etileno. 
Créditos: NASA/JHUAPL/SwRI
10 de maio de 2019 – Com menos de um quinto da massa da Lua, Plutão consegue porém ter uma atmosfera, ainda que evanescente, um ténue envelope de gás, produzido pela sublimação periódica dos gelos de azoto. Um estudo que acompanhou a evolução da atmosfera de Plutão durante quatorze anos, evidencia a sua natureza sazonal, e prevê que agora se começará a condensar e a desaparecer na forma de geada. Este estudo1 foi publicado hoje na revista Astronomy and Astrophysics e teve a participação de Pedro Machado, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA2) e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL). 
Os autores analisaram dados da atmosfera deste planeta anão entre os 5 e os 380 quilómetros de altitude obtidos entre 2002 e 2016. Este período coincidiu com o verão no hemisfério norte de Plutão3, onde predominam os reservatórios de gelo de azoto, que sublimam pela exposição e proximidade ao Sol. Os dados indicam que a pressão atmosférica à superfície aumentou em cerca de duas vezes e meia desde 1988 até ao seu máximo em 2015, ainda assim cem mil vezes mais ténue do que a pressão atmosférica média ao nível do mar na Terra. 
“Cada vez mais olhamos para a atmosfera sazonal de Plutão como uma atividade cometária”, diz Pedro Machado. “Como é um corpo de pequena massa, as moléculas de azoto atingem a velocidade de escape com muita facilidade, e Plutão perde atmosfera, como os cometas. O que irá acontecer agora é que as temperaturas estão a baixar e as moléculas de azoto começam de novo a formar cristais perto da superfície”, acrescenta Machado, “num processo semelhante à geada de água aqui na Terra.” 
Os dados provém de observações de onze vezes em que Plutão passou diante de estrelas no céu. Nestas ocasiões, a luz da estrela, embora escondida da Terra pelo corpo sólido, é desviada pela atmosfera na nossa direção. Esta técnica, conhecida por ocultação estelar, permite utilizar a luz da estrela, que passou através da atmosfera, para inferir as suas características. Por exemplo, a luz é defletida em maior ou menor grau conforme a densidade a diferentes altitudes, permitindo determinar a variação da pressão e temperatura atmosféricas em função da distância ao solo. 
A equipa de Pedro Machado contribuiu com duas observações realizadas a partir do Observatório do Centro Ciência Viva de Constância, e também com a sua experiência no processamento e análise dos dados. “O nosso grupo de observação de ocultações estelares já existe há quase seis anos. Pertencemos a uma rede internacional e recebemos os alertas internacionais para ocultações visíveis a partir de Portugal.” 
O segundo autor do artigo hoje publicado, Bruno Sicardy, é orientador de doutoramento, no Observatório de Paris, de Joana Oliveira, membro do grupo de estudo do Sistema Solar do IA. Joana Oliveira está a aplicar o método das ocultações estelares ao estudo de Tritão, uma das luas de Neptuno. Outro membro do grupo, João Ferreira, no Observatório de Nice e coorientado por Pedro Machado, está a utilizar os dados de posições de estrelas publicados pela missão Gaia4, da ESA, para aumentar o rigor na previsão de futuras ocultações estelares. 
Pedro Machado sublinha a ligação entre esta área e o estudo de exoplanetas. “Estamos a aprender na prática uma técnica similar à usada para detetar e caraterizar a atmosfera de exoplanetas. Há uma sinergia direta entre os estudos que estamos a fazer no Sistema Solar e os estudos que o IA está a fazer, ou irá fazer, por exemplo, com a futura missão Ariel5, da ESA, uma missão na qual nós lideramos um dos objetivos, que assenta precisamente nessa sinergia.” 
NOTAS:
1. O artigo “Pluto's lower atmosphere and pressure evolution from ground-based stellar occultations, 1988-2016”, por E. Meza, B. Sicardy, et al., foi publicado hoje na revista científica Astronomy and Astrophysics (DOI: https://doi.org/10.1051/0004-6361/201834281).
2. O Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) é a instituição de referência na área em Portugal, integrando investigadores da Universidade de Lisboa e da Universidade do Porto, e englobando a maioria da produção científica nacional na área. Foi avaliado como “Excelente” na última avaliação que a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) encomendou à European Science Foundation (ESF). A atividade do IA é financiada por fundos nacionais e internacionais, incluindo pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (UID/FIS/04434/2019).
3. Como o eixo de rotação de Plutão é muito inclinado, este roda quase deitado na sua órbita. Isto faz com que exponha permanentemente ao Sol as latitudes setentrionais durante uma fração dos mais de dois séculos que demora a sua volta completa ao Sol. Este tempo coincide também com a passagem pelo ponto da órbita mais perto do Sol (o periélio), que aconteceu em 1989. Plutão tem uma órbita muito excêntrica, variando a sua distância ao Sol entre cerca de 30 e 49 vezes a distância média da Terra ao Sol.
4. O satélite Gaia, lançado a 19 de dezembro de 2013, tem por objetivo criar o maior e mais preciso catálogo de posições, distâncias, movimentos e outras características de cerca de um por cento do total de estrelas da Via Láctea.
5. Ver comunicado de imprensa do IA de 23 de março de 2018, “Portugal no grande salto para os exoplanetas”.

Desfiando o passado: a antiguidade greco-latina em contínua presença

A Associação de Professores de Latim e Grego organizou um ciclo de conferências com o título Desfiando o passado: a antiguidade greco-latina em contínua presença. Sendo, em primeiro lugar, destinada a professores, é aberto a quem se interessar pelo tema. E apesar de a cultura clássica estar reduzida a um mínimo desalentador na escola pública, as duas anteriores sessões foram um êxito, sinal de que é possível recuperar o seu lugar no currículo para todos. Esta é a terceira sessão também ela aberta a quem quiser perceber melhor o presente desafiando o passado.


Lisboa tem cada vez mais turistas mas as visitas aos museus caíram a pique


Tentei um dia ir ao "novo" Museu dos Coches, mas como faltava uma hora para o fecho não me deixaram entrar. Eles não devem querer visitantes. Destaco o texto de Fábio Martins no MAGG 5/5/2019


O "El País" diz que há duas explicações: ou os visitante são burros ou os responsáveis pelo património português estão a falhar.
Embora Lisboa esteja cada vez mais repleta de turistas, a verdade é que são poucos aqueles que visitam os vários museus da cidade. Quem o diz é o jornal espanhol “El País”, que escreve que Lisboa é das poucas capitais europeias onde não se formam longas filas para visitar alguns dos monumentos mais importantes da história do País.

O jornal cita os dados disponibilizados pela Direção Geral do Património Cultural que diz que, só em 2018, museus, monumentos e palácios portugueses perderam mais de meio milhão de visitantes. Mas embora as entradas em museus tenham caído em cerca de 12%, a chegada de turistas ao País subiu em 11%.

Segundo a mesma publicação, há duas explicações possíveis: “Ou os visitantes são burros ou os responsáveis pelo património português não estão a saber fazer o seu trabalho.” E o jornal toma um partido, apostando na segunda hipótese.

“Em relação a 2017, o Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado perdeu cerca de 37,7% do seu público, o de Etnologia perdeu 36,6% e o de Arte Antiga perdeu 27,6%”, lê-se ainda. Mas há mais, como o Museu de Teatro e Dança que recebe menos de metade das visitas do que aquelas que foram registadas em 2014.

Mas segundo o jornal, o caso mais desastroso é o Museu Nacional dos Coches que, atualmente, tem a mesma quantidade de afluência do que em 2015.

“Foi uma das últimas obras que os países do sul criaram com fundos europeus na altura das vacas gordas. Um museu que custou 40 milhões de euros desnecessariamente. Em suma, trata-se de uma vergonha nacional”, lê-se.

Quando foi construido, esperava-se que pudesse atrair cerca de um milhão de visitas. Mas este ano o número total é de 320 mil e, diz o jornal que “é o número mais baixo da sua triste história.”

“Além disso, a manutenção do museu exige 3,3 milhões de euros enquanto há outros que caem, literalmente, por falta de dinheiro e têm de fechar salas e auditórios por falta de vigilantes — como acontece com o Museu Nacional de Arte Antiga”, continua.
Mas o jornal vai mais longe e ataca a diretora do Museu Nacional dos Coches: “Mas como uma desgraça nunca vem só, a sua diretora Silvana Bessona culpa a falta de lugares de estacionamento, como se algum dos outros o tivesse”, conclui o jornal.

A Riqueza dos Políticos e Titulares de Altos Cargos Políticos


Meu artigo de opinião publicado ontem no "Diário as Beiras", distribuído conjuntamente com o "EXPRESSO" desse dia:

“No meio de um povo geralmente corrupto a liberdade não pode durar muito” (Edmund Burke, político inglês do seculo XVIII).

Ainda que tendo de ser submetida a uma votação final no Parlamento, segundo o “Correio da Manhã”, do dia 5 deste mês, os deputados aprovaram uma lei que vai dificultar a verificação dos rendimentos e património de quem exerce cargos políticos e altos cargos públicos.

Pronunciando-se sobre ela, João Paulo Batalha, presidente da Associação Transparência e Integridade, lança o alerta: “É a opacidade total. É uma lei para reduzir a transparência, a capacidade de escrutínio e branquear más condutas”!

Bem eu sei a dificuldade em combater a corrupção, hidra de sete cabeças, que uma delas degolada logo outra surgia em sua substituição. Aliás, esta hercúlea dificuldade em combater a corrupção foi reconhecida por Alan Greenpan, figura respeitável no domínio da economia norte-americana dos nossos dias, quando escreve: "Corrupção, peculato, fraude, todas estas são características que existem por todo o lado. É lamentavelmente a forma como a natureza humana funciona, quer queiramos ou não. O que economias bem-sucedidas fazem é mantê-las no mínimo. Ninguém, alguma vez, conseguiu eliminar qualquer destas coisas”.

A causa desta desgraça, que mina a economia dos países, trazendo ao de cima as suas fragilidades éticas e morais, é atribuída pela esquerda aos países capitalistas. Todavia, “pelo factos serem sagrados e os comentários livres”, segundo G.P.Scott, os factos demonstram que ao socialismo cabe a quota maior.

Haja em vista o caso da antiga República Democrática Alemã e República Federal Alemã que tinham separá-las o “Muro de Berlim” que o “nonsense” servia aos comunistas para atribuírem, a esta muralha de betão, a finalidade de evitar que os alemães da parte ocidental fugissem para a parte oriental. E isto já para não falar do caso das duas Coreias, a do Norte e a do Sul.

A lei citada no princípio deste texto, curiosamente aprovada, quiçá por problemas de má consciência, pelo PCP, BE, PS e o próprio CDS, e reprovada pelo PSD, em vez de combater a corrupção daria ao corruptos e corruptores a possibilidade de varrer para debaixo do tapete todos os escândalos a serem noticiados pelos media, mas abafados pela chamada “lei da rolha”!

Encaremos, agora, o caso português visto, anos atrás, na imprensa estrangeira. Segundo um artigo de Daniel Kaufmman, edição de Revista Finance & Development, editada pelo Fundo Monetário Internacioanal (Setembro, de 2005) , “Portugal poderia estar ao nível da Finlândia se melhorasse a sua posição no ranking de controlo da corrupção”.

Termino com uma pergunta: não seria a aprovação desta medida no Parlamento uma machadada na Liberdade de Imprensa permitindo que os seus usufrutuários continuassem a apregoar as suas virtudes ao serviço da “res publica” e escondendo o vício privado dela se servirem para aumentarem vertiginosamente o seu património pessoal de origem mais do que duvidosa?

Não se apagam fogos de corrupção com a gasolina da permissividade que os atiçam!

sábado, 11 de maio de 2019

Onésimo Teotónio de Almeida ganha Prémio José Mariano Gago da SPA


Muitos parabéns ao Onésimo Teotónio de Almeida! Transcrevo comunicado da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA):

Onésimo Almeida vence Prémio Mariano Gago 2019 na SPA 

 A obra vencedora da edição de 2019 do Prémio Mariano Gago, promovido pela SPA e que visa distinguir o autor português com o melhor livro de divulgação científica editado no ano anterior, é, por decisão unânime do júri independente designado para o efeito, “O Século dos Prodígios”, do escritor Onésimo Teotónio Almeida.

 Este livro reúne um conjunto de ensaios sobre o papel que Portugal e os Portugueses desempenharam nos séculos XV e XVI no processo que alguns designam por “primeira globalização”. Nesse processo, para além da curiosidade, foram determinantes as atividades de experimentação, que seriam mais tarde traves-mestras da revolução científica. A historiografia internacional da ciência tem ignorado esses contributos dos navegadores pioneiros. Os Descobrimentos portugueses foram um marco na história mundial, sem o qual outros não se poderiam ter concretizado.

 Onésimo Teotónio de Almeida é Professor na Universidade de Brown, nos Estados Unidos da América e tem uma vasta obra publicada, designadamente de ensaio.

 Lisboa, 10 de Maio de 2019

Um fundador do Facebook defende o seu desmantelamento


Vários leitores costumam mandar-nos contribuições para aqui serem divulgadas. Chegou-nos de um leitor esta notícia da Lusa:


Cofundador da Facebook defende desmantelamento da empresa
O desmantelamento da empresa Facebook foi recomendado na quinta-feira por uma das suas principais figuras, o cofundador Chris Hughes, num longo artigo de opinião, em que também defende o seu controlo apertado.

Hughes, que fundou esta empresa de redes sociais com Mark Zuckerberg há 15 anos num dormitório da Universidade de Harvard, escreveu no New York Times: “É a altura de desmantelar a Facebook”, separando a rede social, que é a sua atividade original, das aplicações Instagram e WhatsApp, que entretanto adquiriu.
No seu texto, Chris Hughes, que saiu da empresa e garante ter vendido a sua posição em 2012, criticou diretamente Zuckerberg, que acusou de ter sacrificado a proteção da vida privada dos utilizadores em benefício do clique e de ter eliminado a concorrência sem estado de alma.
O texto, muito longo, é acompanhado de uma fotografia dos dois, com rostos juvenis, no ‘campus’ da universidade em 2004.
“É um ser humano. Mas é a sua humanidade que torna o seu poder, fora de controlo, tão problemático”, escreveu Hughes, sobre o seu antigo colega.
Mark Zuckerberg “criou um leviatã que elimina o espírito de empresa e restringe a escolha dos consumidores”, acusou Hughes, que agora é membro do Projeto de Segurança Económica (Economic Security Project), que defende a instauração de um rendimento mínimo de existência nos Estados Unidos da América, e do Roosevelt Institute.
Na sua opinião, Zuckerberg pode decidir, por seu livre arbítrio, alterar os algoritmos da Facebook, para modificar o que os utilizadores veem no seu fio de atualidade ou os parâmetros de proteção de vida privada.
“Estou em cólera pela prioridade que deu ao crescimento, negligenciando a segurança e o civismo para ganhar a corrida aos cliques”, lamentou, afirmando que “o governo deve responsabilizar Mark” por esta situação.
Para Chris Hughes, a Facebook tornou-se um monopólio que convém desmantelar “no mais curto espaço de tempo”: reguladores e eleitos devem tratar rapidamente deste dossiê com, se for preciso, a ameaça de um processo antimonopólio nos tribunais.
E acrescentou: “Desmantelar a Facebook não é suficiente. Precisamos de uma nova agência, encarregada pelo Congresso de regular as empresas tecnológicas”.
Hughes junta-se assim a outros críticos virulentos, como George Soros, que ataca com frequência a Facebook e outras empresas da internet, que também descreve como “monopólios cada vez mais potentes”.
Hughes junta-se também à senadora democrata Elizabeth Warren, candidata democrata às eleições presidenciais de 2020, que propôs recentemente “desmantelar estes monopólios” e que considerou hoje, na rede social Twitter, que Chris Hughes tinha “razão”.
Já muito criticada por não ter antecipado as manipulações políticas orquestradas pela sua rede – em particular, durante a campanha presidencial norte-americana em 2016 –, a Facebook é também atacada pela gestão dos dados pessoais dos seus utilizadores, desde o escândalo Cambridge Analytica em 2018.

MadreMedia / Lusa  2019-5-10  https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/cofundador-da-facebook-defende-desmantelamento-da-empresa

Projeto POMBAL GLOBAL



Projeto POMBAL GLOBAL
Obra Completa Pombalina”
Consórcio de Mecenas destinado a financiar o maior projeto científico de sempre sobre o Marquês de Pombal

para colmatar uma das lacunas mais graves da cultura portuguesa

O Município de Lisboa, o Município de Oeiras, a Fundação Millennium BCP, a Fundação Marquês de Pombal e a Universidade Aberta juntamente com o Grupo Jerónimo Martins, o Município de Pombal e o Município de Sernancelhe e a Universidade de Coimbra associaram-se para apoiar a maior operação científica de sempre em ordem à identificação, levantamento, transcrição, anotação e edição criticamente anotada de toda a obra escrita do Marquês de Pombal e redigida sob a sua orientação. O Ministério da Cultura emitiu uma declaração de interesse cultural de um projeto que visa suprir uma lacuna da historiografia portuguesa e internacional do século XVIII e dar a conhecer a mentalidade iluminista e a formação do contemporâneo Estado nacional.
Esta operação será levada a cabo por uma vasta equipa interdisciplinar e internacional de investigadores sob a coordenação científica dos Professores Viriato Soromenho-Marques, Pedro Calafate e José Eduardo Franco e com a coordenação académica da Cátedra convidada FCT Infante Dom Henrique da Universidade Aberta e do CLEPUL da Faculdade Letras da Universidade de Lisboa em parceria com o Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes, contando com o apoio estratégico da Universidade de Coimbra e de outras Universidades de Portugal e do Brasil, nomeadamente a Universidade Federal de Sergipe, de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Os mais altos representantes das instituições mecenas agendaram uma cerimónia de assinatura dos protocolos que oficializarão este consórcio de mecenas para as 12 horas do próximo dia 13 de maio, data de aniversário natalício de Pombal, na Igreja Memória em Lisboa, onde estão depositados os seus restos mortais. O financiamento significativo que será garantido por este consórcio de mecenas permitirá sustentar durante 5 anos uma equipa especializada de investigadores para realizar a pesquisa exaustiva de toda a documentação pombalina dispersa por mais de 100 bibliotecas e arquivos de vários países e continentes, nomeadamente Portugal, Brasil, Inglaterra, Áustria, Holanda, Espanha, França, Itália, Rússia, Polónia, Índia, China, Estados Unidos México, Argentina, Canadá, Japão, Angola, Moçambique, Cabo Verde, entre outros.


Breve apresentação do
Projeto POMBAL GLOBAL
OBRA COMPLETA POMBALINA
Atualizada e anotada criticamente a partir das fontes primeiras
Direção de José Eduardo Franco, Pedro Calafate e Viriato Soromenho-Marques

Sinopse e Pertinência do Projeto:

É bem conhecida a importância histórica do Marquês de Pombal e da sua ação política e diplomática, que o tornaram num dos políticos portugueses mais marcantes e de maior projeção internacional. Na verdade, Sebastião José de Carvalho e Melo, diplomata da corte portuguesa junto da corte inglesa e da corte austríaca, e depois “Primeiro-Ministro” de D. José I, legou à posteridade uma vasta obra por ele escrita ou por ele diretamente inspirada.  Algumas das suas medidas e reformas políticas tornaram-se pioneiras tanta no âmbito da história portuguesa, como a nível internacional, entre as quais a criação da região demarcada dos vinhos do Porto no Douro, a reforma da educação e da universidade, a abolição da escravatura na metrópole, a reforma da inquisição, o fim da distinção entre cristãos velhos e cristãos novos, a reforma administrativa dos territórios ultramarinos, entre outras.
Esta obra, constituída por manuscritos inéditos e impressos, encontra-se ainda hoje dispersa e mal conhecida, mas merece, em virtude do seu significado histórico, político, filosófico, pedagógico, jurídico, religioso, urbanístico e artístico, uma edição global devidamente enquadrada e criticamente anotada. A preparação da edição da obra completa deste homem que foi uma das maiores figuras políticas de Portugal e da Europa das Luzes será certamente um marco cultural de relevo, bem como abrirá caminho para um conhecimento mais aprofundado da vida, do pensamento e da ação deste político controverso. A viabilização deste projeto editorial preencherá, sem dúvida, um vazio grave da nossa cultura, que especialistas e interessados no período pombalino identificam recorrentemente e cuja urgência em colmatar reivindicam há muitos anos.
A inexistência da edição da “Obra Completa Pombalina” constitui, de facto, uma tripla falha cultural que obstaculiza fortemente as investigações históricas e filosóficas sobre o século XVIII português. Com efeito:
1. Constitui-se como a mais grave lacuna no campo da investigação sobre as coordenadas culturais do século XVIII português;
2. Contribui para uma profunda insuficiência no estudo da mentalidade iluminista portuguesa;
3. Concorre para uma profunda insuficiência no levantamento das condições conjunturais da formação do Estado contemporâneo nacional.
Concomitantemente, por carência da compilação da totalidade da obra do Marquês de Pombal, tem-se tradicionalmente absolutizado um conjunto contraditório de interpretações sobre o real papel deste ministro do reino nas profundas transformações políticas, económicas, pedagógicas e de costumes que varreram Portugal na segunda metade do século XVIII. Tal contribuiu fortemente para a consolidação, no imaginário histórico português, do “mito” do Marquês de Pombal, que a copiosa bibliografia passiva adorna positiva e negativamente, num balancear que apenas novas investigações, fundadas na futura obra completa publicada do Marquês de Pombal, poderão superar, estatuindo o real e legítimo papel da ação do Marquês na evolução histórica de Portugal.
Deste modo, a publicação da sua obra completa tenderá, gradualmente, a esvaziar o mito do Marquês de Pombal, elevando a sua ação a um plano historiograficamente real.

Objetivos:

1) Fazer o levantamento de toda a obra escrita do Marquês de Pombal ou por ele diretamente inspirada;
2) Preparar uma edição criticamente anotada e atualizada de toda a obra recenseada e levantada em mais de 100 arquivos e bibliotecas nacionais e internacionais;
3) Promover a renovação dos estudos pombalinos envolvendo na sua preparação um grupo intergeracional, interuniversitário, interdisciplinar e internacional de investigadores, em que jovens e promissores investigadores possam integrar equipas coordenadas e supervisionadas por investigadores academicamente reconhecidos, proporcionando-lhes uma experiência profissional na área da investigação e permitindo-lhes realizar formação pós-graduada;
4) Contribuir para um conhecimento mais aprofundado da vida e da obra do Marquês de Pombal por meio de uma abordagem interdisciplinar e de uma compreensão global, para além das visões parciais motivadas pelas paixões polémicas que ora desvalorizaram grandemente, ora supervalorizaram o significado da sua ação.

O FALHANÇO DO NOSSO SISTEMA EDUCATIVO.


Texto recebido de Galopim de Carvalho:

“Promover a reflexão sobre os acontecimentos actuais, fomentar o pensamento crítico, criativo e independente, contribuindo assim para a promoção da tolerância e da paz”. São palavras de UNESCO, atiradas ao vento que, infelizmente, muitíssimo pouco ou nada no têm tocado.
Tudo o que nelas se pretende promover está contemplado no teórico e ilusório propósito oficial da nossa escolaridade obrigatória, agora de 12 anos. Basta ler os textos programáticos de alguns dos responsáveis pelo nosso ensino para verificar que assim é. Mas a verdade é que continuamos a ser um povo maioritariamente desinteressado pelos valores da ciência e da cultura, alienados pelo “jogo da bola” e em que a maioria dos simpatizantes dos partidos políticos desconhecem os fundamentos das respectivas ideologias.
O Primeiro Ministro António Costa tem perfeita consciência desta  “vergonha nacional” (palavras minhas) quando diz: “De uma vez por todas, o país tem de compreender que o maior défice que temos não é o das finanças. O maior défice que temos é o défice que acumulámos de ignorância, de desconhecimento, de ausência de educação, de ausência de formação e de ausência de preparação”.

A Revolução de Abril, escancarou não só as portas, como os portões e as janelas, ao conhecimento nos mais variados temas das culturas científica, humanística e artística. Mas vivemos 45 anos, praticamente, de costas voltadas para estes valores, entretidos com futebol, lutas entre os aparelhos partidários, e três televisões, duas delas, privadas, essencialmente vocacionadas no lucro (o que não choca, como empresas que são e garantem trabalho a muita gente) e uma, pública, paga por todos nós, que “dá ao povo aquilo de que o povo gosta” e que, assim, não sai da incultura em que cresceu, vive e vai despedir-se deste mundo, sem ter aproveitado o prazer de saber e com isso ter participado numa sociedade melhor.
Não obstante os belos propósitos, que eu diria falhos de convicção, de responsáveis pelo ensino como, por exemplo o que diz que a escolaridade obrigatória estabelece que um aluno, no final dos respectivos 12 anos, esteja “munido de múltiplas literacias que lhe permitam analisar e questionar criticamente a realidade, avaliar e selecionar a informação, formular hipóteses e tomar decisões fundamentadas no seu dia a dia”, a verdade é que (só falo da experiência que tive) são muitos os rapazes e as raparigas, que pouco ou nada leram, que chegam à universidade falhos de todas as culturas, sem saberem escrever português.
Os teóricos que aconselham os governos pretendem (ilusoriamente e estou em crer que sem convicção) que o jovem, cumprida a escolaridade obrigatória, “seja livre, autónomo, responsável e consciente de si próprio e do mundo que o rodeia”, mas basta ver a elevada percentagem de abstenções nos actos eleitorais, para constatar a falência deste nobre propósito.
Os programas oficiais estabelecem que, nas diferentes áreas de competências, os alunos aprendam a “colaborar em diferentes contextos comunicativos, de forma adequada e segura, utilizando diferentes tipos de ferramentas (analógicas e digitais), com base nas regras de conduta próprias de cada ambiente”. Um belo e elevado propósito que não teve e continua a não ter realidade visível na média dos nossos cidadãos e cidadãs. O que salta à vista nos dias que correm e nesta geração de adolescentes, que teve e tem o privilégio de fruir da condição de estudante e se manifesta como se vê nas lamentáveis e degradantes “Queima das Fitas”, é o uso obsessivo dos telemóveis, onde quer que estejam e seja a que horas forem.
É, pois, preciso e urgente olhar para esta realidade do nosso ensino.
Os professores devem saber muito mais do que o estipulado no programa da disciplina que devem ter por missão ensinar, não se podendo limitar a meros transmissores dos tantas vezes estereotipados, deficientes e acríticos manuais de ensino. Para tal, necessitam de tempo, e tempo é coisa que, no presente, não têm. Há, pois, que libertá-los das tarefas que não sejam as de ensinar e rever toda a política dos ditos manuais, em especial no que diz respeito à creditação científica e pedagógica dos autores e à correspondente supervisão;
É necessário e urgente fomentar, como inerência de cargo, a dignificação e o respeito pelo professor, duas condições que lhes foram retiradas com o advento da liberdade que os militares de Abril nos ofereceram e que a democracia não soube aproveitar, e que a Escola recupere todas as competências fundamentais à disciplina, aqui entendida como observância às regras democraticamente estabelecidas.
A remuneração dos professores tem de ser compatível com a sua real importância na sociedade. Um professor universitário (que é avaliado, pelo menos três vezes ao longo da carreira) não é nem mais nem menos importante do que uma educadora de infância ou de um professor ou professora do ensino básico ou do secundário. Por outro lado há que resolver o grave problema da colocação de professores, com vidas insuportáveis material e emocionalmente, a dezenas de quilómetros de casa, separados das famílias
É, pois, preciso e urgente que a pasta da Educação se torne numa das principais preocupações dos governos, não só na escolha dos respectivos titulares, como nas dotações orçamentais que permitam dar às escolas as necessárias condições de trabalho.
Em suma, é preciso e urgente olhar para a realidade do nosso ensino e haver vontade política (despida de constrangimentos partidários) para promover uma profunda avaliação e consequente reformulação desta nossa “máquina ministerial” poderosa e nebulosa, de há muito, instalada.
Galopim de Carvalho

UM CAMINHO CURRICULAR PARA A FORMAÇÃO HUMANISTA?

Entenda-se este texto não como um elogio acrítico a uma nova escola de iniciativa privada, mas como uma reflexão acerca da estrutura curricu...